quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os limites do método científico

A importância de reconhecer os limites do método científico, que impede a ciência experimental de tratar de realidades não quantificáveis, foi exposta como uma das principais contribuições do sacerdote e físico húngaro Stanley Jaki.

Especialistas abordaram o tema Ciência e Fé em Stanley Jaki, em curso de verão no Colégio Maior San Pablo CEU, neste julho, em Madri, cidade onde o padre faleceu há dois anos.

Os expoentes destacaram, como aspectos principais do pensamento de Jaki, os limites do método científico, a diferença entre ciência experimental e saber humanístico e a importância de distinguir ciência e fé sem opô-las.

Participaram, entre outros, Jacques Vauthier, matemático e professor de Filosofia da Ciência da Sorbonne; Manuel Maria Carreira, físico e filósofo da Universidade de Comillas, Espanha, e Paul Haffner, professor do Ateneu Regina Apostolorum, de Roma.

As instituições organizadoras do Congresso foram a Universidade CEU San Pablo e o Ateneu Regina Apostolorum.

Questão metodológica

Stanley Jaki se preocupou com os limites do método científico tentando continuamente separar o objeto da ciência e o objeto da religião. Em entrevista de 1991, ele citava Maxwell: “Uma das provas mais difíceis para uma mente científica é conhecer os limites do método científico”.

À pergunta sobre quais são esses limites, Jaki respondia: “Os limites da ciência (e ao falar de ciência me refiro aqui à física) são fixados pelo seu próprio método”.

“O método da física versa sobre os aspectos quantitativos das coisas em movimento. Só podemos aplicar legitimamente o método científico-experimental quando captamos aspectos quantitativos nas coisas. Mas quando nos surgem perguntas como ‘isso é belo?’, ou ‘existe isto?’, ou ‘esta ação é moralmente boa?’, estamos nos perguntando coisas que a ciência não pode responder”.

Segundo os expoentes do congresso, esta é uma ideia fundamental e “muito sadia”, e há unanimidade na epistemologia atual, não só entre os católicos.

Ciências e humanidades

Em razão dos limites do método científico, o cientista e sacerdote húngaro afirmou que a ciência experimental não é capaz de tratar de realidades que não são quantificáveis ou medíveis, e que pertencem ao saber humanístico.

Sobre a distinção entre saber humanístico e ciência experimental, Jaki afirmava: “Os estudos humanísticos e os científicos têm que ser feitos por separado. Não se deve tentar fundi-los, porque eles partem de premissas diferentes e empregam métodos diferentes”.

“Nos estudos humanísticos, por exemplo, quando estudamos Dante, não perguntamos quantas letras existem na obra dele. Mas é uma pergunta que no campo científico seria lógica”.

Jaki indicou que “devemos cultivar tanto os aspectos quantitativos das coisas quanto aqueles que não são mensuráveis”.

Contra o cientificismo

Os expoentes também destacaram que o padre Jaki denunciou o cientificismo como um enfoque da ciência que não reconhece os limites do seu próprio método.

Jaki afirmou que o grande crime deste século é dizer que o único verdadeiro conhecimento é aquele que pertence ao campo do mensurável quantitativamente.

Perguntado sobre as consequências mais relevantes, o padre húngaro respondia: “É um crime porque estas aplicações unilaterais do método quantitativo chegam a privar o ser humano da sua compreensão dos aspectos incomensuráveis da existência”.

Segundo Jaki, “a principal consequência é a relativização dos pontos de vista morais”.

“Em vez de agirmos numa perspectiva moral, segundo a qual uma ação é intrinsecamente boa ou intrinsecamente má, agora seguimos um modelo behaviorista”, explicava.

Para o cientista, “esta é a base do relativismo moderno, que se fundamenta na crença de que existem vários padrões de comportamento ou estilos de vida alternativos. E não se fazem mais perguntas a respeito”.

Complementaridade

O coordenador do curso, Leopoldo Prieto, afirma que “assistimos a uma nova onda de pressões de uma pretensa ciência biológica militante ateia”.

