domingo, 14 de fevereiro de 2016

Francisco, o primeiro Papa recebido no Palácio Nacional do México

O Santo Padre Francisco começou neste sábado o primeiro dia da visita apostólica ao México, indo de papamóvel ao Palácio Nacional da capital, para uma cerimônia de boas-vindas e visita de cortesia ao Presidente Enrique Peña Nieto. Francisco foi o primeiro Pontífice a ser recebido lá.
Ao chegar ao país ontem a noite na chegada ao país já tinha cumprimentado o presidente e a sua esposa que o esperavam no aeroporto, onde milhares de pessoas o receberam calorosamente, realizando um espetáculo com coreografias e folclore. Desde aí o Santo Padre foi à Nunciatura, onde descansou.
Este sábado de manhã o Santo Padre, deixou a embaixada da Santa Sé na capital asteca e percorreu uma distância considerável no veículo descoberto pelas avenidas da Cidade do México, onde milhares de pessoas aguardavam a sua passagem acenando com lenços, bandeiras e cartazes, até que chegou ao Palácio Nacional.
Na entrada do mesmo, o Pontífice latino-americano foi recebido pelo presidente e a primeira-dama, que o acompanharam até o Pátio de Honra. Depois dos hinos do México e do Vaticano, houve a apresentação das duas delegações, em uma cerimônia muito formal.
Em seguida o Papa dirigiu-se, com o presidente Peña Nieto ao departamento presidencial para o encontro privado, que termina com a apresentação dos familiares e das delegações. Ao mesmo tempo realizou-se um encontro bilateral entre alguns membros da delegação da Santa Sé com autoridades do Governo.
Fonte: Zenit.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

As novidades do processo de nulidade de casamento e os tempos atuais

As inovações no processo de nulidade de matrimônio constituem corolário de uma releitura da família cristã. Não que o supremo legislador, isto é, o papa, aquiesça com as variegadas ideologias de distintos matizes, mas está-se cada vez mais cônscio das mutações que sofre a família tradicional. Com efeito, o núcleo familiar se encontra bombardeado e dilacerado pela sociedade contemporânea, pós-moderna. A mera existência de tantos tribunais eclesiásticos Brasil fora e no mundo inteiro denota certa falência da instituição do casamento. Sabe-se que as causas que tramitam nas cortes canônicas são grandemente matrimoniais: obra de 99% dos processos!
A Igreja, no entanto, fiel ao seu divino fundador, não se afadiga de inculcar a indissolubilidade do vínculo nupcial. As alterações processuais que entraram em vigor em dezembro de 2015 não representam atentado contra a indissolubilidade; quer-se, tão somente, facilitar o procedimento de declaração de nulidade, vez que, na maioria das situações, realmente não existiu o casamento, tratando-se de um ato nulo ou írrito.
Não desejo aqui arrostar a imensa problemática que afeta a “nova família”. Sem embargo, é deveras estranho pensar que não faz bastantes anos – antes de 1977- que o próprio Estado brasileiro tutelava a indissolubilidade do vínculo matrimonial, coibindo o divórcio! Quanta coisa se transformou em tão pouco tempo! Os cristãos soem denunciar a nefasta inversão de valores, ou seja, o mal parece haver tomado o lugar do bem.
Haverá um remédio para obviar tão inquietante estado de coisas? A Igreja deve se fazer esta pergunta, porquanto é missão dela comunicar o evangelho de nosso Senhor e, desta feita, zelar pelo sacramento do matrimônio. Um dos recursos à mão é decerto o ensinamento constante, vale dizer, o ininterrupto discurso em prol da família tradicional. Apenas a Igreja católica age desta maneira. Nenhuma outra entidade social, civil ou religiosa, abroquela a indissolubilidade do himeneu. É vero que boa parte de nossos irmãos separados, os protestantes, de fogo e sangue escudam a família tradicional, nada obstante, admitem o divórcio. Por não tolerar o divórcio, a Igreja católica é odiada; desamam a barca de Pedro sobreposse os detratores da família.
