A torre estreita e quadrada da igreja católica da Santa Cruz no Chipre, na capital Nicósia, se destaca sobre os edifícios vizinhos. Desta forma, converte-se em um sinal muito visível da presença católica no ambiente ortodoxo, caracterizado normalmente por cúpulas arredondadas. Esta igreja está construída da mesma pedra amarela que predomina em Jerusalém. Isto não é nenhuma coincidência, dizem os padres desta paróquia franciscana, pertencentes ao Patriarcado Latino de Jerusalém.
No sábado, o Papa Bento XVI se reunirá, na Igreja de Santa Cruz, com os sacerdotes, religiosos, diáconos, catequistas e representantes de movimentos eclesiais do Chipre para celebrar uma Missa.
Pela estrada que conduz até a igreja, de repente, aparece um carro carregado com flores frescas e vasos, que provavelmente serão colocados rapidamente para enfeitar a área da entrada da igreja com cor e alegria. O pé do motorista no acelerador obriga os outros a desviarem: os últimos preparativos serão feitos rapidamente. Dentro se encontra uma igreja com decoração relativamente pobre, mas também se difere do esplendor do interior dourado ortodoxo.
Há somente de 2 a 3 mil fiéis católicos no total, vivendo na ilha mediterrânea, calcula o arcebispo e núncio Dom Antonio Franco. ZENIT o entrevistou perto da paróquia de Santa Cruz, onde existe uma representação formal diplomática da Santa Sé na República de Chipre.
O primeiro presidente de Chipre, arcebispo ortodoxo Makarios III, iniciou as relações diplomáticas com o Vaticano em 1973, um ano antes da invasão dos turcos na parte norte do país. A nunciatura não vê aqui o núncio todos os dias, pois ele também é responsável por Israel, Jerusalém e os territórios palestinos, e reside na maior parte do tempo em Jaffa, Israel.
Entre os católicos, existem muitos filipinos e filipinas que têm a sorte de não estar trabalhando na Arábia Saudita, mas sim neste país de origem cristã. "Também há um número considerável de camaroneses aqui. Se você vier aqui no domingo, encontrará diversas pessoas das Filipinas e Camarões."
"Há três dimensões nesta viagem", explica o núncio apostólico com uma voz tranquila, falando lentamente, em meio aos agitados preparativos.
"Chipre é um dos lugares centrais na história do cristianismo", disse na entrevista concedida a ZENIT. O antecessor do Papa Bento XVI, João Paulo II, havia planejado uma estadia em Chipre, que nunca se realizou. "Isso mostra ainda mais a dimensão missionária da jornada, para caminhar seguindo os passos de São Paulo neste espírito, para apoiar as atividades missionárias, para encorajar-nos a difundir sua mensagem", afirmou.
Além disso, há também uma dimensão pastoral que traz o Pontífice até a ilha do Chipre, no sudeste do Mediterrâneo, dirigido aos católicos, mas que evidentemente também se refere à região do Oriente Médio, esta região traumatizada, mas na qual se encontra o berço do cristianismo: aos sete patriarcas unidos a Roma, que em outubro participarão no próximo Sínodo especial do Oriente Médio, foi fácil a chegada ao Chipre. O Pontífice apresentará no domingo, no Palácio dos Esportes Eleftheria de Nicósia, o Instrumentum laboris do Sínodo.
"E também existe uma dimensão ecumênica - continua o núncio. A Igreja Ortodoxa de Chipre é uma igreja importante no diálogo ecumênico, e está tradicionalmente muito próxima da Igreja Católica."
Desta forma, foi muito significativa a reunião, em 2007, entre o Papa Bento XVI e o arcebispo Crisóstomo, na qual escreveram uma declaração conjunta: "Na feliz circunstância de nosso encontro fraterno junto aos túmulos de São Pedro e São Paulo, queremos declarar de comum nosso acordo sincero e firme desejo, na obediência à vontade de nosso Senhor Jesus Cristo, de intensificar a busca da unidade plena entre todos os cristãos, realizando todos os esforços possíveis e que consideremos úteis para a vida de nossas comunidades".
