A infidelidade do clero e a perda da identidade cristã representam perigos maiores que as perseguições.
Foi o que disse o arcebispo Velasio De Paolis, religioso da Congregação dos Missionários de São Carlos (mais conhecidos como Scalabrinianos) e presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé.
O arcebispo falou no dia 30 de julho, em um encontro em Casperia, província de Rieti (Itália), que discutiu o tema "A Igreja em posições de fronteira: Islã, Oriente, Ocidente secularizado".
Interpelado por perguntas dos participantes e do moderador, o jornalista do La Stampa Raphael Masci, o arcebispo de 74 anos analisou alguns dos principais desafios enfrentados pela Igreja hoje, a partir das dificuldades dos cristãos em países de maioria muçulmana.
Martírio
Ao início do debate foi recordado um recente episódio sangrento no Paquistão, registrado contra dois irmãos, Emmanuel e Sajid Rashid Masih, vítimas do fundamentalismo em Faisalabad, província de Punjab.
Eles foram mortos a tiros, no dia 19 de julho, sob o olhar de muitas testemunhas e três policiais, ao deixar o tribunal em que compareceram para responder a uma acusação de divulgar um panfleto contra o profeta Maomé, tipo de crime que a lei paquistanesa pune com a pena de morte.
Nesse contexto, o arcebispo De Paolis observou que “a Igreja sempre sofreu perseguição, desde o seu nascimento, e que a evangelização de cada país sempre implicou o martírio”.
De fato – disse o arcebispo citando o padre Congar –, “a Igreja, na sua longa história, tem sido mais vitoriosa nas dificuldades do que em gerir os seus triunfos".
"O século XX, em particular, foi o século que sofreu a pior perseguição – disse –. E isso é um fato perante o qual a opinião pública ocidental é quase totalmente surda, assustadoramente indiferente.”
Analisando o conceito de martírio no cristianismo, o arcebispo explicou que se busca evidenciar não a maldade do homem, mas a capacidade de uma pessoa ofertar a própria vida.
"No martírio – disse – não vemos primeiramente a triste história humana que se repete, com seus episódios de injustiça, mas vemos a vitória do amor sobre o ódio e sobre a morte. Esta é a grande novidade cristã.”
"Jesus – afirmou Dom De Paolis – entregou a própria vida e com sua morte revelou o seu amor por nós, abriu nosso horizonte para a eternidade, infundindo-nos uma vida nova, uma nova esperança que nos permite viver mais além.”
O prelado, em seguida, invocou o exemplo de São Pedro Chanel (1803-1841), o primeiro mártir da Oceania. O missionário francês da Sociedade de Maria, de fato, passou a anunciar o Evangelho em Futuna, uma das ilhas de Fiji, e conseguiu converter o filho do soberano da ilha, que em resposta mandou matá-lo. Depois disso, todos os habitantes abraçaram a fé cristã.
“A Igreja não os manda para o martírio, mas no martírio se revela a força mais eficaz do testemunho apostólico – afirmou Dom De Paolis –. A Igreja sofre por todos os cristãos que a cada ano morrem.”
O prelado, em seguida, advertiu contra o problema da apostasia do clero: "O Papa, com razão, exige o reconhecimento dos direitos e o respeito pelos cristãos, mas sobretudo denuncia a infidelidade que há no interior da Igreja".
Ele afirmou que "o testemunho cristão não se identifica com o martírio. O martírio é uma manifestação suprema, mas a prática cotidiana do cristianismo é a caridade, o amor. Pois o amor é superar a si mesmo, doar-se e perdoar".
Secularismo
O debate passou em seguida para o tema do atrito entre a Igreja e a sociedade de hoje, com particular ênfase na questão da laicidade do Estado e a crescente secularização do Ocidente.
O prelado explicou que entre a Igreja e o Estado “não há concorrência, mas complementaridade", porque "o homem não se esgota apenas no tempo e não é feito apenas de sua realidade temporal, mas precisa da verdade, da graça e da vida eterna".
"O problema aqui, no entanto, não é exclusivamente de caráter religioso. O problema fundamental é saber se existe uma verdade e se existe uma distinção entre o bem e o mal. O problema de fundo é a questão antropológica.”
"É por isso que a Igreja entra em nossas vidas com um propósito específico, em um âmbito bem específico, não invade o Estado – disse –. O Estado ser laico não significa ser agnóstico, descrente, sem religião. A religião faz parte da dimensão humana."
O que se sabe, entretanto – disse Dom De Paolis – é, por um lado, a tendência da sociedade de hoje a relegar a voz dos católicos à esfera privada e, por outro, o temor dos católicos em intervir no debate público.
O arcebispo convidou os católicos a não renunciar à própria identidade, mas, no respeito do outro, esforçar-se no anúncio da fé e no agir como cristão, que é um agir divino, um comportamento que revela que o homem pode superar a si mesmo.
O que caracteriza, então, os desafios dos tempos atuais é o debate sobre o "sentido da existência humana, o sentido do homem, seu destino: o homem secularizado já não é mais o homem-imagem de Deus. É um animal como qualquer outro. Na verdade, hoje, elevamos até os animais à dignidade humana”.
Isso, concluiu o bispo, é um resultado da secularização, que "é a forma extrema de uma visão da vida em que desaparece a transcendência e que confunde e identifica tudo como o imanentismo”.
Daí o perigo da secularização, que, “implicando uma concepção da vida como realidade do tempo presente, leva a um fechamento para o mistério de Deus e o mistério do homem".
Fonte: Zenit.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Madre Teresa, a freira que desafiou o sistema de castas
Há quase cem anos, a 26 de agosto de 1910, nascia em Skopje, na Albânia, Anjeza Gonxhe Bojaxhiu, que viria a ser conhecida como Madre Teresa de Calcutá. Fundadora na Índia da congregação das Missionárias da Caridade, a irmã de pequena estatura dedicou toda sua existência aos marginalizados.
Tinha amigos influentes entre líderes políticos e artistas, mas, acima de tudo, estabeleceu uma ligação muito forte com João Paulo II. A ele, como a outros, pedia por orações e ajuda econômica aos mais pobres: em 1979, laureada com o Prêmio Nobel, recusou o tradicional banquete cerimonial e pediu que a verba que seria gasta fosse destinada aos miseráveis de Calcutá. Naquele dia, lhe perguntaram: “O que podemos fazer para promover a paz no mundo?”. E Teresa respondeu: “Voltem para suas casas e amem suas famílias”.
Nesta entrevista concedida à ZENIT, pe. Joseph Babu, porta-voz da Conferência Episcopal da Índia, fala da herança deixada por esta religiosa.
ZENIT: Qual foi impacto sobre a sociedade indiana da presença de Madre Teresa? Quais foram as principais mudanças ocorridas desde sua morte?
Pe. Babu: Madre Teresa exerce ainda um fascínio universal aqui na Índia. Pessoas de todos os credos e culturas têm-lhe alta estima, considerando-a uma santa. Vão ao seu túmulo orar por ela, e os eventos organizados para comemorar o centenário de seu nascimento atraem um grande número de pessoas. Em Nova Deli, as cerimônias públicas contarão com a presença do presidente da Índia, a 28 de agosto.
Muitas mudanças foram verificadas em sua congregação na medida em que esta continua a crescer a atrair jovens mulheres. Irmã Nirmala Joshi, que assumiu o lugar de Madre Teresa, tendo se convertido do hinduísmo ao catolicismo, é capaz de sensibilizar todos os setores da sociedade indiana: tem feito um trabalho admirável à frente das Missionárias da Caridade, a ponto de ser condecorada com a medalha Padma Vibhushan, a segunda mais alta honra civil concedida pelo presidente da Índia.
ZENIT: Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz no final dos anos 70. O que ainda resta de seu ensinamento?
Pe. Babu: O Nobel foi concedido por seu trabalho beneficente em favor dos mais pobres dentre os pobres. Graças a ela, muitas pessoas se sentiram inspiradas a se dedicar àqueles que estão à margem da sociedade.
Madre Teresa era uma mulher simples, mas muito estimulante, e a Igreja indiana tinha orgulho de sua presença e de sua contribuição para a sociedade. Muitas pessoas, inclusive não cristãs, são ainda hoje inspiradas pelo exemplo de sua vida e seu trabalho, dedicando-se a obras de caridade.
ZENIT: Quais foram as solicitações apresentadas à Igreja indiana por Madre Teresa?
