terça-feira, 3 de maio de 2011

A santidade de João Paulo II nasce em Auschwitz

“Auschwitz foi a escola de santidade de João Paulo II: eu tenho a certeza de que Wojtyla entendeu neste lugar a verdade sobre o homem, porque as perguntas que todos se fazem aqui são as fundamentais sobre o sentido da vida”.

Quem fala é o padre Manfred Deselaers, responsável pelo programa do Centro de Diálogo e de Oração de Oświęcim, nome original da cidade polonesa que o mundo veio a conhecer pelo nome alemão de Auschwitz. O centro foi criado em 1992, próximo ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, por vontade do cardeal Franciszek Macharski, em concordância com os bispos de toda a Europa e com os representantes das instituições judaicas. Nos últimos sete anos de funcionamento, mais de 34.000 pessoas o visitaram, muitas para participar em seminários e exercícios espirituais, principalmente alemães, noruegueses e norte-americanos.

O local se chama “Centro de Diálogo e de Oração” apesar da impressão de que num lugar assim não possam surgir nem oração nem diálogo, observa o folheto informativo. “Quem visita o centro”, afirma Deselaers, “deve vir com a intenção de escutar. Na visita ao campo de concentração, no encontro com os ex-prisioneiros, no estudo dos documentos”.

Mas não se trata só de visitar um museu e de olhar as vitrines com a impressionante quantidade de óculos, malas e até cabelos dos prisioneiros. “Na Polônia”, explica ele, “existe a profunda convicção de que o sangue dos mortos fala: é necessário escutar as vozes da terra de Auschwitz e ter tempo para refletir sobre a pergunta: o que significa tudo isso para mim?”. E a resposta é diferente para “poloneses ou italianos, judeus ou católicos, ou para um padre alemão como eu”. “O respeito recíproco pelas diferentes sensibilidades”, prossegue Deselaers, “é a primeira resposta ao campo de concentração onde reinava uma absoluta negação do outro”.

Auschwitz. Escolas inteiras atravessam o pórtico de entrada, passam debaixo do letreiro gravado de forma indelével na memória coletiva pelos filmes e pelos memoriais (“Arbeit macht frei”: o trabalho liberta) e percorrem as avenidas do campo, que acompanham as fileiras de edifícios de tijolos vermelhos. Muitos têm os olhos também vermelhos, à lembrança de pelo menos um milhão e meio de homens, mulheres e crianças que ali perderam a vida no ápice da crueldade.

Birkenau evidencia a sistemática da vontade do extermínio, traduzida em filas ordenadas de barracas, uma extensão dupla de cercas de arame farpado que separavam as covas abertas pelos próprios prisioneiros. Só os blocos de cimento dos fornos crematórios, que os nazistas explodiram antes de abandonar o campo, numa tentativa de esconder seus próprios crimes, se mostram destruídos, derrubados uns sobre os outros como um castelo de cartas.

Tudo sugere o horror, e custa à mente aceitar que tenha sido possível conceber tamanho horror. Como é que pessoas puderam fazer isso com os seus semelhantes? “Muitos perguntam”, conta Deselaers, “onde estava Deus”. É a mesma pergunta que se fazia o prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel quando afirmou: “Antes que Deus me pergunte 'onde tu estavas?', eu é que pergunto a ele 'onde é que estavas tu enquanto assassinavam o meu irmão, a minha irmã, a minha nação?'”.

“Não há respostas fáceis”, afirma Deselaers, “só oração e silêncio: na teologia posterior a Auschwitz, afirma-se que não pode haver oração autêntica que prescinda deste lugar”.

De acordo com o responsável pelo Centro de Diálogo e de Oração, que estudou todos os documentos de João Paulo II relacionados com esse tema, “o papa Wojtyla tem um papel essencial neste sentido”. Wojtyla, como bispo de Cracóvia, também era bispo de Auschwitz, e “pode-se dizer que ele concebia o seu sacerdócio como resposta a tudo o que aconteceu durante a II Guerra Mundial, os imensos sofrimentos que os outros viveram no lugar dele”.

