segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Na solenidade de Cristo Rei, Francisco canoniza 6 beatos

No dia da Solenidade de Cristo Rei, o Santo Padre Francisco celebrou a Santa Missa na esplanada da Basílica de São Pedro, e deu o título de santos a quatro beatos italianos e dois da Índia.
 
Ante uma praça de São Pedro repleta de fiéis e peregrinos, ante as pinturas na fachada da basílica dos seis religiosos, o Santo padre lhes proclamo santos. Em seguida as relíquias dos seis foram colocadas ao lado do altar da celebração e incensadas.
Os novos santos são:

- Giovanni Antonio Farina, (1803-1888), bispo de Vicenza, fundador das Irmãs Mestras de Santa Doroteia Filhas dos Sagrados Corações.

- Ludovico de Casoria (1814-1885), sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores, fundador da Congregação das Religiosas Franciscanas de Santa Isabel, chamadas “Bigie”.

- Nicola da Longobardi (1650- 1709), oblato professo da Ordem dos Mínimos.

- Amato Ronconi (1226-1292), da Ordem Terceira de São Francisco, fundador do Hospício dos peregrinos de Saludecio, hoje Casa de Repouso / ‘Opera Pia Beato Amato Ronconi'.

- Kuriakose Elias Chavara da Sagrada Família (1805-1871), sacerdote e fundador da Congregação das Carmelitas de Maria Imaculada.

- Euphrasia Eluvathingal do Sagrado Coração (1877-1952), religiosa professa da Congregação das Irmãs da Mãe do Carmelo.

Durante a Missa celebrada em latim, o Evangelho foi proclamado em grego, também para lembrar a união com Roma das Igrejas Orientais.
"A liturgia de hoje nos convida a fixar o olhar a Jesus como Rei do Universo. A linda oração do prefácio nos lembra que o seu reino é ‘reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz”, disse o Santo Padre em sua homilia.
Por isso, acrescentou, "aqueles que estamos chamados a ser pastores na Igreja, não podemos afastar-nos desse modelo, se não quisermos tornar-nos mercenários. Sobre isso o povo de Deus tem um olfato infalível para reconhecer os bons pastores e diferenciá-los dos mercenários”.
"A Salvação – disse o Papa – não começa confessando a realiza de Cristo, mas imitando as obras de misericórdia por meio das quais Ele realizou o Reino”. E “do amor, da proximidade e da ternura com os nossos irmãos. Disso dependerá a nossa entrada ou não no Reino de Deus”.
No final da homilia, o papa Francisco recordou que com o rito de canonização, “mais uma vez confessamos o mistério do reino de Deus e honramos a Cristo Rei, pastor cheio de amor pelo seu rebanho”. E acrescentou: “Que os novos santos, com o seu exemplo e intercessão, façam crescer em nós a alegria de caminhar na via do Evangelho, a decisão de tê-lo como bússila da nossa vida”.
"Sigamos seus passos – concluiu o Santo Padre – imitemos a sua fé e paridade, para que nossa esperança se revista de imortalidade. Não nos deixemos distrair por outros interesses terrenos passageiros. E que nos guie ao reino dos céus, a Mãe, Maria, Rainha de todos os santos. Amém”.

Fonte: Zenit.