Pe. Babu: Sua mensagem era muito simples: Jesus ama a todos. Ela exortou a Igreja a levar adiante esta missão de dar amor a todos, e de conceder a todos a possibilidade de salvação. Por onde passava, pedia sempre às pessoas que trabalhassem por Jesus.
Era também muito ativa diante dos problemas sociais que afligem a Índia, como o sistema de castas que oprime amplos segmentos da sociedade. Não se preocupava com as críticas que a acusavam de glorificar a miséria, ou ainda, que sua atuação não era capaz de conduzir a reais mudanças sociais. Poderia ter respondido gentilmente que havia sido chamada a fazer o pouco que era capaz, e que os outros poderiam fazer o mesmo.
ZENIT: Quais são os principais problemas que os católicos da Índia devem enfrentar hoje?
Pe. Babu: O problema principal e a ameaça por parte de grupos fundamentalistas de direita, que têm colocado nosso pessoal e nossas instituições sob sua mira. Nosso status de minoria tem sido ameaçado, o que torna mais difícil para nós administrar de modo estável a Igreja local. Nenhum missionário estrangeiro pode vir à Índia para um trabalho de longa duração, e os poucos que conseguiram ser admitidos estão sendo convidados a deixar o país. Com relação aos auxílios financeiros provenientes do exterior, estes são constantemente monitorados e controlados, o que torna o trabalho ainda mais difícil.
ZENIT: Poderia contar alguma curiosidade a respeito da devoção do povo indiano por Madre Teresa?
Pe. Babu: Que esta devoção seja grande pode se notar pelo número de pessoas que vão constantemente orar em seu túmulo. Pessoas de outras religiões deram seu nome a escolas e universidades. Muitos países estrangeiros deram o nome de Madre Teresa a estradas e avenidas; alguns emitiram selos e moedas comemorativas em sua homenagem.
Quando Madre Teresa faleceu, o governo indiano concedeu funeral de Estado. Um hindu de nome Navin Chawla, atualmente chefe da comissão eleitoral indiana, publicou uma biografia da Irmã, enquanto outro hindu, Raghu Rai, dedicou um livro de fotografias à sua memória.
ZENIT: Ao receber o Nobel, Madre Teresa chocou o mundo ao expressar seu horror pelo aborto, “diariamente o maior destruidor da paz”, dizendo que “é aceitável que uma mãe mate seu próprio filho”. Como foi a atuação da Irmã junto às mães que não desejavam a gravidez?
Pe. Babu: O que Madre Teresa sempre enfatizava era o valor da vida humana no contexto dos abusos em interrompê-la, ao invés de cultivá-la. O aborto é sempre portanto um crime odioso contra a humanidade, e Madre Teresa não se cansava de denunciá-lo, segundo o ensinamento da Igreja.
Quando, com o argumento de controle de natalidade, alguém se propunha a pôr fim a uma vida, Madre Teresa se opunha dizendo: “Dai-a a mim, cuidarei dela eu mesma”. Assim, acolheu milhares de crianças abandonadas. Sua mensagem era: os seres humanos devem ser amados e protegidos, pois são dons de Deus.
Fonte: Zenit.
Tinha amigos influentes entre líderes políticos e artistas, mas, acima de tudo, estabeleceu uma ligação muito forte com João Paulo II. A ele, como a outros, pedia por orações e ajuda econômica aos mais pobres: em 1979, laureada com o Prêmio Nobel, recusou o tradicional banquete cerimonial e pediu que a verba que seria gasta fosse destinada aos miseráveis de Calcutá. Naquele dia, lhe perguntaram: “O que podemos fazer para promover a paz no mundo?”. E Teresa respondeu: “Voltem para suas casas e amem suas famílias”.
Nesta entrevista concedida à ZENIT, pe. Joseph Babu, porta-voz da Conferência Episcopal da Índia, fala da herança deixada por esta religiosa.
ZENIT: Qual foi impacto sobre a sociedade indiana da presença de Madre Teresa? Quais foram as principais mudanças ocorridas desde sua morte?
Pe. Babu: Madre Teresa exerce ainda um fascínio universal aqui na Índia. Pessoas de todos os credos e culturas têm-lhe alta estima, considerando-a uma santa. Vão ao seu túmulo orar por ela, e os eventos organizados para comemorar o centenário de seu nascimento atraem um grande número de pessoas. Em Nova Deli, as cerimônias públicas contarão com a presença do presidente da Índia, a 28 de agosto.
Muitas mudanças foram verificadas em sua congregação na medida em que esta continua a crescer a atrair jovens mulheres. Irmã Nirmala Joshi, que assumiu o lugar de Madre Teresa, tendo se convertido do hinduísmo ao catolicismo, é capaz de sensibilizar todos os setores da sociedade indiana: tem feito um trabalho admirável à frente das Missionárias da Caridade, a ponto de ser condecorada com a medalha Padma Vibhushan, a segunda mais alta honra civil concedida pelo presidente da Índia.
ZENIT: Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz no final dos anos 70. O que ainda resta de seu ensinamento?
Pe. Babu: O Nobel foi concedido por seu trabalho beneficente em favor dos mais pobres dentre os pobres. Graças a ela, muitas pessoas se sentiram inspiradas a se dedicar àqueles que estão à margem da sociedade.
Madre Teresa era uma mulher simples, mas muito estimulante, e a Igreja indiana tinha orgulho de sua presença e de sua contribuição para a sociedade. Muitas pessoas, inclusive não cristãs, são ainda hoje inspiradas pelo exemplo de sua vida e seu trabalho, dedicando-se a obras de caridade.
ZENIT: Quais foram as solicitações apresentadas à Igreja indiana por Madre Teresa?
Pe. Babu: Sua mensagem era muito simples: Jesus ama a todos. Ela exortou a Igreja a levar adiante esta missão de dar amor a todos, e de conceder a todos a possibilidade de salvação. Por onde passava, pedia sempre às pessoas que trabalhassem por Jesus.
Era também muito ativa diante dos problemas sociais que afligem a Índia, como o sistema de castas que oprime amplos segmentos da sociedade. Não se preocupava com as críticas que a acusavam de glorificar a miséria, ou ainda, que sua atuação não era capaz de conduzir a reais mudanças sociais. Poderia ter respondido gentilmente que havia sido chamada a fazer o pouco que era capaz, e que os outros poderiam fazer o mesmo.
ZENIT: Quais são os principais problemas que os católicos da Índia devem enfrentar hoje?
Pe. Babu: O problema principal e a ameaça por parte de grupos fundamentalistas de direita, que têm colocado nosso pessoal e nossas instituições sob sua mira. Nosso status de minoria tem sido ameaçado, o que torna mais difícil para nós administrar de modo estável a Igreja local. Nenhum missionário estrangeiro pode vir à Índia para um trabalho de longa duração, e os poucos que conseguiram ser admitidos estão sendo convidados a deixar o país. Com relação aos auxílios financeiros provenientes do exterior, estes são constantemente monitorados e controlados, o que torna o trabalho ainda mais difícil.
ZENIT: Poderia contar alguma curiosidade a respeito da devoção do povo indiano por Madre Teresa?
Pe. Babu: Que esta devoção seja grande pode se notar pelo número de pessoas que vão constantemente orar em seu túmulo. Pessoas de outras religiões deram seu nome a escolas e universidades. Muitos países estrangeiros deram o nome de Madre Teresa a estradas e avenidas; alguns emitiram selos e moedas comemorativas em sua homenagem.
Quando Madre Teresa faleceu, o governo indiano concedeu funeral de Estado. Um hindu de nome Navin Chawla, atualmente chefe da comissão eleitoral indiana, publicou uma biografia da Irmã, enquanto outro hindu, Raghu Rai, dedicou um livro de fotografias à sua memória.
ZENIT: Ao receber o Nobel, Madre Teresa chocou o mundo ao expressar seu horror pelo aborto, “diariamente o maior destruidor da paz”, dizendo que “é aceitável que uma mãe mate seu próprio filho”. Como foi a atuação da Irmã junto às mães que não desejavam a gravidez?
Pe. Babu: O que Madre Teresa sempre enfatizava era o valor da vida humana no contexto dos abusos em interrompê-la, ao invés de cultivá-la. O aborto é sempre portanto um crime odioso contra a humanidade, e Madre Teresa não se cansava de denunciá-lo, segundo o ensinamento da Igreja.
