sexta-feira, 31 de julho de 2009

Papa Bento 16 lançará disco, diz gravadora



Um disco com a voz do papa Bento 16 será lançado será lançado no final do ano, segundo anúncio feito pela gravadora Geffen UK/Universal.No disco, chamado inicialmente de "Alma Mater" ("mãe que alimenta" em latim), o pontífice gravará mensagens e cantará músicas em latim, italiano, espanhol, francês, alemão e português.Segundo a gravadora, esta será a primeira vez que Bento 16 grava um disco, que está sendo lançado com a benção do papa.A gravação será lançada no dia 30 de novembro e a Geffen UK aposta que ele terá boas vendas na véspera do Natal.Voz 'incrível' O disco trará a Ladainha Lauretana, cantos marianos e oito melodias clássicas. O papa recitará passagens da Bíblia e orações acompanhado do coral da Filarmônica de Roma, conduzida por Pablo Colino, maestro emérito da Basílica de São Pedro.A britânica Royal Philharmonic Orchestra gravará as composições clássicas nos estúdios Abbey Road, em Londres.A gravadora e o Vaticano não divulgaram os valores envolvidos no lançamento do disco, mas, foi anunciado que os lucros do álbum serão doados para projetos de educação musical para crianças carentes pelo mundo.O presidente da gravadora Geffen UK, Colin Barlow, disse que a voz do papa é "incrível". Entre outros artistas da gravadora, estão Snoop Dogg, Mary J. Blige e Pussycat Dolls."Nós estamos felizes que o papa Bento 16 mostrou apreciação e deu sua benção especial a esse projeto", disse Barlow.Mais detalhes do disco serão anunciados em setembro, em um lançamento oficial do projeto no Vaticano.

Fonte: UOL e BBC - Londres.

Cáritas Espanha financia projetos na África, América Latina e Ásia



432 mil euros dedicados à educação e desenvolvimento

A direção da Cáritas Espanha aprovou um pacote de ajuda econômica no valor total de 432 mil euros com destino a uma dúzia de projetos de educação e desenvolvimento básico para comunidades especialmente vulneráveis de diversos países da África, América Latina e Ásia.
Três dos seis projetos localizados na África têm como objetivo financiar sistemas de fornecimento de água e saneamento, respectivamente, na comunidade rural de Kalo Kabite, na Etiópia; na região de Akrur, na Eritreia; e nas comunidades de Rutovu e Makamba, na província de Bururi, em Burundi.
Esses projetos – que receberão ajudas no valor de 64,5 mil euros, 34,6 mil euros e 24 mil euros – permitirão garantir o acesso à água potável, aspecto chave de qualquer projeto a longo prazo de desenvolvimento agrícola, a um total de dez mil pessoas de zonas especialmente deprimidas. Os projetos serão executados pelas Cáritas locais e pelas dioceses onde estão localizados.
Os outros três projetos da África que receberão o apoio da Cáritas Espanhola são de caráter diferente.
Um montante de 50 mil euros será destinado a um projeto educativo em Ruanda desenvolvido pela Cáritas Diocesana de Kabgayi, que garante acesso educativo às crianças órfãs da zona.
Outro montante de 32 mil euros será destinado a um programa integral de promoção da mulher desenvolvido pela Cáritas Nekemte, na Etiópia, do qual se beneficiam cerca de 800 mulheres, que participam de programas formativos e planos de acesso a micro-créditos.
E a Cáritas Diocesana de Diebougou, em Burkina Faso, será a receptora de outra ajuda de 12 mil euros para impulsionar um projeto de plantação de 20 hectares de castanha de caju, que proporcionará às comunidades rurais da região uma fonte estável de renda.
Colômbia, Bolívia e Equador são os países latino-americanos que repartirão os 137 mil euros aprovados pela Cáritas Espanhola para essa região.
Quase a metade, 71 mil euros, serão destinados a apoiar um ambicioso plano de desenvolvimento integral da Cáritas Colombiana para 3.400 membros de 17 comunidades indígenas da região do Urabá, e que conta com o apoio financeiro da comunidade das Ilhas Beleares (que oferece cerca de 75 mil euros) no marco do macro-projeto “Migrações e Desenvolvimento” que está presente em toda região andina há mais de cinco anos.
As localidades de Potosí, Sucre e Oruro, na Bolívia, é outro dos destinos do pacote de ajudas da Cáritas Espanhola, que apoiará com 50 mil euros o fortalecimento de diversas iniciativas micro-produtivas em zonas especialmente deprimidas desse país andino.
Os destinatários desses macro-projetos são cerca de 400 trabalhadores, homens e mulheres de meios rurais empobrecidos que se dedicam a produção artesanal nos setores têxtil e madereiro. Este projeto conta também com a colaboração da Comunidade Balear, que destina ao mesmo 70 mil euros.
O valor das ajudas destinadas à América Latina se completa com 6 mil euros para o Equador, onde se apoiará a construção de um centro para pessoas idosas na diocese de Loja.
Finalmente, para a Ásia se destinará um valor total de 77,7 mil euros, especificamente para Tailândia e Paquistão.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Crise ecológica deve ser enfrentada globalmente, indica Papa



Dedica sua mensagem para a Jornada Mundial da Paz ao cuidado da criação

“Se quiseres cultivar a paz, cuida do criado” (tradução livre) é o tema ao qual está dedicada a próxima mensagem para a Jornada Mundial da Paz, que acontecerá em 1º de janeiro de 2010.
A Sala de Imprensa Santa Sé publicou um comunicado nesta quarta-feira, para apresentar o tema da mensagem.
“O tema tenta fomentar uma tomada de consciência do estreito vínculo que existe, em nosso mundo globalizado e interconectado, entre a salvaguarda do criado e o cultivo do bem da paz”, assinala o comunicado.
“Esta estreita e íntima relação é, de fato, cada vez mais discutida, pelos numerosos problemas que afetam o meio-ambiente natural da pessoa, como o uso dos recursos, a mudança climática, a aplicação e o uso da biotecnologia, o crescimento demográfico”, assinala o comunicado.
O texto adverte que descuidar desses temas pode provocar violência não só entre os diversos povos, mas também entre gerações.
“Se a família humana não sabe enfrentar estes novos desafios com um renovado sentido da justiça e igualdade social e da solidariedade internacional, corre-se o risco de semear violência entre as populações e entre as gerações presentes e as futuras”, adverte.
A mensagem do Papa para a próxima Jornada Mundial da Paz recolherá as indicações da encíclicaCaritas in Veritate para destacar que a necessidade urgente de proteger o meio ambiente deve constituir “um desafio para a humanidade inteira”.
Na mensagem, Bento XVI apelará ao “dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo, destinado a todos, impedindo que se possa fazer impunemente uso das diversas categorias de seres como se queira”.
O comunicado indica que cuidar da criação “é uma responsabilidade que deve amadurecer sobre a base do caráter global da atual crise ecológica e da conseguinte necessidade de enfrentá-la globalmente”.
Isto é assim porque “todos os seres dependem uns dos outros na ordem universal estabelecida pelo Criador”, acrescenta o texto.
A mensagem do Papa indicará que “quando se tenta cultivar o bem da paz, deve-se favorecer, de fato, uma renovada consciência da interdependência que liga todos os habitantes da terra”.
“Essa consciência combaterá e eliminará diversas causas de desastres ecológicos e garantirá uma oportuna capacidade de resposta quando esses desastres afetam populações e territórios”, indica o comunicado.
Finalmente, o comunicado destaca que “a questão ecológica não deve ser enfrentada apenas pela aterradora perspectiva que a degradação ambiental perfila: deve conduzir, sobretudo, a uma forte motivação para cultivar a paz”.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Uma Igreja da Maçonaria

Pe. Crispim Guimarães*

Tenho como princípio quando escrevo, rememorar que minha função de evangelizador deve atingir não somente aqueles com quem me encontro nos cursos ou nas missas. Os Meios de Comunicação são espaços privilegiados para sanar dúvidas e proclamar a Boa Nova de Jesus. Não tenho outro intuito ao escrever, mesmo porque não ganho dinheiro com isso e não almejo cargos políticos.Portanto, o título que você observa neste artigo não foi de minha autoria, simplesmente o reproduzi daqueles que afirmam ter em Dourados uma igreja dedicada à Maçonaria. Já ouvi várias vezes, de determinadas pessoas, que esta igreja é a Catedral Imaculada Conceição. Da última vez, a pessoa teimou comigo, afirmando inclusive, que o bispo e o pároco são maçons. O que é possível acontecer com uma pessoa que vive do "eu acho" ou do "ouvi dizer"? Faz afirmações sem fundamentos e parece até acreditar no próprio engodo.A explicação para tal absurdo, segundo essas pessoas, é que na Catedral de Dourados há o olho do grande arquiteto da Maçonaria no alto do Mosaico, no altar central. Na Igreja Catedral de Dourados, nunca teve tal símbolo, existem sim, o Olho de Deus. Porém, alguém pode dizer que a Igreja Católica copiou tal alegoria. Não! Se a Igreja tivesse registrado seus emblemas como se faz com as patentes, isso não aconteceria. Todavia, esta nunca foi a preocupação dos católicos, pois não somos uma empresa. Nossos símbolos veem de séculos de tradição, não é diferente com o Olho de Deus.Raciocine comigo: A Maçonaria surgiu na Idade Média, quando a Igreja já existia há mais de um milênio. Aquele Olho também já existia há séculos como símbolo cristão, assim como tantos outros. Portanto, se houve uma cópia não foi da Igreja Católica. Na Maçonaria, segundo pesquisa, "o compasso, que desenha círculos perfeitos, representa a busca da perfeição pelo homem. A letra G, no centro de tudo, seria Deus. Para os maçons, é ele o Grande Arquiteto do Universo". O compasso seria então o olho, sobre o qual se formou a confusão por parte de algumas pessoas sem a necessária a informação. Chegam a afirmar ser a simbologia da Trindade. Mas, daí garantir que se tem uma igreja dessa instituição dentro da Igreja Católica, é demais.Outro equívoco sem precedentes, é afiançar que o bispo e o pároco são maçons, não se pode dizer o que não se sabe. Nunca foram e nem serão, a Igreja Católica não permite que seus membros (mesmo que uns ou outros no passado, à revelia tenham participado), sobretudo os seus consagrados, participem de outras instituições, dentre elas da Maçonaria, porque a Igreja acredita que, quem tem Deus não precisa de outras instituições para se salvar, e a salvação é em última instância, a realidade mais importante para quem acredita. Portanto, está claro que uma coisa nada tem a ver com a outra. Entretanto, para que sejam sanadas todas as dúvidas, ofereço o significado do mosaico da Catedral. O painel como um todo retrata a ação de Deus conosco, revelada em Cristo Senhor do Universo, no Pantocrator (nome grego), representação primitiva do cristianismo. Ele está na Glória, mas preserva as marcas da Paixão, testemunhas do seu amor. Estas iluminam o livro dos Evangelhos, e nos quatro seres alados estão representados os quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João.Os três círculos entrelaçados anunciam a Trindade. O Olho divino nos fala do Pai, a pomba do Espírito Santo e o Cristo Pantocrator, do Filho. Se você é um bom observador, já percebeu que na parte baixa do Mosaico, encontra-se a Cátedra do bispo, porque este, que é sucessor dos Apóstolos, recebe da Trindade a missão e a iluminação para seu ministério. Dando o meu parecer teológico, além daquele ditame artístico do criador do Mosaico, é possível observar que entre Deus Pai e a Igreja, presente no meio da humanidade, na pessoa do bispo, encontra-se o Filho, redentor e mediador, que sempre age na história pela ação do Espírito Santo.Voltando ao fato do bispo e do pároco serem confundidos com maçons, o senso comum é uma péssima maneira de asseveração, pois ambos precisariam participar de reuniões e estarem nos quadros da Maçonaria. Quem tem dúvidas, pesquise, porém, não saia dizendo o que não pode provar. Fica novamente, o lembrete, não fui eu que dei o título a este artigo, meu objetivo é esclarecer aquilo que não se justifica. *Assessor de Comunicação e Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados.

