Os antigos patriarcados ortodoxos de Constantinopla, Jerusalém, Alexandria e Antioquia, assim como o arcebispo de Chipre, expressaram sua preocupação pela situação dos cristãos no Oriente Médio, especialmente na Síria, ao concluir a Sinaxis (assembleia) convocada pelo patriarca Bartolomeu I na semana passada.
Na assembleia, realizada no Fanar, a sede de Constantinopla, participaram os representantes dos três antigos patriarcados: o de Jerusalém, Teófilo; o de Alexandria, Teodoro; e o bispo de Apamea, Isaac, em representação do patriarca Ignacio IV, quem permanece na Síria devido à delicada situação do país, segundo informa o L'Osservatore Romano.
Além disso, como já informou ZENIT, esteve presente o arcebispo do Chipre, Crisóstomo, pois representa uma igreja cuja autocefalia foi reconhecida por um concílio ecumênico.
Os presentes sublinharam sua preocupação pelos cristãos no Oriente Médio, especialmente pela instabilidade criada pela atual situação política. Tratou-se especialmente do caso da Síria, um país onde até agora convivem cristãos e muçulmanos, e que atravessa uma difícil situação política.
O patriarca Bartolomeu I falou também, ainda que de forma breve, do Concílio Pan-Ortodoxo, que espera que seja convocado em breve.
A questão da forma como se obtém a autocefalia constitui um ponto de fricção entre Constantinopla e o patriarcado de Moscou, majoritário dentro da ortodoxia, e um dos grandes debates que atrasou a convocação do concílio.
Fonte: Zenit.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Grã-Bretanha recorda visita de Bento XVI
Durante três dias, em meados de setembro, os fiéis católicos do Reino Unido se reunirão não somente para comemorar o primeiro aniversário da histórica visita de Bento XVI, mas também para compartilhar com os outros a maneira como a visita afetou suas vidas e levou ao aprofundamento na fé.
Em uma entrevista concedida a ZENIT, Clare Ward, assessora da Missão Local, da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales, contou que estas comemorações terão início em 16 de setembro e terminarão no domingo, dia 18. Também contou algumas histórias edificantes que outras pessoas compartilharam com ela, sobre como suas vidas se transformaram desde a visita do Papa, no ano passado.
Como mudou o sentir dos católicos do Reino Unido desde a visita do Santo Padre, no ano passado?
Clare Ward: A visita do Papa ao Reino Unido teve um impacto muito positivo e profundo na comunidade católica da Inglaterra e País de Gales. Muita gente comentou que se sentiu renovada em sua fé e em sua identidade católica. Durante sua visita, o Santo Padre nos convidou a unir-nos a ele com a oração pública e o testemunho. Nos últimos meses, as pessoas têm comentado que sentem uma confiança nova na hora de compartilhar sua fé com a família, vizinhos e amigos.
Para apoiar esta nova confiança, a Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales retomou um programa de continuidade chamado “Alguns propósitos definidos”, para capacitar e incentivar as pessoas a continuar respondendo às palavras do Santo Padre. O programa inclui um amplo leque de atividades para apoiar a missão local: recopilação das histórias de conversão, testemunhos de fé, recursos multimídia para a missão, organização de uma conferência para apoiar as pessoas a chegar aos católicos não-praticantes e muito mais.
O programa foi criado a partir do conteúdo dos discursos, homilias e catequeses que o Papa realizou no Reino Unido; também contém alguns dos ensinamentos do Beato John Henry Newman, que foi beatificado em Birmingham durante a visita do Papa.
Que tipo de atividades foram planejadas para esta comemoração?
Clare Ward: Para comemorar o aniversário de 17 de setembro, as famílias e paróquias foram convidadas a reunir-se para celebrar juntas, talvez com um almoço, um tempo de oração, fotos e partilha das lembranças favoritas.
O dia 18 de setembro é o domingo da Missão Local, quando a comunidade católica reza, reflete e apoia o trabalho de evangelização da Inglaterra e País de Gales através de uma coleta anual.
Nesse dia, será celebrada uma Missa de Ação de Graças em Westminster, que será concelebrada pelos bispos da Inglaterra e País de Gales.
Além disso, coincidindo com o fim de semana do aniversário, o dia 16 de setembro será o restabelecimento da prática da Sexta-feira de Penitência na vida dos fiéis como um distintivo claro na identidade dos católicos.
Qual foi a resposta à petição de Dom Kieran Conry para que as pessoas compartilhassem suas experiências pessoais desde a visita do Papa?
Clare Ward: Durante o verão, houve uma resposta muito motivadora... Neste momento, estamos realizando uma seleção delas para divulgar online. Por exemplo, Paul, de Plymouth, escreveu: “Foi uma experiência maravilhosa para mim. O silêncio durante a consagração foi incrível. Sempre lembrarei disso, pois me faz pensar em quando Cristo alimentou cinco mil pessoas; deve ter sido uma experiência similar”.
A família Plummer, do sudoeste da Inglaterra, disse: “A beatificação do cardeal Newman foi impressionante, e a Missa foi belíssima. Particularmente comovente foi ver filas de sacerdotes saindo para dar a comunhão. O evento foi uma experiência tão maravilhosa, edificante, renovadora e fortalecedora! Afirmou nossa identidade como católicos”.
James Finnegan (16 anos), de Liverpool: “Estar presente nesta ocasião tão importante supôs um despertar do meu coração e me deu um sentido de orgulho da minha fé católica. Ao voltar à igreja de St. Margaret Mary, de Liverpool, fui capaz de compartilhar esse orgulho e alegria com os demais fiéis da minha paróquia, falando da minha experiência na Missa dominical”.
Clare de Weybridge contou: “Refletindo hoje, acho que o que tornou a visita do Papa tão especial foi a sensação de encontro, ser dirigidos e incentivados a aprofundar na nossa relação com Deus, reconhecendo que Ele tem um desejo e um propósito para cada um de nós. O desafio que temos agora é continuar buscando esse encontro”.
O lema deste ano, para o Domingo da Missão Local, é “Vento fresco em nossas velas”. Deu-se este fruto nos católicos do Reino Unido durante esse tempo?
Clare Ward: Dom Kieran Conry, presidente do Departamento para a Evangelização e a Catequese, da Conferência Episcopal da Irlanda, está incentivando todos a envolver-se nisso, dizendo: “Um ano (depois), somos convidados a refletir e a decidir o que vem agora. Inspirados pelas palavras e pelo exemplo do Santo Padre, os bispos da Inglaterra e País de Gales os convidam a içar suas velas e, guiados pelo Espírito Santo, buscar novas formas de compartilhar a alegria da sua fé a cada dia”.
As maneiras como as pessoas expressaram suas respostas à visita do Santo Padre foram muito criativas. Por exemplo, um diácono do noroeste da Inglaterra criou um site de apologética apelando à fé e à razão por escrito. Enquanto isso, os estudantes e a equipe de St Dominic's Sixth Form, en Harrow (Londres), dedicaram uma semana à fé em ação como resposta ao convite do Santo Padre... preocupando-se pela justiça social.
A visita do Santo Padre inspirou Alexander Claridge, de Weymouth, a responder ao convite do Papa e ir à Jornada Mundial da Juventude: “Voltei para casa dessa viagem sentindo que algo no meu interior tinha mudado... Percebi que ser católico implica em muito mais e não via a hora de me encontrar novamente com Sua Santidade em Madri, enquanto continuo explorando a minha fé”.
Na diocese de Middlesbrough, mais de 2 mil jovens se uniram para celebrar a educação católica que se centra no chamado a ser santos. Alunos (de diversas comunidades) se uniram na Assembleia Little Big, uma celebração que consiste em oração, louvor, cantos, danças, teatros e testemunho pessoal. O ato foi organizado como uma continuação da Assembleia Big, na qual o Papa esteve presente, quando se reuniu com crianças de todas as partes do país, recordando aos participantes que Deus quer simplesmente a nossa amizade e que nos convida a ser santos.
A visita provocou também que se falasse da Igreja no âmbito nacional, da sociedade e da ação social levada a cabo pela Caritas Social Action Network (CSAN), que organizou uma série de atos desde setembro passado. As atividades se inspiraram nas declarações do Papa sobre a construção de uma nova cultura de responsabilidade social. O primeiro ato, “Um esforço comum”, foi considerado o primeiro grande degrau de um programa para reimaginar e reforçar o trabalho da comunidade católica na Inglaterra e País de Gales. O ato reuniu 180 delegados de toda a diocese, além de outras agências independentes e projetos vinculados a um amplo leque de ações sociais.
