O secretário geral das Nações Unidas, o coreano Ban Ki Moon, comentou com o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, que "chegou a hora de que o papa fale diante dos chefes de Estado e de governo da ONU".
A declaração aconteceu durante o recente encontro com o purpurado na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Ban Ki-Moon aproveitou para convidar o pontífice às Nações Unidas, talvez por ocasião dos 70 anos da fundação da Organização Mundial pela Paz.
É uma possibilidade que vem sendo considerada desde maio, quando, no Vaticano, o Santo Padre recebeu Ban Ki-Moon em audiência junto com os chefes das agências da ONU. Na ocasião, o secretário geral da ONU tinha pedido que Francisco se dirigisse "na primeira ocasião possível a Nova Iorque".
Agora as condições parecem favoráveis, já que a visita poderia coincidir com o Encontro Mundial das Famílias, na Filadélfia, a ser realizado de 22 a 25 de setembro de 2015.
Fonte: Zenit.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Não há futuro para um povo sem este encontro entre as gerações
Durante a Santa Missa com os idosos e os avós celebrada ontem domingo, 28 de setembro, na Praça de São Pedro, o Santo Padre Francisco pronunciou a seguinte homilia:
O Evangelho que acabamos de ouvir é acolhido hoje por nós como o Evangelho do encontro entre os jovens e os idosos: um encontro cheio de alegria, cheio de fé e cheio de esperança. Maria é jovem, muito jovem. Isabel é idosa, mas manifestou-se nela a misericórdia de Deus e há seis meses que ela e o marido Zacarias estão à espera de um filho. Maria, também nesta circunstância, nos indica o caminho: ir encontrar a parente Isabel, estar com ela naturalmente para a ajudar mas também e sobretudo para aprender dela, que é idosa, a sabedoria da vida. A primeira Leitura faz ecoar, através de várias expressões, o quarto mandamento: «Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dá» (Ex 20, 12). Não há futuro para um povo sem este encontro entre as gerações, sem os filhos receberem, com gratidão, das mãos dos pais o testemunho da vida. E, dentro desta gratidão a quem te transmitiu a vida, entra também a gratidão ao Pai que está nos céus.
Às vezes há gerações de jovens que, por complexas razões históricas e culturais, vivem de forma mais intensa a necessidade de se tornar autónomos dos pais, a necessidade quase de «libertar-se» do legado da geração anterior. Parece um momento de adolescência rebelde. Mas, se depois não se recupera o encontro, se não se volta a encontrar um equilíbrio novo, fecundo entre as gerações, o resultado é um grave empobrecimento para o povo, e a liberdade que prevalece na sociedade é uma liberdade falsa, que se transforma quase sempre em autoritarismo. Chega-nos esta mesma mensagem da exortação que o apóstolo Paulo dirige a Timóteo e, através dele, à comunidade cristã. Jesus não aboliu a lei da família e da passagem entre gerações, mas levou-a à perfeição. O Senhor formou uma nova família, na qual prevalece, sobre os laços de sangue, a relação com Ele e o cumprimento da vontade de Deus Pai. Mas o amor por Jesus e pelo Pai leva à perfeição o amor pelos pais, pelos irmãos, pelos avós, renova as relações familiares com a seiva do Evangelho e do Espírito Santo. E, assim, São Paulo recomenda a Timóteo – que é Pastor e, consequentemente, pai da comunidade – que tenha respeito pelos idosos e os familiares e exorta a fazê-lo com atitude filial: o idoso «como se fosse teu pai», «as mulheres idosas como se fossem mães» (cf. 1 Tim 5, 1). O chefe da comunidade não está dispensado desta vontade de Deus; antes, a caridade de Cristo impele a fazê-lo com um amor maior. Como fez a Virgem Maria, que, apesar de Se ter tornado a Mãe do Messias, sente-Se impelida pelo amor de Deus, que n’Ela Se está fazendo carne, a ir sem demora ter com a sua parente idosa.
