segunda-feira, 30 de junho de 2014

Deus é assim: transforma-nos, perdoa-nos sempre

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Desde os tempos antigos, a Igreja de Roma celebra os apóstolos Pedro e Paulo em uma única festa no mesmo dia, 29 de junho. A fé em Jesus Cristo tornou-os irmãos e o martírio os fez se tornarem uma só coisa. São Pedro e São Paulo, tão diferentes entre eles no plano humano, foram escolhidos pessoalmente pelo Senhor Jesus e responderam ao chamado oferecendo toda as suas vidas. Em ambos a graça de Cristo realizou grandes coisas, transformou-os. E como os transformou! Simão havia renegado Jesus no momento dramático da paixão; Saulo havia perseguido duramente os cristãos. Mas ambos acolheram o amor de Deus e se deixaram transformar pela sua misericórdia; assim se tornaram amigos e apóstolos de Cristo. Por isso esses continuam a falar à Igreja e ainda hoje nos indicam o caminho da salvação. Também nós, hoje, se por acaso caíssemos nos pecados mais graves e na noite mais escura, Deus é sempre capaz de nos transformar, como transformou Pedro e Paulo; transformar o nosso coração e perdoar tudo, transformando assim a nossa escuridão do pecado em uma aurora de luz. Deus é assim: transforma-nos, perdoa-nos sempre, como fez com Pedro e como fez com Paulo.
O livro dos Atos dos Apóstolos mostra muitos traços de seus testemunhos. Pedro, por exemplo, ensina-nos a olhar para os pobres com olhar de fé e a doar a eles aquilo que temos de mais precioso: o poder do nome de Jesus. Fez isto com aquele paralítico: deu-lhe tudo aquilo que tinha, isso é, Jesus (cfr At 3, 4-6).
De Paulo, é contado por três vezes o episódio do chamado no caminho de Damasco, que marca a reviravolta de sua vida, marcando nitidamente um antes e um depois. Antes, Paulo era um férreo inimigo da Igreja. Depois, coloca toda a sua existência a serviço do Evangelho. Também para nós o encontro com a Palavra de Cristo é capaz de transformar completamente a nossa vida. Não é possível ouvir esta Palavra e continuar parado no mesmo lugar, ficar bloqueado nos próprios hábitos. Esta impulsiona-nos a vencer o egoísmo que temos no coração para seguir decididamente aquele Mestre que deu a sua vida por seus amigos. Mas é Ele que com a sua palavra muda-nos; é Ele que nos transforma; é Ele que nos perdoa tudo, se nós abrimos o coração e pedimos o perdão.
Queridos irmãos e irmãs, esta festa suscita em nós uma grande alegria, porque nos coloca diante da obra da misericórdia de Deus no coração de dois homens. É a obra da misericórdia de Deus nestes dois homens, que eram grandes pecadores. E Deus quer encher também nós com esta graça, como fez com Pedro e com Paulo. A Virgem Maria nos ajude a acolhê-la como eles com coração aberto, a não recebê-la em vão! E nos ajude no momento da provação, para dar testemunho de Jesus Cristo e do seu Evangelho. Peçamos isso em particular pelos arcebispos metropolitanos nomeados no último ano, que esta manhã celebraram comigo a Eucarística em São Pedro. Saudemos-lhes com afeto junto com os seus fiéis e familiares, e rezemos por eles!

Fonte: Zenit.

domingo, 29 de junho de 2014

Olalla Oliveros: "A voz de Deus me chamou para segui-lo"



"O Senhor não comete erros. Ele me chamou para segui-lo e eu não recusei. "Isto é o que disse, durante uma entrevista, a famosa ex-modelo espanhola Olalla Oliveros, showgirl com uma carreira televisiva e teatral de sucesso.
Aos 36 anos, depois de uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhoria de Fátima, em Portugal, começou nela um indefinível e inconsciente caminho espiritual que, depois de quatro anos, levou-a a deixar o mundo do show e se aproximar do Senhor.
A viagem a fez perceber o quanto a felicidade que sempre procurou, de fato, não estava escondida em uma vida de luxo, falsa beleza, festas e aparências, mas residia na oração e na fé. E esta foi uma descoberta que levou a showgirl a tomar seus votos para se tornar uma freira de clausura.
Com a chamada e seu crescimento, tornado público somente agora, graças a uma autorização de seus superiores da Ordem de São Miguel Arcanjo de Vilariño, os olhos e o coração de Olalla se abriram fazendo parecer a sua beleza não mais material ou superficial, mas profunda e verdadeira, graças à bondade interior e à escolha de viver com e pelo Pai Eterno.
Sua história é a narração de uma vida que se transforma passando de um estilo egocêntrico para um estilo voltado ao próximo, gastando seus dias ajudando as pessoas com suas orações. Foi uma profunda transformação, definida por ela mesma como um "terremoto interior", que a fez compreender que ser um modelo basicamente significa ser um ponto de referência, apoiador de ideais e ensinamentos dignos de serem imitados, enquanto que trazem a verdade e a beleza de Cristo.
Olalla, com a sua vocação, decidiu se tornar um exemplo contemplante o desejo de tornar a sociedade de hoje um conjunto de pessoas melhores, que superam a hipocrisia da aparência e a busca da felicidade no sucesso e no dinheiro.
Diante de uma população que agora se alimenta de mentiras e enganos, a Oliveros quer ser um modelo destinado a promover "a verdadeira dignidade da mulher", como disse ao jornal El Tiempo em 2010. A força da fé, a busca da verdadeira beleza e a felicidade levaram-na a abandonar-se e a seguir o chamado do Senhor fazendo-a mudar de vida.
Depois de anos de palco e fotografias, depois de entrevistas, tempos agitados, longos tapetes vermelhos e compromissos, a espiritualidade, a oração e o amor a Cristo permitiram que a mulher concentre a sua luz não mais em uma beleza canônica e comercial mas sobre a verdadeira beleza interior.
Em um momento histórico difícil e sujeito a constantes mudanças, Deus chama muitos homens, mulheres e jovens a segui-lo, para que possam servir a sua Igreja Universal. No entanto, diante de temores, tentações e distrações, seguir a Sua voz e seu coração tornou-se um passo difícil e importante, assim como foi para Olalla Oliveros, mas também para outras celebridades do espetáculo como Claudia Koll. (Maria Anastasia Leorato/Trad.T.S.)

Fonte: Zenit.

sábado, 28 de junho de 2014

O papa Francisco recebe uma delegação do patriarcado ecumênico ortodoxo neste dia 28 de junho

Uma delegação do patriarcado ecumênico ortodoxo está em Roma até o dia 29 de junho para o tradicional intercâmbio de delegações que faz parte das celebrações dos respectivos santos padroeiros: em 29 de junho, em Roma, a celebração dos santos apóstolos Pedro e Pablo; no dia 30 de novembro, em Istambul, a celebração de Santo André.
A delegação do patriarcado é liderada pelo metropolita de Pérgamo, Ioannis (Zizioulas), vice-presidente da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre as Igrejas católica e ortodoxa. Ele é acompanhado pelo arcebispo Jó, de Telmissos, e pelo arquidiácono patriarcal Chryssavgis.
Neste sábado, 28 de junho, a delegação ecumênica será recebida em audiência pelo papa Francisco e encontrará depois alguns representantes do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, comandado pelo cardeal Kurt Koch.
No domingo, a delegação assistirá à solene celebração eucarística presidida pelo Santo Padre no Vaticano.


Fonte: Zenit.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Apresentado no Vaticano o instrumentum laboris para o Sínodo da Família

Foi feita ontem na Sala de Imprensa do Vaticano a apresentação à mídia do “instrumentum laboris” da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que acontecerá de 5 a 19 de outubro de 2014 com o título "Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização". O cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos, foi o encarregado de explicar cada uma das partes do documento.
O “instrumentum laboris” é o resultado da pesquisa promovida pelo Documento Preparatório, que incluía um questionário com 39 perguntas enviado a todas as dioceses do mundo. O questionário "foi acolhido de maneira positiva e teve ampla resposta, tanto do povo de Deus quanto da opinião pública em geral", declarou o cardeal.  Foram realizadas ainda três reuniões do Conselho de Secretaria e duas reuniões interdicasteriais, além da difusão da oração do papa pelo Sínodo da Família, das intervenções do secretário geral em diversas ocasiões e de conferências e simpósios.
O texto tem três partes, coerentes com as temáticas do Documento Preparatório.  A primeira, explicou Baldisseri, é dedicada ao Evangelho da família, ao plano de Deus, à lei natural e à vocação da pessoa de Cristo. "O escasso conhecimento dos ensinamentos da Igreja exige dos trabalhadores pastorais mais preparação e compromisso para favorecer a compreensão por parte dos fiéis, que vivem em contextos culturais e sociais diferentes".
A segunda parte aborda os desafios pastorais inerentes à família, como a crise da fé, as situações críticas internas, as pressões externas e outras problemáticas. "Compete à responsabilidade dos pastores a preparação para o matrimônio, hoje cada vez mais necessária, para que os noivos amadureçam a sua escolha como uma adesão pastoral de fé ao Senhor, para construir a família sobre bases sólidas", observa o purpurado.
Ele acrescenta que são consideradas de forma particular as situações pastorais difíceis, "que têm a ver com os casais que vivem juntos, os separados, os divorciados, os divorciados que voltaram a se casar, seus filhos, as mães adolescentes, os que estão em irregularidade canônica e os que pedem o matrimônio sem ser crentes ou praticantes". O secretário do sínodo afirma que é urgente permitir que as pessoas feridas sejam sanadas e se reconciliem, encontrando nova confiança e serenidade. Por isso, "é necessária uma pastoral capaz de oferecer a misericórdia que Deus concede a todos sem medida".
Quanto aos casais que convivem sem terem recebido o sacramento matrimonial, ele acrescenta: "A Igreja sente o dever de acompanhar esses casais na confiança para assumirem uma responsabilidade, como a do matrimônio, que não é grande demais para eles". Quanto à "questão dos divorciados que voltaram a se casar, que vivem com sofrimento a condição irregular na Igreja, esta oferece um conhecimento real da sua situação e se sente interpelada a encontrar soluções compatíveis com os seus ensinamentos, que levem a uma vida serena e reconciliada". A este propósito, existe a exigência de simplificar e acelerar os procedimentos judiciais de nulidade matrimonial. O cardeal também destaca a importância dos cursos de formação para o matrimônio, que devem melhorar, e do acompanhamento posterior do casal. Ele menciona ainda as uniões entre pessoas do mesmo sexo, situação que também demanda o cuidado pastoral da Igreja.
A terceira parte do documento apresenta "as temáticas relativas à abertura à vida, como o conhecimento e as dificuldades na recepção do magistério, as sugestões pastorais, a práxis sacramental e a promoção de uma mentalidade aberta à vida".  Sobre a responsabilidade educativa dos pais, “existe a dificuldade de transmitir a fé aos filhos, que se concretiza na iniciação cristã”.
O purpurado comentou também que o tema da próxima Assembleia Geral Ordinária de 2015 é "Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família".
O “instrumentum laboris” é entregue aos membros de direito da Assembleia Sinodal para que, até a realização da Assembleia Geral, o texto seja estudado e avaliado pelas respectivas Conferências Episcopais, a fim de se chegar à apresentação que cada presidente fará durante a assembleia como contribuição específica aos trabalhos sinodais.
O purpurado observa que o documente dá uma visão da realidade familiar no contexto atual, que representa o início de uma reflexão profunda cujo desenvolvimento se realizará em duas etapas, previstas pela Assembleia Geral Extraordinária (2014) e pela Ordinária (2015), estreitamente unidas pelo tema da família à luz do Evangelho de Cristo. Deste modo, os resultados da Assembleia Extraordinária serão utilizados para a preparação do “instrumentum laboris” da Assembleia Ordinária, depois da qual será publicado o documento final, submetido à aprovação do Santo Padre.
Baldisseri informou, para encerrar, que no domingo 28 de setembro haverá uma jornada de oração pelo sínodo, assim como adoração eucarística cotidiana durante os trabalhos sinodais, na Capela Salus Populi Romani da basílica de Santa Maria Maior, em Roma.
O “instrumentum laboris” pode ser lido no seguinte link:

http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20140626_instrumentum-laboris-familia_po.html

