quarta-feira, 25 de abril de 2012
Turismo: Uma atividade que pode conduzir a Deus
Por ocasião do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo, iniciado nesta segunda-feira, 23 de abril, o papa Bento XVI assinalou com vigor o tráfico de órgãos e o turismo sexual.
O Congresso é promovido pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, ao cujo presidente, o cardeal Antonio Maria Vegliò, Bento XVI enviou uma mensagem especial.
O turismo, escreve o Papa, é um fenômeno carregado de “perspectivas de crescimento” e, como toda a realidade humana, “deve ser iluminado e transformado pela Palavra de Deus”. Neste propósito a Igreja exprime sua “solicitude pastoral”, promovendo as potencialidades desta atividade econômica e humana, e assinalando “os seus riscos e desvios”, empenhando-se por “corrigi-los”.
O turismo é uma prática que, entre outras coisas, favorece “um espaço privilegiado para o restabelecimento físico e espiritual, facilita o encontro entre pessoas de culturas diversas e torna-se ocasião de contato com a natureza, favorecendo assim a escuta e a contemplação, a tolerância e a paz, o diálogo e a harmonia no meio da diversidade”, acrescentou o Papa.
Viajando, o homem tem a possibilidade de “admirar a beleza das nações, das culturas e da natureza”, em um percurso que “pode conduzir-nos a Deus”.
O turismo, todavia, “não está isento de perigos nem de elementos negativos”, que frequentemente “lesam os direitos e a dignidade de milhões de homens e mulheres, especialmente dos pobres, menores e deficientes”.
Sobre isto Bento XVI sinalizou particularmente o turismo sexual, definido como “uma das formas mais abjectas destes desvios que devastam do ponto de vista moral, psicológico e clínico, a vida das pessoas, de muitas famílias e às vezes de comunidades inteiras”.
O tráfico de seres humanos “por motivos sexuais ou para transplante de órgãos, bem como a exploração de menores, o seu abandono em mãos de pessoas sem escrúpulos, o abuso, a tortura verificam-se, infelizmente, em muitos contextos turísticos”, constatou Bento XVI. Aqueles que atuam no setor turístico , por motivo de trabalho ou pastoral, devem “aumentar a vigilância para prevenir e contrastar estas aberrações”.
Referindo-se à Caritas in Veritate que exorta a um turismo «capaz de promover verdadeiro conhecimento recíproco, sem tirar espaço ao repouso e ao são divertimento» (n. 61), o Papa espera que o Congresso de Cancun contribua para “desenvolver uma pastoral que nos conduza gradualmente a este «turismo diverso»”.
É preciso desenvolver um turismo “ético e responsável”, além de “acessível a todos, justo, sustentável e ecológico”. Onde o tempo livre e as férias sejam “uma oportunidade e também um direito”. A Igreja se empenha para que este “direito” possa concretizar-se especialmente “para os grupos mais desfavorecidos”.
Outro aspecto do turismo que não deve ser esquecido, segundo o Santo Padre, é a via via pulchritudinis, o «caminho da beleza» através de “obras que nascem da fé e que expressam a fé» Audiência Geral, 31/VIII/2011.
As visitas turísticas devem se organizar com “respeito devido ao lugar sagrado e à função litúrgica que foi, e continua a ser, o destino principal para que nasceram muitas destas obras”.
Em terceiro lugar, o Papa espera que a pastoral do turismo acompanhe “os cristãos no gozo das suas férias e tempo livre a fim de que seja proveitoso para o seu crescimento humano e espiritual”. O fenômeno do turismo hoje é capaz de oferecer ocasião para “apresentar Cristo como resposta suprema às questões do homem atual”.
Na conclusão de sua mensagem por ocasião do Congresso de Cancun, Bento XVI exortou “a fim de que a pastoral do turismo faça parte, de pleno direito, da pastoral orgânica e ordinária da Igreja, de modo que, coordenando os projectos e os esforços, correspondamos com maior fidelidade ao mandato missionário do Senhor”.
