quinta-feira, 21 de abril de 2011

Semana Santa, tempo de missão

Desde sempre, a Igreja intensifica a sua evangelização nos tempos litúrgicos fortes, como a Semana Santa. As missões populares, procissões, vias sacras e outras formas de religiosidade popular preenchem este tempo litúrgico.

Cada vez há mais e mais leigos empenhados em missões. Desde aqueles que as realizam devido ao carisma dos seus respectivos movimentos até os que, participando da missão evangelizadora da Igreja, desejam despertar esse "gigante adormecido" que são os leigos nas comunidades católicas.

Como em toda Semana Santa e Natal, cerca de 20 leigos missionários, pertencentes aos missionários xaverianos de Yarumal, partirão no dia 15 de abril de Medellín para diferentes lugares da Colômbia, como Armero-Guayabal (Tolima), Belén de Bajirá (Mutatá-Antioquia), Yacopí (Cundinamarca) e Itsmina (Chocó).

Após um período de formação intensa e "com o coração alegre por ir e servir seus irmãos mais distantes e que vivem em situações de extrema pobreza, esses leigos, em sua maioria profissionais, optam por viver esta Semana Santa de uma maneira diferente", afirmam os organizadores, em nota enviada a ZENIT.

"Estarão na beira dos rios, entre as imensas veredas da geografia nacional, visitando casas simples e pobres, acompanhando a dor de muitos doentes e a esperança das crianças e dos jovens, promovendo o desenvolvimento integral das comunidades e também celebrando com elas a vida, paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus", porque são conscientes de que Jesus deve ser transmitido, divulgado, dado a conhecer, para que outras pessoas também façam o mesmo, segundo afirmam esses leigos comprometidos na tarefa missionária.

Conforme relata Jorge Hernán Jaramillo, coordenador dos leigos missionários, "estamos em um tempo forte na Igreja, no qual todos nós temos um lugar e uma missão: conhecer e fazer que as demais pessoas se aproximem do Redentor e o conheçam".

"É preciso - acrescenta - dirigir o olhar a Jesus e convidar os irmãos a fazerem o mesmo, pois esta é a tarefa do missionário: fazer todo o possível para que em toda a terra se ame Jesus Cristo."

É por isso que os leigos missionários xaverianos de Yarumal aproveitarão esta Semana Santa para estar em meio a tantos grupos humanos.

Junto à evangelização e às celebrações litúrgicas, buscarão que as pessoas tenham uma melhor qualidade de vida. É um voluntariado no qual se promove, com fatos, a afirmação eclesial de que "cada batizado é um missionário".

Por outro lado, um aspecto da nova evangelização é a pastoral urbana. O Instituto Superior de Estudos Eclesiásticos do México e o Instituto Dom Raspanti organizam um curso de Piedade Popular e Catequese. Constará de 6 encontros dirigidos pelos sacerdotes Jorge Seibold e Osvaldo Napoli.

Mais informações: pastoralurbana.wordpress.com/2011/04/04/curso-de-piedad-popular.

Fonte: Zenit.

Papa reflete sobre sofrimento de Cristo no Getsêmani

O Papa Bento XVI dedicou a audiência de hoje a refletir sobre o significado profundo da agonia de Cristo no Getsêmani.

De fato, o sofrimento de Cristo no Horto das Oliveiras ocupou quase toda a catequese sobre a paixão e morte, enfocando todo o tríduo pascal a partir de uma ótica diferente da dos anos anteriores, nos quais ele explicava cada uma das celebrações.

O Papa sublinhou a importância, depois dos ofícios da Quinta-Feira Santa e do lava-pés, de participar da adoração eucarística, que precisamente faz memória deste momento especialmente duro da vida de Jesus.

No Getsêmani, "Jesus diz aos seus: ficai aqui e vigiai; e este apelo à vigilância se refere de modo preciso a este momento de angústia, de ameaça, no qual chegará o traidor, mas concerne também a toda a história da Igreja", explicou.