Fonte: Jornal O Progresso.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Norte-coreana pode ter sido morta por portar Bíblia

Aumentam as execuções de cristãos segundo grupos de direitos humanos

Por Nieves San Martín

Diferentes organizações de defesa dos direitos humanos na Coreia do Sul denunciaram o aumento das execuções de cristãos na Coreia do Norte, algumas delas em público.
O informe de várias organizações sul-coreanas destaca o caso de uma mulher que foi executada em público no mês passado, em uma cidade norte-coreana próxima da fronteira com a China.
Segundo indica Andre Vornic, correspondente da BBC na Ásia, a mulher foi acusada de distribuir bíblias, ser espiã para a Coreia do Sul e os Estados Unidos e colaborar com dissidentes.
O governo dos Estados Unidos sustenta que o fato de se possuir uma bíblia no país comunista possa ser motivo de torturas e sequestro, afirma Vornic.
De acordo com as denúncias, os pais desta mulher, seu marido e seus filhos foram enviados para um campo de detenção. O correspondente da BBC acrescenta que ainda que estas informações sejam muito difíceis de se comprovar, a Coreia do Norte é conhecida por sua intolerância para com a religião.
Segundo informa a agência AP, a mulher executada, Ri Hyon-ok, de 33 anos, era mãe de três filhos. Ela foi morta em uma cidade a noroeste de Ryongchon em 16 de junho, segundo um informe da Comissão Investigadora de Crimes contra a Humanidade, publicado na sexta-feira. O informe não pôde ser verificado.
Mas dá sequência aos testemunhos de dissidentes norte-coreanos e informes de grupos de direitos humanos que expõem cada vez com mais frequência a perseguição religiosa e violações dos direitos humanos no país comunista.
No mês passado, a Voz dos Mártires (VOM) advertiu que, através de um fax anônimo aparentemente da embaixada norte-coreana da Finlândia, dizia que “algo muito grave aconteceria” aos trabalhadores de VOM se a organização continuasse seu projeto de compartilhar o Evangelho. A advertência era a resposta ao trabalho de VOM de obter números de fax da Coreia do Norte e seu envio de faxes contendo mensagens cristãs e passagens da Escritura.
A Coreia do Norte foi qualificada como o pior perseguidor de cristãos durante sete anos consecutivos na Lista de 2009 de Open Doors Watch.
Os norte-coreanos são obrigados a praticar um culto à personalidade que inclui Kim Jong-Il e seu falecido pai. Qualquer outra religião, em especial a cristã está proibida.
Se descobrem que alguém é cristão ou possui uma Bíblia, é enviado aos campos de trabalho administrados pelo Governo ou deve enfrentar a execução pública.
Acredita-se que milhares de cristãos estão atualmente sofrendo nos campos de prisões da Coreia do Norte, segundo Open Doors. Suspeita-se que o regime tenha mais prisioneiros políticos e religiosos detidos que qualquer outro país do mundo.
Há algumas igrejas na capital, Pyongyang, mas são principalmente para manter as aparências. Não está claro se as igrejas estão abertas só quando os estrangeiros as visitam ou são apenas usadas por estrangeiros. De qualquer forma, estas igrejas não são para os cidadãos norte-coreanos, segundo os dissidentes.
A Comissão Investigadora de Crimes contra a Humanidade, uma coalizão de 50 grupos ativistas, está pedindo que o líder norte-coreano Kim Jong-Il seja acusado de crimes contra a humanidade.
Apesar da perseguição, estima-se que cerca de trinta mil norte-coreanos praticam o cristianismo em seus lares e em segredo.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

CNBB conclui Diretório Litúrgico para 2010

Texto elaborado pelo liturgista Pe. Rui Melati

Por José Caetano

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) informou no site do órgão episcopal que concluiu nesta sexta-feira, 24 de julho, a elaboração do Diretório Litúrgico para o ano de 2010.
O texto, elaborado pelo liturgista Pe. Rui Melati, pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em São Paulo, foi revisado por D. Matias Medeiros, do mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.
O Diretório Litúrgico traz, além das prescrições e orientações oficiais para as celebrações litúrgicas, traz informações sobre a CNBB, o episcopado e datas importantes das dioceses brasileiras, conforme informou a Assessoria de Imprensa da CNBB.

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Igreja proíbe o “abraço da paz” por causa da gripe suína



A paróquia da Barreirinha, em Curitiba, pode proibir os fiéis de darem o abraço da paz durante as missas. A medida serve para evitar a contaminação da gripe suína. Segundo o padre Leocádio Zytkowski, outras ações ainda devem ser implementadas a partir de hoje. As informações são da rádio CBN. O religioso contou ainda que todas as janelas e portas são mantidas abertas durante as missas e os ministros lavam as mãos com álcool para evitar o contato com o vírus H1N1.O padre Leocádio não acha que as mudanças são drásticas, nem teme que os fiéis deixem de frequentar as missa. A gripe suína já atingiu 61 pessoas no Paraná. Ontem foi registrada a primeira morte no Estado pela contaminação do vírus H1N1. Foi uma mulher adulta, da região de Jacarezinho, no Norte Pioneiro no Estado. Ela apresentou os sintomas no início do mês e o quadro clínico evoluiu para uma pneumonia. Outras 685 pessoas aguardam o resultado dos exames. 270 casos foram descartados.

Fonte: Bem Paraná.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Bento XVI apresenta “novo humanismo esportivo”



A Fundação João Paulo II para o Esporte comenta a mensagem ao Tour de France

A mensagem de Bento XVI deve abrir uma nova reflexão sobre os valores do esporte, em particular diante da difusão de doping entre jovens, considera Constantini, presidente da Fundação João Paulo II para o Esporte.
“As palavras do pontífice aos ciclistas do Tour de France alentam a buscar um novo humanismo esportivo”, afirma em um comunicado enviado à Zenit.
“Deveriam levar todo o mundo do esporte a refletir hoje, não amanhã, sobre a forma de promover uma prática esportiva que não seja efêmera ou um fim em si mesma”, acrescenta o presidente da fundação, que colaborará com a seção “Igreja e Esporte” do Conselho Pontifício para os Leigos.
O bispo de Roma saudou nesta terça-feira a passagem do Tour de France pelo Vale de Aosta, onde se encontra de férias, com uma mensagem na qual pede que “o empenho no esporte contribua para o crescimento íntegro da pessoa e não se desvincule do respeito dos valores morais e educativos”.
Constantini, fazendo referência aos contínuos casos de doping que continuam ocorrendo, não somente no esporte profissional, mas também no amador, particularmente entre os jovens, não hesita em falar de crise esportiva de valores.
“Agora, a crise ética e moral de boa parte do esporte profissional corre o risco de condicionar todo o movimento esportivo, sobretudo os comportamentos das novas gerações.”
O presidente da fundação cita, como exemplo, o caso verificado na Itália esta semana, de uma jovem esportista de 16 anos que foi denunciada depois de que o seu pai a acompanhou ao médico para que a submetesse a substâncias dopantes proibidas.
Por este motivo, Constantini deseja que a admoestação do Papa não sirva somente de estímulo para os esportistas crentes, mas que seja acolhida por toda a sociedade civil para colocar as bases do esporte do futuro.
“Acreditamos que é urgente propor novamente a todos os dirigentes, treinadores, pais, médicos, jornalistas e educadores um sério exame de consciência sobre a relação entre o esporte e a formação ética e moral dos nossos jovens e sobre o papel das sociedades esportivas como lugares educativos.”

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O que fazer por uma pessoa captada por uma seita?

Responde o catedrático José Luis Sánchez Nogales

O fenômeno das seitas, considerado pelos documentos da Igreja como um desafio, precisa de uma resposta pastoral. Qual deve ser? Para aprofundar no tratamento pastoral e pedagógico que deve ser realizado com base na fé católica, apresentamos esta entrevista com José Luis Sánchez Nogales.
Sacerdote diocesano de Almería, é catedrático de Filosofia da Religião e de História das Religiões na Faculdade de Teologia de Granada, onde ocupa também o cargo de vice-reitor. Na qualidade de destacado conhecedor do islã, é consultor do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso.
Autor de um bom número de livros e artigos sobre suas especialidades, é também membro da Rede Iberoamericana de Estudos das Seitas (RIES, http://info-ries.blogspot.com).
– Qual é a primeira atitude que os educadores na fé deveriam observar ante a suspeita de pessoas em processo de ser captadas por movimentos de religiosidade alternativa, inclusive seitas?
– José Luis Sánchez Nogales: A primeira ação é não perder a proximidade da pessoa, de modo que se mantenham abertas as vias de comunicação com o meio, sobretudo a família, educadores e amigos. Apesar das dificuldades de pessoal das instituições religiosas, o caminho a seguir é uma pedagogia e uma pastoral diretas, pessoa a pessoa. Uma das causas que provocam o deslocamento para zonas de sombra da religiosidade é a falta de calor humano na atenção pastoral e educativa em momentos de crise, especialmente quando se trata de pessoas que se sintam desatendidas ou inclusive espiritualmente feridas. Tendem a culpar a grande instituição religiosa. Se nesse momento recebem uma adequada acolhida, então é possível a reconciliação e a reorientação da vida religiosa.
– Como estabelecer um diálogo pastoral e educativo com pessoas que se encontram em situação de busca e possivelmente tentadas a deslocar-se para algum movimento ou organização ambíguos?
– José Luis Sánchez Nogales: O contato que se deve estabelecer nestes casos é o que chamamos de um diálogo terapêutico, curador, no sentido espiritual do termo. E a linguagem própria deste tipo de diálogo é o testemunho. O começo do diálogo não é oferecer uma “mercadoria”, mas questionar com humildade, preocupar-se pelo que o outro em necessidade pode oferecer. É o “dá-me de beber” de Jesus, ao início do encontro, que dá espaço para que aflorem as autênticas carências e necessidades da pessoa. Por outro lado, o caráter testemunhal dá à palavra do educador uma seriedade avalizada pelo convencimento grave do que expressa, e leva a sério o fato de dizê-lo ao outro. A palavra chega a ser algo mais que comunicação, pois se faz doação que quer afetar o interlocutor. Trata-se de uma palavra sincera, que procede do profundo de quem a pronuncia e que atualiza sua eficácia quando toca o profundo de quem a escuta. Não testemunha quem meramente recita um ditado ou um discurso aprendido sem que a palavra passe por seu coração e o “toque”. Não pode tocar o outro quem, em sua própria profundidade não se sente tocado e afetado pela mensagem que testemunha. Isto é muito importante no diálogo com estas pessoas.
– Quais as falhas existentes nas grandes instituições religiosas, em nosso caso, a Igreja, para que produza o êxito de movimentos de perfil religioso duvidoso?
– José Luis Sánchez Nogales: Bom, é provavelmente mais fácil dizer que levar à prática. Mas é certo que notamos um déficit de experiência religiosa em nossos jovens e também nos adultos. Deve-se potencializar a capacidade de evocar autêntica experiência religiosa em celebrações, ensino, encontros, etc. A alma das crianças e dos jovens fica, em muitas ocasiões, insatisfeita com as atenções pastorais e pedagógicas que poderíamos chamar “de conservação”. Creio que aconteceu um déficit na promoção de atividades que preencham os espaços vazios das crianças e dos jovens. Assistimos, nos últimos vinte e cinco anos um progressivo envelhecimento da “população cultural”, o setor de crentes de prática religiosa regular sobre o qual acaba recaindo quase toda a ação pastoral mais diretamente espiritual e religiosa das instituições eclesiais. Absorve uma alta porcentagem das energias pastorais de um clero também envelhecido cujo trabalho meritório nunca é bastante reconhecido. Mas o setor mais jovem de nossa sociedade constituiu a experiência em norma daquilo que tem valor e vale a pena. Por esta razão é necessário procurar um espaço de experiência viva, pois os receptores cognoscitivos racionais deixaram de ter a primazia nesta cultura. Uma comunicação teologicamente coerente e racionalmente válida não será atendida se não é percebida como experiência que faz viver, ajuda viver, impulsiona a viver. É um desafio para todos nós.
– Por último, como concretizar, ao menos em alguns elementos, a ação pastoral e pedagógica nesta direção de proporcionar um ambiente de experiência religiosa e de diálogo espiritual ante estes fenômenos dos movimentos de perfil ambíguo, inclusive sectário?
– José Luis Sánchez Nogales: Parece-me importante continuar as experiências que já realizam diversas instituições e paróquias. Iniciar na prática da meditação cristã, nas diversas formas de oração, a leitura da Sagrada Escritura, etc., propiciar um clima religioso atrativo e pacificador nas celebrações, onde as pessoas encontrem Deus oferecendo resposta salvífica a seus diversos problemas e onde haja uma atitude verdadeiramente participativa. Lutar contra a “falta de alma” que pode dar-se às vezes nos ritos religiosos cristãos e que provoca os vazios espirituais e a busca por essas sombras religiosas a que aludimos. Esta ajuda às pessoas para conhecerem a si mesmas como seres únicos, amados por Deus em sua história humana peculiar é muito importante. Estão fazendo esforços para proporcionar calor humano às comunicações cristãs e criar um ambiente de fraternidade e proximidade pastoral. Uma verdadeira ecologia das relações humanas contra o isolamento e a alienação de que são vítimas muitas pessoas em nossas sociedades. As seitas oferecem um protagonismo religioso que nas grandes igrejas parece menos acessível. Hoje, são incontáveis os sofrimentos de ordem física, psíquica, moral e espiritual que afetam as pessoas, famílias, comunidades, sociedades inteiras. As igrejas cristãs devem fazer ressoar no mundo atual a mensagem alegre, curativa e salvífica de Deus em Jesus Cristo.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Começar e concluir a leitura da Bíblia orando