“É justamente durante a guerra que Wojtyla decide ser padre e entra no seminário clandestino, mantido pelo cardeal Adam Sapieha”. “Para ele”, acrescenta Deselaers, “que na infância teve amigos judeus, Auschwitz não foi uma tragédia abstrata, mas uma parte da sua vida”. Deselaers afirma que o firme compromisso de João Paulo II com a dignidade e os direitos do homem, a promoção do diálogo entre os cristãos e os judeus, o encontro em Assis com os responsáveis pelas religiões para todas cooperarem na civilização do amor, as raízes das suas tensões pela unidade do gênero humano, tudo, tudo isso, nasce da experiência de Auschwitz.

“Em 1965, como jovem bispo”, conta Deselaers, “Wojtyla veio até Oświęcim para a festa de Todos os Santos. Na homilia, ele disse que era possível olhar para este lugar com os olhos da fé”. Se por um lado Auschwitz é o lugar “que nos mostra até que ponto o homem pode ser ou se tornar mau”, disse ele, por outro “não podemos ficar esmagados embaixo dessa terrível impressão: temos que olhar para os sinais da fé, como fez Maximiliano Kolbe”.

Seu exemplo “nos mostra como Auschwitz evidencia também toda a grandeza do homem, tudo o que o homem 'pode' ser, vencendo a morte em nome do amor, como Cristo”. E quando ele veio até Auschwitz pela primeira vez como papa, “afirmou que a vitória sobre o ódio em nome do amor não pertence só aos crentes, e que toda a vitória da humanidade sobre um sistema anti-humano deve ser um símbolo para nós”.

Talvez seja também por isso que Edith Stein, ou Santa Teresa Benedita da Cruz, que une a confissão da fé cristã com a tragédia da shoah, foi transformada em padroeira da Europa: “Wojtyla quis dizer que se a Europa procura a sua identidade na era moderna, ela não pode se esquecer de Auschwitz”. Auschwitz foi a escola que firmou a santidade de João Paulo II, que foi imediatamente percebida pelas pessoas: “Porque aqui”, conclui Deselaers, “Wojtyla entendeu totalmente o que a 'fé' significa para o homem de hoje. O mundo inteiro o entendia, porque ele entendia todos eles”.


Fonte: Zenit.

Mundo do teatro homenageia Wojtyla

"Paixão e morte de Karol": com este evento, o teatro quis prestar homenagem ao Papa João Paulo II, através de uma meditação que teve lugar em Roma na sexta-feira passada.

Tendo como cenário o Palácio da Chancelaria, 28 atores, com a ajuda de grandes vozes da prosa, evocaram a atmosfera daquelas horas.

Os textos da meditação eram citações selecionadas do livro "Papa Wojtyla, o adeus", escrito pelo jornalista Marco Politi. Dos 22 capítulos do livro, foram escolhidos os mais importantes, divididos em XIV "estações" para contar as últimas semanas do Papa polonês.

No salão do século XVI, mais de 700 pessoas se emocionaram ao ouvir a leitura das citações relacionadas às diversas fases da doença do Santo Padre, enquanto algumas fotografias eram projetadas sobre este período histórico: as internações médicas, o Papa olhando pela janela do hospital, o público saudando-o no trajeto que vai do Vaticano à clínica Gemelli, a mídia em torno do hospital em uma espécie de assédio, o cardeal Leonardo Sandri lendo a mensagem do Papa, suas palavras contra a guerra no Iraque.

O encontro foi organizado por ‘Elea', o instituto de formação dos Padres Concepcionistas, com o apoio do IDI.

A parte visual foi adaptada pelo diretor Riccardo Leonelli e pelo organizador de eventos de ‘Elea', Pietro Schiavazzi, que apresentou o evento.

A meditação recordou o sentimento coletivo que invadiu milhões de homens e mulheres, entre fevereiro e abril de 2005, quando o Papa que veio de longe conseguiu falar com aqueles que não praticam, aqueles que pensam diferente, aqueles que seguem outras confissões e aqueles que o haviam criticado.