Muitas outras histórias surgiram para testemunhar os frutos da visita do Papa ao Reino Unido. As graças recebidas são muitas. A visita foi uma experiência muito importante e agora tentamos içar nossas velas e construir sobre aquilo que recebemos.
Fonte: Zenit.
Em uma entrevista concedida a ZENIT, Clare Ward, assessora da Missão Local, da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales, contou que estas comemorações terão início em 16 de setembro e terminarão no domingo, dia 18. Também contou algumas histórias edificantes que outras pessoas compartilharam com ela, sobre como suas vidas se transformaram desde a visita do Papa, no ano passado.
Como mudou o sentir dos católicos do Reino Unido desde a visita do Santo Padre, no ano passado?
Clare Ward: A visita do Papa ao Reino Unido teve um impacto muito positivo e profundo na comunidade católica da Inglaterra e País de Gales. Muita gente comentou que se sentiu renovada em sua fé e em sua identidade católica. Durante sua visita, o Santo Padre nos convidou a unir-nos a ele com a oração pública e o testemunho. Nos últimos meses, as pessoas têm comentado que sentem uma confiança nova na hora de compartilhar sua fé com a família, vizinhos e amigos.
Para apoiar esta nova confiança, a Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales retomou um programa de continuidade chamado “Alguns propósitos definidos”, para capacitar e incentivar as pessoas a continuar respondendo às palavras do Santo Padre. O programa inclui um amplo leque de atividades para apoiar a missão local: recopilação das histórias de conversão, testemunhos de fé, recursos multimídia para a missão, organização de uma conferência para apoiar as pessoas a chegar aos católicos não-praticantes e muito mais.
O programa foi criado a partir do conteúdo dos discursos, homilias e catequeses que o Papa realizou no Reino Unido; também contém alguns dos ensinamentos do Beato John Henry Newman, que foi beatificado em Birmingham durante a visita do Papa.
Que tipo de atividades foram planejadas para esta comemoração?
Clare Ward: Para comemorar o aniversário de 17 de setembro, as famílias e paróquias foram convidadas a reunir-se para celebrar juntas, talvez com um almoço, um tempo de oração, fotos e partilha das lembranças favoritas.
O dia 18 de setembro é o domingo da Missão Local, quando a comunidade católica reza, reflete e apoia o trabalho de evangelização da Inglaterra e País de Gales através de uma coleta anual.
Nesse dia, será celebrada uma Missa de Ação de Graças em Westminster, que será concelebrada pelos bispos da Inglaterra e País de Gales.
Além disso, coincidindo com o fim de semana do aniversário, o dia 16 de setembro será o restabelecimento da prática da Sexta-feira de Penitência na vida dos fiéis como um distintivo claro na identidade dos católicos.
Qual foi a resposta à petição de Dom Kieran Conry para que as pessoas compartilhassem suas experiências pessoais desde a visita do Papa?
Clare Ward: Durante o verão, houve uma resposta muito motivadora... Neste momento, estamos realizando uma seleção delas para divulgar online. Por exemplo, Paul, de Plymouth, escreveu: “Foi uma experiência maravilhosa para mim. O silêncio durante a consagração foi incrível. Sempre lembrarei disso, pois me faz pensar em quando Cristo alimentou cinco mil pessoas; deve ter sido uma experiência similar”.
A família Plummer, do sudoeste da Inglaterra, disse: “A beatificação do cardeal Newman foi impressionante, e a Missa foi belíssima. Particularmente comovente foi ver filas de sacerdotes saindo para dar a comunhão. O evento foi uma experiência tão maravilhosa, edificante, renovadora e fortalecedora! Afirmou nossa identidade como católicos”.
James Finnegan (16 anos), de Liverpool: “Estar presente nesta ocasião tão importante supôs um despertar do meu coração e me deu um sentido de orgulho da minha fé católica. Ao voltar à igreja de St. Margaret Mary, de Liverpool, fui capaz de compartilhar esse orgulho e alegria com os demais fiéis da minha paróquia, falando da minha experiência na Missa dominical”.
Clare de Weybridge contou: “Refletindo hoje, acho que o que tornou a visita do Papa tão especial foi a sensação de encontro, ser dirigidos e incentivados a aprofundar na nossa relação com Deus, reconhecendo que Ele tem um desejo e um propósito para cada um de nós. O desafio que temos agora é continuar buscando esse encontro”.
O lema deste ano, para o Domingo da Missão Local, é “Vento fresco em nossas velas”. Deu-se este fruto nos católicos do Reino Unido durante esse tempo?
Clare Ward: Dom Kieran Conry, presidente do Departamento para a Evangelização e a Catequese, da Conferência Episcopal da Irlanda, está incentivando todos a envolver-se nisso, dizendo: “Um ano (depois), somos convidados a refletir e a decidir o que vem agora. Inspirados pelas palavras e pelo exemplo do Santo Padre, os bispos da Inglaterra e País de Gales os convidam a içar suas velas e, guiados pelo Espírito Santo, buscar novas formas de compartilhar a alegria da sua fé a cada dia”.
As maneiras como as pessoas expressaram suas respostas à visita do Santo Padre foram muito criativas. Por exemplo, um diácono do noroeste da Inglaterra criou um site de apologética apelando à fé e à razão por escrito. Enquanto isso, os estudantes e a equipe de St Dominic's Sixth Form, en Harrow (Londres), dedicaram uma semana à fé em ação como resposta ao convite do Santo Padre... preocupando-se pela justiça social.
A visita do Santo Padre inspirou Alexander Claridge, de Weymouth, a responder ao convite do Papa e ir à Jornada Mundial da Juventude: “Voltei para casa dessa viagem sentindo que algo no meu interior tinha mudado... Percebi que ser católico implica em muito mais e não via a hora de me encontrar novamente com Sua Santidade em Madri, enquanto continuo explorando a minha fé”.
Na diocese de Middlesbrough, mais de 2 mil jovens se uniram para celebrar a educação católica que se centra no chamado a ser santos. Alunos (de diversas comunidades) se uniram na Assembleia Little Big, uma celebração que consiste em oração, louvor, cantos, danças, teatros e testemunho pessoal. O ato foi organizado como uma continuação da Assembleia Big, na qual o Papa esteve presente, quando se reuniu com crianças de todas as partes do país, recordando aos participantes que Deus quer simplesmente a nossa amizade e que nos convida a ser santos.
A visita provocou também que se falasse da Igreja no âmbito nacional, da sociedade e da ação social levada a cabo pela Caritas Social Action Network (CSAN), que organizou uma série de atos desde setembro passado. As atividades se inspiraram nas declarações do Papa sobre a construção de uma nova cultura de responsabilidade social. O primeiro ato, “Um esforço comum”, foi considerado o primeiro grande degrau de um programa para reimaginar e reforçar o trabalho da comunidade católica na Inglaterra e País de Gales. O ato reuniu 180 delegados de toda a diocese, além de outras agências independentes e projetos vinculados a um amplo leque de ações sociais.
Muitas outras histórias surgiram para testemunhar os frutos da visita do Papa ao Reino Unido. As graças recebidas são muitas. A visita foi uma experiência muito importante e agora tentamos içar nossas velas e construir sobre aquilo que recebemos.
Fonte: Zenit.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Cuba vive primavera da fé, afirma cardeal Ortega
“Muitas coisas estão mudando e vivemos uma primavera da fé”, afirmou neste domingo o arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, na localidade de Madruga, a 65 quilômetros da capital cubana.
O purpurado presidiu lá a cerimônia de acolhimento de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, que está peregrinando por toda a ilha para preparar os 400 anos da sua descoberta.
Entre as aclamações e cantos de milhares de fiéis, a imagem de Nossa Senhora, em uma urna de vidro, entrou no povoado de camponeses sobre o teto de um caminhão, escoltada por motos da polícia, que buzinavam. Muitos levavam flores, cartazes e bandeirinhas.
“Esta peregrinação tem um grande significado – destacou o cardeal: ser um momento de diálogo e de reconciliação.”
A viagem da pequena estátua de Nossa Senhora pelas cidades cubanas representa verdadeiramente um acontecimento histórico.
A única outra peregrinação que ela realizou foi em 1952 (sete anos antes da chegada de Fidel Castro ao poder), por ocasião dos 50 anos da República.
