Com novidades em relação à edições anteriores em outras cidades do mundo, está o site da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro de 2013.
Esta grande Praça dos jovens internautas católicos de todo o mundo oferece em português notícias e outras facilidades para acompanhar os preparativos do encontro com Bento XVI na cidade carioca.
Na medida em que hajam voluntários tradutores para outras línguas, o site irá oferecendo seus conteúdos em várias línguas.
Um novo recurso é "Siga a Cruz", um aplicativo para facilitar a interação e informação com os jovens do mundo. O aplicativo está disponível na web como uma ferramenta oficial da JMJ Rio 2013, que possibilitará, via celular ou tablet, seguir passo a passo o caminho dos dois símbolos da jornada – a cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora - pelo Brasil. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado da web.
Desenvolvido pelo Departamento de Tecnologia da Informação da Comunidade Católica Canção Nova, a pedido do Instituto JMJ Rio2013, o aplicativo estará disponível em primeiro lugar para os usuários de dispositivos iPhone, iPad e iPod. Em breve será lançado a versão também para tablets e smartphones com plataforma Android.
Os usuários podem também interagir com os amigos via Twitter e Facebook, traçar rotas detalhadas para o lugar onde se encontra a Cruz e acessar a galerias exclusivas de fotos.
O Brasil vive já em clima de Jornada Mundial da Juventude com a peregrinação dos dois ícones que, desde o dia 18 de setembro, estão no país. Os símbolos vão visitar todas as dioceses no Brasil e os países do Cone Sul, em preparação para o grande evento no Rio de Janeiro.
Para mais informações: http://www.rio2013.com/.
Fonte: Zenit.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Duns Scoto: O Beato que foi contrário à doutrina
Dia 16 de janeiro, festa litúrgica dos protomártires franciscanos e dia no qual Pio XII declarou Santo Antônio de Pádua, em 1946, doutor da Igreja dando-lhe o título de Doctor Evangelicus, é a festa da Pontifícia Universidade Antonianum em Roma.
Nessa ocasião será lembrado o trigésimo aniversário da visita do Beato João Paulo II à mesma universidade, onde o Papa também falou do Beato Giovanni Duns Scoto, especialmente por causa da visita à Comissão Scotus.
Na jornada “Testemunhos da esperança: há trinta anos da visita à Pontifícia Universidade Antonianum do Beato João Paulo II“ que será realizada a partir das 10.30 horas, na Aula Magna da Pontifícia Universidade Antonianum, terá a intervenção na ordem: Prof. Príamo Etzi, Reitor da Pontifícia Universidade Antonianum, rev.do pe. Vidal Rodríguez López, Secretário-Geral para a Formação e Estudos da Ordem dos Frades Menores, rev.do Mons. Slawomir Oder, postulador da causa de canonização do Beato João Paulo II, rev.mo pe. José Rodríguez Carballo, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores e Grande Chanceler da Pontifícia Universidade Antonianum.
Sobre como os Papas Paulo VI e João Paulo II viram o Beato João Duns Scoto, Girolamo Pica escreveu o seguinte no livro "O Beato Giovanni Duns Scoto. Doutor da Imaculada, Elledici-Velar, Gorle 2010 (velar@velar.it).
"Poucos meses após o encerramento do Concílio Vaticano II na Carta Apostólica Alma Parens assinada no dia de 14 julho de 1966 no II Congresso Escolástico realizado para o VII Centenário do nascimento de João Duns Scoto, o Papa Paulo VI indicava as razões da atualidade do pensamento de Scoto.
Primeiro, se Leão XIII na Encíclica Aeterni Patris, indicando a posição do pensamento de Tomás de Aquino com relação aos outros doutores escoláticos, declarava: "acima de todos os doutores escolásticos, sobressai como chefe e mestre São Tomás de Aquino" - como lembra o mesmo Paulo VI por uma citação do escrito leonino -, na Alma Parens a comparação entre Scoto e o pensamento tomista era indicado por uma fórmula mais suave: "Ao lado da majestosa Catedral de São Tomás de Aquino, entre outras, há aquela digna de honra - embora diferentes em tamanho e estrutura - que elevou ao céu, sobre bases sólidas e com ousados pináculos, a ardente especulação de Giovanni Duns Scoto "
Não se usaria a expressão "muito diferentes em tamanho e estrutura" como teria sido mais lógico se ele tivesse querido manter uma continuidade com o juízo perentório de Leão XIII acima referido. Uma pequena mudança – da longe a quamvis, para dizê-lo no latim – que indica uma mudança não somente de perspectiva, mas de proporções, como poderia notar um bom especialista latino!
Tal mudança pode ser tomada como uma expressão da modificação da compreensão da ortodoxia do pensamento de Scoto: de fato, durante séculos a doutrina de Scoto foi definida contrária à fé sendo em muitos aspectos contrária ao pensamento de Santo Tomás de Aquino prescrito pela Igreja. Foi em 1971 que os escritos de Scoto foram aprovados, e justo porque o critério de ortodoxia não era mais a obra de Santo Tomás, mas a doutrina da Igreja; uma mudança - dizem alguns- de época, pela qual esta história da causa de Scoto deve ser incluída nos manuais de teologia e história da igreja.
Portanto, depois de ter reconhecido a dignidade do pensamento do Mestre menor indicando uma nova avaliação com relação ao pensamento de Leão XIII, alterando o juízo sobre a proporção de Scoto com relação à Thomas, entre outras coisas, o Pontífice esperava que a doutrina escotista pudesse dar elementos úteis para o diálogo, especialmente com os anglicanos. Nisto o Papa apelava ao juízo dado por Giovanni Gerson segundo o qual Scoto era movido “não por uma contenciosa vontade de vencer, mas por uma humildade de encontrar um acordo”.
O venerável João Paulo II teve várias chances de falar do Beato Giovanni Duns Scoto, entre elas uma visita à Comissão Scotista junto à Pontifícia Universidade Antonianum em 1982. Mas foi por ocasião da declaração do reconhecimento do culto litúrgico de Giovanni Duns Scoto, servindo para enfatizar a importância do pensamento escotista para a Igreja:
"Nascido na Escócia por volta de 1265, Giovanni Duns Scoto foi chamado de "Beato” quase no dia depois da sua morte piedosa em Colónia, no 08 de novembro de 1308. Nesta diocese, bem como na de Edimburgo e de Nola, além do âmbito da Ordem Seráfica, foi-lhe dado nos séculos um culto público, que a Igreja tem solenemente reconhecido no dia 06 de julho de 1991 e que hoje confirma. Às Igrejas particulares mencionadas, que estão presentes nesta tarde na Basílica de São Pedro, com seus digníssimos pastores, bem como a toda a família franciscana, dirijo a minha saudação, convidando a todos para abençoar o nome do Senhor, cuja glória brilha na doutrina e na santidade do Beato Giovanni, cantor do Verbo encarnado e defensor da Imaculada Conceição de Maria.