Enfatiza-se, na cerimônia ecumênica que acontecerá no começo da visita, a área arqueológica da igreja de Agia Kyriaki Chrysopolitissa em Paphos, onde se encontra o famoso pilar de São Paulo. "Lá, o apóstolo dos gentios foi açoitado uma vez, segundo a tradição. À luz dos desafios da evangelização, que ambos têm em comum, de fato, este evento é simbólico".
Especificamente em Chipre, os católicos estão preocupados por seu futuro destino. Como Dom Antonio Franco explica com toda clareza, "muitas paróquias e mosteiros na parte norte, sejam católicos ou ortodoxos, sofrem pela situação de ocupação".
Para os maronitas em particular, uma igreja, "a Marina de Ayaia", contudo, não estava disponível, porque se encontra na zona restringida pelos militares turcos.
"Esta é uma das feridas pela qual nosso mundo continua sangrando", destacou metaforicamente o prelado. A Santa Sé continuará exigindo mais respeito pelos lugares e personagens que são sinais da presença e patrimônio dos cristãos em Chipre.
Por último, ele se dirige mais uma vez os cristãos em toda região: "Qual é a nossa missão aqui e o que devemos fazer para realizá-la?", pergunta Dom Franco pensativamente. "Esta presença é significativa no lugar onde nasceu o cristianismo", conclui.
Desde sexta-feira, Chipre, que começou sendo uma ilha no oeste da Terra Santa da Bíblia, se converterá no foco da opinião católica do mundo.
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Papa viajará a um Chipre politicamente instável
A próxima visita apostólica de Bento XVI a Chipre, que inicia amanhã, será uma de suas viagens de maior teor político, segundo o especialista em história cipriota e direito internacional Alfred-Maurice de Zayas, professor da Geneva School of Diplomacy and International Relations.
Em entrevista concedida a ZENIT, o professor Zayas discute a questão de Chipre e as repercussões políticas da próxima visita apostólica.
O Santo Padre pretende se reunir com o arcebispo Crisóstomo II, líder da Igreja Ortodoxa Cipriota. O bispo metropolitano ortodoxo Atanasio de Limassol expressou, em um artigo no jornal Phileleftheros, sua expectativa de que a visita de Bento XVI aborde as grandes questões nacionais desta ilha de maioria ortodoxa.
A Igreja Ortodoxa de Chipre é autocéfala, isto é, autogovernada, desde o século V, quando, após o Concílio de Éfeso, o Patriarcado de Antioquia se declarou independente.
Sua fundação é mencionada na Bíblia, nos Atos dos Apóstolos (13, 4-13). No ano 45, o apóstolo Paulo, acompanhado por Barnabé e Marcos o Evangelista, chegou a Salamina e seguiu para Paphos, local que Bento XVI também visitará.
O êxito desta missão fez de Chipre o primeiro país com um governo cristão, pois seu pro-cônsul à época, Sérgio Paulo, foi o primeiro funcionário Romano a se converter ao cristianismo.
Muito mais tarde, quando reis católicos assumiram o trono de Chipre, a hierarquia ortodoxa passou a ser oprimida, até 1571, quando o Império Otomano conquistou a ilha e fez da Igreja Ortodoxa a única igreja cristã legal.
A partir do século XVII, a hierarquia ortodoxa passou também a ter liderança política entre os cristãos de Chipre, arrecadando impostos para o império e exercendo funções administrativas. O arcebispo de Chipre ocupava também o cargo de "etnarca", líder do povo.
No século XX, a igreja desta ilha do Mediterrâneo oriental esteve fortemente envolvida na política leiga do país.
