terça-feira, 8 de maio de 2012

A capital jovem acolhe os símbolos da juventude

“Os filhos de Palmas são todos jovens”, lembrou o arcebispo dom Pedro Brito. A cidade, mais nova capital do País, tem apenas 23 anos e um grande número de estudantes do interior do estado em 10 universidades. Segundo dom Pedro, os principais desafios para a evangelização da juventude da arquidiocese são o tamanho da diocese e a dispersão da população, a falta de grupos de jovens paroquiais, a grande quantidade de jovens envolvidos com drogas e a presença de muitas seitas evangélicas. “Quando era seminarista em Roma, vi a cruz ser entregue aos jovens pelo papa João Paulo II e, agora, ela veio encontrar a juventude de Palmas”, disse o arcebispo, na missa de acolhida dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) na Fazenda da Esperança. Para Maria Isabel, que faz parte dos jovens escoteiros, a fé católica está em processo de construção em Palmas. “São jovens de várias culturas, nem sempre preparados na fé, que chegam aqui e conseguem um aprofundamento.” O Setor Juventude, na opinião dela, tem um grande papel no crescimento da fé juvenil. “Estamos unindo grupos que não se conheciam e um dos exemplos foi a organização do Bote Fé”, disse a jovem. Fonte: Zenit.

O Cristianismo na encruzilhada do Oriente Médio

Mark Riedemann, para "Deus chora na Terra" em cooperação com a Fundação pontificia internacional Ajuda a Igreja que sofre , entrevistou o sacerdote Samir Khalil Samir, SJ, professor de História da Cultura Árabe e Estudos Islâmicos e especialista em diálogo inter-religioso em Roma e em Beirute. Gostaria de dar uma idéia da situação dos cristãos no Oriente Médio. De que número estamos falando? - Pe. Khalil: Eu diria que são cerca de 16 milhões. O maior número está no Egito, de 8 a 10 milhões. No Líbano temos a maior proporção de cristãos. Então temos cristãos na Síria, Jordânia, Palestina e Iraque, esta é a área onde estão os cristãos nativos. O grande número de cristãos do Egito está, na verdade, na Arábia; são filipinos, do Sri Lanka e indianos ... Trabalhadores estrangeiros que chegam... - Pe. Khalil: Trabalhadores estrangeiros que são trazidos e estão sofrendo muito por causa da situação nesses países. No Egito a situação é difícil porque não há perseguição, mas eu diria que sim há discriminação. E depois temos as áreas devastadas pela guerra como Iraque e, por mais de 60 anos, a Palestina. Estas duas situações fazem que seja muito difícil para os cristãos... Na Palestina, os cristãos perderam a esperança e deixam o país, se podem. Encontramos a mesma situação, mais ou menos no Iraque. Os cristãos estão emigrando desta área para o norte, o norte curdo do Iraque. Podemos dizer que é um espelho que reflete a maior parte dos países do Oriente Médio? - Pe. Khalil: Não, nem tanto, embora, obviamente, na Península Arábica isso é o que se reflete. Estou falando desses países onde o cristianismo existia antes do Islam como Egito, Síria, Líbano, Jordânia e Palestina, onde os cristãos nativos sempre existiram; Egito é o pior. No outro extremo está o Líbano, que não é um país muçulmano, mas um país árabe. É o único país árabe que não é muçulmano, mas é religioso, onde cristãos e muçulmanos são iguais; o que significa que reconhecemos que a religião é uma parte essencial da sociedade, do sistema e do estado, tanto que no Parlamento libanês você pode encontrar 64 cristãos e 64 muçulmanos, cristãos de diferentes denominações e muçulmanos de três ou mais denominações. Isso seria de fato um modelo para um ideal de convivência ... - Pe. Khalil: E no meio estão os países como a Síria e o que era antes o Iraque, que pretende ser laico no âmbito do partido político, o Partido Baath, que ainda está na Síria. O Estado é consciente da sua religião, mas você é livre e a política não muda. O presidente da Síria é sem dúvida um muçulmano, mas o sistema é laico. Gostaria de voltar à questão da imigração dos cristãos, como consequência deste horizonte da discriminação à perseguição aberta. De que números você está falando? - Pe. Khalil: Isso é difícil de dizer. Temos que falar por países, mas a verdade é que a migração está crescendo e o número de cristãos a cada ano está diminuindo em todos os lugares. Acabo de ouvir o bispo de Tier, no Líbano, onde não há discriminação, que disse: "Quando eu era criança nos anos 50 no Tier, havia 10.000 habitantes, 5.000 cristãos e 5.000 muçulmanos. Hoje, existem 3.000 cristãos nos 80.000 habitantes. Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para "Deus chora na terra", um programa semanal de rádio e de televisão produzido por Catholic Radio and Television Network em colaboração com a Fundação Pontifícia Internacional Ajuda a Igreja que Sofre. Para mais informações: www.WhereGodWeeps.org e http://www.acn-intl.org/. Fonte: Zenit.