Como perscrutar as raízes profundas que explanam um tal câmbio súbito de comportamento: até 1977, brasileiros éramos todos católicos, respeitávamos as instâncias religiosas e cívicas; agora, empós apenas quatro decênios, não mais se valorizam nenhumas instituições, nem religiosas nem cívicas? O que aconteceu? Conforme escrevi linhas acima, não pretendo engendrar uma análise percuciente a propósito destas vicissitudes históricas, mesmo porque careço de competência profissional para tanto. Todavia, quero confidenciar uma intuição.
Os católicos tradicionalistas usam increpar de infidelidade o Concílio Vaticano II. Estão rotundamente enganados! Quem lê os dezesseis documentos conciliares não tem dúvida de que se salvaguardou a sã doutrina católica. Quiçá determinado “espírito do Concílio” haja provocado imbróglio. Porém, os tentames dos padres conciliares não hão de ser menoscabados, já que aqueles graves varões anelavam por um concílio de fibra pastoral, que dialogasse com o mundo hodierno. Demais, a Igreja nunca cessou de blasonar sermões inconcussos em favor da família tradicional.
No Brasil, os anos 70 transcorreram sob os auspícios de governos militares. De fato, o advento da democracia na década de 80 constituiu a realização de um sonho patriótico. A todas as luzes, a democracia é melhor do que a ditadura. Lembro-me, entretanto, que um famoso futebolista chegou a dizer que “os brasileiros não estavam preparados para a democracia.” Criticaram-no sobremaneira por essa frase.
Com a democracia, que é um bem, sobreveio a ditadura do relativismo, que é um mal. O que é a verdade? Sabiam-no perfeitamente os conterrâneos que, como eu, eram crianças ou jovens nos anos 60 e 70. Na escola industriavam-se os princípios objetivos da verdade, através de disciplinas como Educação Moral e Cívica, por exemplo. Os valores cristãos serviam de paradigma na ditadura, a qual, aliás, foi deflagrada, a instâncias inclusive da Igreja, para combater o comunismo ateu. Moral da história: até pouquíssimo tempo atrás, havia uma única verdade, que injetava vigor nos cidadãos; hoje em dia, há várias verdades, ao sabor de cada ideologia, sendo o catolicismo somente uma dessas verdades. Numa farragem de verdades a todo gosto, a instituição familiar vê-se contaminada, a p onto de quase soçobrar. Daí os casamentos nulos ou inexistentes, contraídos por nubentes inoculados pelo vírus do relativismo, que, de lés a lés, atinge a todos nós.
Fonte: Zenit.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

“Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e os que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha”, disse Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Em sua grande misericórdia, Deus não se cansa de nos oferecer sua bênção e sua graça e de nos chamar à conversão e ao crescimento na fé. No Brasil, desde 1963, se realiza durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade. Ela propõe cada ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida. Em 2016, a Campanha da Fraternidade trata do saneamento básico. Ela tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. Seu lema bíblico é tomado do Profeta Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca”. (Am 5, 24).
É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Mas, desta vez, ela cruza fronteiras: é feita em conjunto com a Misereor, iniciativa dos católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma desde 1958. O objetivo principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.
Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem. São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental.
Na encíclica Laudato Si´, recordei que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos” (n.30) e que a grave dívida social para com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres (cf. ibid.) E, numa perspectiva de ecologia integral, procurarei evidenciar o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social, alertando que “a deterioração do meio ambiente e da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta” (n. 48).
Aprofundemos a cultura ecológica. Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados. Ela “deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático” (Laudato Si´, n. 111). Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade. Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma, motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos “a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor” e descobrimos que Jesus quer “que toquemos a carne sofredora dos outros” (Evangelii Gaudium, n. 270), dedicando-nos ao “cuidado generoso e cheio de ternura” (Laudato Si´, n. 220) de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.
Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e os que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus: “ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e paz (Laudato Si´, n. 246). Aproveito a ocasião para enviar a todos minhas cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e pedindo que, por favor, não deixem de rezar por mim.