O primeiro presidente da República de Chipre foi o arcebispo Makarios III, um dos antecessores do atual líder da Igreja de Chipre, Crisóstomo II. Foi sua atuação diplomática que abriu caminho para a independência. Resistiu ao regime militar grego (1967 - 1974), que pretendia se estender a Chipre. Com isso, Atenas instigou uma revolta contra seu governo, que acabou por servir de pretexto para a invasão pela Turquia.
Nesta entrevista, Zayas explica como o impasse com a Turquia segue sem solução e permanece sendo causa de instabilidade política no país que receberá Bento XVI.
- Bento XVI viajará a Chipre na sexta-feira, onde permanecerá até a noite de domingo. De acordo com o programa divulgado, não está prevista uma visita à parte norte da ilha. Como o senhor vê esta decisão, do ponto de vista do direito internacional?
- Zayas: O Papa Bento XVI daria um sinal equivocado caso visitasse o norte da ilha de Chipre. A Turquia invadiu ilegalmente o país em 1974, ocupando 37% de seu território. Transcorridos 36 anos, a Turquia continua ocupando o norte de Chipre, violando a Carta das Nações Unidas e numerosas resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral da ONU, buscando evadir-se de suas responsabilidades mediante a criação de um Estado fantoche controlado pelo governo turco, a autoproclamada República do Norte de Chipre (RTNC), entidade que não é reconhecida por nenhum outro Estado além da Turquia, e que foi declarado ilegal pelo Conselho de Segurança.
Em 1974, a Turquia expulsou 200 mil cristãos cipriotas do norte de Chipre, em violação à 4ª Convenção de Genebra de 1949 e ao Convênio Europeu de Direitos Humanos (CEDH).
Enquanto a Turquia insistir em ignorar as resoluções da ONU e as sentenças do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, seria um erro conceder reconhecimento à RTNC, ainda que indireto, através de uma visita oficial por parte do Vaticano.
- Em 24 de abril de 2004, três quartos da população da República de Chipre votou contra o assim chamado plano Annan, pelo qual as Nações Unidas tentavam resolver o impasse na ilha. Quais as razões dos cipriotas gregos para rejeitar a proposta?
- Zayas: Annan tinha muito pouco a ver com a proposta que levava seu nome. Este plano, profundamente defeituoso, não foi produto de negociações democráticas junto ao povo cipriota, mas uma imposição vinda de cima, que refletia os interesses de alguns países, particularmente a Grã-Bretanha e a Turquia.
À luz do direito internacional, o plano violava o princípio da livre determinação e as inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Assembleia Geral.
Teria sido verdadeiramente surpreendente se os cipriotas gregos tivessem aceitado um plano que, essencialmente, anulava todas as resoluções anteriores da ONU e aceitava a invasão ilegal da Turquia de 1974.
O "plano", além disso, não previa a aplicação das sentenças do TEDH, o direito dos cipriotas gregos expulsos de voltarem à sua região de origem, o direito à plena restituição e à compensação, uma vez que autorizava a permanência em Chipre de grande parte dos 130 mil colonos ilegais turcos, violando o artigo 49 (6) da Quarta Convenção de Genebra de 1949.
- Monumentos eclesiais, cemitérios e mosteiros na área norte da ilha foram danificados pelas forças de ocupação turcas, e valiosas relíquias arqueológicas e sacras foram vendidas ilegalmente. Há possibilidade de reparação?
- Zaya: Graças à atuação da Interpol, uma série de mosaicos e outros artefatos roubados de igrejas e mosteiros foram encontrados e devolvidos à República de Chipre.
De acordo com o direito internacional e diversas convenções e declarações da UNESCO, o patrimônio cultural de um povo deve ser protegido, e, em caso de destruição, deve ser paga uma indenização.
- O ingresso à União Europeia, em março de 2004, conduziu a melhorias na situação?
- Zayas: Acho que não. Ainda que Chipre seja membro da União Europeia, permanece sujeito às pressões políticas da Grã-Bretanha e de outros Estados com interesses em Chipre.
