sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Feridas econômicas, provas para a fé

A dura realidade do desemprego e da pobreza não é somente um problema econômico, mas também um desafio moral e uma prova de fé, sustentam os bispos dos Estados Unidos.

Dom Stephen Blaire, de Stockton (Califórnia), fez esta afirmação em “Custos humanos e desafios morais de uma economia em crise”, a declaração anual da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB) para o Labor Day, no último dia 24 de agosto.

Para o prelado, que é presidente do Comitê dos Bispos Americanos para a Justiça Interna e o Desenvolvimento Humano, “nossa fé nos dá uma maneira particular de ver esta economia em crise”.

“Dos profetas do Antigo Testamento até o exemplo da Igreja primitiva, registrado no Novo Testamento, aprendemos que Deus cuida dos pobres e dos fracos e mede a fé da comunidade segundo como esta trata os que vivem à margem da sociedade.”

“No período que passou sobre a terra, Jesus nos mostrou a dignidade do trabalho e afirmou que seremos julgados segundo a nossa resposta aos 'últimos'.”

Os cristãos, acrescentou o prelado, “devem estudar com cuidado o que Jesus nos ensinou sobre o uso do dinheiro e da riqueza, sobre o espírito de administração e de desprendimento, sobre a busca da justiça e o cuidado dos necessitados, bem como sobre o chamado à busca e ao serviço do Reino de Deus”.

“Baseando-se nestes valores da Escritura, nossa Igreja se centrou no trabalho, nos trabalhadores e na justiça econômica, em uma série de encíclicas papais, começando pela Rerum Novarum.”

O documento prossegue destacando a visão da Igreja com relação ao trabalho, à união dos trabalhadores e à solidariedade com os pobres.

“Para os cristãos, não é suficiente reconhecer as dificuldades atuais – destacou Dom Blaire. Somos pessoas de esperança, comprometidas com a oração, para ajudar todos os que enfrentam tempos difíceis e trabalhar com os outros para construir uma economia melhor.”

“Nossa fé nos dá força, direção e confiança nestas terras”, concluiu.

O texto completo da declaração está disponível em www.usccb.org/about/domestic-social-development/upload/Labor-Day-2011.pdf.


Fonte: Zenit.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Índia: perseguição cristã continua

Ainda em 2011, os cristãos do Estado indiano de Orissa continuam sendo perseguidos, destaca um novo relatório.

Três anos depois da série de ataques aos cristãos (agosto de 2008), que deixou 18 mil feridos, 50 mil deslocados e cerca de 120 mortos, a associação caritativa Ajuda à Igreja que Sofre recebeu um documento que aborda a contínua discriminação contra os cristãos em Orissa.

No texto, o advogado cristão K.J. Markosse descreve o assassinato de ministros cristãos e as dificuldades que barram a reconstrução das casas destruídas durante os ataques de 2008.

Também denuncia que o pastor batista Minoketan (conhecido como Michael) Nayak, do povoado de Midiakia-Kutipada, em Baliguda, Orissa, foi assassinado na noite de 26 de julho.

Em janeiro, outro pastor, Saula Pradhan, saiu de sua casa com dois amigos hindus e no dia seguinte foi encontrado morto.

Segundo o relatório, a polícia, nessas investigações, coloca-se ao lado do RSS (Rashtriya Swayamsevak Sangh, um partido político hindu), em favor de “eliminar os líderes cristãos”.

O advogado também descreve como no distrito de Sundargarh, também em Orissa, criam-se obstáculos para impedir a reconstrução das casas dos cristãos incendiadas e destruídas em 2008.

Fonte: Zenit.

Nepal: minorias contra projeto de lei anticonversão

Enquanto o Nepal se dispõe a finalizar rapidamente sua nova constituição – cuja data-limite foi estabelecida para hoje, mas foi prorrogada –, as minorias religiosas se mobilizam contra um projeto de lei anticonversão que se debate no Parlamento.