Depois da procissão, celebrou-se uma Missa. Na homilia, o cardeal Ortega, que recordou a histórica visita de João Paulo II a Cuba, em 1998, pediu aos fiéis que rezassem “pela pátria, por todos os cubanos, fora e dentro do país, e sobretudo pela paz social e pelo progresso”.
“Neste momento da nossa história nacional, precisamos de muitas mudanças e muitas coisas ainda estão mudando”, disse.
“O povo cubano se aproxima cada vez mais da Igreja Católica. Hoje, pertencem ao passado os tempos das curiosas simulações, dos temores e das dissimulações (…), ainda que muitos burocratas de escritório não percebam e não compreendam que já não é hora de desencontros”, continuou.
Para o cardeal Ortega, o diálogo empreendido em 2010 com o presidente Raúl Castro, que permitiu a excarceração de cerca de 130 presos políticos, “faz parte do ambiente novo de mudança que há em Cuba”.
A grande peregrinação nacional de Nossa Senhora percorreu 25 mil quilômetros desde o seu início, em 8 de agosto de 2010, em Santiago de Cuba, e terminará em 30 de dezembro, em Havana. Depois, a imagem voltará ao seu santuário, no povoado de El Cobre.
Em 2012, será comemorado o jubileu mariano por ocasião dos 400 anos do descobrimento da pequena estátua da chamada “Nossa Senhora de Mambisa”, tão venerada na atualidade.
Em declarações à imprensa, o cardeal Ortega não descartou a possibilidade de uma visita do Papa Bento XVI a Cuba. Revelou que a Igreja o convidou e que ele “não disse que 'não'”; inclusive “disse que tem vontade de vir”.
Fonte: Zenit.
O purpurado presidiu lá a cerimônia de acolhimento de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, que está peregrinando por toda a ilha para preparar os 400 anos da sua descoberta.
Entre as aclamações e cantos de milhares de fiéis, a imagem de Nossa Senhora, em uma urna de vidro, entrou no povoado de camponeses sobre o teto de um caminhão, escoltada por motos da polícia, que buzinavam. Muitos levavam flores, cartazes e bandeirinhas.
“Esta peregrinação tem um grande significado – destacou o cardeal: ser um momento de diálogo e de reconciliação.”
A viagem da pequena estátua de Nossa Senhora pelas cidades cubanas representa verdadeiramente um acontecimento histórico.
A única outra peregrinação que ela realizou foi em 1952 (sete anos antes da chegada de Fidel Castro ao poder), por ocasião dos 50 anos da República.
Depois da procissão, celebrou-se uma Missa. Na homilia, o cardeal Ortega, que recordou a histórica visita de João Paulo II a Cuba, em 1998, pediu aos fiéis que rezassem “pela pátria, por todos os cubanos, fora e dentro do país, e sobretudo pela paz social e pelo progresso”.
“Neste momento da nossa história nacional, precisamos de muitas mudanças e muitas coisas ainda estão mudando”, disse.
“O povo cubano se aproxima cada vez mais da Igreja Católica. Hoje, pertencem ao passado os tempos das curiosas simulações, dos temores e das dissimulações (…), ainda que muitos burocratas de escritório não percebam e não compreendam que já não é hora de desencontros”, continuou.
Para o cardeal Ortega, o diálogo empreendido em 2010 com o presidente Raúl Castro, que permitiu a excarceração de cerca de 130 presos políticos, “faz parte do ambiente novo de mudança que há em Cuba”.
A grande peregrinação nacional de Nossa Senhora percorreu 25 mil quilômetros desde o seu início, em 8 de agosto de 2010, em Santiago de Cuba, e terminará em 30 de dezembro, em Havana. Depois, a imagem voltará ao seu santuário, no povoado de El Cobre.
Em 2012, será comemorado o jubileu mariano por ocasião dos 400 anos do descobrimento da pequena estátua da chamada “Nossa Senhora de Mambisa”, tão venerada na atualidade.
Em declarações à imprensa, o cardeal Ortega não descartou a possibilidade de uma visita do Papa Bento XVI a Cuba. Revelou que a Igreja o convidou e que ele “não disse que 'não'”; inclusive “disse que tem vontade de vir”.
Fonte: Zenit.
Cuba vive primavera da fé, afirma cardeal Ortega
“Muitas coisas estão mudando e vivemos uma primavera da fé”, afirmou neste domingo o arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, na localidade de Madruga, a 65 quilômetros da capital cubana.
O purpurado presidiu lá a cerimônia de acolhimento de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, que está peregrinando por toda a ilha para preparar os 400 anos da sua descoberta.
Entre as aclamações e cantos de milhares de fiéis, a imagem de Nossa Senhora, em uma urna de vidro, entrou no povoado de camponeses sobre o teto de um caminhão, escoltada por motos da polícia, que buzinavam. Muitos levavam flores, cartazes e bandeirinhas.
“Esta peregrinação tem um grande significado – destacou o cardeal: ser um momento de diálogo e de reconciliação.”
A viagem da pequena estátua de Nossa Senhora pelas cidades cubanas representa verdadeiramente um acontecimento histórico.
A única outra peregrinação que ela realizou foi em 1952 (sete anos antes da chegada de Fidel Castro ao poder), por ocasião dos 50 anos da República.
Depois da procissão, celebrou-se uma Missa. Na homilia, o cardeal Ortega, que recordou a histórica visita de João Paulo II a Cuba, em 1998, pediu aos fiéis que rezassem “pela pátria, por todos os cubanos, fora e dentro do país, e sobretudo pela paz social e pelo progresso”.
“Neste momento da nossa história nacional, precisamos de muitas mudanças e muitas coisas ainda estão mudando”, disse.
“O povo cubano se aproxima cada vez mais da Igreja Católica. Hoje, pertencem ao passado os tempos das curiosas simulações, dos temores e das dissimulações (…), ainda que muitos burocratas de escritório não percebam e não compreendam que já não é hora de desencontros”, continuou.
Para o cardeal Ortega, o diálogo empreendido em 2010 com o presidente Raúl Castro, que permitiu a excarceração de cerca de 130 presos políticos, “faz parte do ambiente novo de mudança que há em Cuba”.
A grande peregrinação nacional de Nossa Senhora percorreu 25 mil quilômetros desde o seu início, em 8 de agosto de 2010, em Santiago de Cuba, e terminará em 30 de dezembro, em Havana. Depois, a imagem voltará ao seu santuário, no povoado de El Cobre.
Em 2012, será comemorado o jubileu mariano por ocasião dos 400 anos do descobrimento da pequena estátua da chamada “Nossa Senhora de Mambisa”, tão venerada na atualidade.
Em declarações à imprensa, o cardeal Ortega não descartou a possibilidade de uma visita do Papa Bento XVI a Cuba. Revelou que a Igreja o convidou e que ele “não disse que 'não'”; inclusive “disse que tem vontade de vir”.
Fonte: Zenit.
O purpurado presidiu lá a cerimônia de acolhimento de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, que está peregrinando por toda a ilha para preparar os 400 anos da sua descoberta.
Entre as aclamações e cantos de milhares de fiéis, a imagem de Nossa Senhora, em uma urna de vidro, entrou no povoado de camponeses sobre o teto de um caminhão, escoltada por motos da polícia, que buzinavam. Muitos levavam flores, cartazes e bandeirinhas.
“Esta peregrinação tem um grande significado – destacou o cardeal: ser um momento de diálogo e de reconciliação.”
A viagem da pequena estátua de Nossa Senhora pelas cidades cubanas representa verdadeiramente um acontecimento histórico.
A única outra peregrinação que ela realizou foi em 1952 (sete anos antes da chegada de Fidel Castro ao poder), por ocasião dos 50 anos da República.
Depois da procissão, celebrou-se uma Missa. Na homilia, o cardeal Ortega, que recordou a histórica visita de João Paulo II a Cuba, em 1998, pediu aos fiéis que rezassem “pela pátria, por todos os cubanos, fora e dentro do país, e sobretudo pela paz social e pelo progresso”.
“Neste momento da nossa história nacional, precisamos de muitas mudanças e muitas coisas ainda estão mudando”, disse.
“O povo cubano se aproxima cada vez mais da Igreja Católica. Hoje, pertencem ao passado os tempos das curiosas simulações, dos temores e das dissimulações (…), ainda que muitos burocratas de escritório não percebam e não compreendam que já não é hora de desencontros”, continuou.
Para o cardeal Ortega, o diálogo empreendido em 2010 com o presidente Raúl Castro, que permitiu a excarceração de cerca de 130 presos políticos, “faz parte do ambiente novo de mudança que há em Cuba”.