Entre uma estação e outra, um quarteto liderado por Stelvio Cipriani interpretou passagens da Missa solene composta por ele e dedicada a João Paulo II.

Intervieram, entre outros: Serena Autieri, Giulio Base, Massimo Dapporto, Monica Guerritore, Francesco Salvi, Sebastiano Somma, Euridice Axe'n, Vincenzo Bocciarelli, Danilo Brugia, Valeria Cavalli, Rodolfo Corsato, Lorenzo Flaherty, Khaled Fouad Allam, Giuliano Gemma, Andrea Giordana, Eleonora Ivone, Lucrezia Lante della Rovere, Riccardo Leonelli, Eleonora Mazzoni, Olek Mincer, Francesco Montanari, Giuseppe Pambieri, Francesco Pannofino, Nicoletta Romanoff, Edoardo Siravo, Lia Tanzi, Massimo Wertmuller, Giuseppe Zeno.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"O dia esperado chegou! João Paulo II é beato!"




João Paulo II conseguiu, com a força de um gigante, devolver ao cristianismo seu poder de transformar o mundo e fazer que os cristãos deixassem de ter medo de sê-lo, afirmou hoje o Papa, durante a homilia da cerimônia de beatificação do seu predecessor, na Praça de São Pedro.

Diante de mais de um milhão de peregrinos vindos do mundo inteiro para a beatificação em Roma, o Papa Bento XVI definiu o novo beato como um "gigante", que dedicou sua vida a uma "causa": "Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!".

A grande tarefa de João Paulo II, explicou, foi superar a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, devolvendo a este último sua força transformadora da sociedade e realizadora das esperanças dos homens.

O Papa polonês, afirmou, "abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e econômicos, invertendo, com a força de um gigante - força que lhe vinha de Deus -, uma tendência que parecia irreversível".

"Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho."

Ou seja, "deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem - ‘Redemptor hominis': foi este o tema da sua primeira encíclica e o fio condutor de todas as outras".

Karol Wojtyla "subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem".

"A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu ‘timoneiro' - o Servo de Deus Papa Paulo VI -, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milênio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar ‘limiar da esperança'."

O Papa polonês "conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história", afirmou.

"Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de ‘advento', numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz."

Wojtyla e o Vaticano II

O Papa Bento XVI quis sublinhar o mérito de João Paulo II de ter aberto as "riquezas do Concílio Vaticano II" a toda a Igreja.

O segredo disso, explicou, foi uma profunda devoção mariana que acompanhou toda a vida do novo beato.

Karol Wojtyla, "primeiro como bispo auxiliar e depois como arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira".

"Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz", afirmou o Papa.

Recordou as palavras do testamento do seu predecessor, dirigidas pelo cardeal Stefan Wyszyński: "A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milênio".

João Paulo II acrescentou, a seguir: "Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande patrimônio a todos aqueles que são e serão chamados a realizá-lo".

Há seis anos

Bento XVI quis recordar o funeral de João Paulo II, há 6 anos, nessa mesma Praça de São Pedro: "Se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento".

"Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele", afirmou.

Por isso, explicou, "quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato!".

No final da homilia, o Papa quis dar seu próprio testemunho sobre o novo beato, com quem trabalhou durante mais de 20 anos.

"Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa", afirmou.

Destacou duas de suas características, como homem de oração e testemunha diante do sofrimento: "Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério", disse.

"Depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma ‘rocha', como Cristo o quis", acrescentou.

"A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Eucaristia."

"Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu - nós te pedimos - a sustentar a fé do Povo de Deus", concluiu.

Fonte: Zenit.

Peregrinos prestam homenagem ao beato João Paulo II

Depois das delegações oficiais de 87 países, os peregrinos começaram a prestar homenagem diante do caixão de João Paulo II, na tarde deste domingo, após a beatificação.

Seguindo um cordão de segurança controlado pela polícia, um rio humano avança pela direita da Basílica, cerca o altar da Confissão e o baldaquino de Bernini, e desemboca novamente na praça, através do outro lado do templo. Os eventos da beatificação reuniram mais de 1 milhão de pessoas.