Papa Francisco - Fonte: Zenit.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

I domingo da quaresma

Textos: Dt 26, 4-10; Rm 10, 8-13; Lc 4, 1-13

A Quaresma do ano 2016 está demarcada no ano da misericórdia. Sabemos bem que Deus é misericórdia e demonstrou ao longo dos séculos. Mas também sabemos que a misericórdia pressupõe que nós nos reconheçamos pecadores, aproximemo-nos de Deus, peçamos-lhe perdão sinceramente e nos proponhamos à emenda de vida. Deus concede misericórdia generosamente e sem limites para quem está arrependido. Dependo de nós abrir o nosso coração a essa misericórdia de Deus mediante o coração contrito e humilhado, disposto para começar de novo e voltar ao caminho reto, deixando a vida e os caminhos de pecado.
Algumas observações para entender a Quaresma guiados pelo evangelho de São Lucas neste ciclo C:
As primeiras leituras nos apresentam os grandes momentos e acontecimentos da história da salvação, segundo o plano histórico de Deus, desde o principio até a chegada de Jesus.
As segundas leituras de São Paulo sempre dão esse tom moral, aplicando a mensagem da primeira leitura à vida de cada um de nós.
Os evangelhos têm uma linha clássica: as tentações de Jesus, a transfiguração no monte (comum aos outros evangelhos no ciclo A e B). Os outros domingos têm um tom de conversão para demonstrar a grande misericórdia de Deus.
Comentário para este primeiro domingo da Quaresma:
Ideia principal: O deserto da Quaresma nos convida a centrar a nossa vida no essencial: na fé que devemos professar com a boca e com a vida (1 e 2 leituras). Fe que será provada pelo inimigo das nossas almas, o Demônio, que nos tentará nos três pontos mais fracos que todos carregamos como herança do pecado original: ter, poder e glória (evangelho).
Síntese da mensagem: Ajudados pelos recursos pedagógicos da Quaresma- ambientação mais austera, cantos apropriados, o silêncio do aleluia e do Glória- e sobretudo pelas orações e leituras bíblicas, dispomo-nos para empreender, na companhia de Jesus, a sua “subida à Cruz”, para viver uma vez mais a Páscoa, a passagem a uma vida nova. Cristo quer nos comunicar um ano mais a sua vida nova com a oração e o sacrifício para sermos fortes diante das tentações diárias de Satanás no deserto da nossa vida, renovando a nossa fé no Senhor. Não podemos negociar com o maligno. Viver de outro jeito, ou seja, “de batismo, sou cristão e, de profissão, sou pagão” é uma incoerência e tentaríamos a Deus.
Pontos da ideia principal:
Em primeiro lugar, vamos ao deserto. O deserto reduz o homem ao essencial, despojando-o do supérfluo, a ficar só com as coisas fundamentais: água, comida, caminho apertado, roupa apropriada para se proteger do sol e do frio. E sobretudo com a fé. Fe nua dos seus apetites e desejos, da que fala o nosso místico “abulense”, São João da Cruz nas suas obras Noite Escura da Alma, o Cântico Espiritual e a Chama de amor Viva. A Quaresma que acaba de ser aberta com Cristo no deserto quer nos levar à substancia e ao miolo da existência cristã: a fé no nosso Deus por cima de tudo. Aqui no deserto da Quaresma, do mesmo modo que Moisés pedia ao povo “a profissão histórica de fé” ao oferecer as primícias diante do altar do Senhor (1 leitura), também a nós pede renovar a nossa fé. A profissão de fé não é uma lista de “verdades para crer” ou de “quefazeres para cumprir”, mas uma “história para recordar e pela qual dar graças”. Para o povo de Israel era o recordar das grandes maravilhas que Deus fez com ele para tirá-lo da escravidão do Egito; para nós, voltar a experimentar nesta Páscoa a autêntica liberdade trazida pela morte e ressurreição de Cristo, que nos desatou da escravidão do pecado e da morte eterna e nos fez partícipes da vida nova; vida de santidade e de graça, vida de liberdade e de plenitude. Não podemos ter saudades das “cebolas do Egito sedutor”, mas voltar a agradecer a liberdade dos filhos de Deus concedida no batismo.