A grande peregrinação nacional de Nossa Senhora percorreu 25 mil quilômetros desde o seu início, em 8 de agosto de 2010, em Santiago de Cuba, e terminará em 30 de dezembro, em Havana. Depois, a imagem voltará ao seu santuário, no povoado de El Cobre.
Em 2012, será comemorado o jubileu mariano por ocasião dos 400 anos do descobrimento da pequena estátua da chamada “Nossa Senhora de Mambisa”, tão venerada na atualidade.
Em declarações à imprensa, o cardeal Ortega não descartou a possibilidade de uma visita do Papa Bento XVI a Cuba. Revelou que a Igreja o convidou e que ele “não disse que 'não'”; inclusive “disse que tem vontade de vir”.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Existe guerra entre muçulmanos e cristãos na Nigéria?
A maior causa das tensões na Nigéria não é a divisão entre cristãos e muçulmanos, mas entre ricos e pobres, afirma o arcebispo de Abuja, capital do país.
Em entrevista ao programa de televisão Deus chora na Terra, da Catholic Radio and Television Network (CRTN) em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre, o arcebispo John Onaiyekan explica que o maior perigo para a paz na Nigéria “é a injustiça social no país”.
Em aproximadamente uma década, 3.000 pessoas foram assassinadas pela violência inter-étnica e inter-religiosa. Qual é a origem desta violência?
Dom Onaiyekan: Essa é a má notícia, a perda de vidas em conflitos que têm conotações religiosas e são interpretados como religiosos. Mas eu acho que nós temos que lembrar que milhares de vidas se perdem no meu país, ano após ano, por causa dessas mortes diárias em hospitais por culpa da má gestão, e também por causa de conflitos em áreas onde não existem cristãos ou muçulmanos. E ninguém fala delas. Só da violência entre muçulmanos e cristãos. Nós estamos falando de uma cultura que desvaloriza a vida humana em geral. E eu digo isso como nigeriano, com toda a responsabilidade e tristeza. Temos que colocar tudo no seu devido contexto. Para falar de 3.000, eles calculam normalmente com base nos que perderam a vida no norte da Nigéria.
Na região de Jos?
Dom Onaiyekan: A região de Jos é só a última, porque tem outras da Nigéria com enfrentamentos: em Kaduna, Bauchi, e, quando fizeram aquelas famosas “caricaturas dinamarquesas”, tivemos distúrbios em Duguri e em toda a região, e, depois, na meseta de Jos.
Jos foi especialmente surpreendente, porque Jos não tem uma grande população muçulmana. Nem é um lugar onde se possa dizer que os cristãos e muçulmanos tenham uma relação tensa. É de maioria cristã e nós ficamos surpresos de que num lugar como aquele ocorra esse tipo de violência. Em segundo lugar, seja em Jos ou em qualquer outro lugar, as pessoas não atacam as outras só por causa da religião.
Mas quando escrevem sobre isso, apresentam justamente assim: violência por motivos religiosos entre muçulmanos e cristãos. Se não é assim, qual é a verdadeira origem?
Dom Onaiyekan: Pode haver uma dimensão religiosa, porque os nigerianos são profundamente religiosos, o que é uma coisa grandiosa. E este é um dos casos em que algo bom pode virar uma coisa ruim. Eles são profundamente comprometidos com a fé, e isso quer dizer que tudo o que eles fazem é com fervor religioso. Se duas pessoas brigam, até no mercado, e um é muçulmano e o outro é cristão, antes de saber qualquer coisa as pessoas vão dizer: “aquele muçulmano e aquele cristão estão brigando”. Não vão dizer: “aqueles dois nigerianos”, como deveriam dizer, e eu acho que é isso o que faz parecer que é uma disputa religiosa.
No caso de Jos, o assunto é bem claro: é entre os que são considerados “indígenas” da meseta e os considerados “colonos”. O problema nem é tanto com os colonos, porque existem colonos e indígenas pela Nigéria toda. O problema na meseta é a situação dos colonos que exigem plenos direitos como indígenas, um ponto em que eu pessoalmente estou de acordo, e que não é válido só para aquela meseta, mas para toda a Nigéria.
Há outros elementos em jogo?
Dom Onaiyekan: Eu quero insistir no seguinte: os nigerianos não são só cristãos ou muçulmanos; os nigerianos são também hausa, ibo e ioruba. Os nigerianos têm também ideologias políticas diferentes. E a maior diferença hoje, e uma das causas da maioria dos problemas, e o maior perigo para a paz na Nigéria, não é essa história dos cristãos e dos muçulmanos; é a injustiça social no país. A grande diferença, o grande abismo entre uns poucos que são muito ricos e a imensa maioria que são pobres numa nação que é muito rica.
Os poucos ricos, a maioria dos quais são também ladrões, bandidos que roubam o nosso dinheiro, gente corrupta, são cristãos e muçulmanos que estão sentados nas mesmas mesas diretivas. Os pobres que estão sofrendo também são cristãos e muçulmanos, e também se dão bem entre si, porque têm os mesmos problemas. Estas são as coisas que deveríamos considerar de modo cuidadoso, e, se você vive na Nigéria, tem que usar essa lente para não se deixar levar por explicações que parecem simples e diretas, mas são simplistas demais.
Então podemos dizer que o sucesso ou o fracasso político na Nigéria se traduz em poder econômico ou na falta dele?
Dom Onaiyekan: Isso. É uma mentalidade de “o ganhador leva tudo”. Se você é do partido do governo, então você consegue todos os contratos, todas as promoções e todos os trabalhos no governo para os filhos. Mas se você é da oposição, aí você não consegue nada. Se, além de pertencer ao partido da oposição, você ainda pertence a uma tribo diferente, porque além da divisão política você acrescente também a étnica, e se você acrescentar também que pertence a outra religião, é fácil alguém dizer que cristãos e muçulmanos se enfrentam... E esta é a imagem que você vê no mundo inteiro sobre a Nigéria.
Jamais eu vi na Nigéria que nós tenhamos brigado porque Jesus Cristo seja ou não seja Deus, que é a maior diferença teológica entre os cristãos e os muçulmanos. Nós nunca brigamos por isso nem nunca nos enfrentamos para discutir se Maomé é um verdadeiro profeta ou não é. Nós lutamos pela terra. Nós discutimos quantos ministros são muçulmanos ou cristãos. Nós discutimos sobre quem é o líder deste ou daquele partido político. Estes é que são os temas em que existe enfrentamento.
Isso levanta a questão: Por que é apresentado como um assunto religioso e não como o que ele realmente é - interesses econômicos ou políticos?
Dom Onaiyekan: É devido à natureza da comunidade nigeriana. Nós facilmente nos identificamos como cristãos ou muçulmanos. Se você estiver na Nigéria num domingo, verá que as igrejas estão cheias. Todo mundo vai à igreja no domingo. Se você é um cristão e estiver sentado em casa em um domingo, te perguntarão: "por que não vai à igreja? O quê acontece? Você tem algum problema?". E se pode dizer o mesmo para um muçulmano. É como se sua identidade se definisse em termos de sua religião. Então, seja lá o que você faça, você é considerado cristão ou muçulmano.
Em segundo lugar, quando duas pessoas são rivais, tentam implantar todos os recursos para se proteger. Assim, se eu estou lutando com um parceiro que é muçulmano e eu estou prestes a perder, direi: "Olha como eles me tratam. Eu sou cristão". Isso me lembra de São Paulo quando ele estava em pé diante do Sinédrio, olhou os fariseus entre os saduceus e disse: "Eu sou fariseu e por isso sofro." Então os fariseus apoiaram. Há algo disso também. Do lado muçulmano, há pessoas que querem atrair a solidariedade dos muçulmanos, não só na Nigéria, mas também no exterior. Vemos que isso acontece em ambos os lados.
Mas a questão é: Quando este tipo de coisa ocorre, não se pensa muito no resultado. Estamos caminhando para resolver nossos problemas de convivência ou estamos nos preparando para a guerra que haverá, finalmente, entre cristãos e muçulmanos?
O senhor mencionou os interesses estrangeiros. Há interesses estrangeiros provocando isso?
Dom Onaiyekan: Há muitos interesses em jogo, creio eu, já que estamos falando de uma base religiosa, obviamente, em ambos os lados, com correntes que têm posições muito fortes contra os outros. Há correntes islâmicas que acreditam que os cristãos são maus crentes. Há muitas pessoas na Nigéria que assistem TV ou ouvem sermões que vêm Iêmen e são emitidos pelos canais islâmicos. Há pequenos grupos que são muito tendenciosos em ambos os lados.