“Diante de um dogma clássico do cientificismo, que afirma que ciência e fé são incompatíveis, o padre Jaki reitera uma doutrina clássica da Igreja”, diz Prieto. “Ou seja, que existe uma distinção de métodos entre elas, mas nenhuma oposição, e sim perfeita complementaridade”.

Para o padre Jaki, ciência e fé são dois modos de aproximação, ambos racionais, com métodos diferentes.

Padre e cientista

Stanley Jaki nasceu em 1924 em Győr, Hungria. Sacerdote beneditino, foi professor de História e Filosofia da Ciência na Universidade Seton Hall de South Orange, Nova Jersey.

Fonte: Zenit.

Bento XVI: até pequenas doações valem para Deus

Bento XVI incentivou uma “resposta generosa” à coleta argentina “Mais por menos”, que se realizará no domingo, 11 de setembro, em todos os templos do país, com o slogan: “Com sua ajuda, você escolhe a vida”.

“Como nos ensina o Senhor no Evangelho, até a menor doação vale para Deus”, sublinhou em uma mensagem remitida a Dom Adolfo Uriona FDP, bispo de Añatuya e presidente da Comissão Episcopal de Ajuda às Regiões mais Necessitadas, responsável pela campanha.

O Pontífice indicou que nessa doação “se encontra essa caridade divina que é capaz de desprender-se inclusive do necessário para socorrer o irmão, essa caridade que não se mostra somente em algumas ocasiões isoladas, mas que deve impregnar a vida do cristão, conformando-o com o Deus do amor, de quem estamos chamados a ser imagem e testemunho”.

“Uma caridade que, na íntima união com Deus, nos convida inexcusavelmente à união dos irmão.”

Por último, Bento XVI confiou a “Nossa Senhora de Luján, celestial padroeira do povo argentino, esta benemérita iniciativa, suplicando-lhe que sustente, com sua amorosa proteção, todos os que participam dela com respostas concretas e eficazes”, e enviou uma especial bênção apostólica.

Os frutos da 42ª edição da coleta serão distribuídos entre 25 dioceses argentinas necessitadas, para construir moradias por ajuda mútua, microempreendimentos laborais e refeitórios comunitários, entre outros projetos.

As obras que “Mais por menos” apoia ajudam a paliar as dificuldades de grande parte da população do interior argentino, especialmente aquela que se encontra marginalizada nas regiões mais pobres do país.

Os bispos a definem como “um espaço criado para compensar a falta de equidade social”.


Para colaborar: http://www.colectamaspormenos.com.ar.

Show em São Paulo marca chegada da Cruz da JMJ

Nesse domingo, em Madri (Espanha), no encerramento da Jornada Mundial da Juventude, os brasileiros receberam a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora das mãos dos jovens espanhóis. O Brasil sediará a próxima JMJ, no Rio de Janeiro, em 2013.

A Cruz, de madeira e com pouco mais de 3,5 metros de altura, foi dada aos jovens pelo Papa João Paulo II em 1984 e, desde 1994, peregrina nos países que recebem a JMJ um ano antes do evento.

Como o Brasil é um país continental, e para que seja possível que os símbolos da Jornada passem por todas as cidades do país, tanto a Cruz quanto o Ícone de Nossa Senhora chegam ao Brasil já no próximo dia 18 de setembro de 2011, em um grande evento promovido pela Arquidiocese de São Paulo.

Segundo informa o departamento de imprensa da arquidiocese, a acolhida da Cruz no país acontecerá na região do Campo de Marte, com shows, testemunhos e reflexões das 9h às 21h.

Às 16h, chegam ao local, em carro do Corpo de Bombeiros, a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora. Logo em seguida, o Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, preside à Missa.

Entre os nomes já confirmados para o evento estão os de padres consagrados como Juarez de Castro, Fábio de Melo e Reginaldo Manzotti.

O evento contará, ainda, com a presença de bandas católicas que mobilizam grande número de jovens, como Rosa de Saron, Dominus e Vida Reluz. A expectativa inicial de público é de 80 mil pessoas.

Este será o primeiro evento para preparar a visita que o Papa Bento XVI fará ao Brasil em 2013.

Após o show no Campo de Marte, Cruz e Ícone seguem em carreata, ainda na noite do dia 18/9, para a Catedral da Sé. De lá, percorreram igrejas da cidade.

