Bento XVI está convencido de que a “correção fraterna” constitui um dever, mas que não nasce de uma reação à ofensa sofrida, e sim do amor pelo irmão.
Esta foi sua explicação dada hoje, ao dirigir-se aos milhares de peregrinos reunidos na residência pontifícia de Castel Gandolfo, comentando a passagem evangélica da liturgia deste domingo, (Mt 18, 15-20), na qual o próprio Jesus explica como corrigir o irmão na comunidade cristã.
“Oamor fraterno comporta também um sentido de responsabilidade recíproca, razão pela qual, se meu irmão comete uma culpa contra mim, eu devo ser caridoso e, antes de mais nada, falar com ele pessoalmente, dando-lhe a conhecer que o que ele disse ou fez não é bom”, começou explicando o Pontífice.
“Essa maneira de agir se chama correção fraterna: não é uma reação à ofensa sofrida, mas surge do amor pelo irmão.”
De fato, citando Santo Agostinho, afirmou que “aquele que te ofendeu, ofendendo-te, inferiu a si mesmo uma grande ferida; e tu não te preocupas pela ferida de um irmão teu? (…) Tu deves esquecer a ofensa que recebeste, não a ferida do teu irmão”.
A seguir, o Papa pareceu responder à pergunta que aparecia no rosto dos peregrinos ao escutar suas palavras: “E se o irmão não me ouvir?”.
O Santo Padre ilustrou os passos que Jesus apresenta no Evangelho: “Primeiro, é preciso voltar a falar-lhe com outras duas ou três pessoas, para ajudá-lo a perceber o que fez; se, apesar disso, ele rejeitar ainda a observação, é necessário dizê-lo à comunidade; e se ele não escutar nem sequer a comunidade, é preciso fazer-lhe perceber a separação que ele mesmo provocou, separando-se da comunhão da Igreja”.
A correção fraterna, sublinhou Bento XVI, se explica porque “há uma corresponsabilidade no caminho da vida cristã: cada um, consciente dos seus próprios limites e defeitos, está chamado a receber a correção fraterna e a ajudar os outros com este serviço particular”.
Outro fruto da caridade na comunidade é a oração conjunta, continuou explicando, citando o Evangelho: “Eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”.
“A oração pessoal certamente é importante, e mais ainda, indispensável, mas o Senhor garante sua presença à comunidade que – ainda que seja muito pequena – está unida e unânime, porque reflete a realidade de Deus Uno e Trino, perfeita comunhão de amor”, disse.
Por este motivo, o Bispo de Roma concluiu com seu conselho aos peregrinos: “Devemos nos exercitar tanto na correção fraterna, que requer muita humildade e simplicidade de coração, como na oração, para que se eleve a Deus a partir de uma comunidade verdadeiramente unida a Cristo”.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Papa: evangelização está ligada à unidade eclesial
“O destino da evangelização está certamente ligado ao testemunho de unidade da Igreja”: esta é a mensagem que o Papa Bento XVI enviou, por meio do cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, ao simpósio católico-ortodoxo que está sendo realizado esta semana em Salônica (Grécia).
Este 12º simpósio, que termina hoje, é promovido pelo instituto Franciscano de Espiritualidade da Pontifícia Universidade Antonianum e pelo Departamento de Teologia da Faculdade Teológica Ortodoxa da Universidade Aristóteles, de Salônica.
O tema – “O testemunho da Igreja no mundo contemporâneo” – constitui uma das principais preocupações atuais do Papa, segundo reconhece ele mesmo em sua carta.
A evangelização “precisa hoje de um renovado vigor em muitas das regiões que foram as primeiras em acolher a luz e que experimentam os efeitos de um secularismo capaz de empobrecer o homem em sua dimensão mais profunda”.
“Na realidade, assistimos, no mundo contemporâneo, a fenômenos contraditórios: por um lado, existe uma generalizada distração e também uma insensibilidade frente à transcendência; por outro, há numerosos sinais que evidenciam a permanência, no coração de muitos, de uma profunda nostalgia de Deus, que se manifesta de muitas formas diferentes e que coloca muitos homens e mulheres em atitude de sincera busca.”
O Papa afirma que a situação atual apresenta “a católicos e ortodoxos os mesmos desafios”, acrescentando que “o destino da evangelização está certamente ligado ao testemunho de unidade dado pela Igreja”.
Como evangelizadores, “devemos oferecer aos fiéis de Cristo não a imagem de homens divididos e separados pelas lutas que não servem para construir nada, mas a de homens adultos na fé, capazes de encontrar-se muito além das tensões reais, graças à busca comum, sincera e desinteressada da verdade”, conclui, citando a Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI.
O 12º Simpósio Intercristão para o Diálogo Ecumênico quis, segundo seus organizadores, sublinhar a importância, para a vida dos cristãos, de um maior aprofundamento na relação entre a ação missionária e o caminho rumo à unidade visível da Igreja, em linha com o congresso ecumênico de Edimburgo (1910), do qual acaba de ser comemorado o centenário.
Ainda que este congresso não faça parte oficial do diálogo ecumênico, busca aumentar o conhecimento entre as diversas tradições espirituais e teológicas. O primeiro encontro foi realizado em 1992, em Creta, e o último em 2009, em Roma, sobre a figura de Santo Agostinho.
Fonte: Zenit.
Este 12º simpósio, que termina hoje, é promovido pelo instituto Franciscano de Espiritualidade da Pontifícia Universidade Antonianum e pelo Departamento de Teologia da Faculdade Teológica Ortodoxa da Universidade Aristóteles, de Salônica.
