domingo, 7 de fevereiro de 2016

Carnaval e Igreja: isso dá samba?

Em primeiro lugar precisamos esclarecer uma coisa muito importante: o ser humano sempre gostou de festejar a vida, agradecendo pela vida e pelas coisas boas que recebia. Já entre os gregos, nos tempos antigos, existia uma festa muita parecida com o carnaval. Eram as festas dionisíacas, ou seja, festas feitas em honra ao deus pagão dionísio, que era deus do vinho.
Nestas festas as pessoas se divertiam e chegavam ao exagero da embriaguez! Mas ninguém se culpava por isso, pois este era o espírito desta festa.
Há quem diga que o Carnaval de hoje em dia tem suas raízes nestas festas antigas. Assim, a Igreja Católica, quando nasceu, já encontrou entre os homens estes tipos de comemorações. Obviamente os cristãos diziam não aos exageros, tanto de bebidas, quanto de algazarras e libertinagem sexual. Para o cristão a verdadeira festa era a celebração da Vida de Jesus, e não momentos passageiros de euforia.
A palavra carnaval parece ter origem cristã e significa “adeus carne”, ou seja, a festa do Carnaval acontecia sempre antes do inicio da Quaresma, momento onde era proibido comer carne. Assim, antes de começar o jejum, as pessoas aproveitavam para saciar a vontade seus apetites. Daí por que falamos que a terça-feira de carnaval é a terça-feira gorda!
Hoje em dia os cristão certamente brincam carnaval! Existem até os chamados “carnaval com Jesus” pelas comunidades do Brasil. O que a Igreja ensina, exorta e pede com insistência: cuidado com os exageros! Tudo o que é demais prejudica. Ninguém deve ser proibido de pular carnaval, mas quando existe excessos de bebidas, drogas, libertinagem sexual não existe presença de Deus.
Todo cuidado é pouco. É bom saber que é possível divertir sem pecar! Além do mais, o carnaval já tornou-se uma festa folclórica, ou seja, já faz parte da vida cultural do nosso país. Enfim, vamos alegrar e festejar, mas sem prejudicar nós mesmos nem o próximo. Não faça do carnaval uma festa da qual você tenha depois arrependimentos. Faça do carnaval uma página feliz de seu ano!

Pe. Evaldo César Souza
Domtotal.com.br

sábado, 6 de fevereiro de 2016

“Peçamos ao Senhor a graça da humildade que tinha João”

Nesta sexta-feira, Francisco convidou a seguir o exemplo do “homem maior nascido de uma mulher”
O ” o estilo de Deus não é o estilo do homem” porque “Deus vence” com humildade, como evidenciado pelo maior dos profetas, João Batista, que preparou o caminho para Cristo e depois partiu, explicou o Papa Francisco em sua homilia na missa matutina em Santa Marta.
O “maior homem”, o “justo e santo”, que tinha preparado a vinda do Messias acaba decapitado no escuro de uma cela, sozinho, condenado pelo ódio vingativo de uma rainha.
Refletindo sobre esta figura, o Santo Padre explicou que este é “o maior homem nascido de uma mulher”, como diz a fórmula da canonização de João. Mas esta fórmula não a disse um Papa, disse-a Jesus. Aquele “homem maior homem nascido de mulher”. “O santo maior, foi assim que Jesus o canonizou”.
Francisco também recordou que João terminou no cárcere, degolado, e a sua última frase foi quase uma renúncia. ‘Os discípulos de João, ao saberem do fato, pegaram o corpo e o colocaram no sepulcro’. Assim terminou “o maior homem nascido de uma mulher, um grande profeta, o último dos profetas, o único a quem foi concedido de ver a esperança de Israel”.
Francisco não se deteve nas provas do Evangelho, mas tentou entrar no cárcere de João, para decifrar a voz de sua alma, a alma de um homem que gritou no deserto e batizou multidões no nome daquele que deve vir, e que, no entanto, está acorrentado aos ferros de sua prisão, mas também a alguma incerteza, apesar de tudo.
A este respeito, ele afirmou que João sofreu também “a tortura interior da dúvida: talvez, eu estivesse errado?” Este Messias não é como eu imaginava que devia ser o Messias… ‘. E ele enviou seus discípulos para perguntar a Jesus: ‘Mas, diga, diga a verdade: és Tu quem deve vir?’, porque aquela dúvida lhe fazia sofrer. “Eu cometi um erro ao anunciar alguém que não é? Eu enganei as pessoas?’. O sofrimento, a solidão interior deste homem”.
Para concluir a homilia, o Santo Padre repetiu “diminuir, diminuir, diminuir”, assim foi a vida de João. “Um grande que não procurou a própria glória, mas a de Deus” e que termina “de modo prosaico, no anonimato”. Mas, com essa atitude, explicou Francisco, preparou o caminho para Jesus, que da mesma forma, “morreu em agonia, sozinho e sem os discípulos”.
Por fim, o Papa disse que faria bem ler esta passagem do Evangelho, o Evangelho de Marcos, capítulo VI. “Ler esta passagem, para ver como Deus vence: o estilo de Deus não é o estilo do homem. Peça ao Senhor a graça da humildade que tinha João, e não atribuir os méritos ou glórias de outros. E acima de tudo, a graça de que na nossa vida haja sempre o lugar, para que Jesus cresça e que diminuamos, até o fim”, concluiu o Papa.
Fonte: Zenit.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Cardeal Tagle: “Basta 1 real por dia para salvar 25 mil crianças da fome”