É desconcertante que a União Europeia tenha iniciado negociações com a Turquia sobre sua possível adesão ao bloco, sem exigir que fossem aplicadas as sentenças do TEDH referentes à situação de Chipre.
- O senhor também tem experiência em questões referentes à proteção de minorias e grupos étnicos. Bento XVI se encontrará com representantes da pequena comunidade maronita de Chipre. Sua identidade cultural e seu idioma, o árabe cipriota, estão em grave perigo. O povoado de Kormakitis, na região norte da ilha, de onde a maioria dos maronitas foi expulsa, era um centro deste dialeto. Como esta cultura pode ser resgatada?
- Zayas: O artigo 27 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos de 1996 assegura os direitos das minorias e obriga os Estados a proteger sua cultura.
Isto implica na necessidade de uma ação afirmativa. Se aplicada adequadamente, a Convenção da UNESCO sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Experiências Culturais de 2005 e a Carta Europeia de Línguas Regionais ou Minoritárias de 1992 proporcionariam a proteção necessária.
Em última análise, trata-se de uma questão de vontade política e de mecanismos de implementação.
A Igreja pode desempenhar um papel importante ao dar voz à minoria maronita.
Fonte: Zenit.
Em entrevista concedida a ZENIT, o professor Zayas discute a questão de Chipre e as repercussões políticas da próxima visita apostólica.
O Santo Padre pretende se reunir com o arcebispo Crisóstomo II, líder da Igreja Ortodoxa Cipriota. O bispo metropolitano ortodoxo Atanasio de Limassol expressou, em um artigo no jornal Phileleftheros, sua expectativa de que a visita de Bento XVI aborde as grandes questões nacionais desta ilha de maioria ortodoxa.
A Igreja Ortodoxa de Chipre é autocéfala, isto é, autogovernada, desde o século V, quando, após o Concílio de Éfeso, o Patriarcado de Antioquia se declarou independente.
Sua fundação é mencionada na Bíblia, nos Atos dos Apóstolos (13, 4-13). No ano 45, o apóstolo Paulo, acompanhado por Barnabé e Marcos o Evangelista, chegou a Salamina e seguiu para Paphos, local que Bento XVI também visitará.
O êxito desta missão fez de Chipre o primeiro país com um governo cristão, pois seu pro-cônsul à época, Sérgio Paulo, foi o primeiro funcionário Romano a se converter ao cristianismo.
Muito mais tarde, quando reis católicos assumiram o trono de Chipre, a hierarquia ortodoxa passou a ser oprimida, até 1571, quando o Império Otomano conquistou a ilha e fez da Igreja Ortodoxa a única igreja cristã legal.
A partir do século XVII, a hierarquia ortodoxa passou também a ter liderança política entre os cristãos de Chipre, arrecadando impostos para o império e exercendo funções administrativas. O arcebispo de Chipre ocupava também o cargo de "etnarca", líder do povo.
No século XX, a igreja desta ilha do Mediterrâneo oriental esteve fortemente envolvida na política leiga do país.
O primeiro presidente da República de Chipre foi o arcebispo Makarios III, um dos antecessores do atual líder da Igreja de Chipre, Crisóstomo II. Foi sua atuação diplomática que abriu caminho para a independência. Resistiu ao regime militar grego (1967 - 1974), que pretendia se estender a Chipre. Com isso, Atenas instigou uma revolta contra seu governo, que acabou por servir de pretexto para a invasão pela Turquia.
Nesta entrevista, Zayas explica como o impasse com a Turquia segue sem solução e permanece sendo causa de instabilidade política no país que receberá Bento XVI.
- Bento XVI viajará a Chipre na sexta-feira, onde permanecerá até a noite de domingo. De acordo com o programa divulgado, não está prevista uma visita à parte norte da ilha. Como o senhor vê esta decisão, do ponto de vista do direito internacional?