No nosso tempo, rico de recursos humanos, técnicos e científicos, mas no qual muitos perderam o sentido da fé e vivem uma vida distante de Cristo e do seu Evangelho (cf. Redemptoris Missio, 33), o Beato Duns Scoto se apresenta não somente com a agudeza do seu gênio e da extraordinária capacidade de penetrar o mistério de Deus, mas também com o poder persuasivo da sua santidade de vida que o faz, para a Igreja e para a humanidade inteira, Mestre de pensamento e de vida. A sua doutrina, da qual, como afirmava o meu venerado predecessor Paulo VI, "pode-se obter armas brilhantes para combater e eliminar a nuvem negra do ateísmo que ofusca a nossa época" (Epist Apostólica .. Alma Parens: AAS 58 [ 1966] 612), fortemente edifica a Igreja, sustentando-a na sua missão urgente da nova evangelização dos povos da terra.
Em particular, para os teólogos, os sacerdotes, os pastores de almas, os Religiosos, e especialmente para os franciscanos, o Beato Duns Scoto é um exemplo de fidelidade à verdade revelada, de fecunda ação sacerdotal, de sério diálogo na busca da unidade, ele que, como afirmava Giovanni de Gerson, sempre foi movido em sua vida "não pela contenciosa singularidade da vitória, mas pela humildade para chegar a um acordo" (lectiones duae "Poenitemini", Lect. alt., consid. 5:... cit in Epist Apost Alma Parens: AAS 58 [1966] 614). Que seu espírito e sua memória possam iluminar da luz de Cristo o trabalho e as esperanças da nossa sociedade. "
Fonte: Zenit.
Nessa ocasião será lembrado o trigésimo aniversário da visita do Beato João Paulo II à mesma universidade, onde o Papa também falou do Beato Giovanni Duns Scoto, especialmente por causa da visita à Comissão Scotus.
Na jornada “Testemunhos da esperança: há trinta anos da visita à Pontifícia Universidade Antonianum do Beato João Paulo II“ que será realizada a partir das 10.30 horas, na Aula Magna da Pontifícia Universidade Antonianum, terá a intervenção na ordem: Prof. Príamo Etzi, Reitor da Pontifícia Universidade Antonianum, rev.do pe. Vidal Rodríguez López, Secretário-Geral para a Formação e Estudos da Ordem dos Frades Menores, rev.do Mons. Slawomir Oder, postulador da causa de canonização do Beato João Paulo II, rev.mo pe. José Rodríguez Carballo, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores e Grande Chanceler da Pontifícia Universidade Antonianum.
Sobre como os Papas Paulo VI e João Paulo II viram o Beato João Duns Scoto, Girolamo Pica escreveu o seguinte no livro "O Beato Giovanni Duns Scoto. Doutor da Imaculada, Elledici-Velar, Gorle 2010 (velar@velar.it).
"Poucos meses após o encerramento do Concílio Vaticano II na Carta Apostólica Alma Parens assinada no dia de 14 julho de 1966 no II Congresso Escolástico realizado para o VII Centenário do nascimento de João Duns Scoto, o Papa Paulo VI indicava as razões da atualidade do pensamento de Scoto.
Primeiro, se Leão XIII na Encíclica Aeterni Patris, indicando a posição do pensamento de Tomás de Aquino com relação aos outros doutores escoláticos, declarava: "acima de todos os doutores escolásticos, sobressai como chefe e mestre São Tomás de Aquino" - como lembra o mesmo Paulo VI por uma citação do escrito leonino -, na Alma Parens a comparação entre Scoto e o pensamento tomista era indicado por uma fórmula mais suave: "Ao lado da majestosa Catedral de São Tomás de Aquino, entre outras, há aquela digna de honra - embora diferentes em tamanho e estrutura - que elevou ao céu, sobre bases sólidas e com ousados pináculos, a ardente especulação de Giovanni Duns Scoto "
Não se usaria a expressão "muito diferentes em tamanho e estrutura" como teria sido mais lógico se ele tivesse querido manter uma continuidade com o juízo perentório de Leão XIII acima referido. Uma pequena mudança – da longe a quamvis, para dizê-lo no latim – que indica uma mudança não somente de perspectiva, mas de proporções, como poderia notar um bom especialista latino!
Tal mudança pode ser tomada como uma expressão da modificação da compreensão da ortodoxia do pensamento de Scoto: de fato, durante séculos a doutrina de Scoto foi definida contrária à fé sendo em muitos aspectos contrária ao pensamento de Santo Tomás de Aquino prescrito pela Igreja. Foi em 1971 que os escritos de Scoto foram aprovados, e justo porque o critério de ortodoxia não era mais a obra de Santo Tomás, mas a doutrina da Igreja; uma mudança - dizem alguns- de época, pela qual esta história da causa de Scoto deve ser incluída nos manuais de teologia e história da igreja.
Portanto, depois de ter reconhecido a dignidade do pensamento do Mestre menor indicando uma nova avaliação com relação ao pensamento de Leão XIII, alterando o juízo sobre a proporção de Scoto com relação à Thomas, entre outras coisas, o Pontífice esperava que a doutrina escotista pudesse dar elementos úteis para o diálogo, especialmente com os anglicanos. Nisto o Papa apelava ao juízo dado por Giovanni Gerson segundo o qual Scoto era movido “não por uma contenciosa vontade de vencer, mas por uma humildade de encontrar um acordo”.
O venerável João Paulo II teve várias chances de falar do Beato Giovanni Duns Scoto, entre elas uma visita à Comissão Scotista junto à Pontifícia Universidade Antonianum em 1982. Mas foi por ocasião da declaração do reconhecimento do culto litúrgico de Giovanni Duns Scoto, servindo para enfatizar a importância do pensamento escotista para a Igreja:
"Nascido na Escócia por volta de 1265, Giovanni Duns Scoto foi chamado de "Beato” quase no dia depois da sua morte piedosa em Colónia, no 08 de novembro de 1308. Nesta diocese, bem como na de Edimburgo e de Nola, além do âmbito da Ordem Seráfica, foi-lhe dado nos séculos um culto público, que a Igreja tem solenemente reconhecido no dia 06 de julho de 1991 e que hoje confirma. Às Igrejas particulares mencionadas, que estão presentes nesta tarde na Basílica de São Pedro, com seus digníssimos pastores, bem como a toda a família franciscana, dirijo a minha saudação, convidando a todos para abençoar o nome do Senhor, cuja glória brilha na doutrina e na santidade do Beato Giovanni, cantor do Verbo encarnado e defensor da Imaculada Conceição de Maria.