O tema – “O testemunho da Igreja no mundo contemporâneo” – constitui uma das principais preocupações atuais do Papa, segundo reconhece ele mesmo em sua carta.
A evangelização “precisa hoje de um renovado vigor em muitas das regiões que foram as primeiras em acolher a luz e que experimentam os efeitos de um secularismo capaz de empobrecer o homem em sua dimensão mais profunda”.
“Na realidade, assistimos, no mundo contemporâneo, a fenômenos contraditórios: por um lado, existe uma generalizada distração e também uma insensibilidade frente à transcendência; por outro, há numerosos sinais que evidenciam a permanência, no coração de muitos, de uma profunda nostalgia de Deus, que se manifesta de muitas formas diferentes e que coloca muitos homens e mulheres em atitude de sincera busca.”
O Papa afirma que a situação atual apresenta “a católicos e ortodoxos os mesmos desafios”, acrescentando que “o destino da evangelização está certamente ligado ao testemunho de unidade dado pela Igreja”.
Como evangelizadores, “devemos oferecer aos fiéis de Cristo não a imagem de homens divididos e separados pelas lutas que não servem para construir nada, mas a de homens adultos na fé, capazes de encontrar-se muito além das tensões reais, graças à busca comum, sincera e desinteressada da verdade”, conclui, citando a Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI.
O 12º Simpósio Intercristão para o Diálogo Ecumênico quis, segundo seus organizadores, sublinhar a importância, para a vida dos cristãos, de um maior aprofundamento na relação entre a ação missionária e o caminho rumo à unidade visível da Igreja, em linha com o congresso ecumênico de Edimburgo (1910), do qual acaba de ser comemorado o centenário.
Ainda que este congresso não faça parte oficial do diálogo ecumênico, busca aumentar o conhecimento entre as diversas tradições espirituais e teológicas. O primeiro encontro foi realizado em 1992, em Creta, e o último em 2009, em Roma, sobre a figura de Santo Agostinho.
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
“Cristãos, não deixem de peregrinar à Terra Santa”
Não há nada a temer na Terra Santa, não há motivo para suspender as peregrinações: esta é a mensagem lançada pelo custódio franciscano da Terra Santa, Pe. Pierbattista Pizzaballa, através dos microfones da Rádio Vaticano.
O Pe. Pizzaballa mostrou ontem à emissora vaticana a preocupação dos cristãos da Terra Santa diante da brusca diminuição do número de peregrinos nos últimos quatro meses, pois a economia das comunidades cristãs locais depende em grande medida deles.
Para o custódio, é preciso buscar as causas na crise internacional, mas sobretudo na instabilidade política que se vive nos países árabes.
No entanto, sublinhou, “apesar do que está acontecendo no mundo árabe, a Terra Santa e a peregrinação à Terra Santa são absolutamente seguras. Não há nenhum perigo, nenhum risco e, assim como no passado, não é preciso ter medo de vir para fazer esta experiência”.
Grande parte dos cristãos locais, acrescentou, trabalha no “turismo religioso”, razão pela qual “o peregrino que vem fazer uma experiência de fé traz também uma experiência de solidariedade, de apoio à presença da comunidade cristã – que aqui, como todos sabem, é uma comunidade muito pequena e carente de ajuda”.
Outro apelo foi lançado, através da Rádio Vaticano, por Dom William Shomali, bispo auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém, quem sublinhou que “a Terra Santa e o itinerário dos peregrinos é mais seguro que nunca”.
Peregrinar aos Lugares Santos, afirmou o prelado, supõe “um sinal de solidariedade com todos os habitantes, porque o peregrino é uma figura de paz, uma figura bem-vinda, querida por todos – muçulmanos, cristãos, judeus. E posso dizer, sem exagerar, que a figura do peregrino é uma ponte entre todos: faz uma obra de paz, não só com a sua oração, mas também com a sua presença”.
Fonte: Zenit.
O Pe. Pizzaballa mostrou ontem à emissora vaticana a preocupação dos cristãos da Terra Santa diante da brusca diminuição do número de peregrinos nos últimos quatro meses, pois a economia das comunidades cristãs locais depende em grande medida deles.
Para o custódio, é preciso buscar as causas na crise internacional, mas sobretudo na instabilidade política que se vive nos países árabes.
No entanto, sublinhou, “apesar do que está acontecendo no mundo árabe, a Terra Santa e a peregrinação à Terra Santa são absolutamente seguras. Não há nenhum perigo, nenhum risco e, assim como no passado, não é preciso ter medo de vir para fazer esta experiência”.
Grande parte dos cristãos locais, acrescentou, trabalha no “turismo religioso”, razão pela qual “o peregrino que vem fazer uma experiência de fé traz também uma experiência de solidariedade, de apoio à presença da comunidade cristã – que aqui, como todos sabem, é uma comunidade muito pequena e carente de ajuda”.
Outro apelo foi lançado, através da Rádio Vaticano, por Dom William Shomali, bispo auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém, quem sublinhou que “a Terra Santa e o itinerário dos peregrinos é mais seguro que nunca”.
Peregrinar aos Lugares Santos, afirmou o prelado, supõe “um sinal de solidariedade com todos os habitantes, porque o peregrino é uma figura de paz, uma figura bem-vinda, querida por todos – muçulmanos, cristãos, judeus. E posso dizer, sem exagerar, que a figura do peregrino é uma ponte entre todos: faz uma obra de paz, não só com a sua oração, mas também com a sua presença”.
Fonte: Zenit.
Filipinas: 1 milhão de terços pela paz no mundo
Nas Filipinas, a Cruzada do Terço em Família está dirigindo uma campanha para conseguir que um milhão de filipinos rezem um milhão de terços em 200 dias, por todas as nações do mundo.