A coragem e lealdade dos guardas suíços

Na manhã de domingo (6), realizou-se na Sala Paulo VI a cerimônia de juramento de 26 recrutas da Guarda Suíça Pontifícia, perante cardeais, bispos, representantes do corpo diplomático creditado junto à Santa Sé e o representante do papa, dom Giovanni Angelo Becciu. Antes do juramento, o Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, celebrou uma missa para o corpo da Guarda Suíça no altar da Cátedra de São Pedro, explicando que "é preciso coragem para dar testemunho do Evangelho. Eu o afirmo pensando em vocês, caros guardas suíços, e os exorto a fazê-lo com alegria não só quando estão em serviço, mas sempre, em cada momento e em cada situação da sua vida". O papa Bento XVI, no final do Regina Caeli na Praça de São Pedro, dirigiu "uma saudação especial aos novos guardas suíços e às suas famílias, no dia da festa desta histórica corporação". ZENIT entrevistou o capelão da Guarda Suíça, dom Alain de Raemy. Ele afirma que a base da espiritualidade da guarda é a fidelidade ao papa e a vontade de defendê-lo ainda que arriscando a própria vida. Qual é a espiritualidade da Guarda Suíça? Dom Alain de Raemy: Eu diria que não há uma espiritualidade específica, uma espiritualidade única, já que eles chegam aqui com experiências muito diferentes de família, de paróquias, mesmo sendo todos católicos batizados, confirmados e recomendados pelos seus párocos. São, enfim, experiências espirituais muito diferentes. Temos quem nunca ia à missa aos domingos. Foram batizados, crismados, mas a família não era praticante. E depois descobriram a possibilidade de ser convocados para a Guarda Suíça e aprofundaram as suas razões de fé. Então nem todos são praticantes? Dom Alain de Raemy: Eles são conscientes de estarem num lugar onde normalmente deveriam estar católicos praticantes. O papa pede católicos convictos para este serviço. Mas sempre foi assim. Muitos suíços aproveitaram esta oportunidade sem necessariamente ter uma forte motivação religiosa. Eles praticam os sacramentos? Dom Alain de Raemy: A missa dominical é obrigatória e a presença é verificada militarmente. E isto os guardas já sabem desde a hora em que eles apresentam a candidatura. Eles sabem que temos um capelão que lhes dará instrução religiosa na escola de formação. Recebem catequese sobre o ministério de Pedro, sobre a história dos papas e da Igreja. É uma catequese intensiva, que é realizada no decurso de um mês. Quais são os deveres do capelão da Guarda Suíça? Dom Alain de Raemy: Celebrar a missa na capela da guarda e oferecer os exercícios espirituais anuais. Junto com o comandante e com os outros oficiais, o capelão é responsável pelas atividades culturais do corpo e pelo recrutamento de novos guardas. E também é o responsável pela biblioteca. Existem outras tarefas? Dom Alain de Raemy: Sim. Eu tenho que estar sempre muito próximo dos guardas. Vou visitá-los quando eles ficam sozinhos durante muito tempo, e acho que essa é uma grande oportunidade para desenvolver um diálogo pessoal. Já aconteceu de ouvi-los em confissão? Dom Alain de Raemy: Já me aconteceu. Os guardas fazem os exercícios espirituais durante a quaresma, que é um período em que o serviço fica mais leve porque o papa e a cúria suspendem todas as atividades. Quanto tempo duram os exercícios espirituais deles? Dom Alain de Raemy: Quatro dias de exercícios espirituais, com um pregador escolhido por mim. Neste período tem havido um grande número de confissões. O caso é que em muitas partes da Suíça são praticadas as confissões coletivas. Os fiéis não estão mais acostumados à confissão pessoal. Na quaresma, nós temos guardas que estão se confessando pela primeira vez na vida. Eles são leigos, mas militares. Como isto afeta o futuro da vida espiritual deles? Dom Alain de Raemy: O corpo da Guarda Suíça é o melhor provedor de vidas consagradas. A média é de uma ou duas vocações por ano. Muitas vezes, pessoas que nunca tinham imaginado isso viram sacerdotes religiosos ou diocesanos. E bons sacerdotes? Dom Alain de Raemy: Sim, porque eles ouviram o papa diretamente, sem as distorções da mídia. Eles praticaram a fidelidade ao Santo Padre e escutaram, entenderam e seguiram a orientação espiritual do papa e da Igreja. Qual é a coisa mais complicada? Dom Alain de Raemy: Talvez seja uma atitude de obediência formal que às vezes não vai mais fundo. Mas a obediência também é positiva, porque eles confiam nos superiores e nas consequências da sua atitude para com a fé. É verdade que os guardas suíços estão dispostos a derramar o sangue para defender o papa? Dom Alain de Raemy: Esta é a espiritualidade que une todos eles, o compromisso que une os guardas suíços mesmo na diversidade da prática religiosa. Basta ver o juramento para entender que a fidelidade ao papa é indestrutível. Eles podem ter dúvidas sobre a fé, e depois do serviço tem quem não vai muito à missa, mas eles sentirão para sempre, para sempre mesmo, essa união com o papa. Este sentimento fica para sempre dentro deles. Fonte: Zenit.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Virgo Prudens