Esta exortação de Cristo é "uma mensagem permanente para todos os tempos, porque a sonolência dos discípulos não era só o problema daquele momento, mas o grande problema de toda a história".

Esta sonolência, afirmou, é a insensibilidade da alma frente ao poder do mal, frente a Deus: "esta é a nossa verdadeira sonolência; esta insensibilidade diante da presença de Deus que nos torna insensíveis também diante do mal".

A vontade de Deus

Depois, o Papa quis falar sobre a oração de Jesus no Getsêmani: "Não se faça a minha vontade, mas a tua".

Esta vontade de Cristo, explicou o Papa, é que "não deveria morrer", "que se afaste dele esse cálice do sofrimento: é a vontade humana, da natureza humana, e Cristo sente, com toda a consciência do seu ser, a vida, o abismo da morte, o terror do nada, essa ameaça do sofrimento".

No horto, Jesús transforma "esta vontade natural sua em vontade de Deus, em um "sim" à vontade de Deus".

"Entrar na vontade de Deus não é uma oposição à pessoa, não é uma escravidão que violenta a minha vontade, mas é entrar na verdade e no amor, no bem", recordou.

Jesús, afirmou o Papa, convida todos a "entrar nesse seu movimento: sair do nosso ‘não' e entrar no ‘sim' do Filho. Minha vontade existe, mas a decisiva é a vontade do Pai, porque esta é a verdade e o amor".

Sumo Sacerdote

Por último, o Papa explicou como, no Getsêmani, Jesus se converte no verdadeiro Sumo Sacerdote, prefigurado no sacerdócio levítico.

A Carta aos Hebreus, afirmou, "nos dá uma profunda interpretação desta oração do Senhor, deste drama do Getsêmani. Diz que estas lágrimas de Jesus, esta oração, estes gritos de Jesus, esta angústia, tudo isso não é simplesmente uma concessão à fraqueza da carne, como poderia ser dito".

"Precisamente assim, Ele realiza a tarefa do Sumo Sacerdote, porque o Sumo Sacerdote deve levar o ser humano, com todos os seus problemas e sofrimentos, à altura de Deus."

Esta "humilhação do Getsêmani é essencial para a missão" de Jesus, afirmou o Papa. "Ele leva consigo o nosso sofrimento, nossa pobreza, e os transforma segundo a vontade de Deus. E assim abre as portas do céu, abre o céu: esta cortina do Santíssimo, que até agora o homem fechava contra Deus, é aberta pelo seu sofrimento e pela sua obediência."

"O critério que guiou cada escolha de Jesus durante toda a sua vida foi a firme vontade de amar o Pai, de ser um com o Pai, de ser-lhe fiel; esta decisão de corresponder ao seu amor o impulsionou a abraçar, em toda circunstância, o projeto do Pai."

"Disponhamo-nos a acolher, também nós, em nossa vida, a vontade de Deus, conscientes de que, na vontade de Deus, ainda que pareça dura, em contraste com as nossas intenções, encontra-se o nosso verdadeiro bem, o caminho da vida", concluiu.

Fonte: Zenit.

João Paulo II, “o passageiro ideal”

João Paulo II era o passageiro ideal: "Durante os voos, ele nunca manifestou preocupações concretas ou medos", segundo relata Antonio Berardo, piloto de helicóptero do Papa Wojtyla. Ao longo de 20 anos, ele conduziu o Pontífice pelos céus, viajando por toda a Itália.

"Lembro-me de uma vez em que fomos ao aeroporto de Orio al Serio - conta o comandante. Havia um temporal fortíssimo. O Papa estava sentado tranquila e serenamente; nós realizamos as nossas operações e tudo correu bem. Também quando havia turbulências, algo que acontece frequentemente com um helicóptero, nunca víamos o Papa tenso ou preocupado. Era o passageiro ideal, tranquilo."

O que João Paulo II fazia durante o voo?

Berardo: Durante a viagem, o Papa normalmente lia ou olhava atentamente e com curiosidade pela janela, sobretudo quando voávamos por regiões montanhosas, e admirava as paisagens nevadas.