Horas de espera não desanimam os milhares de fiéis que querem ver pela última vez o ataúde, antes que seja depositado em um altar da Basílica.

Ao chegar diante do caixão, os peregrinos eram orientados pelos guardas: “Por favor, sigam em frente”. “Por favor, não parem”.

A cena lembra a homenagem ao corpo presente de Karol Wojtyla antes dos funerais de 8 de abril de 2005, em que multidões esperaram horas para se despedir por alguns segundos do pontífice.

A simplicidade do ataúde de madeira contrasta com a magnífica Basílica. Adorna-o um crucifixo e dois círios.

Uma criança adormecida nos braços da mãe passa ao lado do caixão. Quem sabe um dia se recordará deste momento histórico. Também para essa criança sorri a imagem de João Paulo II colocada na fachada da Basílica. E repete, como fazem as bandeiras dos peregrinos: “Não tenhais medo. Abri as portas a Cristo”.

Fonte: Zenit - (Chiara Santomiero)

A beatificação mais lotada da história

Mais de um milhão de pessoas - dados das forças de segurança italianas - participaram hoje da beatificação mais lotada da história.

Um grande aplauso se estendeu da Praça de São Pedro, passando pela Via da Conciliação e ruas circundantes, até chegar ao Circus Maximus (onde milhares de pessoas acompanharam a cerimônia por meio de telões), quando Bento XVI leu a fórmula da beatificação.

"Concedemos que o Venerável Servo de Deus João Paulo II, Papa, de agora em diante seja chamado Beato e que se possa celebrar sua festividade nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito, todo ano a 22 de outubro", disse em latim.

O sorriso de Karol Wojtyla foi descoberto nesse momento, em uma grande imagem, imortalizada na cópia de foto de 1995, no centro da fachada da Basílica de São Pedro. As lágrimas dos peregrinos, muitos deles poloneses, não se contiveram.

A religiosa francesa Marie Simon-Pierre, cuja inexplicável cura de Parkinson permitiu concluir o processo de beatificação, acompanhada da freira polonesa que assistiu João Paulo II, a irmã Tobiana, apresentaram a relíquia, um frasco de sangue de Karol Wojtyla.

Em algumas áreas da Praça de São Pedro era possível ver cobertores no chão, com os quais o povo tinha se abrigado durante a noite fria. As forças de segurança decidiram abrir as entradas antes do esperado, às 2h, por razões de segurança.

Na mesma praça estavam os representantes dos grandes do mundo. Eram 62 delegações lideradas por chefes de Estado e de governo, além de famílias reais e outros países que foram oficialmente representados.

A Itália foi representada tanto pelo seu presidente, Giorgio Napolitano, e pelo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi; a Polônia, pelo seu presidente, Bronislaw Komorowski; e a Comissão Europeia, por José Manuel Durão Barroso.

Na praça estava o ministro Yossi Peled, salvo do Holocausto por uma família católica na Bélgica, em representação do Estado de Israel.

Antes da celebração, ele afirmou que "o evento é particularmente significativo. Este homem, nascido em um período no qual se respirava um clima de antissemitismo aprovado publicamente, opôs-se e quis desafiar aqueles que serviam o espírito da raça humana".

O México foi representado pelo presidente Felipe Calderón; e Honduras, pelo seu chefe de Estado, Porfírio Lobo.

As cinco casas reais estavam presentes perto do Papa: Espanha (com o príncipe Felipe e a princesa Letizia), Bélgica, Luxemburgo, Liechtenstein e Reino Unido.

Os Estados Unidos foram representados por um enviado de Barack Obama junto ao Vaticano, o embaixador Miguel Diaz; e Cuba, por Caridad Diego Bello, chefe do Serviço de Atenção aos Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido. A França esteve presente com seu primeiro-ministro, François Fillon.

Os jornalistas que vieram cobrir o evento eram mais de 2.300, bem como 1.300 canais de televisão.

O cansaço e o sol provocaram desmaios entre os peregrinos, mas a organização manteve a ordem, o que permitiu garantir uma verdadeira festa de fé, apesar do número de peregrinos ter superado as expectativas.