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Parte I sobre Relativismo Religioso e Totalitarismo Anticristão



No dia 16 de janeiro de 2014 a Pontifícia Comissão Teológica Internacional publicou um extenso e importante documento, elaborado entre 2009 e 2014: “Deus Trindade, unidade dos homens: o monoteísmo cristão contra a violência[i]. Consiste em um estudo do discurso cristão sobre Deus, defrontando-se com a tese segundo a qual haveria uma relação intrínseca entre monoteísmo e violência. Atualmente afirma-se que o monoteísmo, por acreditar ser o detentor de uma verdade absoluta, é fonte de intolerância e violência. Por sua vez, o politeísmo seria intrinsecamente tolerante e fundamental para a democracia. Esse pensamento pretende defender um relativismo religioso absoluto, mas acaba se revelando como uma verdadeira forma de totalitarismo anticristão.
O documento responde duas questões: como a teologia católica pode se confrontar criticamente com a opinião cultural e política que estabelece uma relação intrínseca entre monoteísmo e violência? E como a fé no único Deus pode ser reconhecida como princípio e fonte do amor entre os homens?
O texto afirma que a fé cristã reconhece na excitação à violência em nome de Deus a máxima corrupção da religião. O cristianismo chega a esta convicção a partir da revelação da própria intimidade de Deus, que nos chega através de Jesus Cristo. O capítulo primeiro – que expomos aqui – esclarece a noção de monoteísmo, apresentada geralmente de modo demasiado vago. Então se afirma que as guerras interreligiosas e também a guerra contra a religião são totalmente insensatas[ii].
Sendo assim, é preciso reconhecer Deus como «princípio e o fim» da existência de cada pessoa e de toda comunidade humana. Por sua vez, o homem é naturalmente capaz de reconhecer Deus como criador do mundo e como seu interlocutor pessoal. Nesse sentido, afirma-se a existência do homo religiosus, a qualé deduzível da experiência religiosa dos homens.
A partir de então, podemos questionar: há um nexo necessário entre o monoteísmo e a violência? Uma pergunta estranha, pois justamente o Ocidente considerou por séculos o “monoteísmo” a forma de religião culturalmente mais evoluída, por ser o modo de pensar o divino mais congruente com os princípios da razão. De fato, a unicidade de Deus é acessível à filosofia – desde Sócrates, Platão, Aristóteles até o Deísmo moderno – e foi identificada como princípio da razão natural que precede as tradições históricas das religiões.
Ocorre que a cultura contemporânea reage às grandes ideologias do século XX, as quais pretenderam ser científicas e dirigidas a um progresso indefinido. Houve então um predomínio da busca pela verdade, a qual justificou concepções filosóficas e políticas que levaram a humanidade ao abismo das duas grandes guerras mundiais. Em oposição a isso, hoje se tende a privilegiar a pluralidade das visões sobre o bem e sobre o justo, sem buscas pela verdade. Isso gera a tensão entre o reconhecimento do pluralismo e um princípio relativista.
De fato, conhecer e respeitar as diferenças culturais «representa uma vantagem para a valorização das singularidades e para a abertura a um estilo hospitaleiro da convivência humana». Porém, há um grave problema: o mero respeito às diferenças sem uma busca pela verdade gera a impossibilidade do diálogo. De modo que as pessoas e os grupos «são induzidos à desconfiança – se não à indiferença perante o empenho em buscar o que é comum à dignidade do homem» (n. 4).
Isso significa que o relativismo e o chamado “politeísmo dos valores” não podem ser o fundamento da democracia e do respeito pela dignidade humana, porque geram incomunicabilidade, desconfiança, indiferença pela verdade e desprezo por aquilo que une os homens: a mesma dignidade de pessoa. O relativismo é fruto da perda de confiança na razão humana e gera a suspeita em relação às outras pessoas, assim como uma perda de motivações. Uma sociedade relativista é uma sociedade apática, pois todas as escolhas humanas são, no fundo, indiferentes. Isso faz com que as relações humanas sejam abandonadas «a uma gestão anônima e burocrática da convivência civil» (ibid.). Consequentemente, se dá o crescimento de uma imagem pluralista da sociedade e a afirmação de um desígnio totalitário do pensamento único: surge então o discurso “politicamente correto”. O relativismo se revela como uma máscara que esconde um secreto absolutismo[iii].
Para o relativismo a verdade é considerada uma ameaça radical para a autonomia do sujeito e para a abertura da liberdade, porque a pretensão de uma verdade objetiva e universal, se bem que acessível ao espírito humano, é imediatamente associada a uma pretensão de posse exclusiva por parte de um sujeito ou grupo. A ideia de que a busca da verdade seja necessária para o bem comum é tida por ilusória. Na atual compreensão, a verdade estaria inseparavelmente relacionada com a “vontade de poder”, por isso a “verdade”, principalmente a religiosa, passa a ser vista como raiz de conflito e de violência.
O colapso cultural da atualidade é tão grave que afirma ser o monoteísmo arcaico e despótico, enquanto o politeísmo seria criativo e tolerante. A dita crítica se concentra na denúncia radical do cristianismo, justamente a religião que aparece como protagonista na busca de um diálogo de paz, tanto com as grandes tradições religiosas quanto com as culturas laicas. Certamente, o fato dos cristãos serem descaradamente associados por sua fé no Deus Único a uma “semente da violência” fere milhões de autênticos crentes, especialmente porque eles vivem totalmente afastados da pregação da violência. Além disso, em muitas partes do mundo, os cristãos são maltratados com a intimidação e a violência por causa exclusivamente da sua fé. Estima-se que atualmente 200 milhões de cristãos são perseguidos no mundo, algo que ocorre diante do silêncio cúmplice de boa parte dos governos e meios de comunicação, que se empenham em difundir uma visão distorcida do cristianismo como o grande incentivador de violência[iv]. Evidentemente não se pode negar o preocupante fenômeno da “violência religiosa”, a atual “ameaça terrorista”. Mas também não se pode ignorar que são precisamente os cristãos que mais sofrem violências no mundo.
[i] O documento pode ser acessado em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_20140117_monoteismo-cristiano_po.html
[ii] O capítulo II trata as chamadas “páginas difíceis” da Bíblia, ou seja, aquelas em que a revelação de Deus surge envolvida nas formas da violência entre os homens; o capítulo III oferece um aprofundamento do evento da morte e da ressurreição de Jesus, central para a reconciliação entre os homens; o quarto capítulo fornece uma clarificação das aproximações e implicações filosóficas do pensamento de Deus, discutindo com o ateísmo atual; o último capítulo trata os elementos cristãos que definem o empenho do testemunho eclesial na reconciliação dos homens com Deus e de uns com os outros. Pois o cristianismo é consciente de que a «revelação cristã purifica a religião, porque lhe restitui o seu significado fundamental para a experiência humana do sentido».
[iii] O Papa Francisco recentemente também falou do totalitarismo relativista. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n. 231: «Por isso, há que postular um terceiro princípio: a realidade é superior à ideia. Isto supõe evitar várias formas de ocultar a realidade: os purismos angélicos, os totalitarismos do relativo, os nominalismos declaracionistas, os projetos mais formais que reais, os fundamentalismos anti-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria».
[iv] Os dados são do Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, organizados pela Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). Cfr. http://www.news.va/pt/news/milhares-de-cristaos-sao-perseguidos-no-mundo-mas também: http://www.zenit.org/pt/articles/200-milhoes-de-cristaos-sao-perseguidos-no-mundo

Padre Anderson Alves.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Um cristão não anuncia a si mesmo, mas a Deus



Na homilia da missa matutina em Santa Marta, na solenidade da natividade de São João Batista, o papa Francisco refletiu sobre as vocações deste santo: preparar, discernir, diminuir. "Preparar a vinda do Senhor, discernir quem é o Senhor, diminuir para que o Senhor cresça".
Francisco recordou que João preparava o caminho para Jesus "sem tomar nada para si. Era um homem importante: as pessoas o procuravam, o seguiam porque as suas palavras eram fortes". Suas palavras chegam ao coração, afirmou Francisco. E João teve, talvez, "a tentação de se achar importante, mas não caiu nela". De fato, quando os doutores foram lhe perguntar se ele era o Messias, João respondeu: "Eu sou voz, somente voz", mas "vim preparar o caminho para o Senhor". Francisco destacou a primeira vocação do Batista: "preparar o povo, preparar o coração do povo para o encontro com o Senhor".
Mas “quem é o Senhor?”, perguntou o papa. E respondeu: “Esta é a segunda vocação do João: discernir, entre tanta gente boa, quem era o Senhor. E o Espírito lhe revelou e ele teve a valentia de dizer: 'É este. Este é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo'. Os discípulos olharam para aquele homem que passava e o deixaram ir. No dia seguinte, aconteceu o mesmo. 'É este! Ele é mais digno do que eu'. Os discípulos foram atrás dele. Na preparação, João dizia: 'Depois de mim vem um...'. No discernimento, ele diz: 'Diante de mim... é este!'".
A terceira vocação de que o pontífice falou é a de diminuir. "A vida dele começou a se abaixar, a diminuir para que o Senhor crescesse, a diminuir até se anular". Francisco explicou que "esta foi a etapa difícil de João, porque nosso Senhor tinha um estilo que ele não tinha imaginado, a ponto de que, na prisão, ele sofreu não só a escuridão da cela, mas a escuridão do coração: 'Mas será que é este? Será que eu não me enganei? Porque o Messias tem um estilo tão simples... Não entendo...'. E, como era homem de Deus, ele pediu que os discípulos fossem até Jesus para perguntar: 'És Tu realmente ou devemos esperar por outro?'".
O Santo Padre afirmou que a "humilhação de João é dupla: a humilhação da sua morte como preço de um capricho", mas também "a humilhação da escuridão da alma". Deste modo, Francisco recordou que João, que soube "esperar" Jesus, que soube "discernir", "agora vê Jesus longe".
E prosseguiu: "A promessa se afastou. E ele termina sozinho. Na escuridão, na humilhação". Fica sozinho "porque se destruiu muito para que o Senhor crescesse".
Ao terminar a homilia, o bispo de Roma observou que João vê o Senhor "longe" e vê a si mesmo "humilhado, mas com o coração em paz". "Três vocações em um homem: preparar, discernir, deixar o Senhor crescer, diminuindo a si mesmo. Também é bonito pensar na vocação do cristão assim. Um cristão não anuncia a si mesmo, anuncia outro, prepara o caminho para outro: nosso Senhor. Um cristão tem que saber discernir, conhecer como discernir a verdade daquilo que parece verdade e não é: homem de discernimento. E um cristão tem que ser um homem que saiba se abaixar para que o Senhor cresça, no coração e na alma dos outros", concluiu o papa.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Natividade de São João Batista



