terça-feira, 27 de julho de 2010

Reconhecimento do Papa no Dia dos Avós

Bento XVI enviou uma mensagem de reconhecimento aos avós em seu dia, a memória de Santa Ana e São Joaquim, segundo a tradição avós do Menino Jesus, celebrada pela Igreja hoje.
Uma mensagem do Papa foi lida após a celebração da Santa Missa no dia dia avós, presidida em Jaén pelo bispo dessa diocese, dom Ramón del Hoyo López.
A mensagem e bênção do Papa foram enviados pelo arcebispo Renzo Fratini, núncio apostólico de Bento XVI na Espanha, por ocasião da celebração dos avós realizada pela 12a vez consecutiva pela Asociación Edad Dorada-Mensajeros de la Paz.
Na mensagem, dirigida ao presidente de Mensajeros de la Paz, Pe. Ángel García, "o Santo Padre, valorizando a riqueza religiosa, espiritual, humana e social dos avós, une-se alegremente a este gesto de carinho e gratidão a eles e os anima a perseverar na fé, dando sentido, com a luz de Cristo Senhor, a todos os momentos da vsua vida".
A mensagem conclui pedindo ao Senhor que assista os avós "com sua providência e misericórdia", e implora para eles "a proteção dos santos avós Joaquim e Ana, e de sua filha, a gloriosa Virgem Maria, Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo".
No Vaticano, também se comemorou esta memória litúrgica em sua única paróquia, que está dedicada precisamente a Santa Ana, com uma Celebração Eucarística presidida pelo cardeal Angelo Comastri, vigário geral de Sua Santidade para a Cidade do Vaticano, quem, começou a Missa lendo uma oração dedicada à Santa, que ele mesmo compôs.
Às 18h30, estava prevista uma celebração nessa igreja, presidida pelo cardeal Antonio Cañizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, com a oração à Santa Ana pelo avós, para que possam oferecer a todos o testemunho de uma vida exemplar em sua insubstituível tarefa moral e espiritual junto às crianças e adolescentes.
A Asociación Edad Dorada Mensajeros de la Paz considera que, "assim como existe o Dia dos Pais ou o Dia das Mães, seria necessário estabelecer o Dia dos Avós".
Segundo explica a organização, trata-se de "um dia para o agradecimento pelo seu apoio constante, silencioso e, às vezes, pouco valorizado"; "um dia para o reconhecimento de seu importante papel na sociedade"; "um dia para chamar a atenção sobre as necessidades sociais, assistenciais e afetivas dos avós"; "um dia para comemorar com carinho e admiração em todos os âmbitos, tanto no familiar como no público".
Os nomes dos avós de Jesus chegam por meio de antiquíssimas tradições. Em Jerusalém, na basílica de "Maria, onde ela nasceu", São João Damasceno (séc. VIII), doutor da Igreja, já comemorava os avós de Jesus. Esta basílica se converteria depois na Igreja de Santa Ana dos Cruzados.
Já desde o século VI, honrava-se Santa Ana em Constantinopla, em uma basílica que foi dedicada à sua honra no dia 25 de julho. O culto de São Joaquim passou a unir-se ao de sua esposa muito mais tarde. Em 1584, a festa de Santa foi fixada para toda a Igreja no dia 26 de julho.
Entre outras fontes, os nomes dos avós de Jesus procedem de evangelhos apócrifos, em particular, o "Livro sobre a Natividade de Maria" e o "Protoevangelho de São Tiago".

Fonte: Zenit.