E, deste modo, voltamos a este «ícone» cheio de alegria e de esperança, cheio de fé, cheio de caridade. Podemos pensar que a Virgem Maria, quando Se encontrava em casa de Isabel, terá ouvido esta e o marido Zacarias rezarem com as palavras do Salmo Responsorial de hoje: «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus, e a minha confiança desde a juventude. (…) Não me rejeites no tempo da velhice, não me abandones, quando já não tiver forças. (…) Agora, na velhice e de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, para que anuncie a esta geração o teu poder, e às gerações futuras, a tua força» (Sal 71/70, 5.9.18). A jovem Maria ouvia e guardava tudo no seu coração. A sabedoria de Isabel e Zacarias enriqueceu o seu espírito jovem; não eram especialistas de maternidade e paternidade, porque para eles também era a primeira gravidez, mas eram especialistas da fé, especialistas de Deus, especialistas da esperança que vem d’Ele: é disto que o mundo tem necessidade, em todo o tempo. Maria soube ouvir aqueles pais idosos e cheios de enlevo, aprendeu com a sabedoria deles, e esta revelou-se preciosa para Ela, no seu caminho de mulher, de esposa, de mãe. Assim, a Virgem Maria indica-nos o caminho: o caminho do encontro entre os jovens e os idosos. O futuro de um povo supõe necessariamente este encontro: os jovens dão a força para fazer caminhar o povo e os idosos revigoram esta força com a memória e a sabedoria popular.
Fonte: Zenit.
domingo, 28 de setembro de 2014
Para o mês missionário esta reflexão: o mundo terrível do tráfico de pessoas
O mês de outubro já se aproxima e toda a Igreja se prepara para impulsar as obras missionárias. No penúltimo domingo, 18 e 19, dia Mundial das Missões, organiza-se especialmente uma coleta para sustentar atividades de promoção humana e evangelização em todo o mundo.
Como em todos os anos as Pontifícias Obras Missionárias do Brasil (POM), com a colaboração de algumas comissões da CNBB, criou dessa vez uma campanha missionária com a mesma temática da Campanha da Fraternidade: a realidade do tráfico humano.
Por meio de uma série de materiais – cartazes, DVD, livro de novenas... –, que podem ser baixados gratuitamente pelo site da mesma instituição, busca-se conscientizar todos os fieis desse perigo tão real e que é “uma chaga da humanidade contemporânea”, conforme definição do Papa Francisco.
De todos os matérias, destacam-se os vídeos preparados para cada dia da novena. Neles há testemunhos de missionários e de vítimas, e o exemplo de como a Igreja no Brasil enfrenta na prática a questão, diariamente, nos diversos rincões do país.
Pe. Camilo Pauletti, diretor das pontifícias obras missionárias – POM, abre o primeiro vídeo da novena dizendo: “Outubro é conhecido com o mês missionário, tempo para rezar, refletir e tomarmos consciência de que a nossa igreja existe para evangelizar”.
Segundo a Organização Internacional do trabalho as vítimas do tráfico humano somam 21 milhões e o crime se expressa no trabalho escravo, na exploração sexual, no tráfico de órgãos, e adoção ilegal. É também a terceira atividade criminosa mais rentável do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e do tráfico de drogas e movimenta mais de 32 bilhões de dólares por ano.
Em um dos testemunhos de missionários que aparece nos vídeos está o da religiosa que em 2013 recebeu do parlamento europeu o prêmio cidadão europeu, destinado às pessoas que desenvolvem trabalho pelas causas humanitárias, a Ir. Eugênia Bonetti, missionária da Consolata.
“Em Turin, no norte da Itália, - relata Ir. Eugenia - eu conheci o mundo das noites e o mundo das ruas porque eu conheci alguém especial, a primeira mulher africana que veio até o meu escritório pedir ajuda. Ela chorava muito e suplicava. ‘Irmã, me ajude, me ajude’. O nome dessa mulher era Maria. E o encontro com Maria mudou minha vida. Ela se tornou minha professa, minha catequista. Ela me fez entender o mundo terrível do tráfico de pessoas. E daí em diante eu fui procurando enxergar o que estava acontecendo, não só na África, mas no mundo. Nós realmente podemos fazer um mundo sem escravidão, um mundo onde todos são reconhecidos como seres humanos, criados como imagem de Deus e não para serem escravos”.
Para baixar os materiais e ter acesso aos vídeos, clique aqui
Fonte: Zenit.
Como em todos os anos as Pontifícias Obras Missionárias do Brasil (POM), com a colaboração de algumas comissões da CNBB, criou dessa vez uma campanha missionária com a mesma temática da Campanha da Fraternidade: a realidade do tráfico humano.