João Batista, o Precursor, nasceu na cidade de Judá em uma pequena aldeia chamada Aim Karim, perto de Hebron. Filho do sacerdote São Zacarias e de Santa Isabel, prima da Virgem Maria, João Batista teve seu nascimento predito pelo arcanjo Gabriel. Este último anunciou a Zacarias que sua esposa, já idosa e estéril, daria a luz um filho e que este menino seria o precursor do Salvador.
Assim aconteceu, e os evangelhos narram, quando da visita de Maria a sua prima Isabel, que a criança estremecera no ventre de Isabel. O fato deve-se à reverência que João Batista já fazia Àquele do qual seria precursor. Após seu nascimento, o evangelista Lucas narra a infância de João, na qual o menino foi crescendo e fortificando-se no espírito.
Em sua juventude, retirou-se para o deserto a fim de preparar-se para a sua missão. Lá viveu uma vida austera e voltada para a oração, jejum e recolhimento. Com aproximadamente trinta anos, iniciou suas pregações às margens do Rio Jordão.
O ápice da pregação de São João Batista consistia em preparar o povo para a vinda do Messias, tanto pela Palavra como pelo seu testemunho. Ficou conhecido como Batista pela ênfase que dava ao batismo, sempre ressaltando que viria Àquele que era maior que ele.
Com destemor anunciou a vinda de Cristo e denunciou o pecado de Herodes Antipas que o levou à prisão e por conta das comemorações de seu aniversário, motivado pela ardilosa influência de Herodíades, filha do rei, e Salomé, sua filha, ordenou que João Batista fosse decapitado e sua cabeça trazida em uma bandeja.
João Batista é um dos santos mais populares da cristandade tendo duas datas celebradas em sua honra: a natividade em 24 de junho e sua morte no dia 29 de agosto.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Papa condena crime organizado em visita a Cassano, na Itália



papa_cossano

O Papa Francisco condenou o crime organizado afirmando que o mal “tem de ser combatido e removido” e que Igreja tem o dever de fazer com que “o bem possa prevalecer”. A afirmação foi dirigida aos fiéis da Diocese de Cassano, no sul da Itália, em missa celebrada neste sábado (21).
O Papa Francisco partiu no começo da manhã do Vaticano para visitar pela primeira vez o município de Cassano all’Jonio, na Calábria.
“A família Ndrangheta significa o culto do mal e do desprezo pelo bem comum. Esse mal deve ser combatido, deve ser removido. É preciso dizer não. A Igreja deve gastar-se cada vez mais para que o bem possa prevalecer. Pedem-no as nossas crianças, pedem-no os nossos jovens carecidos de esperança”, afirmou o Papa na homilia da missa de encerramento da visita.
A família Ndrangheta é uma associação mafiosa que se formou na região da Calábria sendo atualmente a mais influente e fechada organização criminosa.
Na celebração, assinalada pela solenidade de Corpus Christi, o Papa indicou aos fiéis dois aspectos inseparáveis da fé cristã exaltados neste dia:
“Adorar Jesus na Eucaristia e caminhar com Ele. Estes são os dois aspectos inseparáveis ​​da festa de hoje, dois aspectos que dão a impressão de toda a vida do povo cristão, um povo que adora a Deus e caminha com Ele”, disse.
“Somos uma nação que ama a Deus. Nós adoramos a Deus, que é amor, que Jesus Cristo se entregou por nós, ofereceu a si mesmo na cruz para expiar nossos pecados e no poder deste amor é ressuscitado dentre os mortos e vive na sua Igreja. Nós não temos nenhum outro Deus além deste!”, completou.
Nesse sentido, ao confessar a fé no Sacramento do Altar, cada cristão renuncia a Satanás e a todas as suas promessas vazias.
“Renunciamos aos ídolos do dinheiro, vaidade, orgulho e poder. Nós, cristãos, não queremos adorar alguém ou alguma coisa neste mundo, senão a Jesus Cristo, que está presente na Santa Eucaristia. Talvez, a gente nem sempre perceba ao fundo do que isso significa, as consequências que tem, ou deveria ter esta nossa profissão de fé. Hoje, pedimos ao Senhor para nos iluminar e converter-nos, porque  verdadeiramente adoramos somente a Ele, e renunciamos ao mal em todas as suas formas”, completou.
Referindo-se aos mafiosos, o Papa disse que seguindo a estrada do mal “não estão em comunhão com Deus: estão excomungados”.
Francisco afirmou estar em Cossano para confirmar a Igreja da Calábria “na fé e na caridade”, e exortou aos políticos “empenho” para “o serviço ao bem comum” tendo em mente “os que têm mais necessidade de justiça, de esperança, de ternura”.
O Papa indicou “sinais de esperança” nas famílias, nas paróquias, nas associações, nos movimentos eclesiais, enaltecendo o projeto Policoro, criado para ajudar os jovens.
“Vós, caros jovens, não vos deixeis roubar a esperança. Adorando Jesus no vosso coração e permanecendo unidos a Ele sabereis opor-vos ao mal, às injustiças, à violência com a força do bem, da verdade, e da beleza”.
“Rezem por mim”, foi o pedido final dirigido aos fiéis de Cassano.
No início da noite, o Pontífice retornou para o Vaticano.
 
Fonte: A12,


domingo, 22 de junho de 2014

A missa dominical é um direito de todo batizado

"Aleluia! Louvai, servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Seja bendito o nome do Senhor, desde agora e para sempre. Do nascer ao pôr do sol seja louvado o nome do Senhor" (Sl 112, 1-3). O louvor perene visto pelo salmista se realiza na Igreja, na celebração da Eucaristia. "Na verdade, vós sois santo, ó Deus do universo, e tudo o que criastes proclama o vosso louvor, porque, por Jesus Cristo, vosso filho e Senhor nosso, e pela força do Espírito Santo, dais vida e santidade a todas as coisas e não cessais de reunir o vosso povo, para que vos ofereça em toda parte, do nascer ao pôr do sol, um sacrifício perfeito" (Liturgia da Missa, Oração Eucrística III). Assim reza a Igreja na Oração Eucarística, recordando que o mesmo mistério de Cristo, em sua Morte e Ressurreição, torna-se presente e é proclamado, para a vida e a salvação de todos os homens e mulheres, pelos quais o Sangue de Cristo foi derramado. De fato, em qualquer tempo e em toda parte do mundo, a Santa Missa é celebrada e o único Sacrifício Redentor se renova. A fonte aberta do lado de Cristo na Cruz nunca se fechou!
Desde os primeiros tempos da vida da Igreja, os cristãos se reúnem para celebrar o Mistério Pascal de Cristo, na Eucaristia. Os Atos dos Apóstolos já testemunharam, nos sumários a respeito da vida cristã primitiva, a fidelidade na "Fração do Pão", o primeiro nome da Missa (Cf. At 2, 42-47). Outros textos do Novo Testamento (Cf. At 20, 7-12; I Cor 11, 17-34) se referem à Eucaristia celebrada. Até hoje e enquanto esperamos a vinda do Senhor, o mesmo mistério é celebrado na Igreja.
Escritores dos primeiros séculos relatam a prática dos cristãos. São Justino assim descreve de forma magnífica: "No dia chamado do Sol, isto é, domingo, todos aqueles que moram nas cidades e nos campos se reúnem no mesmo lugar e então são lidas as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas, enquanto o tempo o permite. Depois que o leitor termina, aquele que preside à assembleia toma a palavra, admoestando e exortando a colocar em prática estes bons exemplos. Em seguida, todos juntos nos levantamos e elevamos preces aos céus. Terminadas as orações, nós nos abraçamos com um ósculo recíproco. Em seguida, são levados àquele que preside os irmãos um pão e uma taça de vinho com água. Ele os recebe e louva e glorifica o Pai de todos, em nome do Filho e do Espírito Santo; depois pronuncia uma longa ação de graças porque fomos tornados dignos desses dons. Terminadas as orações e o agradecimento eucarístico, o povo aclama Amém! Depois, aqueles que chamamos diáconos distribuem a cada um dos presentes o pão e o vinho com água eucaristizados e os levam aos ausentes" (Justino, cerca do ano 155, Apologia I, 67. 65). Suscita uma grande alegria saber que a prática da celebração eucarística já se configurava assim nos primeiros tempos! De fato, nós não inventamos a Missa. Ela é tesouro da Igreja!
O dia mais expressivo para a participação na Santa Missa é o Domingo, Páscoa Semanal dos cristãos. Trata-se de um direito de todos os batizados a Missa Dominical, antes de ser um dever. Torna-se, sim, um compromisso de honra ir à missa no domingo, acolher a Palavra de Deus proclamada e unir a própria vida à Morte e Ressurreição de Cristo, comungando seu Corpo e seu Sangue. Aliás, o Domingo, na frente do justo repouso que o caracteriza, é o dia da Assembleia Eucarística. Não pode o cristão viver sem o Domingo! A mesma Páscoa anual celebrada torna-se Páscoa semanal no dia ao Senhor e pode ser Páscoa diária, todas as vezes que comemos deste Pão e bebemos deste vinho, anunciando a Morte do Senhor e proclamando a sua Ressurreição.
Como participar da Missa, que é o coração da vida da Igreja? Priorizar no dia de Domingo a Missa, de preferência em sua própria Comunidade Paroquial. Vale ainda sugerir que se revalorize o costume de participar como família, pais e filhos juntos. A devida disposição interior para participar da Missa é alcançada com um outro Sacramento, a Penitência ou Reconciliação. A confissão frequente abre o coração para o acolhimento da graça da Eucaristia. Para que "nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso” (Liturgia da Missa), haja em nós aquelas atitudes propostas pelo profeta Isaías ao povo eleito: buscar o Senhor cada dia, através da prática da justiça, da observância da Lei, do jejum, da honestidade, do empenho pela fraternidade, pela mortificação dos costumes perversos, pela prática diária da caridade fraterna, mediante o acolhimento dos pobres, dos órfãos, das viúvas, dos peregrinos (Cf. Is 58, 1-9). Outra proposta para a Missa Dominical é prepará-la com antecedência, especialmente com a leitura dos textos da Escritura que são proclamados. Nas várias edições da Bíblia Sagrada se encontra a lista das leituras para as Missas.
A Igreja ensina (Cf. Constituição Sacrosanctum Concilium 10-14) que a participação na Santa Missa deve ser ativa, pois envolve a pessoa inteira, interna e externamente: espírito, mente, sentidos, gestos, palavras, liberdade, criatividade, silêncio. Há de ser uma participação consciente, buscando o conhecimento do mistério de Cristo, com a mente, para poder se identificar com ele com o coração. Nossa participação na Eucaristia é chamada a ainda a ser plena, completa, pelo acolhimento da fé, com verdadeira experiência de plenitude da presença de Deus, um culto em espírito e em verdade. Desejamos ainda os frutos da participação na Eucaristia, que tem por finalidade a glorificação de Deus e a santificação da humanidade em Cristo. A participação frutuosa acontece quando são alcançadas essas dimensões. Na Santa Missa, cada pessoa faça aquilo que lhe cabe, pela missão que lhe foi dada, valorize os serviços das outras pessoas, envolva-se no mistério celebrado, para que se multipliquem depois os frutos de sua participação ativa e verdadeira.
Tudo conduza assim cada fiel à Comunhão Eucarística, que há de ser sempre o Pão Vivo para a vida cristã neste mundo. Quem comunga pelo menos aos Domingos, alimenta-se para ser comunhão com os outros, reconhecer o valor da vida comunitária na Igreja e ser fermento de comunhão na sociedade.
Como o Mistério é muito grande e seu valor é infinito, prolonga-se no Culto Eucarístico fora da Missa o louvor a Deus e a oração fervorosa. Este é o sentido da presença do Senhor no Tabernáculo de nossas Igrejas. Cada Sacrário seja princípio de um incêndio positivo de amor, cultivado na Visita frequente a Jesus Sacramentado. Enfim, aqui também encontra seu valor a celebração do Triunfo Eucarístico, com a Procissão de Corpus Christi, na Solenidade do Corpo e do Sangue do Senhor, celebrada com alegria pela Igreja nestes dias, com a qual clamamos "graças e louvores sejam dados a todo momento, ao Santíssimo e Digníssimo Sacramento". Em toda parte, do nascer ao pôr do sol!