Fonte: Zenit.
A mudança de imagem de Bento XVI
De uma grande desconfiança inicial a um grande interesse. Bento XVI é um papa que melhorou a sua imagem. De uma figura mediática inicial que o apresentava como o panzer cardinal, um rottweiler da fé, à realidade de hoje: um intelectual gentil e humilde que aprendeu a mover-se entre as pessoas, uma figura paterna que se fez querer. Um reformador que nunca perdeu de vista o seu propósito: anunciar Cristo ao mundo e aproximar todos da Igreja. Um papa que lutou na linha de frente e sem esconder-se problemas imensos como o dos abusos sexuais, o que lhe valeu muitos inimigos.
Esta é a imagem que emerge a partir de entrevistas que ZENIT realizou com vários correspondentes e vaticanistas que seguem o pontificado de Bento XVI, até mesmo se alguns deles consideram que a dificuldade de comunicação persiste. Abaixo lhes apresentamos alguns dos testemunhos recolhidos por ZENIT.
Giovanna Chirri, Vaticanista da agência italiana ANSA.
"Este Papa é um teólogo que, embora tenha se tornado um reformador, nunca perdeu de vista a sua finalidade: anunciar Cristo ao mundo. Encontrou-se com um monte de problemas, basta pensar nos casos de pederastia e da reforma financeira. Interveio com decisão. Além do vazamento de notícias, que aqui interveio no que poderia ser feito. Em sua pregação nos últimos dias e na semana santa, parece-me claro que o principal objetivo foi difundir a fé e que o mundo seja capaz de anunciar a Cristo".
Frederic Mounier, enviado permanente do diário francês La Croix, em Roma.
"Encontrei aqui em Roma, uma realidade diversa sobre Bento do que é a sua imagem na França. Este papa não é o panzer cardinal, mas um intelectual humilde, muito atento a ouvir as pessoas, mas temo que a sua posição não seja devidamente ouvida hoje porque está fora das regras usuais da comunicação mediática. Porque ele fala em profundidade, porque é um intelectual.
Usa o tempo que for preciso para pensar, não se baseia nas emoções. Portanto, seu pensamento é muito interessante mas distante da capacidade das pessoas. Acho que esse seja o grande desafio do seu pontificado.
Juan Lara, da agência EFE.
"Pessoalmente, sempre tive mais ou menos a mesma percepção de Bento XVI, porque sempre segui o Vaticano, mas houve certamente uma mudança. Ou seja, no início do seu pontificado ele era visto como uma pessoa muito séria, ortodoxa, conservadora. Mas, com os fatos demonstrou que é uma pessoa amável com um pensamento social bastante avançado. Um evento significativo emergiu durante o seu pontificado: os casos de abuso sexual e a pederastia. O papa enfrentou o caso, até mesmo criando muitos inimigos, mas não se importou com a condição de fazer limpeza, e isso é significativo. Ele enfrentou o escândalo na linha de frente".
Patricia K. Thomas APTN. Associate Press Television News.
Como jornalista vejo-o muito de perto, e acho que mudou desde o início do pontificado, porque é um homem humilde e disposto a escutar. Se me perguntam como o vêm nos EUA, nestes dias, com o caso do grupo de freiras americanas, houve uma raiva que se sentiu pela Internet contra Ele e contra o Vaticano. Quem não frequenta a Missa pensa que ele queira levar a Igreja para trás, que escute mais aos lefebvristas que as freiras americanas. Quando foi para os EUA, ao contrário, a sua imagem tinha subido, falou contra a pederastia, etc. Mas agora está crescendo um pouco a hostilidade”.
Salvatore Izzo, o Vaticano a agência italiana AGI.
