Os filipinos podem ser materialmente pobres, mas têm uma riqueza para compartilhar com outros países: sua fé católica. Assim, ainda que a pobreza os obrigue a emigrar, estes imigrantes se tornam missionários em vários países do mundo.
Esta é a reflexão feita pelo bispo auxiliar de San Fernando, Dom Roberto Calara Mallari. Nesta entrevista, ele compartilha confissões pessoais como sucessor dos apóstolos.
O senhor foi consagrado bispo em seu 48º aniversário. O que isso significa para o senhor?
Dom Mallari: Para mim, foi como nascer de novo, porque senti que se tornar um bispo é também uma experiência de morte. Na verdade, quando eu pensava nisso, eu perguntava para o Senhor se sua vontade não seria tirar a minha vida.
Quer dizer que o senhor experimentou naquele momento uma espécie de morte para a vida?
Dom Mallari: Todos nós temos desejos em nosso coração. Eu só queria ser um simples pároco de uma área rural, onde eu pudesse plantar verduras, mas tornar-me um bispo significava fazer muitas coisas diferentes do que eu queria.
Bento XVI lhe escreveu uma mensagem pontifícia que dizia: "Ensine os fiéis da arquidiocese de San Fernando, filho amado, a reconhecer a presença de Cristo em cada pessoa, a encontrá-lo em todas as pessoas, especialmente nos pobres". O que o senhor sentiu, ao ler essa mensagem, como um jovem bispo?
Dom Mallari: Para mim, foi um verdadeiro desafio. Ao longo da minha vida, como seminarista e como padre, isso foi uma luta. Eu me perguntava: por que me é tão fácil reconhecer Jesus na Eucaristia? É tão fácil me ajoelhar e mostrar-lhe quanto o amo; mas é tão difícil vê-lo nos pobres e sofredores, quando, na verdade, o ser humano supostamente é a obra-prima da criação, tendo sido criado à imagem e semelhança de Deus. Eu diria que é uma luta, mas eu tento fazer esse esforço para ver Jesus em todas as pessoas, porque é nisso que eu acredito.
Portanto, esta mensagem realmente tocou diretamente uma questão essencial na sua vida?
Dom Mallari: Sim, Jesus nos pedia que o víssemos nos rostos dos pobres e muitas vezes é difícil vê-lo. A primeira coisa que fiz foi criar um "departamento" para os pobres em meu escritório, porque eu senti que, como bispo, minha porta deveria estar aberta a eles. É fácil enviá-los ao departamento de ação social da nossa arquidiocese, mas eu senti que o meu escritório deveria ter os recursos para responder imediatamente, no momento do pedido, às necessidades dos pobres que chegam.
Como o senhor descreveria a fé dos filipinos?
Dom Mallari: Nós ainda estamos crescendo, mas precisamos amadurecer na fé. Somos o único país cristão na Ásia, mas há muita corrupção. É um desafio para a Igreja chegar até os líderes políticos e conseguir que nossos líderes leigos, que são cristãos, cheguem a cargos de governo. Precisamos incutir nas pessoas que buscar um cargo é um sinal de amor, que também significa sacrifício, mas que é necessário chegar a uma mudança social e a uma transformação da nossa sociedade.
Muitos desses líderes políticos passaram por colégios e universidades católicas. Como a Igreja pode lidar, no âmbito educativo, com o problema da corrupção? Estão tomando medidas nesse sentido?
Dom Mallari: Estamos tentando responder a este desafio. Há uma tendência a pensar que, porque somos católicos, qualquer coisa está e estará bem, e não temos de fazer mais nada. Agora percebemos que devemos enfatizar o caráter católico nas escolas católicas. Devemos lembrar constantemente aos nossos alunos a mensagem do Evangelho: não só conhecimento, mas o desafio de viver a fé. Uma coisa é ser batizado, e outra é viver a fé a cada dia.
A questão da pobreza e as diferenças de riqueza continuam presentes nas Filipinas. Na verdade, aumentam. Como a Igreja responde a este problema?
Dom Mallari: Na minha diocese, temos um programa iniciado pelo primeiro bispo, que convida os ricos a dar uma contribuição para os pobres. As imagens de Nossa Senhora e a cruz viajam de uma paróquia para outra, e a coleta da paróquia anterior é entregue na paróquia seguinte, que a distribuiu aos seus pobres. Esta é, de forma humilde, uma oportunidade para que os ricos compartilhem com os pobres.
Esta pobreza faz com que os filipinos vão para o exterior como trabalhadores migrantes. Alguns dizem que os filipinos substituíram os irlandeses na comunicação da cultura católica ao mundo, especialmente nos países islâmicos. Isso ainda acontece?
Dom Mallari: Sim. Na verdade, existem atualmente cerca de 9 milhões de filipinos morando no exterior. No ano passado, eram 7 milhões. E continuam aumentando. A Conferência Episcopal Filipina coincide em que devemos incentivar nossos emigrantes a ser missionários, a estar conscientes dessa fé que têm e desse tesouro que possuem. Apesar de sermos pobres materialmente, temos essa riqueza que podemos compartilhar com pessoas de outros países.
As Filipinas têm a população com o crescimento mais rápido da Ásia, o que provoca que se fale de uma legislação para controlar a população. Uma das leis apresentadas pelo governo foi a Lei do Controle Populacional (Lei de Saúde Reprodutiva). Quais são as propostas e qual é o perigo representado por essas propostas para a família?
Dom Mallari: Em primeiro lugar, a Igreja é contra a introdução da contracepção artificial, que está contida na lei, e contra sua legalização. O governo acusa a Igreja de impor suas ideias, mas o que a Igreja promove realmente é a liberdade. O Estado não deveria dar ordens às famílias sobre essa questão. É um assunto de família. É algo pessoal e cada família deveria decidir por si própria. O Estado não tem o direito de transformar isso em lei, pois parece que, se alguém não seguir o programa, poderá ser preso.
Em segundo lugar, sabemos que muitos destes contraceptivos artificiais são abortivos, causam abortos.