sábado, 22 de novembro de 2014

A redenção é gratuita, não é um comércio

A redenção de Jesus é sempre gratuita, por isso a Igreja não deve se tornar um comércio. Este foi o alerta emitido pelo Santo Padre Francisco durante a missa de ontem em Santa Marta. Como explicou o Papa, a liturgia de hoje propõe a passagem do Evangelho na qual Jesus expulsa os vendilhões do Templo, que transformaram a casa de oração em covil de ladrões. O que Jesus faz é um ato de purificação, “o templo tinha sido profanado" e com o Templo, também "o povo de Deus”. Profanado com o grave “pecado do escândalo", disse o Papa.
E continuou: "As pessoas são boas. As pessoas iam ao Templo e não olhavam para estas coisas, porque iam para rezar, para buscar Deus... mas precisavam trocar as moedas para fazer suas ofertas". O povo de Deus não ia ao Templo por estas pessoas, pelos vendedores, mas para o Templo de Deus, e se deparavam com a corrupção que escandalizava", advertiu o Papa. Por isso, explicou o Papa,"eu penso no escândalo que podemos provocar com as nossas atitudes não sacerdotais no Templo, o comércio, o mundanismo... tantas vezes ao entrarmos na Igreja, ainda hoje, há uma lista de preços: batizados, bênçãos, intenções de missa". E o povo se escandaliza, observou o Papa.
A propósito, o Papa contou uma história de certa vez, quando recentemente ordenado, ele “estava com um grupo de universitários, e um casal queria se casar. Tinham ido a uma paróquia: mas queria casar-se com uma Missa. E lá, o secretário paroquial disse: - ‘Não é possível’. Mas porque não se pode com a Missa? Se o Concílio recomenda fazer sempre com a Missa...’. ‘Não é possível porque não podemos passar de 20 minutos’. - ‘Mas por que’? – ‘Porque tem outros horários marcados’. – ‘Mas nós queremos a Missa’. – ‘Então vocês devem pagar dois horários’. E para casar com a Missa tiveram que pagar dois horários. Este é um pecado de escândalo".
Em seguida, o Santo Padre recordou que Jesus diz para aqueles que são a causa de escândalo: “melhor que sejam jogados ao mar”.
Assim, Francisco recordou que "quando os que estão no Templo - sacerdotes, leigos, secretários, que precisam administrar a Pastoral do Templo- transformam-se em homens de negócio, o povo se escandaliza. Nós todos somos responsáveis por isso, inclusive os leigos. Todos!”. Porque -continuou o Pontífice em sua homilia- se eu vejo que isso acontece na minha paróquia, devo ter a coragem de dizer isso cara a cara ao pároco. Ele também advertiu que "as pessoas sofrem com este escândalo. É curioso... o povo de Deus sabe perdoar seus sacerdotes que apresentam alguma fraqueza, que escorregam em um pecado... sabe perdoar. Mas há duas coisas que o povo de Deus não pode perdoar: um padre apegado ao dinheiro e um padre que maltrata as pessoas. Não é possível perdoar. E o escândalo, quando o Templo, a Casa de Deus, se transforma em um lugar de negócios, como naquele casamento: alugava-se a Igreja".
Assim, o Papa explicou também que Jesus "não estava com raiva", "é a ira de Deus, é o zelo pela casa de Deus", porque “não se pode servir a dois senhores, ou se presta culto a Deus vivo, se presta culto ao dinheiro.”
Para concluir a homilia, o Bispo de Roma levantou a questão: “Mas porque Jesus fala do dinheiro?”. À qual respondeu: "Porque a redenção é gratuita; vem trazer a gratuidade de Deus, a gratuidade total do amor de Deus". Aliás, ele lembrou que "quando a Igreja ou as Igrejas se tornam comércios, dizem... eh, a salvação não é tão gratuita... É por isso que Jesus pega o chicote na mão para fazer este rito de purificação no Templo".
Por fim, o Papa recordou que a liturgia de hoje celebra a Apresentação de Nossa Senhora no Templo: da menina... "Uma mulher simples, como Anna, naquele momento, entra com Nossa Senhora". Então, Francisco pediu que ela “ensine a todos nós, a todos os pastores, a todos aqueles que têm responsabilidades pastorais, a manter limpo o Templo, para receber com amor os que vêm, como se cada um fosse Nossa Senhora".

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A viagem do papa à Turquia e o caminho ecumênico realizado até aqui