A iniciativa incentiva os filipinos do mundo inteiro a oferecer um terço diário por um país em particular desde o próximo dia 7 de setembro, festa de Nossa Senhora do terço, até 31 de maio, festa de Nossa Senhora de Todas as Nações, segundo informa a Conferência Episcopal das Filipinas em seu site.
A partir de hoje e durante todo o mês de setembro, serão realizados encontros especiais de oração em todas as dioceses das Filipinas para preparar a campanha “Um milhão de terços: filipinos em oração, paz para todas as nações”. A campanha do terço será acompanhada pela catequese.
“Eu a vejo como uma ferramenta potente para catequizar sobre a oração, o compromisso social entre os católicos e o verdadeiro significado da paz, assim como o Senhor o ensinou nos Evangelhos, declarou o presidente do episcopado filipino e bispo de Tandag, DomNereo Odchimar.
“A ferramenta pode ser simples, mas esta simplicidade nos abrirá as portas da paz duradoura para o mundo e nos conduzirá ao caminho da cura das nossas nações”, destacou.
O prelado incentivou todas as paróquias, escolas e os filipinos que moram no estrangeiro a unir-se à campanha do terço, orando pela paz no mundo.
Por sua vez, o arcebispo deLingayen-Dagupan, Dom Sócrates Villegas, incentivou a participação ativa de sacerdotes e leigos na campanha do terço, em uma circular dirigida aos sacerdotes da sua diocese.
Villegas dirige a Comissão Episcopal de Catequese e Educação Católica, que colabora com a Cruzada do Terço em Família para levar adiante a campanha.
O prelado também incentivou a participar de uma campanha similar, com a qual as pessoas rezarão 1,1 milhão de terços no dia 11 de novembro de 2011, às 11h, nas escolas e universidades do país.
“Será uma boa oportunidade para incentivar os nossos jovens a estimar esta bonita oração da Igreja”, indicou Dom Villegas, convidando as escolas e paróquias a preparar-se para esta atividade.
Segundo o arcebispo, “esta campanha ajuda a mostrar aos nossos jovens que a oração pode mudar o mundo, e as pessoas que rezam podem mudar os destinos dos povos; de fato, não pode haver paz no mundo sem oração”.
Na arquidiocese de Lingayen-Dagupan, rezar-se-á pela campanha do terço em todas as Missas durante o mês de setembro.
Fonte: Zenit.
A iniciativa incentiva os filipinos do mundo inteiro a oferecer um terço diário por um país em particular desde o próximo dia 7 de setembro, festa de Nossa Senhora do terço, até 31 de maio, festa de Nossa Senhora de Todas as Nações, segundo informa a Conferência Episcopal das Filipinas em seu site.
A partir de hoje e durante todo o mês de setembro, serão realizados encontros especiais de oração em todas as dioceses das Filipinas para preparar a campanha “Um milhão de terços: filipinos em oração, paz para todas as nações”. A campanha do terço será acompanhada pela catequese.
“Eu a vejo como uma ferramenta potente para catequizar sobre a oração, o compromisso social entre os católicos e o verdadeiro significado da paz, assim como o Senhor o ensinou nos Evangelhos, declarou o presidente do episcopado filipino e bispo de Tandag, DomNereo Odchimar.
“A ferramenta pode ser simples, mas esta simplicidade nos abrirá as portas da paz duradoura para o mundo e nos conduzirá ao caminho da cura das nossas nações”, destacou.
O prelado incentivou todas as paróquias, escolas e os filipinos que moram no estrangeiro a unir-se à campanha do terço, orando pela paz no mundo.
Por sua vez, o arcebispo deLingayen-Dagupan, Dom Sócrates Villegas, incentivou a participação ativa de sacerdotes e leigos na campanha do terço, em uma circular dirigida aos sacerdotes da sua diocese.
Villegas dirige a Comissão Episcopal de Catequese e Educação Católica, que colabora com a Cruzada do Terço em Família para levar adiante a campanha.
O prelado também incentivou a participar de uma campanha similar, com a qual as pessoas rezarão 1,1 milhão de terços no dia 11 de novembro de 2011, às 11h, nas escolas e universidades do país.
“Será uma boa oportunidade para incentivar os nossos jovens a estimar esta bonita oração da Igreja”, indicou Dom Villegas, convidando as escolas e paróquias a preparar-se para esta atividade.
Segundo o arcebispo, “esta campanha ajuda a mostrar aos nossos jovens que a oração pode mudar o mundo, e as pessoas que rezam podem mudar os destinos dos povos; de fato, não pode haver paz no mundo sem oração”.
Na arquidiocese de Lingayen-Dagupan, rezar-se-á pela campanha do terço em todas as Missas durante o mês de setembro.
Fonte: Zenit.
Turquia restituirá propriedades confiscadas
Em discurso após a nova vitória do AKP (Partido pela Justiça e Desenvolvimento) nas eleições legislativas de 12 de junho, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan prometeu trabalhar por todos os cidadãos do país, de todas as religiões e estilos de vida. O governo Erdogan aprovou um decreto-lei para restituir a minorias cristãs e judaica as propriedades confiscadas desde 1936.
O novo decreto entrou em vigor neste 27 de agosto, após sua publicação na gazeta oficial de Ancara, noticiada poucas horas depois do jantar festivo do Iftar, o fim do jejum de Ramadã. O jantar, no domingo 28 de agosto, foi organizado pela primeira vez em homenagem a Erdogan pelo representante das minorias perante a Diretoria Geral das Fundações Religiosas, Lakis Vingas, da comunidade ortodoxa. No acontecimento, definido como um "novum" na história da Turquia pela revista alemã especializada em migração e integração MiGAZIN (29 de agosto), participaram representantes de 161 fundações não muçulmanas.