Especial

O 18 de setembro será um dia especial para os jovens de São Paulo. Intitulado “Bote Fé”, este evento de acolhida da Cruz Peregrina quer reforçar entre os católicos a importância da evangelização da juventude.

Todas as paróquias da arquidiocese de São Paulo e das dioceses vizinhas são convidadas a manifestar que “botam fé” na juventude brasileira, durante o evento que realizado na região do Campo de Marte, zona norte da capital.

Trata-se de um momento privilegiado da evangelização da juventude no Brasil, confirmado pelo recorde de participação brasileira na JMJ de Madri (mais de 13 mil inscritos).

A campanha “Bote Fé” também tem o objetivo da dar continuidade à graça que a juventude brasileira viveu na JMJ, quando os jovens foram enviados pelo Papa Bento XVI para anunciara boa nova em seus países.

De acordo com Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e referencial do Setor Juventude da Arquidiocese, o “Bote Fé” “é uma convocação para os jovens, de modo especial, 'botarem fé em Cristo', acreditarem nele, se firmarem em Cristo, como base de sua fé”.

“Mas também é uma convocação para toda Igreja a uma atividade missionária para animar as comunidades, melhorar a autoestima, acreditar realmente que Cristo ressuscitou, que Cristo é a vida”, disse.

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Na internet: www.botefesp.com.br

Chuva como sinal para “permanecer firmes na fé”

Os peregrinos agrupados ao redor da sigla MAGIS, convocados pelos jesuítas para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Madri, voltaram aos seus lugares de origem cansados, mas muito felizes. Apresentamos aqui alguns testemunhos.

A maior parte dos 3 mil peregrinos MAGIS alojados no colégio jesuíta Nuestra Senhora del Recuerdo – informa a Companhia de Jesus na Espanha – já voltou para os seus países. Muitos deles voltaram de ônibus e os vindos de mais longe o fizeram de avião.

Para a maioria, ainda restam muitas horas antes de chegar a casa. Foi uma experiência muito intensa que começou em 5 de agosto, em Loyola, e que finalizou há poucos dias com a Missa de envio do Papa Bento XVI em Cuatro Vientos.

Desde que, na segunda-feira passada, os 3 mil peregrinos se reencontraram no centro educativo, participaram de várias das atividades culturais e pastorais que a JMJ oferecia.

Muitos deles destacaram as catequeses dos bispos, a visita à exposição das Missões do Paraguai, a oração de Taizé e outras visitas, como a feita ao Museu do Prado.

Na sexta-feira, tiveram um grande encontro: o filme MAGIS que um grupo de profissionais foi gravando desde o início desta experiência inaciana. Depois da projeção, os jovens foram à via sacra do Paseo de Recoletos, que surpreendeu gratamente os participantes de outras culturas mais distantes, que desconheciam esta tradição religioso-cultural da Espanha.

Os dois últimos dias estiveram marcados pela assistência ao aeródromo de Cuatro Vientos, acompanhados pelo calor, pelo vento e pela chuva. Todos os peregrinos MAGIS saíram do colégio no sábado de manhã para viver a experiência. Para todos os jovens, as horas finais foram muito intensas.

Mariel Rodríguez, sevilhana, explica que inclusive viu na chuva um sinal para “permanecer firmes na fé” e gostou do fato de que, quando chegaram a Cuatro Vientos, os vizinhos, devido ao grande calor, jogavam água neles pelas janelas. “No pó, no calor, Deus estava no meio de tudo e de tantas pessoas.”

Além disso, essa sevilhana comentou que o mais importante que ela leva de MAGIS é “muitíssima confiança e proximidade de Deus”. Ela esteve em uma experiência social em Portugal com idosos, portadores de deficiência mental e disse que “ver Deus neles foi maravilhoso”.

Para o coordenador dos 52 peregrinos indianos, o jesuítaErwin Lazrado, enquanto se despedia do ônibus no qual alguns iam embora, contou que “foi uma experiência para o coração e para o aprofundamento na fé dos peregrinos do seu grupo”.