Apresentado pela comissão encarregada de reformar o Código Penal nepalês, o artigo 160 prevê sancionar toda tentativa de conversão ou desvio da religião hindu “por qualquer método”, informou o boletim Eglises D'Asie em 22 de agosto.

Se aprovado, qualquer pessoa que for flagrada pregando outra religião diferente do hinduísmo ou distribuindo textos religiosos não-hindus, poderá ser condenada a pagar uma multa de 50 mil rúpias (cerca de 485 euros) e a cinco anos de prisão. A mesma sanção é contemplada para todo indivíduo que tenha abatido um bovino para utilizar ou consumir sua carne, uma prática proibida pelo hinduísmo. Se a pessoa que desobedece a lei for estrangeira, será imediatamente expulsa.

Estas medidas, sublinham algumas organizações não-governamentais – como Christian Solidarity Worldwide, protestante –, são ainda mais restritivas que as leis anticonversão em vigor atualmente em alguns estados da Índia.

Tanto para os cristãos, que se sabem especialmente no alvo destas medidas, como para os partidários de um Estado leigo no Nepal, isso supõe uma regressão de mais de meio século, antes da “abertura ao mundo exterior” de um estado monárquico em que o hinduísmo era a única religião reconhecida e autorizada.

Um dia depois da sessão parlamentar de 14 de agosto, na qual o projeto suscitou vivos debates, as minorias religiosas no Nepal anunciaram o lançamento de uma grande campanha contra o artigo 160, temendo que este não seja votado na urgência de concluir a Constituição e em razão do caos político causado pela demissão do primeiro-ministro nepalês, Jhala Nath Khanal, e sua sucessão pelo maoísta Baburam Bhattarai.

Esta operação de sensibilização foi decidida após uma reunião realizada em Katmandu na semana anterior, por iniciativa da Igreja Católica e sob a égide do Interreligious Secularism Protection Movement (IRSPM).

Reunindo responsáveis cristãos, muçulmanos, budistas e baha'i, representantes das principais comunidades religiosas aborígenes, assim como diferentes partidos políticos, esta assembleia interconfissional representa uma grande novidade no Nepal.

Os participantes lançaram um apelo ao governo, recordando-lhe que se dispõe a violar os fundamentos sobre os que se apoia a nova república nepalês e sua Constituição provisória, que proclamou em 2006 a liberdade religiosa e a laicidade do Estado.

“Esta proposição de lei vai contra a laicidade do Estado, já inscrita na Constituição provisória”, afirmou Nazrul Hussain Falahi, líder muçulmano e coordenador adjunto do IRSPM.

“Apesar de que o Nepal tenha se proclamado um país leigo, continua excluindo as minorias religiosas”, afirmou Palsang Vajra Lama, monge budista e coordenador da campanha do IRSPM. Unindo-se a outras minorias religiosas do país, denunciou o fato de que somente as instituições hindus recebem ajudas do Estado, não sendo reconhecidos como instituições religiosas os mosteiros budistas, igrejas, templos e mesquitas devido à falta de um estatuto jurídico claro.

Os líderes religiosos e políticos exortaram também o governo a fazer prevalecer, como estava previsto na Constituição, as liberdades de religião, expressão e opinião na futura Constituição nepalês, e a criar uma Comissão de Assuntos Religiosos, que contemple a representação das minorias não-hindus, faça que se reconheçam juridicamente e as proteja de toda discriminação.

Às vésperas da promulgação da Constituição nepalês, a mudança recente da situação político-religiosa veio alimentar os temores das minorias. Após a euforia que seguiu à queda da monarquia e o rápido aumento das religiões não-hindus, sob o efeito da laicização do Estado – especialmente as comunidades evangélicas e pentecostais –, a escalada do extremismo hindu, proporcional ao avanço do cristianismo, rapidamente marcou o fim da tolerância religiosa ainda incipiente no Nepal.

A manifestação visível desta violência antirreligiosa foi o atentado mortal perpetrado em março de 2009 na igreja católica da Assunção, de Katmandu, por parte do Nepal Defence Army (NDA), um grupo nacionalista que promulga a volta à monarquia e à religião hindu.