10 sugestões aos católicos

Para ler a Bíblia, deveríamos começar com uma oração para abrir nosso coração e nossa mente à Palavra de Deus e terminar “com uma oração para que esta Palavra dê fruto em nossa vida, ajudando-nos a ser pessoas mais santas e mais fiéis”.
Começar e terminar de ler a Bíblia orando é uma das 10 sugestões para tornar frutífera a leitura da Bíblia para os católicos, oferecidas por Mary Elizabeth Sperry, diretora associada para o uso da New American Bible na Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB).
As sugestões de Sperry, disponíveis no site http://www.usccb.org/mr/mediatalk/bible_catholics_sp.shtml, incluem saber o que é a Bíblia e o que ela não é.
As 10 sugestões de Sperry são:
1.Ler a Bíblia é para os católicos, sim. A Igreja estimula os católicos para que façam da leitura da Bíblia parte de sua vida diária de oração. Ao ler estas palavras inspiradas, as pessoas aprofundam em sua relação com Deus e chegam a entender seu lugar na comunidade daqueles que Deus chamou para si.
2.Orar no começo e no final. Ler a Bíblia não é como ler um romance ou um livro de história. Deveríamos começar com uma oração pedindo ao Espírito Santo que abra nosso coração e nossa mente à Palavra de Deus. A leitura da Sagrada Escritura deveria terminar com uma oração para que esta Palavra dê fruto em nossa vida, ajudando-nos a ser pessoas mais santas e mais fiéis.
3.Fique por dentro de toda a história! Ao escolher uma Bíblia, procure uma edição católica. A edição católica inclui a lista completa dos livros que a Igreja considera sagrados, assim como introduções e notas para compreender o texto. Toda edição católica inclui uma nota de imprimatur no verso da página de título; ele indica que o livro está livre de erros doutrinais segundo o ensinamento católico.
4. A Bíblia não é um livro, é uma biblioteca. Ela é uma coleção de 73 livros escritos ao longo de muitos séculos. Tais livros incluem a história dos reis, profecias, poesias, cartas que desafiam as novas comunidades de crentes em dificuldade e relatos da pregação e da paixão de Jesus, transmitidos por parte dos crentes. O conhecimento do gênero literário do livro que se está lendo o ajudará a entender as ferramentas literárias que o autor utiliza e o significado que este procura transmitir.
5.Saiba o que é a Bíblia – e também o que ela não é. A Bíblia é o relato da relação de Deus com o povo que Ele escolheu para si. Não está escrita para ser lida como um livro de história, nem de ciência, nem como um manifesto político. Na Bíblia, Deus nos ensina aquelas verdades de que precisamos para o bem da nossa salvação.
6.O todo é maior que as partes. Leia a Bíblia em seu contexto. O que acontece antes e depois – inclusive em outros livros – nos ajuda a entender o verdadeiro significado do texto.
7.O antigo tem relação com o novo. O Antigo e o Novo Testamentos se iluminam mutuamente. Ainda que leiamos o Antigo Testamento à luz da morte e ressurreição de Cristo, este tem também seu valor próprio. Juntos, os testamentos nos ajudam a entender o plano de Deus para a humanidade.
8.Você não está lendo sozinho. Ao ler e refletir sobre a Sagrada Escritura, os católicos se unem àqueles homens e mulheres fiéis que levaram a sério a Palavra de Deus e a puseram em prática em sua vida. Lemos a Bíblia na tradição da Igreja para beneficiar-nos da santidade e sabedoria de todos os fiéis.
9.O que Deus está me dizendo? A Bíblia não se dirige somente às pessoas que morreram há muito tempo em um lugar distante. Também se dirige a cada um de nós em suas próprias circunstâncias. Quando lemos, devemos entender o que o texto diz e como os fiéis entenderam seu significado no passado. À luz desse entendimento, então nos perguntamos: “O que Deus está me dizendo”.
10.Ler não é suficiente. Se a Sagrada Escritura ficar somente em palavras em uma página, nossa tarefa não terminou. Precisamos meditar sobre a mensagem e colocá-la em prática em nossa vida. Somente então a Palavra pode ser “viva e eficaz” (Hb 4, 12).

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O tráfico de drogas



Argumentos continuam sobre legalização

Por Pe. John Flynn


O tráfico de drogas e seus problemas associados ao crime organizado e à corrupção continuam a ser um grave problema. Em 24 de junho, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) publicou sua edição 2009 do relatório anual World Drug Report.
O relatório mostra que os mercados mundiais de cocaína, ópio e maconha estão estáveis ou em declínio. Em contrapartida, a produção e o uso de drogas sintéticas são cada vez mais temidos no mundo em desenvolvimento.
O cultivo de ópio no Afeganistão, fonte de mais de 90% do ópio do mundo, diminuiu 19% em 2008, de acordo com o UNODC. A Colômbia, que produz cerca de metade do consumo mundial de cocaína, viu um declínio similar de 18% no cultivo. De fato, o relatório estima que a produção mundial de coca está em baixa há cinco anos, apesar de alguns aumentos de cultivo no Peru e na Bolívia.
"O mercado global de cocaína, que movimenta US$ 50 bilhões, está passando por mudanças sísmicas", disse Antonio Costa, diretor executivo do UNODC. "Os índices de pureza e o número de apreensões (nos principais países consumidores) estão diminuindo, os preços estão aumentando, e os padrões de consumo estão em evolução. Isso pode ajudar a explicar o terrível aumento nos índices de violência em países como o México. Na América Central, os carteis estão disputando um mercado em retração", disse Costa.
Quanto à maconha, a droga mais amplamente cultivada e utilizada em todo mundo, o relatório admite que, embora seu consumo esteja estável nos maiores mercados, os dados são incertos para os países em desenvolvimento.
UNODC acrescentou que a pesquisa revela que a maconha é mais prejudicial do que comumente se acredita. O teor médio de THC (o componente ativo) de maconha hidropônica na América do Norte quase duplicou na última década. Isto tem importantes implicações para a saúde, tal como evidenciado por um aumento significativo no número de pessoas que procuram tratamento, diz o relatório.
Quando se trata de drogas sintéticas - anfetaminas, metanfetaminas e ecstasy - o relatório observou que as notícias são mistas. O uso tem caído nos países desenvolvidos. Já nos países em desenvolvimento, o receio é de que a produção e o consumo podem estar crescendo, mas há uma escassez de dados confiáveis.
Laboratórios de porte industrial no Sudeste Asiático - particularmente na sub-região do Grande Mekong - estão produzindo quantidades massivas de comprimidos de metanfetaminas, crystal meth (conhecida como ice) e outras substâncias como a quetamina, observa o relatório.
Mercado negro
"As drogas ilícitas representam um grande perigo à saúde. Por essa razão, as drogas são e devem permanecer controladas", disse o diretor do UNODC.
"A sociedade não deve ter de escolher entre priorizar a saúde pública ou a segurança pública: ela pode e deve optar por ambas", disse. Nesse sentido ele pede aos países um maior investimento em prevenção e tratamento de drogas, e medidas mais pesadas para enfrentar o crime relacionado às drogas.
Isto não convence os defensores da legalização. As páginas do editorial do Wall Street Journal trouxeram um debate a 25 de abril, com manifestações opostas sobre a questão. Steven B. Duke, um professor de direito da Escola Yale Law, argumentou em favor da legalização.Sua tese era de que descriminalizando a posse e o uso de maconha iria levantar bilhões em impostos e também eliminar a fonte de sangue e de violência no México.
Duke ligou a situação à tentativa de proibir o álcool nos Estados Unidos na década de 1920. "A única solução no longo prazo para o cartel relacionado com os assassinatos no México é legalizar as outras drogas ilícitas", afirmou.Não é assim, contestou John P. Walters, vice-presidente executivo do Instituto Hudson e diretor do Escritório de Política Nacional de Controle de Medicamentos de 2001 a 2009, sob o presidente George W. Bush.
Não relaxamentoWalters salientou que os progressos alcançados na Colômbia são uma prova clara de que podemos ter êxito na redução da produção da droga. Ele também argumentou que as evidências históricas demonstram claramente que restrições relaxadas conduzem a um maior abuso e dependência.Ele observou que hoje as leis federais de drogas surgiram em resposta à expansão das drogas e da violência generalizada em torno delas no final do século 19. Naquela época, havia o livre acesso ao ópio e à cocaína como de medicamentos. Como resultado dessa disponibilidade, havia uma estimativa de 250.000 dependentes em opiáceos nos EUA, de uma população de 76 milhões.
Um manifesto contra as drogas também foi feito por uma colunista de um jornal australiano, Miranda Devine. Escrevendo no Sydney Morning Herald, a 23 de maio, ela citou ex-dependentes químicos que criticaram a diminuição de programas de reabilitação. Devine argumentou em favor de tratamentos que desintoxicam os dependentes.
Ela retornou ao tema em 20 de junho, indicando que a Suécia é um exemplo de que se pode vencer a guerra contra as drogas. Era um dos países mais permissivos para o consumo de drogas, mas mudou radicalmente sua postura, para a criminalização das drogas e o tratamento de desintoxicação dos dependentes.
Como resultado, continuou Devine, o uso de drogas na Suécia é consideravelmente menor do que no restante da Europa, que tem uma política de drogas mais permissiva. Ela citou um relatório de 2007 que revela que apenas 2% dos suecos com idades compreendidas entre os 15 ou 16 anos tinham fumado maconha nos últimos 30 dias, em comparação com 20% na Espanha e 18% na República Checa.
O mais recente relatório do UNODC, por sua vez, traz uma seção discutindo por que as drogas ilícitas devem continuar ilegais. Em muitas áreas de cooperação internacional há resultados mistos, o relatório observou. Por exemplo, a luta contra a pobreza falha muitas vezes, mas só quando se trata de drogas existem convites para abandonar os esforços.Mais mortes
Substâncias viciantes legais matam muito mais pessoas a cada ano que as clandestinas, o relatório assinalou. De fato, um número estimado de 500 milhões de pessoas vivas hoje vão morrer devido ao tabaco. Este grande número de mortes não é resultado das substâncias lícitas farmacologicamente serem mais perigosas que as ilícitas, mas é uma consequência do seu status legal e, consequentemente, mais disponíveis; indica o relatório.Assim, se as substâncias ilegais atualmente fossem legalizadas, a sua popularidade certamente aumentaria, talvez atingindo os níveis de substâncias lícitas viciantes, provocando assim um aumento na mortalidade.
O relatório também explicou que legalizar drogas teria um impacto devastador sobre o desenvolvimento das nações. Atualmente, a maioria das pessoas nos países mais pobres não pode pagar por drogas ilícitas. A legalização, e mais drogas acessíveis, levaria a um enorme aumento do consumo de drogas nesses países. Já há um problema semelhante quando se trata do uso do tabaco. Programas de saúde pública e advertências reduziram o consumo do tabaco nos países desenvolvidos, mas o consumo é muito maior em países em desenvolvimento.
Em 2030, mais de 80% das mortes pelo consumo mundial de tabaco vão ocorrer nos países em desenvolvimento, de acordo com o UNODC.Alguns argumentam que os custos de controle de drogas ilícitas superam os benefícios, o relatório observou. Isso é um falso dilema, de acordo com o UNODC. O relatório insistiu que a comunidade internacional se esforce para alcançar um maior controle sobre o comércio de drogas ilícitas e também para limitar os custos da violência e da corrupção associadas.
"Progressos devem ser feitos para alcançar simultaneamente o duplo objetivo do controle das drogas e a prevenção da criminalidade”, o relatório concluiu. Claramente não é uma tarefa fácil, mas as evidências apontam como a melhor maneira de lidar com o flagelo da droga.