Basta 1 real por dia (20 centavos de euro) para salvar 25 mil crianças da fome. “Com o jejum quaresmal, no Jubileu da Misericórdia, podemos realmente fazer a diferença. É um ato concreto da caridade. Pratiquemos o chamado do papa Francisco à misericórdia”, escreveu o arcebispo de Manila, cardeal Luis Antonio Tagle, aos fiéis da capital das Filipinas em sua carta pastoral para a Quarta-Feira de Cinzas, 10 de fevereiro. O apelo do cardeal, explica a agência AsiaNews, faz parte de um programa mais amplo, que, há anos, é o pilar caritativo da arquidiocese: o Pondo ng Pinoy.
Instituído em 2004 pelo então arcebispo de Manila, cardeal Gaudencio Rosales, o programa tem dado os filipinos a oportunidade de pôr-se à disposição da forma mais simples possível. Segundo relatos de 2012-2013, o programa levantou 15,8 milhões de pesos filipinos (cerca de 280 mil euros ou 1,2 milhão de reais). A maioria das doações veio das paróquias da região metropolitana de Manila.
Este ano, escreve o cardeal Tagle, o objetivo “é melhorar a vida de 25 mil crianças”. No ano passado, as doações coletadas durante a Quaresma conseguiram atender às necessidades de 21 mil menores, não somente no tocante à comida, mas também à educação básica e ao vestuário. As doações podem ser entregues em vários pontos de coleta presentes em todas as paróquias, durante todo o horário comercial e também nos horários de missas.
Fonte: Zenit.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

“Ai do cristalizar os carismas em doutrinas abstratas”. Francisco encerrou o Ano da Vida Consagrada