Quando, com o argumento de controle de natalidade, alguém se propunha a pôr fim a uma vida, Madre Teresa se opunha dizendo: “Dai-a a mim, cuidarei dela eu mesma”. Assim, acolheu milhares de crianças abandonadas. Sua mensagem era: os seres humanos devem ser amados e protegidos, pois são dons de Deus.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Cardeal Rodríguez Maradiaga: “Evangelho é solidariedade”

Nesta entrevista, o cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa e presidente da Cáritas Internacional, compartilha uma série de reflexões sobre a instituição de ajuda católica que ele preside, a justiça e o documento emitido pela Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada em Aparecida em 2007.
Caridade e globalização são compatíveis?
Cardeal Maradiaga: Não só compatíveis, mas a caridade tem de globalizar-se. Cristo nos deixou o amor ao próximo; João Paulo nos dizia que em um mundo onde só se globaliza a economia, é preciso globalizar a solidariedade e a maior demonstração de solidariedade é o amor.
Qual é a responsabilidade dos países desenvolvidos com relação aos subdesenvolvidos?
Cardeal Maradiaga: É a corresponsabilidade; isso deve ser um caminho de duas vias, dos países desenvolvidos aos subdesenvolvidos e vice-versa. Não se trata somente de ajudas humanitárias, como são chamadas por temor a dizer a palavra caridade; este conceito parece estar sendo desvalorizado. Nada mais distorcido. A primeira coisa que Bento XVI nos disse foi “Deus é amor” e não devemos ter complexos de inferioridade ao dar nome às coisas: a caridade é o cume do cristão, é o que de maior existe.
Como se unem as palavras “solidariedade” e “Evangelho”?
Cardeal Maradiaga: Já em si o Evangelho é solidariedade, é Palavra feita carne que vem fazer-se um de nós e se torna Boa Notícia, torna-se Evangelho. O Santo Padre, no primeiro volume sobre Jesus Cristo, dizia que o Reino de Deus não é um lugar, não são coisas; o Reino é uma pessoa, é o Senhor Jesus. Aí está tudo unido: solidariedade, caridade e Cristo.
Qual é a relação entre justiça e meio ambiente?
Cardeal Maradiaga: A campanha que se faz na Cáritas Internacional não é simplesmente ecológica, porque, em nome da ecologia, cai-se no ecologismo, que é uma ideologia a mais, muitas vezes pervertida em panteísmo, que inclusive se converte em anticristianismo. Na Cáritas, falamos de justiça com a criação, justiça com o ambiente. A cúpula de Copenhague foi, tristemente, um fracasso, porque os grandes do mundo não querem se comprometer em sua responsabilidade com a criação.
Por isso, a Cáritas sustenta que não se trata somente de preocupar-se pelo ambiente; é justiça com a criação. Deus colocou a criação em nossas mãos não para sermos déspotas, nem para sermos abusadores, mas sim administradores. Não podemos herdar um mundo depredado; devemos herdar uma criação convenientemente administrada pela justiça.
Que papel os católicos devem desempenhar para que a justiça e a paz se abracem?
Cardeal Maradiaga: Em primeiro lugar, percebermos que a caridade não se opõe à justiça. O Papa Bento XVI, na primeira encíclica, fala-nos disso. Nos anos 70, quando todas as ideologias olhavam para o socialismo, diziam: “Não se deve dar por caridade o que corresponde por justiça”. Estavam erradas, porque a justiça e a caridade caminham juntas. Quando há justiça, chega a paz; não se pode construir a paz na injustiça; não se pode construir a paz no ódio.
Na sua experiência, os católicos têm consciência da dimensão social da Igreja?
Cardeal Maradiaga: Acho que a consciência existe, mas precisa ser educada. A comunidade cristã deve ser formada no que significa a dimensão social da caridade; é necessária esta instrução, porque as ideologias imperantes no mundo caminham no sentido contrário.
O próprio Santo Padre nos falou do individualismo, tendência contrária ao plano de Deus, que consiste em salvar-nos em comunidade, como Povo de Deus. Isso tem implicações sociais muito grandes; não se pode dizer que se ama a Deus a quem não vemos, se não amamos ao próximo, a quem vemos. Por isso, a Igreja nos deu o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, não como um livro a mais, mas como uma matéria pendente na vida de todos os batizados, que devemos interiorizar para praticar.
Como responder àqueles que qualificam as políticas da Cáritas de assistencialistas, entendendo por esta palavra o sentido mais negativo do conceito?
Cardeal Maradiaga: Os que falam de assistencialismo jamais deram sequer um centésimo para servir o próximo; pude comprovar isso: falam e desprezam, mas eles não colaboram. Uma pessoa que sabe o que é amar o próximo e servi-lo ainda que seja com uma pequena esmola, nunca falará de assistencialismo. Que continuem falando de assistencialismo os que nunca assistem sequer a si mesmos.
Qual é o papel do voluntariado dentro da Cáritas?
Cardeal Maradiaga: É central. A Cáritas não poderia existir sem o voluntariado, porque muitos entendem que a Cáritas é simplesmente acudir a emergências; essa é uma das funções, mas a função principal da Cáritas é educar cada cristão nas dimensões sociais do amor; mostrar que a pessoa não pode fechar-se em seu cristianismo de uma maneira individualista. Todos os programas educativos são de prioridade e todas as Cáritas têm programas de formação e de educação para os cristãos; o ideal é que todas as paróquias possam ter também sua pastoral social organizada, na qual a Cáritas participe.
Que características deve ter a Cáritas do século 21?
Cardeal Maradiaga: As mesmas que tem desde o começo, porque a Cáritas é amor e o amor não muda, só cresce. Agora temos de amar mais do que antes, porque nas coisas do dinheiro, quem tem muito dinheiro e dá muito dinheiro não fica sem nada; nas coisas do amor, quem tem muito e dá muito, cada dia tem mais.
O plano de Deus é que, frente à criação, sejamos administradores, frente a Deus sejamos filhos, frente ao próximo sejamos irmãos. O mundo vê Deus como um inimigo, vê o próximo como um adversário, vê a criação com sentido de exploração. Então, isso tem que mudar; devemos ser mais corresponsáveis, mais solidários, mais cheios de amor.
Em Aparecida se falou de uma mudança de época. Como o senhor vê, três anos depois, o convite à missão permanente?
Cardeal Maradiaga: A missão permanente vai caminhando, com diversas velocidades; em alguns lugares se dedicou o primeiro ano a estudar o documento e nesse passo vi progressos em muitas dioceses e também indiferença em outras. Há alguns que ainda não ficaram sabendo de Aparecida.
Eu gostaria de que todos nós sentíssemos essa necessidade de viver isso, porque é um documento precioso, nele vemos uma inspiração do Senhor. Já se fez um lançamento oficial da Missão Continental, que será um processo. Em alguns lugares, vai dando bons frutos e um deles é a corresponsabilidade entre as dioceses; não podemos pensar na diocese como algo rígido, onde ninguém pode se mover; as fronteiras do amor não são barreiras. Há mais consciência em nosso continente quanto a essa corresponsabilidade.
O projeto descansará basicamente no zelo pastoral dos bispos e dos sacerdotes, porque os leigos estão dispostos. Mas precisamos de que os pastores estejam repletos do coração de São Paulo: “Ai de mim se não evangelizar”.
Há um tema importante: a conversão pastoral...
Cardeal Maradiaga: Para mim, é uma das coisas geniais de Aparecida, porque coloca o dedo na ferida. Depois do Vaticano II, pegamos algumas coisas e permanecemos fazendo mais das mesmas coisas. Mas o Espírito Santo não trabalha assim. A primeira coisa que o Espírito Santo faz é desinstalar-nos; um sacerdote, em uma paróquia, fazendo mais da mesma coisa termina fazendo nada, porque esta mudança de época está nos pedindo coisas diferentes.
Aparecida enfatiza a formação na fé, ou seja, a catequese; nela encontramos uma das lacunas na pastoral. Em minhas paróquias, perguntei: “Como está a educação na fé?” E respondem: “O que é isso?”; outros dizem: “Não temos colégios católicos”.