Dom Alberto Taveira - Arcebispo de Belém do Pará.

sábado, 21 de junho de 2014

XII domingo do Tempo Comum

Leituras do próximo domingo: Jr 20, 10-13; Rom 5, 12-15; Mt 10, 26-33

Voltamos ao tempo comum ou ordinário. Momento privilegiado para experimentar a nossa pertença à comunidade cristã; para viver no “dia do Senhor” com a consciência gozosa de que Ele está presente, embora não o vemos; para escutar a Palavra e nos alimentar com o Corpo e Sangue de Cristo, sacramento que nos dá força no nosso caminho, e assim sair de novo à “vida” com mais ânimos e energias.

Ideia principal: não devemos ter medo.

Resumo da mensagem: na nossa vida passamos por momentos duros, quem não? (primeira leitura). Cristo não nos escondeu nunca que a nossa vida cristã seria difícil, pois não podemos ter melhor sorte que Ele, o nosso Mestre (Evangelho) que passou por dificuldades terríveis. Porém devemos viver com a confiança, dado que em Cristo temos a sobre abundância de graça (segunda leitura).

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, todos passamos por situações e horas terríveis, como Jeremias na primeira leitura: nos traem, nos criticam e difamam, nos abandonam e nos deixam na guinada; riem de nós; perdemos o trabalho e algum ser querido vai embora de casa; uma doença que vai minando a nossa saúde; não podemos pagar as nossas dívidas acumuladas. Para que continuar. Situações duras e medos que rondam hoje o mundo, a Igreja e as nossas famílias e filhos são: o secularismo ditador que tira Deus da mesa e das nossas decisões, o ateísmo militante que boxeia contra Deus com a foice e o martelo, e a despersonalização ideológica do católico, que não se sabe ao que vai e com quem comunga. Estes inimigos nos fazem tremer.

Em segundo lugar, nestes momentos devemos escutar no coração a palavra consoladora de Cristo: “Não tenham medo”. E Cristo, ao dizer isso, sabia bem que dos seus ouvintes, Pedro morreria em Roma de cabeça para baixo, o seu irmão André morreria em Patras crucificado em forma de X, a São Tiago cortariam a cabeça em Jerusalém, e colocariam a cabeça do seu irmão João sobre brasas ardentes, o tirariam ileso e o desterrariam nas minas de metal de Patmos, ilha flutuante no Egeu. Parece que nenhum dos discípulos morreu na cama. Que Cristo diga também a nós: “Não tenham medo”; isso já é outra historia. Não nos intrometemos com ninguém; diante do materialismo, do hedonismo, do secularismo e outros “ismos” nem sequer damos um “piu”; nos currais da pornografia ficamos vermelhos como os demais, no matrimonio brincamos de andar sobre a corda bamba, trapaceamos com o dinheiro alheio, dinheiro que só administramos, com o exemplo ensinamos os nossos filhos grandes trapaças... Como os demais. Vou ter medo?

Finalmente, ai de mim se não tenho medo! Seria sinal de que não vivo o evangelho radical, de que não sou testemunha de nada, de que sou um mais na camada deste mundo. Estaria mal se ninguém me insultasse de trabalhador à consciência, de livre na perseguição sindical, de respeitoso com Deus quando do lado cai o trovão da blasfêmia, de católico comprometido que pisa forte na esteira do respeito humano. Pois não, senhor! Não devemos ter medo porque estamos nas mãos de Deus; se Ele leva a conta até dos cabelos da nossa cabeça e dos pardais do campo, quanto mais não cuidará de nós, que somos os seus filhos. Não tenhamos medo, não, pois os que perseguem os discípulos de Jesus poderão matar o corpo, mas não a alma nem a liberdade interior. Não tenhamos medo, pois o mesmo Jesus, diante do seu Pai, dará testemunho de nós se nós formos fiéis. Sejamos cristãos de lei.

Para refletir: Tenho medo de algo? De quem eu tenho medo? Por que tenho medo? Como posso sair desse medo visceral que me paralisa? Olhando a Cristo grita: Senhor, eu confio em Vós.


Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:
arivero@legionaries.org

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Jesus Cristo: o único alimento que sacia a alma

“O Senhor, vosso Deus, vos nutriu com o maná, que vós não conhecíeis” (Deureronômio 8,2)

Estas palavras de Moisés referem-se a história de Israel, que Deus tirou do Egito, da condição de escravidão, e por quarenta anos guiou no deserto em direção à terra prometida. Uma vez estabelecido na terra, o povo eleito chega a uma certa autonomia, um certo bem-estar, e corre o risco de esquecer os tristes acontecimentos do passado, superados pela intervenção de Deus e Sua infinita bondade. Por isso, as Escrituras os exortam a recordar, fazer memória de todo o caminho feito no deserto, no tempo de fome e desconforto. O convite de Moisés é o do retorno ao essencial, à experiência da total dependência de Deus, quando a sobrevivência foi confiada em suas mãos, para que o homem compreendesse que “ele não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca do Senhor “(Dt 8, 3).
Além da fome física que homem traz dentro de si, há uma outra fome, uma fome que não pode ser satisfeita com alimentação normal. É a fome de vida, fome de amor, fome de eternidade. E o sinal do maná – como toda a experiência do Êxodo – continha em si também esta dimensão: era a figura de um alimento que satisfaz esta fome profunda que há no homem. Jesus nos dá esse alimento, mais do que isso, é Ele mesmo o pão vivo que dá vida ao mundo (cf. Jo 6,51). Seu corpo é verdadeira comida sob as espécies do pão; o Seu sangue é verdadeiramente bebida sob as espécies do vinho. Não se trata apenas de um alimento com o qual saciar os nossos corpos, como o maná; o Corpo de Cristo é o pão dos últimos tempos, capaz de dar vida, e vida eterna, porque a substância deste pão é o Amor.
Na Eucaristia se comunica o amor de Deus por nós: um amor tão grande que nos alimenta com o Seu próprio ser; amor gratuito, sempre disponível a cada pessoa com fome e necessitada de revigorar suas forças. Viver a experiência da fé significa deixar-se nutrir pelo Senhor e construir a própria existência não sobre bens materiais, mas sobre a realidade que não perece: os dons de Deus, a Sua Palavra e Seu Corpo.
Se olharmos à nossa volta, percebemos que há tantas ofertas de alimentos que não são do Senhor e que, aparentemente, satisfazem mais. Alguns são nutridos pelo dinheiro, outros com sucesso e a vaidade, outros com poder e orgulho. Mas a comida que nos alimenta e que realmente nos satisfaz é apenas aquela que o Senhor nos dá! O alimento que o Senhor nos oferece é diferente dos outros, e talvez ele não pareça tão saboroso como os alimentos que nos oferece o mundo. Por isso, sonhamos com outras refeições, como os judeus no deserto, que lamentavam pela carne e as cebolas que comiam no Egito, mas eles esqueceram que as refeições eram feitas na mesa da escravidão. Eles, nos momentos de tentação, tinham memória, mas uma memória doente, uma memória seletiva.
Cada um de nós, hoje em dia, pode perguntar-se: e eu? Onde gostaria de comer? Em qual mesa eu quero me alimentar? Na mesa do Senhor? Ou sonho em comer alimentos saborosos, mas na escravidão? Qual é a minha memória? Aquela que o Senhor me salva, ou aquela do o alho e das cebolas da escravidão? Com qual memória sacio a minha alma?
O Pai nos diz: “Eu te alimentei com o maná que você não conhecia”. Recuperamos a memória e aprendamos a reconhecer o pão falso que ilude e corrompe, porque é fruto do egoísmo, da autossuficiência e do pecado.
Daqui a pouco, na procissão, nós seguiremos Jesus realmente presente na Eucaristia. A Hóstia é o nosso maná, mediante a qual o Senhor no dá a Si mesmo. A Ele nos dirijamos com confiança: Jesus, defenda-nos das tentações do alimento mundano que nos torna escravos; purifica a nossa memória, para que não permaneça prisioneira na seletividade egoísta e mundana, mas seja memória viva de tua presença na história de seu povo, memória que se faz “memorial” do teu gesto de amor redentor. Amém.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Francisco na Coreia do Sul para a Jornada da Juventude Asiática