O projeto do artigo 160 se apoia na convicção, reiterada pelos hindus, de que os cristãos realizam conversões forçadas – uma afirmação refutada por todas as comunidades cristãs. “É uma teoria sem fundamento e é escandaloso que o governo a apoie”, indignou-se Isu Jang Karki, que lidera a Nepal Christian Society, a mais importante federação de igrejas protestantes do país.

“A lei não é contra os cristãos que realizam grandes serviços ao nosso país – disse à agência AsiaNews o ministro da Justiça, Prabhu Sah –, mas contra a hegemonia crescente do cristianismo.” Informou que os hindus e budistas se lamentam pelas práticas agressivas de conversão de algumas comunidades protestantes. “Estas queixas não se referem aos católicos”, esclareceu.

Fonte: Zenit.

Papa pede orações por professores e Igreja na Ásia

No mês de setembro, Bento XVI convida os cristãos a rezarem pelos professores e pelas comunidades cristãs na Ásia, segundo informa o Apostolado da Oração.

A intenção geral de oração do Papa é: “Por todos os docentes, para que saibam transmitir o amor à verdade e educar nos valores morais e espirituais autênticos”.

O Pontífice também propõe esta intenção missionária pela Igreja na Ásia: “Para que as comunidades cristãs dispersas no continente asiático proclamem o Evangelho com fervor, dando testemunho da sua beleza com a alegria da fé”.

Comentando aos microfones da Rádio Vaticano a intenção referente aos professores, o prefeito da Congregação para a Educação Católica, cardeal Zenon Grocholewski, destacou que, “frente ao relativismo que concerne aos valores e verdades fundamentais da vida, aspira-se a transmitir o amor à verdade”.

“Se não se sabe o que é o bem e o mal, se tudo é relativo, então surge a pergunta: para que educar?”, disse.

Com relação à transmissão dos “valores espirituais”, recordou que “a educação não pode se reduzir à transmissão de conhecimentos”, porque, dessa forma, tais conhecimentos “poderiam ser utilizados tanto para o bem quanto para o mal”.

“É preciso educar a pessoa para que saiba – mas sobretudo para que queira – utilizar esses conhecimentos e essas capacidade para o bem”, indicou.

Quando questionado sobre a missão da Congregação para a Educação Católica, explicou que o objetivo é elaborar um “projeto educativo baseado no caráter central da pessoa humana, em sua integridade”.

Em sua opinião, a formação intelectual deve “educar a pessoa, tornando-a capaz de ser crítica, de estar em condições de julgar e avaliar por si mesma – não de ser escrava de propagandas e ideologias”.

O purpurado insistiu também na importância da formação dos professores. “Não devem ter unicamente uma formação intelectual e específica na matéria que lecionam, mas também certa formação espiritual, que faça deles pessoas de confiança para representar certa 'autoridade' diante dos alunos”.

“Quando alguns embaixadores junto à Santa Sé não-cristãos vêm à Congregação, costumam destacar o fato de ter frequentado a escola católica, a universidade católica. E eu lhes pergunto sempre por que, sem ser católicos, frequentaram a escola católica”, contou o cardeal.

E acrescentou: “Sempre recebo duas respostas: a primeira, porque são as melhores; a segunda – para mim muito importante –, porque a escola católica não transmite apenas conhecimentos, mas forma a pessoa”.

Poucos dias antes da volta às aulas no hemisfério norte, desejou que “os jovens possam, com a ajuda da escola, formar-se e tornar-se pessoas sólidas, responsáveis, que, por um lado, sabem dar um sentido à sua vida e, por outro, conseguem colaborar com os outros pelo bem da humanidade”.

Fonte: Zenit.

Só uma Igreja humilde pode irradiar a bondade divina

Otto Neubauer, diretor da Academia para a Evangelização, da Comunidade Emanuel em Viena, falou no último sábado, na presença do Papa Bento XVI – dentro do encontro do Ratzinger Schülerkreis – sobre as dificuldades no processo de aprendizagem que a Comunidade Emanuel enfrentou em seu compromisso pela nova evangelização.