- Zayas: O Papa Bento XVI daria um sinal equivocado caso visitasse o norte da ilha de Chipre. A Turquia invadiu ilegalmente o país em 1974, ocupando 37% de seu território. Transcorridos 36 anos, a Turquia continua ocupando o norte de Chipre, violando a Carta das Nações Unidas e numerosas resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral da ONU, buscando evadir-se de suas responsabilidades mediante a criação de um Estado fantoche controlado pelo governo turco, a autoproclamada República do Norte de Chipre (RTNC), entidade que não é reconhecida por nenhum outro Estado além da Turquia, e que foi declarado ilegal pelo Conselho de Segurança.
Em 1974, a Turquia expulsou 200 mil cristãos cipriotas do norte de Chipre, em violação à 4ª Convenção de Genebra de 1949 e ao Convênio Europeu de Direitos Humanos (CEDH).
Enquanto a Turquia insistir em ignorar as resoluções da ONU e as sentenças do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, seria um erro conceder reconhecimento à RTNC, ainda que indireto, através de uma visita oficial por parte do Vaticano.
- Em 24 de abril de 2004, três quartos da população da República de Chipre votou contra o assim chamado plano Annan, pelo qual as Nações Unidas tentavam resolver o impasse na ilha. Quais as razões dos cipriotas gregos para rejeitar a proposta?
- Zayas: Annan tinha muito pouco a ver com a proposta que levava seu nome. Este plano, profundamente defeituoso, não foi produto de negociações democráticas junto ao povo cipriota, mas uma imposição vinda de cima, que refletia os interesses de alguns países, particularmente a Grã-Bretanha e a Turquia.
À luz do direito internacional, o plano violava o princípio da livre determinação e as inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Assembleia Geral.
Teria sido verdadeiramente surpreendente se os cipriotas gregos tivessem aceitado um plano que, essencialmente, anulava todas as resoluções anteriores da ONU e aceitava a invasão ilegal da Turquia de 1974.
O "plano", além disso, não previa a aplicação das sentenças do TEDH, o direito dos cipriotas gregos expulsos de voltarem à sua região de origem, o direito à plena restituição e à compensação, uma vez que autorizava a permanência em Chipre de grande parte dos 130 mil colonos ilegais turcos, violando o artigo 49 (6) da Quarta Convenção de Genebra de 1949.
- Monumentos eclesiais, cemitérios e mosteiros na área norte da ilha foram danificados pelas forças de ocupação turcas, e valiosas relíquias arqueológicas e sacras foram vendidas ilegalmente. Há possibilidade de reparação?
- Zaya: Graças à atuação da Interpol, uma série de mosaicos e outros artefatos roubados de igrejas e mosteiros foram encontrados e devolvidos à República de Chipre.
De acordo com o direito internacional e diversas convenções e declarações da UNESCO, o patrimônio cultural de um povo deve ser protegido, e, em caso de destruição, deve ser paga uma indenização.
- O ingresso à União Europeia, em março de 2004, conduziu a melhorias na situação?
- Zayas: Acho que não. Ainda que Chipre seja membro da União Europeia, permanece sujeito às pressões políticas da Grã-Bretanha e de outros Estados com interesses em Chipre.
É desconcertante que a União Europeia tenha iniciado negociações com a Turquia sobre sua possível adesão ao bloco, sem exigir que fossem aplicadas as sentenças do TEDH referentes à situação de Chipre.
- O senhor também tem experiência em questões referentes à proteção de minorias e grupos étnicos. Bento XVI se encontrará com representantes da pequena comunidade maronita de Chipre. Sua identidade cultural e seu idioma, o árabe cipriota, estão em grave perigo. O povoado de Kormakitis, na região norte da ilha, de onde a maioria dos maronitas foi expulsa, era um centro deste dialeto. Como esta cultura pode ser resgatada?