A nova normativa sanciona que todas as minorias reconhecidas no Tratado de Lausanne, assinado em julho de 1923 em Ancara pelo então novo governo de Mustafa Kemal Atatürk, têm um ano para pedir a restituição de todas as propriedades registradas como pertencentes às fundações religiosas no censo de 1936 e confiscadas sucessivamente pelo Estado turco. Dado que o tratado reconhecia oficialmente como “minorias” só as não muçulmanas historicamente presentes no território turco, ou seja, armênios, greco-ortodoxos e judeus, significa que o decreto não contempla a restituição dos bens imóveis desapropriados dos católicos latinos. Já os católicos caldeus poderão se beneficiar do decreto, segundo a Rádio Vaticano (29 de agosto).
O texto prevê não só a devolução dos edifícios, mas também dos cemitérios e até dos mananciais pertencentes às fundações não muçulmanas. Segundo a AsiaNews (29 de agosto), serão devolvidos também os bens imobiliários com títulos de propriedade não definidos, como os de mosteiros e paróquias, que não têm personalidade jurídica e portanto não existem para a lei turca. Estima-se que mil propriedades imobiliárias serão restituídas aos greco-ortodoxos e cerca de cem aos armênios. De acordo com informações do Today's Zaman (28 de agosto), ao menos 157 casas, 21 complexos de apartamentos, uma fábrica e três cemitérios voltarão à posse do Hospital Grego de Balikli, um bairro de Istambul. A normativa estabelece ainda que as fundações não muçulmanas serão ressarcidas se as propriedades confiscadas tiverem sido vendidas a terceiros. Segundo cálculos dos meios de comunicação locais, esta operação poderia custar ao Estado turco em torno de 700 milhões de euros (Domradio, 30 de agosto).
O próprio Erdogan explicou a decisão do governo, que a AsiaNews chamou de "coup de théâtre", como um passo na luta contra as injustiças do passado e contra a exclusão e a desigualdade na Turquia. "Os tempos em que os nossos cidadãos eram oprimidos por causa de sua fé, de sua etnia, de sua vestimenta ou estilo de vida, pertencem agora ao passado do nosso país" (MiGAZIN, 29 de agosto). “Os 74 milhões que vivem neste país são cidadãos de primeira classe, e, com todas as suas diferenças, são iguais aos nossos olhos", prosseguiu o político do AKP.
As declarações do primeiro-ministro suscitaram reações positivas, como as palavras do rabino chefe da Turquia, Ishak Haleva. "É extraordinário. Hoje é uma jornada histórica. A luz do Império Otomano continua brilhando", disse Haleva, que falou de “correção de uma injustiça”.
Um dos mais conhecidos empresários da Turquia, Ishak Alaton, qualificou a iniciativa do governo como “uma espécie de revolução”, que “aplana o caminho rumo à paz social". Segundo o expoente da comunidade judaica, "até hoje tínhamos falado sempre de cidadãos de primeira e de segunda classe. Agora deixamos esta discriminação para trás. Todos serão iguais”.
A advogada Kezban Hatemi, comprometida na defesa dos interesses das minorias, entre elas a católica, afirmou: “Este é um primeiro passo na história da República turca e um fato muito significativo. É o restabelecimento de um direito. Uma medida requerida pelo Tratado de Lausanne, que faz os cidadãos não muçulmanos da Turquia se sentirem cidadãos com a mesma igualdade”.
Para o diretor da Secretaria para os Direitos Humanos da organização católica alemã Missio, Otmar Oehring, que há anos segue de perto a situação das minorias religiosas na Turquia, o decreto será um passo “valente e surpreendente" se for ratificado (Domradio, 30 de agosto).
O presidente da Conferência Episcopal da Turquia, Dom Ruggero Franceschini, também afirmou acolher a notícia “com alegria" (Radio Vaticano, 29 de agosto), embora a comunidade dos católicos latinos fique de fora das disposições do decreto.
Para os analistas, a decisão deve ser lida à luz das recentes condenações infligidas à Turquia pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Após batalha começada em 2007, o tribunal com sede em Estrasburgo condenou o país, em junho de 2010, a devolver o orfanato de Büyükada, na homônima ilha do Mar de Mármara, ao patriarcado ecumênico de Constantinopla. A sentença foi considerada de “grandíssima importância" (AsiaNews, 16 de junho de 2010), porque reconhecia o status jurídico do Patriarcado.
Não há que excluir que Erdogan – datado de uma grande intuição política – tenha querido julgar antecipadamente e impedir um recurso ao Tribunal de Estrasburgo por parte de outras entidades cristãs, por exemplo os monges do mosteiro sírio-ortodoxo de Mor Gabriel. Além de perder uma parte de suas terras, o mosteiro, situado no sudeste de Anatolia, corre risco de ter de derrubar os poderosos muros que o protegem de ataques e ladrões. “Não queremos mais belas palavras, mas atos”, declarou o metropolita Mor Timotheus Samuel Aktas, após um decepcionante encontro com Erdogan, celebrado no mês de abril (Domradio, 2 de junho).