O crescimento da população é a verdadeira preocupação ou é um problema artificial? E que alternativas a Igreja pode oferecer a estas leis de contracepção?
Dom Mallari: Este problema da população deve ser considerado dentro de uma perspectiva global. Hoje, muitos países têm populações "envelhecidas": na Europa, América, até no Japão e em Singapura, além de outras partes da Ásia. Eu acho que deveríamos olhar para as pessoas ao redor do mundo e ao fato de que estamos dispostos a emigrar. Muitas partes da Europa, por exemplo, precisam de pessoas que deem atenção e acredito que os filipinos podem oferecer este serviço aos países em necessidade.
Como alternativas à contracepção, a Igreja está fazendo muito para propor uma alternativa, que é o método de "planejamento familiar natural". É natural, respeita a dignidade da pessoa humana e é uma ocasião para que o casal se conheça - a dinâmica do relacionamento. O marido precisa estar envolvido no processo e o casal tem que falar sobre o processo pelo qual a mulher passa - a perspectiva das mulheres.
O senhor é otimista quanto ao futuro da Igreja Católica nas Filipinas?
Dom Mallari: Sim, muito. De fato, estou feliz em saber que a migração está ajudando nossos católicos filipinos a amadurecer. Eu estive na Nova Zelândia e me alegrei ao saber que o bispo de Hamilton disse que os filipinos davam vida às paróquias das dioceses de Nova Zelândia. Se um padre é transferido para lá para oferecer ajuda, eles nos aconselham a não estabelecer uma paróquia para a comunidade filipina, porque, como ele dizia, privaríamos as outras paróquias da presença dos filipinos. E eu fiquei feliz de ouvir isso. Tive a oportunidade de celebrar uma Missa em Auckland e me alegrei ao ver a comunidade filipina, dirigindo o coral e a liturgia da Missa.
Fonte: Zenit.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Aumentam as vocações na República Dominicana
Na República Dominicana “o aumento das vocações é palpável”. Foi o que afirmou Dom Ramón de la Rosa, arcebispo metropolitano de Santiago de los Caballeros.
Hoje em Santiago há 120 sacerdotes. Os seminaristas são 70, na maioria jovens. Na arquidiocese, há ainda 52 candidatos ao diaconado permanente.
Os diáconos ordenados já somam 110 em Santiago e cerca de 500 no país. “Seu trabalho nas comunidades é silencioso, passa quase desapercebido, mas é muito eficaz”, afirma o arcebispo.
A formação para tal função dura quatro anos e implica “homens que assumem ao mesmo tempo a responsabilidade de suas famílias, seu trabalho para se sustentar e seu ministério diaconal, exercido de forma absolutamente voluntária, com grande generosidade”.
Na arquidiocese – conta ainda o arcebispo – há 700 presidentes de assembleia e mais de 2 mil ministros e ministras dos enfermos, que levam a comunhão aos hospitais e às casas de mais de 6 mil enfermos que não podem ir à igreja.
Fonte: Zenit.
Hoje em Santiago há 120 sacerdotes. Os seminaristas são 70, na maioria jovens. Na arquidiocese, há ainda 52 candidatos ao diaconado permanente.
Os diáconos ordenados já somam 110 em Santiago e cerca de 500 no país. “Seu trabalho nas comunidades é silencioso, passa quase desapercebido, mas é muito eficaz”, afirma o arcebispo.
A formação para tal função dura quatro anos e implica “homens que assumem ao mesmo tempo a responsabilidade de suas famílias, seu trabalho para se sustentar e seu ministério diaconal, exercido de forma absolutamente voluntária, com grande generosidade”.
Na arquidiocese – conta ainda o arcebispo – há 700 presidentes de assembleia e mais de 2 mil ministros e ministras dos enfermos, que levam a comunhão aos hospitais e às casas de mais de 6 mil enfermos que não podem ir à igreja.
Fonte: Zenit.
Poligamia e liberdade religiosa
A poligamia deveria ser permitida como parte do exercício da liberdade religiosa, afirma um grupo mórmon do Canadá.
Ao longo dos últimos meses, o juiz Robert Bauman, do Tribunal Supremo da Colúmbia Britânica, ouviu argumentos a favor e contra a possibilidade de legalizar a poligamia. Segundo a comunidade de Bountiful, da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a carta canadense de Direitos e Liberdades garante que, como parte dos seus direitos religiosos, é permitido aos homens ter várias esposas.
O grupo tem cerca de 10.000 membros nos Estados Unidos e no Canadá, segundo reportagem de 23 de novembro da BBC. Cerca de 1.000 deles moram em Bountiful.
A Colúmbia Britânica tem uma lei do século XIX que proíbe a poligamia, mas no passado o governo fechou os olhos para as práticas do grupo, temendo que a lei pudesse não ser constitucional. As autoridades, no entanto, mudaram de opinião e acusaram dois anciãos de Bountiful de poligamia. O caso não prosperou por razões técnicas em 2009.
Mais que uma apelação, a resolução das autoridades da província pedia ao Tribunal Supremo que analisasse a constitucionalidade da lei contra a poligamia. A resolução deu como resultado o atual julgamento, que acaba de escutar as evidências apresentadas pelas partes.
Se a lei fosse derrogada, o Canadá correria o risco de atrair famílias polígamas de imigrantes, prejudicando a sociedade. É o argumento do advogado da Coroa, Craig Jones, conforme informado em 23 de novembro pelo diário Globe and Mail.
Jones afirma que a comunidade de Bountiful sofreu problemas como noivas menores de idade, gravidez de adolescentes e expulsão de homens e rapazes. Estes problemas são "consequências inevitáveis" da poligamia, sustenta o advogado.
"A poligamia deixa os jovens sem oportunidades de se casar ou de formar uma família", concorda Deborah Strachan, representante da Promotoria Geral do Canadá, conforme o Globe and Mail de 24 de novembro. "Há uma infinidade de rapazes e jovens rejeitados de uma forma ou de outra pela comunidade", acrescenta.