Segundo a Igreja, o pároco é o primeiro responsável pela educação na fé dos seus fiéis e nos diz o diretório da catequese que deve ser a educação progressiva e sistemática da fé; isso não se cumpre; a catequese é esporádica e pré-sacramental; muitas vezes é tão elementar que encontramos catequistas que são pessoas ótimas e de boa vontade, mas dão uma preparação deficiente. Uma das linhas de conversão pastoral é que o pároco deve se sentir como o primeiro responsável pela formação dos seus fiéis. Ainda não há consciência disso.
Em muitos países, a Igreja se converteu em clientelar, não é verdade?
Cardeal Maradiaga: Todo o continente tem essa problemática; estamos esperando que venham a nós e cada vez chegam menos, porque não estão motivados. Já é hora de sair. Devemos levar o Senhor aos seus ambientes; aqui é onde encontramos um dos grandes defeitos da pastoral: não chegamos a evangelizar a política e os políticos, então, quando alguns – que se chamam bons cristãos – entram na política, a primeira coisa de que esquecem é do Evangelho.
Eu fundei uma universidade católica que agora tem 14 mil alunos. Com muitos esforços, fizemos uma faculdade de ciências políticas e ninguém se matriculou, porque não se considera que para ser político se requer formação; todos acreditam que precisam simplesmente saber todas as manhas. A disciplina pendente é formar autênticos políticos.
Não há muitos políticos dispostos a dar a vida pelo Reino mas há muitos que sucumbem frente ao dinheiro fácil. Quando se trata de perpetuar-se no poder, não importa se atropela-se uma constituição. Ainda estamos engatinhando frente à política do bem comum.
Por Jaime Septién e Omar Arcega - Fonte: Zenit.
Monjas de clausura firmam contrato com gravadora
A gravadora Decca Records, que tem como sócia a Universal Music Group, e a comunidade beneditina da abadia de Nossa Senhora da Anunciação, em Le Barroux, acabam de firmar um contrato para a gravação de um disco de canto gregoriano.
A comunidade de religiosas foi selecionada entre setenta conventos de todo o mundo devido à sua excelente interpretação.
“Nunca consideramos algo assim antes; vieram até nós. Inicialmente, pensamos que poderia afetar nossa vida de clausura, e então oramos a São José – disse a abadessa. “Nossas orações foram ouvidas, e pensamos que o álbum poderia ser algo positivo se ajudasse as pessoas a encontrar a paz”.
A comunidade de 28 monjas se reúne para o canto gregoriano oito vezes por dia.
O contrato comercial foi negociado através das grades do claustro, e a comunidade se encarregará de quaisquer fotografias ou vídeos necessários para a promoção e publicidade do disco.
A Decca Records prevê lançar o álbum “Voice: Chant From Avignon” em novembro.
Fonte: Zenit.
A comunidade de religiosas foi selecionada entre setenta conventos de todo o mundo devido à sua excelente interpretação.
“Nunca consideramos algo assim antes; vieram até nós. Inicialmente, pensamos que poderia afetar nossa vida de clausura, e então oramos a São José – disse a abadessa. “Nossas orações foram ouvidas, e pensamos que o álbum poderia ser algo positivo se ajudasse as pessoas a encontrar a paz”.
A comunidade de 28 monjas se reúne para o canto gregoriano oito vezes por dia.
O contrato comercial foi negociado através das grades do claustro, e a comunidade se encarregará de quaisquer fotografias ou vídeos necessários para a promoção e publicidade do disco.
A Decca Records prevê lançar o álbum “Voice: Chant From Avignon” em novembro.
Fonte: Zenit.
Aborto: um debate cada vez mais sério
Nestes dias, o aborto ocupa muitas manchetes. A candidata ao Tribunal Supremo dos Estados Unidos recebeu críticas pelo seu apoio ao aborto durante as audiências diante do senado para sua confirmação, sobretudo pelo seu papel como membro da administração de Clinton, que se opôs às leis que proibiam o aborto de gestações muito avançadas.
Por outro lado, os efeitos da lei de assistência médica aprovada pelo Congresso continuam causando enfrentamentos. National Right to Life lançou o sinal de alarme sobre os abortos que estavam sendo financiados sob os planos estatais de seguro médico que se financiam com fundos federais. O plano do Novo México acrescentava à lista o aborto como uma das suas coberturas, até que uma investigação de Associated Press fez que se eliminasse, segundo informou a agência de notícias no dia 14 de junho. A reportagem explicava que a lei federal proíbe que se pague o aborto com dinheiro do governo, exceto em casos de incesto ou para salvar a vida da mãe.
O amargo debate no Congresso sobre a lei de assistência médica do ano passado só terminou quando os democratas obtiveram suficientes votos para aprovar a lei, depois de que o presidente Barack Obama assinou uma ordem executiva impondo recortes ao financiamento federal de abortos.
Em consequência, o Departamento de Saúde e Serviços Sociais publicou uma declaração na qual se excluía o aborto de tais programas. O cardeal Daniel DiNardo, de Galveston-Houston, presidente do Comitê das Atividades Pró-Vida da Conferência Episcopal Americana, acolheu com satisfação a declaração, que evitava um “alarmante precedente” e pedia uma lei permanente que excluísse o aborto de todos os programas, segundo expressava em uma nota de imprensa, de 29 de junho, da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.
A estas notícias seguiram os protestos sobre os planos da administração Obama de permitir abortos em hospitais militares. O cardeal Daniel Dinardo escrevia ao comitê do senado considerando esta mudança, incentivando-os a rejeitar a proposta. Esta medida acabaria com a longa política federal e militar de não-promoção do aborto por parte do governo, segundo afirmou em uma declaração publicada no dia 29 de junho pela conferência episcopal.
O cardeal DiNardo afirmou que a atual política militar está em harmonia com a política federal: “Tampouco podem ser usadas outras instalações sanitárias federais para abortos seletivos, e muitos Estados têm suas próprias leis contra o uso de instalações públicas para tais abortos”.
Restrições clínicas
O enfrentamento sobre o aborto não é menos intenso no âmbito estatal nos Estados Unidos. Em Missúri, o governador Jay Nixon permitiu que uma proposta – que exige às clínicas abortivas que ofereçam imagens de ultrassonografias e do coração batendo dos fetos – se convertesse em lei, informou em 14 de julho Associated Press.
A lei de Missúri já ordena que se fale a uma mulher sobre os riscos físicos e psicológicos do aborto pelo menos 24 horas antes de submeter-se ao procedimento. Estas medidas adicionais aprovadas exigirão uma consulta pessoal ao invés de telefônica, e que as mulheres recebam uma descrição “das características anatômicas e psicológicas da criança não-nascida”, junto com o oferecimento de uma ultrassonografia.
Em 2008, segundo fontes citadas por Associated Press, foram praticados 7.400 abortos em Missúri.
O Nebrasca é outro Estado no qual entraram em vigor novas leis sobre o aborto, segundo informou em 13 de julho o jornal Washington Times. Em vigor desde 15 de julho, a Lei de Proteção da Saúde das Mulheres exige que as mulheres que solicitem o aborto sejam submetidas a um exame de temas de saúde mental e também lhes é perguntado se estão sendo pressionadas para que abortem. Além disso, a lei dá direito às mulheres de levar aos tribunais os que praticaram os abortos, caso desenvolvam problemas mentais ou psicológicos como resultado do procedimento.
Uma segunda lei proíbe o aborto após a 20ª semana de gestação, exceto para salvar a vida da mãe.
No último minuto, a lei foi bloqueada por um juiz federal, segundo informou em 14 de julho Associated Press. O juiz de distrito Laurie Smith Camp concedeu a Planned Parenthood uma proibição preliminar sobre a base de que a lei torna impossível o aborto no Estado.
Esta legislação no âmbito estatal é cada vez mais comum, comentou uma reportagem do New York Times em 3 de junho. Somente neste ano, pelo menos 11 Estados aprovaram leis que regulam o aborto. O artigo citava estatísticas da cena legislativa de uma organização pró-aborto, o Guttmacher Institute. Na primeira metade de 2010, foram submetidas a votação cerca de 370 leis estatais que regulam o aborto – um número a ser comparado com as 350 de cada um dos 5 anos anteriores. Neste ano, pelo menos 24 dessas leis foram aprovadas.
“Cerca de 90% da legislação pró-vida está nos Estados”, declarou ao New York Times Daniel S. McConchie, vice-presidente para assuntos governamentais de Americans United for Life.