Não é errado dizer que a primeira virtude demonstrada por Nossa Senhora na Anunciação foi a virtude cardeal da prudência. Na verdade, nas extraordinárias palavras de saudação do anjo Gabriel - "Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1, 28) - o evangelista São Lucas diz que a Virgem Maria ficou rapidamente amedrontada, tocada ou perturbada. Por quê? Por causa da intervenção da virtude da prudência! Está na natureza da virtude da prudência, de fato, o dever de alertar a pessoa de toda precipitação ou juízo precipitado das coisas, ajudando a dar-se conta primeiramente do que escuta, do que vê e do que acontece. A estas palavras notáveis ​​do Anjo, a virtude da prudência se fez presente e colocou em guarda a jovem virgem Maria, comprometendo-a a refletir para avaliar prudentemente o significado destas palavras angelicais, em vez de exaltar-se sem dar-se conta do seu real significado. Literalmente, de fato, o evangelista São Lucas diz que às belas palavras de saudação do Anjo, a Virgem Maria, muito prudentemente, antes de exaltar-se, “pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação” (Lc 1, 29). Prudência e deliberação caminham lado a lado com estas palavras do evangelista, e muito mais, unem-se profundamente no comportamento da virgem Maria. Junto com a perturbação inicial de Nossa Senhora, de fato, o Anjo Gabriel, em seguida, dá uma explicação, não menos extraordinária também: "Não tema, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o rono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1, 30-33 ). Nas palavras do Anjo, portanto, continua a revelação de coisas realmente extraordinárias; coisas grandes, coisas enormes, coisas humanamente incríveis, que, querendo, podem ser resumidas nas palavras: Tu, Virgem Maria, serás mãe do mesmo Filho de Deus! A estas palavras do Anjo, agora, poderiamos pensar que imediatamente, por parte da Virgem Maria, não havia mais nada a fazer, a não ser alegrar-se e exaltar-se até o sétimo céu, regozijando-se de uma alegria divina sem medida. Porém, isso não aconteceu. Por quê? Maria, de fato, até mesmo depois das outras palavras do Anjo, apresenta-se com a sua prudência e circunspecção, não se exaltando para nada com as palavras tão sublimes que o Anjo Gabriel disse à ela e que diz respeito especificamente ao plano de Deus para ela. É próprio da virtude da prudência, de fato, observar com cuidado cada coisa, para saber discernir o bem do mal, evitando assim, qualquer risco de dano a si ou aos outros. A este respeito, no entanto, surge uma pergunta: mas era possível que por parte do Anjo Maria recebesse algo de mal ou de inconveniente? Trata-se de um anjo enviado por Deus! A resposta a esta razoável pergunta fica ainda no ar, porque Maria, refletindo prudentemente nas palavras do Anjo, capta um ponto problemático com relação à sua condição pessoal de virgem consagrada a Deus, e por isso ela pode imediatamente perguntar como acontecerá isso que o Anjo disse, tendo ela já consagrado a sua virgindade a Deus: "Como é possível? Eu não conheço homem"(Lc 1, 34). Isto é: como ela poderá se tornar Mãe do Filho de Deus sem trair a oferta da sua virgindade a Deus? O problema, portanto, era realmente grande para Maria, era crucial. Se é verdade que ela deveria rapidamente exaltar-se com o projeto de uma tão sublime maternidade divina, como conciliá-lo, no entanto, com a já consagrada virgindade dela a Deus? De alguma forma ela pode tirar de Deus o que já lhe tinha doado e que pertence somente a Ele? Será que Ela pode não mais prestar atenção à sua virgindade dada a Deus? ... São perguntas realmente delicadas e intrigantes! Prudência e circunspecção respondem não. Neste caso, só Deus podia resolver o assunto, porque é sagrado dever da criatura salvaguardar sempre o direito de Deus ao qual pertencia a virgindade que Maria já lhe tinha oferecido. E aqui estão as últimas palavras do Anjo à Virgem que tem se mostrado tão atenta e prudente: "O Espírito Santo virá sobre ti, e a potência do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Aquele que nascerá será, portanto, chamado Santo e Filho de Deus"(Lc 1, 35). Neste ponto, a conclusão desta lição altíssima sobre a virtude cardeal da prudência foi a resposta final de Maria ao Anjo que agora pôde dizer-lhe com toda a sua alma: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra "(Lc 1, 38). Que a "Virgo Prudens " nos ensine também a preciosa virtude cardeal da prudência!