Também há cristãos que dizem coisas horríveis sobre os muçulmanos. Acham que os muçulmanos que vão a Meca adoram um ídolo, uma pedra, e que não há maneira de um muçulmano alcançar o céu, porque Jesus disse que, se não nascer da água e do espírito, não entrarás no Reino de Deus. Quando alguém vai a público dizer isso diretamente aos muçulmanos, está provocando, mas, digo novamente, trata-se de um pequeno grupo. Nossa Igreja não ensina isso. Quando há choques, o resto de nós fica envolvido, o que é um grande problema. A razão final que lhe daria – já que estamos falando em termos de comunicação – é que os jornalistas às vezes são preguiçosos.
Nós conversamos sobre o diálogo nessas situações tão complicadas. O senhor tem esperanças?
Dom Onaiyekan: Eu sou um otimista incurável e sempre olho para o que mais deslumbra e também porque acredito que essa é a atitude cristã. Nós acreditamos em Jesus ressuscitado, e seu espírito nos move. Por isso não temos medo de olhar até mesmo a realidade da corrupção. Amo a Nigéria intensamente. Há tantas pessoas maravilhosas. A grande maioria dos nigerianos, de todas as crenças, são pessoas maravilhosas e quando veem algo de bom, admiram e se apegam a ele. Nosso grande problema é que precisamos de um bom governo, um governo forte, que possa implementar todas estas coisas maravilhosas e não só os recursos naturais, mas, acima de tudo, os recursos humanos da Nigéria. Com a ajuda de Deus, não deveria haver problemas entre cristãos e muçulmanos. De fato, minha opinião é que a Nigéria será um modelo para o mundo de como os cristãos e muçulmanos vivem juntos, porque nossa cultura tem o maior número de cristãos e muçulmanos vivendo juntos em um mesmo país. Em outros países, uma ou outra das religiões é maioria ou minoria. Faça o que fizer, eles são separados. Na Nigéria, somos iguais e nos encontramos face a face e somos cidadãos do mesmo país, às vezes, os membros da mesma família.
--- --- ---
Esta entrevista foi realizada por Marie-Pauline Meyer para "Deus chora na terra", um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.
Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt, http://www.wheregodweeps.org/countries/nigeria
Fonte: Zenit.
Em entrevista ao programa de televisão Deus chora na Terra, da Catholic Radio and Television Network (CRTN) em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre, o arcebispo John Onaiyekan explica que o maior perigo para a paz na Nigéria “é a injustiça social no país”.
Em aproximadamente uma década, 3.000 pessoas foram assassinadas pela violência inter-étnica e inter-religiosa. Qual é a origem desta violência?
Dom Onaiyekan: Essa é a má notícia, a perda de vidas em conflitos que têm conotações religiosas e são interpretados como religiosos. Mas eu acho que nós temos que lembrar que milhares de vidas se perdem no meu país, ano após ano, por causa dessas mortes diárias em hospitais por culpa da má gestão, e também por causa de conflitos em áreas onde não existem cristãos ou muçulmanos. E ninguém fala delas. Só da violência entre muçulmanos e cristãos. Nós estamos falando de uma cultura que desvaloriza a vida humana em geral. E eu digo isso como nigeriano, com toda a responsabilidade e tristeza. Temos que colocar tudo no seu devido contexto. Para falar de 3.000, eles calculam normalmente com base nos que perderam a vida no norte da Nigéria.
Na região de Jos?
Dom Onaiyekan: A região de Jos é só a última, porque tem outras da Nigéria com enfrentamentos: em Kaduna, Bauchi, e, quando fizeram aquelas famosas “caricaturas dinamarquesas”, tivemos distúrbios em Duguri e em toda a região, e, depois, na meseta de Jos.
Jos foi especialmente surpreendente, porque Jos não tem uma grande população muçulmana. Nem é um lugar onde se possa dizer que os cristãos e muçulmanos tenham uma relação tensa. É de maioria cristã e nós ficamos surpresos de que num lugar como aquele ocorra esse tipo de violência. Em segundo lugar, seja em Jos ou em qualquer outro lugar, as pessoas não atacam as outras só por causa da religião.
Mas quando escrevem sobre isso, apresentam justamente assim: violência por motivos religiosos entre muçulmanos e cristãos. Se não é assim, qual é a verdadeira origem?
Dom Onaiyekan: Pode haver uma dimensão religiosa, porque os nigerianos são profundamente religiosos, o que é uma coisa grandiosa. E este é um dos casos em que algo bom pode virar uma coisa ruim. Eles são profundamente comprometidos com a fé, e isso quer dizer que tudo o que eles fazem é com fervor religioso. Se duas pessoas brigam, até no mercado, e um é muçulmano e o outro é cristão, antes de saber qualquer coisa as pessoas vão dizer: “aquele muçulmano e aquele cristão estão brigando”. Não vão dizer: “aqueles dois nigerianos”, como deveriam dizer, e eu acho que é isso o que faz parecer que é uma disputa religiosa.
No caso de Jos, o assunto é bem claro: é entre os que são considerados “indígenas” da meseta e os considerados “colonos”. O problema nem é tanto com os colonos, porque existem colonos e indígenas pela Nigéria toda. O problema na meseta é a situação dos colonos que exigem plenos direitos como indígenas, um ponto em que eu pessoalmente estou de acordo, e que não é válido só para aquela meseta, mas para toda a Nigéria.
Há outros elementos em jogo?
Dom Onaiyekan: Eu quero insistir no seguinte: os nigerianos não são só cristãos ou muçulmanos; os nigerianos são também hausa, ibo e ioruba. Os nigerianos têm também ideologias políticas diferentes. E a maior diferença hoje, e uma das causas da maioria dos problemas, e o maior perigo para a paz na Nigéria, não é essa história dos cristãos e dos muçulmanos; é a injustiça social no país. A grande diferença, o grande abismo entre uns poucos que são muito ricos e a imensa maioria que são pobres numa nação que é muito rica.
Os poucos ricos, a maioria dos quais são também ladrões, bandidos que roubam o nosso dinheiro, gente corrupta, são cristãos e muçulmanos que estão sentados nas mesmas mesas diretivas. Os pobres que estão sofrendo também são cristãos e muçulmanos, e também se dão bem entre si, porque têm os mesmos problemas. Estas são as coisas que deveríamos considerar de modo cuidadoso, e, se você vive na Nigéria, tem que usar essa lente para não se deixar levar por explicações que parecem simples e diretas, mas são simplistas demais.
Então podemos dizer que o sucesso ou o fracasso político na Nigéria se traduz em poder econômico ou na falta dele?
Dom Onaiyekan: Isso. É uma mentalidade de “o ganhador leva tudo”. Se você é do partido do governo, então você consegue todos os contratos, todas as promoções e todos os trabalhos no governo para os filhos. Mas se você é da oposição, aí você não consegue nada. Se, além de pertencer ao partido da oposição, você ainda pertence a uma tribo diferente, porque além da divisão política você acrescente também a étnica, e se você acrescentar também que pertence a outra religião, é fácil alguém dizer que cristãos e muçulmanos se enfrentam... E esta é a imagem que você vê no mundo inteiro sobre a Nigéria.
Jamais eu vi na Nigéria que nós tenhamos brigado porque Jesus Cristo seja ou não seja Deus, que é a maior diferença teológica entre os cristãos e os muçulmanos. Nós nunca brigamos por isso nem nunca nos enfrentamos para discutir se Maomé é um verdadeiro profeta ou não é. Nós lutamos pela terra. Nós discutimos quantos ministros são muçulmanos ou cristãos. Nós discutimos sobre quem é o líder deste ou daquele partido político. Estes é que são os temas em que existe enfrentamento.
Isso levanta a questão: Por que é apresentado como um assunto religioso e não como o que ele realmente é - interesses econômicos ou políticos?
Dom Onaiyekan: É devido à natureza da comunidade nigeriana. Nós facilmente nos identificamos como cristãos ou muçulmanos. Se você estiver na Nigéria num domingo, verá que as igrejas estão cheias. Todo mundo vai à igreja no domingo. Se você é um cristão e estiver sentado em casa em um domingo, te perguntarão: "por que não vai à igreja? O quê acontece? Você tem algum problema?". E se pode dizer o mesmo para um muçulmano. É como se sua identidade se definisse em termos de sua religião. Então, seja lá o que você faça, você é considerado cristão ou muçulmano.