O caso do Canadá
Um pouco mais ao Norte, no Canadá, o aborto também aparece nas manchetes. No começo deste ano, o debate se centrou sobre se o governo deveria financiar o aborto com as ajudas aos países em desenvolvimento. As autoridades federais optaram por não financiar os abortos. Enquanto o assunto era debatido, Margaret Somerville, diretora do Centro de Medicina, Ética e Direito da Universidade McGill, escreveu um artigo de opinião para o jornal Ottawa Citizen no dia 30 de abril. No texto, ela dizia que o aborto não deveria ser financiado baseando-se em uma decisão ética que valorizasse a vida humana.
Indicava, além disso, que inclusive o assim chamado “aborto seguro” implica em riscos para as mulheres.
Pouco depois, o arcebispo de Québec, cardeal Marc Ouellet, reabriu o tema do aborto pedindo que se voltasse a examinar a legislação, segundo informou a CBS no dia 26 de maio. O cardeal Ouellet, nomeado pouco depois pelo Papa como prefeito da Congregação de Bispos, condenava o aborto como um crime moral.
Suas declarações receberam duras críticas, mas afirmou que não julgava as mulheres individuais, ao mesmo tempo em que pedia ao governo que ajudasse a reduzir o número de abortos.
“O debate sobre o aborto está aberto – afirmava. E não devemos ter medo”, observou a reportagem da CBS.
Do outro lado do Atlântico, na Espanha, entrou em vigor uma nova lei que permite o aborto sem restrições durante as 14 primeiras semanas de gravidez, segundo informou em 5 de julho Associated Press. A lei foi aprovada pelo congresso espanhol, controlado pelo Partido Socialista, no começo de 2010. Também permite que adolescentes de 16 e 17 anos abortem sem a autorização dos seus pais, ainda que devem informá-los sobre o fato.
A oposição do Partido Popular levou a nova lei do aborto à mais alta instância judicial do país, o Tribunal Constitucional, mas no dia 14 de julho este determinou que não se suspenderia a nova lei enquanto decide a apelação contra ele, segundo informou em 15 de julho Associated Press.
Debate sobre a dor do feto na Inglaterra
O aborto também esteve em primeiro plano na Inglaterra, onde um informe sustentava que um feto humano não pode sentir dor antes da 24ª semana, segundo informou o jornal Times em 25 de junho.
O estudo, do Royal College of Obstetricians and Gynecologists, foi interpretado como um reverso aos esforços das organizações pró-vida para reduzir o limite temporal para abortar. Estas tentaram mudar as leis, reduzindo de 24 para 20 semanas o limite em que podem ser realizados os abortos.
Christian Odone, comentando a notícia no jornal Telegraph de 25 de junho, disse que “a mensagem implícita é que a dor deveria ser nosso critério de moralidade”. Mas aceitar essa ideia significaria uma mudança radical em nosso sistema ético – sustentou. Em uma situação assim, o bem e o mal se tornariam conceitos meramente relativos baseados em uma escala de dor.
“O comportamento que não produz dor, como seguir adiante com assuntos ilícitos, não seria aceitável, como dar uma injeção fatal a um paciente em coma ou senil: nem a traição secreta nem a morte prematura importam, se ninguém sente for”, comentou. Esta é uma observação muito válida que chama a atenção sobre a importância fundamental da defesa da vida humana.
Quando se abandona o mais importante, as consequências são imensas.
Fonte: Zenit.
Por outro lado, os efeitos da lei de assistência médica aprovada pelo Congresso continuam causando enfrentamentos. National Right to Life lançou o sinal de alarme sobre os abortos que estavam sendo financiados sob os planos estatais de seguro médico que se financiam com fundos federais. O plano do Novo México acrescentava à lista o aborto como uma das suas coberturas, até que uma investigação de Associated Press fez que se eliminasse, segundo informou a agência de notícias no dia 14 de junho. A reportagem explicava que a lei federal proíbe que se pague o aborto com dinheiro do governo, exceto em casos de incesto ou para salvar a vida da mãe.
O amargo debate no Congresso sobre a lei de assistência médica do ano passado só terminou quando os democratas obtiveram suficientes votos para aprovar a lei, depois de que o presidente Barack Obama assinou uma ordem executiva impondo recortes ao financiamento federal de abortos.
Em consequência, o Departamento de Saúde e Serviços Sociais publicou uma declaração na qual se excluía o aborto de tais programas. O cardeal Daniel DiNardo, de Galveston-Houston, presidente do Comitê das Atividades Pró-Vida da Conferência Episcopal Americana, acolheu com satisfação a declaração, que evitava um “alarmante precedente” e pedia uma lei permanente que excluísse o aborto de todos os programas, segundo expressava em uma nota de imprensa, de 29 de junho, da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.
A estas notícias seguiram os protestos sobre os planos da administração Obama de permitir abortos em hospitais militares. O cardeal Daniel Dinardo escrevia ao comitê do senado considerando esta mudança, incentivando-os a rejeitar a proposta. Esta medida acabaria com a longa política federal e militar de não-promoção do aborto por parte do governo, segundo afirmou em uma declaração publicada no dia 29 de junho pela conferência episcopal.
O cardeal DiNardo afirmou que a atual política militar está em harmonia com a política federal: “Tampouco podem ser usadas outras instalações sanitárias federais para abortos seletivos, e muitos Estados têm suas próprias leis contra o uso de instalações públicas para tais abortos”.
Restrições clínicas
O enfrentamento sobre o aborto não é menos intenso no âmbito estatal nos Estados Unidos. Em Missúri, o governador Jay Nixon permitiu que uma proposta – que exige às clínicas abortivas que ofereçam imagens de ultrassonografias e do coração batendo dos fetos – se convertesse em lei, informou em 14 de julho Associated Press.
A lei de Missúri já ordena que se fale a uma mulher sobre os riscos físicos e psicológicos do aborto pelo menos 24 horas antes de submeter-se ao procedimento. Estas medidas adicionais aprovadas exigirão uma consulta pessoal ao invés de telefônica, e que as mulheres recebam uma descrição “das características anatômicas e psicológicas da criança não-nascida”, junto com o oferecimento de uma ultrassonografia.
Em 2008, segundo fontes citadas por Associated Press, foram praticados 7.400 abortos em Missúri.
O Nebrasca é outro Estado no qual entraram em vigor novas leis sobre o aborto, segundo informou em 13 de julho o jornal Washington Times. Em vigor desde 15 de julho, a Lei de Proteção da Saúde das Mulheres exige que as mulheres que solicitem o aborto sejam submetidas a um exame de temas de saúde mental e também lhes é perguntado se estão sendo pressionadas para que abortem. Além disso, a lei dá direito às mulheres de levar aos tribunais os que praticaram os abortos, caso desenvolvam problemas mentais ou psicológicos como resultado do procedimento.
Uma segunda lei proíbe o aborto após a 20ª semana de gestação, exceto para salvar a vida da mãe.
No último minuto, a lei foi bloqueada por um juiz federal, segundo informou em 14 de julho Associated Press. O juiz de distrito Laurie Smith Camp concedeu a Planned Parenthood uma proibição preliminar sobre a base de que a lei torna impossível o aborto no Estado.
Esta legislação no âmbito estatal é cada vez mais comum, comentou uma reportagem do New York Times em 3 de junho. Somente neste ano, pelo menos 11 Estados aprovaram leis que regulam o aborto. O artigo citava estatísticas da cena legislativa de uma organização pró-aborto, o Guttmacher Institute. Na primeira metade de 2010, foram submetidas a votação cerca de 370 leis estatais que regulam o aborto – um número a ser comparado com as 350 de cada um dos 5 anos anteriores. Neste ano, pelo menos 24 dessas leis foram aprovadas.
“Cerca de 90% da legislação pró-vida está nos Estados”, declarou ao New York Times Daniel S. McConchie, vice-presidente para assuntos governamentais de Americans United for Life.
O caso do Canadá
Um pouco mais ao Norte, no Canadá, o aborto também aparece nas manchetes. No começo deste ano, o debate se centrou sobre se o governo deveria financiar o aborto com as ajudas aos países em desenvolvimento. As autoridades federais optaram por não financiar os abortos. Enquanto o assunto era debatido, Margaret Somerville, diretora do Centro de Medicina, Ética e Direito da Universidade McGill, escreveu um artigo de opinião para o jornal Ottawa Citizen no dia 30 de abril. No texto, ela dizia que o aborto não deveria ser financiado baseando-se em uma decisão ética que valorizasse a vida humana.