O Papa gostava de fazer excursões fora do programa?

Berardo: Sim, é verdade. Durante os traslados, sobretudo os das quartas-feiras, do Vaticano a Castel Gandolfo, ele gostava de fazer saídas não programadas. Entre a nossa equipe e o Papa havia um entendimento perfeito. Não era preciso que ele pedisse: bastava um gesto com a mão para dar a entender o "Vamos dar uma voltinha". Perguntávamos ao secretário Dziwisz aonde ele queria que o levássemos e quanto poderíamos nos afastar. O Papa adorava ir até a neve e no verão fazíamos excursões pelas montanhas, chegando inclusive ao ‘Gran Sasso'. Uma vez o levamos até o mar, às ilhas Pontinas. Depois de perguntar-lhe várias vezes, numa ocasião ele nos disse: "Está bem, hoje vamos a Ponza". E ficava observando a paisagem. Era muito divertido.

Como era viajar com o Papa? No fundo, você era o piloto dele...

Berardo: Na primeira vez que tive a oportunidade de voar com o Papa, eu me senti muito emocionado. Sabia que levava um personagem de enorme importância. Portanto, também estava tenso. Depois, com o passar do tempo, isso foi se tornando algo mais tranquilo e rotineiro. Converteu-se em algo automático, quase familiar. A tensão e a emoção passaram rapidamente.

Como era a relação entre o Papa e a equipe?

Berardo: De vez em quando, João Paulo II conversava um pouco conosco. Mas o que mais gostávamos dele eram os seus gestos, a saudação militar que fazia quando nos via, o sorriso, um tapinha nas costas, o abraço. Uma vez ele me abraçou porque salvei uma situação no último minuto. O Papa era muito espontâneo. Algumas vezes ele foi até a cabine, olhou para todos os equipamentos, observou, colocou os fones de ouvido e depois voltou para o seu lugar.

Como é o lugar do Papa em seu helicóptero?

Berardo: A poltrona na qual o Papa se senta é muito admirada. É uma poltrona confortável, ao lado de uma grande janela, que permite ver a paisagem, quase como uma varanda para o mundo. Depois, há uma pequena mesa em frente, muitas vezes enfeitada com flores. Em resumo, muitos me pedem para tirar uma foto nessa poltrona.

Você poderia nos contar alguma história, alguma curiosidade?

Berardo: Tornou-se algo tão rotineiro para nós levar o Papa, que às vezes até esquecíamos de quem se tratava. Numa quarta-feira, eu lembro que havia um eclipse solar. Tínhamos nos preparado para levá-lo para observar o eclipse. Paramos na pista do heliporto de Castel Gandolfo. Nós não estávamos equipados para o eclipse; no entanto, a prefeitura levou para o Papa uma máscara de soldador. João Paulo II estava perto de nós, e deixou que a usássemos. Em um determinado momento, um dos tripulantes ficou tanto tempo com a máscara, que disse ao Papa, como se fosse um amigo seu: "Só um minuto, que quero olhar um pouco mais".

Uma característica de João Paulo II era que, com ele, sempre fazia bom tempo, mesmo quando se previa o contrário ou quando íamos direto rumo às tempestades. Quando fizemos 10 mil horas de voo, por exemplo, organizamos uma pequena confraternização com o Papa, em Castel Gandolfo. Mas choveu muito, caiu uma incrível quantidade de água. Nós não sabíamos o que fazer. No entanto, quando chegamos ao heliporto, parou de chover. Um milagre. O Papa parecia carregar consigo o "tempo bom".

Fonte: Zenit - (Serena Sartini)

Nada de cruzes: neutralidade inglesa?

A lista de pessoas multadas ou até com problemas judiciais na Grã-Bretanha porque desejam viver os ditames da fé cristã está ficando mais longa. Depois de casos como o da funcionária copta da British Airways, Nadia Eweida, do psicoterapeuta e conselheiro matrimonial Gary MacFarlane, do casal de hoteleiros Peter e Hazelmary Bull e do casal jamaicano Eunice e Owen Johns, os meios de comunicação ingleses agora publicam mais um exemplo de cristãofobia rasteira, ou, neste caso, “cruzfobia”. O Mail on Sunday de 17 de abril dedicou bastante atenção ao caso.