Precisamente o tema da nova evangelização, que foi o centro da reunião, guiará as reflexões da 13ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, em outubro do ano que vem. Também será objeto do encontro do Papa, nas próximas semanas, com os representantes da Igreja que trabalham no âmbito da nova evangelização no Ocidente.

Em sua intervenção, Neubauer descreveu o rápido progresso da secularização que se dá atualmente na Europa como uma oportunidade para difundir livremente o Evangelho e compreender novamente a kenosis (inclinação) do Senhor diante dos pobres e abandonados.

O diretor da Academia para a Evangelização de Viena explicou que a pobreza poderia se tornar o degrau necessário entre os não-crentes chamados “leigos” e os cristãos. Por um lado, de fato, a negação de Deus pode evidenciar a fome imensa que se tem d'Ele. Porque “a verdadeira e maior pobreza da Europa é a dramática impossibilidade de ser aceitos e amados, a falta da experiência da bondade de Deus”.

Por outro lado, os cristãos, em particular, e a Igreja são afetados pela tendência a ter um olhar condescendente e de “condenação do mundo”, da qual deriva uma falsa confiança em si mesmos e a falta de compreensão da própria pobreza diante de Deus. Este olhar é o obstáculo que está na base da obra de pregação da Igreja e revela um tipo diferente de pobreza, isto é, a falta de compreensão da dependência da misericórdia divina. Por isso, é indispensável uma profunda conversão e autoevangelização dos próprios cristãos, que devem ser capazes de oferecer um testemunho humilde e apaixonado de Cristo como Salvador.

Neubauer descreveu, depois, o processo de aprendizagem da Comunidade Emanuel, em sua tentativa de levar adiante as missões paroquiais de formas novas nas áreas de língua alemã. Em uma primeira fase, a comunidade teve de aprender que “a hospitalidade do Senhor transforma tudo”. É preciso ir à paróquia para preparar o caminho para a missão. Os membros da comunidade que deixaram seu ambiente para aventurar-se “pelas ruas, nas praças, nas casas, nas cafeterias”, puderam experimentar – como um choque saudável – sua pobreza e sua dependência do Espírito de Deus. Ao mesmo tempo, puderam constatar como seu “balbuciente” testemunho era acolhido rapidamente pelas pessoas.

Neubauer resumiu o “primeiro passo da aprendizagem” afirmando que “a evangelização precisa sobretudo de um contato autêntico e, através desse contato, da experiência e do testemunho do 'sim' incondicional de Deus aos homens. E isso sim é Cristo!”.

O segundo passo da aprendizagem para uma comunidade missionária é o de “adorar Cristo nas pessoas que encontramos na missão”. O convite à adoração eucarística – parte integrante da Comunidade Emanuel – levou a novas formas de culto, dirigidas de maneira particular aos jovens.

Os evangelizadores deveriam aprender “a interceder pelas pessoas na adoração e no louvor diante do Senhor, de maneira que possam habitar cada vez mais em nosso coração”. Dessa maneira, através do “ser habitados”, aprenderiam – disse, citando o discurso de Bento XVI aos membros da Cúria Romana, em 21 de dezembro de 2009 – como, dessa missão adorante e dessa compaixão vivida, “os homens podem, de alguma forma, agarrar-se a Deus sem conhecê-lo”.

Como terceira fase, Neubauer falou da experiência segundo a qual somente uma comunidade que vive de forma fraterna e cultiva amizades humanas e espirituais é capaz de levar adiante um trabalho missionário. Os grandes acontecimentos, como a Jornada Mundial da Juventude, só podem dar fruto quando vividos “em pequenos grupos de amigos”. Porque “todos nós precisamos desse alimento simples de amor, isto é, da fraternidade concreta, da amizade entre nós e com o Senhor”.