Indicava, além disso, que inclusive o assim chamado “aborto seguro” implica em riscos para as mulheres.
Pouco depois, o arcebispo de Québec, cardeal Marc Ouellet, reabriu o tema do aborto pedindo que se voltasse a examinar a legislação, segundo informou a CBS no dia 26 de maio. O cardeal Ouellet, nomeado pouco depois pelo Papa como prefeito da Congregação de Bispos, condenava o aborto como um crime moral.
Suas declarações receberam duras críticas, mas afirmou que não julgava as mulheres individuais, ao mesmo tempo em que pedia ao governo que ajudasse a reduzir o número de abortos.
“O debate sobre o aborto está aberto – afirmava. E não devemos ter medo”, observou a reportagem da CBS.
Do outro lado do Atlântico, na Espanha, entrou em vigor uma nova lei que permite o aborto sem restrições durante as 14 primeiras semanas de gravidez, segundo informou em 5 de julho Associated Press. A lei foi aprovada pelo congresso espanhol, controlado pelo Partido Socialista, no começo de 2010. Também permite que adolescentes de 16 e 17 anos abortem sem a autorização dos seus pais, ainda que devem informá-los sobre o fato.
A oposição do Partido Popular levou a nova lei do aborto à mais alta instância judicial do país, o Tribunal Constitucional, mas no dia 14 de julho este determinou que não se suspenderia a nova lei enquanto decide a apelação contra ele, segundo informou em 15 de julho Associated Press.
Debate sobre a dor do feto na Inglaterra
O aborto também esteve em primeiro plano na Inglaterra, onde um informe sustentava que um feto humano não pode sentir dor antes da 24ª semana, segundo informou o jornal Times em 25 de junho.
O estudo, do Royal College of Obstetricians and Gynecologists, foi interpretado como um reverso aos esforços das organizações pró-vida para reduzir o limite temporal para abortar. Estas tentaram mudar as leis, reduzindo de 24 para 20 semanas o limite em que podem ser realizados os abortos.
Christian Odone, comentando a notícia no jornal Telegraph de 25 de junho, disse que “a mensagem implícita é que a dor deveria ser nosso critério de moralidade”. Mas aceitar essa ideia significaria uma mudança radical em nosso sistema ético – sustentou. Em uma situação assim, o bem e o mal se tornariam conceitos meramente relativos baseados em uma escala de dor.
“O comportamento que não produz dor, como seguir adiante com assuntos ilícitos, não seria aceitável, como dar uma injeção fatal a um paciente em coma ou senil: nem a traição secreta nem a morte prematura importam, se ninguém sente for”, comentou. Esta é uma observação muito válida que chama a atenção sobre a importância fundamental da defesa da vida humana.
Quando se abandona o mais importante, as consequências são imensas.
Fonte: Zenit.
BBC prepara cobertura “equilibrada” da visita papal
Quando Mark Thompson, o diretor geral da British Broadcasting Corporation, veio a Roma para preparar a próxima visita papal à Grã-Bretanha, negou que a BBC tivesse uma mania inata contra a Igreja Católica.
Ele e outros diretivos da BBC acreditam que a cobertura, como grande parte de sua programação, é respeitosa e equilibrada, e que os programas sobre a Igreja são de grande qualidade.
Mas, à medida que se aproxima a visita do Papa, o que existe de verdade nisso?
Ao levar em consideração os programas que já foram divulgados e os rumores sobre os previstos, infelizmente, não é verdade, em absoluto.
De acordo com um bom número de fontes de notícias, espera-se que a BBC frustre muitos católicos, ao emitir um programa fixado para que coincida com a visita do Papa de 16 a 19 de setembro. O conteúdo do programa continua sendo secreto, mas algumas fontes de informação dizem que será um drama de 90 minutos que submete o Papa a um juízo, acusado de encobrir abusos sexuais perpetrados por sacerdotes.
A BBC se mostra muito reservada sobre este rumor. Uma porta-voz sua me disse, em 21 de julho, que os programas coincidem com a visita de Estado, mas não pôde dar detalhes – tampouco em relação ao possível conteúdo – por “razões de programação”. Ela também foi incapaz de dar informação sobre todos os programas relacionados com a visita papal, que já foram difundidos.
O programa mais importante que a cooperação emitiu até agora em relação à visita foi um drama da BBC Rádio 4 sobre o cardeal John Henry Newman, a quem o Santo Padre beatificará em Birmingham no dia 19 de setembro.
Chamado de Gerontius, Newman foi interpretado pelo respeitado ator Derek Jacobi. Mas a representação não tinha nada a ver com o progresso da alma rumo ao purgatório, nem manifestava a relevância na vida das pessoas das grandes obras teológicas de Newman. Ao invés disso, centrou-se em sua íntima amizade com Frei Ambrose St. John – uma amizade que os defensores dos direitos homossexuais dizem ser de caráter homossexual, mas que os especialistas em Newman mostram que era simplesmente um afeto próximo e fraternal.
Revisando a obra no Catholic Herald, o autor Francis Phillips escreveu: “Na metade de [um] diálogo sem ânimo, melodramático entre Newman e seu anjo da guarda, uma voz masculina jovem declara: ‘A Igreja Católica romana é homofóbica!’. Além disso, infere-se que o lema de Newman, ‘Das sombras à verdade’, pode ser um código encoberto do seu desejo de sair do armário”. Phillips propôs a leitura do maior especialista em Newman, o Pe. Ian Ker, ao invés disso.
Além de programas diretamente relacionados com a visita papal, a BBC produziu algumas saídas dignas de elogio. Em março, a Rádio 4 emitiu Heart and Soul, um excelente documentário sobre o sofrimento e como se pode chegar a uma compreensão pessoal da ressurreição de Cristo. Nesse mesmo mês, a BBC News ofereceu um artigo muito equilibrado do correspondente do Vaticano Gerry O'Connell nos meios de comunicação do Vaticano sobre a forma como se está lidando com a crise de abuso sexual.
Formas veladas
Mas a maioria dos programas continua traindo as tendências dominantes da BBC laicista. Ainda que se tenha feito um esforço para pedir a muitos católicos de pensamento ortodoxo para que apareçam em seus programas de notícias, no entanto, a maioria tende a ser católico dissidente. Os fiéis crentes que vão conseguir costumam ser destacados, como no caso de 5 de abril, quando um filósofo e político católico italiano, Rocco Buttiglione, apareceu no programa Radio 4's Today para discutir sobre a crise do abuso sexual. Buttiglione fez uma defesa enérgica e equilibrada, mas foi interrompido constantemente pelo apresentador, John Humphrys.
O Pe. Tim Finigan, sacerdote inglês e blogueiro, resumiu o problema quando escreveu em maio sobre um e-mail interno da BBC que lhe foi enviado. “A BBC está organizando um debate entre sua equipe sobre o cristianismo”, escreveu em seu blog The Hermeneutic of Continuity. “A quem trarão para fazer isso? A um professor de história e defensor dos direitos dos homossexuais, que descreve sua própria posição religiosa atual como a de um agnóstico ou ateu com um transfundo de anglicanismo, e um acadêmico muçulmano”.
E se ainda são necessárias provas de que a BBC não pode tratar da fé com a seriedade que merece, Cristina Odone, uma ex-editora de The Catholic Herald, escreveu em 29 de abril, no Telegraph, como ficou brava quando a BBC enviou um cômico para entrevistá-la sobre o escândalo de abusos sexuais entre os clérigos – e passou a maior parte do tempo tirando sarro da fé. “Será que a BBC pode fazer isso com um muçulmano? Com um judeu? Com um hindu? – perguntava-se. Claro que não. Não têm coragem. Mas quando se trata dos católicos, enviam-lhes os palhaços.”
Quando escrevi aqui sobre o desvio da BBC em fevereiro, concluí que entre a equipe diretiva da BBC, o ânimo anticatólico não era tão dominante – ainda que, sem dúvida, existe em alguns setores – como a incapacidade da sua equipe, predominantemente secularizada, de levar a fé a sério.
A Igreja da Inglaterra tende a concordar. No começo deste ano, criticou a cobertura da BBC da religião em geral como “não suficientemente boa” e expressou sua preocupação por que a transmissão de assuntos religiosos esteja sendo deixada de lado. Inclusive um dos antigos apresentadores da BBC em assuntos religiosos, Roger Bolton, queixou-se, em um discurso em março, de que a perspectiva religiosa nas notícias é “surpreendentemente ausente, tanto nas transmissões como por trás das cenas, nas discussões internas de redação”.