O papa Francisco viajará à Turquia de 28 a 30 de novembro e permanecerá no país durante três dias, visitando Ankara e Istambul. Será a sexta viagem internacional do pontífice, depois de vir ao Brasil e de visitar a Terra Santa, a Coreia e a Albânia, além de ir ao Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França, neste próximo dia 25 de novembro.
O papa visitará o mausoléu do fundador da moderna República da Turquia, Mustafá Kemal Atatürk, em Ankara, e o museu da antiga basílica e mesquita de Santa Sofia, assim como a Mesquita Azul, a Catedral do Espírito Santo e o Patriarcado Ortodoxo, em Istambul. Francisco é o quarto pontífice a ir oficialmente à Turquia, depois de Paulo VI em 1967, João Paulo II em 1979 e Bento XVI em 2006.
O Vicariato apostólico da Igreja católica latina de Istambul divulgou um comunicado em que agradece ao Santo Padre pela visita e explica o seu significado em relação à festa de Santo André, padroeiro da Igreja ortodoxa, em 30 de novembro.
Reproduzimos o texto na íntegra:
Comunicado do Vicariato de Istambul sobre a visita do papa Francisco à Turquia
Com todo o povo da Turquia e todos os homens e mulheres de boa vontade, a Igreja católica de Istambul se alegra por este momento histórico da visita que o papa Francisco fará a esta cidade de milenar tradição cristã. Convém recordar que o intercâmbio de visitas das duas Igrejas irmãs da Antiga Roma e da Nova Roma começou depois do encontro do beato papa Paulo VI e do patriarca Atenágoras I em Jerusalém, em 6 de janeiro de 1964. Nos anos seguintes, multiplicaram-se os encontros recíprocos. Em 30 de novembro de 1969, pela primeira vez, a Sé de Roma enviou uma delegação guiada pelo cardeal Willebrand para assistir à Festa de Santo André, padroeiro do patriarcado ecumênico de Constantinopla, aqui em Istambul. No ano seguinte, uma delegação deste patriarcado foi enviada a Roma para a Festa de São Pedro e São Paulo, padroeiros da Igreja de Roma. Desde então, este intercâmbio recíproco vem continuando sem interrupção e, em duas ocasiões, o papa veio pessoalmente à Igreja de São Jorge para festejar junto com os irmãos gregos ortodoxos a festa de seu padroeiro. Por sua vez, o patriarca ecumênico também participou várias vezes da festa dos padroeiros de Roma.
Por isso, a visita do papa Francisco se contextualiza nesta venerável tradição, porque, em palavras do patriarca Bartolomeu I, “queremos trabalhar intensamente e juntos pela santa causa da plena comunhão em Jesus Cristo”. Isto explica por que o papa Francisco participará de uma oração ecumênica na tarde do sábado, 29 de novembro, e na Divina Liturgia do domingo, 30 de novembro, no Fanar. Espera-se também uma declaração comum para continuar os esforços do diálogo ecumênico bilateral. Por motivo das relações diplomáticas entre o Estado Vaticano e o governo da República da Turquia, o papa chegará de Roma diretamente a Ankara, segundo o programa já estabelecido. Além dos discursos protocolares, vemos com gosto o gesto de boa vontade que o papa Francisco mostrará na visita ao presidente de Assuntos Religiosos, que evidencia a presença da Igreja católica na sociedade deste país e a abertura à convivência pacífica das religiões na promoção do diálogo islâmico-cristão.
O encontro do papa Francisco com o pequeno rebanho da Igreja da Turquia acontecerá durante a Eucaristia, sacramento de unidade em Jesus Cristo, que ele presidirá na Catedral do Santo Espírito de Istambul no sábado 29 de novembro de 2014, às 16 horas. Teremos uma concelebração inter-ritual das diferentes tradições da Igreja católica à qual assistirão os representantes das Igrejas do Oriente e das Igrejas protestantes. É significativo que os padroeiros da nossa Igreja local sejam São João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla (século IV) e São João XXIII, delegado e administrador apostólico de Istambul (século XX), abraçando toda a história da presença cristã nesta cidade. Como conclusão da celebração eucarística, o patriarca ecumênico Bartolomeu I, junto com o bispo de Roma, papa Francisco, abençoarão a assembleia e todos os que se unirem espiritualmente a nós na Igreja e no mundo.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Anglicanos: luz verde para as "bispas"

Com uma votação de braços levantados, a Igreja da Inglaterra dá luz verde às mulheres “bispas”. O Sínodo geral, reunido na Church House de Westminster, deu a sua aprovação formal à legislação - já aprovada pelo Parlamento em outubro - que permite as primeiras ordenações a partir do próximo ano
O sinal verde ocorreu durante a sessão presidida pelo arcebispo de York, John Sentamu, no dia da abertura de Londres. Para a aprovação não se recorreu a nenhum debate, simplesmente à maioria simples. A emenda foi assinada pelos arcebispos de Canterbury e York na frente de todo o Sínodo.
Dessa forma se coloca um ponto final a uma longa e sofrida questão para a Igreja anglicana, que há dois anos, de novembro de 2012, estava para conseguir um resultado semelhante, porém perdido por só seis votos.
O arcebispo de Canterbury Justin Welby, comentando o resultado - relata a BBC - disse: "Hoje podemos começar a abraçar uma nova maneira de ser Igreja e de avançar juntos", garantindo que "vamos continuar a buscar a prosperidade daqueles que não estão de acordo".
A questão ‘mulheres bispas’ continua, de fato, a provocar radicais divisões na Igreja anglicana, entre aqueles que vivem tal mudança como coerente à sua fé e quase ‘necessário’ e os tradicionalistas que manifestam o total desacordo. Por isso a legislação aprovada inclui normas de salvaguarda para as paróquias que não queiram depender de uma “bispa”.
Em todo caso, há 20 anos que as mulheres exercem o ministério ordenado na Churc of England, ordenadas pela primeira vez em 1994. De 7.798 sacerdotes, 1.781 são mulheres: elas representam, portanto, um terço do clero, mas nunca foram capazes de atingir cargos mais elevados.
A votação do Sínodo Geral ‘alinha’ também os anglicanos ingleses com os da Austrália, Canadá, Índia, África do Sul e Estados Unidos, onde faz tempo que as mulheres são admitidas ao episcopado.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Primeiros diáconos permanentes depois de 400 anos de história da Igreja no Maranhão