Delegado papal guia com plenas faculdades a renovação da Legião de Cristo

O arcebispo Velasio De Paolis, C.S., delegado pontifício para a Legião de Cristo, recebeu de Bento XVI plenas faculdades de governo sobre a congregação, durante o tempo que for necessário para completar o caminho de renovação, revisar as Constituições e convocar um capítulo geral extraordinário.
É o que destaca o decreto sobre as "modalidades de cumprimento do ofício de delegado pontifício", emitido pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, e apresentado por Dom De Paolis no dia 21 de julho, na segunda reunião que manteve com o conselho geral da congregação, e publicado pela mesma a 23 de julho em sua página na internet.
A congregação, nessa mesma data e lugar, publica a carta que o Papa Bento XVI enviou no dia 16 de junho a Dom De Paolis, em que o nomeava seu delegado, após a recente visitação apostólica aos Legionários de Cristo, que “evidenciou, além do zelo sincero e da fervorosa vida religiosa de um grande número de membros da congregação, a necessidade e urgência de um caminho de profunda revisão do carisma do Instituto”.
Em onze pontos, o decreto estabelece as “precisões e disposições aprovadas pelo Sumo Pontífice”.
Em primeiro lugar, estabelece que “a autoridade concedida pelo Santo Padre ao delegado pontifício, muito ampla e que há de se exercer em nome do próprio Sumo Pontífice, estende-se a todo o Instituto: a todos os superiores, aos diversos níveis (direção geral, provincial e local) e a todas as comunidades e a cada religioso. Tal autoridade implica todos os problemas próprios do Instituto religioso e pode ser exercitada sempre que o Delegado considerar necessário para o bem do próprio Instituto, inclusive revogando as Constituições”.
O segundo ponto indica que “os superiores do Instituto, em todos os níveis, exercitam sua autoridade de acordo com as Constituições e sob a autoridade do delegado pontifício”.
Portanto, segundo o documento, os atuais superiores permanecem em seus ofícios “enquanto não for necessário proceder de outro modo”.
Em terceiro lugar, o decreto estabelece que fica reservada ao delegado pontifício a aprovação das decisões do governo geral da congregação, sejam as relacionadas com pessoas (“admissão no noviciado, profissão, sacerdócio, nomeações e transferências”), sejam as relacionadas com os apostolados e centros de formação (“seminários, institutos acadêmicos, escolas”), sejam as que afetam “questões de administração extraordinária ou atos de alienação de bens”.
Segundo o decreto, “todos têm livre acesso ao delegado e todos podem tratar pessoalmente com ele; por sua vez, o delegado tem o poder de intervir em todo lugar onde pense ser oportuno, inclusive no próprio governo interno do Instituto, em todos os níveis”.
Diferentemente do que os meios de comunicação tinham anunciado, prevendo “subdelegados” pontifícios, o documento vaticano estabelece que o delegado, “no cumprimento de sua missão, está acompanhado por quatro conselheiros pessoais, que o auxiliam na realização de seu trabalho, segundo as circunstâncias e as possibilidades, e que podem ser encarregados para as tarefas específicas, particularmente as visitas” às comunidades.
O documento esclarece que “a tarefa principal do delegado pontifício é encaminhar, acompanhar e realizar a revisão das Constituições”.
“À revisão das Constituições devem colaborar todos os membros do Instituto, seja em nível individual ou comunitário, segundo um projeto que desde o início se terá de elaborar e realizar”.
O decreto indica que se constitua “o mais rápido possível uma Comissão para a revisão das Constituições, nos diversos níveis do Instituto, com a participação sobretudo dos membros do próprio Instituto, que se hão de sentir responsáveis pela revisão e reelaboração do próprio projeto de vida evangélica, sempre em harmonia com o ensinamento da Igreja”. O presidente desta Comissão será o delegado pontifício.
O decreto indica que o delegado pontifício coordenará a visitação apostólica ao movimento apostólico “Regnum Christi”, que foi anunciada pelo comunicado emitido pela Santa Sé a 1 de maio, ao concluir a visitação apostólica dos cinco bispos à congregação.
Renovação
Em uma carta escrita no dia 10 de julho aos membros da congregação dos Legionários de Cristo, Dom de Paolis esclarece que, “para o Papa, o delegado pontifício é seu Delegado pessoal. Este, ao cumprir sua tarefa, deve trabalhar ‘como testemunho tangível de minha (sua) proximidade, para que atue em meu (seu) nome perante esta Família Religiosa”.
O representante papal explica que o caminho de renovação que a congregação empreende “não é para pôr em xeque a própria vocação, mas para voltar a considerá-la a fundo e renová-la com um novo espírito e uma mais intensa participação à própria adesão a ela”.
“Pode-se entender que alguns estejam passando por momentos difíceis, que alguns já tenham pensado em seguir outros caminhos, e outros talvez estejam considerando isso – acrescentou –. A vocação é algo muito sério para que se possa tomar uma decisão sobre ela em um momento de desorientação”.
“É preciso reencontrar a serenidade do espírito e da alma, porque a decisão deve ser tomada diante de Deus, na fidelidade a Jesus Cristo, que vocês escolheram como Rei de suas vidas. Tenham paciência. Percorramos com humildade e fé o caminho de renovação; consideremos juntos novamente a consagração religiosa à luz do carisma da congregação; releiamos as constituições sobre as quais comprometeram suas vidas”.
“Trata-se, estou seguro, de libertá-las de elementos que possam ofuscar seu carisma, de modo que a vocação na profissão dos conselhos evangélicos resplandeça plenamente em toda sua beleza, para reforçar em suas vidas a realeza de Cristo, que se manifestou em plenitude no mistério de sua Páscoa”.
“Seguindo Jesus, que, em seu caminho de amor, oferece-se livremente ao Pai e aos irmãos para criar em seu corpo de Ressuscitado a nova criatura. A vocação de vocês, assim como sua congregação, encontra-se em suas mãos, confia-se à responsabilidade de vocês. A Igreja os acompanha; o Senhor é misericordioso e generoso: doa seu Espírito sem medida! Sua graça os precede, acompanha e conduz à meta”, afirmou De Paolis.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dia de Santa Ana e São Joaquim

Hoje, 26 de julho, é dia de Sant”Ana e São Joaquim; dia em que se comemora o Dia dos Avós, por eles serem os avós de Jesus.
.: Confira em "O Santo do dia" :: a vida de Santa Ana e São Joaquim
Reze oração à Sant”Ana, suplicando graças necessárias à sua vida.
Senhora Sant”Ana, fostes chamada por Deus a colaborar na salvação do mundo.
Seguindo os caminhos da Providência Divina, recebeste São Joaquim por esposo.
Deste vosso matrimônio, vivido em santidade, nasceu Maria Santíssima, que seria a Mãe de Jesus Cristo. Formando, Vós, família tão santa,
confiantes nós vos pedimos por esta nossa família.
Alcançai-nos a todos as graças de Deus: aos PAIS deste lar, que vivam na santidade do matrimônio e formem seus filhos segundo o Evangelho; aos FILHOS desta casa, que cresçam em sabedoria, graça e santidade
e encontrem a vocação a que Deus os chamou.
E a TODOS nós, pais e filhos, alcançai-nos a alegria de viver fielmente na Igreja de Cristo, guiados sempre pelo Espírito Santo, para que um dia, após as alegrias e sofrimentos desta vida, mereçamos também nós chegar à casa do Pai, onde vos possamos encontrar, para junto sermos eternamente felizes,
no Cristo, pelo Espírito Santo.