- Zayas: O artigo 27 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos de 1996 assegura os direitos das minorias e obriga os Estados a proteger sua cultura.
Isto implica na necessidade de uma ação afirmativa. Se aplicada adequadamente, a Convenção da UNESCO sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Experiências Culturais de 2005 e a Carta Europeia de Línguas Regionais ou Minoritárias de 1992 proporcionariam a proteção necessária.
Em última análise, trata-se de uma questão de vontade política e de mecanismos de implementação.
A Igreja pode desempenhar um papel importante ao dar voz à minoria maronita.
Fonte: Zenit.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Brasil: Corpus Christi, caridade e oração pela paz
A Arquidiocese do Rio de Janeiro promove, às 16 horas desta quinta-feira, 3 de junho, um dos maiores eventos do calendário religioso da cidade: a tradicional procissão de "Corpus Christi", que vai reunir mais de 80 mil pessoas nas homenagens a Cristo Eucarístico, segundo informa a arquidiocese.
O programa da festa do "Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo" começa na manhã deste dia 03 de junho, às 10 horas, quando Dom Orani João Tempesta celebra missa solene no Santuário da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento que fica na igreja de Sant'Ana,à rua de Sant'Ana. A missa marca o encerramento da 84a Semana Eucarística da Arquidiocese que ali é realizada desde o dia 3 de junho em preparação a festa de "Corpus Christi" e que tem o tema: "Mestre, onde moras?".
Pelas ruas do centro
Na parte da tarde a Arquidiocese do Rio inicia a homenagem pública a Cristo Eucarístico, com a tradicional procissão que percorre as ruas do centro da cidade.
Na igreja da Candelária, na Praça Pio X, às 15 horas, Dom Orani preside a Oração do Ofício de Vésperas da festa de Corpus Christi, com a participação dos bispos auxiliares, sacerdotes, seminaristas e fiéis. Após o Ofício, o Santíssimo Sacramento, colocado na custódia usada no 36º Congresso Eucarístico Internacional, realizado no Rio, em 1955, será levado até o carro-andor, em estilo barroco e usado nesse mesmo congresso. Às 16 horas começará o deslocamento da procissão até a frente da Catedral de São Sebastião, onde estará um grande palco. Após a chegada, Dom Orani falará aos fieis e dará a bênção com o Santíssimo Sacramento.O carro-andor é tradicionalmente puxado por uma guarnição de marinheiros e será acompanhado por uma guarda de honra formada pelos Adoradores Noturnos, por soldados do Regimento de Polícia Montada da Policia Militar (RPMONT) e da Companhia Independente do Palácio Guanabara, em uniforme do Império (1815), além de escoteiros e pela Guarda de São Sebastião. Saindo da igreja da Candelária, a procissão seguirá pelas Avenidas Rio Branco, Almirante Barroso e República do Chile. Durante o trajeto, os fieis poderão acompanhar melhor os cantos e orações através dos rádios de pilha e também pelo sistema de amplificação em trio-elétrico e dez carros de som, aparelhagens especiais, totalizando mais de 58 mil watts de som. As associações religiosas Filhas de Maria, Legião de Maria, Congregados Marianos, Apostolado da Oração, Irmandades, movimentos de juventude e de apostolado leigo, Ligas Católicas, Ordens Terceiras, representações de colégios e do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, formarão, com os fieis, o dispositivo da procissão que começa a ser armado pela Arquidiocese a partir das 14 horas, na Avenida Rio Branco no trecho entre a rua do Ouvidor e a Avenida Presidente Vargas.
Tapete na procissãoPela primeira vez, por desejo do arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, será montado, na Avenida República do Chile, um tapete por onde passará o Santíssimo Sacramento. Com uma extensão de 400 metros com 2,50 metros de largura, o tapete é impresso e terá mais de 60 quadros religiosos e alusivos ao Ano Sacerdotal. O tapete será colocado na manhã da própria quinta-feira.