No dia 24/11, segunda-feira, a Arquidiocese de São Luís do Maranhão celebrará dois anos da 1ª turma de Diáconos Permanentes, em 400 anos e história da Igreja. Ordenados em 2012, em uma cerimônia religiosa que reuniu todas as Foranias da Arquidiocese e aproximadamente nove mil pessoas, 31 diáconos, 27 pertencentes da Arquidiocese e quatro da Capelania Militar (Exército, Bombeiros e Polícia Militar), passaram a exercer as funções que durante quatro séculos eram exercidas apenas pelos sacerdotes, aumentando assim, o auxílio pastoral, sacramental e nas obras sociais, oferecidos pela Igreja à população da Arquidiocese de São Luís (MA).
Sendo São Luís uma metrópole, o número de sacerdotes para atender aos fiéis, nos sacramentos e na formação doutrinária e moral, ganhou um reforço valioso com os diáconos permanentes. E, a partir de 2015, esse número se prepara para aumentar, com o início uma segunda turma de diáconos permanentes, já com 40 inscritos. Número que beneficiará mais comunidades na Ilha e na parte continental da Arquidiocese.
“Nós abrimos caminho para outros que também possuíam o desejo de servir a Igreja, no diaconato permanente e isso nos deixa muito feliz”, enfatiza o recém-eleito, presidente da Comissão de Diáconos Permanentes, na Arquidiocese de São Luís do Maranhão, diácono Renato Fontoura, da Paróquia São João Batista de Vinhais, Vinhais velho, capital.
Como a quantidade de sacerdotes ainda é pequena, comparado com a extensão geográfica da cidade, o auxílio que os diáconos permanentes prestam às comunidades, podendo realizar as exéquias, batizados e casamentos, é de extrema importância.
“Quando meu filho faleceu, percebi o quanto ficamos frágeis e como é importante a presença da Igreja. E foi um diácono permanente quem realizou as orações das exéquias pelo meu filho. Senti-me muito confortada pela Igreja e família de Deus!”, lembra dona Vandeci de Jesus, que teve o auxílio de um diácono permanente quando precisou enterrar um filho.
Além de precursores históricos, a turma deixou outros marcos, como a composição da primeira música, no Brasil, que fala sobre a missão do diácono permanente. Composta pelo diácono George Castro e ainda o primeiro encontro realizado com esposas dos diáconos, companheiras e especiais nessa missão tão importante, que precisa ser assumida pelo casal.

Onde estão os diáconos permanentes de São Luís

Eles auxiliam em 17 das 54 paróquias da Arquidiocese de São Luís do Maranhão, que representam 17 bairros, na capital e municípios próximos de São Luís, como Bacabeira e São José de Ribamar.
Ao todo, são mais de 85 comunidades menores, que compõem essas respectivas paróquias/bairros, a saber: São Francisco de Assis (bairro São Francisco), São João Batista de Vinhais (Recanto dos Vinhais/Vinhais velho), Nossa Senhora Aparecida da Foz do Rio Anil (bairro do Cohafuma) , Nossa Senhora dos Remédios (Centro de São Luís) , São José e São Pantaleão (Centro), São José do Bonfim (Vila Embratel), Sagrado Coração de Jesus (Bequimão), São Vicente de Paulo (Apeadouro), Nossa Senhora da Conceição (Coroadinho), Santa Terezinha (Filipinho), Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ( Cohab-Anil), Paróquia Sant’Ana (bairro Angelim), São Francisco e Santa Clara (Turu), Santo Antônio (Parque Vitória), São Cristovão (bairro São Cristovão), Nossa Senhora da Boa Viagem (São José de Ribamar) e Imaculada Conceição da Bem Aventurada Virgem (Bacabeira.).