Em segundo lugar, durante o deserto da nossa vida devemos recordar as façanhas misericordiosas de Deus para renovar a nossa fé nesse Deus fiel. Fazer isto não é somente exercício de pensamento, mas uma viagem ao interior da trama às vezes escura e frágil da nossa própria história. Luzes e sombras. Santidade e pecado. Tempestade e bonança. Segurança e desconcerto. Dúvidas e certezas. Assim tem sido a nossa vida e a vida da humanidade. Essa fé em Deus misericordioso se alimenta na oração contemplativa, sim, mas depois tem que se derramar como perfume de caridade no nosso dia-a-dia: na nossa casa e na família, no trabalho e nas amizades, na rua e nas férias, pois “a fé sem obras é uma fé morta” (Tiago 2,14). Portanto, na Quaresma, Deus também nos convida a revisar as nossas obras de caridade e de misericórdia, como nos recordou o Papa Francisco ao nos pedir trabalhar em cada mês do ano da misericórdia numa dessas obras de misericórdia, que têm o seu fundamento bíblico em (Isaias 58,6-7 e Hebreus 13,3): Dar de comer ao faminto, dar de beber ao sedento, dar hospedagem ao necessitado, vestir o nu, visitar o enfermo, socorrer os presos e enterrar os mortos (materiais). Ensinar o que não sabe, dar bom conselho ao que necessita, corrigir o que está no erro, perdoar as injúrias, consolar o que está triste, sofrer com paciência os defeitos alheios e pedir a Deus pelos vivos e pelos mortos (espirituais). Se Deus foi e é misericordioso com o seu povo (1 leitura) e conosco em Cristo Jesus (2 leitura), nós também temos que sê-lo com os nossos irmãos.
Finalmente, a narração das tentações de Jesus é para nós uma urgência e um aviso: durante o deserto da nossa vida a nossa fé será tentada. Cristo aqui, vencendo o maligno que quis distorcer a sua missão messiânica para convertê-la em missão temporal e triunfalista, chega para ser para nós o emblema luminoso da fé bíblica, isto é, da adesão plena e total a Deus e ao seu plano traçado no cosmos e na história: o plano da salvação através da pobreza, do desprendimento, do sofrimento e da cruz. Também nós seremos tentados por esses três lados fracos: ter, poder e glória. Então, o que fazer? Cristo nos ensina a vencer as tentações. Rejeitando as tentações do inimigo, ensinou-nos a sufocar a força do pecado. E os meios que usou foram: a oração com a Palavra de Deus que é espada de dois gumes (cf. Hb 4,12); sem oração, um homem é como um soldado sem água, comida e munição. Oração com a Bíblia entre as mãos. O jejum, para fortalecer o espírito e ter na linha e educar o nosso corpo que sempre tem as suas teimosias de sensualidade, materialismo e ambição. O jejum é um treinamento no conhecimento próprio; é uma arma chave para o autodomínio. Se não temos domínio sobre nossas próprias paixões, especialmente sobre a comida e o sexo, não podemos nos possuir a nós mesmos e colocar o interesse dos demais antes do que o nosso. Não esqueçamos a vigilância para estar alerta e nos dar conta por qual caminho da nossa vida quererá nos assaltar o inimigo de Deus e da nossa alma. O desprendimento das coisas nos fará muito bem para encher-nos de Deus; infelizmente, quanto mais vazio está o coração da pessoa, mais precisa de objetos para comprar, possuir e consumir. A humildade será arma eficaz contra o nosso orgulho; a proteção maior contra o egoísmo e autossuficiência é buscar a Deus humildemente na oração. Empunhemos também a arma do santo Rosário, que tanto odeia e teme o demônio, pois contemplar os mistérios de Cristo al lado de Maria deixa o demônio com uma raiva sem nome e se afastará de nós imediatamente. Santo Tomás diz: “Não agiu o Senhor na tentação usando do seu poder divino- de que nos teria aproveitado então o seu exemplo?- mas que, como homem, serviu-se dos auxílios que tem em comum conosco” (Comentário ao evangelho de São Lucas).