Por meio de uma série de materiais – cartazes, DVD, livro de novenas... –, que podem ser baixados gratuitamente pelo site da mesma instituição, busca-se conscientizar todos os fieis desse perigo tão real e que é “uma chaga da humanidade contemporânea”, conforme definição do Papa Francisco.
De todos os matérias, destacam-se os vídeos preparados para cada dia da novena. Neles há testemunhos de missionários e de vítimas, e o exemplo de como a Igreja no Brasil enfrenta na prática a questão, diariamente, nos diversos rincões do país.
Pe. Camilo Pauletti, diretor das pontifícias obras missionárias – POM, abre o primeiro vídeo da novena dizendo: “Outubro é conhecido com o mês missionário, tempo para rezar, refletir e tomarmos consciência de que a nossa igreja existe para evangelizar”.
Segundo a Organização Internacional do trabalho as vítimas do tráfico humano somam 21 milhões e o crime se expressa no trabalho escravo, na exploração sexual, no tráfico de órgãos, e adoção ilegal. É também a terceira atividade criminosa mais rentável do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e do tráfico de drogas e movimenta mais de 32 bilhões de dólares por ano.
Em um dos testemunhos de missionários que aparece nos vídeos está o da religiosa que em 2013 recebeu do parlamento europeu o prêmio cidadão europeu, destinado às pessoas que desenvolvem trabalho pelas causas humanitárias, a Ir. Eugênia Bonetti, missionária da Consolata.
“Em Turin, no norte da Itália, - relata Ir. Eugenia - eu conheci o mundo das noites e o mundo das ruas porque eu conheci alguém especial, a primeira mulher africana que veio até o meu escritório pedir ajuda. Ela chorava muito e suplicava. ‘Irmã, me ajude, me ajude’. O nome dessa mulher era Maria. E o encontro com Maria mudou minha vida. Ela se tornou minha professa, minha catequista. Ela me fez entender o mundo terrível do tráfico de pessoas. E daí em diante eu fui procurando enxergar o que estava acontecendo, não só na África, mas no mundo. Nós realmente podemos fazer um mundo sem escravidão, um mundo onde todos são reconhecidos como seres humanos, criados como imagem de Deus e não para serem escravos”.
Para baixar os materiais e ter acesso aos vídeos, clique aqui
Fonte: Zenit.
sábado, 27 de setembro de 2014
Deus não impõe, mas convoca e convida
Em todas as celebrações eucarísticas ouvimos a proclamação da Igreja, que ressoa a Escritura: "Felizes os convidados para a Ceia do Senhor" (Cf. Ap19, 9). E é grande a alegria por saber que o chamado de Deus quer incluir a todos. Na oração do Rosário, o terceiro mistério luminoso nos faz contemplar justamente o chamado à conversão, que ocorre com o anúncio do Reino de Deus. É que da parte do Senhor existe a clara vontade de salvar a todos, envolvendo as diversas gerações e situações humanas. Ao se tratar de uma grande consolação, resulta igualmente provocante a responsabilidade entregue à liberdade humana, pois Deus não impõe, mas convoca e convida. Conversando com um jovem em recuperação na "Fazenda da Esperança", Comunidade Terapêutica presente em tantas partes de nosso país e do mundo, ouvi uma afirmação surpreendente. Dizia ele que seu drama maior era uma porteira aberta, por saber que, se quisesse, poderia ir embora. Sabia que o maior presente dado por Deus era entrar pelos umbrais da liberdade que o conduziam, pela estrada do Evangelho, a uma vida nova!
Jesus estabeleceu contato com todas as classes de pessoas, pelo que escandalizava a muitos. Era uma multidão de estropiados, rejeitados da sociedade, doentes de toda ordem, gente solitária, publicanos, pecadores de qualquer classificação. O Evangelho apenas permite entrever os dramas humanos que se apresentavam ao Senhor. Não muito diferente das imagens oferecidas ao vivo e a cores em nossos dias, com pessoas sofrendo toda espécie de miséria. As guerras localizadas ou espalhadas por nossas cidades pela violência e a miséria mostram um mundo machucado e desorientado, carente de encontrar aberta a porta do Reino de Deus! Que seja uma imensa procissão em busca de Deus! Que a meta seja o regaço misericordioso daquele que veio para os pecadores!