Música candidata ao Hino Nacional dos Diáconos Permanentes no Brasil

"Diácono de Jesus" foi composta pelo diácono permanente, George Henrique dos Santos Castro, incardinado na Arquidiocese de São Luís do Maranhão.
A interpretação da música é feita pelo Diáconos George Castro, em conjunto com os diáconos Flávio Rodrigues, da Arquidiocese de São Luís do Maranhão e Diácono William Guimarães, capelania militar.
Os arranjos são do maestro, Diácono Celso Bastos, também do ordinário militar do
A letra foi apresentada na Assembléia não eletiva da CND, abril/2013, em Florianópolis (SC), como pleiteante do Hino Nacional dos Diáconos Permanentes do Brasil.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cristãos de "círculo" que temem as "periferias"

"Microclima eclesiástico” é o novo termo cunhado pelo Papa Francisco para indicar a atitude daqueles cristãos que são indiferentes, que tem medo da pobreza e da marginalização.
Na homilia desta manhã em Santa Marta, o Santo Padre refletiu sobre o Evangelho de hoje (Lc 18,35-43), cujo protagonista é o cego de Jericó, que, segundo o Papa, representa a "primeira classe de pessoas": ele era um marginalizado, um ninguém para a sociedade do seu tempo, no entanto, “tinha sede de salvação”, ele queria “ser curado”.
Como em outras ocasiões, os discípulos tendem a se reunir em torno de Jesus, evitando o contato com alguém que seja diferente deles, socialmente excluído. Mas a tenacidade daquele homem, o levou a bater na "porta do coração de Jesus", superando a resistência dos discípulos que queriam afastar "o Senhor da periferia".
Muitas vezes isso acontece entre nós: criamos um "microclima eclesiástico", que nos leva ao confinamento, uma espécie de "circulo" fechado para os de fora.
Com isso, os "sacerdotes", "bispos" e "fiéis" em todos os níveis não olham mais para a "necessidade do Senhor", que “tem fome", "sede", que está "na prisão” ou no "hospital". E este "clima nos faz tão mal", disse o Papa.
É o complexo dos que dizem: "somos eleitos, estamos com o Senhor" e tendem a afastar qualquer um que possa "incomodar" o Senhor, até mesmo as "crianças". Tornam-se, assim, um grupo não "eclesial" mas "eclesiástico", caindo na "tentação de esquecer o primeiro amor, aquele amor tão lindo que todos nós recebemos quando o Senhor nos chamou, nos salvou, nos disse: "Mas eu te amo tanto", disse Francisco.
Esquecer o primeiro amor também significa "esquecer as periferias, onde eu me encontrava, e me envergonhar disso”.
O povo de Deus, no entanto, não é formado apenas por discípulos 'elitistas': é também um "povo simples", que louva o Senhor pela cura do cego e que, hoje em dia, podemos encontrar, por exemplo, nas "idosas" que caminham com sacrifício para "rezar em um santuário da Virgem Maria".
Elas "não pedem privilégios", mas somente "graça": são "fiéis" que estão dispostos a "perder tempo com o Senhor", sem esquecer "a igreja marginalizada".
Devemos pedir ao Senhor, recomendou o Santo Padre, a graça de jamais entrar neste “microclima dos discípulos eclesiásticos, privilegiados, que se afastam da Igreja de Deus, que sofre, que pede salvação, que pede fé, que pede a palavra de Deus", e pedir, pelo contrário, a graça de ser “povo fiel de Deus, sem pedir ao Senhor qualquer privilégio, que nos afaste de seu povo".