“Ai do costume na vida espiritual; ai do cristalizar os nossos carismas em uma doutrina abstrata: os carismas dos fundadores não são para trancar em garrafas, não são peças de museu”. Com efeito, deve-se “fazer escolhas proféticas e corajosas”, seguindo o exemplo de seus fundadores que “não tiveram medo de sujar-se as mãos com a vida cotidiana e os problemas das pessoas”.
Nessas poucas linhas se resume o mandato que o Papa Francisco confiou a sacerdotes, freiras, religiosos e religiosas na conclusão do Ano da Vida Consagrada. Um ano – diz o Pontífice na Missa na Basílica de São Pedro – “vivido com muito entusiasmo” e que agora “como um rio, deságua no mar da misericórdia, neste imenso mistério de amor que estamos experimentando com o Jubileu extraordinário”.
No final destes doze meses encontramos um ícone, diz o Papa, “um fato simples, humilde e grande”: Jesus levado por Maria e José ao templo de Jerusalém. “Uma criança como tantas, como todos”, mas que é “única”, “O Unigênito vindo por todos” para levar “a misericórdia e a ternura de Deus”.
“No templo Jesus vem a nós e nós vamos a Ele”, destacou o Santo Padre na festa de ontem, que, no Oriente é chamada de festa do encontro. No Evangelho de hoje, Cristo encontra Simeão e Ana que representam “a espera e a profecia”, enquanto Ele “é a novidade e o cumprimento”. Jesus – explicou o Papa – “se apresenta a nós como a perene surpresa de Deus; nesta criança nascida por todos se encontram o passado, feito de memória e de promessa, e o futuro, repleto de esperança”. E nisso podemos ver “o começo da vida consagrada”, porque consagrados e consagradas são chamados, principalmente, a ser homens e mulheres do encontro”.
“A vocação – reitera o Papa – não começa com um projeto pessoal ‘planeja’, mas por uma graça do Senhor que nos alcança, através de um encontro que muda a vida”, que não te permite “permanecer igual que antes”. Quem vive este encontro “se torna testemunha e faz possível o encontro aos outros”; e se faz também “promotor da cultura do encontro, evitando a auto referencialidade que nos faz permanecer fechados em nós mesmos”.
O exemplo é sempre Cristo, que não hesitou em partilhar a nossa condição humana. “Jesus não nos salvou ‘de fora’, não ficou fora do nosso drama, mas quis compartilhar a nossa vida”, observou Francisco. O mesmo os consagrados e consagradas “são chamados a serem sinais concretos e proféticos desta proximidade de Deus, desta partilha com a condição de fragilidade, de pecado e de feridas do homem do nosso tempo”.
Todas as formas de vida consagrada, sem exceção, e cada uma de acordo com suas características, devem, portanto, estar “em estado permanente de missão”, compartilhando “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, dos pobres especialmente e de todos aqueles que sofrem”.
Além disso, o Papa indica um outra virtude: a maravilha. Nós, cristãos, “somos guardiões” de tal maravilha que – observa – “pede para ser sempre renovada”. Os fundadores das várias ordens religiosas o fizeram, “sujando-se com a vida cotidiana, com os problemas das pessoas”, e “percorrendo com coragem as periferias geográficas e existenciais”.
Eles “não pararam diante de obstáculos e incompreensões dos outros, porque mantiveram no coração a maravilha do encontro com Cristo. Não domesticaram a graça do Evangelho; sempre tiveram no coração uma saudável preocupação pelo Senhor, um desejo pungente de leva-lo aos demais”.
“Também nós somos chamados hoje a fazer escolhas proféticas e corajosas”, reiterou Bergoglio. E concluiu exortando a viver também a gratidão: “pelo encontro com Jesus e pelo dom da vocação à vida consagrada”. “Como é belo – observa o Papa – quando encontramos o rosto feliz de pessoas consagradas, talvez já idosas como Simeão ou Ana, felizes e cheios de gratidão pela própria vocação”.
Três são, portanto, as perspectivas que se abrem para os consagrados na conclusão do Ano dedicado a eles: “Aumentar em cada um o desejo do encontro, a guarda da maravilha e a alegria da gratidão”. Então – garante o Papa Francisco – “outros serão atraídos pela sua luz, e poderão encontrar a misericórdia do Pai”.
No fim da Missa, o Santo Padre reservou um agradável surpresa para todos os presentes na celebração, encontrando-os no átrio da Basílica para uma breve saudação. Um gesto inesperado, durante o qual Bergoglio quis agradecer aos presentes pela sua missão, pelo seu serviço e pelo seu trabalho, convidando-os a “continuar a trabalhar sempre…”. O Papa também pediu aos presentes para não esquecerem nunca da beleza do primeiro chamado, e de fazê-lo com simplicidade e lealdade, sem nunca cansar-se, mas olhando adiante com esperança. Todos juntos, antes de concluir, rezaram uma Ave Maria.
Fonte: Zenit.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