Em segundo lugar, quando duas pessoas são rivais, tentam implantar todos os recursos para se proteger. Assim, se eu estou lutando com um parceiro que é muçulmano e eu estou prestes a perder, direi: "Olha como eles me tratam. Eu sou cristão". Isso me lembra de São Paulo quando ele estava em pé diante do Sinédrio, olhou os fariseus entre os saduceus e disse: "Eu sou fariseu e por isso sofro." Então os fariseus apoiaram. Há algo disso também. Do lado muçulmano, há pessoas que querem atrair a solidariedade dos muçulmanos, não só na Nigéria, mas também no exterior. Vemos que isso acontece em ambos os lados.
Mas a questão é: Quando este tipo de coisa ocorre, não se pensa muito no resultado. Estamos caminhando para resolver nossos problemas de convivência ou estamos nos preparando para a guerra que haverá, finalmente, entre cristãos e muçulmanos?
O senhor mencionou os interesses estrangeiros. Há interesses estrangeiros provocando isso?
Dom Onaiyekan: Há muitos interesses em jogo, creio eu, já que estamos falando de uma base religiosa, obviamente, em ambos os lados, com correntes que têm posições muito fortes contra os outros. Há correntes islâmicas que acreditam que os cristãos são maus crentes. Há muitas pessoas na Nigéria que assistem TV ou ouvem sermões que vêm Iêmen e são emitidos pelos canais islâmicos. Há pequenos grupos que são muito tendenciosos em ambos os lados.
Também há cristãos que dizem coisas horríveis sobre os muçulmanos. Acham que os muçulmanos que vão a Meca adoram um ídolo, uma pedra, e que não há maneira de um muçulmano alcançar o céu, porque Jesus disse que, se não nascer da água e do espírito, não entrarás no Reino de Deus. Quando alguém vai a público dizer isso diretamente aos muçulmanos, está provocando, mas, digo novamente, trata-se de um pequeno grupo. Nossa Igreja não ensina isso. Quando há choques, o resto de nós fica envolvido, o que é um grande problema. A razão final que lhe daria – já que estamos falando em termos de comunicação – é que os jornalistas às vezes são preguiçosos.
Nós conversamos sobre o diálogo nessas situações tão complicadas. O senhor tem esperanças?
Dom Onaiyekan: Eu sou um otimista incurável e sempre olho para o que mais deslumbra e também porque acredito que essa é a atitude cristã. Nós acreditamos em Jesus ressuscitado, e seu espírito nos move. Por isso não temos medo de olhar até mesmo a realidade da corrupção. Amo a Nigéria intensamente. Há tantas pessoas maravilhosas. A grande maioria dos nigerianos, de todas as crenças, são pessoas maravilhosas e quando veem algo de bom, admiram e se apegam a ele. Nosso grande problema é que precisamos de um bom governo, um governo forte, que possa implementar todas estas coisas maravilhosas e não só os recursos naturais, mas, acima de tudo, os recursos humanos da Nigéria. Com a ajuda de Deus, não deveria haver problemas entre cristãos e muçulmanos. De fato, minha opinião é que a Nigéria será um modelo para o mundo de como os cristãos e muçulmanos vivem juntos, porque nossa cultura tem o maior número de cristãos e muçulmanos vivendo juntos em um mesmo país. Em outros países, uma ou outra das religiões é maioria ou minoria. Faça o que fizer, eles são separados. Na Nigéria, somos iguais e nos encontramos face a face e somos cidadãos do mesmo país, às vezes, os membros da mesma família.
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Esta entrevista foi realizada por Marie-Pauline Meyer para "Deus chora na terra", um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.
Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt, http://www.wheregodweeps.org/countries/nigeria
Fonte: Zenit.
Religião e conflitos globais
No décimo aniversário do 11 de setembro, permanece vivo o debate sobre o papel da religião nos conflitos e na política.
O recente livro Religion, Identity and Global Governance: Ideas, Evidence and Practice (University of Toronto Press) traz uma valiosa contribuição ao debate, recopilando muitas atas de uma conferência de outubro de 2007.
John F. Stack, professor na Universidade Internacional da Flórida, analisa num dos capítulos o desafio à teoria das relações internacionais. Antes mesmo dos acontecimentos da última década, estava claro que a religião, longe de ter desaparecido, é uma poderosa força global, afirma Stack.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as influências protestantes e evangélicas tiveram importante papel na política interior. A religião voltou aos países da antiga União Soviética desde a queda do comunismo, e a influência do islã tem sido evidente na África, Ásia e Europa.
Mas Stack observa que a teoria das relações internacionais ignora o papel da religião. Em muitos casos, durante o século XX, os pensadores influentes em ciências sociais teorizaram que a religião não só é irrelevante, mas ainda que desapareceria de modo gradual.
A sobrevivência da religião e sua evidente influência na política forçou, depois, a mudança de perspectiva. A religião é importante, explica Stack, e é uma dimensão básica da vida humana que influencia cultura, tradição e visões do mundo. “As crenças religiosas podem não agradar aos estudiosos sociais do Ocidente, que analisam o comportamento dos indivíduos, grupos, movimentos sociais, estados, mas ressoam profundamente nos valores e nas opções mais básicas”.
Stack admite que é difícil avaliar o papel concreto da religião e discernir se ela é uma mera manifestação de outros fatores étnicos, culturais ou de afirmação de um grupo.
Reação laicista
Na última década, vivemos uma verdadeira explosão de estudos sobre religião e assuntos internacionais, escreveu Ron E. Hassner em seu capítulo. Hassner, professor adjunto na Universidade da Califórnia em Berkeley, diz que foram publicados mais livros sobre o islã e a guerra desde o 11 de setembro do que desde a invenção da imprensa até aquela data.
Ele deplora o que chama de “reação laicista e borbulhante”, que caracterizou um bom número de livros. “Rejeitar a religião como se fosse apenas uma forma perigosa de demência de grupo não é só irracional, mas também inútil, porque não se pode rejeitar a religião e ao mesmo tempo querer entendê-la”.
Hassner acusa escritores como Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchins de afirmar que há uma relação causal entre religião e guerra. Ao mesmo tempo, eles rejeitam como falsa qualquer associação com a promoção da moral, da cultura e da ciência.
Em seu texto, Cecília Lynch, professora da Universidade da Califórnia, propõe uma postura de estudo da religião diferente da de Dawkins. É importante considerar a prática da religião e não unicamente a doutrina, afirma ela.
Temos que entender também que a religião, embora proporcione diretrizes éticas, sempre deixa espaço para a interpretação. As doutrinas e tradições religiosas, segundo Lynch, não podem cobrir todas as possibilidades na hora de prescrever um comportamento. Devemos considerar a crença e a prática religiosa como moldadas pelas circunstâncias e tradições históricas, além de fatores econômicos e sociais contemporâneos.
Um dos aspectos da religião em que Lynch se concentra é o compromisso com a atividade humanitária. Nos conflitos das últimas décadas, envolvendo tanto cristãos quanto muçulmanos, suas organizações humanitárias respectivas começaram a trabalhar juntas. As organizações laicas tiveram que se adaptar para trabalhar em sociedades de maioria muçulmana. Desde os acontecimentos de 2001, porém, alguns países olham com desconfiança para as organizações humanitárias islâmicas.
Guerra justa
James L. Heft, padre marianista e professor na Universidade do Sul da Califórnia, analisa a doutrina da guerra justa e como ela é interpretada por João Paulo II.
Segundo Heft, João Paulo II desenvolveu uma compreensão dos ensinamentos sobre a guerra justa que tornou mais difícil justificar a guerra, e também as enquadrou num marco ético que privilegia os meios não violentos de resolução de conflitos.
Esta tendência se iniciou muito antes de João Paulo II, diz Heft. Depois que a Igreja católica perdeu os Estados Pontifícios e seu poder temporal, ela se viu livre para defender melhor os direitos dos outros e passou a se opor à guerra com mais intensidade. Este desenvolvimento ficou especialmente evidente na encíclica de João XXIII Pacem in Terris, publicada em 1963.
Em 4 de outubro de 1965, dirigindo-se às Nações Unidas, Paulo VI exclamou: “Basta de guerra, guerra nunca mais!”.
Heft escreve que João Paulo II defendia os direitos humanos em suas encíclicas e discursos e se opunha repetidamente à guerra. Não descartava inteiramente o uso da força, mas o limitava cuidadosamente.