"A organização resistiu e tudo correu bem. Esperamos agora que o retorno ocorra sem problemas", disse o delegado para a segurança de Roma Capital, Giorgio Ciardi.

Fonte: Zenit - (Por Jesús Colina)

Vigília: João Paulo II novamente entre os jovens

Quando a vigília de preparação para a beatificação de João Paulo II, no Circo Máximo de Roma, se conectou via satélite com o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, as Missionárias do Santíssimo Sacramento, misturadas entre os peregrinos, agitaram seus lenços para chamar a atenção dos seus conterrâneos.

Elas eram 7 e vinham de Nuevo León. "João Paulo II foi um pai para nós - afirmou a irmã Adela de la Rosa, na noite do sábado. Sempre próximo das pessoas, unido a Cristo, uma testemunha com toda a sua vida."

Sua capacidade de estabelecer contato com as pessoas era impressionante: "Em sua visita ao México, as pessoas o aguardaram na rua durante horas e horas, com a esperança de vê-lo, de poder tocá-lo".

As irmãs tinham previsto ir do Circo Máximo de Roma à Praça de São Pedro e esperar até que, às 5h30, abrissem as entradas para poder participar da beatificação.

O chão estava úmido, pois choveu durante o dia. "E se voltar a chover?", nós lhes perguntamos. "Não tem problema, abriremos os guarda-chuvas", responderam.

Do Leste da Europa

Junto a elas, erguiam bandeiras brancas e vermelhas 19 jovens poloneses que viajaram durante 3 dias para chegar de Gdansk a Roma. Mas eles não sentiam o cansaço. "Mais ainda: para nós - afirmou Magda Batachowska -, é um sonho poder estar aqui por ocasião da beatificação de João Paulo II."

Como polonês, "ele foi especialmente o 'nosso' Papa, um pai para todos e agora um santo a quem podemos nos confiar".

Que palavras ficaram mais gravadas no coração? "Não tenham medo - responde Magda, com segurança. E é assim mesmo, não pode acontecer nada mau a quem crê."

"Nu và temeti!" era o slogan impresso nas camisetas da Ação Católica da Romênia. Saíram de ônibus na quinta-feira passada, de Cluj, e fizeram paradas em Pádua, Assis e em Roma, onde são acolhidos na paróquia de São Barnabé, com sacos de dormir.

"O Papa vinha do Leste da Europa - afirmou Oana Tuduce. Ele sabia compreender a nossa situação, pois ele também a tinha vivido, e isso nos motivava."

"Sua lição fundamental - acrescenta Oana - foi a confiança na verdade, pois a verdade nos torna livres: se houvesse mais valentia em nossos países para enfrentar os erros do passado, a situação atual melhoraria."

Missionário com o sofrimento

Uma longa viagem de ônibus, à noite, também teve de ser enfrentada pelos escoteiros de Misterbianco, na província italiana de Catania.

Giuseppe Scuderi tinha 16 anos quando Wojtyla morreu, mas reconheceu: "Eu o via na televisão e o sentia próximo dos jovens, carinhoso com os pequenos".

Alfredo Murabito acrescenta: "Não se compreendia muito bem quando ele falava, nos últimos momentos da sua vida, mas ele transmitia emoções: ao escutá-lo, eu me sentia melhor".

Esses jovens também programaram uma "noite branca", sem dormir, entre o Circo Máximo e a Praça de São Pedro: "Nós nem sequer trouxemos sacos de dormir - explicam. Seria um peso inútil".

Vidas transformadas em segundos

O irmão Fabian, da Comunidade de São João - que une a vida ativa e a contemplativa -, na Áustria,, lembrou-se de um momento especial ligado a João Paulo II: "Eu tinha 19 anos quando ele visitou Paderborn, no norte da Alemanha, a caminho de Berlim. Ele estava no papamóvel e, ao passar ao meu lado, olhou para mim: foi um momento decisivo para mim".

"Hoje a Igreja nos encoraja a confiar-nos à sua intercessão; e sua beatificação é um selo do que já tínhamos no coração", acrescentou.