"Bento XVI está adquirindo uma figura paterna que antes não tinha. É como quando uma pessoa não tem filhos e mora em um condomínio: todos os barulhos a incomodam. Depois, com o tempo, chegam os filhos e as coisas mudam. Ele está fazendo um grande esforço para aproximar todos da Igreja, não somente os tradicionalistas, mas também outros movimentos mais inovadores. Poderia não parecer assim, mas é isso ".
Maarten van Aalderen correspondente jornal holandês De Telegraaf.
"A percepção que as pessoas tinham de Bento XVI no início do seu pontificado não mudou para nada. Do pondo de vista mediático era um papa professor, esta era a idéia e esta permaneceu. Um Papa que ainda encontra dificuldade para comunicar com as pessoas. Não resolveu ainda este problema”.
Elisabetta Piqué, correspondente em Itália do jornal argentino La Nacion.
"Bento XVI sem ter o carisma de João Paulo II, conseguiu soltar-se um pouco em público, antes não se atrevia a tocar ninguém, agora abraça os bebês e os acaricia. Acredito que ele tenha aprendido a lidar com as massas. Ele aprendeu a fazer-se querer em qualquer lugar que vá, por exemplo, penso na sua última viagem a Cuba, onde ninguém entra numa igreja, foi muito admirado ali, sem falar no México. Quando ele subiu ao papado havia esta imagem da mídia de um rottweiler, de um inquisidor. Cada vez que houve erros de comunicação ele o reconheceu e demonstrou ser um Papa com uma personalidade muito amável, um intelectual, mas muito humilde.
Andres Beltramo, do Vaticano, em Itália, a agência Notimex mexicana.
"Mudou a percepção que as pessoas tinham sobre ele, e as suas viagens a vários países aceleraram isso. Na última viagem ao México, por exemplo, no início as pessoas não o conheciam, especialmente porque – por assim dizer – ficava sob a sombra de João Paulo II e tinha um grande interrogante sobre a sua pessoa. No entanto, quando o conheceram pessoalmente houve uma mudança de atitude. Aqui os meios falaram sobre ele, às vezes o criticam ou refletem sobre o entusiasmo popular, mas é um fato temporal que passa. Ele entra quando as pessoas o puderam ver e, portanto, ficam com uma percepção diversa do que contam os meios”.
Alessandro Speciale, correspondente vaticano de UCA News, Religion News e Vatican Insider.
"Bento XVI encontrou-se diante de um desafio, uma crise, não com certeza, sobre a qual ele tinha imaginado construir o seu pontificado. Falo da pederastia e dos abusos sexuais. E ele, ante essa crise, soube dar a resposta à altura das circunstâncias, o que talvez muitos homens dentro da Igreja não teriam sabido dar, mas teriam dado uma resposta instintiva: “o mundo ataca a Igreja”. Em vez disso, este Papa percebeu que era um mal que estava dentro e por tanto devia ser removido. Isso marcou o seu pontificado. Um desafio que ele não esperava mas, ao qual, respondeu estando à altura das circunstâncias".
Fonte:
terça-feira, 24 de abril de 2012
Andamento dos trabalhos realizados até agora na 50ª Assembleia Geral da CNBB
Em entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira, 23/04, os bispos apresentaram à imprensa o andamento dos trabalhos realizados até agora na 50ª Assembleia Geral da CNBB (AG), em Aparecida (SP).
Participaram da coletiva o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, que coordena a comissão das celebrações dos 50 anos do Concílio Vaticano II; o bispo de Ipameri (GO), dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal para a Caridade, Justiça e Paz; e o bispo prelado do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, que é também presidente do Consenho Indigenista Missionário.
Usina de Belo Monte
Os jornalistas questionaram os bispos a respeito da situação crítica vivida na região de Altamira (PA), onde está sendo construída a usina de Belo Monte. “Estive com o presidente Lula em 2009, e ele me disse que haveria diálogo realização da obra. O povo não teve espaço para se manifestar, as audiências públicas foram apenas para inglês ver”, manifestou dom Erwin.