Também nossa história pessoal é repleta de idas e vindas, marcadas pelo mistério do pecado, malgrado o desejo de acertar esteja presente, pela própria vontade de Deus que nos criou. Muitas vezes damos nossa resposta positiva aos apelos de Deus e depois seguimos por outra estrada, cedendo ao egoísmo, turrões, cabeças duras que pretendem ser donas da verdade. Podemos ser também como o filho pirracento do primeiro momento que depois se converte e obedece ao Pai. "Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de atitude e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu:‘ Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi" (Mt 21, 28-30). Cada pessoa sabe de sua aventura humana de liberdade, quedas, arrependimento, coragem para recomeçar, pedidos de perdão aos milhares, encontros com a misericórdia de Deus. Escute a palavra de Deus: "Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e faz o que é direito e justo, conservará a própria vida. Arrependendo-se de todos os crimes que cometeu, ele certamente viverá, não morrerá" (Ez 18, 27-28)
O contato de Jesus com as pessoas é marcado pelo chamado constante à conversão. O início de sua pregação resume a proposta que faz à humanidade: "Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia, proclamando a Boa Nova de Deus: Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-Nova" (Mc 1, 14-15). Os cobradores de impostos convertidos e as prostitutas que acreditaram em Jesus, mudando radicalmente sua vida, são referências da possibilidade de transformação inscrita por Deus no coração humano (Cf. Mt 21, 28-32).
Os publicanos, cobradores de impostos, traidores do povo por trabalharem para os romanos, manipulavam a fonte permanente de tentação para o ser humano, o dinheiro! A malversação das verbas públicas e as torneiras abertas, pelas quais passam milhões e bilhões, ainda estão expostas diante de nossos olhos, nos dias que vivemos. Multiplicam-se os escândalos, revelam-se operações fraudulentas, mas o "deus dinheiro" continua atraindo as pessoas, traindo-as mesmo quando, confrontadas com acusações e provas dizem não saber de nada. A conversão passa pelo bolso, pois exige um uso dos bens segundo o plano de Deus, fundamentado na partilha e na comunhão. Chamem-se Mateus ou Zaqueu, ou quem sabe estejam no templo orando ao lado de um fariseu, é possível e desejável que os homens e mulheres, todos nós, mudemos o modo de usar os bens da terra!
Outro campo delicado é o da afetividade e da sexualidade e a degradação do uso de tais realidades, sob o título de prostituição. O corpo continua a ser vendido, não só nas zonas de prostituição de nossas cidades. Há outras formas de negociá-lo! Até se enfeita mais este comércio, justificando-o com a falsa liberdade de expor a intimidade das pessoas. Entretanto, o Evangelho de todos os tempos dará nome de Mulher adúltera, ou Samaritana, Prostituta ou outros qualificativos e profissões, a muitas pessoas que creem em Jesus Salvador e a Ele se convertem, mesmo depois de uma vida de miséria e sofrimento.
Com os publicanos e as prostitutas, amplie-se o horizonte para se sentirem envolvidos no chamado à conversão todos os homens e mulheres de nosso tempo, cada um de nós em primeiro lugar, seja qual for o nosso currículo! Encontram-se abertas as portas e as inscrições! Para entrar no Reino de Deus, as condições são o reconhecimento sincero da condição de pecadores, a coragem do arrependimento, a força para recomeçar quantas vezes for necessário, a sinceridade do olhar que se encontra com a misericórdia de Deus. Vale ainda olhar ao nosso redor e fazer festa com aqueles muitos que, também pecadores, são nossos companheiros, irmãos e irmãs que peregrinam na estrada da conversão, sem julgá-los ou pretender excluí-los.
É tempo de pedir com sinceridade: "Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais".
Dom Alberto Taveira, Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará
Jesus estabeleceu contato com todas as classes de pessoas, pelo que escandalizava a muitos. Era uma multidão de estropiados, rejeitados da sociedade, doentes de toda ordem, gente solitária, publicanos, pecadores de qualquer classificação. O Evangelho apenas permite entrever os dramas humanos que se apresentavam ao Senhor. Não muito diferente das imagens oferecidas ao vivo e a cores em nossos dias, com pessoas sofrendo toda espécie de miséria. As guerras localizadas ou espalhadas por nossas cidades pela violência e a miséria mostram um mundo machucado e desorientado, carente de encontrar aberta a porta do Reino de Deus! Que seja uma imensa procissão em busca de Deus! Que a meta seja o regaço misericordioso daquele que veio para os pecadores!