Uma das maiores cooperativas construtoras da Grã-Bretanha, a Wakefield and District Housing (WDH), com sede em Castleford, sudeste de Leeds, abriu expediente disciplinar contra um de seus funcionários, Colin Atkinson, por se negar a retirar uma discreta cruz de folhas de palmeira do parabrisa do furgão da empresa. Atkinson, que foi contratado em 1996 como eletricista da cooperativa, que também recebe dinheiro público, está a ponto de ser despedido por “grave falha no comportamento profissional”, apesar de um histórico de serviços impecável.

“Os últimos meses foram incríveis, um pesadelo”, disse Atkinson. “Eu trabalhei nas minas de carvão e servi ao exército na Irlanda do Norte e nunca enfrentei tanto estresse como agora. O tratamento aos cristãos neste país está ficando diabólico. É o politicamente correto levado até o extremo”, declarou Atkinson, 64 anos, que frequenta a Pentecostal Destiny Church em Wakefield, com sua segunda mulher, Geraldine. Mas ele não pretende fugir. “Nunca me senti tão motivado antes. Estou decidido a lutar pelos meus direitos. Se me despedirem, que seja. Mas eu vou lutar pela minha fé”, afirmou ao Mail on Sunday. “Nós, cristãos, somos chamados a viver publicamente a nossa fé”.

Os problemas de Atkinson começaram no ano passado, quando os responsáveis pela empresa, que tem quase 1.500 funcionários e gerencia mais de 30.000 casas na área de Wakefield, pediram que ele não exibisse a cruz no parabrisa do furgão, depois de anos em que nunca haviam dito nada parecido. Segundo os diretores da cooperativa, a cruz poderia ofender as pessoas ou dar a entender erroneamente que se trata de uma “organização cristã”. Como explicou a responsável pela igualdade e diversidade da cooperativa, Jayne O'Connell, “a sociedade WDH tem uma linha de conduta de neutralidade. Aqui nós temos credos diversos, novas culturas que aparecem. Temos que ser respeitosos com todas as confissões e pontos de vista”.

O eletricista rejeitou com decisão todos esses receios. “Nunca observei uma reação negativa nem ouvi queixas de ninguém. Eu me dou bem com as pessoas e tenho muitos amigos de outras religiões, inclusive um sikh e um hinduísta”.

O Daily Mail observou que “o caso é incrível”. O diretor do armazém da WDH em Castleford, do qual Atkinson depende, decorou sua própria sala, sem nenhum problema, com um manifesto do famoso revolucionário argentino Che Guevara (1928-1967). A cooperativa é uma promotora de políticas "inclusivas", participa com estandes em manifestações pró-direitos dos homossexuais, apoia a causa dos “transgêneros” e permite que os funcionários usem símbolos religiosos, como o turbante dos sikh. Além disso, respondendo a uma pergunta do representante sindical de Atkinson, Terry Cunliffe, O'Connell declarou que não veria nenhum problema se uma funcionária usasse uma burka com as cores da empresa, considerando que tal traje seria uma “roupa discreta”. O importante seria que a mulher trabalhasse bem, deu a entender O’Connell.

A ação contra Atkinson começou com uma carta anônima “maliciosa” e “cheia de grandes mentiras”, que provocou em dezembro uma mudança no regulamento interno sobre o uso dos veículos da empresa. A versão “atualizada”, revela o Mail on Sunday, obriga a retirar todos os símbolos pessoais dos carros e furgões da cooperativa. “A única conclusão que eu tirei é que eles eliminaram os obstáculos para poderem me afetar”, explicou Atkinson, que declarou sentir-se “à prova” por causa da sua fé. Segundo o eletricista, a decisão da empresa “é causada pelo medo de ofender as minorias étnicas”.