Alimentos para pessoas carentes
Novamente neste ano, na procissão de "Corpus Christi" todos os fiéis são convidados a levarem, pelo menos, um quilo de qualquer alimento não perecível, que será doado aos mais carentes. Os fiéis deverão entregar suas doações em qualquer uma das nove kombis, nos carros de som e no trio elétrico identificados por faixas e cartazes com a inscrição "Entregue aqui seu alimento". Todos esses carros estarão estacionados na Avenida Rio Branco, no trecho entre a Avenida Presidente Vargas e a rua do Ouvidor, a partir das 14:30 horas. As pessoas que irão aguardar a chegada da procissão na Catedral de São Sebastião, na Avenida Chile, poderão entregar suas doações naquele templo, desde as 8 horas. Nesta homenagem a "Corpus Christi", a idéia de recolher os alimentos é uma forma simbólica de lembrar que quem caminha para o pão espiritual deve também partilhar o pão material.
Para que os presos, pessoas doentes e idosas que moram no Rio possam participar em suas casas, a emissora da Arquidiocese do Rio, a rádio Catedral FM 106,7 vai transmitir toda a procissão e a missa solene de encerramento.
Histórico da festa de "Corpus Christi"
Celebrada em todo o mundo desde 1264, a festa de "Corpus Christi" possui a única procissão de preceito da Igreja Católica. Isso significa que os fieis são convidados a participar desse cortejo religioso que homenageia o "Corpo de Cristo", a Eucaristia. A instituição da Eucaristia é comemorada na Quinta-feira Santa, mas dentro do contexto da Quaresma, não era possível fazer uma festividade. Por conta disso, a celebração de "Corpus Christi" que já acontecia na Diocese de Liège (Bélgica), foi levada à toda Igreja católica pelo Papa Urbano IV. A festa acontece na primeira quinta-feira depois do domingo dedicado à Santíssima Trindade e, neste ano de 2010, aconteceu no domingo, 30 de maio.
Fonte: Zenit.
O programa da festa do "Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo" começa na manhã deste dia 03 de junho, às 10 horas, quando Dom Orani João Tempesta celebra missa solene no Santuário da Adoração Perpétua ao Santíssimo Sacramento que fica na igreja de Sant'Ana,à rua de Sant'Ana. A missa marca o encerramento da 84a Semana Eucarística da Arquidiocese que ali é realizada desde o dia 3 de junho em preparação a festa de "Corpus Christi" e que tem o tema: "Mestre, onde moras?".
Pelas ruas do centro
Na parte da tarde a Arquidiocese do Rio inicia a homenagem pública a Cristo Eucarístico, com a tradicional procissão que percorre as ruas do centro da cidade.
Na igreja da Candelária, na Praça Pio X, às 15 horas, Dom Orani preside a Oração do Ofício de Vésperas da festa de Corpus Christi, com a participação dos bispos auxiliares, sacerdotes, seminaristas e fiéis. Após o Ofício, o Santíssimo Sacramento, colocado na custódia usada no 36º Congresso Eucarístico Internacional, realizado no Rio, em 1955, será levado até o carro-andor, em estilo barroco e usado nesse mesmo congresso. Às 16 horas começará o deslocamento da procissão até a frente da Catedral de São Sebastião, onde estará um grande palco. Após a chegada, Dom Orani falará aos fieis e dará a bênção com o Santíssimo Sacramento.O carro-andor é tradicionalmente puxado por uma guarnição de marinheiros e será acompanhado por uma guarda de honra formada pelos Adoradores Noturnos, por soldados do Regimento de Polícia Montada da Policia Militar (RPMONT) e da Companhia Independente do Palácio Guanabara, em uniforme do Império (1815), além de escoteiros e pela Guarda de São Sebastião. Saindo da igreja da Candelária, a procissão seguirá pelas Avenidas Rio Branco, Almirante Barroso e República do Chile. Durante o trajeto, os fieis poderão acompanhar melhor os cantos e orações através dos rádios de pilha e também pelo sistema de amplificação em trio-elétrico e dez carros de som, aparelhagens especiais, totalizando mais de 58 mil watts de som. As associações religiosas Filhas de Maria, Legião de Maria, Congregados Marianos, Apostolado da Oração, Irmandades, movimentos de juventude e de apostolado leigo, Ligas Católicas, Ordens Terceiras, representações de colégios e do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, formarão, com os fieis, o dispositivo da procissão que começa a ser armado pela Arquidiocese a partir das 14 horas, na Avenida Rio Branco no trecho entre a rua do Ouvidor e a Avenida Presidente Vargas.