Fonte: zENIT.

sábado, 18 de julho de 2009

DÉCIMO SEXTO DOMINGO COMUM



Mc 6, 30-34

“Jesus teve compaixão”

Até uma leitura superficial do texto de hoje faz saltar aos olhos um tema muito central - o da “compaixão” de Jesus. Aliás, os evangelhos todos - e especialmente Lucas - enfatizam este aspecto da personalidade e da missão de Jesus. Ele demonstrou a quem o encontrasse a verdadeira natureza de Deus: de ter compaixão para todos os que sofrem.

Os versículos de hoje demonstram este traço de Jesus no seu relacionamento com os discípulos e com as multidões.

Com os discípulos, Ele ressalta a necessidade de descanso depois das tarefas apostólicas. Quando voltam empolgados com os resultados da missão, a primeira reação do Mestre é convidá-los para uma retirada, para que possam refazer as forças. Jesus tem critérios que não correspondem com o grande critério da nossa sociedade - o da eficácia! Para Ele, os apóstolos não eram máquinas; mas, em primeiro lugar pessoas humanas, que necessitavam de serem tratadas como tal. O trabalho - mesmo o trabalho missionário - não é o absoluto. Jesus reconhece a necessidade de um equilíbrio entre todos os aspectos da vivência humana. Aqui há uma lição para muitos cristãos engajados hoje - embora devamos nos dedicar ao máximo pelo apostolado, não devemos descuidar das nossas vidas particulares, do cultivo de valores espirituais, da saúde e do relacionamento afetivo com os outros. Caso contrário, estaremos esgotados em pouco tempo, meras máquinas ou funcionários do sagrado, que não mostram ao mundo o rosto compassivo do Pai.

Mais ainda, o texto ressalta a compaixão de Jesus para com o povo sofrido. Era tão procurado pelo povo, rejeitado e desprezado pelos chefes político-religiosos de então, que nem tinha tempo para comer. Quando Ele se retirava, o povo ia atrás d’ Ele. O que atraía tanta gente? Com certeza não foi em primeiro lugar a doutrina, nem os milagres, mas o fato de irradiar compaixão, de demonstrar de uma maneira concreta o amor compassivo de Deus. Jesus não teve “pena” do povo, não teve “dó” dos sofridos. Teve “compaixão”, literalmente, sofria junto, e tinha uma empatia pelos sofredores, que se transformava numa solidariedade afetiva e efetiva. Este traço da personalidade de Jesus desafia as Igrejas e os seus ministros hoje, para que não sejam burocratas do sagrado, mas irradiadores da compaixão do Pai. Infelizmente, muitas vezes as nossas secretarias paroquiais mais parecem repartições públicas do que lugares de encontro com a comunidade que acredita no Deus de Jesus! A frieza humana freqüentemente marca as nossas atitudes, pregações e cuidado pastoral. Num mundo que exclui, que marginaliza e que só valoriza quem consome e produz, o texto de hoje nos desafia para que nos assemelhemos cada vez mais a Jesus, irradiando compaixão diante das multidões, hoje, como dois mil anos atrás, semelhantes a “ovelhas sem pastor”.

Fonte: PadreTomas Hughes, SVD

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As “confissões” do cardeal Bertone


No início do sacerdotal, secretário de Estado fala sobre sua vocação


Por Jesús Colina


- Como decidiu se tornar sacerdote? Quais foram as maiores dificuldades e satisfações? O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado vaticano, responde a essas perguntas, nesta entrevista com motivo do início do Ano Sacerdotal.

Como Santo Agostinho em suas "Confissões", durante esta conversa, que aconteceu no Palácio Apostólico, o principal colaborador do Papa abriu seu coração para revelar momentos e experiências nunca antes contadas.

Seu testemunho é o primeiro de uma série que irá abranger outros cardeais, bispos e padres, que irão partilhar neste ano suas "confissões" sacerdotais.

–Quando descobriu sua vocação?

–Cardeal Bertone: Descobri exatamente no ensino médio, no Instituto Salesiano de Turim, o primeiro instituto fundado por Dom Bosco. Eu frequentei o ensino fundamental e, para dizer a verdade, não tinha sentido até aquele momento o desejo de me tornar sacerdote, mas vivia entre sacerdotes exemplares, que foram meus professores e educadores. O que eu desejava era estudar idiomas e me dedicar ao conhecimento do mundo e, portanto, a um ofício muito diverso, uma atividade de relações internacionais, de qualquer modo.

Um dia um padre salesiano, meu professor de grego, fez-me uma proposta: "Façamos três dias de discernimento vocacional – como se diz hoje –; se quiser vir conosco, pensar o seu futuro...". Aceitei e após esses três dias vocacionais eu decidi, uma vez que dependia de mim, tornar-me sacerdote, ingressar na congregação salesiana. Comuniquei no dia 24 de maio de 1949 aos meus pais, que viviam tradicionalmente a peregrinação à Basílica de Maria Auxiliadora em Turim. Eles ficaram um pouco atordoados, porque nunca tinham me ouvido falar deste projeto de tornar-me sacerdote, e me disseram: “Se o Senhor quer, não fazemos qualquer objeção, estamos felizes, mas se lembre de que dependerá de você ser fiel e, portanto, que você decidiu”. E assim começou o caminho da vocação, com o noviciado e, em seguida, com os ciclos de estudos, e assim por diante.

–Quem o ajudou a seguir este caminho?

–Cardeal Bertone: De uma maneira especial os salesianos e, ao início, o mestre de noviços. Eu prolonguei o noviciado por quatro meses, porque era muito jovem. O noviciado deveria iniciar com a idade de 15 anos e encerrar com a idade de 16 anos, com a primeira profissão religiosa. Eu ainda não tinha 15 anos quando entrei no noviciado em 16 de agosto de 1949, então tive de prorrogar até a conclusão dos 16 anos, em dezembro de 1950. Aí eu fiz a profissão religiosa. Estava acompanhado pelos salesianos e por ótimos confessores.

Logo no início, fui expressar minha decisão e me aconselhar com um confessor, um padre octogenário, que confessava no altar da Basílica de Maria Auxiliadora, com quem eu regularmente me confessava. Ele me deu seu conselho. Disse-me: "Olha, isso é algo muito sério, você terá de se preparar bem. Mas se recorde que eu sou sacerdote há 60 anos e nunca me arrependi de ser padre”. Então, diante da força desse testemunho, eu segui o caminho, com uma certa saudade e alguma dificuldade de retorno a casa. Mas os meus pais disseram-me: "Agora você faz o ciclo de prova e estudos, porque será você a decidir. No final, tomará uma decisão mais madura". E ao final, mantive a decisão de prosseguir até a ordenação sacerdotal, que teve lugar no dia 1º de julho de 1960.

–Nessa caminhada, qual foi o papel de Dom Bosco?

–Cardeal Bertone: Certamente Dom Bosco foi um modelo extraordinário de sacerdócio, e seus seguidores, seus filhos, que foram meus professores, eu diria que o representavam bem. Deram-me belos testemunhos que acenderam em mim a vontade de seguir aquele caminho. E depois, em minha vida, Dom Bosco sempre esteve presente. Guiou meu crescimento rumo ao sacerdócio e ao longo do sacerdócio, no carisma salesiano, até ser reitor da Pontifícia Universidade Salesiana, aqui em Roma, formador, no meu tempo, de tantos candidatos ao sacerdócio, de muitíssimos, eu diria. E depois guiou-me na vida de bispo: primeiro como arcebispo de Vercelli, depois de Gênova e agora hoje como secretário de Estado, primeiro colaborador do Papa. Dom Bosco ensinou-me a ser fiel ao Papa e dar minha vida pelo Papa e pela Igreja, coisas que procuro fazer apesar das minhas limitações, mas com todas as forças.

–Quais foram as dificuldades e, por outro lado, as mais belas satisfações?

–Cardeal Bertone: Como disse anteriormente, eu tive algumas dificuldades no caminho da formação, por causa de alguma nostalgia do passado, da vida com meus amigos, porém me mantive firme no seguimento da vocação. Mas os meus amigos, que não pensavam que eu seguiria aquele caminho, sobretudo os meus amigos de liceu, porque frequentei o liceu já como salesiano, mas com cerca de trinta companheiros, que agora são profissionais na vida e desempenham um belo papel na sociedade italiana, eles me ajudaram. Diziam-me: "Se você se tornar um padre, torne-se um sacerdote como Francesco Amerio”. Era o nosso grande professor do liceu, de História e Filosofia, e também de Religião. Foi um modelo para mim que me sustentou e de quem guardei as anotações das aulas de Religião. Até hoje. Para se ter ideia da influência e do impacto deste sacerdote, deste professor, que os meus companheiros me indicavam como modelo.

Depois eu enfrentei algumas dificuldades, especialmente durante o período de 1968 a 1972, porque eu estava aqui em Roma, era professor na Universidade Salesiana, formador dos candidatos ao sacerdócio, quando tivemos, no então Pontifício Ateneu Salesiano, 140 estudantes de Teologia, que enfrentaram as pressões e sentiram a influência do movimento de 1968, dos debates, da agitação pública. Estávamos depois do Concílio. Eu vivi como estudante, como jovem sacerdote, este belo tempo do Concílio. Mas houve momentos de grande atrito e conflitos de opinião e de pessoas; como superior, eu tinha de dar o parecer para a ordenação desses estudantes. Tivemos um diálogo próximo com os alunos. Aquele era o tempo das grandes assembleias de estudantes, com discussões que duravam horas, até mesmo o fim da tarde ou pela noite... Então eram momentos de tensão, mas também de superar as tensões.

Depois, como bispo, e como arcebispo das duas arquidioceses que guiei, as duas por encargo do Papa João Paulo II, houve algum momento de confronto, por vezes difícil, às vezes com problemas que surgiram no âmbito da Igreja local. Já quando eu era secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, havia questões doutrinárias para nossa análise, o nosso juízo, e eram problemas muito graves, doutrinais, morais, disciplinares. Mas tinha no desempenho desse papel uma grande satisfação. Há o fato de ter guiado e de integrar uma comunidade fraterna, viver em comunhão fraterna, de forte amizade, que continua até agora, quando me encontro com ex-alunos ou bispos do mundo. Vivi momentos de verdadeira comunhão, de amizade fraterna na alegria e na fidelidade ao Papa, na alegria do cumprimento do nosso ministério sacerdotal e episcopal, e pelo fato de ter conduzido muitos jovens para o sacerdócio. E depois há a paternidade episcopal nas ordenações sacerdotais e nas ordenações episcopais, que agora naturalmente multiplicam-se ainda mais, no meu cargo de secretário de Estado, com a ordenação de muitos colaboradores do Papa e de muitos bispos locais. É uma grande satisfação: este grande povo de Deus formado organicamente pelos pastores da Igreja, com suas diversas responsabilidades, diferentes papéis, de acordo com sua vocação e de acordo com os carismas que o Espírito Santo distribui. Este povo que caminha junto em profunda unidade é realmente um belo sinal da bondade de Deus para a Igreja e para toda humanidade, que eu vivo nos encontros que tenho agora com as Igrejas locais, seja como representante pontifício ao redor do mundo, e também com os chefes de Estado que vêm visitar o Vaticano e demonstrar seu apreço, sua gratidão pelo trabalho da Igreja, pelo testemunho da Igreja, tanto no campo formativo, especialmente na educação, seja no âmbito da promoção humana, da promoção social, da assistência particular para com os mais fracos da sociedade.