Da JMJ, afirma que a principal vivência que levarão para a Índia é o “sentir-se unidos em uma só Igreja. Nesses dias, nós nos sentimos como uma única Igreja Católica, com o Santo Padre”. O Pe. Erwim comentou também quão importante foi esta experiência global para os peregrinos com quem vinha: “São jovens de áreas rurais, escolhidos para participar; é a primeira vez que viajam de avião, que veem pessoas de outras culturas...”.

O coordenador da Romênia, o jesuíta Florin Silaghi, chegou à MAGIS 2011 com 38 pessoas que já lhe pediram para organizar uma experiência similar por ocasião do “Encontro Nacional Católico” que será realizado no seu país no ano que vem.

Da JMJ, ele destaca que “pudemos escolher os atos culturais, espirituais, os eventos que preferíamos ver”, bem como “desfrutar muito da cidade”.

Suas experiências MAGIS foram em Málaga (animação de ruas), Valência (diálogo inter-religioso), Manresa (diálogo espiritual, fé e cultura) e também uma peregrinação.

Assim culmina a experiência inaciana proposta em concomitância com a JMJ 2011, com milhares de reflexões, vivências, lembranças, escritos, novos interrogantes e algumas respostas. Mas todos com a experiência comum de que foi uma nova, profunda e especial oportunidade para viver “com Cristo no coração do mundo”.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Com cristianismo, esperança se torna certeza

“A esperança que não defrauda é a fé em Jesus Cristo”: foi assim que o Papa Bento XVI comentou o tema do 32º Meeting de Rimini – “E a existência se torna uma imensa certeza” –, na saudação enviada ao bispo de Rimini, Dom Francesco Lambiasi.

O Meeting pela amizade entre os povos foi inaugurado neste domingo, com uma Celebração Eucarística da qual participaram mais de 11 mil pessoas.

Os números, também este ano, são impressionantes: 115 encontros, 26 espetáculos, 10 exposições, 11 manifestações esportivas e 332 relatores que intervirão no encontro, bem como 160 mil metros quadrados de espaços cobertos na Feira e 3.270 voluntários.

Os participantes são jovens procedentes da Itália, Egito, Rússia, Grã-Bretanha, Brasil, Camarões, Canadá, Chile, Costa Rica, França, Kosovo, Lituânia, México, Nigéria, Espanha, Estados Unidos, Suíça e Ucrânia; 800 pessoas – a maioria delas, universitárias – trabalharam gratuitamente durante o pre-Meeting (de 11 a 20 de agosto), para deixar a Feira preparada.

A mensagem do Papa, transmitida pelo secretário de Estado de Sua Santidade, cardeal Tarcisio Bertone, explica o dado antropológico segundo o qual a origem do homem é querida por alguém a quem ele naturalmente tende.

Luigi Giussani, fundador do movimento Comunhão e Libertação, que promove anualmente o Meeting de Rimini, afirmou que esse alguém ama o homem como os pais amam os filhos e o que torna os filhos fortes é a certeza do amor dos pais.

“Já na história do povo de Israel – escreveu o Pontífice –, sobretudo na experiência do êxodo, descrita no Antigo Testamento, emerge como a força da esperança deriva da presença de Deus, que guia o seu povo.”

“O homem não pode viver sem a certeza do seu próprio destino”, destacou Bento XVI, acrescentando que é com o advento de Cristo que “a promessa que alimentava a esperança do povo de Israel chega ao seu cumprimento”.

“Em Cristo Jesus – destacou o Papa –, o destino do homem foi extraído definitivamente da nebulosidade que o rodeava” e, “através do Filho, no poder do Espírito Santo, o Pai nos desvelou definitivamente o futuro positivo que nos espera”.

Segundo o Pontífice, “Cristo ressuscitado, presente em sua Igreja, nos sacramentos com o seu Espírito, é o fundamento último e definitivo da existência, a certeza da nossa esperança”.

“Somente a certeza da fé permite ao homem viver intensamente o presente e ao mesmo tempo transcendê-lo, descobrindo nele os reflexos do eterno com que o tempo se ordena.”

“Os dramas do século passado demonstraram amplamente que, quando diminui a esperança cristã, isto é, quando diminui a certeza da fé e o desejo das 'coisas últimas', o homem se perde e se torna vítima do poder.”