O diretor da Academia para a Evangelização deplorou o fato de que, em algumas dioceses, ter querido criar reduçõesem estruturas muito rígidas fez que muitos jovens missionários fossem deixados para trás, enquanto os movimentos saíram involucrados em uma “onda de clericalismo” na nova evangelização. Na Igreja, leigos e clero devem colaborar em um clima de estima recíproca e fraternidade humilde. Neubauer aludiu à decisão da arquidiocese de Viena de instituir “escolas de discipulado”, de vários tipos, que possam ser gestionadas também por leigos, desenvolvendo, assim, novas forças missionárias.

O quarto e último passo, segundo Neubauer, é aprender que “as humilhações e feridas devem ser a matéria da nova evangelização”. A Igreja deve admitir as próprias culpas e os próprios fracassos com humilde, sem tentar defender-se de maneira precipitada. Ao mesmo tempo, a Igreja na Europa deve aceitar o fato humilhante de que ela mesma está empequenecendo e está “envelhecendo” cada vez mais.

Deus, prosseguiu, “escolheu os chamados pagãos para fazer surgir novamente sua palavra – afirmou. Por isso, rezo ao Senhor para que possamos acolher as humilhações da nossa época como portas de entrada da presença divina. Tenho quase a impressão de que esta sociedade pode conhecer a luz da sua bondade somente a partir de um grupo pequeno, humilhado e miserável”.


Fonte: Zenit.

Alemanha: cada vez menos crianças

“A Alemanha é o país mais pobre da Europa em termos de crianças” (Welt Online, 3 de agosto). Roderich Egeler, diretor do Departamento Federal de Estatísticas, fez esta preocupante afirmação no último 3 de agosto, ao apresentar os resultados do último microcenso nacional, o Mikrozensus 2010.

Os dados revelam que entre 2000 e 2010 houve queda de 14% no número de crianças e menores no país. Enquanto eles eram quase 15,2 milhões no ano 2000, no ano passado foram contados 13,2 milhões, ou 2,1 milhões a menos em 10 anos.

Nos “Länder” (estados federados) da antiga Alemanha Ocidental, o número de crianças diminuiu quase 10%. Ainda mais dramática foi a queda nas regiões da antiga Alemanha Oriental, a ex-República Democrática Alemã. Nos chamados “novos Länder”, havia em 2010 cerca de 2,1 milhões de menores, 837.000 a menos que em 2000: queda de quase 29%.

Egeler enumera entre as causas não só o declive dos nascimentos no leste do país, mas também o movimento migratório do leste para o oeste. E Christine Kensche, do Welt Online, observa que o motivo não é a falta de assistência à infância e de creches, cuja oferta é até mais ampla no leste. Na média nacional, a “Betreuungsquote” é de 23,1%, o que significa que ao menos uma em cada quatro crianças menores de 2 anos frequenta uma creche. Em alguns “Länder” do leste, como Brandeburgo e Mecklemburgo-Pomerania, a porcentagem supera 51%.

Para incentivar os nascimentos, a coalizão dirigida pela atual chanceler democrata-cristã Angela Merkel (2005-2009) lançou um ambicioso projeto para triplicar, em 2013, o número de creches para crianças menores de três anos. Segundo os planos de Berlim, a “Betreuungsquote” deverá chegar a 38% em 2013.

Com seus 13,1 milhões de menores, a Alemanha tem a porcentagem mais baixa de crianças entre todos os estados europeus: eles são apenas 16,5% da população alemã (em 2000 eram 18,8%). Enquanto na Bulgária (16,7%) e na Itália (16,9%) a situação é parecida com a da Alemanha, a vizinha França se orgulha de uma taxa de fertilidade de 2 filhos por mulher e apresenta a porcentagem de quase 22% de menores em sua população. Na Grã-Bretanha, Holanda e países escandinavos o número de crianças também supera 20% da população. A situação é melhor na Turquia, onde quase um cidadão em cada três é menor de 18 anos: 32% dos 72 milhões de habitantes.