Ele explicou o caos em que se encontra a cidade de Altamira. “O saneamento básico não foi feito, não há vagas nos hospitais nem em escolas. A prostituição e a violência ocorrem à luz do dia. Eu vejo essas coisas todos os dias, pois vivo lá”, relatou o bispo. Ele também denunciou a extensa jornada de trabalho dos operários da obra.
O bispo de Ipameri, dom Guilherme, participou na semana passada em Brasília de um debate entre o governo federal e atingidos por barragens. “Ouvimos do ministro de Minas e Energia (Edson Lobão) que o Brasil deve optar entre desenvolvimento ou não, em ter as usinas ou não”, revela.
Guilherme recordou que a energia de uma usina hidrelétrica não pode ser considerada como energia limpa. “Como chamar de energia limpa quando as terras mais férteis são inundadas?”. Dom Erwin reforçou a denúncia. “O governo afirma que nenhum índio seria atingido, mas trata-se de falácia. O que acontece ao povo daquela região é contra a dignidade humana. O governo discrimina este povo, e nos trata como brasileiros de segunda classe”.
Solidariedade
Os bispos relataram aos jornalistas a aprovação, por unanimidade, de um projeto que deverá promover maior solidariedade entre as dioceses brasileiras, nos próximos 5 anos. Agora, 1% da receita ordinária mensal de cada diocese deverá formar um fundo para colaborar na formação dos seminaristas das dioceses mais pobres.
“A Igreja precisa partilhar seus bens para investir na formação de padres. Em minha prelazia, por exemplo, 70% de minha renda vem de doações externas”, testemunhou dom Erwin. Os bispos recordaram que a iniciativa do fundo não vai resolver o problema, mas deve minimizar as dificuldades enfrentadas nas dioceses mais pobres.
Estado laico
A respeito da laicidade do Estado, o cardeal Odilo Scherer explicou que a Igreja não tem problemas com a questão. “O Estado não pode assumir uma identidade religiosa, de outro lado, o pensamento ateu não pode prevalecer”, declarou o arcebispo. “O Estado é laico, mas a sociedade é religiosa”, arrematou.
Fonte: Zenit.
Reunião da comissão sobre a Igreja na China
Está reunida no Vaticano, de 23 a 25 de abril, a comissão criada em 2007 por Bento XVI para estudar as questões de maior importância para a Igreja Católica na China. Fazem parte da comissão os dicastérios superiores da Cúria Romana e representantes do episcopado chinês e de congregações religiosas.
Em reuniões anteriores, foi tratada a formação dos seminaristas, sacerdotes e pessoas consagradas. Neste ano, é a formação dos leigos que será considerada, à luz da situação da comunidade católica na China e no âmbito do "Ano da Fé", que será celebrado em toda a Igreja a partir de 11 outubro de 2012 até 24 de novembro de 2013.
Os debates darão atenção especial aos progressos nos programas de formação para sacerdotes, seminaristas e pessoas consagradas, analisando o que resta a ser feito na sua preparação para as tarefas que eles são chamados a desempenhar na Igreja para o bem da sociedade.
Fonte: Zenit.
O arcebispo de San Salvador pede o fechamento da prisão de Guantánamo
O arcebispo de San Salvador, disse neste domingo que espera que se feche a prisão da base naval dos EUA de Guantânamo, e apoiou o abrigo que o Governo salvadorenho deu dois ex-presos dessa penitenciária.
O arcebispo de San Salvador, monsenhor José Luis Escobar, considerou como um gesto de "humanidade" que o Governo tenha aceitado quarta-feira passada, a pedido dos Estados Unidos, dois muçulmanos uigures de origem chinesas que foram libertados de Guantânamo.
"Tomara que toda a Prisão de Guantânamo termine; seria ideal para o bem do mundo, da democracia e da liberdade”, manifestou o prelado na Coletiva depois da missa dominical na catedral metropolitana.