"Seria melhor uma Europa mais franciscana"

“Seria melhor uma Europa mais francescana”. Palavras de Hartmut Koschyk, Vice-ministro da Economia Alemão em visita à Basílica de São Francisco de Assis. Segundo aparece no site www.sanfrancesco.org, o Vice-ministro alemão teria afirmado que “o pensamento franciscano é caracterizado pela fraternidade, bondade e solidariedade, virtude que podem contribuir a uma nova ética econômica” por este motivo “Seria melhor uma Europa mais fransciscana”. “A dignidade humana – disse Koschyk na entrevista ao site – deve ser o fundamento da nossa política econômica e financeira. Os mercados devem servir os homens e não devem orientarse somente ao enriquecimento pessoal”. “Assis já è lugar de diálogo inter-religioso – acrescentou o vice-ministro - epode ser também lugar onde pode nascer uma nova ética econômica. O sistema financeiro deve ser organizado segundo o princípio da justiça cristã de tal forma que as pessoas possam viver segundo a paz e a justiça, pois esta é a espiritualidade franciscana que poderia influenciar a nossa vida política. A Europa – observou depois – é uma só e é necessário caminhar juntos para afrontar esta crise econômica. Não existe nenhum País que pode afrontá-la sozinho”. No final da sua visita à Basílica de São Francisco – é a terceira vez que está em Assis – Koschyk teve um colóquio com o custódio do Sacro Convento, padre Giuseppe Piemontese, que estava acompanhado pelo padre Thomas Freidel, da comunidade do Sacro Convento, de nacionalidade alemã. “É sempre um prazer retornar a Assis – disse aos frades – porque é um lugar de profunda espiritualidade e grande fé”. Fonte: Zenit.