Amém.

Sant”Ana, rogai por nós!

Fonte: Canção Nova.

Trabalhar em uma nação sem Deus

As mesquitas e as igrejas foram fechadas à força em 1967, a prática religiosa não voltou a ser permitida durante quase 25 anos. De fato, a Albânia é conhecida como o primeiro Estado ateu do mundo.
Hoje, na Albânia pós-comunista, é difícil estimar o número de católicos que existe, entre uma população de 3,6 milhões do país; calcula-se que talvez 10%, enquanto 20% são ortodoxos. A maioria da população se diz muçulmana.
Nesse cenário, a doutora italiana Anna Maria Doro, membro da Comunidade de Sant'Egidio, tem trabalhado e compartilha sua experiência conosco nesta entrevista.
O que mais a marcou quando chegou à Albânia?
Doro: O que me impressionou foi a diferença entre os dois países: Itália e Albânia. A Albânia fica muito perto da Itália, somente 60 quilômetros do porto de Bríndisi ao porto de Vlore.
O país não mudou, permaneceu como há cem anos: poucos carros nas ruas, estradas ruins e apagões. A vida das pessoas está ligada a um sistema agrícola muito arcaico, muitos são pastores. Mas o que me comoveu foi o calor humano das pessoas. Os albaneses são muito acolhedores com os estrangeiros. A hospitalidade tem muito valor e inclusive quando estão numa situação difícil compartilham o que têm com seus hóspedes.
É verdade que há uma cerca elétrica que rodeia todo o país?
Doro: Houve uma espécie de cerca, por exemplo, ao longo da fronteira com a antiga Iugoslávia, que rodeava o lago. Até hoje não existem árvores na fronteira. Todas as árvores foram cortadas para evitar que as pessoas saíssem do país. Abandonar o país era proibido e as pessoas capturadas fugindo eram executadas e tinham a família perseguida. Encontrei pessoas que não puderam terminar seus estudos porque um primo de terceiro grau tinha tentado escapar.
Os deslocamentos dentro do país também eram proibidos. Às pessoas que viviam nas montanhas, que passavam por privações econômicas, era proibido emigrar às zonas urbanas, porque era um privilégio concedido aos membros leais ao regime viver na cidade. Existia um isolamento cultural total e as pessoas eram proibidas de ouvir notícias ou música estrangeira. Assim, o povo albanês não era consciente dos acontecimentos do mundo exterior durante esse período e tinham uma visão distorcida daquele mundo.
O ataque à Igreja foi terrível: a perseguição foi muito dura. Que exemplos nos poderia dar disso?
Doro: Começaram com o assassinato de 60 sacerdotes e muitas religiosas e a prisão de todos os sacerdotes do país. Os colégios confessionais foram fechados e as ordens religiosas suprimidas. Conheci uma religiosa estigmatina em Shkodër. Seu convento foi fechado. Eram umas 90. Voltaram a morar em suas casas, mas permaneceram sendo religiosas e a população continuava levando seus filhos para serem batizados por elas em segredo. Algumas dessas religiosas eram noviças e tiveram que esperar até 1991 para receber o hábito religioso, quando já tinham setenta anos.
A senhora é médica. Trabalha na Albânia desde 1995: quais os desafios para a medicina? A senhora trabalha com crianças: quais seriam os desafios nas estruturas médicas do país?
Doro: A Comunidade de Sant'Egidio ajuda sobretudo nos setores sanitário e educacional. O setor sanitário está mal equipado como a maioria dos setores públicos da Albânia. Ajudamos com doações de remédios e equipamento sanitário para os hospitais. Especialmente no norte do país, que é a parte mais pobre, apoiamos 14 clínicas pediátricas para ajudar a lutar contra a desnutrição infantil. Obviamente, desde 1991, a situação econômica da Albânia melhorou, mas ainda existem muitas necessidades no setor sanitário e a população ainda sofre. Falta infraestrutura e ainda persistem os apagões e isso é muito difícil para as pessoas.
De alguma maneira parece haver um silêncio por parte da comunidade internacional sobre o país, a senhora percebe isso? Por que acha que essa situação existe?
Doro: Durante 40 anos era impossível saber algo sobre a Albânia. Agora a situação é certamente diferente. No geral, diria que os albaneses estão muito interessados em outros países e línguas, mas não existe reciprocidade nos europeus ocidentais e nos Estados Unidos. Os italianos, por exemplo, estão mal informados sobre a Albânia. Sua percepção se baseia nos primeiros albaneses que encontraram em 1991: pobres refugiados. Agora a situação é diferente. O albanês que emigra ao estrangeiro deveria contar com uma mudança de percepção na comunidade internacional e através do turismo. Existem lugares maravilhosos na Albânia.
Como a Igreja trabalha neste esforço de reconstrução do país?
Doro: A Igreja está fazendo um papel muito importante na Albânia. Tem ajudado na reconstrução da sociedade em termos de desenvolvimento humano e na comunicação do Evangelho. Isso começou no principio principalmente com a ajuda da Igreja universal. Muitos missionários – sacerdotes e religiosas – vieram da Itália, de Kosovo, Croácia e da Índia, Filipinas e Alemanha. Ajudaram a construir igrejas, escolas e clínicas. No início a Igreja se vu obrigada a atuar como uma administradora porque o Estado ou não estava presente ou era ineficaz. Acredito que a Igreja é um ponto de referência muito importante não somente para os católicos, mas para todos, incluindo aqueles que não possuem uma identidade religiosa clara, porque a Igreja é testemunha do amor cristão que é gratuidade, compaixão e amor, o que não é comum nessa sociedade.
As pessoas confiam muito na Igreja – porque viveram com ela durante tempos difíceis –, talvez mais que no Estado, não é mesmo?
Doro: Sim, confiam na Igreja e ela é muito respeitada não somente pelo Estado mas também por outras religiões porque a Igreja ajuda a todos sem distinção e as pessoas reconhecem isso.
Como é a relação entre muçulmanos e católicos na Albânia? Parece ser de harmonia absoluta?
Doro: Até agora sim. Os católicos visitam os muçulmanos durante suas festas e vice-versa. Agora existem alguns sinais de fraturas nas relações pelos acontecimentos internacionais e isso também se reflete na Albânia, mas, de modo geral, a relação é bastante boa e existem muitos casamentos entre ambos.