Mas criticar a BBC é fácil de fazer e se faz frequentemente. Um amigo que trabalha para a corporação se lamentava recentemente que criticar a “BeeB” é algo assim como “tiro de peixes em um barril – ainda que o tiro aos peixes em um dos peixes de ‘tiro ao barril’ não é um esporte tão popular”. De fato, as emissoras públicas do mundo inteiro são objeto de acusações similares de serem tendenciosas.
Em um discurso de fevereiro em Roma, Thompson se referiu a algumas brincadeiras típicas: “De qualquer forma, ‘para que exatamente se paga uma licença?’ É preciso aboli-la”; “Por que não colocar uma bomba debaixo delas?”, disse, acrescentando: “Estes não são encontros da imprensa britânica. São de Bild, do Frankfurter Allgemeine Zeitung, do jornal flamenco De Standaard, Il Giornale e do Spiegel. Tampouco são sobre a BBC – são sobre a ARD / ZDF, VRT e a RAI”.
Cultura de morte
Mas se poderia argumentar que a tendenciosidade da BBC contra a Igreja Católica tem um traço mais grave e sinistro do que simplesmente as falhas normais de um organismo público de radiodifusão, relacionado não somente com um mal-estar na corporação, e sim mais em geral entre as elites do país e talvez dentro da cultura britânica em seu conjunto. A BBC, depois de tudo, não é o único organismo de radiodifusão do Reino Unido que ataca a Igreja: com notável, mas surpreendente descaro, Channel 4 pediu ao ativista dos direitos dos homossexuais Peter Tatchell, que se apresente em um documentário sobre Bento XVI.
Mas se diz da BBC que padece sobretudo de uma forma de pensar que impregna secularismo, que abraça – ou pelo menos simpatiza com ela – a cultura da morte, seja o aborto, o feminismo radical, a agenda homossexual, a anticoncepção, a eutanásia, a ciência contrária à ética, assim como a pesquisa com células-tronco embrionárias. O consumo de drogas entre os empregados também se diz que está generalizado.
Recentes acontecimentos trágicos entre funcionários da BBC parecem corroborar esta opinião. Ray Gosling, um apresentador veterano e destacado ativista de direitos dos homossexuais, admitiu em fevereiro que há vários anos havia asfixiado seu amante de sexo masculino, para matá-lo. Pouco depois de sua confissão ao vivo, foi arrestado sob suspeita de homicídio e posto em liberdade sob fiança, ainda que a investigação continue.
E nos últimos anos, três jovens apresentadores da BBC morreram em circunstâncias pouco comuns, sendo a mais recente a de Kristian Digby, um apresentador de televisão abertamente gay, que morreu misteriosamente em fevereiro, aos 33 anos.
Em 2006, Bento XVI insistiu na importância de dizer “não” à atual cultura da morte, “uma anticultura” que, segundo ele, se manifesta em coisas tais como a fuga nas drogas. Trata-se de uma forma de “escapar da realidade no ilusório – disse –, em uma felicidade falsa que se manifesta na mentira, na fraude, na injustiça, no desprezo aos demais”.
Também disse que a cultura da morte “se mostra em uma sexualidade que se converte em puro prazer sem responsabilidade, que faz do homem um objeto, por assim dizer, sem considerá-lo já como uma pessoa, com um amor pessoal, com fidelidade, mas transformando-o em mercadoria”.
Como antídoto, defendeu o “sim” da cultura da vida: a fidelidade aos Dez Mandamentos, que, segundo disse, “não são proibições, mas uma visão de vida”.
Talvez possamos esperar que a BBC e outros setores dos meios de comunicação do Reino Unido percebam a sabedoria e a pertinência das palavras do Santo Padre durante sua vida à Grã-Bretanha.
Tanto na corporação como em outros lugares do país, sem dúvida são necessárias.
Fonte: Zenit.
Ele e outros diretivos da BBC acreditam que a cobertura, como grande parte de sua programação, é respeitosa e equilibrada, e que os programas sobre a Igreja são de grande qualidade.
Mas, à medida que se aproxima a visita do Papa, o que existe de verdade nisso?
Ao levar em consideração os programas que já foram divulgados e os rumores sobre os previstos, infelizmente, não é verdade, em absoluto.
De acordo com um bom número de fontes de notícias, espera-se que a BBC frustre muitos católicos, ao emitir um programa fixado para que coincida com a visita do Papa de 16 a 19 de setembro. O conteúdo do programa continua sendo secreto, mas algumas fontes de informação dizem que será um drama de 90 minutos que submete o Papa a um juízo, acusado de encobrir abusos sexuais perpetrados por sacerdotes.
A BBC se mostra muito reservada sobre este rumor. Uma porta-voz sua me disse, em 21 de julho, que os programas coincidem com a visita de Estado, mas não pôde dar detalhes – tampouco em relação ao possível conteúdo – por “razões de programação”. Ela também foi incapaz de dar informação sobre todos os programas relacionados com a visita papal, que já foram difundidos.
O programa mais importante que a cooperação emitiu até agora em relação à visita foi um drama da BBC Rádio 4 sobre o cardeal John Henry Newman, a quem o Santo Padre beatificará em Birmingham no dia 19 de setembro.
Chamado de Gerontius, Newman foi interpretado pelo respeitado ator Derek Jacobi. Mas a representação não tinha nada a ver com o progresso da alma rumo ao purgatório, nem manifestava a relevância na vida das pessoas das grandes obras teológicas de Newman. Ao invés disso, centrou-se em sua íntima amizade com Frei Ambrose St. John – uma amizade que os defensores dos direitos homossexuais dizem ser de caráter homossexual, mas que os especialistas em Newman mostram que era simplesmente um afeto próximo e fraternal.
Revisando a obra no Catholic Herald, o autor Francis Phillips escreveu: “Na metade de [um] diálogo sem ânimo, melodramático entre Newman e seu anjo da guarda, uma voz masculina jovem declara: ‘A Igreja Católica romana é homofóbica!’. Além disso, infere-se que o lema de Newman, ‘Das sombras à verdade’, pode ser um código encoberto do seu desejo de sair do armário”. Phillips propôs a leitura do maior especialista em Newman, o Pe. Ian Ker, ao invés disso.
Além de programas diretamente relacionados com a visita papal, a BBC produziu algumas saídas dignas de elogio. Em março, a Rádio 4 emitiu Heart and Soul, um excelente documentário sobre o sofrimento e como se pode chegar a uma compreensão pessoal da ressurreição de Cristo. Nesse mesmo mês, a BBC News ofereceu um artigo muito equilibrado do correspondente do Vaticano Gerry O'Connell nos meios de comunicação do Vaticano sobre a forma como se está lidando com a crise de abuso sexual.
Formas veladas
Mas a maioria dos programas continua traindo as tendências dominantes da BBC laicista. Ainda que se tenha feito um esforço para pedir a muitos católicos de pensamento ortodoxo para que apareçam em seus programas de notícias, no entanto, a maioria tende a ser católico dissidente. Os fiéis crentes que vão conseguir costumam ser destacados, como no caso de 5 de abril, quando um filósofo e político católico italiano, Rocco Buttiglione, apareceu no programa Radio 4's Today para discutir sobre a crise do abuso sexual. Buttiglione fez uma defesa enérgica e equilibrada, mas foi interrompido constantemente pelo apresentador, John Humphrys.
O Pe. Tim Finigan, sacerdote inglês e blogueiro, resumiu o problema quando escreveu em maio sobre um e-mail interno da BBC que lhe foi enviado. “A BBC está organizando um debate entre sua equipe sobre o cristianismo”, escreveu em seu blog The Hermeneutic of Continuity. “A quem trarão para fazer isso? A um professor de história e defensor dos direitos dos homossexuais, que descreve sua própria posição religiosa atual como a de um agnóstico ou ateu com um transfundo de anglicanismo, e um acadêmico muçulmano”.
E se ainda são necessárias provas de que a BBC não pode tratar da fé com a seriedade que merece, Cristina Odone, uma ex-editora de The Catholic Herald, escreveu em 29 de abril, no Telegraph, como ficou brava quando a BBC enviou um cômico para entrevistá-la sobre o escândalo de abusos sexuais entre os clérigos – e passou a maior parte do tempo tirando sarro da fé. “Será que a BBC pode fazer isso com um muçulmano? Com um judeu? Com um hindu? – perguntava-se. Claro que não. Não têm coragem. Mas quando se trata dos católicos, enviam-lhes os palhaços.”