O Estado Laico

Não é de hoje, e com persistência, as grandes empresas jornalísticas de nosso País, sempre que atingem amplo espaço público questões pertinentes à defesa da vida, ou à reflexão sobre a família, vociferam, dogmáticas, em defesa do que chamam: o Estado laico Querem estabelecer que a República laica não tolera o tratamento de assuntos religiosos, confinados, então, à consciência individual de cada uma das pessoas, e inaceitáveis à difusão pública. Isso nada tem a ver com República laica. Conduz-nos a gritante erro essa imposição do pensar, “politicamente correto”, a que nos submete o stablishment midiático. O consagrado Professor de Direito Constitucional José Gomes Canotilho, em sua obra Direito Constitucional – 4ª edição – a partir do estudo dos parâmetros republicanos da Constituição portuguesa de 1911, que encerrou o sistema monárquico, é correto no ensinar que: “2. República laicaSe no tocante à estrutura organizatória da República a Constituição de 1911 não fez senão recolher as idéias do liberalismo radical (e nem todas), quanto a outros domínios tentou plasmar positivamente, em alguns artigos, o seu programa político. Um dos pontos desse programa era a defesa de república laica e democrática. O laicismo, produto ainda de uma visão individualista e racionalista, desdobrava-se em vários postulados republicanos: separação do Estado e da Igreja, igualdade de cultos, liberdade de culto, laicização do ensino, manutenção da legislação referente à extinção das ordens religiosas (cfr. art. 3º, nºs 4 a 12). O programa republicano era um programa racional e progressista: no fundo, tratava-se de consagrar constitucionalmente uma espécie de “pluralismo denominacional”, ou seja, a presença na comunidade, com iguais direitos formais de um número indefinido de colectividades religiosas, não estando nenhuma delas tituladas para desfrutar de um apoio estadual positivo.” (obra citada – pg. 247/8, grifei) Portanto, Estado laico não é Estado ateu. Não é Estado que proíba sejam abordados temas religiosos no cotidiano das pessoas que nele vivem. O Estado laico, justo porque democrático e plural, é o que garante a convivência pacífica e respeitosa dos que professam os mais variados credos, inclusive os que credo não tem. O Estado laico, insisto, respeita as convicções religiosas e sua livre expressão. O mesmo emérito Professor José Gomes Canotilho, já agora analisando o tema à luz dos preceitos da Constituição portuguesa de 1976, demonstra como o texto moderno enfatiza a ampla liberdade de manifestação religiosa. De se ler: “2.2. A deslocação constitucional da “República laica” 1. A “laicidade da República”, a “República laica”, é também uma das noções ligadas à tradição republicana. Para além dos “momentos emocionais” que o laicismo republicano transporta, pode dizer-se que ele assenta principalmente em três princípios:secularização do poder político,neutralidade do Estado perante as Igrejas, liberdade de consciência, religião e culto. Todavia, a Constituição de 1976, embora herdando alguns dos princípios republicanos de 1910 (cfr. supra, Parte II, Cap. 3, E, I), não adjectivou a República Portuguesa como “República laica” e deslocou os problemas fundamentais do “laicismo” para o âmbito dos direitos fundamentais. Para além de evitar a reposição da “questão do clericalismo”, a Constituição considerou que, verdadeiramente, o que estava em causa eram problemas relativos a direitos, liberdades e garantias: liberdade de consciência, de religião e de culto, proibição de discriminação por motivos de convicções ou práticas religiosas, liberdade de organização e existência das igrejas e comunidades religiosas, liberdade de ensino da religião e o princípio da igualdade perante o Estado de todas as religiões (cfr. art. 41º).” (obra citada – pg. 410/411, grifei) Nossa Constituição partilha dessa mesma diretriz, visto que, expressamente, no inciso VI, do artigo 5º, afirma que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” O inciso VII também assegura “a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva”, e o inciso VIII não permite, seja privada, qualquer pessoa, de direitos “por motivo de crença religiosa”. Todo esse quadro normativo – é óbvio – não enclausura religiosos, e não religiosos, no espaço único de sua privacidade. Religiosos, e não religiosos, com as respectivas crenças, ou sem qualquer crença, têm o amplo direito de expor essas suas variadas concepções de viver na cotidiana formação da democrática sociedade. Democrática porque acolhe, incentiva e resguarda a pluralidade dos posicionamentos, e democrática, também, porque compreende ser infindável a interação humana, enquanto vida houver. Eis preciosos ensinamentos do padre Mario de França Miranda, como expostos no seu livro: “Igreja e Sociedade”:“Hoje já se reconhece que as religiões têm algo a oferecer à sociedade civil. São elas que denunciam a marginalização a que são condenados os mais pobres, bem como as injustiças de políticas econômicas. São elas que oferecem uma esperança que sustenta e mobiliza os mais fracos. São elas que, livres de um dogmatismo doutrinário e impositivo, oferecem motivações e intuições substantivas ( e não apenas funcionais ) para as questões sujeitas ao debate público. São elas que, numa sociedade neoliberal e prisioneira de um racionalidade funcional em busca de resultados. Desmascaram a frieza burocrática e tecnocrática apontando os efeitos devastadores de certas decisões. São elas que, para além das macrossoluções milagrosas, apontam para a responsabilidade de cada um e para a imprescindível rejeição de um individualismo cômodo,sem as quais a ética na vida pública ou o problema ecológico não serão solucionados. Aqui a sabedoria religiosa talvez possa ser mais eficaz do que muitos discursos dos tecnocratas.”( pg. 139-40, grifos do autor e meu ). E, em síntese, correta, prossegue Mario de França Miranda:“Porque a sociedade civil pode se tornar presa de ideologias totalitárias, prisioneira da lógica de resultados, ou do sistema econômico dominante, ela necessita de uma instância que a transcenda e a questione, que a desestabilize beneficamente e que a faça progredir.”( pg. 141, grifos do autor e meu ). Assuntos de tamanha relevância pedem tratamento cuidadoso e responsável, pena comprometer-se a importante missão não só de informar, mas de formar a opinião pública. Claudio Fonteles