Tudo indica que a proporção de crianças na Alemanha continuará caindo. Se em 2000 quase um cidadão em cada cinco era menor de 18 anos, em 2060 apenas um alemão em cada sete será menor de 18 anos. Calcula-se que a porcentagem de menores cairá para 15% em 2030 e para 14% em 2060.

A situação familiar das crianças também apresenta grandes diferenças do leste para o oeste. Enquanto nos “Länder” ocidentais, no ano passado, 79% das crianças crescia em núcleos familiares compostos por pais casados, a porcentagem no leste da Alemanha era de 58%. No leste, 17% das crianças vive hoje em famílias com pais não casados. É quase o triplo do oeste, onde a porcentagem é de 6%.

Nos “Länder” orientais, quase um quarto das crianças (24%) vive num núcleo familiar monoparental. No oeste, a porcentagem é de 15%. Em termos nacionais, a porcentagem de pessoas que criam um filho sem ajuda de um companheiro(a) aumentou de 13,5% em 2000 para 16,8% no ano passado.

No leste da Alemanha, a proporção de filhos únicos também é mais alta: 35%, contra 24% na parte ocidental do país. Quase a metade dos menores alemães tem um irmão ou irmã; 19% tem dois e 8% ao menos três.

52% dos menores alemães vive em famílias em que ambos pais têm renda. Esta porcentagem cai para 28% no caso das crianças menores de 3 anos, o que significa que, nas famílias com filhos pequenos, um dos pais, normalmente a mãe, tende a interromper temporariamente a carreira. 38% das crianças cresce em famílias onde só um dos pais trabalha, e 11%, em núcleos familiares em que nenhum dos pais tem uma atividade profissional.

A pesquisa indica, ainda, que quase dois milhões de crianças alemãs (1,96%) vivem em famílias que dependem dos subsídios desembolsados pelo programa Hartz IV, a polêmica reforma social iniciada pela coalizão rubro-verde, dirigida pelo então chanceler Gerhard Schröder, que entrou em vigor em 2005. Para as famílias monoparentais, os subsídios sociais são essenciais. Nesta categoria, para uma criança a cada três os benefícios sociais constituem a principal fonte de renda da família.

As crianças que vivem com pais solteiros têm mais risco de pobreza. Enquanto este perigo ameaça 15% das famílias com filhos, ele afeta 37,5% das crianças que vivem com um pai solteiro.

O Departamento Federal de Estatística, com sede em Wiesbaden (Hesse), publicou no dia 12 de agosto os últimos dados do número de crianças nascidas fora do vínculo matrimonial, um fenômeno em constante aumento na Alemanha. Enquanto só 15% das crianças nascidas em 1990 eram “ilegítimas”, no ano passado essa porcentagem aumento para mais do dobro, quase 33%. De fato, os pais de 225.472 crianças nascidas vivas em 2010 (de um total de 677.947) não estavam unidos em matrimônio, 0,5% a mais em relação ao ano anterior.

Como observa o site do Frankfurter Allgemeine Zeitung (12 de agosto), também as diferenças entre o leste e o oeste são notáveis. Nas regiões da antiga Alemanha Oriental, mais de seis crianças de cada dez (61%) atualmente nascem fora do casamento. A porcentagem mais elevada – 64% – foi registrada em Sajonia-Anhalt e em Mecklemburgo.

No oeste, no entanto, esta proporção é mais reduzida: 27%. Enquanto que o nível mais baixo de dá na rica região de Baden-Württemberg, onde só 22,1% das crianças nascem de pais casados, na parte ocidental, os “campeões” estão em Bremen (39%) e Hamburgo (36%). Depois está Schleswig-Holstein, com 35%. Na capital, Berlim, uma criança em cada duas nasce fora do casamento.

Com seus 33% de crianças “naturais”, a Alemanha permanece abaixo da média da União Europeia, que, segundo dados de Eurostat, alcançava, em 2009, quase 38%. O país da UE com maior incidência é a Estônia (59%). Do outro lado da escala está a Grécia, com 7%. Na França, pouco mais da metade das crianças nascem de pais não casados (53%). Na Itália, quase um quarto (24%).