No nosso tempo, rico de recursos humanos, técnicos e científicos, mas no qual muitos perderam o sentido da fé e vivem uma vida distante de Cristo e do seu Evangelho (cf. Redemptoris Missio, 33), o Beato Duns Scoto se apresenta não somente com a agudeza do seu gênio e da extraordinária capacidade de penetrar o mistério de Deus, mas também com o poder persuasivo da sua santidade de vida que o faz, para a Igreja e para a humanidade inteira, Mestre de pensamento e de vida. A sua doutrina, da qual, como afirmava o meu venerado predecessor Paulo VI, "pode-se obter armas brilhantes para combater e eliminar a nuvem negra do ateísmo que ofusca a nossa época" (Epist Apostólica .. Alma Parens: AAS 58 [ 1966] 612), fortemente edifica a Igreja, sustentando-a na sua missão urgente da nova evangelização dos povos da terra.
Em particular, para os teólogos, os sacerdotes, os pastores de almas, os Religiosos, e especialmente para os franciscanos, o Beato Duns Scoto é um exemplo de fidelidade à verdade revelada, de fecunda ação sacerdotal, de sério diálogo na busca da unidade, ele que, como afirmava Giovanni de Gerson, sempre foi movido em sua vida "não pela contenciosa singularidade da vitória, mas pela humildade para chegar a um acordo" (lectiones duae "Poenitemini", Lect. alt., consid. 5:... cit in Epist Apost Alma Parens: AAS 58 [1966] 614). Que seu espírito e sua memória possam iluminar da luz de Cristo o trabalho e as esperanças da nossa sociedade. "
Fonte: Zenit.
"A Justiça não é uma simples convenção humana "
Depois dos administradores de Roma e do Lazio, foi a vez dos oficiais da Inspetoria da Segurança junto ao Vaticano, para os quais o Papa Bento XVI enviou uma saudação de ano novo durante uma Audiência na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano.
Uma saudação especial do pontífice dirigiu-se ao Diretor-Geral da Inspetoria da Polícia, Raffaele Aiello, e ao Prefeito, Salvatore Festa. A todos os agentes e funcionários Bento XVI expressou sua gratidão pessoal pelo "trabalho precioso e delicado" desenvolvido.
"A proteção da ordem pública, especialmente em uma área tão frequentada por turistas e peregrinos de todo o mundo, não é uma tarefa fácil", disse o Santo Padre.
A grande multidão de pessoas que todos os dias veem rezar junto aos túmulos dos Apóstolos, no entanto, "não é certamente um problema para a cidade de Roma e para a Itália como um todo, mas uma riqueza e uma fonte de orgulho", acrescentou.
O Papa também expressou a esperança de que a presença maciça de peregrinos diariamente na Basílica, possa fortalecer a fé do pessoal de segurança do Vaticano, ajudando-os "a enfrentar a vida com uma conduta digna de cristãos autênticos e de cidadãos maduros".
Referindo-se aos episódios de violência e de intolerância que têm caracterizado o ano passado, e ao fanastismo anti-cristão que continua a manifestar-se em muitas partes do mundo, Bento XVI assinalou que as palavras "justiça" e "paz" são usadas "muitas vezes de forma equivocada."
Justiça, na verdade, "não é uma simples convenção humana", porque muitas vezes, em nome de uma suposta justiça, "dominam os critérios de utilidade, do lucro e do ter, pode-se pisar o valor e a dignidade da pessoa humanos ", disse o Santo Padre, referindo-se ao conteúdo da Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2012 (No. 4).
Da mesma forma, a paz não é uma mera ausência de guerra, mas, em primeiro lugar, um "dom de Deus que deve ser pedido com fé e que em Jesus Cristo encontra o caminho para alcançá-la". Ela se realiza com uma "contribuição de compaixão, solidariedade, fraternidade e cooperação de cada um" e está "profundamente enraizada na justiça - animada pela verdade na caridade - que os homens são capazes de realizar a partir do contexto no qual geralmente vivem: a família, o trabalho, as relações de amizade".
Transmitindo a Bênção Apostólica sobre os presentes e invocando a materna intercessão da Rainha da Paz, o Santo Padre expressou a esperança de um 2012 "vivido por todos caracterizado pelo respeito mútuo e do bem comum, e esperando que nenhum ato de violência seja feito em nome de Deus, supremo garante da justiça e da paz. "
Fonte: Zenit.
Uma saudação especial do pontífice dirigiu-se ao Diretor-Geral da Inspetoria da Polícia, Raffaele Aiello, e ao Prefeito, Salvatore Festa. A todos os agentes e funcionários Bento XVI expressou sua gratidão pessoal pelo "trabalho precioso e delicado" desenvolvido.
"A proteção da ordem pública, especialmente em uma área tão frequentada por turistas e peregrinos de todo o mundo, não é uma tarefa fácil", disse o Santo Padre.
A grande multidão de pessoas que todos os dias veem rezar junto aos túmulos dos Apóstolos, no entanto, "não é certamente um problema para a cidade de Roma e para a Itália como um todo, mas uma riqueza e uma fonte de orgulho", acrescentou.
O Papa também expressou a esperança de que a presença maciça de peregrinos diariamente na Basílica, possa fortalecer a fé do pessoal de segurança do Vaticano, ajudando-os "a enfrentar a vida com uma conduta digna de cristãos autênticos e de cidadãos maduros".
Referindo-se aos episódios de violência e de intolerância que têm caracterizado o ano passado, e ao fanastismo anti-cristão que continua a manifestar-se em muitas partes do mundo, Bento XVI assinalou que as palavras "justiça" e "paz" são usadas "muitas vezes de forma equivocada."
Justiça, na verdade, "não é uma simples convenção humana", porque muitas vezes, em nome de uma suposta justiça, "dominam os critérios de utilidade, do lucro e do ter, pode-se pisar o valor e a dignidade da pessoa humanos ", disse o Santo Padre, referindo-se ao conteúdo da Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2012 (No. 4).