sábado, 5 de maio de 2012

Ordenaçao de 35 novos sacerdotes do Opus Dei ao vivo pela web

Neste sábado, 5 de maio, D. Javier Echevarría, prelado do Opus Dei, dará a ordenação sacerdotal a 35 diáconos da Prelazia. A cerimônia será realizada em Roma, na Basílica de Santo Eugênio às 16h00. Os novos sacerdotes vêm de Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Colômbia, Filipinas, Itália, Quênia, México, Peru, Polónia, Espanha e Suíça. Será possivel acompanhar a cerimônia ao vivo pela Internet, através do site do Opus Dei. Neste link estão as informações sobre a lista dos ordenados e sobre a transmissão http://www.opusdei.it/art.php?p=48723~~HEAD=NNS. Entre os novos sacerdotes está o médico italiano Giovanni Zaccaria, nascido em Roma há 33 anos. Ele estudou Medicina na Universidade de Verona, onde viveu por vários anos e onde obteve sua especialização em Cardiologia. Como você passa de médico a sacerdote? "É Deus quem guia você - diz ele - olhando para trás no tempo eu percebi que havia um fio contínuo que me trouxe até aqui. Deus me colocou diante de pessoas que me precederam na doação: minha mãe, com uma carreira de bióloga deixou tudo para cuidar da família; o padre da minha paróquia, que eu ajudava durante a missa; os médicos que cuidaram do câncer de minha mãe. Neles Deus mostrou-me sua vontade, pouco a pouco”. O texto completo do testemunho de Giovanni Zacaria está disponível em: Http://www.opusdei.it/art.php?p=48747 Um dos mais jovens a ser ordenado é Janvier Mahougnon Gbenou, que nasceu no Benin há 31 anos. É o primeiro fiel do Opus Dei do país a receber o sacerdócio. Quando perguntado "você está com medo de se ordenar sacerdote?" Janvier respondeu: "Não, não. Pelo contrário, eu tenho três motivos para estar traqnuilo. O primeiro é saber que me ajudam as orações de muitos cristãos. O segundo é que, uma vez ordenado, devo ter o cuidado de transmitir a mensagem e a graça de Cristo. Transmitir, e não inventar ou improvisar. O que eu darei não será meu, mas de Cristo. Enfim, me sinto seguro porque eu sei que estou nas mãos da Virgem Maria, a Mãe de todos os sacerdotes”. O trabalho apostólico da Prelazia em seu país ainda não começou de uma forma estável. Entre os mais idosos desta nova safra de sacerdotes é Mario Pagani, de 54 anos, engenheiro, nascidoem Ramos Mejia, Argentina. Ele trabalhou como engenheiro por18 anos na Bolívia, dirigindo duas ONGs especializadas em apoio aos agricultores e pecuaristas do planalto. "No planalto boliviano - diz - muitos agricultores não conseguem boas colheitas por falta de conhecimento sobre agricultura e sistemas de irrigação. Por este motivo criamos a ONG Ayni, que na língua local significa "ajuda conjunta". A idéia era que os camponeses, com as nossas recomendações, ajudassem uns aos outros em benefício de todos”. Refletindo sobre seu futuro como sacerdote, diz: "Deus quer que transmitamos a muitas pessoas a felicidade que vem Dele. Isto é o que desejo como sacerdote: dividir entre os homens os dons que o Senhor distribui através de seus sacerdotes" Fonte: Zenit.