Também nossa história pessoal é repleta de idas e vindas, marcadas pelo mistério do pecado, malgrado o desejo de acertar esteja presente, pela própria vontade de Deus que nos criou. Muitas vezes damos nossa resposta positiva aos apelos de Deus e depois seguimos por outra estrada, cedendo ao egoísmo, turrões, cabeças duras que pretendem ser donas da verdade. Podemos ser também como o filho pirracento do primeiro momento que depois se converte e obedece ao Pai. "Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de atitude e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu:‘ Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi" (Mt 21, 28-30). Cada pessoa sabe de sua aventura humana de liberdade, quedas, arrependimento, coragem para recomeçar, pedidos de perdão aos milhares, encontros com a misericórdia de Deus. Escute a palavra de Deus: "Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e faz o que é direito e justo, conservará a própria vida. Arrependendo-se de todos os crimes que cometeu, ele certamente viverá, não morrerá" (Ez 18, 27-28)
O contato de Jesus com as pessoas é marcado pelo chamado constante à conversão. O início de sua pregação resume a proposta que faz à humanidade: "Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia, proclamando a Boa Nova de Deus: Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-Nova" (Mc 1, 14-15). Os cobradores de impostos convertidos e as prostitutas que acreditaram em Jesus, mudando radicalmente sua vida, são referências da possibilidade de transformação inscrita por Deus no coração humano (Cf. Mt 21, 28-32).
Os publicanos, cobradores de impostos, traidores do povo por trabalharem para os romanos, manipulavam a fonte permanente de tentação para o ser humano, o dinheiro! A malversação das verbas públicas e as torneiras abertas, pelas quais passam milhões e bilhões, ainda estão expostas diante de nossos olhos, nos dias que vivemos. Multiplicam-se os escândalos, revelam-se operações fraudulentas, mas o "deus dinheiro" continua atraindo as pessoas, traindo-as mesmo quando, confrontadas com acusações e provas dizem não saber de nada. A conversão passa pelo bolso, pois exige um uso dos bens segundo o plano de Deus, fundamentado na partilha e na comunhão. Chamem-se Mateus ou Zaqueu, ou quem sabe estejam no templo orando ao lado de um fariseu, é possível e desejável que os homens e mulheres, todos nós, mudemos o modo de usar os bens da terra!
Outro campo delicado é o da afetividade e da sexualidade e a degradação do uso de tais realidades, sob o título de prostituição. O corpo continua a ser vendido, não só nas zonas de prostituição de nossas cidades. Há outras formas de negociá-lo! Até se enfeita mais este comércio, justificando-o com a falsa liberdade de expor a intimidade das pessoas. Entretanto, o Evangelho de todos os tempos dará nome de Mulher adúltera, ou Samaritana, Prostituta ou outros qualificativos e profissões, a muitas pessoas que creem em Jesus Salvador e a Ele se convertem, mesmo depois de uma vida de miséria e sofrimento.
Com os publicanos e as prostitutas, amplie-se o horizonte para se sentirem envolvidos no chamado à conversão todos os homens e mulheres de nosso tempo, cada um de nós em primeiro lugar, seja qual for o nosso currículo! Encontram-se abertas as portas e as inscrições! Para entrar no Reino de Deus, as condições são o reconhecimento sincero da condição de pecadores, a coragem do arrependimento, a força para recomeçar quantas vezes for necessário, a sinceridade do olhar que se encontra com a misericórdia de Deus. Vale ainda olhar ao nosso redor e fazer festa com aqueles muitos que, também pecadores, são nossos companheiros, irmãos e irmãs que peregrinam na estrada da conversão, sem julgá-los ou pretender excluí-los.
É tempo de pedir com sinceridade: "Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais".
Dom Alberto Taveira, Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
São Cosme e São Damião
Conhecidos como “os sem dinheiro” e com a graça de serem citados no Cânon da Missa e na Ladainha de Todos os Santos, os mártires Cosme e Damião nasceram em Egeia na Ásia Menor e seus nomes de batismo eram Acta e Passio. Tinham outros irmãos de nome Antimo, Leôncio e Euprépio que cresceram sob o regime de perseguição do imperador Diocleciano que findou por vitimar seu pai.