A terceira viagem internacional do Santo Padre acontecerá em agosto: Francisco vai à Coreia do Sul para a Jornada da Juventude Asiática. Depois de visitar o Brasil em julho de 2013, para a Jornada Mundial da Juventude no Rio, e de peregrinar à Terra Santa no mês passado, o papa viajará em agosto ao Extremo Oriente. Serão 5 dias e 10 ocasiões para escutar o Santo Padre falar em público naquele país asiático. O pontífice se encontrará com jovens, bispos, pessoas deficientes, autoridades civis, comunidades religiosas, líderes do apostolado leigo e líderes religiosos. Outro dos atos centrais da viagem será a cerimônia de beatificação de Paul Yun Ji-Chung e de 123 companheiros mártires.
Na quarta-feira, 13 de agosto, às 16h do horário romano, o Santo Padre partirá do aeroporto do Fiumicino, na capital italiana, com destino a Seul.
A chegada à Coreia está prevista para o dia seguinte, 14 de agosto, às 10h30 do horário de Seul. A viagem começará com a santa missa, celebrada às 12h, em particular, na nunciatura apostólica. À tarde, às 15h45, acontecerá a cerimônia de boas-vindas, com a visita de cortesia à presidente da República. Em seguida, o papa se reunirá com as autoridades e fará o primeiro discurso da viagem. O encontro seguinte será com os bispos da Coreia na sede da Conferência Episcopal, onde o papa fará o seu segundo discurso público, encerrando a primeira jornada.
No dia 15 de agosto, pela manhã, Francisco irá até Daejeon de helicóptero. Às 10h30 celebrará a santa missa na solenidade da Assunção de Maria no Estádio da Copa do Mundo de 2002. A eucaristia será seguida pelo ângelus e por uma alocução do Santo Padre. Para o almoço, ele se reunirá com os jovens no Seminário Maior da cidade. Ao terminar, de novo a bordo de helicóptero, Francisco se dirigirá ao Santuário de Solmoe. Às 17h30, encontrará os jovens da Ásia e fará mais um discurso, regressando depois a Seul.
No sábado, 16 de agosto, Francisco visitará pela manhã o Santuário dos Mártires de Seo So Mun. Às 10h, presidirá a santa missa de beatificação de Paul Yun Ji-Chung e de 123 companheiros mártires, na Porta de Gwanghwamun, em Seul. Depois do almoço, o papa viajará de helicóptero até Kottongnae, onde visitará o centro de reabilitação para portadores de deficiência, na Casa da Esperança. Em seguida, encontrará comunidades religiosas da Coreia no Centro Escola de Amor, onde fará outro discurso público. Francisco tem outro encontro programado para a mesma tarde, com os líderes do apostolado leigo no Centro de Espiritualidade da cidade. Às 19h, o papa regressará a Seul.
No domingo, 17 de agosto, o papa viajará a Haemi para encontrar os bispos da Ásia no santuário, pronunciando mais um discurso. A seguir, almoçará com eles no refeitório do santuário e, depois do almoço, celebrará a santa missa de encerramento da 6ª Jornada da Juventude Asiática no Castelo de Haemi. O Santo Padre regressará então à capital do país para passar a última noite dessa viagem à Coreia do Sul.
Finalmente, na segunda-feira, 18 de agosto, o papa começará o dia com os líderes religiosos no Palácio da Cúria da arquidiocese de Seul e celebrará a Santa Missa pela Paz e pela Reconciliação na Catedral de Myeong-dong. Depois, às 12h45, acontecerá a cerimônia de despedida na Base Aérea, com o avião decolando às 13h de volta para Roma.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Bispos dos EUA apoiam 112 projetos na América Latina



Na reunião de 9 de junho, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB), através da subcomissão da Igreja na América Latina, aprovou o financiamento de 112 projetos, totalizando mais de US $ 1,7 milhão. Os recursos serão destinados para auxiliar o trabalho pastoral da Igreja no Caribe e na América Latina.
"Graças à generosidade dos católicos em todo o país fomos capazes de continuar a nossa missão de apoiar a Igreja na América Latina, ao aprovar os pedidos de subvenção, durante nossa reunião de junho", disse Dom Eusébio Elizondo, Bispo auxiliar de Seattle e presidente da subcomissão. "É uma coisa bonita, para testemunhar a partilha dos recursos dos Estados Unidos com as dioceses mais isoladas e com dificuldades financeiras da América Latina. Percebemos que essas doações capacitam e, mais importante, fortalecem e incentivam as pessoas, permitindo-lhes crescer em sua fé e compartilhá-la com os outros.”
Os principais países beneficiados são a Colômbia, Haiti, Peru, República Dominicana, México e Nicarágua. Na Colômbia, as organizações para a juventude receberão financiamento para workshops com finalidade de ajudar os jovens a crescer na fé e a trabalhar para construir a paz diante da violência local causada por guerrilheiros. Outra parte será destinada a seminaristas no Peru, provenientes de famílias muito pobres de duas  etnias indígenas do país. No Brasil, os missionários receberão treinamento e subsidio para o trabalho com as comunidades indígenas da Amazônia.
Outros projetos são para a formação de catequistas leigos e necessidades pastorais geradas pela migração. Alguns projetos são voltados para a educação e a formação das comunidades religiosas e agentes da Pastoral Familiar.
Além dos projetos financiados para a Igreja na América Latina, a subcomissão também aprovou seis projetos para a reconstrução da Igreja no Haiti, totalizando U$2.933.659. Os fundos destinados a esses projetos são provenientes de coletas especiais para a Igreja no Haiti, realizadas em 2010.
"A Igreja no Haiti está passando por um período de reconstrução e de renovação após o terremoto de 2010", destaca o Aarcebispo de Miami, Thomas Wenski, responsável pela subcomissão do grupo consultivo para o Haiti. "Precisamos manter o compromisso de caminhar com os nossos irmãos e irmãs na fé, e vê-los através destes projetos, até que eles tenham novamente um lugar para rezar.”
A ajuda da USCCB para o trabalho de reconstrução do Haiti é uma parceria com a PROCHE, entidade da Conferência Episcopal do Haiti.

Mais informações sobre a arrecadação para a Igreja na América Latina e os projetos  financiados podem ser encontrados on-line: http://www.usccb.org/catholic-giving/opportunities-for-giving/latin-america/index.cfm     

Fonte: Zenit.                                            

terça-feira, 17 de junho de 2014

Congresso da Pastoral Familiar abordará a importância do matrimônio

arquidiocese de São Luís (MA), regional Nordeste 5 da CNBB, sediará o XIV Congresso Nacional da Pastoral Familiar, de 26 a 28 de setembro. A proposta do encontro é debater a experiência familiar, a relação do casal e a importância do matrimônio na construção da família cristã, motivados pelo tema "Família, transmissora da fé" e lema “Anunciai a fé com ousadia e coragem”.
O arcebispo de São Luís e vice-presidente da CNBB, dom José Belisário da Silva, explica que o lema do encontro quer ajudar na reflexão sobre os desafios e perspectivas da evangelização da família, hoje.  “Sem a família a sociedade não anda. Uma das grandes questões no mundo atual gira em torno das fragilidades das famílias. Temos muita esperança que esse Congresso possa nos ajudar a trabalhar mais pela família”, disse o bispo.
Para dom Belisário, a família deve superar os momentos de crises próprias da cultura e contexto em que vive. “É certo que a família, em cada época, tem sua maneira de se organizar. No entanto, eu acredito que sem a família, realmente, a sociedade não caminha. É importante que formemos grupos familiares equilibrados, firmes e perseverantes; mesmo nas dificuldades da vida”.

Evangelização da família


O evento reunirá agentes de pastoral familiar, assessores, religiosos, coordenadores para planejar a evangelização da família na Igreja no Brasil. O Congresso oferecerá palestras, mesas redondas, painéis e testemunhos, com participação de bispos, sacerdotes e especialistas na área familiar.
“Estamos felizes em poder receber o Congresso da Pastoral Familiar que reunirá tantos participantes para debates necessários sobre a família. Nossas expectativas são de um encontro agradável e que traga bons frutos para a missão da Pastoral Familiar”, comenta o arcebispo de São Luís, dom Belisário.
Em comunicado, a organização explica que o evento visa possibilitar às famílias caminhos para a vivência cristã. “Por meio da evangelização, homem e mulher transmitam os valores da fé. Assim, a Pastoral Familiar, com intensidade e vigor, tenha a capacidade de orientar a família a "construir sociedades com um rosto mais humano”.

Informações e inscrições pelo site: www.xivconnapf.com.br/evento

segunda-feira, 16 de junho de 2014

A Rússia cristã está renascendo

Talvez a Rússia do século XXI não será um paraíso na terra, mas é, sem dúvida, um exemplo de como o processo de secularização não seja  irreversível.
O dramático contexto da crise, ucraino-crimeiana, com a consequente propaganda anti-russa de muitos meios de comunicação ocidentais, lança uma luz ainda mais significativa sobre esta inversão de tendência em um país que, além de difundir o comunismo no mundo, foi tambem o primeiro a legalizar o aborto, experimentando ao longo de décadas, uma das mais assustadoras crises demográficas da história.
Com a administração de Putin, a Rússia começou a superar a China, tanto em termos econômicos, como em políticas familiares. Embora mantendo elevado o número dos divórcios (um de dois matrimônios fracassam), caiu vertiginosamente o número dos abortos: dos 4 milhões de 20 anos atrás aos 800 mil de hoje.
A Rússia é também um símbolo do renascimento cristão: as pessoas não só voltam a acreditar em Deus e irem à Igreja, mas o governo está financiando a reconstrução de muitos edifícios sagrados, demolidos durante a ditadura soviética.
Esta realidade, não muito bem conhecida na Europa Ocidental, foi ilustrada nas últimas semanas por Aleksej Komov, conhecido expoente pró-vida russo, que acompanhado pelo Diretor de Notícias Pro Life, Antonio Brandi, realizou uma turnê de palestras pela Itália, que terminou ontem com uma conferência a Peregrinos no ciberespaço, a reunião dos jornais católicos, que está acontecendo em Grottammare (AP).
Aleksej Komov, 42 anos e 5 filhos, trabalha para a Fundação "São Basílio, o Grande", uma das mais importantes da Rússia. Além do mais, representa a Comissão para a Família da Igreja Ortodoxa e é um embaixador do Congresso Mundial para as Famílias na ONU; esta última é a maior plataforma para as associações mundiais da família, presente em 80 países ao redor do mundo.
"Nos dias 10, 11 e 12 de Setembro desse ano, vamos realizar o Fórum do Congresso Mundial da Família em Moscou, primeiro no Kremlin, depois na Catedral de Cristo Salvador: convido os leitores de ZENIT a participar!", disse Komov abrindo a sua entrevista concedida a ZENIT.