Tenho de agradecer ao Senhor pelo dom do sacerdócio e pelo dom do episcopado. Desejo a todos um bom Ano Sacerdotal!

Pode-se assistir à entrevista em www.h2onews.org


Fonte: Zenit.

I Encontro Latino-Americano de Animação Bíblica da Pastoral



“A Palavra de vida, fonte de discipulado e missão”

De 9 a 12 de julho aconteceu o Primeiro Encontro Latino-Americano de Animação Bíblica da Pastoral, em Bogotá, Colômbia, com o lema “A Palavra de vida, fonte de discipulado e missão”. A seu término os participantes fizeram pública uma mensagem. O encontro foi organizado pelo Centro Bíblico de Pastoral da América Latina (CEBIPAL), dependente do CELAM.
No encontro se reuniram bispos e diretores de Animação Bíblica da Pastoral (sacerdotes, religiosas e leigos) das Conferências Episcopais do México, Costa Rica, Panamá, Cuba, República Dominicana, Venezuela, Equador, Peru, Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile e Colômbia, para ver, refletir e projetar a Animação Bíblica da Pastoral da Igreja (ABP), informa o CEBIPAL.
“Quisemos compartilhar com o povo de Deus que peregrina nestas terras, nossas reflexões e conclusões”, diz a mensagem.
Se dizem inspirados pelos documentos do Magistério da Igreja: a Dei Verbum do Vaticano II e o Documento de Aparecida, assim como as experiências dos anteriores encontros regionais de Pastoral Bíblica.
“A reflexão sobre o caminhar da Pastoral Bíblica em nossas Igrejas – afirmam – nos permitiu comprovar as fortalezas e fraquezas, as oportunidades e desafios que nos animam e impulsionam em nosso trabalho pastoral”.
Observam que nos últimos anos, “por uma parte, a Pastoral Bíblica é entendida como o processo de animação bíblica da vida pastoral da Igreja e, por outra, que se deu um salto qualitativo na compreensão desta animação, no sentido de que a Palavra de Deus é a fonte ou a alma da vida da Igreja, como o é a Eucaristia (DV21)”.
“A Bíblia é, em consequência, uma mediação entre o autor sagrado, por quem nos chega a Palavra de Deus, e o leitor cristão. Nosso caminho conduziu ao surgimento de um novo paradigma da Pastoral Bíblica”, acrescentam.
Entre as fortalezas que compartilharam os participantes está “o despertar do povo de Deus à escuta, meditação, oração e posta em prática da Palavra; a experiência de Lectio Divina; os diversos materiais de ABP que cada Igreja particular está gerando; a Semana ou Mês da Bíblia que praticamente acontece em todos os países com grande acolhida; as comissões nacionais de pastoral bíblica, geralmente em conjunto com a Catequese; os ideários ou orientações de Pastoral Bíblica em algumas Igrejas”.
Consideram imperativo “que os fiéis tenham amplo acesso à Palavra de Deus, adquirindo, antes de tudo, o livro da Bíblia e contando com subsídios que lhes permitam iniciar-se em sua leitura, para que alcancem a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, Palavra encarnada do Pai, centro de toda a Escritura”.
Vêem com clareza “como em nossas dioceses o número de agentes de pastoral, desde os leigos e consagrados até os presbíteros, que reclamam uma melhor formação bíblica, que os capacite para uma ação missionária em conformidade com a consciência de uma nova evangelização, cuja expressão mais ampla e profunda se realize na Missão Continental”.
Por último, regressam a suas Igrejas particulares “com ânimo firme e renovada esperança de que a ABP fará arder os corações dos crentes, convertendo-os em discípulos missionários que anunciam o Reino de Deus para a transformação da realidade de nossos povos. Em nosso caminhar nos acompanha a Virgem Maria, primeira discípula de Jesus, a ouvinte fiel cumpridora da Palavra”.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Bolívia: conselhos da Igreja diante da epidemia de gripe A



Comunicado do arcebispado de Santa Cruz de la Sierra

Diante da grave situação vivida na região boliviana de Santa Cruz, a mais afetada de todo o país pela epidemia de gripe A, o arcebispado de Santa Cruz de la Sierra divulgou um comunicado, assinado pelo vigário geral da diocese, Pe. Robert Flock, no qual são dados vários conselhos.
O arcebispado faz este comunicado “compartilhando a preocupação das autoridades civis frente ao perigo de contágio da gripe e reiterando as indicações dadas anteriormente pelo nosso pastor, cardeal Julio Terrazas”.
Em primeiro lugar, “confiantes no Deus da vida, pede-se que se intensifique a oração pela saúde do nosso povo, tanto pessoalmente como em toda celebração comunitária”.
Da mesma forma, “as paróquias e todas as demais instâncias eclesiais devem acatar e cumprir as medidas de prevenção estabelecidas pelas autoridades”.
Pede-se que “sejam suspendidas ou postergadas todas as atividades não estritamente culturais e/ou litúrgicas (quermesses, feiras etc.)”.
“As pessoas doentes, idosas, com sintomas de resfriado e crianças pequenas estão isentas do preceito dominical de assistir à Missa e se recomenda que a acompanhem pela televisão ou rádio.”
“Nas celebrações da Eucaristia, não se dará a saudação da paz e se receberá a comunhão na mão, com a devida reverência.”
Por último, “recomenda-se vivamente que sensibilizem as pessoas sobre estas medidas”.

Fonte: Zenit.

"Caritas in Veritate" propõe nova cultura empresarial

Presidente dos empresários cristãos comenta encíclica

Rolando Medeiros, presidente da União Social de Empresários Cristãos (USEC) do Chile, escreveu uma carta aos membros de sua associação, com o título “A Caridade na Verdade e o meio empresarial”, na qual destaca três ideias sobre a encíclica Caritas in Veritate, de Bento XVI.
Medeiros afirma, em sua carta remetida a ZENIT, que a encíclica “contém uma reflexão profunda sobre as temáticas sociais atuais com suas luzes e sombras, e as condições para um desenvolvimento humano integral e um progresso sustentável”.
Destaca três ideias da encíclica que se referem especificamente ao meio empresarial hoje.
Em primeiro lugar, afirma, o texto “propõe-nos que o primeiro capital a ser salvaguardado e valorizado é a pessoa humana em sua integridade, já que ‘o homem é o autor, centro e fim’ de toda vida econômica e empresarial. Neste sentido, o Papa propõe fazer uma “nova síntese humanista”, ou seja, colocar o necessário desenvolvimento econômico e material como um meio e não como um fim. Meio para alcançar a meta do pleno desenvolvimento humano e social”.
O segundo tem relação com a ética e o modelo econômico, a propósito da crise. “O Papa assinala – explica Medeiros – que o atual modelo é um instrumento eficaz para operar no mundo dos negócios, mas que, se as pessoas que operam neste carecem de valores, pode ser objeto de abusos, com consequências negativas, hoje conhecidas por todos”.
“Por isso, o Papa chama a reconstruir a confiança e a solidariedade, que permitam uma maior justiça social. Neste sentido, a Caridade Social é um conceito mais amplo que o de Justiça Social, pois vai além dos mínimos éticos; nos move a não apenas querer o bem para o próximo, mas também a trabalhar por este”, acrescenta.
Por último, no atual mundo globalizado, “o Papa pede aos dirigentes de empresa que procurem não perder de vista que nossa empresa é formada por uma comunidade de pessoas pela qual temos que velar e proteger por mais dispersas que estejam nossas operações, filiais, acionistas, fornecedores, clientes e públicos de interesse”.
“É fácil desvincular-se – acrescenta – quando não temos contato diário com as equipes de colaboradores e esquecemos que nosso capital humano é formado por pessoas com nome e sobrenome, com aspirações, potencialidades, famílias e sonhos e cuja contribuição com seu trabalho diário é único e valioso. Para que uma empresa seja altamente produtiva, tem que ser também plenamente humana e socialmente responsável”.
Por tudo isso, Rolando Medeiros convida “empresários, executivos e profissionais a ler e refletir sobre esta nova carta encíclica e unir-se a esta missão de impregnar de valores as políticas, decisões, cultura e comportamento de suas organizações. A construir em definitivo, uma ‘nova cultura empresarial’”.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Comoção em Roma, Espanha e Chile pelo assassinato de um sacerdote em Cuba



Padre Mariano Arroyo

Em Roma, Espanha e Chile surgiram reações de comoção ante a notícia do assassinato do sacerdote espanhol Mariano Arroyo Merino, de 74 anos.
O pároco de Regla, uma região de Havana, morreu esfaqueado na madrugada de segunda-feira, segundo informou o arcebispo de Havana.
A Rádio Vaticano, em várias de suas edições em diferentes idiomas, dedicou amplo espaço à notícia, recolhendo as reações dos paroquianos do sacerdote que manifestaram o apreço que toda a população sentia por ele.
Na capital da Espanha, segundo explicou um comunicado do arcebispo da arquidiocese, na qual o sacerdote estava incardinado, “o cardeal arcebispo de Madri, Antonio Maria Rouco Varela, seus bispos auxiliares, e o clero diocesano, manifestam sua profunda dor ante tão trágica perda, ao tempo que deploram as circunstâncias de sua morte”.
“Pe. Mariano Arroyo era um magnífico sacerdote, próximo dos pobres, homem profundamente religioso, entregue a seu ministério, que deixou sempre uma profunda marca evangélica em todos que o conheceram”, afirma o arcebispo de Madri. Mariano Arroyo havia nascido em 1935 em Cabezón de la Sal, e foi ordenado sacerdote, em 1960, em Comillas.
Também o bispo dessa diocese, Santander, Dom Vicente Jiménez, por meio de uma nota de imprensa, manifestou sua profunda dor e a da comunidade diocesana e “seu mais enérgico protesto”.
O pastor da Igreja em Cantabria acrescenta que “nestes momentos tristes, se une em dor humana, na oração e na esperança cristã a toda sua família, amigos e à arquidiocese de São Cristóvão de Havana, onde exercia seu ministério este bom sacerdote entregue ao serviço do Evangelho e dos mais pobres, frágeis e necessitados”.
Ordenado sacerdote em 1960, partiu em 1962 como missionário a Santiago do Chile, onde permaneceu até 1968. Após dez anos em Madri como pároco e formador do Seminário, regressou ao Chile em 1980 para prestar serviço em várias paróquias da diocese de Copiapó, como Nossa Senhora do Rosário, São José Operário, Las Canteras, São Francisco, e Santíssima Trindade, entre outras.
Em recordação dos 17 anos que passou no Chile, nesta segunda-feira se celebrou uma eucaristia por seu eterno descanso na catedral de Copiapó, presidida pelo bispo, Dom Gaspar Quintana.
O sacerdote desenvolveu seu trabalho missionário na América através da Obra de Cooperação Sacerdotal Hispano Americana (OCSHA).
Tanto em suas estadias no Chile como na diocese de São Cristóvão de Havana (Cuba), sempre esteve integrado nos respectivos presbitérios diocesanos e a disposição do bispo da diocese.
Em Cuba, o cardeal de Havana lhe encomendou diversas tarefas pastorais: em 1998, pároco de Nossa Senhora do Pilar, e em dezembro de 2004, reitor e pároco do Santuário Nacional de Nossa Senhora de Regla, onde permaneceu até sua morte.
Desta forma, em Havana foi assessor do Movimento de Trabalhadores Cristãos, e diretor do Instituto de ciências religiosas “Padre Félix Varela”.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O trabalho que é viver



O que é trabalhar? Para alguns, é sentar-se em um cubículo e atender o telefone. Para outros, é cuidar de uma criança, construir uma casa, cozinhar, ou pilotar um avião.Trabalho é a essência da vida. Todos o fazemos, quer tenhamos um contra-cheque ou não. É o que nos mantém vivos e o que nós faz seguir adiante. Não existe trabalho insignificante. Todo trabalho é importante.Em todo trabalho há lugar para a satisfação, porque há também oportunidade de fazermos a diferença. Quanto mais você se empenhar na realização de um trabalho, mais longe você chegará. Ponha mãos à obra e isso o manterá vivo. Ponha sua mente nisso e você terá vida. Ponha sua própria essência e você receberá enormes recompensas.O valor do seu trabalho é afetado não pelo que você faz, mas pelo esforço que você dedica.