Os acontecimentos de 1989, que determinaram a libertação sem guerra da Europa do Leste, confirmaram as convicções do papa na força dos métodos não violentos, afirma Heft. Ele tocaria no tema dois anos depois, na encíclica Centesimus Annus. Nos anos seguintes, João Paulo II se oporia com firmeza à invasão do Iraque.
Heft observa, porém, que João Paulo II apoiou com cautela a derrocada do governo talibã do Afeganistão. Na mensagem para a Jornada Mundial da Paz de 2002, o papa afirmou que existe um direito a defender-se contra o terrorismo. Defendeu também a intervenção humanitária na antiga Iugoslávia.
Em geral, a consciência de João Paulo II das consequências da guerra o fez rejeitar a violência, mas não é correto apresentá-lo como um pacifista, conclui Heft.
Religião e Resolução de Conflitos
Abordando a questão da paz, Robert B. Llloyd fala dos enfoques para a resolução de conflitos baseados na religião. Lloyd, professor associado da Universidade Pepperdine, assinala que personalidades, como a ex-secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, tinham afirmado que a diplomacia baseada na religião era uma ferramenta útil de política externa.
Lloyd concentrou sua atenção sobre o cristianismo. O mundo não tem carecido de mediadores – observa ele –, mas o mediador cristã difere devido à formação recebida em uma comunidade religiosa concreta.
Lloyd fala da longa história de mediação da Igreja Católica. O Tratado de Tordesilhas, de 1494, patrocinado pelo Papa Alexandre VI, resolveu o conflito entre Espanha e Portugal pelo controle das terras recém-descobertas na Ásia, África e Américas.
Mais recentemente, em 1984, um tratado foi assinado entre o Chile e a Argentina para resolver uma disputa sobre as ilhas do Canal de Beagle. A mediação da Igreja ajudou a resolver um conflito que levou os dois países à beira da guerra.
Lloyd também se referiu à Comunidade de Sant’Egidio. Desempenhou um papel fundamental na mediação para acabar com uma guerra de 15 anos em Moçambique.
Existe alguma coisa que distingue a mediação cristã? Lloyd identificou algumas diferenças. Os cristãos enfatizam a reconciliação ou a construção de novas relações onde não existiam.
Outra preocupação é o resultado justo. A importante questão da justiça que é encontrada nas Escrituras fornece uma motivação adicional para os cristãos, quando comparados com outros mediadores.
Uma terceira característica é a preferência pela negociação e, sobretudo, por estabelecer linhas de comunicação que não teriam existido entre as partes.
Como seus colegas leigos, os mediadores cristãos nem sempre são bem sucedidos, mas Lloyd afirma que isso mostra como uma forte identidade religiosa não é apenas fonte de conflito, mas também um meio de paz e reconciliação.
Fonte: Zenit.
O recente livro Religion, Identity and Global Governance: Ideas, Evidence and Practice (University of Toronto Press) traz uma valiosa contribuição ao debate, recopilando muitas atas de uma conferência de outubro de 2007.
John F. Stack, professor na Universidade Internacional da Flórida, analisa num dos capítulos o desafio à teoria das relações internacionais. Antes mesmo dos acontecimentos da última década, estava claro que a religião, longe de ter desaparecido, é uma poderosa força global, afirma Stack.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as influências protestantes e evangélicas tiveram importante papel na política interior. A religião voltou aos países da antiga União Soviética desde a queda do comunismo, e a influência do islã tem sido evidente na África, Ásia e Europa.
Mas Stack observa que a teoria das relações internacionais ignora o papel da religião. Em muitos casos, durante o século XX, os pensadores influentes em ciências sociais teorizaram que a religião não só é irrelevante, mas ainda que desapareceria de modo gradual.
A sobrevivência da religião e sua evidente influência na política forçou, depois, a mudança de perspectiva. A religião é importante, explica Stack, e é uma dimensão básica da vida humana que influencia cultura, tradição e visões do mundo. “As crenças religiosas podem não agradar aos estudiosos sociais do Ocidente, que analisam o comportamento dos indivíduos, grupos, movimentos sociais, estados, mas ressoam profundamente nos valores e nas opções mais básicas”.
Stack admite que é difícil avaliar o papel concreto da religião e discernir se ela é uma mera manifestação de outros fatores étnicos, culturais ou de afirmação de um grupo.
Reação laicista
Na última década, vivemos uma verdadeira explosão de estudos sobre religião e assuntos internacionais, escreveu Ron E. Hassner em seu capítulo. Hassner, professor adjunto na Universidade da Califórnia em Berkeley, diz que foram publicados mais livros sobre o islã e a guerra desde o 11 de setembro do que desde a invenção da imprensa até aquela data.
Ele deplora o que chama de “reação laicista e borbulhante”, que caracterizou um bom número de livros. “Rejeitar a religião como se fosse apenas uma forma perigosa de demência de grupo não é só irracional, mas também inútil, porque não se pode rejeitar a religião e ao mesmo tempo querer entendê-la”.
Hassner acusa escritores como Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchins de afirmar que há uma relação causal entre religião e guerra. Ao mesmo tempo, eles rejeitam como falsa qualquer associação com a promoção da moral, da cultura e da ciência.
Em seu texto, Cecília Lynch, professora da Universidade da Califórnia, propõe uma postura de estudo da religião diferente da de Dawkins. É importante considerar a prática da religião e não unicamente a doutrina, afirma ela.
Temos que entender também que a religião, embora proporcione diretrizes éticas, sempre deixa espaço para a interpretação. As doutrinas e tradições religiosas, segundo Lynch, não podem cobrir todas as possibilidades na hora de prescrever um comportamento. Devemos considerar a crença e a prática religiosa como moldadas pelas circunstâncias e tradições históricas, além de fatores econômicos e sociais contemporâneos.
Um dos aspectos da religião em que Lynch se concentra é o compromisso com a atividade humanitária. Nos conflitos das últimas décadas, envolvendo tanto cristãos quanto muçulmanos, suas organizações humanitárias respectivas começaram a trabalhar juntas. As organizações laicas tiveram que se adaptar para trabalhar em sociedades de maioria muçulmana. Desde os acontecimentos de 2001, porém, alguns países olham com desconfiança para as organizações humanitárias islâmicas.
Guerra justa
James L. Heft, padre marianista e professor na Universidade do Sul da Califórnia, analisa a doutrina da guerra justa e como ela é interpretada por João Paulo II.
Segundo Heft, João Paulo II desenvolveu uma compreensão dos ensinamentos sobre a guerra justa que tornou mais difícil justificar a guerra, e também as enquadrou num marco ético que privilegia os meios não violentos de resolução de conflitos.
Esta tendência se iniciou muito antes de João Paulo II, diz Heft. Depois que a Igreja católica perdeu os Estados Pontifícios e seu poder temporal, ela se viu livre para defender melhor os direitos dos outros e passou a se opor à guerra com mais intensidade. Este desenvolvimento ficou especialmente evidente na encíclica de João XXIII Pacem in Terris, publicada em 1963.
Em 4 de outubro de 1965, dirigindo-se às Nações Unidas, Paulo VI exclamou: “Basta de guerra, guerra nunca mais!”.
Heft escreve que João Paulo II defendia os direitos humanos em suas encíclicas e discursos e se opunha repetidamente à guerra. Não descartava inteiramente o uso da força, mas o limitava cuidadosamente.
Os acontecimentos de 1989, que determinaram a libertação sem guerra da Europa do Leste, confirmaram as convicções do papa na força dos métodos não violentos, afirma Heft. Ele tocaria no tema dois anos depois, na encíclica Centesimus Annus. Nos anos seguintes, João Paulo II se oporia com firmeza à invasão do Iraque.
Heft observa, porém, que João Paulo II apoiou com cautela a derrocada do governo talibã do Afeganistão. Na mensagem para a Jornada Mundial da Paz de 2002, o papa afirmou que existe um direito a defender-se contra o terrorismo. Defendeu também a intervenção humanitária na antiga Iugoslávia.
Em geral, a consciência de João Paulo II das consequências da guerra o fez rejeitar a violência, mas não é correto apresentá-lo como um pacifista, conclui Heft.
Religião e Resolução de Conflitos
Abordando a questão da paz, Robert B. Llloyd fala dos enfoques para a resolução de conflitos baseados na religião. Lloyd, professor associado da Universidade Pepperdine, assinala que personalidades, como a ex-secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, tinham afirmado que a diplomacia baseada na religião era uma ferramenta útil de política externa.