Quando escrevi aqui sobre o desvio da BBC em fevereiro, concluí que entre a equipe diretiva da BBC, o ânimo anticatólico não era tão dominante – ainda que, sem dúvida, existe em alguns setores – como a incapacidade da sua equipe, predominantemente secularizada, de levar a fé a sério.
A Igreja da Inglaterra tende a concordar. No começo deste ano, criticou a cobertura da BBC da religião em geral como “não suficientemente boa” e expressou sua preocupação por que a transmissão de assuntos religiosos esteja sendo deixada de lado. Inclusive um dos antigos apresentadores da BBC em assuntos religiosos, Roger Bolton, queixou-se, em um discurso em março, de que a perspectiva religiosa nas notícias é “surpreendentemente ausente, tanto nas transmissões como por trás das cenas, nas discussões internas de redação”.
Mas criticar a BBC é fácil de fazer e se faz frequentemente. Um amigo que trabalha para a corporação se lamentava recentemente que criticar a “BeeB” é algo assim como “tiro de peixes em um barril – ainda que o tiro aos peixes em um dos peixes de ‘tiro ao barril’ não é um esporte tão popular”. De fato, as emissoras públicas do mundo inteiro são objeto de acusações similares de serem tendenciosas.
Em um discurso de fevereiro em Roma, Thompson se referiu a algumas brincadeiras típicas: “De qualquer forma, ‘para que exatamente se paga uma licença?’ É preciso aboli-la”; “Por que não colocar uma bomba debaixo delas?”, disse, acrescentando: “Estes não são encontros da imprensa britânica. São de Bild, do Frankfurter Allgemeine Zeitung, do jornal flamenco De Standaard, Il Giornale e do Spiegel. Tampouco são sobre a BBC – são sobre a ARD / ZDF, VRT e a RAI”.
Cultura de morte
Mas se poderia argumentar que a tendenciosidade da BBC contra a Igreja Católica tem um traço mais grave e sinistro do que simplesmente as falhas normais de um organismo público de radiodifusão, relacionado não somente com um mal-estar na corporação, e sim mais em geral entre as elites do país e talvez dentro da cultura britânica em seu conjunto. A BBC, depois de tudo, não é o único organismo de radiodifusão do Reino Unido que ataca a Igreja: com notável, mas surpreendente descaro, Channel 4 pediu ao ativista dos direitos dos homossexuais Peter Tatchell, que se apresente em um documentário sobre Bento XVI.
Mas se diz da BBC que padece sobretudo de uma forma de pensar que impregna secularismo, que abraça – ou pelo menos simpatiza com ela – a cultura da morte, seja o aborto, o feminismo radical, a agenda homossexual, a anticoncepção, a eutanásia, a ciência contrária à ética, assim como a pesquisa com células-tronco embrionárias. O consumo de drogas entre os empregados também se diz que está generalizado.
Recentes acontecimentos trágicos entre funcionários da BBC parecem corroborar esta opinião. Ray Gosling, um apresentador veterano e destacado ativista de direitos dos homossexuais, admitiu em fevereiro que há vários anos havia asfixiado seu amante de sexo masculino, para matá-lo. Pouco depois de sua confissão ao vivo, foi arrestado sob suspeita de homicídio e posto em liberdade sob fiança, ainda que a investigação continue.
E nos últimos anos, três jovens apresentadores da BBC morreram em circunstâncias pouco comuns, sendo a mais recente a de Kristian Digby, um apresentador de televisão abertamente gay, que morreu misteriosamente em fevereiro, aos 33 anos.
Em 2006, Bento XVI insistiu na importância de dizer “não” à atual cultura da morte, “uma anticultura” que, segundo ele, se manifesta em coisas tais como a fuga nas drogas. Trata-se de uma forma de “escapar da realidade no ilusório – disse –, em uma felicidade falsa que se manifesta na mentira, na fraude, na injustiça, no desprezo aos demais”.
Também disse que a cultura da morte “se mostra em uma sexualidade que se converte em puro prazer sem responsabilidade, que faz do homem um objeto, por assim dizer, sem considerá-lo já como uma pessoa, com um amor pessoal, com fidelidade, mas transformando-o em mercadoria”.
Como antídoto, defendeu o “sim” da cultura da vida: a fidelidade aos Dez Mandamentos, que, segundo disse, “não são proibições, mas uma visão de vida”.
Talvez possamos esperar que a BBC e outros setores dos meios de comunicação do Reino Unido percebam a sabedoria e a pertinência das palavras do Santo Padre durante sua vida à Grã-Bretanha.
Tanto na corporação como em outros lugares do país, sem dúvida são necessárias.
Fonte: Zenit.
Quem confia no Senhor não teme as adversidades da vida, diz Papa
A verdadeira sabedoria implica em confiar no Senhor, não vivendo apenas como se a existência dependesse das realidades passageiras.
Foi o que disse Bento XVI neste domingo ao meio-dia, ao rezar o Angelus com os peregrinos reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo.
Ao recordar o exemplo de santos como Inácio de Loyola, Afonso Maria de Ligório, Santo Eusébio e São João Maria Vianney, o Papa disse que esses foram homens que adquiriram um “coração sábio”.
Eles acumularam “o que não se corrompe” e descartaram “o que muda ao longo do tempo: o poder, a riqueza e os prazeres efêmeros. Escolhendo a Deus, possuíram tudo o que foi necessário, saboreando, a partir da vida terrena, a eternidade”.
No contexto do Evangelho deste domingo, o Papa afirmou que o ensinamento de Jesus refere-se à verdadeira sabedoria.
“Jesus adverte os ouvintes quanto aos desejos de bens terrenos, com a parábola do rico insensato, que, tendo acumulado uma grande colheita e bens, deixaria de trabalhar e consumiria seus bens divertindo-se e iludindo-se de poder postergar a morte.”
“Mas Deus lhe diz: ‘Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será retirada. E para quem ficará o que acumulaste?’”
Na Bíblia – afirmou o Papa –, o homem insensato “é aquele que não se dá conta, a partir da experiência das coisas visíveis, que nada dura para sempre, mas tudo passa: tanto a juventude, como a força física, as comodidades como as funções de poder”.
“Fazer depender a própria vida de realidades assim tão passageiras é, portanto, insensatez.”
“O homem que, pelo contrário, confia no Senhor, não teme as adversidades da vida, nem sequer a inelutável realidade da morte: é o homem que adquiriu um ‘coração sábio’, como os santos”, disse o pontífice.
Fonte: Zenit.
Foi o que disse Bento XVI neste domingo ao meio-dia, ao rezar o Angelus com os peregrinos reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo.
Ao recordar o exemplo de santos como Inácio de Loyola, Afonso Maria de Ligório, Santo Eusébio e São João Maria Vianney, o Papa disse que esses foram homens que adquiriram um “coração sábio”.
Eles acumularam “o que não se corrompe” e descartaram “o que muda ao longo do tempo: o poder, a riqueza e os prazeres efêmeros. Escolhendo a Deus, possuíram tudo o que foi necessário, saboreando, a partir da vida terrena, a eternidade”.
No contexto do Evangelho deste domingo, o Papa afirmou que o ensinamento de Jesus refere-se à verdadeira sabedoria.
“Jesus adverte os ouvintes quanto aos desejos de bens terrenos, com a parábola do rico insensato, que, tendo acumulado uma grande colheita e bens, deixaria de trabalhar e consumiria seus bens divertindo-se e iludindo-se de poder postergar a morte.”
“Mas Deus lhe diz: ‘Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será retirada. E para quem ficará o que acumulaste?’”
Na Bíblia – afirmou o Papa –, o homem insensato “é aquele que não se dá conta, a partir da experiência das coisas visíveis, que nada dura para sempre, mas tudo passa: tanto a juventude, como a força física, as comodidades como as funções de poder”.
“Fazer depender a própria vida de realidades assim tão passageiras é, portanto, insensatez.”
“O homem que, pelo contrário, confia no Senhor, não teme as adversidades da vida, nem sequer a inelutável realidade da morte: é o homem que adquiriu um ‘coração sábio’, como os santos”, disse o pontífice.
Fonte: Zenit.
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