Para refletir: Como quero viver neste ano esta Quaresma? Quais tentações experimento durante o caminho pelo deserto da vida: sensualidade e luxuria, ambição e avareza, vaidade e soberba, preguiça e relaxamento? Quais são as armas que levo comigo para ganhar a batalha do inimigo: oração, jejum, sacrifícios, vigilância, o santo rosário, a cruz de Cristo?
Para rezar: Neste ano da misericórdia vos peço, Senhor Jesus, que não abuse mais do vosso amor e ternura. Dai-me força para vencer o inimigo que quer ganhar a minha alma. Que ao vosso exemplo, não dialogue com o tentador, mas que o assalte com a vossa Palavra que é ao mesmo tempo, dardo e escudo, capacete e armadura. Senhor, que ore para não cair na tentação.
Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Casa comum: nossa responsabilidade

Na quarta-feira de cinzas as igrejas cristãs articuladas de forma ecumênica lançam a Campanha da Fraternidade de 2016. O enfoque é o saneamento básico, com o intuito de garantir a integridade e o futuro de nossa Casa Comum que é o Planeta Terra. É claro que o saneamento básico por si só não irá garantir o futuro da vida, mas “é condição para se obter resultados satisfatórios na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e pela sustentabilidade ambiental” (Texto-Base da CF, n. 21). O saneamento básico deve vir acompanhado de várias outras ações, tais como evitar o consumismo e o desperdício de alimentos e preservar a biodiversidade.
A frase motivadora da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 é tirada do Livro de Amós (5,25): “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. “Nem sempre estamos atentos para atitudes simples, por exemplo, o descarte correto do lixo, ligar nossas casas às redes de esgoto, cuidar da água, entre outras. A falta desses cuidados fere a Criação, de forma que, no lugar de flores, jardins e frutos diversos vemos esgoto a céu aberto, rios poluídos e monoculturas. A diversidade e a beleza da Criação desaparecem, e a terra que era alegre fica triste” (28).
Assim como nossas casas particulares ficam mais bonitas quando todos os seus moradores tomam alguns cuidados básicos, tais como não entrar com os pés sujos na casa, largar o lixo no seu devido lugar, não arrastar os móveis pelo chão e deixar tudo no seu devido lugar, também a grande Casa Comum de todos nós, que é a Terra, fica mais bonita quando todos se sentem responsáveis por ela. De acordo com o Texto-Base da Campanha da Fraternidade, “temos a responsabilidade, enquanto cidadãos e cidadãs, de cuidarmos do espaço onde moramos, de não jogar lixo na rua, de zelar pelos bens e espaços coletivos” (n. 168).
Para viabilizar a Campanha da Fraternidade, propomos que as lideranças das igrejas promovam reuniões em conjunto, definindo ações em nível de município e região. Estas ações devem ser articuladas com o poder público e com outras entidades envolvidas com as questões ambientais. É também importante que as igrejas aproveitem este tempo para firmarem laços de fraternidade entre si, uma vez que “unidos seremos mais eficientes, mais ouvidos, dando um testemunho mais forte e cuidando melhor do mundo e da família global que Deus nos ofereceu” (n. 193). Como pessoas de fé, “entreguemos a Deus o serviço que queremos prestar, para que Deus sempre nos inspire a caminhar a seu lado na preservação do bonito e saudável ambiente que nos ofereceu na criação” (n. 196). Façamos isso através dos grupos de família e das diversas celebrações que são próprias deste tempo.
Que Deus abençoe nossa caminhada ecumênica rumo à Páscoa e a um mundo mais alegre e bonito!
CNBB 04-01-2016.
*Dom Canísio Klaus: Bispo de Santa Cruz do Sul (RS).

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Quarta-feira de Cinzas

Ciclo C
Textos: Joel 2, 12-18; Sal 50, 3-6.12-14-17; 2 Co 5, 20-6,2; Mt 6, 1-6.16-18

Ideia principalConversão para avançar no caminho da santidade que nos conduz ao Cristo Pascal.