“Uma fé sem esperança provocou o surgimento de uma esperança sem fé”, resumiu.

A mensagem do Papa conclui com uma citação de André-Jean Festugière, segundo o qual “a imortalidade cristã se caracteriza precisamente por ser a expressão de uma amizade”.

“O que é o paraíso, senão o cumprimento definitivo da amizade com Cristo e entre nós?”, questionou o filósofo francês.

Para o Pe. Festugière, “a existência, portanto, não é um proceder cego, mas um ir ao encontro de quem nos ama; sabemos, então, onde estamos andando, rumo a quem nos dirigimos, e isso orienta toda a existência”.

Fonte: Zenit - (Antonio Gaspari)

Alegria dos jovens do Rio de Janeiro pela JMJ

A juventude católica do Rio de Janeiro vive um momento de grande alegria, após o anúncio oficial do Papa Bento XVI de que a cidade acolherá a próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013.

Segundo informa o departamento de imprensa da arquidiocese do Rio de Janeiro, os jovens presentes na Vigília JMJ Madri Rio, realizada de sábado para domingo no Maracanãzinho, puderam viver e celebrar, de forma simultânea com os jovens que estavam em Madri, a emoção desta boa notícia.

“A juventude do Rio vai ganhar muito com esse evento. Estou muito feliz em saber que o Papa confiou a nós essa missão de acolher a juventude do mundo, para refletir sobre a fé, sobre a vivência no mundo de hoje”, disse o padre Leandro Cury, diretor da Rádio Catedral.

O vigário episcopal para a comunicação social, cônego Marcos William Bernardo, presidiu à Santa Missa em plena unidade com o Papa Bento XVI. E a homilia do pontífice foi transmitida ‘ao vivo’ direto de Madri para os participantes.

Em vários momentos da celebração, que começou por volta das 4h30 da manhã (horário de Brasília, sendo 9h30 em Madri), os flashes da missa em Madri, transmitidos pelas redes e mídias católicas, surpreendiam a todos pela plena sintonia litúrgica.

Na saída da vigília, por volta das 7h, a alegria, que vencia o cansaço, ainda era percebida nos sorrisos dos jovens que, aos poucos, ocuparam as calçadas das ruas da Tijuca, ao redor do Maracanãzinho.

A jovem Fabiana Targino, da Pastoral da Juventude e da Pascom do Vicariato Sul, que já participou de quatro jornadas, considera que participar da JMJ é uma emoção única na vida de qualquer pessoa.

“Percebemos que mesmo pertencendo a países e cultura diferentes, o que nos une é a mesma fé em Cristo Jesus. Saber que a próxima JMJ será no Rio é uma emoção indescritível, um sonho realizado”, disse.

“É uma alegria receber o Papa na nossa Cidade. Vamos preparar com muito carinho e amor cada detalhe da próxima jornada. E que nós possamos mostrar para o mundo que somos portadores da paz”, afirmou a jovem.

“Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca”. A famosa frase do beato João Paulo II, em sua visita ao Brasil, também foi lembrada pelo jovem Rodrigo Farias, assessor da Pastoral Universitária.

“A expectativa é enorme em receber o Papa. Iremos nos preparar, e enraizar mais em Cristo, para que possamos nos identificar com o nosso verdadeiro Senhor”, disse.

A vigília realizada no Rio de Janeiro nesse fim de semana, em sintonia com a JMJ, contagiou a todos, nos louvores ministrados pelas bandas e cantores católicos, entre eles: Padre Omar Raposo, assessor arquidiocesano para eventos de massa, que foi o condutor do evento, bandas Cristo Redentor, Sambadorando e Duelo de DJs. E também pelas apresentações do Stand up Comedy Católic - Rir é um Santo Remédio. Os testemunhos também levaram os jovens à reflexão sobre o sentido da vida.

A vigília, que foi transmitida pela Web TV Redentor e pela Rádio Catedral (FM 106,7), foi iniciada pelo bispo emérito do Rio Dom Assis Lopes, que recebeu das mãos dos jovens as imagens de Nossa Senhora e de São Sebastião e conduziu um momento de oração.

Fonte: Zenit.