Dor do Papa pelos atentados letais contra igrejas no Iraque



Quatro mortos e dezenas de feridos

Por Patricia Navas

Bento XVI manifestou sua dor pela nova rede de atentados que têm como objetivo as igrejas do Iraque.
Segundo afirma em um telegrama, o Papa “reza por uma conversão do coração dos autores da violência e alenta as autoridades a fazerem todo o possível para promover uma convivência justa e pacífica de todos os setores da população iraquiana”.
A mensagem foi enviada ao patriarca da Babilônia dos caldeus, assinada pelo secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, após os ataques contra igrejas em Bagdá e Mosul, que causaram, neste final de semana, quatro mortos e dezenas de feridos.
O telegrama indica também que Bento XVI, que viajou hoje ao norte da Itália para começar suas férias, “assegura sua oração e sua proximidade espiritual às comunidades católica e ortodoxa da capital iraquiana”, segundo informa o L’Osservatore Romano em sua edição diária em língua italiana dos dias 13 e 14 de julho.
Os atentados foram cometidos entre o sábado e o domingo, contra 8 igrejas cristãs de Bagdá, segundo fontes eclesiais. Quase todas as bombas explodiram ao final das celebrações religiosas. Tinham como objetivo atemorizar as comunidades religiosas.
O atentado mais grave aconteceu no domingo à tarde, perto da igreja caldeia de Nossa Senhora, na Rua Palestina, no leste de Bagdá.
A explosão de um carro-bomba causou 4 mortos e 21 feridos, 15 deles fiéis.
No começo do dia de hoje, no centro de Mosul, outra bomba, colocada entre uma igreja e uma mesquita, explodiu e feriu 3 crianças.
Esta série de ataques acontece menos de duas semanas depois da retirada das forças americanas das cidades do país.
“A violência diminuiu consideravelmente nos últimos meses, mas os atentados continuam sendo um drama cotidiano, sobretudo em Bagdá, Mosul e Kirkuk, onde estão concentrados muitos cristãos”, informa o jornal vaticano.
Desde a queda do regime de Saddam Hussein, as comunidades cristãs do Iraque receberam numerosos ataques, Os mais graves ocorreram em agosto de 2004, com 4 atentados em Bagdá e 2 em Mosul.
Dez pessoas morreram e 50 ficaram feridas. Entre as igrejas atacadas, encontrava-se a de São José, que dessa vez foi atacada novamente.
“Antes da invasão americana de abril de 2003 – indica o artigo –, estimava-se que havia cerca de 800 mil cristãos no Iraque. Hoje, calcula-se que há 500 mil.”
Muitos deles se viram obrigados a abandonar o país para fugir das perseguições e se refugiaram em países vizinhos ou em outros continentes.
Mosul se converteu em cidade-símbolo dessa perseguição, onde, uma vez acabada a guerra, começaram os ataques indiscriminados.
Uma conhecida vítima do ódio foi o arcebispo de Mosul dos Caldeus, Dom Paulos Faraj Rahho, encontrado morto no dia 12 de março de 2008, depois de ser raptado dias antes por um comando de homens armados quando saía da igreja do Espírito Santo.
No ano passado, milhares de famílias cristãs foram obrigadas a abandonar Mosul, uma fuga pela qual Bento XVI expressou várias vezes “alarme e grande sofrimento”.
Também durante sua recente peregrinação à Terra Santa, Bento XVI voltou a apoiar o reconhecimento dos “direitos fundamentais a uma convivência pacífica” dos cristãos no Iraque.
As autoridades iraquianas e os representantes religiosos, que haviam destacado nos últimos dias com alegria o retorno a um clima aparentemente sereno, temem que os ataques das últimas horas possam desencadear uma nova onda de violência sectária no país.
“Estamos tristes pelo que está acontecendo no Iraque – afirmou o cardeal Delly em uma declaração difundida pela televisão iraquiana – porque hoje são objetivo de atentado lugares que no passado, e durante a guerra, serviam de refúgio a cristãos e muçulmanos.”
O purpurado condenou os ataques contra as igrejas cristãs e as mesquitas e fez um convite a manter o “espírito de tolerância”.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vivendo em uma sociedade anticristianismo



Líderes da Grã-Bretanha alertam sobre perdas dos valores comuns

Por Pe. John Flynn, LC

O declínio do cristianismo e dos valores morais, em geral, está atingindo a Grã-Bretanha. Enquanto o número de fiéis tem decrescido há já algum tempo, alertas sobre a situação começam a vir de todos os lados.
A Grã-Bretanha já não é uma nação cristã, afirmou o bispo anglicano Paul Richardson, em um artigo publicado em 27 de junho no jornal Sunday Telegraph.
O prelado anglicano também foi crítico com seus colegas bispos por não compreenderem quão grave é a mudança na cultura contemporânea e por sua falta de ação em lidar com esta grave crise de fé.
Apenas cerca de 1% dos anglicanos frequentam cerimônias religiosas aos domingos, em média, de acordo com Richardson. "Neste ritmo, é difícil ver a Igreja sobrevivendo por mais de 30 anos, embora alguns de seus líderes estejam preparados para enfrentar essa possibilidade", advertiu.
Ele observou também que, de cada 1.000 nascidos na Inglaterra e no País de Gales, no período 2006-2007, apenas 128 foram batizados como anglicanos. Em 1900, o número de batizados era de 609 para 1.000.
Apenas um dia antes, no jornal The Times, Rabbi Sir Jonathan Sacks, rabino chefe da Congregação das Nações da União Hebraica, lamentou a falta de um código moral partilhado na Grã-Bretanha.
Refletindo sobre a atual crise financeira e as recentes revelações de escândalos sobre despesas parlamentares, ele comentou que estes e outros problemas levaram a uma perda de confiança na sociedade.
Existe um problema essencial, porém, que é muito mais grave, ele disse: a perda do sentido tradicional da moralidade.
Somos muito morais, em alguns aspectos, tais como a pobreza mundial e o aquecimento global, o rabino sustentou, mas estes são problemas remotos e globais. Sacks declarou que, quando se trata de assuntos mais próximos de nossas próprias vidas, perdemos o nosso senso de certo e errado sobre o comportamento pessoal.
Não se trata de atuar sobre os sintomas com mais leis e sistemas de vigilância. "Sem um código moral compartilhado, não pode haver sociedade livre", argumentou Sacks.
Quem é esse?
Duas recentes pesquisas confirmam das advertências dos líderes religiosos. Um estudo realizado pela Penguin Books, embora em conjunto com uma promoção de um recente livro sobre o tema, diz que quase dois terços dos adolescentes não acreditam em Deus.
Segundo matéria de 22 junho do jornal Telegraph, a amostra com 1.000 adolescentes evidenciou que 59% consideram que a religião tem uma influência negativa sobre o mundo.
A pesquisa também revelou que a metade dos entrevistados nunca rezou e 16% nunca foram à igreja.
Uma semana depois, o jornal Independent publicou os resultados de uma pesquisa sobre conhecimentos bíblicos. O artigo de 29 de junho relatou que muitos são ignorantes sobre as histórias e as pessoas que são fundamentais para a história do cristianismo.
Segundo os resultados preliminares da Pesquisa de Alfabetização Nacional Bíblica, realizada pelo St. John's College Durham, menos de 10% das pessoas compreendiam os principais personagens da Bíblia e sua relevância.
Cerca de 60% não sabiam da história do Bom Samaritano; figuras como Abraão e José também eram desconhecidas para muitos estrangeiros.
Segundo o artigo do Independent, o sacerdote anglicano David Wilkinson, de St. John’s, disse que as consequências de tal ignorância vão muito além de apenas desconhecerem a Bíblia. O conhecimento dessas histórias e das personagens da Bíblia é essencial para compreender a nossa história e cultura, e não menos a arte, a música e a literatura, já que muito delas está ligado a temas religiosos, observou.
Esta é uma ignorância que o bem conhecido defensor do ateísmo Richard Dawkins tenta promover. Um artigo de 28 de junho publicado no jornal The Guardian informou que ele está organizando um acampamento ateu este ano na Inglaterra.
Camp Quest UK vai ser "livre do dogma religioso", o artigo acrescentou. Aparentemente, os cinco dias do acampamento, subsidiado por uma bolsa da Fundação Richard Dawkins, estarão lotados.
Sem rumo
As recentes advertências dos líderes religiosos trazem expressões de preocupação. A 5 de abril, o bispo anglicano Michael Nazir-Ali publicou um artigo no Telegraph, por ocasião da sua aposentadoria como bispo de Rochester.
Nos seus quase 15 anos ali, ele disse: "eu assisti à nação ir à deriva mais longe e mais longe das suas amarras cristã".
Esta situação levou, continuou ele, a um afrouxamento dos laços de direito, costumes e valores, e também a uma perda de identidade e de coesão. Como o rabino Sacks, ele comentou que a sociedade precisa de um "capital social de valores comuns e do reconhecimento de certas virtudes que contribuem para o florescimento pessoal e social”.
"Nossas ideias sobre a sacralidade da pessoa humana em todas as fases da vida, a igualdade e os direitos naturais e, portanto, de liberdade, comprovadamente surgiram a partir da tradição enraizada na Bíblia", acrescentou.
O bispo Nazir-Ali observou que a Igreja anglicana está crescendo rapidamente em lugares como a África. Talvez eles tenham muito para ensinar às Igrejas ocidentais, concluiu.
Vendendo a alma
O novo líder católico da Inglaterra e País de Gales, Dom Vincent Nichols, abordou o mesmo assunto pouco antes de se tornar o arcebispo de Westminster.
Em um artigo publicado pelo jornal Telegraph a 29 de março, ele afirmou que a Grã-Bretanha já vendeu a sua alma ao perseguir uma razão puramente secular sobrepondo-se à religião.
Como resultado, a fé está agora confinada a um exercício puramente privado e os valores são extraídos de fontes materiais e seculares.
Não só os políticos da Grã-Bretanha vivem em um mundo material e puramente secular, mas também não permitem uma madura reflexão do papel fundamental da crença religiosa na sociedade, ele sustentou.
As afirmações foram publicadas pelo arcebispo Nichols em um recente livro de ensaios intitulado "A nação que esqueceu Deus."
Em comum com os outros líderes religiosos, o arcebispo Nichols também apontou a falta de coesão social que resulta quando não há partilha de princípios e valores morais. A visão secular e liberal da pessoa humana é errada e simplesmente não funciona, ele argumentou.
Pouco amigável
Seu antecessor, o cardeal Cormac Murphy-O'Connor, tinha a mesma opinião. Em uma matéria de 6 de dezembro do jornal Telegraph, ele comentava que a Grã-Bretanha tornou-se um lugar "inimigo" para as pessoas religiosas viverem.
O aumento do secularismo resultou em uma sociedade hostil ao cristianismo e, em geral, as crenças religiosas são vistas como "uma excentricidade privada."
O cardeal Murphy-O'Connor também observava que ateísmo é agora mais agressivo e que existe uma minoria que argumenta que a religião não tem lugar na sociedade moderna.
Estatísticas demonstram suas preocupações. O número de casamentos em igrejas católicas na Inglaterra caiu 25% durante a última década, o Telegraph relatou em 8 de janeiro.
No ano de 2000, houve 13.029 casamentos católicos, em comparação com 9.950 no ano passado. Apenas um em cada três casamentos na Inglaterra são agora sob a forma de uma cerimônia religiosa, de acordo com o Telegraph.
Provas abundantes do grave declínio da religião na Grã-Bretanha e as repetidas declarações dos líderes das Igrejas apontam para uma crescente tomada de consciência da urgência da situação e de como revertê-la.