Atkinson tem o apoio de muitos companheiros e do seu representante sindical, Cunliffe, que declarou que a associação construtora “está levando o politicamente correto a extremos impensáveis”. “A cooperativa está usando a marreta para esmagar uma noz. É uma medida completamente desproporcional. É uma pessoa com o emprego em risco porque usa um discreto símbolo religioso”.

O Christian Legal Centre apoia a batalha do “soldado” Atkinson. Em comunicado publicado no site da associação, a administradora delegada Andrea Minichiello Williams descreveu Atkinson como “um homem respeitável e trabalhador”. Segundo Minichiello Williams, o caso tem traços de “notável intolerância”. “Este é o tipo de sociedade em que os britânicos querem viver?”, perguntou. “A cruz é um símbolo do profundo amor de Deus por todos nós. Não deve ser uma coisa que nos envergonhe”, completou.

Para o Mail on Sunday, o tema é claro. Embora a empresa de Atkinson proclame a sua imparcialidade ou neutralidade, “os fatos não são assim”. “Quando, justamente no Domingo de Ramos, um homem honrado é perseguido por manifestar sobriamente a sua fé com uma cruz de folhas de palmeira, essa história começa a parecer uma perseguição” (17 de abril).

Fonte: Zenit.

Bento XVI entra no sétimo ano de pontificado

Com o aniversário da eleição do cardeal Joseph Ratzinger para sucessor de Pedro, nessa terça-feira, ele concluiu seu sexto ano de pontificado, um período intenso e cheio de acontecimentos dramáticos.

No dia 19 de abril de 2010, o Papa acabava de voltar de sua viagem a Malta, uma viagem que, segundo comentava o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, tinha “superado todas as expectativas”.

Nesse mesmo dia, concluído o primeiro quinquênio de pontificado, o bispo de Roma confiava aos cardeais da Cúria, durante o almoço celebrado nesse dia no Palácio Apostólico, “não se sentir sozinho”, apesar das dificuldades que estava atravessando.

De fato, o quinto ano de pontificado concluíra no meio da polêmica dos abusos sexuais por membros do clero, especialmente na Irlanda e na Alemanha. Isso tinha criado um intenso mal-estar, ao ter estourado precisamente durante a celebração do Ano Sacerdotal.

Bento XVI quis, nesse sentido, que o encerramento do Ano fosse também um momento especial de reflexão sobre o sacerdócio, em que o Papa, em diálogo com os presbíteros de todo o mundo, reafirmava a importância da vocação à entrega, da santidade do sacerdócio ministerial, da celebração da Eucaristia como centro, e da validade do celibato sacerdotal. Foi um forte “sim” ao sacerdócio e um renovado apelo à responsabilidade dos bispos e formadores.

Ao mesmo tempo, a Santa Sé trabalhava intensamente para combater a crise. Poucos meses depois, organizava-se a visita apostólica à Irlanda, para investigar sobre o terreno os casos de abusos. No final de abril passado, concluía também a visita apostólica à congregação dos Legionários de Cristo, para abordar a crise produzida pelo caso de Marcial Maciel. Em julho, nomeou-se um delegado papal, Velasio de Paolis, hoje cardeal.

Apenas no primeiro mês de seu sexto ano, o Papa realizava uma importante visita a Portugal, no décimo aniversário da beatificação dos pastorinhos de Fátima. Ali ele consagrou os sacerdotes do mundo ao Sagrado Coração de Maria e celebrou um importante encontro com o mundo da cultura e da arte portuguesa.

Oriente Médio

No início de junho, Bento XVI realizou outra viagem importante, à ilha de Chipre, convidado pelo patriarca Crisóstomos II. Uma viagem cujo contexto ficou marcado pelo assassinato do vigário de Anatolia, Dom Luigi Padovese.

Esta viagem concentrou a atenção em um dos acontecimentos chave desse ano: a assembleia do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio. Esse sínodo, preparado cuidadosamente pelas Igrejas locais, deu grande destaque à situação dos cristãos no Oriente Médio.