Por ocasião da beatificação de Madre Teresa de Calcutá, Constança Andrade, de Lisboa, veio a Roma para se perder na multidão de peregrinos que comemorava os 25 anos de pontificado de João Paulo II.

À noite, foram planejados fogos de artifício: "A Praça de São Pedro estava escura - recordou Constança - e o Papa apareceu na janela. Entoamos o cântico de Nossa Senhora de Fátima, e de repente João Paulo II disse ‘boa noite' em português. É uma lembrança inesquecível".

Santidade próxima

Por que nós o amamos? "Porque ele abriu a Igreja para as pessoas, porque ele é um santo da nossa época", disse Benedetto Coccia, presidente da Ação Católica de Roma.

"João Paulo II trouxe o conceito de santidade aos jovens, fazendo que se desmoronasse o preconceito do afastamento da vida cotidiana, que tínhamos."

Muitos jovens da associação, por ocasião da beatificação, comprometeram-se como voluntários: "É uma forma de serviço - disse Benedetto -, mas também uma forma de agradecer ao Papa, que nos ensinou a ser Igreja".

Alegria neocatecumenal

No Circo Máximo também se encontravam jovens do Caminho Neocatecumental, procedentes de toda a Europa, dançando ao som do tambor bíblico.

Gianfranco Tata, da comunidade neocatecumenal da paróquia de São Jerônimo Emiliani de Roma, é um veterano das Jornadas Mundiais da Juventude, começando com a de Santiago de Compostela, em 1989, passando por Denver, Paris, Roma, Toronto,concluindo com a de Colônia, em 2005, presidida por Bento XVI.

"Eu vi João Paulo II muitas vezes - conta. Acho que ele evangelizou o mundo com seu sofrimento, perturbando a lógica do mundo, que não aceita aqueles que não estão em perfeitas condições."

"Eu o via muitas vezes na televisão, aos domingos - contou Achille Ascione, de Nápoles. Impressionava-me o seu sofrimento, eu sofria com ele. Acredite em mim, eu falo de coração."

Achille não veio ao Circo Máximo como peregrino, mas para vender imagens de João Paulo sorridente enquanto abençoava. É um dos trabalhos que ele improvisa para sustentar-se.

"Presente, presente, o Papa está presente", repetiam em coro os fiéis do Santuário de Guadalupe, contagiando alegria aos 200 mil peregrinos reunidos em Roma. E mais uma vez se ouvia o famoso grito: "Juan Pablo II, te quiere todo el mundo".

Em seu testemunho no palco, acompanhado por mais de 100 países graças à televisão, o cardeal Stanislaw Dziwisz, antigo secretário de Karol Wojtyla, afirmou: "Nesta noite, no Circo Máximo, o Papa João Paulo II está mais presente do que nunca".

Fonte: Zenit.

Uma noite sem dormir

Do alto da Columnata de Bernini, à esquerda da Basílica de São Pedro, onde jornalistas, fotógrafos e canais de televisão focalizam a beatificação de João Paulo II, a praça parece invadida pela Polônia, com um mar de bandeiras brancas e vermelhas.

Inclusive a bandeira em que se lê "Vancouver" na verdade representa poloneses, ainda que sejam imigrantes.

Eles vieram para homenagear “seu” Papa e ontem chegaram em massa, de ônibus, trem, automóvel, avião. Por causa de seu grande número, à noite, as forças de segurança abriram com muita antecedência a entrada da Praça de São Pedro. Em vez das 5h30, como previsto, eles começaram a entrar às 2h da manhã.

Um grupo que incluía algumas religiosas dormia em uma das ruas próximas do Vaticano, a Borgo do Santo Espírito, em sacos de dormir, para poder entrar entre os primeiros e ter um bom lugar na beatificação.

Para eles, Karol Wojtyla é um guia espiritual e um ponto de referência para a história nacional, em um momento de incerteza social e política: “Polônia, quo vadis?" ["aonde vais?"], podia-se ler em um cartaz.

Aos pés do átrio da Basílica de São Pedro se podiam ver hóspedes de honra: enfermos em cadeiras de rodas, acompanhados por voluntários.