A hagiografia não traz muitos dados sobre a infância dos irmãos, mas revela que tinham um grande talento para a prática da medicina. A Tradição nos coloca que curavam “todas as enfermidades, não só das pessoas, mas também dos animais, fazendo tudo gratuitamente”. Eles se aperfeiçoaram e se diplomaram na região da Síria e passaram então a exercer a profissão com maior zelo e profissionalismo, sem contudo perder a fé e levando sempre seus pacientes à cura do corpo e da alma. A esta metodologia eram atribuídos vários milagres, convertendo até mesmo os mais abastados pagãos, pois Cosme e Damião não cobravam por seus serviços. A Tradição também narra que certa vez Damião aceitou o pagamento de uma mulher que havia sido tratada e foi severamente repreendido por Cosme.
O testemunho convicto de fé e caridade de Cosme e Damião chamaram a atenção e inflamaram a ira do Imperador Diocleciano. O prefeito da cidade chamado Lísias ordenou a prisão dos irmãos no intuito deles renunciarem a sua fé. Diante de sua postura firme e convicta de fé, foram torturados, mas não sofriam nenhum ferimento. O fato transcorreu até o dia em que foram condenados à lapidação mas as pedras jogadas neles voltavam para seus algozes. Foram então alvejados por flechas mas as mesmas retornavam sem feri-los. Por fim foram martirizados por decapitação no dia 27 de setembro por volta do ano 303 e seus corpos enterrados na cidade de Ciro na Síria.
Imperadores e Papas recorreram à intercessão de Cosme e Damião honrando-os com a construção de Igrejas dedicadas a eles em Jerusalém, Egito, Mesopotâmia e em Constantinopla. Santos Cosme e são Damião, entretanto, são padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e das faculdades de medicina.
Fonte: Zenit.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
O que é a Gendarmaria Vaticana?
No Estado-Cidade do Vaticano existem dois corpos armados, um é a Guarda Suíça, famosa pelos seus uniformes coloridos, o outro é a Gendarmaria Vaticana que usa o clássico quepe azul.
Não muito tempo atrás, quando perguntaram ao comandante, Domenico Giani, se os policiais são anjos da guarda do Papa, respondeu: "Não, porque os anjos são uma realidade celeste, nós, os policiais, operamos aqui na terra, com a juda do nosso protetor, São Miguel Arcanjo".
No dia 26 de setembro é a festa da Gendarmaria. O Papa Francisco se programou para celebrar a missa com eles nesta festividade. Para saber mais sobre o que é a Gendarmaria Vaticana, Zenit entrevistou um oficial do Corpo que nos narrou alguns detalhes e que agora compartilhamos com os nossos leitores.
Com se entra na Gendarmaria do Vaticano?
- Em primeiro lugar é preciso ter amor pela Igreja e pelo Papa. Depois, como em todos os corpos policiais, é necessário realizar uma seleção e um concurso. Pode ser um trabalho duro que, entretanto, pode dar também grande satisfação.
Vocês têm alguma espiritualidade particular?
- Temos um capelão que nos acompanha espiritualmente, e está sempre disponível para todos. Celebra a Missa, se encarrega dos exercícios espirituais que fazemos todos os anos, e é uma figura de referência para todos nós.
Que relações têm ou como trabalham com a polícia italiana?
- Na Praça de São Pedro, que é sobre todos os aspectos território do Vaticano, quando o Papa não está presente, está sob a jurisdição da polícia italiana. Portanto, se nesse momento há um batedor de carteiras que rouba, intervém a polícia italiana. Mas, se o Papa está presente, a polícia italiana se retira para as extremidades e intervém a Gendarmaria e os Guardas Suíços, como previsto no Tratado de Latrão.
E nas viagens na Itália e no exterior?
- Nas viagens à Itália, nós cooperamos com a Inspecção da Segurança Pública do Vaticano, uma divisão da Polícia italiana, que tem base a poucos passos do Vaticano. E no exterior, cooperaramos com a polícia do país que nos hospeda. Em viagens fora da Itália, estão presentes também dois representantes da Guarda Suíça.
Qual é a diferença entre a Gendarmaria e a Guarda Suíça?