Da mesma forma, a paz não é uma mera ausência de guerra, mas, em primeiro lugar, um "dom de Deus que deve ser pedido com fé e que em Jesus Cristo encontra o caminho para alcançá-la". Ela se realiza com uma "contribuição de compaixão, solidariedade, fraternidade e cooperação de cada um" e está "profundamente enraizada na justiça - animada pela verdade na caridade - que os homens são capazes de realizar a partir do contexto no qual geralmente vivem: a família, o trabalho, as relações de amizade".
Transmitindo a Bênção Apostólica sobre os presentes e invocando a materna intercessão da Rainha da Paz, o Santo Padre expressou a esperança de um 2012 "vivido por todos caracterizado pelo respeito mútuo e do bem comum, e esperando que nenhum ato de violência seja feito em nome de Deus, supremo garante da justiça e da paz. "
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O que é importante para ajudar a reconstruir o Haiti?
Rafael D’Aqui, advogado, estudou Direito Civil e Canônico na Universidade Lateranense de Roma , é responsável pela Seção América Latina I, da Fundação Pontifícia - Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) - . Ele nos contou sobre sua experiência de trabalho no projeto de ajuda ao Haiti.
Quando você recebeu a proposta para acompanhar os projetos no Haiti, já havia acontecido a tragédia do terremoto do 12 de janeiro de 2010?
Durante o meu tempo de estágio preparatório para o trabalho aqui na sede internacional da AIS, entre julho e setembro de 2009, já havia tido contato com projetos do Haiti. No dia da tragédia, estava trabalhando na redação brasileira da Rádio Vaticano e a notícia da morte da Dra. Zilda Arns no terremoto em Porto Príncipe, recordo-me, nos deixou a todos consternados. Alguns meses, mais tarde, em julho de 2010, assumi o cargo de Responsável de Projetos da Seção que já acompanhava os trabalhos no Haiti, o que me satisfaz, pois a grande necessidade do país nos motiva a trabalhar mais e com redobrada motivação por esse povo tão sofrido. Em minha seção, acompanho projetos pastorais na região geográfica entre a Bolívia e o México (excluindo, portanto Cuba, Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, que pertencem à Seção América Latina II).
A tragédia mudou alguma coisa na execução dos trabalhos da AIS naquele país?
Nossa Seção sempre buscou acompanhar de perto toda a situação haitiana, especialmente do nosso interlocutor principal, que é a Igreja – na pessoa dos bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos – gente que sempre esteve em primeira linha muito comprometida com o desenvolvimento do país. Nossa primeira atitude foi buscar de todo jeito contactar nossos parceiros de projeto no local. Três meses após a catástrofe, convidamos o presidente da Conferência Episcopal Haitiana, Dom Kébreau e o então Administrador Apostólico de Porto Príncipe, Dom Lafontant, para uma visita à nossa sede. Antes de minha chegada para assumir o cargo na Seção, já uma equipe de trabalho nossa havia estado nos locais mais tocados pela tragédia.
Quando você foi ao Haiti, qual foi a maior necessidade encontrada?
Vimos logo a necessidade de visitas e contatos mais frequentes para atender bem a demanda. Ouvir e conhecer mais profundamente a dor e a consternação de nossos irmãos haitianos tornou-se assim uma prioridade para nossa seção. Por isso em meu primeiro ano de trabalho aqui busquei dedicar-me especialmente a conhecer pessoalmente mais deste país. Já realizei 2 viagens ao Haiti neste último ano e pude encontrar todos os bispos e conhecer mais de perto mais do sofrimento da população. Ambas as viagens que realizei contaram com especial ajuda e colaboração da Conferência Episcopal Haitiana, que articulou um programa e algumas entrevistas nas 10 dioceses do país.
Qual é o critério utilizado para a execução dos projetos que você acompanha? Vocês contam com a ajuda da população local?
Nosso trabalho na AIS prioriza atender, como desejava o nosso fundador, Pe. Werenfried van Straaten, as urgências e as carências mais sentidas da Igreja local para que a boa nova chegue a todos os homens. Para isso, dedicamos muito de nossa viagem para deixar que a própria Igreja no Haiti nos mostre o que podemos fazer, dentro de nossas possibilidades, para que os seus agentes continuem sendo “tudo para todos”. Essa foi a impressão mais forte que tive da Igreja nesse país. O sacerdote, a religiosa, os agentes da pastoral do dia-a-dia são sinal de esperança para a população. Entrevistando alguns sacerdotes, nos surpreende ver estes homens que dedicam a sua juventude – muitos são bem jovens! – em localidades onde faltam todas as estruturas. E eles nos dizem: “amigo, aqui o pároco sou eu, mas o padre é também pro povo médico, advogado, juiz, motorista... se um pessoa está doente ou uma mulher grávida precisa dar à luz, não tenha dúvida que a nossa gente não hesitará em nos chamar, mesmo que seja no meio da madrugada”.
O que mais te impressionou durante estas viagens? Você se lembra de algum momento em particular?
Durante as duas viagens, certamente muitas cenas me impressionaram. Mas particularmente nos dá uma grande sensação de impotência e uma certa tristeza ver a Catedral e o Palácio Presidencial de Porto Príncipeem ruínas. Osdois monumentos da capital haitiana continuam incomodando a paisagem até hoje, 2 anos após a tragédia. Eles são símbolo de muitas vidas que ficaram em pedaços naquele país, depois da catástrofe natural. Hoje, acredita-se que apenas 50% dos escombros foram retirados das ruas. A impressão que deixa após a segunda viagem de trabalho é que eles quase que se “integraram” à paisagem urbana, em meio a uma avalanche de carros que entopem as vias e alguns acampamentos que resistem à provisoriedade para os quais foram criados.
A primeira viagem de trabalho, em novembro de 2010, foi especialmente marcada por um período tenso que pudemos testemunhar. Coincidiram, durante a visita de nossas equipes, o início da trágica epidemia de cólera, algumas rebeliões contra a MINUSTAH (forças de paz da ONU que ocupam o território) e clima tenso em razão da disputa presidencial.
A segunda viagem foi em maio do ano passado. Nela buscamos compreender melhor a dinâmica na qual o país foi introduzido. Procuramos conhecer um pouco mais das localidades igualmente necessitadas fora do eixo Porto Príncipe-Jacmel. Com a migração interna após o 12 de janeiro de 2010, alguns tentam a vida em outras regiões do país, longe da agitação da capital e em terras onde supostamente estariam livres de tremores. Dessa segunda viagem nasceram alguns posts em meu blog:www.novavereda.blogspot.com/search/label/Haiti com entrevistas, pessoas, histórias e músicas que ouvi na minha estada.