Vigilância
O economista Shoshana Grossbard, que escreveu vários livros sobre economia e casamento, aduz mais evidências ao afirmar que os líderes masculinos das sociedades polígamas institucionalizam a vigilância das mulheres, conforme matéria do Vancouver Sun de 9 de dezembro.
Apresentado como testemunha e perito, o professor da Universidade Estatal de San Diego observa que as sociedades polígamas têm uma frequência maior de casamentos de homens idosos com mulheres muito jovens, aumentando a probabilidade de viuvezes precoces e as dificuldades econômicas que decorrem desse fenômeno.
Outros peritos, de ambas as partes, apresentaram novas evidências em dezembro e janeiro, antes de serem ouvidos os depoimentos de membros da comunidade de Bountiful. Segundo Daphne Bramhan, colunista do Vancouver Sun, os peritos do governo “deram o melhor de si mesmos”.
"A evidência de que a poligamia é intrinsecamente ruim para os indivíduos e para as sociedades foi esmagadora até agora", observou ela, em sua coluna de 7 de janeiro.
Segundo o Vancouver Sun de 10 de janeiro, John Witte Jr., diretor do Centro de Lei e Religião da Universidade Emory, afirmou em seu depoimento que existe uma tradição contínua de 2.500 anos de casamento como união monogâmica de duas pessoas.
"Esse duradouro consenso destaca que as proibições são tanto pré-cristãs como pós-cristãs", afirmou.
Um exemplo gráfico do dano que a poligamia pode causar foi apresentado na última audiência, em que se alegou que a “tortura da água” em bebês é comum na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Medo
Carolyn Blackmore Jessop, que abandonou o grupo em 2003, afirma que é típico da comunidade infundir nos filhos o medo da autoridade mediante a violência.
Jessop revela que abandonou o grupo, com seus oito filhos, porque se sentia impotente para protegê-los dos abusos físicos. Tinha 18 anos quando se tornou a quarta mulher de Merril Jessop, de 50 anos.
Algumas das esposas atuais da comunidade depuseram numa sala fechada do Tribunal, com garantia de anonimato. O público e a mídia tiveram acesso aos depoimentos através de uma conexão de áudio. Para a “Testemunha Número 2”, por exemplo, a vida em Bountiful é agradável e não há coações, noticiou o Toronto Star em 25 de janeiro.
Aos 40 anos, ela divide o marido com a própria irmã biológica. Em total, as duas têm 19 filhos. Uma das filhas da testemunha se casou aos 15 anos. A “Testemunha Número 2” admite viver na pobreza, mas afirma que isto acontece, em parte, por enviarem dinheiro aos seus companheiros de crença nos Estados Unidos, a fim de financiarem suas batalhas judiciais.
A “Testemunha Número 4” acredita que faz parte de um "casamento celestial", ordenado por Deus, informou em 27 de janeiro o National Post. Aos 16 anos, ela conheceu o marido trinta minutos antes da cerimônia de casamento. Seis meses depois, o marido casou-se com mais uma garota, de 15 anos.
De acordo com a autora do artigo, Barbara Kay, mulheres como a “Testemunha Número 4” sofreram lavagem cerebral em decorrência de uma vida inteira transcorrida numa comunidade isolada do resto do mundo.
O Tribunal também ouviu alguns membros desencantados de Bountiful. Truman Oler, filho de James Oler, um líder da comunidade que tem várias esposas, descreveu uma comunidade de pais distantes e filhos descuidados, informou o National Post de 25 de janeiro.
"Pessoalmente, não posso entender por que eles têm tantos filhos se não querem cuidar deles", declarou ao Tribunal.
Bruce Klette, da Vital Statistics Agency da Colúmbia Britânica, ofereceu mais informações sobre a situação das crianças. Segundo as certidões de nascimento de 1986 a 2009, houve 833 nascimentos de 215 mães e 142 pais (Globe and Mail, 27 de janeiro).
Pouco mais de 10% das crianças nasceu de mães de 18 anos ou menos, em comparação com a média provincial de 2,7%. A diferença de idade entre as mães e os pais também se afasta dos números da província, chegando a 8 anos, contra de 4,6. Cerca de 45% das mães nasceram fora do Canadá, a maioria em Utah, estado norte-americano preponderantemente mórmon, em comparação com os 30% de mães estrangeiras da Colúmbia Britânica.
O artigo também ressalta que nas duas escolas de Bountiful, desde 2003, só 25 estudantes completaram os 12 anos da educação básica canadense.
Dignidade
Comentando as evidências da pobre educação, do tráfico de esposas e das anormais taxas de gravidez adolescente, um editorial de 31 de janeiro do Globe and Mail pede que se mantenha a lei contra a poligamia.
“Proibir a poligamia continua sendo um limite razoável à liberdade religiosa e uma forte recordação de que a lei deve proteger os vulneráveis e a igualdade de direitos e a dignidade humana de mulheres e crianças”, indicava o editorial.
Uma postura não muito distinta da Igreja católica.
A união entre um marido e uma esposa tem suas raízes na complementaridade natural que existe entre o homem e a mulher, explica João Paulo II em sua exortação apostólica de 1981 sobre a família: Familiaris Consortio.
“A poligamia contradiz radicalmente uma tal comunhão”, afirma. “Nega, de fato, diretamente o plano de Deus como nos foi revelado nas origens, porque contrária à igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrimônio se doam com um amor total e por isso mesmo único e exclusivo (n. 19).
Agora, no Canadá, as consequências da debilitação dos valores cristãos fundamentais que durante muito tempo estiveram na base do casamento podem-se ver como um impulso para permitir a poligamia. Só há que esperar que o Canadá que, não é mera coincidência, legalizou o casamento do mesmo sexo, não introduza por via judicial outro golpe no matrimônio, permitindo a exploração de mulheres e crianças.
Fonte: Zenit.
Ao longo dos últimos meses, o juiz Robert Bauman, do Tribunal Supremo da Colúmbia Britânica, ouviu argumentos a favor e contra a possibilidade de legalizar a poligamia. Segundo a comunidade de Bountiful, da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a carta canadense de Direitos e Liberdades garante que, como parte dos seus direitos religiosos, é permitido aos homens ter várias esposas.