- Ambos trabalham juntos para proteger o Pontífice. Eles têm o serviço de segurança do Palácio Apostólico, onde nós não temos competência. A menos que ocorra um delito, digamos, um roubo, então sim, em quanto polícia judicial. Eles também fazem um primeiro filtro nas entradas da Cidade do Vaticano, além da parte representativa. Nós, pelo contrário, somo a polícia de segurança, judicial, de controle, de fronteira.
Entende-se que no Vaticano não acontecem graves crimes.
- Na verdade pode acontecer, como foi no caso do mordomo de Bento XVI, que foi preso e as investigações foram realizadas por nós. Ou em casos da vida diária, como um roubo no supermercado. Com os turistas raramente existem problemas, mais com os ladrões de carteiras que entram na Basílica de São Pedro, ou nos Museus do Vaticano. Não se esqueça que, diariamente, na Basílica, entram cerca de 11 mil pessoas e no Museu cerca de 18 mil, um terreno fértil para os ladrões. Em contraste, na Cidade do Vaticano tudo é muito tranquilo.
A celas foram inauguradas pelo mordomo?
- Foram usadas há algum tempo atrás, mas, certamente, quem esteve mais tempo lá foi ele.
Como é a relação com o Papa Francisco?
- O comandante Giani tem uma bela relação com o Papa. Trocam pontos de vista. Está muito próximo. O que o Papa quer chega diretamente a ele, em uma relação muito imediata. Fomos à missa em Santa Marta divididos por turnos. Depois, neste ano, o Papa celebrará para nós na sede do Governatorado, a missa, na festa de São Miguel Arcanjo.
Fonte: Zenit.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Os medos e preconceitos diante do acolhimento ao estrangeiro necessitado
O papa Francisco acredita que "à globalização do fenômeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade e da cooperação" e "intensificar os esforços para criar as condições adequadas a fim de garantir uma progressiva diminuição das razões que levam povos inteiros a deixar a sua pátria por causa de guerras e carestias, frequentemente concatenadas".
A solicitude especial de Jesus para com os mais vulneráveis e excluídos "convida todos nós a cuidar das pessoas mais frágeis e a reconhecer o seu rosto sofredor em especial nas vítimas das novas formas de pobreza e de escravidão". Deste modo, o Santo Padre começa a sua Mensagem para a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja celebra em 18 de janeiro de 2015. O lema será "Uma Igreja sem fronteiras, mãe de todos".
O papa recorda que "a Igreja abre os braços para acolher todos os povos, sem discriminações e sem limites, e para anunciar a todos que Deus é amor". Ele também lembra que a Igreja, desde o começo, "é mãe com o coração aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras". De fato, "desde os primeiros séculos, o anúncio missionário tornou visível a maternidade universal da Igreja".
Francisco diz que, numa época de tão vastas migrações, "um grande número de pessoas deixa a sua terra de origem e empreende a arriscada viagem da esperança, com a bagagem cheia de desejos e de temores, em busca de condições de vida mais humanas". Não é raro, porém, "que esses movimentos migratórios suscitem desconfiança e rejeição, mesmo nas comunidades eclesiais, antes até de se conhecerem as circunstâncias de perseguição ou de miséria das pessoas afetadas".
Mas o Santo Padre adverte que "esses receios e preconceitos se opõem ao mandamento bíblico de acolher com respeito e solidariedade o estrangeiro necessitado".
A propósito, ele destaca que "a força da fé, da esperança e da caridade permite reduzir as distâncias que nos separam dos dramas humanos", porque "Jesus Cristo espera sempre que o reconheçamos nos migrantes e nos desabrigados, nos refugiados e nos exilados, e nos chama a compartilhar os nossos recursos e, às vezes, a renunciar ao nosso bem-estar".
O pontífice recorda ainda que "o caráter multicultural das sociedades atuais convida a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização". Para conseguir uma convivência harmônica entre as pessoas e as culturas, "não basta a simples tolerância, que torna possível o respeito pela diversidade e abre caminho para diversas formas de solidariedade entre as pessoas de procedências e culturas diferentes".
Evocando as palavras do papa emérito na Caritas in veritate, Francisco enfatiza que as migrações interpelam a todos, não só pelas dimensões do fenômeno, mas também "pelos problemas sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos que suscita e pelos dramáticos desafios que coloca para as comunidades nacionais e para a comunidade internacional".