As pessoas do local, especialmente após a catástrofe de 2010, sonham com alguma coisa?
Surpreendeu-me o fato de que muitos haitianos sonham com um visto que lhes possibilitava uma chance de vida melhor no exterior. Isso é, em minha opinião, um sintoma de que muitos não encontram oportunidade, as desigualdades no país são assustadoras e, infelizmente, o Estado historicamente não foi capaz de atender às demandas da população. Milhares tentam a vida no Canadá, outros na França e alguns também nos EUA. Essa comunidade da diáspora é o “ganha pão” de muitas famílias. A insegurança alimentar, a falta de infra-estrutura de base (água, esgoto, educação para todos, moradia digna), somada ao altíssimo índice de desemprego, faz com que muitas lideranças, muitos “cérebros” fujam da realidade. Outros tantos que se encontram no país, não tem oportunidade.
Qual era a situação das pessoas, particularmente, nos acampamentos? Como você foi recebido?
Eram os lugares de maior sofrimento, mesmo acompanhados por alguma presença eclesial, nem sempre é fácil... Há dois sentimentos: os estrangeiros nos trouxeram a tragédia, ou é do exterior que vem a salvação. Nunca sabemos com qual atitude vamos nos deparar. Mesmo um bom tempo após a tragédia, há uma ferida “psicológica” que pode custar a sarar. Com razão muitos não aceitam serem fotografados em condições indignas, como as que oferecem os acampamentos ou favelas como a de Cité Soleil, na capital, onde o lixo se confunde com os animais, os veículos e as pessoas. Mas em geral, há que ser sincero e dizer que tive uma experiência muito positiva. O povo é em geral bastante acolhedor e simpático. Há muita gente cansada de esperar. Há muitos que trabalham também para reacender a esperança.
Passaram-se dois anos desde a catástrofe, o que a população espera de vocês e das outras organizações que ajudam na reconstrução do Haiti? Como você acompanha a situação do local atualmente?
A grande tentação nesse momento pode ser a de reconstruir tudo de qualquer maneira. Talvez alguns esperem uma resposta mais ágil das organizações, mas precisamos assegurar nossos benfeitores e a população beneficiada pelos projetos de que as construções que serão feitas respeitarão realmente medidas técnicas anti-sísmicas e também anti-ciclônicas, já que anualmente o país é tocado por fenômenos naturais que ocasionam danos nesse sentido.
Acompanhamos a situação principalmente através do parecer dos bispos de cada localidade. Mesmo não podendo estar mais presente fisicamente, pois tenho que acompanhar projetos também em outros países, buscamos estar unidos sempre na oração e obter informações. Um princípio de trabalho da Fundação AIS (www.acn-intl.org) é tudo começar pela oração. Rezamos primeiro com nossos benfeitores pela situação dos nossos irmãos no mundo. Buscamos nos atualizar com os nossos contatos para manter nossa rede de benfeitores em dia com as notícias que nos chegam das diversas partes do mundo. Por fim, aqueles que se sentem tocados por uma ou outra realidade tem também a ocasião de fazer uma partilha concreta pelo bem de outros mais necessitados no mundo.
E o que seria realmente mais importante para ajudar a população Haitiana?
Creio firmemente que investir e apoiar o trabalho com a Igreja católica é um ponto chave. Temos visto que os missionários fazem o bem a todos sem discriminação. Muitas seitas e outros movimentos religiosos, além das ONGs tem entrado no país com uma caridade que infelizmente faz bem só a si mesmo ou a grupos restritos. Uma irmã uma vez indignada dizia que o trabalho das ONGs é assim: “precisa não enxergar de um olho ou ter uma perna torta pra poder receber alguma coisa dessa gente”. Claro que cada um tempo o seu papel e há organizações que trabalham com seriedade. A Igreja trabalha diretamente com a população e está aberta a todos. Um bispo nos explicava: “aqui a primeira coisa que a gente faz quando abre uma missão é criar a escola. O padre é também professor. Se não ensinarmos o povo a ler, não encontramos ninguém que possa fazer as leituras na missa!”. De fato, há um costume de construir “capelas-escolas”, onde nas localidades mais desatendidas dá-se uma oportunidade a muita gente pra começar seus estudos. Da mesma maneira, trabalha-se com os órfãos, com os doentes (nos dispensários e nos hospitais). Temos buscado ajudar especialmente às congregações religiosas locais, pois boa parte da educação passa pela mão das irmãs que são professoras seja no ensino público que privado.
Um bispo nos dizia durante nossa viagem: “Mais importante que reconstruir paredes hoje – que também precisamos – é educar o povo e reconstruir o país a partir do coração de cada homem”.
Fonte: Zenit - Maria Emília Marega
Quando você recebeu a proposta para acompanhar os projetos no Haiti, já havia acontecido a tragédia do terremoto do 12 de janeiro de 2010?
Durante o meu tempo de estágio preparatório para o trabalho aqui na sede internacional da AIS, entre julho e setembro de 2009, já havia tido contato com projetos do Haiti. No dia da tragédia, estava trabalhando na redação brasileira da Rádio Vaticano e a notícia da morte da Dra. Zilda Arns no terremoto em Porto Príncipe, recordo-me, nos deixou a todos consternados. Alguns meses, mais tarde, em julho de 2010, assumi o cargo de Responsável de Projetos da Seção que já acompanhava os trabalhos no Haiti, o que me satisfaz, pois a grande necessidade do país nos motiva a trabalhar mais e com redobrada motivação por esse povo tão sofrido. Em minha seção, acompanho projetos pastorais na região geográfica entre a Bolívia e o México (excluindo, portanto Cuba, Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, que pertencem à Seção América Latina II).
A tragédia mudou alguma coisa na execução dos trabalhos da AIS naquele país?
Nossa Seção sempre buscou acompanhar de perto toda a situação haitiana, especialmente do nosso interlocutor principal, que é a Igreja – na pessoa dos bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos – gente que sempre esteve em primeira linha muito comprometida com o desenvolvimento do país. Nossa primeira atitude foi buscar de todo jeito contactar nossos parceiros de projeto no local. Três meses após a catástrofe, convidamos o presidente da Conferência Episcopal Haitiana, Dom Kébreau e o então Administrador Apostólico de Porto Príncipe, Dom Lafontant, para uma visita à nossa sede. Antes de minha chegada para assumir o cargo na Seção, já uma equipe de trabalho nossa havia estado nos locais mais tocados pela tragédia.