Fonte: Zenit.

Quando Madre Teresa me servia o café da manhã

Em muitas partes do mundo estão em curso manifestações em memória do centenário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá, celebrado em 26 de agosto. Grandes cerimônias estão sendo preparadas na Índia - país onde a Madre viveu a maior parte de sua existência terrena e onde está sepultada - e na Albânia, onde nasceu, mas inúmeras iniciativas de menor porte estão previstas nas paróquias e associações voluntárias de todo o mundo, organizadas principalmente pelos jovens, para lembrar esta figura extraordinária.
Ao lado de Padre Pio e João Paulo II, Madre Teresa foi uma das pessoas que marcaram profundamente a história do cristianismo de nosso tempo. Padre Pio, com a chama de sua altíssima experiência mística; João Paulo II, com o vento impetuoso de sua ação e suas constantes viagens apostólicas; Madre Teresa, com o amor, desprendido e absoluto, pelos mais necessitados. Seu exemplo e seus ensinamentos inspiraram crentes e não crentes, e permanecem vivos ainda hoje.
Todos os que conheceram Madre Teresa guardam lembranças extraordinárias. Especialmente aqueles que tiveram a oportunidade de viver próximos a ela. Mas também os jornalistas que dela se aproximaram em seu trabalho. Nós, jornalistas, graças à nossa profissão, nos vemos próximos de todo tipo de personagem. Por quarenta anos, fui enviado especial de grandes jornais, tendo a oportunidade de conhecer e entrevistar um incontável número de pessoas famosas: artistas, políticos, cientistas, atletas, divas do espetáculo, assassinos e santos.
Entre os “santos”, houve Padre Pio, Madre Teresa, João XXIII e outros, cujos processos de beatificação estão em curso, como João Paulo II, Giorgio La Pira, Marcello Candia, Frei Cecilio Cortinovis. Escrevi artigos e livros sobre todos eles; e de todos conservo recordações especiais, porque estas pessoas tinham um carisma irresistível, e uma vez tendo-os conhecido, é impossível esquecê-los. Representavam a vida em sua acepção essencial e eterna, transmitindo esperanças que ultrapassam as barreiras do tempo. Mas de todos eles, sem dúvidas minhas lembranças mais vívidas se referem à Madre Teresa.
Graças a uma série de estranhas coincidências, tive diversos encontros com ela, longas conversas, viagens de automóvel em sua companhia. Posso dizer que desenvolvi por ela um profundo afeto, e que ela demonstrava tal benevolência, que de minha parte considerava uma amizade – algo que eu, em minha vaidade superficial, por vezes tirei proveito, pedindo-lhe favores que eu mesmo julgava impossíveis, mas que a Madre, em sua infinita bondade, sempre encontrava um meio de me contentar.
Incrível. Estou certo de que todos aqueles que estiveram próximos de Madre Teresa puderam constatar sua amorosa disponibilidade. Era certamente uma grande santa, mas também uma mulher de uma sensibilidade deliciosa, de uma boa vontade tão grande que se sentia triste quando não conseguia atender a algum pedido.
Escrevi muitos artigos sobre Madre Teresa, e também alguns livros. Neste momento, para o centenário de seu nascimento, reuni em um pequeno volume, publicado pela Editrice Ancora, algumas memórias e, principalmente, algumas de suas palavras; não gostava muito de falar. Mas, quando o fazia, era fascinante em seu modo essencial e incisivo de expor seus pensamentos. Fala preferivelmente por meio de imagens; seus argumentos eram uma sequência de fatos que levava a uma conclusão inevitável.
O título de meu livro é “Madre Teresa me disse” (“Madre Teresa mi ha detto”); um título pretensioso. Talvez somente alguém que tivesse de fato vivido em Calcutá ao lado da irmã pudesse usar um título como esse, mas este não é meu caso. Conheci Madre Teresa, entrevistei-a em diversas ocasiões, e nada mais. Porém, como já disse, somente por sua benevolência, me sentia muito próximo a ela, e este título, “Madre Teresa me disse”, reflete de fato uma extraordinária realidade.
Em 1965, lendo um livro de Pier Paolo Pasolini, encontrei algumas linhas dedicadas à Madre Teresa, a quem o escritor havia conhecido durante uma de suas viagens à Índia. O fato de Pasolini ter sido tão profundamente tocado pela irmã atiçou minha curiosidade. Foi o primeiro contato. Passei a recolher informações, e cada novo dado minha curiosidade aumentava.
Decidi então que devia encontrar e entrevistar aquela freira; algo que só foi possível após uma espera de 15 anos. Mas não se tratou apenas de uma entrevista, e sim de uma série de encontros.