Lloyd concentrou sua atenção sobre o cristianismo. O mundo não tem carecido de mediadores – observa ele –, mas o mediador cristã difere devido à formação recebida em uma comunidade religiosa concreta.
Lloyd fala da longa história de mediação da Igreja Católica. O Tratado de Tordesilhas, de 1494, patrocinado pelo Papa Alexandre VI, resolveu o conflito entre Espanha e Portugal pelo controle das terras recém-descobertas na Ásia, África e Américas.
Mais recentemente, em 1984, um tratado foi assinado entre o Chile e a Argentina para resolver uma disputa sobre as ilhas do Canal de Beagle. A mediação da Igreja ajudou a resolver um conflito que levou os dois países à beira da guerra.
Lloyd também se referiu à Comunidade de Sant’Egidio. Desempenhou um papel fundamental na mediação para acabar com uma guerra de 15 anos em Moçambique.
Existe alguma coisa que distingue a mediação cristã? Lloyd identificou algumas diferenças. Os cristãos enfatizam a reconciliação ou a construção de novas relações onde não existiam.
Outra preocupação é o resultado justo. A importante questão da justiça que é encontrada nas Escrituras fornece uma motivação adicional para os cristãos, quando comparados com outros mediadores.
Uma terceira característica é a preferência pela negociação e, sobretudo, por estabelecer linhas de comunicação que não teriam existido entre as partes.
Como seus colegas leigos, os mediadores cristãos nem sempre são bem sucedidos, mas Lloyd afirma que isso mostra como uma forte identidade religiosa não é apenas fonte de conflito, mas também um meio de paz e reconciliação.
Fonte: Zenit.
Não existe mãe mais bonita
Uma importante renovação está acontecendo do outro lado do Atlântico. Na Praça de São Pedro, a fachada eclesiástica mais famosa do mundo, começou um projeto de restauração para limpar as estátuas, colunas e blocos de pedra, e devolver-lhes o aspecto com que foram inauguradas em 1667.
O projeto restaurará não só a colunata, que já vem sendo tratada ao longo dos últimos anos, mas também as fontes, tetos, pilares e lâmpadas. Com supervisão do governo da Cidade do Vaticano, esta imensa tarefa precisará de cerca de 30 meses, ou dois anos e meio.
Os Museus Vaticanos se encarregarão da restauração das obras de arte, como as 140 estátuas que rodeiam a praça: uma linha de santos que vão de Estêvão, o primeiro mártir, a Maria Madalena de Pazzi, canonizada em 1669.
Os quatro postes de bronze, presente moderno de Pio IX, serão limpos por especialistas da Fábrica da Basílica de São Pedro.
A primeira fase da limpeza revelou as cores originais da ala de Carlos Magno na parte esquerda da praça. Depois de séculos de cor amostardada, ela exibe agora um branco cremoso, que reflete a luz matinal do sol na fachada de São Pedro.
Um dos desafios mais importantes é o problema da limpeza do travertino. Por ser mais poroso que o mármore e mais sensível à contaminação atmosférica, pode desmoronar com um simples jorro de água. Algumas partes do travertino foram tiradas do Coliseu e, depois de servir para isolar o tráfego, encheram-se de irreparáveis manchas escuras.
A Via da Conciliação, rua que leva a São Pedro, foi aberta em 1930 e, apesar de haver muitas imagens de São Pedro sendo usada como estacionamento, o dano que a pedra sofreu foi menor que o do Coliseu.
As estátuas dos santos, constantemente expostas ao vento, danificaram-se ao ponto de serem difíceis de identificar.
A peça central da praça, o obelisco, trazido do Egito pelo imperador Calígula, em 37 d.C., é o único de Roma que nunca quebrou. É também o único de Roma se hieróglifos, o que torna muito difícil sua datação (supõe-se entre 1900 a.C. e 500 a.C).
No entanto, tem um lugar especial na história da cristandade. O obelisco foi testemunha do martírio de São Pedro e de outros 900 cristãos acusados injustamente por Nero de causar o grande incêndio de Roma, em 64 d.C.
Trasladado em 1586 pelo Papa Sixto V com a finalidade de ser farol para os peregrinos, agora serve para ajudar as pessoas a recordar o testemunho de São Pedro.
O custo desta renovação massiva deve ser surpreendente. Se bem que grande parte do trabalho será realizado pelos restauradores do Vaticano, que são excepcionais, duas companhias italianas, Italiana Costruzioni e Fratelli Navarra, foram contratadas para a dura tarefa de limpar as 284 colunas e as 88 pilastras que marcam a praça. Há muito trabalho por fazer.
Falando do custo do projeto ao L'Osservatore Romano, Pier Carlo Cuscianna, chefe dos Serviços Técnicos do Departamento do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, explicou que o financiamento vem de “doadores privados e da Divina Providência”.
A fachada de São Pedro foi restaurada em 1999, em preparação ao Jubileu de 2000, graças a um grande esforço patrocinador dos Cavaleiros de Colombo.
Quatro séculos fuligem e sujeira foram retirados para revelar a importante fachada. Ainda que não se esperem este tipo de revelações na limpeza da praça de São Pedro, ela permitirá aos peregrinos e turistas reviver a glória deste espaço e restaurará o luminoso esplendor da Mãe Igreja.
Fonte: Zenit.
O projeto restaurará não só a colunata, que já vem sendo tratada ao longo dos últimos anos, mas também as fontes, tetos, pilares e lâmpadas. Com supervisão do governo da Cidade do Vaticano, esta imensa tarefa precisará de cerca de 30 meses, ou dois anos e meio.
Os Museus Vaticanos se encarregarão da restauração das obras de arte, como as 140 estátuas que rodeiam a praça: uma linha de santos que vão de Estêvão, o primeiro mártir, a Maria Madalena de Pazzi, canonizada em 1669.
Os quatro postes de bronze, presente moderno de Pio IX, serão limpos por especialistas da Fábrica da Basílica de São Pedro.
A primeira fase da limpeza revelou as cores originais da ala de Carlos Magno na parte esquerda da praça. Depois de séculos de cor amostardada, ela exibe agora um branco cremoso, que reflete a luz matinal do sol na fachada de São Pedro.
Um dos desafios mais importantes é o problema da limpeza do travertino. Por ser mais poroso que o mármore e mais sensível à contaminação atmosférica, pode desmoronar com um simples jorro de água. Algumas partes do travertino foram tiradas do Coliseu e, depois de servir para isolar o tráfego, encheram-se de irreparáveis manchas escuras.
A Via da Conciliação, rua que leva a São Pedro, foi aberta em 1930 e, apesar de haver muitas imagens de São Pedro sendo usada como estacionamento, o dano que a pedra sofreu foi menor que o do Coliseu.
As estátuas dos santos, constantemente expostas ao vento, danificaram-se ao ponto de serem difíceis de identificar.
A peça central da praça, o obelisco, trazido do Egito pelo imperador Calígula, em 37 d.C., é o único de Roma que nunca quebrou. É também o único de Roma se hieróglifos, o que torna muito difícil sua datação (supõe-se entre 1900 a.C. e 500 a.C).
No entanto, tem um lugar especial na história da cristandade. O obelisco foi testemunha do martírio de São Pedro e de outros 900 cristãos acusados injustamente por Nero de causar o grande incêndio de Roma, em 64 d.C.
Trasladado em 1586 pelo Papa Sixto V com a finalidade de ser farol para os peregrinos, agora serve para ajudar as pessoas a recordar o testemunho de São Pedro.
O custo desta renovação massiva deve ser surpreendente. Se bem que grande parte do trabalho será realizado pelos restauradores do Vaticano, que são excepcionais, duas companhias italianas, Italiana Costruzioni e Fratelli Navarra, foram contratadas para a dura tarefa de limpar as 284 colunas e as 88 pilastras que marcam a praça. Há muito trabalho por fazer.
Falando do custo do projeto ao L'Osservatore Romano, Pier Carlo Cuscianna, chefe dos Serviços Técnicos do Departamento do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, explicou que o financiamento vem de “doadores privados e da Divina Providência”.
A fachada de São Pedro foi restaurada em 1999, em preparação ao Jubileu de 2000, graças a um grande esforço patrocinador dos Cavaleiros de Colombo.
Quatro séculos fuligem e sujeira foram retirados para revelar a importante fachada. Ainda que não se esperem este tipo de revelações na limpeza da praça de São Pedro, ela permitirá aos peregrinos e turistas reviver a glória deste espaço e restaurará o luminoso esplendor da Mãe Igreja.
Fonte: Zenit.
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