Fonte: Zenit.

Papa explica “caminho da beleza” rumo a Deus

A arte, em suas diversas expressões, é um caminho privilegiado para encontrar Deus, pois vai além da razão, transcende o sensível e fala do infinito.

Esta foi a reflexão do Papa Bento XVI na tradicional catequese da audiência geral de hoje, com a qual retomou o ciclo sobre a oração, que havia sido interrompido antes das férias de verão.

Não é a primeira vez que o Papa fala do “caminho da beleza” como meio para aproximar-se de Deus. Já o fez durante seu encontro com os artistas de 21 de novembro de 2009, e em outras muitas ocasiões desde então, como durante a consagração da basílica da Sagrada Família de Gaudí.

Em sua intervenção de hoje, o Pontífice quis falar da arte em relação à oração, um caminho rumo a Deus que, segundo ele, “o homem deveria recuperar em seu significado mais profundo”.

“Talvez já tenha lhes acontecido que, diante de uma escultura, um quadro, alguns versos de poesia ou uma peça musical, tenham sentido uma íntima emoção, uma sensação de alegria; percebem claramente que, diante de vocês, não existe somente matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, e sim algo maior”, disse aos presentes.

Este “algo” “nos ‘fala’, é capaz de tocar o coração, de comunicar uma mensagem, de elevar a alma”.

Uma obra de arte, explicou o Papa, “é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, que tenta descobrir o sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem das formas, das cores, dos sons”.

“A arte é capaz de expressar e tornar visível a necessidade do homem de ir além do que se vê, manifesta a sede e a busca do infinito. Inclusive é como uma porta aberta ao infinito, a uma beleza e uma verdade que vão além do cotidiano.”

Por isso, acrescentou, “uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, conduzindo-nos ao alto”.

A arte da fé

Neste sentido, o Santo Padre explicou que existem alguns tipos de expressão artística, como a arte sacra, que podem ser “verdadeiros caminhos rumo a Deus, a Beleza suprema”, e inclusive “uma ajuda para crescer na relação com Ele, na oração”.

“Trata-se das obras que nascem da fé e que a expressam”, afirmou, dando como exemplo a arte das catedrais góticas, românicas, ou certas peças de música sacra, que fazem “vibrar as cordas do nosso coração, nossa alma se dilata e se sente impelida a dirigir-se a Deus”.

O próprio Bento XVI recordou um dia em que assistiu a um concerto de música de Johann Sebastian Bach, em Munique, dirigido por Leonard Bernstein.

“No final da última peça, uma das Cantatas, senti, não racionalizando, mas no profundo do coração, que o que eu havia escutado havia me transmitido verdade, verdade do sumo compositor que me conduzia a dar graças a Deus.”

“Quantas vezes quadros ou afrescos, frutos da fé do artista, com suas formas, com suas cores, com suas luzes, nos conduzem a dirigir o pensamento a Deus e fazem crescer em nós o desejo de acudir à fonte de toda beleza!”, exclamou.

Ele quis recordar também o caso do poeta francês Paul Claudel, quem se converteu ao escutar o canto do Magnificat durante a Missa de Natal na basílica de Notre Dame, em Paris, em 1886. Ele “não havia entrado na igreja por motivos de fé, mas para encontrar argumentos contra os cristãos. No entanto, a graça de Deus agiu no seu coração”.

Por isso, instou os fiéis a “redescobrir a importância deste caminho também para a oração, para a nossa relação viva com Deus”.

Neste sentido, convidou os cristãos a que a visita a lugares de arte “não seja somente ocasião de enriquecimento cultural, mas que possa se tornar um momento de graça, de estímulo para reforçar nosso vínculo e nosso diálogo com o Senhor, para deter-nos a contemplar – na transição da simples realidade exterior à realidade mais profunda que expressa – o raio de beleza que nos atinge, que quase nos ‘fere’ e que nos convida a elevar-nos até Deus”.


Fonte: Zenit.