O grupo tem cerca de 10.000 membros nos Estados Unidos e no Canadá, segundo reportagem de 23 de novembro da BBC. Cerca de 1.000 deles moram em Bountiful.
A Colúmbia Britânica tem uma lei do século XIX que proíbe a poligamia, mas no passado o governo fechou os olhos para as práticas do grupo, temendo que a lei pudesse não ser constitucional. As autoridades, no entanto, mudaram de opinião e acusaram dois anciãos de Bountiful de poligamia. O caso não prosperou por razões técnicas em 2009.
Mais que uma apelação, a resolução das autoridades da província pedia ao Tribunal Supremo que analisasse a constitucionalidade da lei contra a poligamia. A resolução deu como resultado o atual julgamento, que acaba de escutar as evidências apresentadas pelas partes.
Se a lei fosse derrogada, o Canadá correria o risco de atrair famílias polígamas de imigrantes, prejudicando a sociedade. É o argumento do advogado da Coroa, Craig Jones, conforme informado em 23 de novembro pelo diário Globe and Mail.
Jones afirma que a comunidade de Bountiful sofreu problemas como noivas menores de idade, gravidez de adolescentes e expulsão de homens e rapazes. Estes problemas são "consequências inevitáveis" da poligamia, sustenta o advogado.
"A poligamia deixa os jovens sem oportunidades de se casar ou de formar uma família", concorda Deborah Strachan, representante da Promotoria Geral do Canadá, conforme o Globe and Mail de 24 de novembro. "Há uma infinidade de rapazes e jovens rejeitados de uma forma ou de outra pela comunidade", acrescenta.
Vigilância
O economista Shoshana Grossbard, que escreveu vários livros sobre economia e casamento, aduz mais evidências ao afirmar que os líderes masculinos das sociedades polígamas institucionalizam a vigilância das mulheres, conforme matéria do Vancouver Sun de 9 de dezembro.
Apresentado como testemunha e perito, o professor da Universidade Estatal de San Diego observa que as sociedades polígamas têm uma frequência maior de casamentos de homens idosos com mulheres muito jovens, aumentando a probabilidade de viuvezes precoces e as dificuldades econômicas que decorrem desse fenômeno.
Outros peritos, de ambas as partes, apresentaram novas evidências em dezembro e janeiro, antes de serem ouvidos os depoimentos de membros da comunidade de Bountiful. Segundo Daphne Bramhan, colunista do Vancouver Sun, os peritos do governo “deram o melhor de si mesmos”.
"A evidência de que a poligamia é intrinsecamente ruim para os indivíduos e para as sociedades foi esmagadora até agora", observou ela, em sua coluna de 7 de janeiro.
Segundo o Vancouver Sun de 10 de janeiro, John Witte Jr., diretor do Centro de Lei e Religião da Universidade Emory, afirmou em seu depoimento que existe uma tradição contínua de 2.500 anos de casamento como união monogâmica de duas pessoas.
"Esse duradouro consenso destaca que as proibições são tanto pré-cristãs como pós-cristãs", afirmou.
Um exemplo gráfico do dano que a poligamia pode causar foi apresentado na última audiência, em que se alegou que a “tortura da água” em bebês é comum na Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Medo
Carolyn Blackmore Jessop, que abandonou o grupo em 2003, afirma que é típico da comunidade infundir nos filhos o medo da autoridade mediante a violência.
Jessop revela que abandonou o grupo, com seus oito filhos, porque se sentia impotente para protegê-los dos abusos físicos. Tinha 18 anos quando se tornou a quarta mulher de Merril Jessop, de 50 anos.
Algumas das esposas atuais da comunidade depuseram numa sala fechada do Tribunal, com garantia de anonimato. O público e a mídia tiveram acesso aos depoimentos através de uma conexão de áudio. Para a “Testemunha Número 2”, por exemplo, a vida em Bountiful é agradável e não há coações, noticiou o Toronto Star em 25 de janeiro.
Aos 40 anos, ela divide o marido com a própria irmã biológica. Em total, as duas têm 19 filhos. Uma das filhas da testemunha se casou aos 15 anos. A “Testemunha Número 2” admite viver na pobreza, mas afirma que isto acontece, em parte, por enviarem dinheiro aos seus companheiros de crença nos Estados Unidos, a fim de financiarem suas batalhas judiciais.
A “Testemunha Número 4” acredita que faz parte de um "casamento celestial", ordenado por Deus, informou em 27 de janeiro o National Post. Aos 16 anos, ela conheceu o marido trinta minutos antes da cerimônia de casamento. Seis meses depois, o marido casou-se com mais uma garota, de 15 anos.
De acordo com a autora do artigo, Barbara Kay, mulheres como a “Testemunha Número 4” sofreram lavagem cerebral em decorrência de uma vida inteira transcorrida numa comunidade isolada do resto do mundo.
O Tribunal também ouviu alguns membros desencantados de Bountiful. Truman Oler, filho de James Oler, um líder da comunidade que tem várias esposas, descreveu uma comunidade de pais distantes e filhos descuidados, informou o National Post de 25 de janeiro.
"Pessoalmente, não posso entender por que eles têm tantos filhos se não querem cuidar deles", declarou ao Tribunal.
Bruce Klette, da Vital Statistics Agency da Colúmbia Britânica, ofereceu mais informações sobre a situação das crianças. Segundo as certidões de nascimento de 1986 a 2009, houve 833 nascimentos de 215 mães e 142 pais (Globe and Mail, 27 de janeiro).
Pouco mais de 10% das crianças nasceu de mães de 18 anos ou menos, em comparação com a média provincial de 2,7%. A diferença de idade entre as mães e os pais também se afasta dos números da província, chegando a 8 anos, contra de 4,6. Cerca de 45% das mães nasceram fora do Canadá, a maioria em Utah, estado norte-americano preponderantemente mórmon, em comparação com os 30% de mães estrangeiras da Colúmbia Britânica.