Dessa assembleia surgiu um forte apelo à unidade entre as diferentes Igrejas ‘sui iuris’, assim como a consciência de que o fundamentalismo islâmico não poderá desaparecer se não forem combatidas as graves injustiças sociais que existem no mundo árabe, mediante uma maior difusão da doutrina social católica.

A situação desesperada dos cristãos voltou a ficar evidente no massacre de 31 de outubro na igreja católica síria de Bagdá, assim como nos ataques contra as comunidades coptas em Alexandria (Egito), no Natal.

O Papa recolheu toda essa preocupação em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz (1º de janeiro) e em seu discurso ao Corpo Diplomático (10 de janeiro), reiterando que não haverá paz no mundo sem liberdade religiosa. Discursos que foram qualificados em todo mundo como uma marca importante do ensinamento de Bento XVI.

Grã-Bretanha

Sem dúvida, outro grande momento deste pontificado ocorreu também neste sexto ano, no início de setembro, quando o Papa foi à Grã-Bretanha. Uma viagem cheia de significados e gestos históricos, que surpreendeu o mundo, começando pelos próprios católicos.

Ali houve dois grandes momentos. O discurso no ‘Westminster Hall’ diante dos membros do Parlamento, em defesa da laicidade positiva – outra das marcas do pensamento do Papa –, e a beatificação de John Henry Newman.

O mais surpreendente foi ver como um país que durante séculos foi inimigo do catolicismo acolheu com carinho Bento XVI, superando as melhores expectativas (alguns afirmavam que a visita seria um fracasso absoluto).

Essa viagem implicou também uma mudança histórica nas relações com a Comunhão Anglicana: concretizaram-se as disposições do documento ‘Anglicanorum coetibus’ (2009), para a criação do primeiro Ordinariato para ex-anglicanos.

Muito trabalho

Esse foi também um ano de dois novos livros do Papa. O livro-entrevista “Luz do mundo” e o segundo tomo de “Jesus de Nazaré”.

Foi ainda um ano importante para as relações com a Igreja ortodoxa, em especial a Russa. Além de importantes intercâmbios culturais, constatou-se uma melhora significativa do clima entre Roma e Moscou.

Nos últimos meses, o metropolita Hilarión Alfeyev, encarregado das relações externas do Patriarcado de Moscou, lançou a ideia de uma parceria entre ortodoxos e católicos na defesa dos valores cristãos, especialmente da família e da vida.

Foi também um ano de impulso à nova evangelização, uma preocupação constante de João Paulo II, que Bento XVI materializou em dezembro passado, com a criação do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

Ao mesmo tempo, o Conselho Pontifício para a Cultura, por desejo do Papa, pôs em marcha uma iniciativa inédita para o diálogo com os não crentes, o “Átrio dos Gentios”, celebrado pela primeira vez em Paris no último final de semana de março.

Isso sem contar a viagem à Espanha, em novembro, em que o Papa realizou seu desejo pessoal de entrar como peregrino em Santiago de Compostela e visita a igreja da Sagrada Família, de Gaudi, em Barcelona.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"Oramos pela liberdade religiosa no Oriente Médio"

Os representantes das diferentes denominações cristãs na Terra Santa divulgaram a sua mensagem para a Páscoa, na qual pedem orações pela situação das minorias cristãs no Oriente Médio.

A carta é assinada pelos três patriarcas: Teófilo III (greco-ortodoxo), Fouad Twal (latino) e Torkom II (armênio); pelo custódio da Terra Santa, Pe. Pizzaballa; por cinco arcebispos: Anba Abraham (copta-ortodoxo), Murad (sírio-ortodoxo), Zerey (greco-melquita católico), Abuna Matthias (etíope ortodoxo), Paul Sayyah (maronita); por três bispos: Dawani (episcopaliano), Younan (luterano) e Malki (sírio-católico); e pelo exarca armênio católico, Minassian.

Nela, os representantes cristãos mostram sua proximidade do sofrimento dos cristãos "no Egito, no Iraque e no resto da região".

"Apelamos a todos os crentes e pessoas de boa vontade que busquem a paz e, ao mesmo tempo, reconhecemos que a paz não pode ser comprada ao preço do silêncio e da submissão à corrupção e à injustiça."