“Se o governo não tivesse tomado nenhuma iniciativa, a Turquia teria enfrentado severas sanções do Tribunal Europeu”, disse ao Today's Zaman o sociólogo Ayhan Aktar, autor de vários livros sobre as minorias em seu país. Além disso, se poderia considerar a negociação com Bruxelas sobre a entrada da Turquia na União Europeia. Em várias ocasiões, a UE pediu a Ancara passos para eliminar as discriminações pelas minorias. Em uma primeira reação, um porta-voz do Comissário para a ampliação da UE, Stefan Füle, falou de um passo “positivo e oportuno" (Domradio, 30 de agosto). "A Comissão europeia vigiará com atenção o cumprimento da nova lei, mantendo-se em contato tanto com as autoridades turcas como com as comunidades religiosas não muçulmanas”, acrescentou o porta-voz.
Um funcionário do governo grego mostrou-se mais cauteloso. “Houve ao menos cinco ocasiões em que se deram modificações na legislação atual desde que o AKP está no governo, mas não foram muito satisfatórias na prática”, disse o representante de Atenas, que preferiu se manter no anonimato (The New York Times, 28 de agosto). “Esperamos que desta vez as mudanças produzam verdadeiras transformações”, desejou.
No entanto, há rejeição da parte do presidente do Armenian National Committee of America (ANCA), Ken Hachikian. "96 anos depois do genocídio perpetrado contra os armênios, gregos e sírios, este decreto é uma cortina de fumaça para evitar consequências muito mais amplas desses atos brutais”, declarou (Asbarez Armenian News, 28 de agosto). Segundo Hachikian, com o decreto voltará de fato “menos de 1% das igrejas e propriedades eclesiásticas confiscadas durante o genocídio armênio e nas décadas que o seguiram”. Segundo especialistas da Igreja armênia, dos mais de 2.000 lugares de culto armênios antes de 1915, menos de 40 funcionam hoje como igrejas.
Fonte: Zenit.
O novo decreto entrou em vigor neste 27 de agosto, após sua publicação na gazeta oficial de Ancara, noticiada poucas horas depois do jantar festivo do Iftar, o fim do jejum de Ramadã. O jantar, no domingo 28 de agosto, foi organizado pela primeira vez em homenagem a Erdogan pelo representante das minorias perante a Diretoria Geral das Fundações Religiosas, Lakis Vingas, da comunidade ortodoxa. No acontecimento, definido como um "novum" na história da Turquia pela revista alemã especializada em migração e integração MiGAZIN (29 de agosto), participaram representantes de 161 fundações não muçulmanas.
A nova normativa sanciona que todas as minorias reconhecidas no Tratado de Lausanne, assinado em julho de 1923 em Ancara pelo então novo governo de Mustafa Kemal Atatürk, têm um ano para pedir a restituição de todas as propriedades registradas como pertencentes às fundações religiosas no censo de 1936 e confiscadas sucessivamente pelo Estado turco. Dado que o tratado reconhecia oficialmente como “minorias” só as não muçulmanas historicamente presentes no território turco, ou seja, armênios, greco-ortodoxos e judeus, significa que o decreto não contempla a restituição dos bens imóveis desapropriados dos católicos latinos. Já os católicos caldeus poderão se beneficiar do decreto, segundo a Rádio Vaticano (29 de agosto).
O texto prevê não só a devolução dos edifícios, mas também dos cemitérios e até dos mananciais pertencentes às fundações não muçulmanas. Segundo a AsiaNews (29 de agosto), serão devolvidos também os bens imobiliários com títulos de propriedade não definidos, como os de mosteiros e paróquias, que não têm personalidade jurídica e portanto não existem para a lei turca. Estima-se que mil propriedades imobiliárias serão restituídas aos greco-ortodoxos e cerca de cem aos armênios. De acordo com informações do Today's Zaman (28 de agosto), ao menos 157 casas, 21 complexos de apartamentos, uma fábrica e três cemitérios voltarão à posse do Hospital Grego de Balikli, um bairro de Istambul. A normativa estabelece ainda que as fundações não muçulmanas serão ressarcidas se as propriedades confiscadas tiverem sido vendidas a terceiros. Segundo cálculos dos meios de comunicação locais, esta operação poderia custar ao Estado turco em torno de 700 milhões de euros (Domradio, 30 de agosto).
O próprio Erdogan explicou a decisão do governo, que a AsiaNews chamou de "coup de théâtre", como um passo na luta contra as injustiças do passado e contra a exclusão e a desigualdade na Turquia. "Os tempos em que os nossos cidadãos eram oprimidos por causa de sua fé, de sua etnia, de sua vestimenta ou estilo de vida, pertencem agora ao passado do nosso país" (MiGAZIN, 29 de agosto). “Os 74 milhões que vivem neste país são cidadãos de primeira classe, e, com todas as suas diferenças, são iguais aos nossos olhos", prosseguiu o político do AKP.
As declarações do primeiro-ministro suscitaram reações positivas, como as palavras do rabino chefe da Turquia, Ishak Haleva. "É extraordinário. Hoje é uma jornada histórica. A luz do Império Otomano continua brilhando", disse Haleva, que falou de “correção de uma injustiça”.
Um dos mais conhecidos empresários da Turquia, Ishak Alaton, qualificou a iniciativa do governo como “uma espécie de revolução”, que “aplana o caminho rumo à paz social". Segundo o expoente da comunidade judaica, "até hoje tínhamos falado sempre de cidadãos de primeira e de segunda classe. Agora deixamos esta discriminação para trás. Todos serão iguais”.
A advogada Kezban Hatemi, comprometida na defesa dos interesses das minorias, entre elas a católica, afirmou: “Este é um primeiro passo na história da República turca e um fato muito significativo. É o restabelecimento de um direito. Uma medida requerida pelo Tratado de Lausanne, que faz os cidadãos não muçulmanos da Turquia se sentirem cidadãos com a mesma igualdade”.