JMJ no Rio de Janeiro: um grande desafio

O arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, agradeceu o Papa pela escolha dessa cidade brasileira como sede da próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Ele considera que organizar o evento será “um grande desafio”.

Dom Orani participou de coletiva de imprensa no início da noite desse domingo, em Madri, para falar sobre a próxima JMJ. Estavam ao seu lado o presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, e o presidente da Comissão da CNBB para a Juventude, Dom Eduardo Pinheiro.

A coletiva foi no Centro de imprensa da JMJ de Madri, na região central da capital espanhola, que acolheu a JMJ encerrada ontem pelo Papa.

Segundo informa o departamento de imprensa da CNBB, Dom Orani, após expressar sua gratidão ao Papa por confiar ao Rio de Janeiro e ao Brasil o “grande desafio” de sediar a JMJ, explicou que em breve entrará em contato com o Pontifício Conselho para os Leigos, para iniciar a preparação do evento de 2013.

O arcebispo afirmou que JMJ será realizada no fim do mês de julho (tempo de férias escolares no Brasil). Ele disse aguardar, a partir de agora, o anúncio pelo Papa do tema da próxima JMJ.

Dom Orani recordou que em 2013, no tempo de Quaresma, a Igreja no Brasil realizará a Campanha da Fraternidade sobre o tema da Juventude. Será um tempo de fortalecimento da consciência da importância dos jovens na nova evangelização lançada pela Igreja e também um momento de preparo para a JMJ.

Continente

Já o presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno, afirmou que a boa organização da Igreja na América Latina, por meio do CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano), facilitará trabalhar em conjunto para ter o maior número possível de jovens do continente na JMJ do Rio.

“Vamos trabalhar como Conferência em união com CELAM,para que colabore na organização da Jornada, assim se reúne muito mais gente e muito mais países”, disse.

Dom Damasceno considera que o trabalho preparatório será intenso, uma vez que a JMJ foi antecipada em um ano por causa da Copa do Mundo de Futebol, que o Brasil sediará em 2014.

“Teremos um ano a menos para preparar a Jornada, isso significa um trabalho mais intenso porque não temos tempo a perder”, afirmou.

Dom Damasceno recordou que a América Latina é o continente com maior número de católicos, 47%, e avaliou que a JMJ “trará muitos frutos, não só para os jovens no Brasil, mas para toda a América Latina".

Já o presidente da Comissão para a Juventude, Dom Eduardo Pinheiro, qualificou como "um momento muito especial para a Igreja no Brasil’ a escolha do Rio de Janeiro para receber a JMJ.

“A Jornada no Rio mostrará uma Igreja viva, criativa, em parte por causa dos jovens. A juventude brasileira, com sua criatividade, fará com que tenhamos uma bonita Jornada para todo o mundo”, disse.

Expectativa


Os bispos adiantaram que, da parte do Governo brasileiro, em suas três esferas (Federal, Estadual e Prefeitura), há muita disposição para acolher o evento, o maior do mundo para juventude católica. Eles ainda não arriscaram dizer quantos jovens a JMJ do Rio deverá reunir.

Dom Eduardo explicou que a CNBB fará um projeto amplo, considerando o antes, o durante e o depois da Jornada.

“O projeto terá uma direção missionária com a pré-jornada, que deverá consistir numa semana missionária, e a peregrinação da cruz, que deverá ser acolhida pelas dioceses com espírito missionário”, disse.

Os bispos afirmaram que a Jornada no Rio encontrará uma América Latina mudada. Para Dom Damasceno, apesar das melhoras, a realidade ainda é de concentração de riquezas e aumento de miséria.

“A globalização trouxe como consequência a uniformização da cultura e se perde a identidade cultural”, disse o cardeal.

Dom Eduardo, por sua vez, destacou a presença e a influência dos meios de comunicação na vida dos jovens.

“Vivemos o desafio grande de ajudar os jovens nesta cultura midiática”. Para ele, 2013 “será o ano da juventude no Brasil”.

A JMJ do Rio de Janeiro será a segunda Jornada sediada na América do Sul. A primeira foi em 1987, em Buenos Aires.

Fonte: Zenit.