 Embaixador Komov, realmente parece que a Rússia esteja a caminho de se tornar o país líder na luta pela defesa da vida e da família ...

Komov: É verdade, a Rússia é provavelmente o único grande país que nos últimos dez anos, tem defendido os valores da família e os valores tradicionais no cenário internacional. Em nosso país passaram recentemente várias leis muito boas: por exemplo, desde o ano passado a propaganda do aborto é proibida, da mesma forma em que foram proibidas as propagandas de comportamentos homossexuais entre as crianças e entre os menores de 18 anos. Esta última normativa tem suscitado muitas críticas, especialmente entre os poderosos lobbies LGBT internacionais. É uma lei sobre a qual pesa muito a desinformação e as mentiras se pensamos que, na Rússia existem muitos lugares gays, a propaganda entre os maiores de idade é lícita e ninguém persegue os homossexuais. Trata-se só de proteger as crianças e este é um princípio fundamental. No que diz respeito às políticas familiares, na Rússia, a cada segundo filho, o governo concede 10.000 € para a família, enquanto que para o nascimento do terceiro filho, os pais têm direito à terra.

 Você acaba de voltar de uma série de conferências ministradas na Itália. Acha que no nosso país exista uma boa sensibilidade para as questões da vida?

Komov: Graças a contribuição de Toni Brandi e Pro Vita Onlus, foi possível organizar um tour por dez cidades italianas que acabou de terminar. Nestes dias encontrei-me com vários representantes do movimento pró-vida na Itália, que me parece uma realidade muito sólida: as pessoas querem defender os próprios valores e o cristianismo. Porém, como em outros países do mundo, nos últimos anos há um ataque a esses valores. Uma minoria de 2-3% de ativistas LGBT emprega meios de comunicação altamente influentes, pretendendo impor um estilo de vida não saudável a uma população que é 90% contra.
Na Rússia, pelo contrário, há esta aproximação aos valores tradicionais. Somos um país que por 70 anos tem sofrido com a ditadura comunista: sabemos, portanto, o que significa viver em um país sem Deus. Queremos, assim, compartilhar a nossa experiência de defesa destes valores, com os nossos irmãos e irmãs na Itália e em outros países.

Como está se manifestando o renascimento espiritual e cristão na Rússia?

Komov: A Rússia é cristã por mais de um milênio e o cristianismo penetrou muito profundamente no coração e na alma do país: um patrimônio que não se dissolveu nos 70 anos de comunismo e de perseguição anti-cristã, durante os quais tivemos milhares de mártires que agora estão orando por nós e que nos estão ajudando a reerguer a Rússia. Nos últimos vinte anos reconstruimos mais de 30 mil igrejas e cerca de 800 mosteiros: um fato verdadeiramente surpreendente.

 O Papa Francisco está tentando fortalecer o máximo possível o diálogo com as igrejas ortodoxas, iniciado pelos seus antecessores imediatos. Qual é a sua visão desta aproximação ecuménica? Uma reconciliação é possível?

Komov: Os católicos e os ortodoxos devem, sem dúvida, estar mais juntos entre si, cooperando para a defesa da vida desde a concepção até a morte natural, na defesa da comum civilização cristã que hoje está sob ataque. A Europa tem de respirar com "dois pulmões", sendo o catolicismo e a ortodoxia os dois pulmões da Europa. Espero, portanto, que haja sempre mais diálogo e cooperação, embora será Deus a determinar quando as duas igrejas estarão unidas novamente: esperemos que aconteça rápido, certamente não dependerá de nós seres humanos, já que se sedimentaram muitas diferenças em mil anos. De qualquer forma, será a vontade de Deus que encontrará um modo para realizar esta reconciliação.

Fonte: Zenit.

domingo, 15 de junho de 2014

"Não brinco de Papa-pároco, mas gostaria de ser lembrado como um bom rapaz"



Não brilha pela originalidade a nova entrevista com Francisco realizada pelo jornal catalão "La Vanguardia". Muitas das respostas do Pontífice ao repórter – recebido segunda-feira passada no Vaticano, um dia após a invocação de paz com os presidentes de Israel e da Palestina - são ideias já expressas em discursos ou homilias em Santa Marta, ou tambem pontos chaves do pontificado bergogliano. Como a denúncia da perseguição dos cristãos “mais dura do que aquela dos primeiros séculos”, ou da terrível “cultura do descartável", que caracteriza o sistema econômico mundial, cujo centro “colocamos no dinheiro”.
Não há como negar, no entanto, que a presente entrevista tenha algumas jóias memoráveis, que revelam novas facetas daquela humanidade do Papa argentino que tanto atrai os fiéis e que desconcerta alguns insiders da Igreja e do Vaticano. Por exemplo, como a resposta para a pergunta: "Você se sente um pároco ou o chefe da Igreja?" à qual Bergoglio responde: "A dimensão do pároco é a que mais mostra a minha vocação. Servir as pessoas é algo que trago dentro. Desligo a luz para não gastar muito dinheiro... São as coisas que um pároco faz”. Mas, acrescenta, “me sinto também Papa”, graças à ajuda de colaboradores "muito profissionais" que "me ajudam a cumprir o meu dever”.
"Não brinco de ser o Papa-pároco. Seria imaturo”, diz Francisco. Por exemplo, "quando chega um Chefe de Estado, tenho que encontra-lo com dignidade e o protocolo que merece”. O mesmo “protocolo” com o qual o Papa admite ter “não poucos problemas”, mas que, porém, devem ser respeitados. Em alguns casos, nem sempre. O protocolos de segurança, por exemplo, muitas vezes são um obstáculo para o impulso natural do Santo Padre de aproximar-se das pessoas.
"Eu sei que alguma coisa poderia acontecer, mas está nas mãos de Deus", admite, e lembra quando "no Brasil tinham preparado um papamóvel fechado, com vidros blindados, que me impediam de cumprimentar as pessoas e dizer-lhes que eu as amo". De fato, deixando os responsáveis da segurança loucos, o Pontífice escolheu um jeep aberto: "Teria me sentido trancado em uma lata de sardinhas - explica - Para mim isto é um muro. É verdade que qualquer coisa poderia acontecer, mas confiem. Realmente, na minha idade, não tenho muito a perder”.
A humanidade do Papa transparece também em outras respostas, como a questão sobre o time que vai torcer na copa: "Os brasileiros pediram-me para me manter neutro – brinca Francisco - e eu mantenho a minha palavra, porque Brasil e Argentina sempre foram antagônicos". Ou quando expressa toda a sua preocupação com o tratamento que a Europa dá aos idosos e jovens, especialmente, vítimas de um fenômeno do desemprego, que já atingiu cerca de 75 milhões de pessoas. “Uma barbaridade”, segundo o Papa, que protesta contra um sistema econômico “que não está mais em pé” e que se equilibra com "economias idólatras". "Não é mais possível fazer uma Terceira Guerra Mundial", então, “fazem pequenas guerras locais”, denuncia o Pontífice, assim, “fabricam e vendem armas...”.
Simpática a passagem em que o entrevistador diz ao Papa que “alguém disse que ele é um revolucionário”. Francisco ri e responde, citando uma canção italiana de Iva Zanicchi, atribuída erroneamente à “grande Mina Mazzini": “Prendi questa mano zingara, e dimmi che destino avrò…”. (Tome esta mão, cigana, e diga-me qual destino terei...”. Então explica que, do seu ponto de vista, a revolução "é ir às raízes": "Nunca é possível intervir na vida, a não ser olhando para trás, sem saber de onde eu venho, que nome tenho, que nome cultural ou religioso tenho".
Para um cristão, por exemplo, as suas raízes estão na Terra Santa: "Tudo começou lá - disse o Papa - É como ‘o céu e a terra’, uma prévia do que nos espera na outra vida, na Jerusalém celeste". Além disso, para o bispo de Roma, "não é possível ser verdadeiramente cristão, se não se reconhece a própria raiz judaica”. Seria necessário, neste sentido, uma análise mais profunda do diálogo inter-religioso. "Compreendo que é uma ‘batata quente’ - diz -, mas é possível agir como irmãos. Todos os dias rezo o Ofício Divino com os Salmos de Davi [...] A minha oração é judaica, e depois, tenho a Eucaristia, que é cristã".
Símbolo do vínculo de Francisco com o mundo judaico é a sua sólida amizade com o rabino Abraham Skorka, que menciona na entrevista recordando o abraço histórico em frente ao Muro das Lamentações, juntamente com o representante islâmico Omar Abu. "Gosto muito de ambos – afirma - e gostaria que esta amizade entre nós fosse vista como um testemunho”.
Ainda a propósito dos judeus, o Papa reiterou sua forte condenação ao anti-semitismo, que - observa - "geralmente se esconde mais nas correntes políticas de direita do que de esquerda”, junto com a idéia maluca de que o Holocausto nunca existiu. Precisamente sobre a Shoah, Bergoglio confirma a sua intenção de abrir os arquivos do Vaticano que datam desse período histórico dramático. Em particular, a preocupação é a de "resgatar" a figura de Pio XII, condenado pelos historiadores de todo o mundo por causa da sua "ineficiência" durante os horrores da Segunda Guerra Mundial.
"Sobre o pobre Pio XII já se tem falado de tudo”, afirma Francisco, “porém, é preciso recordar que antes era visto como um grande defensor dos hebreus. Escondeu muitos deles nos conventos de Roma e de outras cidades italianas, também na residência de verão de Castel Gandolfo. Ali, na casa do Papa, em sua cama, nasceram 42 crianças, filhos de judeus e de outros perseguidos refugiados lá". "Não quero dizer que Pio XII não tenha cometido erros, eu mesmo cometo vários...”, acrescenta o Papa, no entanto, o papel de Pacelli “deve ser visto segundo o contexto da época. Era melhor, por exemplo, que ficasse calado e evitasse que mais judeus fossem mortos, ou que falasse?". Além disso, o Papa afirma que tem uma "urticária existencial” quando escuta “que todos estão contra a Igreja e Pio XII, esquecendo as grandes potências”. “Você sabia – pergunta ao jornalista – que conheciam perfeitamente a rede ferroviária dos nazistas que levavam os judeus aos campos de concentração? Eles tinham fotos. No entanto, não bombardearam os trilhos do trem. Por quê? Seria bom que nós falássemos um pouco "de tudo".
Talvez fosse útil mencionar também a situação no Oriente Médio, onde ainda se  pratica a violência em nome de Deus. Uma "contradição" muito "séria" e "grave", de acordo com o Santo Padre: "Um grupo fundamentalista, embora não matasse ninguém, mesmo que não batesse em ninguém, é, de qualquer forma, violento”, afirma.
O foco então se move para a "Invocação da paz" de domingo passado com os presidentes Peres e Abbas, um evento que - admite Francisco - "não foi fácil de organizar": "Aqui, no Vaticano, estava o 99% das pessoas que diziam que não teria sido organizado e depois aquele 1% cresceu. Eu sentia que estávamos sendo empurrados para algo que nunca tinha acontecido e gradualmente tomou forma. Não foi um ato político, mas religioso: a abertura de uma janela para o mundo".
Com o olhar para o Oriente Médio, o Papa recorda depois o recente abraço com “o meu irmão Bartolomeu I”, e os esforços realizados pela Igreja, “desde o Concílio Vaticano II”, para aproximar-se da Igreja ortodoxa. “Desejavam que Bartolomeu estivesse comigo em Jerusalém e ali nasceu a ideia de que também ele participasse da oração de paz no Vaticano”, diz. "Para ele foi um ato arriscado porque poderiam tê-lo censurado, por isso foi preciso que fizéssemos esse gesto de humildade, e para nós foi preciso porque é inconcebível que nós cristãos estejamos divididos, é um pecado histórico que temos que reparar”.
Entre as deficiências da Igreja que devem ser reparadas está também aquela de uma, às vezes, pouca pobreza e humildade. Dois princípios "no coração do Evangelho", diz o Papa ", no sentido teológico não sociológico". "Não podemos compreender o Evangelho sem a pobreza, que é muito diferente o pauperismo. Eu creio que Jesus quer que nós, os bispos, não sejamos príncipes, mas servos".
Também se falou da reforma da Cúria, que - explica - não vem de alguma "iluminação" ou "projeto pessoal que eu tirei da manga”: “O que estou fazendo está de acordo com o que tinha sido falado nas Congregações Gerais", as reuniões pré-conclave para discutir os problemas da Igreja. Um ponto fundamental era que “o próximo Papa deveria ter tido uma relação estreita e contínua com o exterior, isto é, com uma equipe de consultores que não moram no Vaticano". E é assim que foi criado o Conselho dos Oito, formado por oito cardeais de todos os continentes que se reunirão no próximo dia 1 de julho.
Com a mente no momento do Conclave, Bergoglio também lembra que no final de 2012, ele havia apresentado sua renúncia ao Papa Bento XVI depois de 75 anos. "Escolhi um quarto em uma" casa de repouso para anciãos em Buenos Aires", e disse, 'Quero vir morar aqui’. Vou trabalhar como sacerdote e darei uma mão nas paróquias. Este teria sido o meu futuro antes de me tornar Papa”.
Mas quem mudou o curso dos acontecimentos foi aquele "grande gesto" feito pelo Papa Bento XVI, que, de acordo com o seu sucessor, "abriu uma porta, criou uma instituição: os eventuais papas eméritos”. Hoje, diz, “vivemos muito tempo, chegamos a uma idade onde não podemos seguir adiante com as coisas. Eu vou fazer o mesmo, pedindo ao Senhor que me ilumine quando chegar a hora, eu vou pedir a Deus para me dizer o que eu tenho que fazer".
E depois que tiver chegado o momento, “como eu gostaria de ser lembrado na história?", pergunta o repórter. "Não pensei nisso – responde o Papa – mas gosto de quando se lembra de alguém e se diz: ‘Era um bom rapaz, fez o que podia, não era tão ruim’”.