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Vaticano: 3º Congresso Mundial de movimentos eclesiais e comunidades

Movimentos eclesiais e novas comunidades de todo o mundo se reunirão na próxima semana, do 20 ao 22 de novembro, em Roma, no Terceiro Congresso Mundial, organizado pelo Pontifício Conselho para os Leigos. Nesta ocasião, os 300 participantes de 100 diferentes realidades eclesiais, refletirão sobre "A alegria do Evangelho: uma alegria missionária...”
Um congresso organizado pelo dicastério ‘com’ os movimentos, não ‘para’ os movimentos, destacou o cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, durante a coletiva de imprensa de apresentação na manhã de hoje na Sala de Imprensa do Vaticano.
O prelado destacou que “é realmente grande a variedade e a riqueza dos novos carismas que o Espírito Santo dá à Igreja do nosso tempo, dos quais nascem tantos movimentos eclesiais e novas comunidades, que propõem itinerários pedagógicos de iniciação cristã de impressionante eficácia, capaz de muda a vida das pessoas e de despertar neles um extraordinário impulso evangelizador”. Da mesma forma indicou que o magistério pontifício viu nesse fenômeno uma “corrente de graça”. João Paulo II disse que era “motivo de esperança para a Igreja e para os homens”.
Bento XVI afirmou que viu neles “formas fortes de viver a fé”. E agora o Papa Francisco “se coloca em perfeita continuidade com os seus antecessores com relação ao papel destas novas realidades na vida da Igreja”. Como recorda o cardeal, nestes meses de pontificado, Francisco recebeu vários movimentos eclesiais e novas comunidades e em todas estas ocasiões "não faltou a sua paterna preocupação em relação a eles, oferecendo preciosos conselhos práticos com o fim de promover e favorecer o crescimento do seu espírito missionário”.
Este será o terceiro Congresso Mundial que reúne em Roma membros de diferentes realidades eclesiásticas. O primeiro encontro foi em 1998 com a participação de representantes de 50 movimentos. Anos mais tarde, em 2006, representantes de 100 movimentos se encontraram novamente em Roma. Em ambos, os participantes foram à Praça de São Pedro para serem recebidos pelo Santo Padre. Aliás, o cardeal recordou que o Papa Francisco já recebeu membros de movimentos eclesiais e novas comunidades, e o fez no dia de Pentecostes de 2013, por ocasião do Ano da Fé.
Mons. Josef Clemens, secretário do dicastério, foi o encarregado de apresentar aos jornalistas o programa do Congresso. Dessa forma, indicou que a linha guia do encontro poderia ser resumida como uma resposta ao convite do Papa à transformação missionária da Igreja. Por isso, as três jornadas do Congresso pretendem “explicitar o fundamento do compromisso missionário”. Além do mais, destacou que, “os palestrantes são leigos e eclesiásticos, homens e mulheres que procedem de várias partes do mundo e que haverá sempre um amplo espaço para perguntas e intervenções dos participantes”. Finalmente destacou que “as palavras do Santo Padre na audiência do sábado pela manhã darão uma diretriz ulterior e incentivo para o cumprimento do mandato missionário dos movimentos eclesiais e das novas comunidades”.
Para proporcionar uma visão concreta dos movimentos eclesiais e novas comunidades estiveram presentes Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, e Jean-Luc Moens, responsável pelas relações internacionais da Comunidade de Emmanuel.
Maria Voce observou que este Congresso foi convocado em um momento propício por várias razões: estamos no 50º aniversário do Concílio Vaticano II, o encorajamento de Paulo VI, e as perguntas do Papa Francisco que nos desafiam à radicalidade, à abertura e ao concreto. Também afirmou que o Congresso se encaixa em uma história comum e frutífera, “que viu os movimentos nascerem, se desenvolverem e dar a própria contribuição à Igreja e à humanidade, de acordo com o carisma específico que cada um deles era portador”.
Por sua vez, Jean-Luc Moens, explicou que para a Comunidade Emanuel participar deste Congresso é uma graça em três níveis. Em primeiro lugar porque o tema do Congresso retoma o pensamento constante da sua comunidade sobre “como responder hoje ao chamado do Senhor de anunciar Evangelho aos nossos contemporâneos?" Uma segunda razão – disse – é poder manifestar esse compromisso ao Santo Padre. E, finalmente, poder fazer uma experiência de comunhão. "Para nós é muito interessante descobrir como o Espírito Santo trabalha nos outros. O Congresso será uma oportunidade única de fazer essa descoberta recíproca, para escutar-nos, conhecer-nos melhor, compartilhar e trocar as respectivas experiências, aprender uns com os outros, criar laços", disse o senhor Moens.
Respondendo a uma pergunta realizada por um jornalista sobre a relação dos movimentos eclesiais com os fieis da paróquia que não pertencem a nenhuma realidade concreta, o cardeal Rylko garantiu que estas realidades são "uma provocação saudável", "um despertador" para ajudar a viver a fé de forma mais gloriosa e alegre.

Fonte: Zenit.