Para o diretor da Secretaria para os Direitos Humanos da organização católica alemã Missio, Otmar Oehring, que há anos segue de perto a situação das minorias religiosas na Turquia, o decreto será um passo “valente e surpreendente" se for ratificado (Domradio, 30 de agosto).
O presidente da Conferência Episcopal da Turquia, Dom Ruggero Franceschini, também afirmou acolher a notícia “com alegria" (Radio Vaticano, 29 de agosto), embora a comunidade dos católicos latinos fique de fora das disposições do decreto.
Para os analistas, a decisão deve ser lida à luz das recentes condenações infligidas à Turquia pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Após batalha começada em 2007, o tribunal com sede em Estrasburgo condenou o país, em junho de 2010, a devolver o orfanato de Büyükada, na homônima ilha do Mar de Mármara, ao patriarcado ecumênico de Constantinopla. A sentença foi considerada de “grandíssima importância" (AsiaNews, 16 de junho de 2010), porque reconhecia o status jurídico do Patriarcado.
Não há que excluir que Erdogan – datado de uma grande intuição política – tenha querido julgar antecipadamente e impedir um recurso ao Tribunal de Estrasburgo por parte de outras entidades cristãs, por exemplo os monges do mosteiro sírio-ortodoxo de Mor Gabriel. Além de perder uma parte de suas terras, o mosteiro, situado no sudeste de Anatolia, corre risco de ter de derrubar os poderosos muros que o protegem de ataques e ladrões. “Não queremos mais belas palavras, mas atos”, declarou o metropolita Mor Timotheus Samuel Aktas, após um decepcionante encontro com Erdogan, celebrado no mês de abril (Domradio, 2 de junho).
“Se o governo não tivesse tomado nenhuma iniciativa, a Turquia teria enfrentado severas sanções do Tribunal Europeu”, disse ao Today's Zaman o sociólogo Ayhan Aktar, autor de vários livros sobre as minorias em seu país. Além disso, se poderia considerar a negociação com Bruxelas sobre a entrada da Turquia na União Europeia. Em várias ocasiões, a UE pediu a Ancara passos para eliminar as discriminações pelas minorias. Em uma primeira reação, um porta-voz do Comissário para a ampliação da UE, Stefan Füle, falou de um passo “positivo e oportuno" (Domradio, 30 de agosto). "A Comissão europeia vigiará com atenção o cumprimento da nova lei, mantendo-se em contato tanto com as autoridades turcas como com as comunidades religiosas não muçulmanas”, acrescentou o porta-voz.
Um funcionário do governo grego mostrou-se mais cauteloso. “Houve ao menos cinco ocasiões em que se deram modificações na legislação atual desde que o AKP está no governo, mas não foram muito satisfatórias na prática”, disse o representante de Atenas, que preferiu se manter no anonimato (The New York Times, 28 de agosto). “Esperamos que desta vez as mudanças produzam verdadeiras transformações”, desejou.
No entanto, há rejeição da parte do presidente do Armenian National Committee of America (ANCA), Ken Hachikian. "96 anos depois do genocídio perpetrado contra os armênios, gregos e sírios, este decreto é uma cortina de fumaça para evitar consequências muito mais amplas desses atos brutais”, declarou (Asbarez Armenian News, 28 de agosto). Segundo Hachikian, com o decreto voltará de fato “menos de 1% das igrejas e propriedades eclesiásticas confiscadas durante o genocídio armênio e nas décadas que o seguiram”. Segundo especialistas da Igreja armênia, dos mais de 2.000 lugares de culto armênios antes de 1915, menos de 40 funcionam hoje como igrejas.
Fonte: Zenit.
Itália: atiram em padre que combate máfia com Evangelho
O sacerdote Giuseppe Campisano, conhecido pela sua oposição à máfia calabresa – Ndrangheta – foi intimidado quando o carro em que viajava recebeu vários tiros na noite do dia 29 de agosto, na cidade italiana de Calábria. Anteriormente, ele já havia recebido ameaças telefônicas e cartas acompanhadas de balas.
Seu bispo, Dom Giuseppe Fiorini Morosini, expressou publicamente sua solidariedade com o sacerdote, que é pároco de São Roque (no município de Gioiosa Ionica), e o convidou a prosseguir seu “ministério precioso e valorizado de sacerdote dedicado à sua missão religiosa e social”.
O bispo de Locri-Gerace condenou firmemente o “gesto intimidatório, fruto da covardia de pessoas que não sabem ou não querem enfrentar os problemas através do debate e do diálogo civilizado”.
Ao mesmo tempo, convidou “todos os habitantes de Locride, crentes ou não, a ampliar sua consciência cívica, que não pode se ocultar em um vil anonimato quando é preciso enfrentar os problemas”.
Segundo o bispo, é necessário “reafirmar nosso compromisso pela nova evangelização no nosso território e convidamos todos os fiéis a uma maior coerência entre sua fé e sua vida, recordando que a fé não pode se reduzir a uma devoção exterior, mas deve acolher o convite de Cristo a colocar em prática a sua Palavra”.
O Pe. Campisano revelou à Rádio Vaticano que “o acontecimento está relacionado à festa de São Roque”, após a decisão tomada pelo bispo e pelo sacerdote de dar um “rosto religioso” a esta festa, até agora “sinal de um paganismo absoluto”.
O sacerdote explicou que “a festa começa às 9h30 e acaba cerca de doze horas mais tarde, ao anoitecer, e isso é escandaloso pelo barulho dos tambores e pelo baile, sobretudo dos jovens, de todos os lugares de Locride”.
