segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

“Sabemos confiar na palavra do Senhor?”, perguntou o Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo narra – na redação de São Lucas – o chamado dos primeiros discípulos de Jesus (Lc 5,1-11). O fato ocorre em um contexto da vida cotidiana: alguns pescadores estão na beira do lago da Galiléia e, depois de uma noite de trabalho sem pescar nada, estão trabalhando e lavando as redes. Jesus sobre nas barcas de um deles, a de Simão, chamado Pedro, e pede-lhe para distanciar-se um pouco da margem e começa a pregar a Palavra de Deus às pessoas que se reuniram numerosos. Quando terminou de falar, ele lhes diz para remar mar adentro e jogar as redes. Simão já tinha conhecido a Jesus e experimentado o poder milagroso de sua palavra, por isso lhe respondeu: “Mestre, trabalhamos toda a noite e não pegamos nada; mas em tua palavra lançarei as redes” (v. 5). E a sua fé não foi decepcionada: de fato, as redes se encheram com uma tal quantidade de peixes que estavam rasgando (cf. v. 6).
Em face deste acontecimento extraordinário, os pescadores ficaram cheios de espanto. Simão Pedro caiu aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afaste-se de mim, porque sou um pecador” (v. 8). Aquele sinal prodigioso convenceu-o de que Jesus não é só um ótimo mestre, cuja palavra é verdadeira e poderosa, mas que Ele é o Senhor, é a manifestação de Deus. E tal presença desperta em Pedro um forte senso da sua própria mesquinhez e indignidade. De um ponto de vista humano acha que deve haver distância entre o pecador e o Santo. Na verdade, precisamente a sua condição de pecador requer que o Senhor não se distancie dele, da mesma forma que um médico não pode distanciar-se de quem está enfermo.
A resposta de Jesus à Simão Pedro é reconfortante e firme: “Não temas; de agora em diante serás pescador de homens” (v. 10). E mais uma vez o pescador da Galileia, colocando a sua confiança nesta palavra, deixa tudo e segue aquele que tornou-se o seu Mestre e Senhor. E assim fizeram também Tiago e João, companheiros de trabalho de Simão. Esta é a lógica que guia a missão de Jesus e a missão da Igreja: ir em busca, “pescar” os homens e as mulheres, não para fazer proselitismo, mas para restituir a todos a plena dignidade e liberdade, através o perdão dos pecados. Esta é a essência do cristianismo: espalhar o amor regenerador e gratuito de Deus, com atitude de acolhida e de misericórdia para com todos, para que cada um possa encontrar a ternura de Deus e ter plenitude de vida. E aqui, de forma particular, penso nos confessores: são os primeiros que tem o dever de dar a misericórdia do Pai seguindo o exemplo de Jesus, como fizeram também os dois Frades, pe. Leopoldo e pe. Pio.
O Evangelho de hoje nos desafia: sabemos confiar realmente na palavra do Senhor? Ou nos deixamos desencorajar pelos nossos fracassos? Neste Ano Santo da Misericórdia somos chamados a confortar todos aqueles que sentem pecadores e indignos diante do Senhor e abatidos por seus próprios erros, dizendo-lhes as mesmas palavras de Jesus: “Não temas”. “A misericórdia do Pai é maior que os seus pecados! É maior, não temas!”. Que a Virgem Maria nos ajude a compreender sempre mais que ser discípulos significa colocar os nossos pés nas pegadas deixadas pelo Mestre: são as pegadas da graça divina que regenera vida para todos.
APELO
Com profunda preocupação acompanho a dramática sorte dos povos civis envolvidos nos violentos combates na amada Síria e obrigados a abandonar tudo para fugir dos horrores da guerra. Desejo que, com generosa solidariedade, se dê a ajuda necessária para assegurar-lhes sobrevivência e dignidade, enquanto faço um apelo à Comunidade Internacional para que não economize esforços para levar com urgência à mesa de negociações as partes em causa. Só uma solução política do conflito será capaz de garantir um futuro de reconciliação e de paz àquele querido e martirizado país, pelo qual vos convido a rezar muito; e também agora todos juntos rezemos à Nossa Senhora pela amada Siria: Ave, Maria…
Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, na Itália, celebramos o Dia pela Vida, com o tema “A misericórdia faz florescer a vida”. Uno-me aos bispos italianos para pedir, de parte dos vários sujeitos institucionais, educacionais e sociais, um renovado compromisso a favor da vida humana desde a concepção até o seu fim natural. A nossa sociedade deve ser ajudada a curar de todos os atentados contra a vida, desafiando uma mudança interior, que se mostra também através de obras de misericórdia. Saúdo e encorajo os docentes universitários de Roma e todos os comprometidos a testemunhar a cultura da vida.
Amanhã se celebra a Jornada de Oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que oferece a todos a oportunidade de ajudar os novos escravos de hoje a quebras as pesadas cadeias da exploração para recuperar a sua liberdade e dignidade. Penso de modo particular nas tantas mulheres e homens, e tantas crianças! Devemos fazer todo esforço para acabar com este crime e essa vergonha insuportável.
E amanhã, no Extremo Oriente e em várias partes do mundo, milhões de homens e mulheres celebram o Ano Novo Lunar. Desejo a todos que possam experimentar serenidade e paz no seio das suas famílias, que constituem o primeiro lugar em que se vivem e se transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha, da atenção e do cuidado com o outro. Que o novo ano possa trazer frutos de compaixão, misericórdia e solidariedade. E estes irmãos e irmãs do Oriente Médio, que amanhã comemoram o ano novo lunar, cumprimentamos com um aplausos daqui!
Saúdo todos os peregrinos, grupos paroquiais e associações provenientes da Itália, Espanha, Portugal, Equador, Eslováquia e outros países. São muitos para elencar aqui! Cito só os crismandos, os das dioceses de Treviso, Pádua, Cuneo, Lodi, Como e Crotone. Estão todos aqui, vejo-os! E saúdo a comunidade sacerdotal do colégio Mexicano de Roma, com outros mexicanos: obrigado pelo vosso compromisso em acompanhar com a oração a viagem apostólica ao México que realizarei dentro de poucos dias, e também o encontro que terei na Havana com o meu caro irmão Kirill.
Desejo a todos um bom domingo. Por favor, não se esqueçam de orar por mim. Bom almoço e até mais!
(Tradução ZENIT)

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