Quando você foi ao Haiti, qual foi a maior necessidade encontrada?
Vimos logo a necessidade de visitas e contatos mais frequentes para atender bem a demanda. Ouvir e conhecer mais profundamente a dor e a consternação de nossos irmãos haitianos tornou-se assim uma prioridade para nossa seção. Por isso em meu primeiro ano de trabalho aqui busquei dedicar-me especialmente a conhecer pessoalmente mais deste país. Já realizei 2 viagens ao Haiti neste último ano e pude encontrar todos os bispos e conhecer mais de perto mais do sofrimento da população. Ambas as viagens que realizei contaram com especial ajuda e colaboração da Conferência Episcopal Haitiana, que articulou um programa e algumas entrevistas nas 10 dioceses do país.
Qual é o critério utilizado para a execução dos projetos que você acompanha? Vocês contam com a ajuda da população local?
Nosso trabalho na AIS prioriza atender, como desejava o nosso fundador, Pe. Werenfried van Straaten, as urgências e as carências mais sentidas da Igreja local para que a boa nova chegue a todos os homens. Para isso, dedicamos muito de nossa viagem para deixar que a própria Igreja no Haiti nos mostre o que podemos fazer, dentro de nossas possibilidades, para que os seus agentes continuem sendo “tudo para todos”. Essa foi a impressão mais forte que tive da Igreja nesse país. O sacerdote, a religiosa, os agentes da pastoral do dia-a-dia são sinal de esperança para a população. Entrevistando alguns sacerdotes, nos surpreende ver estes homens que dedicam a sua juventude – muitos são bem jovens! – em localidades onde faltam todas as estruturas. E eles nos dizem: “amigo, aqui o pároco sou eu, mas o padre é também pro povo médico, advogado, juiz, motorista... se um pessoa está doente ou uma mulher grávida precisa dar à luz, não tenha dúvida que a nossa gente não hesitará em nos chamar, mesmo que seja no meio da madrugada”.
O que mais te impressionou durante estas viagens? Você se lembra de algum momento em particular?
Durante as duas viagens, certamente muitas cenas me impressionaram. Mas particularmente nos dá uma grande sensação de impotência e uma certa tristeza ver a Catedral e o Palácio Presidencial de Porto Príncipeem ruínas. Osdois monumentos da capital haitiana continuam incomodando a paisagem até hoje, 2 anos após a tragédia. Eles são símbolo de muitas vidas que ficaram em pedaços naquele país, depois da catástrofe natural. Hoje, acredita-se que apenas 50% dos escombros foram retirados das ruas. A impressão que deixa após a segunda viagem de trabalho é que eles quase que se “integraram” à paisagem urbana, em meio a uma avalanche de carros que entopem as vias e alguns acampamentos que resistem à provisoriedade para os quais foram criados.
A primeira viagem de trabalho, em novembro de 2010, foi especialmente marcada por um período tenso que pudemos testemunhar. Coincidiram, durante a visita de nossas equipes, o início da trágica epidemia de cólera, algumas rebeliões contra a MINUSTAH (forças de paz da ONU que ocupam o território) e clima tenso em razão da disputa presidencial.
A segunda viagem foi em maio do ano passado. Nela buscamos compreender melhor a dinâmica na qual o país foi introduzido. Procuramos conhecer um pouco mais das localidades igualmente necessitadas fora do eixo Porto Príncipe-Jacmel. Com a migração interna após o 12 de janeiro de 2010, alguns tentam a vida em outras regiões do país, longe da agitação da capital e em terras onde supostamente estariam livres de tremores. Dessa segunda viagem nasceram alguns posts em meu blog:www.novavereda.blogspot.com/search/label/Haiti com entrevistas, pessoas, histórias e músicas que ouvi na minha estada.
As pessoas do local, especialmente após a catástrofe de 2010, sonham com alguma coisa?
Surpreendeu-me o fato de que muitos haitianos sonham com um visto que lhes possibilitava uma chance de vida melhor no exterior. Isso é, em minha opinião, um sintoma de que muitos não encontram oportunidade, as desigualdades no país são assustadoras e, infelizmente, o Estado historicamente não foi capaz de atender às demandas da população. Milhares tentam a vida no Canadá, outros na França e alguns também nos EUA. Essa comunidade da diáspora é o “ganha pão” de muitas famílias. A insegurança alimentar, a falta de infra-estrutura de base (água, esgoto, educação para todos, moradia digna), somada ao altíssimo índice de desemprego, faz com que muitas lideranças, muitos “cérebros” fujam da realidade. Outros tantos que se encontram no país, não tem oportunidade.
Qual era a situação das pessoas, particularmente, nos acampamentos? Como você foi recebido?
Eram os lugares de maior sofrimento, mesmo acompanhados por alguma presença eclesial, nem sempre é fácil... Há dois sentimentos: os estrangeiros nos trouxeram a tragédia, ou é do exterior que vem a salvação. Nunca sabemos com qual atitude vamos nos deparar. Mesmo um bom tempo após a tragédia, há uma ferida “psicológica” que pode custar a sarar. Com razão muitos não aceitam serem fotografados em condições indignas, como as que oferecem os acampamentos ou favelas como a de Cité Soleil, na capital, onde o lixo se confunde com os animais, os veículos e as pessoas. Mas em geral, há que ser sincero e dizer que tive uma experiência muito positiva. O povo é em geral bastante acolhedor e simpático. Há muita gente cansada de esperar. Há muitos que trabalham também para reacender a esperança.
Passaram-se dois anos desde a catástrofe, o que a população espera de vocês e das outras organizações que ajudam na reconstrução do Haiti? Como você acompanha a situação do local atualmente?
A grande tentação nesse momento pode ser a de reconstruir tudo de qualquer maneira. Talvez alguns esperem uma resposta mais ágil das organizações, mas precisamos assegurar nossos benfeitores e a população beneficiada pelos projetos de que as construções que serão feitas respeitarão realmente medidas técnicas anti-sísmicas e também anti-ciclônicas, já que anualmente o país é tocado por fenômenos naturais que ocasionam danos nesse sentido.
Acompanhamos a situação principalmente através do parecer dos bispos de cada localidade. Mesmo não podendo estar mais presente fisicamente, pois tenho que acompanhar projetos também em outros países, buscamos estar unidos sempre na oração e obter informações. Um princípio de trabalho da Fundação AIS (www.acn-intl.org) é tudo começar pela oração. Rezamos primeiro com nossos benfeitores pela situação dos nossos irmãos no mundo. Buscamos nos atualizar com os nossos contatos para manter nossa rede de benfeitores em dia com as notícias que nos chegam das diversas partes do mundo. Por fim, aqueles que se sentem tocados por uma ou outra realidade tem também a ocasião de fazer uma partilha concreta pelo bem de outros mais necessitados no mundo.