Síntese da mensagem: a cinza que agora será colocada sobre nós tem que nos lembrar que somos pouca coisa, que não podemos nos sentir orgulhosos, nem ter ódios, nem egoísmos… e desta maneira alcançarmos “mediante as práticas quaresmais, o perdão dos pecados; e alcançarmos, à imagem do vosso Filho ressuscitado, a vida nova do vosso Reino”.
Pontos da ideia principal:
Em primeiro lugar, um pouco de história. Nos séculos VIII e IX a imposição da cinza se uma, no contexto litúrgico, à penitência pública. Naquele dia mandavam os “penitentes” saírem da igreja. E este geste repetia, de alguma forma, aquele outro de Deus expulsando Adão e Eva, pecadores, do paraíso… Nesta perspectiva se colocam as palavras do Gênese que se referem precisamente à este episódio: “Com o suor da tua frente comerás o pão até voltares à terra, porque dela te tiraram; pois és pó e ao pó voltarás… E o Senhor Deus o expulsou do jardim do Éden, para lavrar o chão de onde o tinha tirado” (Gn 2,19s). Só mais tarde a imposição da cinza tomou um simbolismo distinto: o da fragilidade e brevidade da vida. A lembrança da morte. A referência à tumba. Parece-me, porém, que é válido, sobretudo, o significado primitivo, que expressa penitencia, expiação pelo pecado. “O homem-pó” quer dizer o homem que se afastou de Deus, que recusou o diálogo, que foi expulso da sua casa, que rejeitou o dinamismo do amor para caminhar seguindo uma trajetória de desilusão e de morte. “O homem-pó” é o homem que se opõe a Deus, que dá as costas ao seu próprio ser e se condena à nada. Mas neste dramático itinerário de afastamento e visitação, existe a possibilidade do retorno. Retorno à origem. Em vez de se precipitar à tumba, é possível mudar de direção- eis aqui a conversão! – e voltar à fonte. “Lembra que és pó e como pó voltarás… a Deus”. Se quiseres. Agora mesmo, neste exato momento.     
Em segundo lugar, e o que Deus espera de nós? Conversão, mudança de vida, voltar a começar! Torno-me terra e me confio ao Construtor para me refazer totalmente. Errei. Perdi o caminho da vida. Perdi o reino. Comprometi inclusive os outros no meu pecado (todo pecado é um pecado “público” com consequências desastrosas para toda a comunidade eclesial). É justo que eu fique na porta. Mas, ao rodear a esquina, volto à condição de… pó. Ou seja, de matéria prima. E Ele se inclinará ainda sobre este pó para dar-lhe um hálito de vida. Assim o meu “nada” é tocado pela plenitude divina. Da cinza pula uma faísca de vida. E agora a camada sutil de pó já não pode ocultar o esplendor do rosto de um filho de Deus. Tudo, pois, começa de novo. Pode ser “novo” se aceitar não o… fim, mas o princípio. Não o montinho de cinza da tumba. Mas o punhado de terra nas mãos do Artífice. O pouco de terra disposta para receber o “hálito”. E se converter assim, de novo, num “vivente”. A consulta, pois, com a cinza é fundamentalmente a consulta com a Vida. A cinza me recorda o berço, não a tumba!
Finalmente, os meios que Deus põe nas nossas mãos nesta Quaresma para levar a termo a nossa conversão são os que Jesus nos recomenda no evangelho de hoje: oração, esmola ou caridade e jejum. Oração: Intensificar os nossos espaços de oração. Mas sobretudo orar melhor. Jejum: Jejuar das muitas coisas que diminuem a nossa vida cristã. Esmola:chamamos também “caridade”: amor. O amor ao irmão, sobretudo ao necessitado, em quem Cristo se faz mais presente, passa pelo socorro material suficiente e digno, não mesquinho. Tudo isso se converte então num grande empurrão para avançar, para caminhar. Jesus, no evangelho, nos falou deste caminho. Disse para nós que temos que dar do nosso aos que necessitam: disse para nós que temos que orar, que temos que nos aproximar de Deus com todo o nosso ser; disse que temos que jejuar, que temos que renunciar tantas coisas (comida, televisão, diversão, ou que for) para nos dedicar com mais tenacidade ao Evangelho. E nos disse que temos que fazer tudo isso não para sermos vistos, para que nos parabenizem, mas pela fé, por amor, por desejo de fidelidade. Neste tempo de Quaresma temos que viver intensamente este empurrão para avançar. Cada um de nós temos que nos propor a fazer desta Quaresma um verdadeira passo adiante na vida cristã. Reconhecendo o próprio pecado, pondo toda a confiança em Deus, esforçando-nos de verdade no seguimento de Jesus Cristo. Para chegar cheios de gozo à Páscoa.