V Domingo do Tempo Comum

Textos: Is 6, 1-2a. 3-8; 1 Co 15, 1-11; Lc 5, 1-11
Ideia principal: A vocação, ou seja, o chamado de Jesus para segui-lo.
Síntese da mensagem: Continuamos com o ministério de Jesus em Galileia. Agora, com a vocação dos seus primeiros discípulos, junto do lago de Tiberíades e a pronta resposta da dupla de irmãos. Como preparação desta cena lemos na primeira leitura a vocação profética de Isaias. Hoje somos convidados a refletir no sentido da vocação na vida de todo cristão.
Pontos da ideia principal:
 Em primeiro lugarDeus chama alguns para a vida consagrada ou sacerdotal. Quem chama? Deus nosso Senhor e Pai. Através de que ou de quem chama? Através de causas segundas: um sacerdote, um amigo, uma leitura, um acidente, um retiro, uma decepção. E quem chama? Homens e mulheres normais, com virtudes e defeitos, mas que sentem no seu coração um chamado especial a dar a vida e energias a Deus mediante uma especial consagração. Para que chama? Para se consagrar a Cristo no corpo e na alma, já seja como sacerdote, ou freira, ou religioso ou consagrado laico. Por que chama? Porque Deus é livre e chama quem Ele quer por amor e liberdade; não se viu obrigado a nos escolher por ser bons; nem sequer os nossos pecados impediram que Ele nos elegesse. Para que chama? Para esta com Ele, estabelecer uma intimidade com Ele, conhecer os segredos do seu coração, e depois para ir e pregar e levar o seu nome e a sua mensagem de salvação a todas as partes do mundo. Onde chama? Uns chama na paróquia, outros no colégio ou na universidade, outros num hospital, e quem sabe se também através de sonhos ou depois de ter caído no posso escuro e lôbrego do pecado. Como chama? Com um grande respeito da nossa liberdade, mas com muito amor e confiança; às vezes com insistência, outras, suavemente. O que pede? Deixar tudo e segui-lo, confiantes em Cristo que nos chama. O que oferece? Aqui na terra, a sua amizade e companhia, a sua graça e consolo; e depois, a vida eterna. Qual deveria ser a resposta desse homem e dessa mulher? A mesma dos profetas, apóstolos e tantos homens e mulheres de todos os séculos. “Eis-me aqui. O que queres de mim? Manda-me”. Por que alguns e algumas dão negativas a Deus? Por causa do mistério da liberdade, porque para eles é custoso deixar tudo, como aconteceu com esse jovem rico, portanto, por apego a este mundo e as suas vaidades.
 Em segundo lugarDeus chama outros para a vida matrimonial. Já escutamos tantas reflexões que os bispos pronunciaram durante o Sínodo da família. O matrimônio é um dom e um presente que Deus concede a uns homens e mulheres para ser sacramento do amor de Cristo com a sua Igreja, para ser sinais do amor esponsal de Cristo com a Igreja, para prolongar o amor fecundo de Deus em outros seres queridos, os filhos, trazidos ao banquete da vida por amor e no amor. Nesse matrimônio não pode faltar nunca o vinho do amor, como aconteceu em Caná; e quando as talhas seja ameaçadas de ficar vazias, imploremos a Maria que interceda diante do seu Filho por esses matrimônios tentados, em crise, desajustados e em dificuldades normais, provocados por algum dos cônjuges e permitidos por Deus para amadurecerem na sua entrega. Na vocação matrimonial também esposa e esposa e filhos estão chamados à santidade de vida, vivendo na fidelidade e na educação humana e cristã dos filhos, os quais Deus lhes presenteou. Por isso, urge reconquistar as práticas de piedade em família, como foi falado no Sínodo: missa dominical, oração antes das refeições, a reza do terço. O mundo quer ver hoje essas “igrejas domesticas” onde reina a união, a harmonia, a estima mútua. São já antessalas do céu. E os filhos aprenderão o valor da família. E como diz o padre Zezinho: “…e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai. Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor, e que os filhos conheçam a força que brota do amor. Abençoa, Senhor, as famílias. Amém”.
 Finalmentetambém tem um terceiro grupo que Deus chama para uma vida de solteiros dedicados a uma causa nobre e digna, não por covardia nem por medo a uma vida matrimonial ou consagrada. É um fato que Deus não quer “solteirões”- basta reler o livro do Gênese-, mas pode pedir para alguns a vida de solteiro para se dedicar a uma missão específica que pede também a entrega de todo o ser e todas as energias. Aqui não estamos falando de quem tem alguma incapacidade permitida por Deus; já é bastante a cruz que leva em cima. Estamos falando dos que estão no seu são juízo e com boa saúde. É lindo ver um filho ou uma filha cuidando do seu pai ou da sua mãe doentes. Edificante contemplar essa pessoa dedicada 24 horas a esses próximos que estão no hospital. Ou aquele professor ou professora felizes, direcionados completamente ao ensino dos meninos e das meninas nas escolas do interior ou nos colégios da cidade. Muito mérito tem também quem se consagra aos anciãos nos asilos ou geriátricos. Todas estas são causas nobres e dignas que exigem a totalidade da vida e das forças. Detrás destas vocações se esconde a força do amor, pois “se não tiver amor, não sou nada” (2 leitura).
Para refletir: Já descobri a vocação de Deus na minha vida? O que estou esperando para dar-lhe uma resposta com prontidão e amor? O que vou perder se deixar tudo e segui-lo? O que vou ganhar? Meditemos estas palavras de Santo Tomás: “Os que Deus escolhe para uma missão, dispõe-los e prepara de maneira que resultem idôneos para desempenhar a missão para a qual foram escolhidos” (Suma Teológica, 3, q.27, a. 4c).
Para rezar: Entoemos a famosa canção de Cesáreo Garabain:
Senhor, Tu me olhaste nos olhos,
A sorrir pronunciaste meu nome.
Lá na praia eu larguei o meu barco:
Junto a Ti buscarei outro mar.
Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A ilha grega de Creta acolherá o Santo e Grande Concílio Pan-Ortodoxo