Francisco indica que "é necessária uma ação mais eficaz e incisiva, que se sirva de uma rede universal de colaboração, baseada na proteção da dignidade e da centralidade da pessoa humana". Deste modo, reconhece o papa, "será mais efetiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminoso de seres humanos, contra a vulneração dos direitos fundamentais, contra qualquer forma de violência, abuso e escravidão".
O Santo Padre ressalta, ainda, que "é preciso acrescentar à solidariedade para com os emigrantes e refugiados a vontade e a criatividade para se desenvolver mundialmente uma ordem econômica e financeira mais justa e equitativa, bom como um compromisso maior com a paz, condição indispensável para um autêntico progresso".
A eles, aos protagonistas, emigrantes e refugiados, Francisco dedica as palavras finais da mensagem: "Vocês ocupam um lugar especial no coração da Igreja e a ajudam a ter um coração maior para manifestar a sua maternidade para com toda a família humana. Não percam a confiança nem a esperança".
Fonte: Zenit.
A solicitude especial de Jesus para com os mais vulneráveis e excluídos "convida todos nós a cuidar das pessoas mais frágeis e a reconhecer o seu rosto sofredor em especial nas vítimas das novas formas de pobreza e de escravidão". Deste modo, o Santo Padre começa a sua Mensagem para a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja celebra em 18 de janeiro de 2015. O lema será "Uma Igreja sem fronteiras, mãe de todos".
O papa recorda que "a Igreja abre os braços para acolher todos os povos, sem discriminações e sem limites, e para anunciar a todos que Deus é amor". Ele também lembra que a Igreja, desde o começo, "é mãe com o coração aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras". De fato, "desde os primeiros séculos, o anúncio missionário tornou visível a maternidade universal da Igreja".
Francisco diz que, numa época de tão vastas migrações, "um grande número de pessoas deixa a sua terra de origem e empreende a arriscada viagem da esperança, com a bagagem cheia de desejos e de temores, em busca de condições de vida mais humanas". Não é raro, porém, "que esses movimentos migratórios suscitem desconfiança e rejeição, mesmo nas comunidades eclesiais, antes até de se conhecerem as circunstâncias de perseguição ou de miséria das pessoas afetadas".
Mas o Santo Padre adverte que "esses receios e preconceitos se opõem ao mandamento bíblico de acolher com respeito e solidariedade o estrangeiro necessitado".
A propósito, ele destaca que "a força da fé, da esperança e da caridade permite reduzir as distâncias que nos separam dos dramas humanos", porque "Jesus Cristo espera sempre que o reconheçamos nos migrantes e nos desabrigados, nos refugiados e nos exilados, e nos chama a compartilhar os nossos recursos e, às vezes, a renunciar ao nosso bem-estar".
O pontífice recorda ainda que "o caráter multicultural das sociedades atuais convida a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização". Para conseguir uma convivência harmônica entre as pessoas e as culturas, "não basta a simples tolerância, que torna possível o respeito pela diversidade e abre caminho para diversas formas de solidariedade entre as pessoas de procedências e culturas diferentes".
Evocando as palavras do papa emérito na Caritas in veritate, Francisco enfatiza que as migrações interpelam a todos, não só pelas dimensões do fenômeno, mas também "pelos problemas sociais, econômicos, políticos, culturais e religiosos que suscita e pelos dramáticos desafios que coloca para as comunidades nacionais e para a comunidade internacional".
Francisco indica que "é necessária uma ação mais eficaz e incisiva, que se sirva de uma rede universal de colaboração, baseada na proteção da dignidade e da centralidade da pessoa humana". Deste modo, reconhece o papa, "será mais efetiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminoso de seres humanos, contra a vulneração dos direitos fundamentais, contra qualquer forma de violência, abuso e escravidão".
O Santo Padre ressalta, ainda, que "é preciso acrescentar à solidariedade para com os emigrantes e refugiados a vontade e a criatividade para se desenvolver mundialmente uma ordem econômica e financeira mais justa e equitativa, bom como um compromisso maior com a paz, condição indispensável para um autêntico progresso".
A eles, aos protagonistas, emigrantes e refugiados, Francisco dedica as palavras finais da mensagem: "Vocês ocupam um lugar especial no coração da Igreja e a ajudam a ter um coração maior para manifestar a sua maternidade para com toda a família humana. Não percam a confiança nem a esperança".
Fonte: Zenit.
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