E o que seria realmente mais importante para ajudar a população Haitiana?
Creio firmemente que investir e apoiar o trabalho com a Igreja católica é um ponto chave. Temos visto que os missionários fazem o bem a todos sem discriminação. Muitas seitas e outros movimentos religiosos, além das ONGs tem entrado no país com uma caridade que infelizmente faz bem só a si mesmo ou a grupos restritos. Uma irmã uma vez indignada dizia que o trabalho das ONGs é assim: “precisa não enxergar de um olho ou ter uma perna torta pra poder receber alguma coisa dessa gente”. Claro que cada um tempo o seu papel e há organizações que trabalham com seriedade. A Igreja trabalha diretamente com a população e está aberta a todos. Um bispo nos explicava: “aqui a primeira coisa que a gente faz quando abre uma missão é criar a escola. O padre é também professor. Se não ensinarmos o povo a ler, não encontramos ninguém que possa fazer as leituras na missa!”. De fato, há um costume de construir “capelas-escolas”, onde nas localidades mais desatendidas dá-se uma oportunidade a muita gente pra começar seus estudos. Da mesma maneira, trabalha-se com os órfãos, com os doentes (nos dispensários e nos hospitais). Temos buscado ajudar especialmente às congregações religiosas locais, pois boa parte da educação passa pela mão das irmãs que são professoras seja no ensino público que privado.
Um bispo nos dizia durante nossa viagem: “Mais importante que reconstruir paredes hoje – que também precisamos – é educar o povo e reconstruir o país a partir do coração de cada homem”.
Fonte: Zenit - Maria Emília Marega
As instituições devem apoiar as famílias numerosas e os jovens à procura de trabalho
A atual crise pode ser um estímulo para refletir sobre os valores que animam a nossa sociedade; disse o Papa Bento XVI durante a Audiência com os administradores públicos da Região Lazio, da Província, e do Município de Roma, para a tradicional troca de saudações pelo novo ano.
***
A Audiência foi realizada na Sala Clementina do Palácio Apostólico e foi precedida por homenagens de Renata Polverini, presidente da Junta regional Lazio, Nicola Zingaretti, presidente da Província de Roma, Giovanni Alemanno, prefeito de Roma.
O Santo Padre começou seu discurso dizendo que a crise econômica e financeira não poupa o território de Roma e Lazio, e reiterou mais uma vez que as “raízes profundas” deste fenômeno estão “em uma crise ética.”
A etimologia da palavra “crise”, disse Bento XVI, está ligada à dimensão do “separar”, “avaliar” e “julgar”. Portanto, a crise atual pode ser uma oportunidade para “verificar se os valores fundamentais da vida social geraram uma sociedade mais justa e solidária”, ou se é necessário “recuperar valores que estão na base de uma verdadeira renovação da sociedade, não apenas para um restabelecimento econômico, mas também para o “bem integral da pessoa.”
A crise atual tem suas raízes no “individualismo que obscurece a dimensão relacional do homem”, fechando-o “em seu pequeno mundo”. O Santo Padre mencionou "a inserção cada vez mais exigente no mundo do trabalho para os jovens, a solidão de muitos idosos, o anonimato que muitas vezes caracteriza a vida nos bairros da cidade, o olhar, às vezes superficial, para as situações de marginalização e pobreza”, como consequências desta mentalidade.
A fé, no entanto, sugere uma perspectiva diretamente oposta, em que o homem “é chamado a viver em relação e que o “eu” pode encontrar-se a partir do “tu” que é antes de tudo, Deus”, o único capaz de acolher o homem incondicionalmente.
Da mesma forma, as instituições devem “favorecer o crescimento da consciência de fazer parte de uma única realidade, onde cada um, à semelhança do corpo humano, é importante para o todo”, como citado em Menenio Agrippa relatado por Tito Lívio na sua história de Roma.
O valor da hospitalidade, que está na consciência de fazer parte de um “corpo”, está “profundamente enraizado nos corações dos habitantes de Roma e do Lazio”, disse o Santo Padre, recordando a fraternidade gerada em Roma durante os dias da beatificação de João Paulo II.
O Papa também mencionou a Caritas e as comunidades cristãs, que oferecem hospitalidade aos estrangeiros que fogem de situações desesperadoras em seus países de origem.
Bento XVI também encorajou a defesa da “família fundada sobre o matrimônio como célula essencial da sociedade”.
Uma sociedade solidária deve ajudar as novas gerações, com políticas que garantam “moradia a custo baixo e que façam todo o possível para assegurar uma atividade lavorativa”. Isso é importante para evitar o risco de que os jovens sejam vítimas de “organizações ilegais, que oferecem lucro fácil e não respeitam o valor da vida humana”, acrescentou o Papa.
Antes de dar a sua bênção apostólica, o Papa recordou que os desafios são “múltiplos e complexos” e podem ser superados somente “na medida em que se reforçar a consciência de que o destino de cada um está ligado ao de todos.”
Fonte: Zenit.
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A Audiência foi realizada na Sala Clementina do Palácio Apostólico e foi precedida por homenagens de Renata Polverini, presidente da Junta regional Lazio, Nicola Zingaretti, presidente da Província de Roma, Giovanni Alemanno, prefeito de Roma.
O Santo Padre começou seu discurso dizendo que a crise econômica e financeira não poupa o território de Roma e Lazio, e reiterou mais uma vez que as “raízes profundas” deste fenômeno estão “em uma crise ética.”
A etimologia da palavra “crise”, disse Bento XVI, está ligada à dimensão do “separar”, “avaliar” e “julgar”. Portanto, a crise atual pode ser uma oportunidade para “verificar se os valores fundamentais da vida social geraram uma sociedade mais justa e solidária”, ou se é necessário “recuperar valores que estão na base de uma verdadeira renovação da sociedade, não apenas para um restabelecimento econômico, mas também para o “bem integral da pessoa.”
A crise atual tem suas raízes no “individualismo que obscurece a dimensão relacional do homem”, fechando-o “em seu pequeno mundo”. O Santo Padre mencionou "a inserção cada vez mais exigente no mundo do trabalho para os jovens, a solidão de muitos idosos, o anonimato que muitas vezes caracteriza a vida nos bairros da cidade, o olhar, às vezes superficial, para as situações de marginalização e pobreza”, como consequências desta mentalidade.