O artigo também ressalta que nas duas escolas de Bountiful, desde 2003, só 25 estudantes completaram os 12 anos da educação básica canadense.
Dignidade
Comentando as evidências da pobre educação, do tráfico de esposas e das anormais taxas de gravidez adolescente, um editorial de 31 de janeiro do Globe and Mail pede que se mantenha a lei contra a poligamia.
“Proibir a poligamia continua sendo um limite razoável à liberdade religiosa e uma forte recordação de que a lei deve proteger os vulneráveis e a igualdade de direitos e a dignidade humana de mulheres e crianças”, indicava o editorial.
Uma postura não muito distinta da Igreja católica.
A união entre um marido e uma esposa tem suas raízes na complementaridade natural que existe entre o homem e a mulher, explica João Paulo II em sua exortação apostólica de 1981 sobre a família: Familiaris Consortio.
“A poligamia contradiz radicalmente uma tal comunhão”, afirma. “Nega, de fato, diretamente o plano de Deus como nos foi revelado nas origens, porque contrária à igual dignidade pessoal entre o homem e a mulher, que no matrimônio se doam com um amor total e por isso mesmo único e exclusivo (n. 19).
Agora, no Canadá, as consequências da debilitação dos valores cristãos fundamentais que durante muito tempo estiveram na base do casamento podem-se ver como um impulso para permitir a poligamia. Só há que esperar que o Canadá que, não é mera coincidência, legalizou o casamento do mesmo sexo, não introduza por via judicial outro golpe no matrimônio, permitindo a exploração de mulheres e crianças.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
País do conhecimento, potência ambiental
Hoje, já não parece uma meta tão distante o Brasil se tornar país economicamente rico e socialmente justo, mas há grandes desafios pela frente, como educação de qualidade
Há 90 anos, o Brasil era um país oligárquico, em que a questão social não tinha qualquer relevância aos olhos do poder público, que a tratava como questão de polícia.
O país vivia à sombra da herança histórica da escravidão, do preconceito contra a mulher e da exclusão social, o que limitou, por muitas décadas, seu pleno desenvolvimento.
Mesmo quando os grandes planos de desenvolvimento foram desenhados, a questão social continuou como apêndice e a educação não conquistou lugar estratégico.
Avançamos apenas nas décadas recentes, quando a sociedade decidiu firmar o social como prioridade.
Contudo, o Brasil ainda é um país contraditório. Persistem graves disparidades regionais e de renda. Setores pouco desenvolvidos coexistem com atividades econômicas caracterizadas por enorme sofisticação tecnológica. Mas os ganhos econômicos e sociais dos últimos anos estão permitindo uma renovada confiança no futuro.
Enorme janela de oportunidade se abre para o Brasil. Já não parece uma meta tão distante tornar-se um país economicamente rico e socialmente justo. Mas existem ainda gigantescos desafios pela frente. E o principal, na sociedade moderna, é o desafio da educação de qualidade, da democratização do conhecimento e do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente.
Ao longo do século 21, todas as formas de distribuição do conhecimento serão ainda mais complexas e rápidas do que hoje.
Como a tecnologia irá modificar o espaço físico das escolas? Quais serão as ferramentas à disposição dos estudantes?
Como será a relação professor-aluno? São questões sem respostas claras.
Tenho certeza, no entanto, de que a figura-chave será a do educador, o formador do cidadão da era do conhecimento.
Priorizar a educação implica consolidar valores universais de democracia, de liberdade e de tolerância, garantindo oportunidade para todos. Trata-se de uma construção social, de um pacto pelo futuro, em que o conhecimento é e será o fator decisivo.
Existe uma relação direta entre a capacidade de uma sociedade processar informações complexas e sua capacidade de produzir inovação e gerar riqueza, qualificando sua relação com as demais nações.
No presente e no futuro, a geração de riqueza não poderá ser pautada pela visão de curto prazo e pelo consumo desenfreado dos recursos naturais. O uso inteligente da água e das terras agriculturáveis, o respeito ao meio ambiente e o investimento em fontes de energia renováveis devem ser condições intrínsecas do nosso crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável será um diferencial na relação do Brasil com o mundo.
Noventa anos atrás, erramos como governantes e falhamos como nação.
Estamos fazendo as escolhas certas: o Brasil combina a redução efetiva das desigualdades sociais com sua inserção como uma potência ambiental, econômica e cultural.
Um país capaz de escolher seu rumo e de construir seu futuro com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos.
DILMA ROUSSEFF é a presidenta da República.
Fonte: UOL - Online.
Há 90 anos, o Brasil era um país oligárquico, em que a questão social não tinha qualquer relevância aos olhos do poder público, que a tratava como questão de polícia.
O país vivia à sombra da herança histórica da escravidão, do preconceito contra a mulher e da exclusão social, o que limitou, por muitas décadas, seu pleno desenvolvimento.
Mesmo quando os grandes planos de desenvolvimento foram desenhados, a questão social continuou como apêndice e a educação não conquistou lugar estratégico.
Avançamos apenas nas décadas recentes, quando a sociedade decidiu firmar o social como prioridade.
Contudo, o Brasil ainda é um país contraditório. Persistem graves disparidades regionais e de renda. Setores pouco desenvolvidos coexistem com atividades econômicas caracterizadas por enorme sofisticação tecnológica. Mas os ganhos econômicos e sociais dos últimos anos estão permitindo uma renovada confiança no futuro.
Enorme janela de oportunidade se abre para o Brasil. Já não parece uma meta tão distante tornar-se um país economicamente rico e socialmente justo. Mas existem ainda gigantescos desafios pela frente. E o principal, na sociedade moderna, é o desafio da educação de qualidade, da democratização do conhecimento e do desenvolvimento com respeito ao meio ambiente.
Ao longo do século 21, todas as formas de distribuição do conhecimento serão ainda mais complexas e rápidas do que hoje.
Como a tecnologia irá modificar o espaço físico das escolas? Quais serão as ferramentas à disposição dos estudantes?