Os aspectos que mais me impressionaram de imediato foram sua enorme sensibilidade e sua bondade ilimitada. Eu era um jornalista com outro qualquer, na prática um incômodo que a fazia perder tempo; mas mesmo quando eu divagava em perguntas talvez inúteis e pouco pertinentes, jamais vi um mínimo sinal de desaprovação de sua parte.
Quando estava em Roma e pedia para vê-la, ela me recebia no convento no Celio, onde se encontra a Casa das Missionárias da Caridade, por ela fundada. Ela dizia: “Te aguardo amanhã de manhã, às cinco e meia”. Neste horário havia a missa reservada às irmãs, e a Madre desejava que, antes de falar comigo, nos uníssemos por alguns instantes em oração. Chegava sempre pontualmente e encontrava, à porta do convento, uma irmã que já me aguardava e então seguíamos para a capela. Participava da missa ao lado da Madre, que permanecia ajoelhada no chão, no fundo da capela; para mim, porém, ela pedia uma cadeira. Do lugar onde ficava podia observar todas as irmãs e também a Madre, que não fazia nada de especial; ficava encolhida de joelhos, concentrada em oração silenciosa, como se não existisse. Mas justamente daquela posição de anulação física, transmitia uma energia poderosa, despertando infinitas considerações que horas de conversa não seriam capazes de sugerir.
Após a missa, a irmã que me recebera me acompanhava até uma saleta no interior do convento, onde, infalivelmente, chegava Madre Teresa pouco depois, trazendo nas mãos uma bandeja com o café da manhã. Madre Teresa me servia o café; fazia questão de fazê-lo e não permitia que nenhuma outra irmã o fizesse. Na primeira vez, me senti embaraçado, e fiz menção de impedi-la, dizendo não estar com fome e nunca ter fome de manhã. Ela percebeu meu constrangimento, mas não havia como impedi-la; serviu-me com um comovente amor materno. Café, leite, marmelada, biscoitos. Aquela sua atenção falava mais que as entrevistas. Em seguida, após o café da manhã, ela me concedia seu tempo. Eu tomava minhas anotações com as perguntas, ligava meu gravador, e ela respondia.
Ouvindo novamente estas gravações, me dei conta de que algumas de minhas perguntas eram realmente estúpidas, inúteis e superficiais, mas ela respondia com calma, levando a conversa para temas importantes ou ressaltando, em determinados fatos, o aspecto no qual residia um ensinamento importante.
Como disse, quando passei a me sentir mais íntimo da Madre, pedi-lhe favores talvez pouco pertinentes à sua condição de religiosa.
Certa vez lhe perguntei se aceitaria ser madrinha em um batizado. No Natal de 1985, Al Bano (Albano Carrisi), o famoso cantor de Puglia, foi pai pela terceira vez: era uma menina, Cristel. Somos muito amigos, desde o início de sua carreira, e ele é padrinho de batismo de um de meus filhos. Em maio de 1986, Cristel já estava com cinco meses e ainda não havia sido batizada; sabia que Al Bano tinha uma sólida e concreta fé. Indaguei então por que ainda não havia batizado sua filha. Me respondeu que adiara a cerimônia de batismo porque não desejava que o rito religioso se transformasse num evento público, com fotógrafos e jornalistas, com ocorrera em seu casamento; queria uma cerimônia religiosa privada, e me pediu que o ajudasse a organizá-la, de preferência em Roma.
Falei então com o bispo eslovaco Dom Pavel Hnilica; uma pessoa extraordinária, também ele um santo, amigo pessoal de Madre Teresa; foi ele que me apresentou à irmã. Perguntei-lhe se poderia batizar a filha de um amigo, perguntando também se seria possível ter Madre Teresa como madrinha. “Não acredito que consiga”, disse o bispo, “mas te aconselho a pedir diretamente a ela; é uma mulher imprevisível”. A Madre estava em Roma. Me enchi de coragem e fiz o pedido; ela me fitou séria por um tempo, e em seguida disse: “Como religiosa, não posso assumir esta responsabilidade jurídica. Mas posso fazê-lo como madrinha espiritual”. E assim foi. O batismo foi celebrado na capela privada do bispo. Somente um fotógrafo estava presente, e as fotografias foram mais tarde distribuídas gratuitamente, sendo publicadas até no Japão.
Dois anos mais tarde, em agosto de 1988, alguns amigos me contaram uma história muito comovente. Um jovem casal de um país próximo ao Lago de Bracciano teve gêmeos quíntuplos. Como costuma ocorrer nestes casos, os bebês permaneceram um longo período na incubadora, e foram salvos graças ao grande amor de seus pais e ao empenho dos médicos. Quando finalmente deixaram o hospital, pensou-se logo nos batismos. “É preciso fazer uma grande festa”, diziam os amigos do casal. Um deles me pediu que organizasse algo que atraísse a atenção dos jornais. Pensei em Madre Teresa. Tinha a certeza que ela, ao saber da história, aceitaria. E assim se deu. A cerimônia foi realizada na antiga capela de Santa Maria di Galeria. Cada um dos cinco bebês tinha seu próprio padrinho, conforme estabelece a Igreja, mas todos tiveram Madre Teresa como sua “madrinha espiritual”. A Madre, embora tão atarefada, dedicou metade daquele dia ao batizado. Os jornais, naturalmente, cobriram o evento, publicaram fotografias e foi uma grande festa.