A festa de São Roque, que tem muito “nome”, é objeto de uma “forma de poder e de controle precisamente pela circulação, pelo fluxo de dinheiro, porque a feira é enorme” e os mafiosos “passam sistematicamente por todas as barraquinhas para a extorsão”, denunciou.
Também acredita que o gesto de intimidação responde aos dias dedicados à legalidade, organizados diante da igreja: quatro tardes que tiveram um grande êxito e nas quais “o tom foi muito forte”.
Os tiros, explicou, aconteceram na hora em que ainda havia muita gente na rua: “eles queriam ser vistos”.
Para o Pe. Campisano, Gioiosa Ionica se encontra em “uma área cinza, muito perigosa”, e tem uma “região preta, conhecida por todos – conhecemos os nomes e sobrenomes”, mas a área cinza é “um estilo de vida, de conivência com esse tipo de personalidade e de mentalidade”.
Os que aceitaram a mensagem evangélica sustentam o seu pároco e colaboram, e isso conta nesse pequeno resto, segundo explicou. Com relação ao medo, o sacerdote confessa que começou, pouco a pouco, a “conviver com ele” e que hoje o aceita melhor.
Mas como combater a Ndrangheta? “Estou tentando fazer isso com o Evangelho – respondeu o Pe. Campisano –, com a animação dos jovens, com a educação das crianças, dando andamento a grupos familiares nos quais se tratam diversos temas; eu tento evangelizar.”
“Outro instrumento que estou querendo adotar é o de ir ao encontro das vítimas da usura, que é outra praga terrível – acrescentou. Sou muito otimista; se não fosse, isso não valeria a pena. Que sentido teria, depois de 30 anos, permanecer aqui para combater e lutar?”, concluiu.
Fonte: Zenit.
Seu bispo, Dom Giuseppe Fiorini Morosini, expressou publicamente sua solidariedade com o sacerdote, que é pároco de São Roque (no município de Gioiosa Ionica), e o convidou a prosseguir seu “ministério precioso e valorizado de sacerdote dedicado à sua missão religiosa e social”.
O bispo de Locri-Gerace condenou firmemente o “gesto intimidatório, fruto da covardia de pessoas que não sabem ou não querem enfrentar os problemas através do debate e do diálogo civilizado”.
Ao mesmo tempo, convidou “todos os habitantes de Locride, crentes ou não, a ampliar sua consciência cívica, que não pode se ocultar em um vil anonimato quando é preciso enfrentar os problemas”.
Segundo o bispo, é necessário “reafirmar nosso compromisso pela nova evangelização no nosso território e convidamos todos os fiéis a uma maior coerência entre sua fé e sua vida, recordando que a fé não pode se reduzir a uma devoção exterior, mas deve acolher o convite de Cristo a colocar em prática a sua Palavra”.
O Pe. Campisano revelou à Rádio Vaticano que “o acontecimento está relacionado à festa de São Roque”, após a decisão tomada pelo bispo e pelo sacerdote de dar um “rosto religioso” a esta festa, até agora “sinal de um paganismo absoluto”.
O sacerdote explicou que “a festa começa às 9h30 e acaba cerca de doze horas mais tarde, ao anoitecer, e isso é escandaloso pelo barulho dos tambores e pelo baile, sobretudo dos jovens, de todos os lugares de Locride”.
A festa de São Roque, que tem muito “nome”, é objeto de uma “forma de poder e de controle precisamente pela circulação, pelo fluxo de dinheiro, porque a feira é enorme” e os mafiosos “passam sistematicamente por todas as barraquinhas para a extorsão”, denunciou.
Também acredita que o gesto de intimidação responde aos dias dedicados à legalidade, organizados diante da igreja: quatro tardes que tiveram um grande êxito e nas quais “o tom foi muito forte”.
Os tiros, explicou, aconteceram na hora em que ainda havia muita gente na rua: “eles queriam ser vistos”.
Para o Pe. Campisano, Gioiosa Ionica se encontra em “uma área cinza, muito perigosa”, e tem uma “região preta, conhecida por todos – conhecemos os nomes e sobrenomes”, mas a área cinza é “um estilo de vida, de conivência com esse tipo de personalidade e de mentalidade”.
Os que aceitaram a mensagem evangélica sustentam o seu pároco e colaboram, e isso conta nesse pequeno resto, segundo explicou. Com relação ao medo, o sacerdote confessa que começou, pouco a pouco, a “conviver com ele” e que hoje o aceita melhor.
Mas como combater a Ndrangheta? “Estou tentando fazer isso com o Evangelho – respondeu o Pe. Campisano –, com a animação dos jovens, com a educação das crianças, dando andamento a grupos familiares nos quais se tratam diversos temas; eu tento evangelizar.”
“Outro instrumento que estou querendo adotar é o de ir ao encontro das vítimas da usura, que é outra praga terrível – acrescentou. Sou muito otimista; se não fosse, isso não valeria a pena. Que sentido teria, depois de 30 anos, permanecer aqui para combater e lutar?”, concluiu.
Fonte: Zenit.
A favor da maternidade, contra discriminação de gênero
A organização de profissionais católicos no campo da obstetrícia MaterCare International inaugurou ontem sua 8ª Conferência Internacional em Roma, com o patrocínio da Academia Pontifícia para a Vida e a contribuição da Federação Mundial de Associações Médicas Católicas (FIAMC).
Esta organização internacional, que se reúne nestes dias no Instituto Maria SS. Bambina de Roma, tem como objetivo o serviço à cultura da vida nos contextos em que esta corre maiores riscos, nas áreas de crise, nas quais as mães e seus filhos são descuidados ou abandonados.