Os prelados também pedem aos cristãos "que rezem pela reconciliação entre os povos da Terra Santa, onde a deteriorada situação faz com que a paz e a justiça pareçam muito mais distantes do que nunca".

"Instamos as igrejas ao redor do mundo que nos apoiem, dando voz aos que são silenciados, derrubando muros que nos separam uns dos outros e construindo pontes de boa vontade entre os povos."

Eles também se dirigem aos líderes políticos e àqueles que clamam por mudanças, para que sirvam com "sabedoria" e "bom senso" às necessidades de seus povos e "promovam soluções pacíficas para um futuro melhor" para todos.

"Nosso Senhor morreu pelos pecados de todos, e todos podem ver no seu exemplo que a violência só leva à morte e à destruição. Em sua ressurreição, experimentamos a vitória sobre a violência e a morte, e nos unimos a uma visão de futuro na qual todos vivem juntos em harmonia", conclui a mensagem.

O texto em inglês pode ser lido no site do Patriarcado Latino: www.lpj.org.

Fonte: Zenit.

Colômbia não se esquecerá de João Paulo II

João Paulo II deixou uma marca indelével na Colômbia, que o país está recordando por ocasião da beatificação do Papa, data que coincide com os 25 anos da visita que Karol Wojtyla realizou a essa nação.

Entre os impulsores das comemorações deste simbólico aniversário, destaca-se o embaixador da Colômbia junto à Santa Sé, César Mauricio Velásquez, promotor do primeiro fórum convocado em Bogotá, em homenagem ao eminente beato, inaugurado pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em 3 de março.

O objetivo desta iniciativa, segundo o representante colombiano no Vaticano, é promover a mensagem deixada pelo Papa polonês a todas as pessoas de boa vontade.

"No mês passado, eu visitei a maioria dos lugares onde ele esteve - explicou a ZENIT. Encontrei-me com prefeitos, governadores, bispos, reitores de universidades e colégios, para reavivar sua figura. O carinho pelo Papa é imenso. Em diferentes partes do país, serão inauguradas obras públicas, escolas, igrejas e parques em sua honra."

João Paulo II, homem de Deus

João Paulo II foi "um Papa que soube amar a todos - explica. Um amigo exigente e compreensivo. Um intelectual importante do século XX, estudioso e profundo. Um homem de Deus, que passava muitas horas em oração. Era um enamorado da vida".

"Viveu em grau heroico as virtudes humanas - continua recordando. Sincero, leal, trabalhador, responsável, piedoso, caridoso."

Em especial, o diplomata citou uma cena que o tocou profundamente nesse pontificado: "Em uma viagem ao Brasil, ele entrou numa casa pobre de São Paulo e as pessoas que estavam lá, algumas crianças, pediram-lhe ajuda material; ele, depois de orar, tirou o seu anel pontifício, a única coisa de valor que carregava, e o deixou nas mãos da mãe daquelas crianças".

O Papa dos recordes e da oração

"Realmente foi o Papa dos grandes recordes, mas fiquei impressionado por ele ter sido um dos papas que mais dedicou horas e horas à oração, diante do Sacrário. De lá, ele extraía todas as suas forças, bem como da Missa que celebrava todos os dias."

"Em Cali, por exemplo, ele foi visto à 1h da manhã na capela do Seminário, recolhido em oração, e ficou assim até às 2h da manhã, enquanto todos descansavam em meio a longos dias."

O embaixador concluiu: "Nós, que tivemos a sorte de conhecer João Paulo II, agora temos o feliz dever de dá-lo a conhecer em todos os ambientes. Foi um Papa que soube amar, um amigo exigente e compreensivo, um dos mais importantes intelectuais do século XX, um homem de Deus. Um visionário que usou novas formas de comunicação para transmitir a essência do Evangelho e da doutrina cristã. Ele permanecerá na história como o grande defensor da vida e da sua dignidade".

Mais informações em www.encuentroconelpapa.com.


Fonte: Zenit.