Monsenhor Escobar comentou que “a opinião mundial geral é positiva” ante o fato de que sejam “liberados” muitos prisioneiros que “estão sofrendo a prisão por motivos políticos” em Guantânamo. "E se nessa dinâmica El Salvador recebe dois, uma ou mais das pessoas que felizmente foram liberadas, nós não vemos nenhum inconveniente”, acrescentou.
É um tema de humanidade, é necessário que tenhamos uma atitude solidária e positiva ante situações como estas”, sublinhou o arcebispo.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Um mestre que sabe empolgar seus discípulos
Discípulo é muito mais do que platéia. Não é aquele que assiste passivamente ou que repete sem reflexão. Discípulo é quem se encantou com o mestre, quer crescer tendo-o como inspiração, quer contagiar outros com o processo de descoberta que está mudando a sua vida. É esse o espírito que alimenta a proposta de 2009 como Ano Catequético Nacional, explicitada no tema: Catequese, caminho para o discipulado. O lema vai buscar apoio no relato emblemático dos discípulos de Emaús com Jesus: “Nosso coração arde quando ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”(Lc 24,32-35).
O texto de Lucas é cheio de detalhes reveladores. Começa dizendo que era “o primeiro dia da semana”. Ou seja, trata-se do nosso domingo, dia em que tanta gente vai à Igreja... mas será que todos se encontram mesmo com Jesus?
Os discípulos não estavam bem, a morte de Jesus parecia o fim lamentável de um sonho perdido. Jesus se aproxima e eles não o reconhecem. Quanta gente, dentro e fora de nossos templos, não reconhece Jesus e anda desanimada pela vida... Muitos, como aqueles discípulos, até já ouviram a Boa Nova. Mas algo está faltando. Sabem coisas, conhecem doutrinas, mas de alguma maneira o que aprenderam não está funcionando. A Boa Nova é uma teoria, até bonita, mas não é ainda um fogo ardente, um impulso vital.
E Jesus, o que faz? Fica junto, ouve, caminha com eles, faz perguntas para que eles expressem seus sentimentos. Aqui estaria um recado importante para a nossa catequese e para todo o trabalho pastoral. Primeiro é preciso ouvir as perguntas. Muitas vezes estamos dando respostas sem saber quais são as indagações que a vida está fazendo a cada um.
“Eles pararam, com o rosto triste”- diz o texto de Lucas. Só estavam vendo na cruz um fracasso, uma decepção diante de esperanças de uma vitória retumbante que, a seu ver, não havia acontecido. Hoje, muita gente quer um Deus que só conceda vitórias, e têm que ser vitórias bem mundanas, no estilo da teologia da prosperidade. Jesus é vitorioso, sim! É a maior vitória possível... mas acontece de outro jeito. Precisamos de uma evangelização que veja as vitórias dentro do espírito do projeto do Reino.
Jesus, então, ensina. Fala dos profetas, mostra por onde passou o projeto de Deus que nele tem sua culminância. Situa o mistério da cruz num cenário mais amplo. Hoje, para termos verdadeiros discípulos, seria preciso aprofundar o conhecimento bíblico, perceber o fio condutor que perpassa os textos.
A essa altura, eles ainda não perceberam o que acontecia mas já estão encantados. Querem que o companheiro de caminho fique com eles porque “já é tarde e a noite vem chegando”. Jesus fica... e faz algo mais: abençoa e reparte o pão, se revela num gesto eucarístico. Depois desaparece, porque vai estar presente agora de modo muito mais definitivo. A iniciação cristã, ainda hoje, culmina (mas não termina) na comunhão eucarística. É comunhão com o próprio Jesus mas também com todo o seu projeto e com a multidão de necessitados com os quais ele sempre quis ser identificado. Os discípulos se dão conta de que o “coração ardia quando ele falava”. Mas não é “fogo de palha”, entusiasmo vazio. É um fogo que os leva de volta à missão, agora com fé e esperança para enfrentar as dificuldades e fazer novos discípulos.