Quando penso na Madre, a imagem que me vem à mente é dela em oração. A primeira vez que viajei de automóvel em sua companhia, tive a honra de sentar-me ao seu lado. Íamos da Casilina, na periferia de Roma, onde há uma casa das “Missionárias da Caridade”, ao Vaticano, onde a Madre seria recebida pelo Papa.
O automóvel partiu em alta velocidade; estávamos atrasados, e não se podia fazer o Papa esperar. Madre Teresa olhava a paisagem pela janela; seu olhar era sereno. Após alguns minutos, pediu-me que a acompanhasse em suas orações. Fizemos o sinal da cruz, e ela, com um rosário nas mãos, iniciou as orações em voz baixa, recitando o “Pai Nosso” e a “Ave Maria” em latim. Nós orávamos com ela.
Enquanto o automóvel acelerava, nervoso, através do tráfego caótico e intenso, freando bruscamente e se precipitando perigosamente nas curvas; eu mantinha-me agarrado à manopla da porta. Madre Teresa, ao contrário, estava completamente absorta em suas orações e mal se dava conta do que ocorria.
Encolhida sobre seu assento, estava em diálogo com Deus. Seus olhos estavam semi-cerrados. Seu rosto rugoso, reclinado sobre o peito, estava transfigurado; parecia quase emitir luz. As palavras das orações saíam de seus lábios precisas, claras, lentas, quase como se se detivesse para saboreá-las uma a uma. Não tinha a cadência de uma fórmula continuamente repetida, e sim o frescor de uma conversa viva e apaixonada. Parecia realmente que a Madre se dirigia a uma presença invisível.
Certa lhe perguntei, de surpresa: “Tem medo de morrer?”. Estava em Roma por alguns dias e quis visitá-la antes de retornar a Milão. Ela me fitou por algum tempo, como se quisesse compreender a razão da minha pergunta. Pensei ter feito mal em mencionar o tema, e tentei mudar de assunto. “A senhora me parece descansada”, disse. “Ontem me parecia muito cansada”. “Durmi bem esta noite”, respondeu ela. “Nos últimos anos, a senhora sofreu cirurgias delicadas, como a do coração; deve se preservar, viajar menos”, disse. “É o que todos me dizem, mas devo pensar na obra que Jesus me confiou. Quando não servir mais, será Ele quem me fará parar”.
E, mudando de assunto, perguntou-me “Onde mora?”. “Em Milão”, respondi. “Quando volta para casa?”. “Espero que ainda esta noite. Quero tomar o último avião, para que amanhã, sábado, possa estar com minha família”. “Ah, vejo que está feliz em voltar para casa, para sua família”, disse-me sorrindo. “Estou fora há quase uma semana”, respondi para justificar meu entusiasmo. “É natural que esteja feliz. Vá encontrar sua esposa, suas crianças, sua casa. É certo que seja assim”.
Permaneceu em silêncio por alguns instantes e então, retomando a pergunta que havia feito, prosseguiu: “estarei feliz como você se pudesse dizer que morreria esta noite. Morrendo, irei para casa também eu. Irei ao paraíso. Irei me encontrar com Jesus. Consagrei minha vida a Jesus; ao tornar-me freira, tornei-me a esposa de Jesus. Veja, tenho neste dedo uma aliança, como as mulheres casadas; fui desposada por Jesus. Tudo o que faço aqui nesta terra, faço por amor a Ele. Assim, ao morrer, voltarei para casa. Para meu esposo. Além do mais, no paraíso, encontrarei todos os que me são caros. Milhares de pessoas morreram nos meus braços. Já são mais de quarenta anos dedicados aos doentes e moribundos. Eu e minhas irmãs recolhemos nas ruas, principalmente na Índia, milhares e milhares de pessoas prestes a morrer. Nós as trouxemos às nossas casas e as ajudamos a morrer serenamente. Muitas delas espiraram em meus braços, enquanto eu sorria para elas e acariciava seus rostos trêmulos. E quando morrer, reencontrarei todas estas pessoas. Lá, estão à minha espera. Quem saberá a festa que farão ao rever-me? Como poderia temer a morte? Eu a desejo, a aguardo, porque finalmente me possibilitará voltar para casa”.
Em geral, nas entrevistas ou nas conversas, Madre Teresa era concisa, dando resposta curtas e rápidas. Mas naquela ocasião, diante de minha estranha pergunta, ofereceu-me um verdadeiro discurso. E enquanto me dizia aquelas coisas, seus olhos brilhavam com uma serenidade e uma felicidade surpreendentes.