Fonte: Zenit.

Bento XVI: “domingo é um bem para o homem”



Pede a crentes e a não-crentes que respeitem seu valor

Bento XVI motiva a não perder o sentido do domingo, tanto para crentes como não-crentes, por considerar que “é um bem para o homem”.
O pontífice tocou no tema neste domingo, ao cumprimentar em francês os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro por ocasião do Ângelus, em momentos em que na Europa, particularmente na França, multiplicam-se as propostas para estender o trabalho dominical, especialmente em lojas.
“O domingo é um bem para o homem – afirmou o Santo Padre. De fato, este dia santo é, para os cristãos, um dia de oração que lhes permite retomar energias espirituais e sustentar sua vida com a escuta e meditação da Palavra de Deus, alimentando-se do Corpo de Cristo.”
“O domingo é, ao mesmo tempo, um dia de descanso e expansão merecidos para encontrar-se em família e entre amigos.”
E o Papa concluiu com estas palavras: “Alento cada um a viver este momento de graça que é o descanso dominical!”.


Fonte: Zenit.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Especialista propõe Bento XVI para Nobel de Economia



Sua encíclica denuncia os efeitos da queda da natalidad

Em uma entrevista publicada pelo jornal italiano Corriere della Sera em 8 de julho, o economista Ettore Gotti Tedeschi, expoente dos maiores grupos bancários mundiais, indicou o Papa Bento XVI para o Nobel de Economia.
Segundo Gotti Tedeschi, o mérito do pontífice foi o de escrever claramente na encíclica Caritas in veritate que a crise econômica é filha da queda da natalidade.
Na entrevista, o banqueiro, que é também comentarista do jornal vaticano L’Osservatore Romano, explica que “o insuficiente crescimento econômico se deve à queda da natalidade nos países desenvolvidos (ainda que de modo diferente nos Estados Unidos e na Europa)”.
A queda dos nascimentos levou ao crescimento dos custos fixos, como os impostos, e a diminuição da economia e dos ativos financeiros, mas – afirma Gotti Tedeschi – “muitos analistas preferiram não aprofundar na causa ‘original’ da crise” porque “tocar no tema da natalidade é um tabu, é uma forma de negacionismo”.
“É um tema conotado como ‘moral’ – precisa o banqueiro –, e portanto não científico, quase estúpido, para fanáticos religiosos”.
Neste contexto, Gotti Tedeschi destaca que o Papa “foi o único que pôs em relação crise e queda da natalidade”, e precisamente por isto “merece o Nobel de Economia”.

Fonte: Zenit.

Deus é o artista e nós somos a tela



Entrevista com o diretor internacional dos Patrocinadores das artes nos Museus vaticanos

Após sete anos de trabalho de restauração, o Papa Bento XVI inaugurou com as vésperas solenes a Capela Paulina em 4 de julho de 2009. Esta capela, reservada aos Pontífices, se encontra muito próxima da Capela Sistina e contém as últimas obras mestras de Michelangelo, pintadas entre 1542 e 1550: “A crucifixão de Pedro” e “A queda de Saulo”.
Os trabalhos de restauração foram possíveis também graças à ajuda dos Patrocinadores das artes nos Museus vaticanos cujo diretor internacional é o Pe. Mark Haydu, L.C. Por este motivo ZENIT entrevistou o Pe. Mark, norte-americano, sobre a relação entre a arte e a fé.
– Pe. Mark, como começou seu interesse pela arte sagrada?
– Pe. Haydu: Uma imagem como esta de um pintor do século XVII chamado Johannes Vermeer me abriu as portas do mundo da arte. Me ensinou a buscar a mensagem profunda que uma obra de arte pode esconder. Me ajudou a dar-me conta de que a pessoa que se aproxima da arte pode sair enriquecida, e vi que a arte é capaz de abrir uma dimensão espiritual e de comunicar verdades que de outra forma talvez não se conseguiria.
– No quadro aparece uma senhora pensativa com uma balança em suas mãos em um quarto desordenado, o que mais este quadro nos diz?
– Pe. Haydu: O primeiro passo seria analisar os elementos da composição para ver o que nos dizem do autor, de suas intenções e de seu estilo. Mas parece-me que sua pergunta vai para o significado profundo do quadro. Quando aprecio um quadro não só me pergunto o que o autor quis comunicar, mas sobretudo o que esta obra diz me diz. Isso é o belo de uma obra de arte: fala uma linguagem universal, ou seja, o idioma da beleza. Por exemplo, neste quadro vemos como o peso está recarregado para o lado direito; isso consegue que nossa atenção se centre ali. A luz que entra pela janela na parte esquerda, de alguma forma, equilibra a cena. É o interior de um quarto, e é um momento cotidiano que nós “invadimos”. Vermeer nos introduz em um momento pessoal e privado na vida desta pessoa. Detrás da mulher vemos uma pintura que representa o juízo universal. Esta mulher se dispõe a equilibrar suas pérolas. Podemos intuir que as pérolas fazem referência a seus tesouros terrenos e esta mulher o analisa sob a luz do juízo universal, de seu destino eterno. Há um balanço de sua vida e do que possui frente à eternidade. Isto, por exemplo, pode nos ajudar a ver que o homem é livre de refletir sobre o que quer fazer com sua vida, mas que é importante fazê-lo à luz da eternidade que espera a todos nós. A luz que recai sobre a mulher ilumina sua cabeça, mas também seu peito, indicando desta forma que a decisão que deverá tomar está, sim, na mente; mas, sobretudo, em seu coração. É ali onde se dão as decisões do homem. A mente as pensa, o coração as põe em movimento.
– E como consegue descobrir tudo isto?
– Pe. Haydu: Depois de fixar-se sem pressa na forma, o conteúdo, as cores, os elementos, é muito importante perguntar-se: “por que o autor o fez assim e não de outra forma?”. É tratar de penetrar a mente do artista. Um artista pode criar o que quer, e isso pode nos fazer pensar também no primeiro que faz arte: Deus.
– Deus, artista?
– Pe. Haydu: Sim, Ele é o Artista por excelência. A criação do mundo e do homem, que Michelangelo celebra com seus afrescos na abóbada da Capela Sistina, não é uma obra maravilhosa e incomparável de arte? E além da natureza, podemos ver a maravilha de Deus Artista em nós mesmos. Nós somos a tela. Com nossa livre cooperação o Senhor vai desenhando a obra de arte que é nossa vida. Depois podemos olhar para trás e perguntar: por que as coisas foram assim? Quando analisamos um quadro descobrimos a mão do artista, intuímos qual foi sua ideia e o que quis pintar. Da mesma maneira, ao ver nossa vida, podemos descobrir a mão de Deus: nossa vida foi assim porque seu Artista assim o permitiu, assim o quis, e então nos damos conta de que não é fruto da casualidade ou da fatalidade, mas que detrás está a mão amorosa de Deus.
– O que a arte sagrada busca?
– Pe. Haydu: A arte sagrada trata de elevar a alma para Deus. Quer transmitir a mensagem da fé, explicá-la, compartilha-la. Por isso, ante a arte sagrada uma pessoa não pode passar como um simples turista. “Todas as grandes obras de arte, todas as catedrais – as catedrais góticas e as esplêndidas igrejas barrocas – são um sinal luminoso de Deus e, por isso, uma manifestação, uma epifania de Deus (...) Ao contemplar as belezas criadas pela fé, constatamos que são simplesmente a prova viva da fé”. Estas palavras foram ditas pelo Santo Padre no verão passado em seu encontro com os sacerdotes da diocese de Bolzano-Bressanone.
– Alguns dizem que tantas artes nas igrejas apenas causa distração. É assim?
– Pe. Haydu: Se não se sabe “ler” a arte, pode ser que se distraia, mas se a vê como um caminho para Deus, acontece o contrário. A arte faz referência ao que a liturgia celebra e proclama, e isto é uma ajuda. Podemos, por exemplo, ver os quadros de uma igreja que mostra as vidas dos santos e pensar que todos esses santos ofereceram sua vida por Cristo; e desta contemplação poderíamos passar ao propósito de querer ser santos também. Ou voltar o olhar ao Santíssimo Sacramento e pedir a graça de ser santos. Trata-se, portanto, de unir com uma mesma ponte duas coisas que podiam parecer separadas. A arte pode também ser uma valiosa ajuda para o fervor quando o peregrino não fala a língua do país no qual se encontra a igreja que visita: o peregrino poderá apreciar a arte e recordar as pregações que escutou sobre as cenas da vida de Cristo ou dos santos que se encontram representados nessa igreja. A arte está aí para ajudar-nos a rezar, não só para que a vejamos e saiamos como entramos.
– Como as pessoas que visitam a arte de Roma?
– Pe. Haydu: Com frequência podemos encontrar duas atitudes. Uma é a do turista que acumula experiências para depois comentá-las com seus familiares e amigos: “Passei pelas quatro basílicas de Roma”; “fui aos Museus vaticanos”; “vi isto e aquilo”; “que bonito estava tudo aquilo...!”, e pronto. Daí não passa. A outra atitude é a do peregrino. É alguém que quer fazer uma pausa na vida, analisar sua alma diante de Deus, sair enriquecido. É alguém que busca uma graça: uma mudança de vida... Eu creio que hoje em dia as pessoas que vêm visitar estes lugares buscam isso. Precisam que a arte as eleve para Deus. A arte sagrada pode ser o meio que propicie a conversão do coração para quem é o Autor da Beleza. E a arte põe o homem diante de Deus, o leva a ver sua vida à luz das realidades eternas e transcendentes. De fato, uma das tarefas principais dos Patrocinadores das artes nos Museus vaticanos é restaurar as obras para que sua inspiração e impacto originais sejam mais evidentes. Desta maneira, os que vêem estas obras podem apreciá-las em toda sua beleza. O impacto pode ser a diferença entre o que vê a obra como turista e o que a vê como peregrino. E quando as pessoas fazem este clique, tudo muda. Um mundo novo se abre, como foi em meu caso com aquele quadro de Vermeer.
– O que recomenda aos turistas ou peregrinos que visitam a arte de Roma?
– Pe. Haydu: Que venham e descansem não só para distrair com tanta beleza artística, mas que tratem de descobrir Cristo, a mensagem de fé que há detrás de cada obra de arte cristã. Que façam não só uma rota turística mas também um caminho de fé. Neste sentido pode ser uma ajuda pedir que quem dirige as explicações das obras de arte lhes ajude também a fazer uma experiência de fé.
– Como os guias podem ajudar os visitantes de Roma?
– Pe. Haydu: Os guias são sobretudo historiadores da arte. O guia cristão busca também transmitir o fundo humano, cristão e espiritual que há detrás de cada obra de arte. De fato já há numerosos guias aqui em Roma e em outros lugares que assim o fazem. Penso que a missão do guia cristão é a de ser ponte entre Deus e a arte. É quem ajuda os que apreciam a arte a conhecer as explicações artísticas e também encontrar a fé, com o Evangelho e com Cristo. Lhes falará das ideias que os artistas queriam transmitir. O guia cristão por um lado conhece bem a história e os aspectos técnicos de cada obra, e por outro lado busca comunicar aos turistas e peregrinos ideias que lhes ajudem a apreciar melhor a arte e crescer humana e espiritualmente. Desta maneira, os visitantes se lembrarão sempre daquele tour guiado de Roma, porque não levarão apenas dados científicos e históricos que se esquece com o passar do tempo, mas algo mais: uma experiência de aproximação de Deus. Isso nunca se esquece.
– Quem pode colaborar com os Patrocinadores das artes dos Museus vaticanos?
– Pe. Haydu: Qualquer pessoa que queira somar-se ao esforço de conservar em seu estado mais perfeito o patrimônio artístico dos Museus vaticanos, de preservar estes valiosos elementos do patrimônio universal e de criar uma cultura cristã do homem e da arte. Para mais informação pode visitar nossa página: http://www.vatican-patrons.org/