Para refletir: o chamado continua sendo o mesmo: das de verdade esmola, sim ou não? E isto quer dizer: compartilhas com os outros e vais compartilhar ainda mais durante esta quaresma? Rezas ou não rezas, e estás disposto a rezar mais durante esta quaresma? Aceitarás uma vida mais ascética para sair da comodidade… e também para poder compartilhar um pouco mais? Não existe nada que nos impeça de escolher outros esforços, outros progressos; não faltam sugestões para isso no evangelho. O que deve nos animar e até mesmo nos entusiasmar é que um quaresma vivida assim, em sério, pode marcar profundamente a nossa vida.
Para rezar: Rezemos com o salmo 50, 9-11:
Escondei o vosso rosto dos meus pecados, e apagai todas as minhas iniquidades. Criai em mim, ó Deus, um coração que seja puro, e renovai dentro de mim um espírito decidido. Não me rejeiteis da vossa presença, e não tirardes de mim o vosso santo Espírito. 
Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

“Sabemos confiar na palavra do Senhor?”, perguntou o Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo narra – na redação de São Lucas – o chamado dos primeiros discípulos de Jesus (Lc 5,1-11). O fato ocorre em um contexto da vida cotidiana: alguns pescadores estão na beira do lago da Galiléia e, depois de uma noite de trabalho sem pescar nada, estão trabalhando e lavando as redes. Jesus sobre nas barcas de um deles, a de Simão, chamado Pedro, e pede-lhe para distanciar-se um pouco da margem e começa a pregar a Palavra de Deus às pessoas que se reuniram numerosos. Quando terminou de falar, ele lhes diz para remar mar adentro e jogar as redes. Simão já tinha conhecido a Jesus e experimentado o poder milagroso de sua palavra, por isso lhe respondeu: “Mestre, trabalhamos toda a noite e não pegamos nada; mas em tua palavra lançarei as redes” (v. 5). E a sua fé não foi decepcionada: de fato, as redes se encheram com uma tal quantidade de peixes que estavam rasgando (cf. v. 6).
Em face deste acontecimento extraordinário, os pescadores ficaram cheios de espanto. Simão Pedro caiu aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afaste-se de mim, porque sou um pecador” (v. 8). Aquele sinal prodigioso convenceu-o de que Jesus não é só um ótimo mestre, cuja palavra é verdadeira e poderosa, mas que Ele é o Senhor, é a manifestação de Deus. E tal presença desperta em Pedro um forte senso da sua própria mesquinhez e indignidade. De um ponto de vista humano acha que deve haver distância entre o pecador e o Santo. Na verdade, precisamente a sua condição de pecador requer que o Senhor não se distancie dele, da mesma forma que um médico não pode distanciar-se de quem está enfermo.
A resposta de Jesus à Simão Pedro é reconfortante e firme: “Não temas; de agora em diante serás pescador de homens” (v. 10). E mais uma vez o pescador da Galileia, colocando a sua confiança nesta palavra, deixa tudo e segue aquele que tornou-se o seu Mestre e Senhor. E assim fizeram também Tiago e João, companheiros de trabalho de Simão. Esta é a lógica que guia a missão de Jesus e a missão da Igreja: ir em busca, “pescar” os homens e as mulheres, não para fazer proselitismo, mas para restituir a todos a plena dignidade e liberdade, através o perdão dos pecados. Esta é a essência do cristianismo: espalhar o amor regenerador e gratuito de Deus, com atitude de acolhida e de misericórdia para com todos, para que cada um possa encontrar a ternura de Deus e ter plenitude de vida. E aqui, de forma particular, penso nos confessores: são os primeiros que tem o dever de dar a misericórdia do Pai seguindo o exemplo de Jesus, como fizeram também os dois Frades, pe. Leopoldo e pe. Pio.