Fonte: Zenit.

sábado, 14 de junho de 2014

Solenidade da Santíssima Trindade

 


Ex 34, 4.6.8-9; 2 Co 13, 11-13; Jo 3, 16-18

Idéia principal: O mistério da Trindade vem para desafiar todas as religiões e filosofias humanas. Enquanto que essas religiões, sobretudo as mais depuradas, como o hinduísmo e as crenças orientais, concebem a Deus como um tudo impessoal, triscando às vezes no panteísmo, o Cristianismo nos apresenta Deus pessoal, capaz de conhecer e amar as suas criaturas. Nenhuma religião chegou a conceber que a divindade amasse realmente os homens.

Resumo da mensagem: Hoje a Igreja celebra o mistério mais elevado da doutrina revelada, o seu mistério central. O enunciado do mistério é muito simples, como aprendemos no Catecismo: A Santíssima Trindade é o mesmo Deus Pai, Filho e Espírito Santo; três Pessoas distintas e um só Deus verdadeiro. Mistério insondável que nos leva a três atitudes: adorar, agradecer e amar. Somente compreenderemos isso no céu.
Pontos da idéia principal:

Em primeiro lugar nos perguntamos se este mistério, que só entenderemos no céu, servirá para nós aqui e agora. Poderíamos responder: realmente o mistério da Santíssima Trindade não serve para nada, porque Deus não serve ninguém e nada. Deus está para ser servido por nós e não para que nós nos sirvamos Dele. Temos que nos cuidar do critério utilitarista tão próprio da nossa época, que julga tudo de acordo com a utilidade e o capricho do homem. Existem bens que são desejáveis e amados por si mesmos, sem necessidade de estar procurando utilidade à nossa medida. Os antigos chamavam esses bens de “honestos” porque eram desejados por si mesmos, sem buscar a utilidade ou o deleite, que os converteria em meios. Adoro-te, Deus Trindade!

Em segundo lugar, realmente deveríamos agradecer a Deus porque ao ser um mistério inacessível à nossa mente, fez-nos o grande favor de nos humilhar, de abaixar a nossa inteligência e a nossa cabeça, e colocar-nos no nosso verdadeiro lugar e de joelhos. Deus não é um objeto do qual possamos dispor ao nosso arbítrio, Ele é o nosso Senhor e Criador, a quem temos que adorar e diante de quem temos que dobrar os nossos joelhos. Contra a soberba do homem moderno, que acha que conhece e domina todas as coisas, inclusive as mais sagradas como a alma e a vida humana, levanta-se o mistério insondável da Una e Indivisível Trindade que a Igreja proclama hoje, como faz dois mil anos. Reconheço-te, Deus Trindade!

Finalmente, a revelação deste mistério é mais uma demonstração do amor infinito de Deus para com os homens. Ele não se satisfaz só com nos amar, porém se deleita no nosso amor por Ele, e como ninguém pode amar o que não conhece, para excitar mais o nosso amor por Ele quis nos mostrar os segredos da sua vida íntima. Porque a final de contas é isso o que Deus nos revela neste mistério, nada mais e nada menos que a sua intimidade. Dessa maneira, sabemos que Deus não é um solitário fechado na sua grandeza inalcançável, mas que Nele existe um dinamismo vital de conhecimento e de amor. Deus Pai, desde toda a eternidade, gera ao se conhecer uma Pessoa, a sua Imagem plena, o Filho de Deus. E o amor entre a primeira e segunda Pessoa, entre o Pai e o Filho, é tão profundo, por ser divino, que dele brota uma terceira Pessoa, o Espírito Santo. Amo-te, Deus Trindade!

Para refletir: pense nesta frase de são Paulo: “nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no pensamento humano, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co 2, 9).

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:


arivero@legionaries.org

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Iraque: os cristãos fogem de Mossul depois do ataque de extremistas

A cidade iraquiana de Mossul se encontra em situação dramática desde o recente ataque apoiado provavelmente pelo grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, na sigla em inglês). O arcebispo caldeu dom Amel Shimon Nona manifestou à organização Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) a sua preocupação com a situação.
O arcebispo explica que os enfrentamentos começaram na quinta-feira, 5 de junho, mas se limitaram inicialmente a certas áreas da parte ocidental da cidade. "Mais da metade dos habitantes e toda a comunidade cristã fugiram imediatamente para a planície vizinha de Nínive".
"Até as 5 da manhã desta terça-feira estivemos recebendo famílias em fuga e tentando encontrar alojamento para elas nas escolas, nas salas de catequese, em casas abandonadas”. O prelado está agora em Talkif, povoado a três quilômetros ao norte de Mossul.
Acredita-se que o ataque é obra do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS), organização terrorista vinculada à Al-Qaeda e conhecida por cometer brutais ataques contra os cristãos na Síria, explica a AIS.
O arcebispo acredita, porém, que também podem estar envolvidas outras formações. “Não sabemos ainda de que grupo se trata. Alguns falam do ISIS, outros que são elementos de várias facções. Temos que esperar para ter uma compreensão melhor da situação real. O que é verdade é que são extremistas, muitos já os viram patrulhando as ruas”.
Há notícias que indicam que o ISIS atacou quatro igrejas e um mosteiro. “Recebemos ameaças porque agora todos os fiéis fugiram da cidade. Eu me pergunto se algum dia vamos conseguir voltar para lá”, prossegue o arcebispo.
Em 2003, a comunidade cristã de Mossul tinha 35.000 fiéis. Nos onze anos seguintes ao começo da guerra, o número caiu tragicamente para cerca de 3.000. "Agora, é provável que não tenha sobrado ninguém", declara dom Nona.
"Continuamos orando para que o nosso país possa finalmente encontrar a paz (...) Não é fácil depois de tantos anos de sofrimento, mas nós, cristãos iraquianos, estamos firmes em nossa fé e temos que manter a esperança, mesmo na perseguição. É um grande desafio, especialmente depois do que aconteceu nestes dias".

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Igreja no Brasil acolhe e evangeliza turistas na Copa do Mundo



Vai começar a Copa do Mundo. O Brasil inteiro vai parar nesta quinta-feira, 12 de junho, às 17h (horário de Brasília) para assistir, com o coração disparado e as unhas roídas, a estreia da seleção brasileira contra a Croácia, no estádio Itaquerão – que teve as obras iniciadas em 2010 e ainda está inacabado.
Apesar dos gastos exorbitantes do governo com a construção de estádios, infraestruturas de aeroportos mal acabados e ainda manifestações populares contra o evento, o Brasil #vaitercopa. Prova disto são os bairros enfeitados com o verde-amarelo, os carros com as bandeirinhas do país e o desfile do povo na rua com a camisa amarelinha.
A cultura brasileira é entranhada pela paixão ao futebol e vai atrair os olhares de metade do planeta para cá. Segundo estudo do Ministério do Turismo 3,6 bilhões de pessoas vão acompanhar o Mundial por televisão, celular, tablet ou outro dispositivo móvel. A estimativa aumentou em 12,5% em relação do Mundial da África do Sul, que teve a audiência de 3,2 bilhões de pessoas em 2010.
Aproveitando a Copa do Mundo e de olho nos milhares de turistas que chegam para assistir as partidas, as arquidioceses das 12 cidades-sedes brasileiras - Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA) - montaram uma programação religiosa diversificada.