Às 3h da manhã, 70 cadeiras de rodas, das quais 9 eram para crianças, encontravam-se “estacionadas” em fila na praça do Santo Ofício, vigiadas por voluntários da União Italiana para o Transporte de Enfermos a Lourdes e Santuários Internacionais (UNITALSI).

“Quanta força João Paulo II infundiu nos enfermos com seu exemplo, suportando o sofrimento sem se render nem escondê-lo”, comentou com ZENIT Bruno Rosi, que trabalha como voluntário há dez anos.

“Estar próximo das crianças deficientes é o mais difícil, mas depois algo desperta dentro de ti e são eles que acabam fazendo que te sintas bem”, acrescentou.

“João Paulo II sempre estará em meu coração – afirma –: é o papa que me fez regressar à Igreja com sua humanidade, com sua capacidade de tomar em seus braços as crianças, de abraçar uma mulher, de brincar com os jovens, de acariciar os enfermos.”

Uma grande bandeira, também branca e vermelha, impõe-se ao fundo da Praça de São Pedro: “Não tenhais medo. Abri de par em par as portas a Cristo”.

Foi a inauguração e a síntese do pontificado de João Paulo II, o conselho que ficou na mente de todos, o alento que consola, também os voluntários, que às 3h da manhã bebiam um café quente para despertar.

Entre os que se preparavam durante a noite para a beatificação não faltavam os representantes das associações e movimentos eclesiais.

Salvatore Martínez, presidente da Renovação no Espírito (movimento carismático) na Itália, confessa que se considera uma "feliz testemunha" de um tempo “que se caracterizou pelo protagonismo do laicato carismático, do qual João Paulo II esperava muito”.

Sua lição fundamental: “não pode existir autêntica promoção humana sem fé autêntica”. “O espírito de João Paulo II, que é o do Concílio – afirma Martínez – tem de viver em nós, geração do terceiro milênio, que terá de se caracterizar pelo protagonismo dos leigos”.

"Wojtyla – afirma Franco Miano, presidente da Ação Católica Italiana – pôs novamente no centro da atualidade dos crentes o tema da santidade, que é uma vida plena em todos os sentidos, antes de tudo através do exemplo de vida, capaz de viver verdadeiramente todas as fases da existência, inclusive as que se caracterizam pelo sofrimento”.

Enquanto isso, ainda durante a noite de sábado para o domingo, a cruz de madeira da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) corria o risco de não conseguir regressar a sua casa, o Centro Internacional de Jovens São Lorenzo, que se encontra junto ao Vaticano.

Os policiais que controlavam os pontos de acesso só permitiam a passagem do responsável australiano, Bernard Morousic, e do grupo de jovens que tinha levado a cruz a uma vigília no centro de Roma. Mas a cruz era barrada.

Meia hora depois a própria polícia escoltou a cruz, que fora presenteada por João Paulo II aos jovens e normalmente fica guardada em Roma.

A alvorada não foi uma surpresa para os peregrinos. Eles estavam confiantes num dia de tempo bom.

Quando Bento XVI chegou ao local de onde presidiria a beatificação, surgiu o primeiro grande aplauso.

Durante a cerimônia, enquanto o cardeal Agostino Vallini, vigário geral de Roma, lia o pedido oficial da beatificação, a multidão voltava a aplaudir. Lembrou o “santo subito” (“santo já”) ecoado na mesma Praça de São Pedro, no dia das exéquias do pontífice, a 8 de abril de 2005.

Vallini recordou as etapas da vida e pontificado do beato. A multidão volta a aplaudir com vigor quando é citado o dia 22 de outubro de 1978, início do ministério petrino de Wojtyla.

“Com Nossa Autoridade Apostólica concedemos que o Venerável Servo de Deus João Paulo II, papa, de agora em diante seja chamado Beato e que se possa celebrar sua festividade nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito, todo ano a 22 de outubro”, disse o Papa em latim.

Mais aplausos, enquanto descerrava o véu que cobria a imagem de Karol Wojtyla, sob o balcão central da Basílica de São Pedro.

Fonte: Zenit.