Tudo isso vai ser refletido pelas comunidades no Ano Catequético. Esperamos que a metodologia de Jesus nos inspire e nos prepare também para fazer discípulos conscientes, ativos e apaixonados pela missão.
Fonte: Therezinha Motta Lima da Cruz
Carta aberta aos Deputados e Senadores
Hoje peço licença ao leitor, para fazer neste espaço um apelo ao Deputado Federal e ao Senador a quem conferi o poder de me representar no Congresso Nacional nas últimas eleições.
Faço-o para externar a minha profunda preocupação com recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, que podem representar usurpação de competência legislativa, conferida pelo povo brasileiro exclusivamente aos senhores, que são os legítimos representantes eleitos pelo povo, na forma prevista em nossa Constituição Federal. Menciono dois exemplos disso.
A nossa Constituição Federal proclama, com uma clareza absoluta, no § 3º do artigo 226 que: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. Trata-se de uma regra que o legislador constituinte, investido de poderes para elaborar a Lei Maior desta Nação, legitimamente instituiu.
No entanto, essa questão foi apresentada perante o STF, a quem cabe precipuamente zelar pelo cumprimento da Lei Maior, e esse Tribunal que conseguiu ler naquela mesma norma que a entidade familiar também pode ser formada por pessoas do mesmo sexo! Senhor Deputado, Prezado Senador, quem deu a esse Tribunal, por mais excelso que seja, esse poder?
Convém lembrar que a nossa Constituição Federal prevê a forma de ser ela própria modificada: através de uma emenda constitucional e não pela via de decisão judicial. E isso quando a matéria é passível de emenda, pois há cláusulas pétreas, impossíveis de serem alteradas, como por exemplo, o direito à vida (artigo 60, § 4º, inciso IV da CF).
O segundo caso é mais recente. O nosso Código Penal pune o aborto, consagrando essa prática como um crime contra a vida. Em duas situações, o legislador dispôs que a conduta não é punível. São elas: I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante e; II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
Não está dito que o aborto de anencefálico não é crime. No entanto, acabam de legalizar esse crime! E, a propósito, chegou-se a sustentar que o legislador de 1940, quando foi elaborado o Código Penal, se tivesse conhecimento da anencefalia, teria incluído também essa causa de exclusão da punibilidade. Ora, ignoram que ainda temos um Poder Legislativo constituído capaz de modificar essa norma? Estão a sugerir que os senhores parlamentares estão dormindo? E estão?
Talvez os senhores estejam a se perguntar, caros Parlamentares, o que poderiam fazer para evitar que a função legislativa seja exercida por outro Poder que não o Legislativo. E a essa suposta indagação devo responder que, por primeiro, não lavar as mãos como o fez um mau juiz. Segundo, apresentando propostas legislativas ou de emenda constitucional que disponham sobre esses assuntos cuja competência foi usurpada de acordo com a vossa consciência e com os anseios dos eleitores que lhes confiaram o mandato. Terceiro, não se omitindo sobre as questões relevantes apresentadas para deliberação no Congresso Nacional, dentre elas, destaco o chamado Estatuto do Nascituro, que viria a disciplinar importantes aspectos da proteção do direito à vida.
Além disso, a nomeação de um ministro do Supremo Tribunal Federal depende da aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. Penso que é chegado o momento de, nessa arguição, se obter o compromisso do candidato de respeitar as atribuições do Congresso Nacional.
Termino externando aos senhores, caro Deputado, nobre Senador, que muitos brasileiros estão de luto diante do retrocesso que tivemos na luta pelo direito à vida. Com isso, só nos resta recorrer a nossos legítimos representantes, na esperança de que não se omitam na grave responsabilidade que assumiram de editar leis que assegurem e promovam a vida humana desde o seu início até o seu fim natural.
Autor: Fábio Henrique Prado de Toledo é Juiz de Direito em Campinas e Especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya – UIC.
Fabiohptoledo@gmail.com
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