Fonte: Zenit.

A voz de quem reza une-se à da Igreja, diz Papa

“Quem reza nunca está sozinho”, porque sua voz une-se à da Igreja. Foi o que afirmou Bento XVI neste domingo, ao introduzir a oração do Angelus com os peregrinos, no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.
Referindo-se ao Evangelho deste dia, em que Jesus ensina aos seus discípulos a oração do Pai Nosso, o Papa destacou que se trata das “primeiras palavras da Sagrada Escritura que aprendemos desde crianças”. Palavras que “se imprimem na memória, moldam nossa vida, acompanham até o último suspiro”.
O Pai Nosso revela “que nós não somos filhos de Deus de maneira já completa, mas que devemos nos tornar seus filhos e sê-lo sempre mais mediante uma comunhão mais profunda com Jesus. Ser filhos se torna o equivalente a seguir Cristo”.
“Esta oração também acolhe e exprime as necessidades humanas materiais e espirituais: ‘dá-nos, a cada dia, o pão cotidiano, e perdoa-nos os nossos pecados’. E precisamente pelas necessidades e dificuldades de cada dia, Jesus exorta com vigor: ‘portanto, eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta. Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta será aberta’”.
Segundo o Papa, não se trata de “um pedido para satisfazer os próprios desejos, mas sim para manter viva a amizade com Deus, que – diz sempre o Evangelho – dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem”.
“Sempre que rezamos o Pai Nosso, a nossa voz se une à da Igreja, porque quem reza nunca está sozinho. Cada fiel deverá buscar e encontrará na oração cristã o próprio caminho, o próprio modo de rezar, e se deixará conduzir pelo Espírito Santo, que o levará, por meio de Cristo, ao Pai”, disse o Papa.
Ao encerrar o Angelus, Bento XVI dirigiu-se aos peregrinos de língua portuguesa, quando saudou “especialmente o grupo de brasileiros vindos da diocese de Blumenau”.

Fonte: Zenit.

López Barahona: “A clonagem humana é utilitarista e antinatural”