Como será a relação professor-aluno? São questões sem respostas claras.
Tenho certeza, no entanto, de que a figura-chave será a do educador, o formador do cidadão da era do conhecimento.
Priorizar a educação implica consolidar valores universais de democracia, de liberdade e de tolerância, garantindo oportunidade para todos. Trata-se de uma construção social, de um pacto pelo futuro, em que o conhecimento é e será o fator decisivo.
Existe uma relação direta entre a capacidade de uma sociedade processar informações complexas e sua capacidade de produzir inovação e gerar riqueza, qualificando sua relação com as demais nações.
No presente e no futuro, a geração de riqueza não poderá ser pautada pela visão de curto prazo e pelo consumo desenfreado dos recursos naturais. O uso inteligente da água e das terras agriculturáveis, o respeito ao meio ambiente e o investimento em fontes de energia renováveis devem ser condições intrínsecas do nosso crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável será um diferencial na relação do Brasil com o mundo.
Noventa anos atrás, erramos como governantes e falhamos como nação.
Estamos fazendo as escolhas certas: o Brasil combina a redução efetiva das desigualdades sociais com sua inserção como uma potência ambiental, econômica e cultural.
Um país capaz de escolher seu rumo e de construir seu futuro com o esforço e o talento de todos os seus cidadãos.
DILMA ROUSSEFF é a presidenta da República.
Fonte: UOL - Online.
O que falar de Dilma?
Pelo que parece, a “grande imprensa” vai passar quatro anos a se remoer. Achava que a presidenta seria cópia piorada de Lula. Dá-se o caso que, neste início de governo, ela surpreendeu a mídia. Exatamente no que menos
se esperava: está fazendo, desde o primeiro momento, o governo dela
É engraçado ler nossa “grande imprensa” nos dias que passam. Seus colunistas e comentaristas vivem momentos difíceis, dos quais tentam escapar com saídas cômicas.
A raiz de seus problemas é que não sabem como lidar com Dilma Rousseff. Talvez achassem que seu governo seria óbvio. Que ela seria uma personagem que conseguiriam explicar com meia dúzia de ideias prontas.
Imaginavam, talvez, que o compromisso que ela assumiu com a continuidade do trabalho de Lula faria com que ficasse de mãos atadas. E, quando ela confirmou vários ministros e auxiliares do ex-presidente na sua equipe, devem ter tido certeza de que suas expectativas se confirmariam.
Achavam que Dilma seria uma cópia carbono de Lula. Piorada, naturalmente, pois sem sua facilidade de comunicação e carisma. Estava pronta a interpretação do novo governo: na melhor das hipóteses, uma repetição sem brilho das coisas que conhecíamos. Para quem, como nossos bravos homens e mulheres da “grande imprensa”, achou que o governo Lula havia sido uma tragédia, o de Dilma seria uma farsa. Como dizia o velho Karl Marx, quando a história se repete, é isso que acontece.
Dá-se o caso que, neste início de governo, Dilma os surpreendeu. Exatamente naquilo que menos esperavam: está fazendo, desde o primeiro momento, o governo dela.
Não há sinal mais evidente que a mudança que experimentou a parcela do ministério que manteve. Ficaram parecidos com os novos. São ministros dela e não ex-ministros de Lula.
Na verdade, esse é apenas um sintoma de que, em pouco mais de um mês, o governo Lula virou passado. Algo que era difícil antever aí está. Em grande parte, porque Dilma ocupou seu lugar, deixando claro que não é igual ao antecessor.
A “grande imprensa” brasileira estava preparada para essa hipótese, mesmo que a achasse improvável. Era o cenário da crise entre criador e criatura, tão frequente na política, que vem na hora em que o “poste” se rebela contra quem lhe deu vida. Não era pequena a torcida em favor desse desfecho: Dilma desentendendo-se com Lula, este aborrecido, ela enciumada, ele se sentindo traído, ela sozinha no Planalto.
Não é isso o que está ocorrendo. Lula não parece achar errado que Dilma tenha se sentado na cadeira que ele ocupou por oito anos e começado a governar desde o primeiro dia.
A frustração de perceber que quase nada do que imaginava está se verificando tem levado a “grande imprensa” a atitudes patéticas. Não há maior que a recusa em aceitar a decisão de Dilma de ser tratada como presidenta.
A insistência dos “grandes veículos” em só designá-la como presidente é pueril. Na língua portuguesa, as duas palavras existem, o que faz com que qualquer uma possa ser empregada. Se Dilma escolheu uma, que argumento justificaria negar-lhe o direito de usá-la?
É provável que os historiadores do futuro achem graça da implicância de nossos “grandes jornais”. Seu consolo acabou sendo pequeno: o que lhes resta é pirraçar, bater pé e chamá-la “presidente”. Um dia, quem sabe, farão como os jornalões argentinos, que acabaram respeitando a mesma opção de Cristina Kirchner (os jornais chilenos, mais educados, nunca recusaram a prerrogativa a Michelle Bachelet).
Nesta semana, nossos vibrantes “grandes jornais” passaram a achar ruim que Dilma houvesse feito uma foto colorida para acrescentar à galeria dos presidentes da República. Queriam que fosse em branco e preto, talvez por picuinha. Sugeriram que ela quer “aparecer demais”.
E assim vamos. Pelo que parece, a “grande imprensa” vai passar quatro anos se remoendo.
Fonte: Marcos Coimbra
se esperava: está fazendo, desde o primeiro momento, o governo dela
É engraçado ler nossa “grande imprensa” nos dias que passam. Seus colunistas e comentaristas vivem momentos difíceis, dos quais tentam escapar com saídas cômicas.
A raiz de seus problemas é que não sabem como lidar com Dilma Rousseff. Talvez achassem que seu governo seria óbvio. Que ela seria uma personagem que conseguiriam explicar com meia dúzia de ideias prontas.
Imaginavam, talvez, que o compromisso que ela assumiu com a continuidade do trabalho de Lula faria com que ficasse de mãos atadas. E, quando ela confirmou vários ministros e auxiliares do ex-presidente na sua equipe, devem ter tido certeza de que suas expectativas se confirmariam.