A fé, no entanto, sugere uma perspectiva diretamente oposta, em que o homem “é chamado a viver em relação e que o “eu” pode encontrar-se a partir do “tu” que é antes de tudo, Deus”, o único capaz de acolher o homem incondicionalmente.
Da mesma forma, as instituições devem “favorecer o crescimento da consciência de fazer parte de uma única realidade, onde cada um, à semelhança do corpo humano, é importante para o todo”, como citado em Menenio Agrippa relatado por Tito Lívio na sua história de Roma.
O valor da hospitalidade, que está na consciência de fazer parte de um “corpo”, está “profundamente enraizado nos corações dos habitantes de Roma e do Lazio”, disse o Santo Padre, recordando a fraternidade gerada em Roma durante os dias da beatificação de João Paulo II.
O Papa também mencionou a Caritas e as comunidades cristãs, que oferecem hospitalidade aos estrangeiros que fogem de situações desesperadoras em seus países de origem.
Bento XVI também encorajou a defesa da “família fundada sobre o matrimônio como célula essencial da sociedade”.
Uma sociedade solidária deve ajudar as novas gerações, com políticas que garantam “moradia a custo baixo e que façam todo o possível para assegurar uma atividade lavorativa”. Isso é importante para evitar o risco de que os jovens sejam vítimas de “organizações ilegais, que oferecem lucro fácil e não respeitam o valor da vida humana”, acrescentou o Papa.
Antes de dar a sua bênção apostólica, o Papa recordou que os desafios são “múltiplos e complexos” e podem ser superados somente “na medida em que se reforçar a consciência de que o destino de cada um está ligado ao de todos.”
Fonte: Zenit.
A família, centro do diálogo Hebraico cristão
Organizada pela Academia internacional para o desenvolvimento Econômico e Social (AISES), será realizada terça-feira, 17 de janeiro, no Palazzo Montecitorio, em Roma, a conferência sobre "A Família como motor do crescimento econômica. Valores e Perspectivas ".
O encontro que contará com a presença, dentre outros, do rabino chefe de Roma, o rabino Riccardo Di Segni, o Presidente do Instituto das Obras Religiosas (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, e Dom Lorenzo Leuzzi, capelão da Câmara dos Deputados, foi organizado para celebrar o Dia do Hebraísmo.
Como uma expressão de grande apreço, a Igreja Católica na Itália, Polónia, Áustria e Países Baixos celebra no dia 17 de Janeiro o "Dia do hebraísmo."
Trata-se de uma celebração nascida em 1990 a pedido da Comissão Ecumênica da Conferência Episcopal Européia.
"A escolha da família como tema para pôr no centro do debate - disse Edith Anav Arbib, criadora e organizadora da conferência - foi natural, porque hebreus e cristão compartilham o Livro do Gênesis, que é o primeiro livro da Torá hebraica e da Bíblia cristã".
Como sublinhou também monsenhor Leuzzi no Gênesis está claramente escrito que "Deus criou o homem à sua própria imagem; homem e mulher os criou (...) o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne (...) Deus os abençoou e lhes disse:. "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra; sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar e as aves do céu e sobre todo ser vivo, que rasteja sobre a terra"
Estas indicações bíblicas são os fundamentos da cultura hebraica e daquela cristã, bem como expressão de civilização a nível mundial.
De acordo com Edith Arbib Anav, neste caso, os valores tradicionais da família e da procriação são as respostas mais eficazes aos problemas colocados pela modernidade.
A este respeito Monsenhor Leuzzi acrescentou que a capacidade do homem e da mulher de doar-se um ao outro é a forma mais avançada da modernidade.
Durante a Conferência, Ettore Gotti Tedeschi vai explicar como e por que a crise demográfica, que afeta principalmente a Europa, está na base dos problemas econômicos que ameaçam o mundo ocidental.
O Presidente do IOR mostrará como somente recomeçando a defender as famílias e tendo filhos se poderá superar a crise.
Nesta reunião participarão também Valerio de Luca, presidente dell'Aises, o excelentíssimo Enrico Letta e o Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, Maurizio Lupi Hon.
*
Para adesão e reservas:
tel:. 06 67603386
e-mail: cerimoniale.adesioni@camera.it
Fonte: Zenit.
O encontro que contará com a presença, dentre outros, do rabino chefe de Roma, o rabino Riccardo Di Segni, o Presidente do Instituto das Obras Religiosas (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, e Dom Lorenzo Leuzzi, capelão da Câmara dos Deputados, foi organizado para celebrar o Dia do Hebraísmo.
Como uma expressão de grande apreço, a Igreja Católica na Itália, Polónia, Áustria e Países Baixos celebra no dia 17 de Janeiro o "Dia do hebraísmo."
Trata-se de uma celebração nascida em 1990 a pedido da Comissão Ecumênica da Conferência Episcopal Européia.
"A escolha da família como tema para pôr no centro do debate - disse Edith Anav Arbib, criadora e organizadora da conferência - foi natural, porque hebreus e cristão compartilham o Livro do Gênesis, que é o primeiro livro da Torá hebraica e da Bíblia cristã".
Como sublinhou também monsenhor Leuzzi no Gênesis está claramente escrito que "Deus criou o homem à sua própria imagem; homem e mulher os criou (...) o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne (...) Deus os abençoou e lhes disse:. "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra; sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar e as aves do céu e sobre todo ser vivo, que rasteja sobre a terra"
Estas indicações bíblicas são os fundamentos da cultura hebraica e daquela cristã, bem como expressão de civilização a nível mundial.
De acordo com Edith Arbib Anav, neste caso, os valores tradicionais da família e da procriação são as respostas mais eficazes aos problemas colocados pela modernidade.
A este respeito Monsenhor Leuzzi acrescentou que a capacidade do homem e da mulher de doar-se um ao outro é a forma mais avançada da modernidade.
Durante a Conferência, Ettore Gotti Tedeschi vai explicar como e por que a crise demográfica, que afeta principalmente a Europa, está na base dos problemas econômicos que ameaçam o mundo ocidental.
O Presidente do IOR mostrará como somente recomeçando a defender as famílias e tendo filhos se poderá superar a crise.
Nesta reunião participarão também Valerio de Luca, presidente dell'Aises, o excelentíssimo Enrico Letta e o Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, Maurizio Lupi Hon.
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Para adesão e reservas:
tel:. 06 67603386
e-mail: cerimoniale.adesioni@camera.it
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
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