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mutirão de Comunicação é transferido para 2010



Recomendação das autoridades sanitárias diante da ameaça da gripe A (H1N1)

O Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, que se realizaria em Porto Alegre agora em julho, teve sua data transferida para 3 a 7 de fevereiro de 2010.
A transferência atende a recomendação das autoridades sanitárias do Estado do Rio Grande do Sul, como medida de prevenção à expansão da gripe A (H1N1).
O arcebispo de Porto Alegre e presidente do Mutirão, Dom Dadeus Grings, afirmou em nota que “a referida transferência é um exercício de responsabilidade e manifestação de solidariedade integral com respeito à saúde e vida dos participantes e do povo de Porto Alegre”.
Segundo o arcebispo, a secretaria da Saúde recomendou o adiamento dos eventos que impliquem na concentração de grande número de pessoas, especialmente quando receberem viajantes procedentes de países/regiões com transmissão da Influenza A (H1N1) e promoverem convivência em ambientes fechados.
“Estamos cientes dos graves prejuízos que esta determinação acarreta, em primeiro lugar aos participantes deste acontecimento continental. Também aos conferencistas, painelistas, técnicos, especialistas e, de maneira particular, aos organizadores, patrocinadores e promotores. A todos a nossa gratidão e a solicitação de seguirmos acompanhando esta tarefa”, afirmou Dom Dadeus Grings.
O Mutirão de Comunicação é uma iniciativa que se realiza no Brasil desde 1998, com o propósito de ser um espaço de intercâmbio, atualização, reflexão e aprofundamento sobre os temas da comunicação e da sociedade.
Para o evento, organizado por OCLACC (Organização Católica Latino-Americana e Caribenha de Comunicação), CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), eram esperados em Porto Alegre 50 mil participantes de cerca de 40 países.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Uma encíclica capitalista ou anticapitalista?



Resposta de dois participantes na apresentação deCaritas in veritate

Durante a coletiva de imprensa de apresentação da encíclica social Caritas in veritate, de Bento XVI, realizada nesta terça-feira no Vaticano, os jornalistas perguntaram qual é a postura do pontífice frente ao capitalismo e à Organização das Nações Unidas (ONU).
“Não é uma encíclica anticapitalista”, respondeu uma das pessoas escolhidas para apresentar o documento à mídia, o professor Stefano Zamagni, docente de economia política na Universidade de Bolonha e consultor do Conselho Pontifício Justiça e Paz.
Este texto, assegurou, “vê o capitalismo em sua situação histórica”.
No entanto, o professor afirmou que o texto “condena o capitalismo quando se converte em totalitarismo, como dizia João Paulo II”, e reitera que nenhum sistema econômico “garante a felicidade”.
O professor esclareceu que a Igreja não tem a tarefa de propor nem desenvolver soluções a problemas estruturais, mas que seu objetivo é ir à raiz dos conflitos sociais.
Para explicar-se, deu este exemplo: “Se nós cancelássemos a dívida mas não transformássemos as estruturas, dentro de 15 anos haveria dívida novamente”.
“É necessário atacar as estruturas do pecado”, disse Zamagni, referindo-se à encíclica Pacem in terris, de João XXIII (1963).
A questão do lucro
Por sua parte, o presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Martino, falou dos benefícios que os trabalhadores oferecem às empresas e à sociedade com seu trabalho. “O benefício deve estender-se não somente ao sistema capitalista, mas a quem participa do mercado”, disse.
“É então socialista ou capitalista?”, perguntou-se o purpurado italiano. “A característica da doutrina social está no fato de ter presentes todos os componentes da sociedade”, respondeu.
Termo “capitalismo” ausente
A palavra “capitalismo” não aparece na encíclica.
“A longa prevalência do binômio mercado-Estado habituou-nos a pensar exclusivamente, por um lado, no empresário privado de tipo capitalista e, por outro, no diretor estatal. Na realidade, o espírito empresarial há de ser entendido de modo articulado”, diz o Papa.
“O espírito empresarial, antes de ter significado profissional, possui um significado humano – assegura – (...), pelo que é bom oferecer a cada trabalhador a possibilidade de prestar a própria contribuição, de tal modo que ele mesmo saiba trabalhar ‘por conta própria’.”
Para Caritas in veritate, “todo trabalhador é um criador”.
O mercado
Algo de que a encíclica realmente fala é da economia de mercado.
“O mercado, se houver confiança recíproca e generalizada, é a instituição econômica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimensão de operadores econômicos que usam o contrato como regra das suas relações e que trocam bens e serviços entre si fungíveis, para satisfazer as suas carências e desejos”, afirma.
“O mercado está sujeito aos princípios da chamada justiça comutativa, que regula precisamente as relações do dar e receber entre sujeitos iguais. Mas a doutrina social nunca deixou de pôr em evidência a importância que tem a justiça distributiva e a justiça social para a própria economia de mercado, não só porque integrada nas malhas de um contexto social e político mais vasto, mas também pela teia das relações em que se realiza.”
De fato, continua dizendo a encíclica, “deixado unicamente ao princípio da equivalência de valor dos bens trocados, o mercado não consegue gerar a coesão social de que necessita para bem funcionar”.
“Sem formas internas de solidariedade e de confiança recíproca, o mercado não pode cumprir plenamente a própria função econômica. E, hoje, foi precisamente esta confiança que veio a faltar; e a perda da confiança é uma perda grave”, conclui.
Na encíclica, não se utiliza nem se menciona os termos “socialismo” e “comunismo”, mais uma prova de que o Papa mostra como seu objetivo é superar ideologias.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 7 de julho de 2009

De Bento XV a Bento XVI

Entrevista com Mariano Fazio, autor de um livro sobre os dois Papas

Por Miriam Diez i Bosch

Mariano Fazio (Buenos Aires, 1960), historiador e filósofo, acaba de publicar o livro “De Benedicto XV a Benedicto XVI”, editado na Espanha por Rialp (www.rialp.com).
Mariano Fazio, que atualmente vive na Argentina, destaca que Bento XV e Bento XVI são dois Papas que “governam a Igreja em momentos de crise” e explica nesta entrevista a Zenit as semelhanças entre ambos pontífices.
Fazio também se refere à “sã laicidade” que propunha Bento XVI.
Este sacerdote é professor de História das Doutrinas Políticas na Faculdade de Comunicação Social Institucional da Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma. Foi o primeiro decano desta faculdade e Reitor Magnífico desta Universidade.
– Entre Bento XV e Bento XVI há algo mais que um número de diferença. Quais são as semelhanças entre estes dois pontificados?
– Fazio: Os dois Papas governam a Igreja em momentos de crise. Bento XV deve pilotar a tormenta da Primeira Guerra Mundial: o otimismo do fim de século acabava (a chamada Belle Époque) e começava a crise da cultura da Modernidade.
É notável como Bento XV se esforça por centrar todo seu magistério na caridade cristã, e põe todos os meios para sanar as feridas do conflito bélico. Em geral, foi um Papa pouco compreendido, mas agora seu pontificado está se reabilitando.
Bento XVI também enfrenta um momento de mudança cultural (ainda que creio que continuamos na mesma crise cultural que se faz evidente com a Primeira Guerra Mundial) e da mesma forma que Bento XVI põe o primado na caridade. Não esquecemos que sua primeira encíclica é Deus caritas est.
E ante as feridas espirituais que provoca a ditadura do relativismo, Bento XVI propõe uma abertura à verdade, ampliando a confiança na razão humana.
– Como Bento XVI percebe o processo de secularização?
– Fazio: O Papa provém da cultura europeia, e em particular da Europa central, talvez a área mais secularizada do mundo.
Por isso, em seus escritos anteriores a sua eleição como sucessor de Pedro se centrou na análise de uma situação marcada pela ausência de Deus e a ruptura antropológica que leva consigo o fechamento ante a Transcendência.
Creio que atualmente o Papa tem uma visão mais diversificada do mundo de hoje, e em suas viagens fora da área europeia encontrou uma abertura à transcendência muito diferente à das sociedades europeias.
A segunda encíclica é sobre a esperança, e em todo o magistério beneditino esta virtude está presente, talvez não estava tão presente em seus escritos anteriores ao pontificado.
O Papa adverte que nos Estados Unidos, América Latina, África, etc, há sinais evidentes do influxo da secularização como negação de um horizonte transcendente, mas ao mesmo tempo impulsiona a positividade de tantos elementos presentes nessas áreas que manifestam a ação de Deus na história.
E está fazendo tudo que pode para devolver à cultura europeia as energias espirituais que a fizeram tão grande e fecunda nos séculos passados.
– Em que consiste a “sã laicidade” que o Papa defende?
– Fazio: Bento XVI, em plena continuidade com seus antecessores, se apresenta ante o mundo como arauto da verdade sobre o homem.
Sua defesa da dignidade da pessoa e a consequente defesa da vida desde a concepção até a morte natural, da identidade da instituição familiar baseada no matrimônio heterossexual (na realidade não existe outro tipo de matrimônio), o primado da solidariedade, a necessária salvaguarda da liberdade religiosa, etc... não se inscreve em um projeto de retorno ao estado confessional, mas apresenta esses valores como próprios da pessoa humana, sem distinção de raça, credo, nível cultural ou social.
E a essa visão tão rica da pessoa humana podemos chegar através da razão.
Certamente, a revelação lança uma luz muito profunda a respeito da verdade sobre o homem, mas não se trata de verdades confessionais.
A sã laicidade seria a atitude de abertura a estes valores antropológicos, que deveriam estruturar a vida social, que repito, não são valores exclusivamente cristãos.
Laicidade é o reconhecimento da distinção entre Igreja e Estado, religião e política, ordem natural e ordem sobrenatural, mas não consiste na independência de uma ordem moral natural e universal.
O oposto à laicidade é o laicismo, que nega toda presença pública da religião, e que proclama, como única atitude moral com carta de cidadania na sociedade democrática, o relativismo; e o clericalismo, que desconhece as distinções mencionadas.
Quando a Igreja defende a dignidade da pessoa humana, não está fazendo política partidarista, nem está promovendo uma cruzada religiosa: simplesmente está ajudando a recordar a todos os homens sua dignidade de pessoas humanas. E isso fortalece a sã laicidade.
– Deixamos a cristandade para trás e estamos em uma época de novo cristianismo?
– Fazio: Se por cristandade entendemos uma sociedade homogênea, regida por princípios cristãos, e com instituições públicas de caráter confessional, é evidente que a deixamos para trás.
Todas as épocas da história da humanidade têm luzes e sombras. Também a época da cristandade, onde a tentação próxima era o clericalismo. Na sociedade ocidental atual, a tentação próxima é o laicismo, tão mal como o clericalismo.
Em meu último livro o que procurei expor é a evolução do Magistério da Igreja, que, em plena continuidade com o Magistério anterior, mas iluminado pelo Espírito Santo e aproveitando a experiência das vicissitudes históricas pelas quais a Igreja atravessa, viu com mais clareza uma série de elementos que estão presentes no Evangelho, mas que o transcurso dos séculos fez que perdessem ênfase na presença pública dos cristãos na sociedade.
Hoje penso que entendemos melhor que nos séculos passados quais são as consequências de dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (sã laicidade, afastada do laicismo e do clericalismo); ou aquela frase do evangelho de São João, que era a preferida de João Paulo II: A verdade vos fará livres.
Uma Verdade, a cristã, que se identifica com a Beleza, a Bondade, que deve ser buscada livremente (liberdade religiosa) e uma vez encontrada, vivê-la em plenitude.

Fonte: Zenit.