O simpósio trata sobre como proteger a dignidade desta profissão em um contexto em que a família humana mais fraca parece ameaçada por uma cultura que nega seu valor e uma prática obstétrica ligada a um conceito de saúde reprodutiva entendida como a afirmação de novas tecnologias.
“O objetivo da conferência – afirmou Bogdan Chazan, do hospital Santa Família de Varsóvia, professor de obstetrícia e ginecologia – é identificar os problemas e sugerir soluções.”
“Ainda que na Índia todas as religiões tenham em grande consideração a maternidade e a sua dignidade – afirmou em sua saudação Dom Thomas Dabre, bispo de Poona, no estado de Maharashtra –, as mulheres e as mães sofrem enormemente pela persistência de uma difundida discriminação de gênero.”
Registra-se “um crescente abuso das amniocenteses: os médicos usam o diagnóstico pré-natal do sexo com o objetivo de abortar fetos e embriões femininos (…). Maridos e mulheres consentem e isso explica por que, em alguns lugares da Índia, há menos meninas que meninos”.
“Na Índia – recordou o prelado –, 300 milhões de pessoas são verdadeiramente pobres. Vivem com um dólar por dia e não estou exagerando.” Como consequência, “muitas mulheres estão desnutridas e em muitos lugares não há facilidades para as mulheres grávidas, que se veem obrigadas a trabalhar”.
“A Igreja – concluiu o bispo de Poona – está comprometida em ajudá-las, mas precisa da contribuição de programas específicos.”
A MaterCare, já antes muito comprometida no Haiti, após a catástrofe humanitária causada pelo terremoto de janeiro de 2010, está levando a cabo um desses programas em Isiolo, um distrito no centro do Quênia que se estende até as fronteiras com a Etiópia e a Somália.
Lá, a associação, em colaboração com o vicariato apostólico de Isiolo, está construindo um hospital com 15 camas, para oferecer serviços obstétricos que ajudem a combater a alta taxa de mortalidade das mães e dos seus filhos.
“A de Isiolo – explicou a ZENIT o bispo local, Dom Anthony Ireri Mukobo – é uma região semiárida, onde atualmente há uma seca que provocou uma enorme carestia.”
“As mulheres – explicou Dom Mukobo – são as que mais sofrem por esta situação, porque é tarefa sua buscar a água e elas têm de ir cada vez mais longe.”
A população é em grande parte nômade e precisa de capim para alimentar o gado; a sobrevivência, se a seca continuar, “estará ligada às ajudas da Igreja, que as busca entre seus amigos e que às vezes obtém algo do governo”.
“Nossa esperança – concluiu o bispo – é que, em outubro, as chuvas voltem a a vida renasça.”
Fonte: Zenit - (Chiara Santomiero)
Esta organização internacional, que se reúne nestes dias no Instituto Maria SS. Bambina de Roma, tem como objetivo o serviço à cultura da vida nos contextos em que esta corre maiores riscos, nas áreas de crise, nas quais as mães e seus filhos são descuidados ou abandonados.
O simpósio trata sobre como proteger a dignidade desta profissão em um contexto em que a família humana mais fraca parece ameaçada por uma cultura que nega seu valor e uma prática obstétrica ligada a um conceito de saúde reprodutiva entendida como a afirmação de novas tecnologias.
“O objetivo da conferência – afirmou Bogdan Chazan, do hospital Santa Família de Varsóvia, professor de obstetrícia e ginecologia – é identificar os problemas e sugerir soluções.”
“Ainda que na Índia todas as religiões tenham em grande consideração a maternidade e a sua dignidade – afirmou em sua saudação Dom Thomas Dabre, bispo de Poona, no estado de Maharashtra –, as mulheres e as mães sofrem enormemente pela persistência de uma difundida discriminação de gênero.”
Registra-se “um crescente abuso das amniocenteses: os médicos usam o diagnóstico pré-natal do sexo com o objetivo de abortar fetos e embriões femininos (…). Maridos e mulheres consentem e isso explica por que, em alguns lugares da Índia, há menos meninas que meninos”.
“Na Índia – recordou o prelado –, 300 milhões de pessoas são verdadeiramente pobres. Vivem com um dólar por dia e não estou exagerando.” Como consequência, “muitas mulheres estão desnutridas e em muitos lugares não há facilidades para as mulheres grávidas, que se veem obrigadas a trabalhar”.
“A Igreja – concluiu o bispo de Poona – está comprometida em ajudá-las, mas precisa da contribuição de programas específicos.”
A MaterCare, já antes muito comprometida no Haiti, após a catástrofe humanitária causada pelo terremoto de janeiro de 2010, está levando a cabo um desses programas em Isiolo, um distrito no centro do Quênia que se estende até as fronteiras com a Etiópia e a Somália.
Lá, a associação, em colaboração com o vicariato apostólico de Isiolo, está construindo um hospital com 15 camas, para oferecer serviços obstétricos que ajudem a combater a alta taxa de mortalidade das mães e dos seus filhos.
“A de Isiolo – explicou a ZENIT o bispo local, Dom Anthony Ireri Mukobo – é uma região semiárida, onde atualmente há uma seca que provocou uma enorme carestia.”
“As mulheres – explicou Dom Mukobo – são as que mais sofrem por esta situação, porque é tarefa sua buscar a água e elas têm de ir cada vez mais longe.”
A população é em grande parte nômade e precisa de capim para alimentar o gado; a sobrevivência, se a seca continuar, “estará ligada às ajudas da Igreja, que as busca entre seus amigos e que às vezes obtém algo do governo”.
“Nossa esperança – concluiu o bispo – é que, em outubro, as chuvas voltem a a vida renasça.”
Fonte: Zenit - (Chiara Santomiero)
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