O denominado Santo e Grande Concílio Pan-Ortodoxo acontecerá na Academia Ortodoxa de Creta, de 16 a 27 de junho. A decisão é dos primazes das Igrejas ortodoxas autocéfalas, reunidos no Centro Ortodoxo de Chambésy, Suíça, de 21 a 28 de janeiro, a convite do patriarca ecumênico Bartolomeu I.
O Concílio Pan-Ortodoxo não é convocado há mais de mil anos. O comunicado final enumera os temas aprovados oficialmente para a histórica reunião, que abordará a diáspora ortodoxa, a missão da Igreja ortodoxa no mundo contemporâneo, o sacramento do matrimônio e seus impedimentos, a importância do jejum e sua observância hoje, bem como as relações das Igrejas ortodoxas com outras confissões cristãs.
Em Chambésy, todos os participantes autorizaram a participação de observadores não ortodoxos durante as sessões de abertura e encerramento do Santo e Grande Concílio. Será criada também uma secretaria pan-ortodoxa.
Por fim, os primazes das Igrejas ortodoxas expressaram apoio aos cristãos perseguidos no Oriente Médio e manifestaram sua preocupação constante com os metropolitas de Aleppo sequestrados em abril de 2013, o greco-ortodoxo Boulos Yazigi e o siro-ortodoxo Mar Gregórios Yohanna Ibrahim.
O encontro em Chambésy tinha sido convocado para definir os textos, regulamento e funcionamento da cúpula pan-ortodoxa, que, inicialmente, seria celebrada na antiga catedral de Santa Irene, em Istambul, mas foi transferido devido às tensões internacionais entre a Turquia e a Rússia.
Creta, ilha grega sob a jurisdição eclesiástica do Patriarcado de Constantinopla, foi escolhida porque oferece condições logísticas mais favoráveis e porque já sediou outras conferências teológicas no passado.
Fonte: Zenit.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Deus ou investimento de renda fixa?