Brasília

Em várias arquidioceses, os arcebispos se pronunciaram sobre o evento. Em Brasília (DF), dom Sergio da Rocha, publicou um artigo no jornal Correio Braziliense, com a maior circulação da cidade. O arcebispo metropolitano destacou as reações que a Copa suscitou no país e na capital federal.
O grito das torcidas nos estádios tem sido precedido pelo grito de setores da população nas ruas. A escuta, a reflexão e o diálogo atento às urgências do povo brasileiro devem continuar e se intensificar após a Copa. Seria ingenuidade pensar que a Copa resolveria os velhos e graves problemas do Brasil; porém, seria grave erro ignorar as justas reivindicações e perder a ocasião para levar a sério os problemas sociais colocados em pauta. Conforme afirma o Papa Francisco “as reivindicações sociais, que tem a ver com a distribuição da riqueza, com a inclusão social dos pobres e com os direitos humanos, não podem ser sufocadas a pretexto de construir um consenso de gabinete ou uma paz efêmera para uma minoria feliz”. (Exortação Evangelii Gaudium, 218).
Movimentos e pastorais da arquidiocese da capital do país vão receber, durante a manhã e tarde desta quinta-feira, os turistas que chegarem ao aeroporto internacional Juscelino Kubitscheck. Haverá ainda missa nas línguas inglesa, espanhola, italiana e francesa em todos os domingos do Mundial. A juventude também se prepara para a realização do Nightfever, uma vigília jovem inspirada na Jornada Mundial da Juventude, que vai acontecer no sábado, 14 de junho.

Fortaleza

Em Fortaleza (CE), o arcebispo dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, abordou a questão do acompanhamento missionário aos turistas e também aos pobres e excluídos:
Como Igreja nos comprometemos a acompanhar torcedores e jogadores nas suas demandas por momentos de espiritualidade e encontro com Deus, bem como ser presença orante durante toda a Copa; acompanhar as populações vulneráveis, especialmente aquelas em situação de rua, para que não sejam retiradas dos logradouros públicos durante a copa e depois devolvidas às ruas, como objetos que atrapalham a realização do evento; participar dos esforços por conscientização dos que nos visitam, para que não pratiquem o turismo sexual mas sejam presença que valorize a dignidade humana e a confraternização universal.
A capital cearense também vai oferecer missas em diversas línguas para os turistas estrangeiros: inglês, espanhol, italiano, francês e alemão. Padre Silvio Scopel, responsável diocesano pela Comunidade Católica Shalom (com sede em 14 países), ainda assegurou a realização de um acampamento para jovens e o festival de música e evangelização católica Hallelluya, durante a Copa – o festival atrai mais de 1 milhão de jovens em três dias.

Outras cidades-sedes

Assim como Brasília e Fortaleza, as demais cidades-sedes da Copa também vão realizar missas em diversas línguas. Além disso, inspiradas no projeto Copa do Mundo – Dignidade e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as arquidioceses vão promover ações contra o tráfico humano, evangelização de usuários de drogas e ações em prol dos moradores de rua.
É o caso de Belo Horizonte (MG) que já realizou, no fim de maio, um ato público contra o tráfico de pessoas, está acolhendo irmãos moradores de rua que buscam abrigo e, até o dia 13 de julho, promove atividades artísticas e de evangelização no centro da cidade, onde se concentram pessoas para consumo de drogas.
Os pontos turísticos são outra atração nas cidades. Em Brasília toda a Esplanada dos Ministérios e a Catedral Nossa Senhora Aparecida estão iluminados de verde-amarelo, assim como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, símbolo da Jornada Mundial da Juventude de 2013. O mesmo Cristo também serviu de inspiração para Mario Balotelli, atacante da seleção italiana: em montagem no Instagram, o jogador tomou o lugar do Cristo Redentor, sobre o morro do Corcovado, dizendo ‘Brasil, aí vamos nós!’.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Calábria se prepara para receber o Santo Padre



O Santo Padre visitará a diocese italiana de Cassano all'Jonio, na região da Calábria, no domingo 21 de junho. O helicóptero com o papa a bordo sairá do Vaticano às 7h30 e deverá aterrissar às 9h na praça junto ao presídio Rosetta Sisca, de Castrovilla. Meia hora mais tarde, o Santo Padre visitará o centro penitenciário e fará o seu primeiro discurso do dia.
Às 10h30, o papa se dirigirá de helicóptero até Cassano all'Jonio e visitará os enfermos do hospital San Giuseppe Moscati, onde fará o seu segundo discurso da jornada.
Ao meio-dia, Francisco se encontrará com os sacerdotes diocesanos na catedral e fará um terceiro discurso. O almoço está previsto para as 13h, no Seminário João Paulo I, com a presença de pessoas carentes atendidas pela Cáritas diocesana e de jovens da comunidade residencial terapêutica e de reabilitação Mauro Rostagno.
Dali, Francisco irá até o asilo Casa Serena, onde se encontrará com os idosos residentes. Finalmente, na Piana de Sibari, o pontífice celebrará a eucaristia. O embarque de volta para o Vaticano está previsto para as 18h, com chegada às 19h30.
A diocese de Cassano all'Jonio é composta por três vicariatos: Cassano all'Jonio, Castrovillari e Alto Jonio. Conta com um total de 52 paróquias, distribuídas por um território de 1.311 km2. A população é de 108.056 habitantes. O bispo, desde 2012, é dom Nunzio Galantino, atual secretário da Conferência Episcopal Italiana.
Fazem parte da diocese 53 sacerdotes diocesanos, 6 sacerdotes residentes fora da diocese e 5 sacerdotes não incardinados, mas residentes na diocese. Estão presentes no território 17 comunidades religiosas femininas e 3 masculinas, além de um rico panorama de movimentos eclesiais e associações.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Não é difícil viver como santos: basta seguir as Bem-aventuranças



O cristianismo não é uma teoria, nem uma filosofia ou um conjunto de palavras bonitas. A definição correta foi dada pelo Papa Francisco na homilia da missa de hoje em Santa Marta: "O cristianismo é uma religião prática". E, precisamente, porque prática, é realizada com gestos concretos que seguem o "programa" de vida santa que Jesus Cristo indicou claramente.
São nas bem-aventuranças, listadas pelo evangelista Mateus no Evangelho de hoje, onde o Filho de Deus define o que poderia muito bem ser chamado de "o cartão de identidade do cristão". De fato, observou o Santo Padre, se alguém tinha dúvidas sobre como fazer "para se tornar um bom cristão", as respostas podem ser encontradas bem no capítulo 5 do Evangelho de Mateus, nos versículos 1-12.
Claro, não são as respostas que alguém esperaria, muito menos soluções açucaradas para viver melhor a vida. Jesus indica palavras e ações claramente "contra corrente" em comparação com o que normalmente “se faz no mundo”, observou Bergoglio.
Cristo, por exemplo, chama de Bem-aventurados “aqueles que choram”, porque – diz – “serão consolados”. Onde "o mundo", no entanto, sugere que "a alegria, a felicidade, a diversão" sejam "a beleza da vida". E que, portanto, é preciso “olhar para o outro lado", quando acontecem “problemas de doenças” ou “de dores na família”. “O mundo não quer chorar – afirmou o Papa – prefere ignorar as situações dolorosas, escondê-las. Somente a pessoa que vê as coisas como são, e chora em seu coração, é feliz e será consolada", com “a consolação de Jesus, não aquela do mundo".
O Senhor também disse: "Bem-aventurados os pobres em espírito", que significa "as riquezas não te garantem nada". Na verdade, acrescentou Francisco, "quando o coração é rico, está tão satisfeito consigo mesmo, que não tem lugar para a Palavra de Deus". Bem-aventurados são, também, os “mansos”, especialmente no mundo atual “que desde o início é um mundo de guerras, um mundo onde, em todos os lugares há ódio". E Jesus - lembrou o Papa - diz: "Nada de guerras, nada de ódio, paz, mansidão”.
Palavras que tomam uma conotação especial pensando no encontro histórico pela paz de ontem nos Jardins Vaticanos, e no abraço entre os presidentes da Palestina e Israel, Abu Mazen e Shimon Peres, diante do olhar satisfeito de Bergoglio.
Mansos, exorta Cristo, porque “com esta mansidão terás como herança a Terra”, destacou o Santo Padre. É verdade que “se eu sou humilde na vida”, os outros “pensarão que eu sou um tolo”; mas não faz nada, “e que pensem o que quiser”, a recompensa é muito maior.
Um pouco a mesma lógica daqueles que “têm fome e sede de justiça”, que “lutam pela justiça, para que haja justiça no mundo”. Também aqueles são descartados da opinião pública, porque hoje - disse o Papa - é muito mais fácil entrar nas rachaduras da corrupção", seguir "aquela política cotidiana do ut dês” onde “tudo é negócio”. “Quantas injustiças” resultam disso, e “quanta gente que sofre por estas injustiças”, exclamou Francisco.
No entanto Jesus, mesmo neste caso, prega o contrário: "Bem-aventurados aqueles que lutam contra essas injustiças". E, junto com eles, também aqueles que foram “perseguidos, simplesmente por ter lutado por justiça".
Mas também os misericordiosos são bem-aventurados, “porque encontrarão misericórdia”. São Bem-aventurados, ou seja, todos “aqueles que perdoam, que compreendem os erros dos outros”, não “aqueles que se vingam”. “Todos nós - disse o Papa - somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem bem-aventurado aquele que vai por este caminho do perdão".
Bem-aventurados também "os puros de coração", que têm "um coração simples, puro, sem sujeiras, um coração que sabe amar com aquela pureza tão bela”, destacou o Santo Padre. Bem-aventurados, por fim, "os pacificadores": também estes bem-aventurados "contracorrentes", porque “é muito normal entre nós sermos agentes de guerras ou agentes de mal-entendidos!", observou o Papa. E, recordando o Tweet de hoje acrescentou: “Quando escuto algo de alguém e vou e conto para outro e faço uma edição maior ainda e passo pra frente... O mundo das fofocas. Essas pessoas que fofocam, não criam paz, são inimigos da paz. Não são bem-aventurados”.
Em suma, as bem-aventuranças que Jesus nos oferece são um verdadeiro "programa de vida", ao mesmo tempo “tão simples, mas tão difícil”. Se alguém, depois, quisesse ‘aprofundar o argumento’, Jesus nos dá também outras indicações”, ou seja, aquele “protocolo sobre o qual nós seremos julgados” relatado, desta vez, por Mateus, no capítulo 25: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava enfermo e me visitastes, na prisão e viestes a ver-me”.
Não é tão complicado "viver a vida cristã em termos de santidade", então: basta abrir a Bíblia, colocar o sinal nessas passagens do Evangelho, e ler atentamente estas “poucas” e “simples” palavras, “práticas para todos”. Porque o cristianismo - disse o Papa - "é uma religião prática: não é para ser pensada, é para ser praticada, para ser realizada”.

Fonte: Zenit.