Achavam que Dilma seria uma cópia carbono de Lula. Piorada, naturalmente, pois sem sua facilidade de comunicação e carisma. Estava pronta a interpretação do novo governo: na melhor das hipóteses, uma repetição sem brilho das coisas que conhecíamos. Para quem, como nossos bravos homens e mulheres da “grande imprensa”, achou que o governo Lula havia sido uma tragédia, o de Dilma seria uma farsa. Como dizia o velho Karl Marx, quando a história se repete, é isso que acontece.
Dá-se o caso que, neste início de governo, Dilma os surpreendeu. Exatamente naquilo que menos esperavam: está fazendo, desde o primeiro momento, o governo dela.
Não há sinal mais evidente que a mudança que experimentou a parcela do ministério que manteve. Ficaram parecidos com os novos. São ministros dela e não ex-ministros de Lula.
Na verdade, esse é apenas um sintoma de que, em pouco mais de um mês, o governo Lula virou passado. Algo que era difícil antever aí está. Em grande parte, porque Dilma ocupou seu lugar, deixando claro que não é igual ao antecessor.
A “grande imprensa” brasileira estava preparada para essa hipótese, mesmo que a achasse improvável. Era o cenário da crise entre criador e criatura, tão frequente na política, que vem na hora em que o “poste” se rebela contra quem lhe deu vida. Não era pequena a torcida em favor desse desfecho: Dilma desentendendo-se com Lula, este aborrecido, ela enciumada, ele se sentindo traído, ela sozinha no Planalto.
Não é isso o que está ocorrendo. Lula não parece achar errado que Dilma tenha se sentado na cadeira que ele ocupou por oito anos e começado a governar desde o primeiro dia.
A frustração de perceber que quase nada do que imaginava está se verificando tem levado a “grande imprensa” a atitudes patéticas. Não há maior que a recusa em aceitar a decisão de Dilma de ser tratada como presidenta.
A insistência dos “grandes veículos” em só designá-la como presidente é pueril. Na língua portuguesa, as duas palavras existem, o que faz com que qualquer uma possa ser empregada. Se Dilma escolheu uma, que argumento justificaria negar-lhe o direito de usá-la?
É provável que os historiadores do futuro achem graça da implicância de nossos “grandes jornais”. Seu consolo acabou sendo pequeno: o que lhes resta é pirraçar, bater pé e chamá-la “presidente”. Um dia, quem sabe, farão como os jornalões argentinos, que acabaram respeitando a mesma opção de Cristina Kirchner (os jornais chilenos, mais educados, nunca recusaram a prerrogativa a Michelle Bachelet).
Nesta semana, nossos vibrantes “grandes jornais” passaram a achar ruim que Dilma houvesse feito uma foto colorida para acrescentar à galeria dos presidentes da República. Queriam que fosse em branco e preto, talvez por picuinha. Sugeriram que ela quer “aparecer demais”.
E assim vamos. Pelo que parece, a “grande imprensa” vai passar quatro anos se remoendo.
Fonte: Marcos Coimbra
44 Milhões de famintos
A notícia é desta semana e foi publicada pelo Banco Mundial: “por causa do aumento de preços dos alimentos verificado no último semestre, os novos pobres são 44 milhões de pessoas, ou seja pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Mais de um bilhão de pessoas vive com menos de 1 dólar e 25 centavos por dia. Somente para entender melhor, tivemos aumento nos preços do açúcar, óleo e milho. O arroz não teve aumento. O Banco Mundial classificou a alta como ameaçadora para milhões de pessoas em todo o mundo, já que, em muitos países, as pessoas gastam mais da metade de seus salários com comida.
Essa notícia deveria causar indignação nas pessoas de boa vontade, deveria mexer com as consciências: de fato somente nos últimos dias 44 milhões de pessoas passaram fome, ou melhor, passaram mais fome. Todos esperavam e esperam uma sensível redução da pobreza no mundo com os objetivos do milênio propostos pela ONU, mas vemos que isso não está se traduzindo em fatos.
A pobreza aumentou, principalmente nos países em desenvolvimento ou abaixo desta linha, o chamado quarto mundo cujos povos inexistem para muitos países chamados de primeiro mundo. Sob qualquer ponto de vista analisarmos é inaceitável a existência de seres humanos nestas condições de miséria. É nossa obrigação e dever como irmãos, como cristãos, proporcionarmos a eles condições adequadas para poderem construir a sua dignidade. O não cumprimento deste esforço é um crime que a humanidade comete contra si mesma.
Os novos dados confirmam que o mundo encontra dificuldade em atingir a meta de reduzir pela metade o número de pobres até 2015. Mas evidencia ainda outra questão: a pobreza é maior do que se pensava, por isso precisamos redobrar nossos esforços, principalmente naquelas áreas onde a renda não permite milhões de pessoas sair da pobreza, como é o caso da África, onde a pobreza continua afetando 50% da população. Na África, o consumo médio de um pobre não chega a 70 centavos de dólar por dia.
Todos estes dados nos levam a pensar mais uma vez que os caminhos que os países tomam em suas economias pode criar a cada dia mais pobreza. A crise econômica atual que atinge indistintamente todas as nações do planeta deve levar governos e pessoas que incidem na economia mundial a compreenderem que para viver é necessário repartir. O homem deve voltar a ser sujeito e não objeto num mundo que ignora a fome do outro, pensando na continuidade de um egocentrismo existencial a despeito dos outros, fruto evidente da cultura capitalista de consumo.
Diante da pobreza, devemos nos perguntar se não é o momento de mudarmos de estilo de vida e pararmos de pensar só em nós, enquanto milhões lutam por um simples prato de comida.
Fonte: Rádio Vaticano
Essa notícia deveria causar indignação nas pessoas de boa vontade, deveria mexer com as consciências: de fato somente nos últimos dias 44 milhões de pessoas passaram fome, ou melhor, passaram mais fome. Todos esperavam e esperam uma sensível redução da pobreza no mundo com os objetivos do milênio propostos pela ONU, mas vemos que isso não está se traduzindo em fatos.