O Evangelho de hoje nos desafia: sabemos confiar realmente na palavra do Senhor? Ou nos deixamos desencorajar pelos nossos fracassos? Neste Ano Santo da Misericórdia somos chamados a confortar todos aqueles que sentem pecadores e indignos diante do Senhor e abatidos por seus próprios erros, dizendo-lhes as mesmas palavras de Jesus: “Não temas”. “A misericórdia do Pai é maior que os seus pecados! É maior, não temas!”. Que a Virgem Maria nos ajude a compreender sempre mais que ser discípulos significa colocar os nossos pés nas pegadas deixadas pelo Mestre: são as pegadas da graça divina que regenera vida para todos.
APELO
Com profunda preocupação acompanho a dramática sorte dos povos civis envolvidos nos violentos combates na amada Síria e obrigados a abandonar tudo para fugir dos horrores da guerra. Desejo que, com generosa solidariedade, se dê a ajuda necessária para assegurar-lhes sobrevivência e dignidade, enquanto faço um apelo à Comunidade Internacional para que não economize esforços para levar com urgência à mesa de negociações as partes em causa. Só uma solução política do conflito será capaz de garantir um futuro de reconciliação e de paz àquele querido e martirizado país, pelo qual vos convido a rezar muito; e também agora todos juntos rezemos à Nossa Senhora pela amada Siria: Ave, Maria…
Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, na Itália, celebramos o Dia pela Vida, com o tema “A misericórdia faz florescer a vida”. Uno-me aos bispos italianos para pedir, de parte dos vários sujeitos institucionais, educacionais e sociais, um renovado compromisso a favor da vida humana desde a concepção até o seu fim natural. A nossa sociedade deve ser ajudada a curar de todos os atentados contra a vida, desafiando uma mudança interior, que se mostra também através de obras de misericórdia. Saúdo e encorajo os docentes universitários de Roma e todos os comprometidos a testemunhar a cultura da vida.
Amanhã se celebra a Jornada de Oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que oferece a todos a oportunidade de ajudar os novos escravos de hoje a quebras as pesadas cadeias da exploração para recuperar a sua liberdade e dignidade. Penso de modo particular nas tantas mulheres e homens, e tantas crianças! Devemos fazer todo esforço para acabar com este crime e essa vergonha insuportável.
E amanhã, no Extremo Oriente e em várias partes do mundo, milhões de homens e mulheres celebram o Ano Novo Lunar. Desejo a todos que possam experimentar serenidade e paz no seio das suas famílias, que constituem o primeiro lugar em que se vivem e se transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha, da atenção e do cuidado com o outro. Que o novo ano possa trazer frutos de compaixão, misericórdia e solidariedade. E estes irmãos e irmãs do Oriente Médio, que amanhã comemoram o ano novo lunar, cumprimentamos com um aplausos daqui!
Saúdo todos os peregrinos, grupos paroquiais e associações provenientes da Itália, Espanha, Portugal, Equador, Eslováquia e outros países. São muitos para elencar aqui! Cito só os crismandos, os das dioceses de Treviso, Pádua, Cuneo, Lodi, Como e Crotone. Estão todos aqui, vejo-os! E saúdo a comunidade sacerdotal do colégio Mexicano de Roma, com outros mexicanos: obrigado pelo vosso compromisso em acompanhar com a oração a viagem apostólica ao México que realizarei dentro de poucos dias, e também o encontro que terei na Havana com o meu caro irmão Kirill.
Desejo a todos um bom domingo. Por favor, não se esqueçam de orar por mim. Bom almoço e até mais!
(Tradução ZENIT)