No dia 22 de junho, o Papa renovou o conselho diretivo da Academia Pontifícia para a Vida, nomeando quatro membros: o bispo auxiliar de Santiago do Chile, Dom Fernando Natalio Comalí Garib, e os professores Mounir Abdel Messih Shehata Farag (Egito), John Hass (Estados Unidos) e Mónica López Barahona (Espanha).
O conselho diretivo da Academia Pontifícia para a Vida é renovado a cada cinco anos, e o Papa e o presidente da Academia delegam a ele determinadas questões.
ZENIT entrevistou um dos novos membros, a espanhola Mónica López Barahona, professora de Oncologia molecular e Bioética na Universidade Francisco de Victoria e diretora geral da acadêmica do Centro de Estudos Biosanitários e da Cátedra de Bioética Jérôme Lejeune.
Na entrevista, a doutora, membro da Academia Pontifícia para a Vida desde 2006, oferece as razões pelas quais a ciência explica que a vida humana começa a partir da fecundação e destaca os principais avanços e ameaças atuais a respeito da vida humana.
ZENIT: Em sua opinião, quais são os principais avanços alcançados na defesa da vida humana?
Mónica López Barahona: A verdade é que são muitos. Eu talvez destacaria que hoje em dia a ciência fornece, a partir de diferentes áreas de conhecimento (Biologia Celular, Genética Molecular, Embrionária), dados inequívocos sobre a existência da vida humana a partir do momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo.
Sabemos também que desde a primeira divisão celular há um compromisso de diferenciação em cada um dos blastômeros que permite diferenciar um do outro.
Foram definidos com parâmetros biomédicos a morte e foi constatado que as células-tronco embrionárias não são uma alternativa terapêutica.
São somente alguns dos grandes marcos dos quais a última década foi testemunho.
ZENIT: Pode ser demonstrado cientificamente que a vida humana começa com a fecundação?
Mónica López Barahona: Sim. A biologia celular define a célula como unidade de vida, e pela genética molecular sabemos que existem no genoma humano ao menos 7 mil sequências ALU específicas da espécie humana.
Portanto, diante de um zigoto humano ou embrião unicelular, pelo fato de ser uma célula, nós nos encontramos frente a uma unidade de vida e por possuir em seu genoma estas sequências ALU, trata-se de vida humana.
Esta afirmação correta para o zigoto, seria também certa para outro tipo celular. Agora, o zigoto é a única célula que contém em si (de modo em que possa conter um organismo unicelular) todas e cada uma das estruturas que configuram o indivíduo da espécie humana.
De fato, se permitir seu desenvolvimento, durante as 42 semanas que dura a gestão na espécie humana, estas estruturas irão se manifestar em tempo e forma.
Isso só ocorre com o zigoto, já que somente ele é um indivíduo da espécie humana em estado unicelular.
Se for transferido ao útero de uma mulher, uma célula epitelial ou renal, as estruturas não iriam se manifestar em tempo e forma que configuram o indivíduo da espécie humana, apesar de que tal célula epitelial ou renal contém o mesmo genoma que contém o zigoto do qual surgiu.
ZENIT: Em que momento ou com quais critérios se considera hoje que a vida humana chega ao seu fim?
Mónica López Barhona: O critério aceito cientificamente para considerar que a vida chegou ao fim é critério da morte cerebral.
ZENIT: Quais esperanças podemos ter nas células-tronco adultas e nas células-tronco embrionárias?
Mónica López Barahona: Na data de hoje, julho de 2010, existem mais de 2.900 ensaios clínicos com células-tronco adultas e nenhuma com células-tronco embrionárias.
Estes dados contidos no site www.clinicaltrials.gov manifesta que as células tronco embrionárias não são uma alternativa terapêutica para as patologia; as adultas são.
Além disso, deve-se sempre ser levado em consideração que a obtenção das células-tronco embrionárias leva à morte do embrião, enquanto a obtenção de células-tronco adultas não causa morte direta de forma alguma.
ZENIT: Deveriam pedir às mães para guardar seu cordão umbilical?
Mónica López Barahona: O cordão umbilical é um material biológico que tem um verdadeiro presente terapêutico e um futuro cheio de possibilidades, um material biológico que não deveria ser descartado.
ZENIT: Quais são as principais ameaças e atentados contra a vida humana na atualidade?
Mónica Lopez Barahona: O aborto, a fecundação in vitro, a utilização de embriões para pesquisa, o diagnóstico pré-natal e pré-implante e a eutanásia.
ZENIT: Quais soluções poderiam ser oferecidas ao problema dos milhares de embriões congelados?
Mónica López Barahona: Só há duas alternativas que respeitam a vida do embrião; ambas entram em âmbito de mal menor, pois houve uma desordem moral prévia que levou a congelar uma vida humana.
As únicas alternativas compatíveis a respeito da vida do embrião são: mantendo-os congelados por tempo indefinido até que eventualmente morram de “morte natural”; ou descongelá-los para transferi-los aos úteros de mulheres que desejam engravidar, alternativa que pode ser chamada de “adoção pré-natal”.
Esta segunda opção entende a vida como bem primário e busca seu desenvolvimento; para colocá-la em prática é necessário abordar muitas questões relacionadas e garantir que se ofereça como solução ao problema já apresentado, com a garantia de que no futuro não sejam gerados mais embriões para congelar.
ZENIT: Existem números concretos de quantos embriões congelados pode haver neste momento no mundo?
Mónica López Barahona: Os números não são rigorosos, nem em nível mundial, nem em cada país. Por exemplo, na Espanha não sabemos quantos embriões congelados existem.
ZENIT: Cada vez mais é facilitado o acesso à pílula abortiva. Que consequências têm sua utilização no organismo da mulher?
Mónica López Barahona: Pode ter consequências muito graves, pois está sendo oferecida como um método anticoncepcional a mais, e a pílula abortiva não é só anticoncepcional, já que se a concepção já foi produzida; provoca o aborto do embrião.
Trata-se de expor a mulher a uma administração não-fisiológica de hormônios e a potenciais hemorragias incontroláveis e nem sempre no contexto de um hospital ou centro de saúde. Ambas as coisas supõem um risco para a mulher e causam morte do embrião.
ZENIT: É possível fazer clonagem humana hoje? Que problemas existem?
Mónica López Barahona: A clonagem humana levanta vários problemas éticos: a geração de uma vida humana in vitro, geração da mesma sem contribuição do espermatozóide, seleção do genoma de um indivíduo humano no caso da denominada “clonagem terapêutica” para que este seja compatível com outro doente e o impedimento da recombinação genética natural em um processo de fecundação com intervenção dos gametas no caso da denominada “clonagem reprodutiva”.
Enfim, é uma prática utilitarista e antinatural.
Até hoje não há dados publicados sobre a clonagem humana reprodutiva e sim tentativas de clonagem humana “terapêutica”, nas quais o embrião gerado não foi desenvolvido ou não foi permitido seu desenvolvimento até fases avançadas do desenvolvimento embrionário.
ZENIT: Que significado tem sua nomeação na Academia Pontifícia para a Vida?
Mónica López Barahona: A academia tem um conselho diretivo que se renova a cada cinco anos, no qual o presidente e o Santo Padre delegam as questões que consideram adequadas. Espero poder ser um instrumento fiel ao serviço da Igreja por meio deste Conselho Diretivo da Academia da Vida. A tarefa está dividida por outros quatro membros escolhidos, todos eles pessoas de grande dimensão humana, intelectual e científica.
ZENIT: Como se dá, na prática, a assessoria dos especialistas à Santa Sé?
Mónica López Barahona: Na Academia Pontifícia para a Vida, normalmente se constituem grupos multidisciplinares de trabalho para estudar temas concretos vinculados a diferentes áreas da Bioética. O presidente convoca os que considera adequados para participar nos mesmos.
ZENIT: Como recebeu a nomeação?
Mónica López Barahona: Surpreendeu-me muito, muitíssimo mesmo. Após a recepção da nomeação, surgiu em mim uma profunda gratidão ao Santo Padre e ao presidente da Academia pela confiança que colocaram em mim. Pensei na certeza da disponibilidade que nós leigos devemos ter ao serviço da Igreja e... rezei, rezei e continuo rezando. Peço ao Senhor que me ajude a ser um instrumento fiel a sua vontade neste conselho diretivo.

Fonte: Zenit.