A pobreza aumentou, principalmente nos países em desenvolvimento ou abaixo desta linha, o chamado quarto mundo cujos povos inexistem para muitos países chamados de primeiro mundo. Sob qualquer ponto de vista analisarmos é inaceitável a existência de seres humanos nestas condições de miséria. É nossa obrigação e dever como irmãos, como cristãos, proporcionarmos a eles condições adequadas para poderem construir a sua dignidade. O não cumprimento deste esforço é um crime que a humanidade comete contra si mesma.
Os novos dados confirmam que o mundo encontra dificuldade em atingir a meta de reduzir pela metade o número de pobres até 2015. Mas evidencia ainda outra questão: a pobreza é maior do que se pensava, por isso precisamos redobrar nossos esforços, principalmente naquelas áreas onde a renda não permite milhões de pessoas sair da pobreza, como é o caso da África, onde a pobreza continua afetando 50% da população. Na África, o consumo médio de um pobre não chega a 70 centavos de dólar por dia.
Todos estes dados nos levam a pensar mais uma vez que os caminhos que os países tomam em suas economias pode criar a cada dia mais pobreza. A crise econômica atual que atinge indistintamente todas as nações do planeta deve levar governos e pessoas que incidem na economia mundial a compreenderem que para viver é necessário repartir. O homem deve voltar a ser sujeito e não objeto num mundo que ignora a fome do outro, pensando na continuidade de um egocentrismo existencial a despeito dos outros, fruto evidente da cultura capitalista de consumo.
Diante da pobreza, devemos nos perguntar se não é o momento de mudarmos de estilo de vida e pararmos de pensar só em nós, enquanto milhões lutam por um simples prato de comida.
Fonte: Rádio Vaticano
domingo, 20 de fevereiro de 2011
"Sacerdotes santos e entregues a Deus"
Cidade do Vaticano - Ao receber na manhã do (19) a comunidade do Pontifício Colégio Filipino em Roma pela ocasião do seu 50º aniversário, o Papa Bento XVI assinalou que os sacerdotes devem entregar-se por completo a Deus em seu caminho para a santidade.
Em seu discurso em inglês, o Santo Padre elogiou o trabalho desta instituição em Roma e animou os presentes a "crescerem em fé, a obterem a excelência nos estudos, e a tomarem toda oportunidade para alcançar a maturidade espiritual e teológica, para que estejam bem preparados e treinados, com o coração firme para o que for que os aguarda no futuro".
"Como bem sabem, uma formação sacerdotal completa inclui não apenas o acadêmico: acima do componente intelectual, os estudantes do Colégio Filipino são formados espiritualmente através da história vivente da Igreja em Roma e o brilhante exemplo de seus mártires, cujo sacrifício os configura perfeitamente à pessoa do próprio Cristo".
O Papa expressou sua confiança em que "cada um de vocês se verá inspirado por sua união com o mistério de Cristo e abraçará o chamado de Deus à santidade que exige de vocês como sacerdotes nada menos que a completa entrega do dom de suas vidas e trabalhos a Deus".
"Ao fazê-lo em companhia de outros jovens seminaristas e sacerdotes reunidos aqui de distintos lugares do mundo, voltarão para casa, como seus predecessores, com um sentido agradecido e permanente da história da Igreja em Roma, de suas raízes no mistério pascal de Cristo e de sua maravilhosa universalidade".
Bento XVI pediu logo que não se descuide o trabalho pastoral em Roma, cuidando de gerar "um saudável balanço entre as preocupações pastorais locais e os requerimentos acadêmicos de sua estadia aqui, para o benefício de todos".
Antes de terminar animou os alunos a "não esquecerem o afeto do Papa por vocês e sua pátria. Eu vos exorto a retornar às Filipinas com um inquebrável afeto pelo Sucessor do Pedro e com o desejo de fortalecer e manter a comunhão que une à Igreja em caridade a seu redor".
"Desta forma, ao completar seus estudos, certamente serão levedura do Evangelho da vida em sua amada nação", concluiu.
Fonte: ACI
Em seu discurso em inglês, o Santo Padre elogiou o trabalho desta instituição em Roma e animou os presentes a "crescerem em fé, a obterem a excelência nos estudos, e a tomarem toda oportunidade para alcançar a maturidade espiritual e teológica, para que estejam bem preparados e treinados, com o coração firme para o que for que os aguarda no futuro".
"Como bem sabem, uma formação sacerdotal completa inclui não apenas o acadêmico: acima do componente intelectual, os estudantes do Colégio Filipino são formados espiritualmente através da história vivente da Igreja em Roma e o brilhante exemplo de seus mártires, cujo sacrifício os configura perfeitamente à pessoa do próprio Cristo".
O Papa expressou sua confiança em que "cada um de vocês se verá inspirado por sua união com o mistério de Cristo e abraçará o chamado de Deus à santidade que exige de vocês como sacerdotes nada menos que a completa entrega do dom de suas vidas e trabalhos a Deus".
"Ao fazê-lo em companhia de outros jovens seminaristas e sacerdotes reunidos aqui de distintos lugares do mundo, voltarão para casa, como seus predecessores, com um sentido agradecido e permanente da história da Igreja em Roma, de suas raízes no mistério pascal de Cristo e de sua maravilhosa universalidade".
Bento XVI pediu logo que não se descuide o trabalho pastoral em Roma, cuidando de gerar "um saudável balanço entre as preocupações pastorais locais e os requerimentos acadêmicos de sua estadia aqui, para o benefício de todos".
Antes de terminar animou os alunos a "não esquecerem o afeto do Papa por vocês e sua pátria. Eu vos exorto a retornar às Filipinas com um inquebrável afeto pelo Sucessor do Pedro e com o desejo de fortalecer e manter a comunhão que une à Igreja em caridade a seu redor".
"Desta forma, ao completar seus estudos, certamente serão levedura do Evangelho da vida em sua amada nação", concluiu.
Fonte: ACI
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