Ultimamente, tenho ficado impressionada com uma certa atitude conhecida por alguns como “teoria” ou mesmo “teologia retributiva” no relacionamento com Deus, também entre os católicos. A cada pregação, nos mais diversos locais do Brasil – nos outros países não sinto tão forte este fenômeno – alguém apresenta, de uma forma ou de outra, a seguinte pergunta: “Mas porque aconteceu isso comigo se eu procuro fazer tudo o que Deus quer?” e, a seguir, descreve como vai à missa e reza o terço diariamente, como socorre os pobres, como vai regularmente às reuniões da paróquia, como se confessa uma vez por mês, etc.
Outros, que enfrentam, como a quase totalidade dos brasileiros, desafios financeiros, colocam as coisas mais claramente: “Mas, porque é que eu estou com dificuldades se eu sou fiel ao dízimo todos os meses? A Bíblia não promete que se eu for fiel ao tributo do templo Deus vai ser fiel a mim?” Há ainda aqueles que, servindo a Deus com alegria e fidelidade na paróquia, grupos, encontros, comunidades, espantam-se e sentem-se inseguros quando morre um parente, a filha solteira engravida, o filho entra na droga, o cônjuge adultera, os familiares abandonam a Igreja: “Mas eu cuidei das coisas de Deus confiando que ele cuidaria das minhas! Como é que isso pode ter acontecido?” Ao grupo de decepcionados com as “atitudes” de Deus, somam-se os que exclamam, ressentidos: “Mas eu entreguei toda a minha vida a Deus! Consagrei-me a Ele! Por que Ele não me liberta deste pecado? Por que ainda tenho este vício? Por que ainda convivo com esta fobia? Por que continuo deprimido? O que me falta ainda dar a Deus? Você acha que é minha pouca fé?”
Cada vez que ouço algo parecido me vem uma lembrança e uma perplexidade. A lembrança é a de Maria, aos pés da cruz de Jesus, sustentada pela caridade que a une ao Filho, pela fé de que Deus é sempre amor e pela esperança da ressurreição que Ele prometera. A perplexidade refere-se ao tipo de formação que talvez alguns tenham recebido. Terá ela sido verdadeiramente católica, ou traz resquícios da tal teologia retributiva que reduz nosso relacionamento com Deus ao “dai-e-dar-se-vos-á”, típico de algumas visões não católicas? Será que estamos ensinando que tudo o que damos a Deus e o que “fazemos por Ele” tem como base essencial a gratuidade do amor? Será que estamos ensinando que o amor é, por essência, gratuito e que, ao nos entregarmos a Deus, ao servi-Lo, ao devolver o tributo, ao nos consagrarmos não temos nenhuma garantia de que as coisas vão ser como queremos ou pensamos que seriam? Será que deixamos claro que Deus, longe de ser um investimento de renda fixa, com retorno garantido, é Amor que corre todos os riscos por nós? Será que ensinamos que Deus não dá nenhuma garantia de retorno como nós pensamos que Ele deveria dar?
Ou, talvez, estejamos ensinando – e crendo! – que, se eu der dinheiro à paróquia Deus me dará o dobro; se eu servir à Igreja, Deus me servirá; se eu fizer tudo “certinho” Deus vai fazer com que tudo dê “certo” comigo e com os meus; se eu consagrar minha vida a Deus, tenho garantia de libertação e santidade, em uma negociação infindável de fazer inveja ao título mais promissor do mercado…
Ao olhar a vida dos santos, de Maria e do próprio Jesus, qualquer um ficaria facilmente desencantado com as ideias retributivas que empeçonham a mente de um católico, impedindo-o de ter a mente de Cristo. Tome-se, por exemplo, São Paulo: perseguições, apedrejamentos, naufrágios, falatórios, julgamentos, calúnias, prisões e morte. São Pedro não será muito diferente! Nem Jesus. Nem Maria. Nem Madre Teresa de Calcutá. Nem João Paulo II.
Alguém tem que voltar a ensinar que o amor a Deus, para ser amor, precisa ser absolutamente gratuito, sem nenhuma garantia de retorno. Pelo menos, não na nossa moeda, não na nossa medida.  O “dai e dar-se-vos-á”, a “medida boa, cheia, recalcada, transbordante” são um outro câmbio, uma outra moeda, a moeda do céu, que é sempre amor.
Maria Emmir Oquendo Nogueira
Cofundadora da Comunidade Católica Shalom
em “Entrelinhas” da Revista Shalom Maná