Tapete na procissãoPela primeira vez, por desejo do arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, será montado, na Avenida República do Chile, um tapete por onde passará o Santíssimo Sacramento. Com uma extensão de 400 metros com 2,50 metros de largura, o tapete é impresso e terá mais de 60 quadros religiosos e alusivos ao Ano Sacerdotal. O tapete será colocado na manhã da própria quinta-feira.
Alimentos para pessoas carentes
Novamente neste ano, na procissão de "Corpus Christi" todos os fiéis são convidados a levarem, pelo menos, um quilo de qualquer alimento não perecível, que será doado aos mais carentes. Os fiéis deverão entregar suas doações em qualquer uma das nove kombis, nos carros de som e no trio elétrico identificados por faixas e cartazes com a inscrição "Entregue aqui seu alimento". Todos esses carros estarão estacionados na Avenida Rio Branco, no trecho entre a Avenida Presidente Vargas e a rua do Ouvidor, a partir das 14:30 horas. As pessoas que irão aguardar a chegada da procissão na Catedral de São Sebastião, na Avenida Chile, poderão entregar suas doações naquele templo, desde as 8 horas. Nesta homenagem a "Corpus Christi", a idéia de recolher os alimentos é uma forma simbólica de lembrar que quem caminha para o pão espiritual deve também partilhar o pão material.
Para que os presos, pessoas doentes e idosas que moram no Rio possam participar em suas casas, a emissora da Arquidiocese do Rio, a rádio Catedral FM 106,7 vai transmitir toda a procissão e a missa solene de encerramento.
Histórico da festa de "Corpus Christi"
Celebrada em todo o mundo desde 1264, a festa de "Corpus Christi" possui a única procissão de preceito da Igreja Católica. Isso significa que os fieis são convidados a participar desse cortejo religioso que homenageia o "Corpo de Cristo", a Eucaristia. A instituição da Eucaristia é comemorada na Quinta-feira Santa, mas dentro do contexto da Quaresma, não era possível fazer uma festividade. Por conta disso, a celebração de "Corpus Christi" que já acontecia na Diocese de Liège (Bélgica), foi levada à toda Igreja católica pelo Papa Urbano IV. A festa acontece na primeira quinta-feira depois do domingo dedicado à Santíssima Trindade e, neste ano de 2010, aconteceu no domingo, 30 de maio.
Fonte: Zenit.
Como “estratégia do silêncio” salvou milhares de judeus
A Pave the Way Foundation iniciou um projeto de recuperação de documentos para mostrar toda a informação e os testemunhos possíveis sobre o pontificado do Papa Pio XII, o pontífice da Segunda Guerra Mundial, com o propósito de acabar com o "aperto" acadêmico causado abertamente pela falta de informação disponível.
Novas descobertas trouxeram à luz documentos e testemunhos que mostram claramente que, em 16 de outubro de 1943, foi uma falta deliberada de uma denúncia pública, por parte do Papa Pio XII contra a detenção dos judeus romanos, o que os salvou a vida e permitiu seu resgate.
Temos uma declaração juramentada de 1972 do general Karl Wolff, comandante da SS na Itália e segundo de Heinrich Himmler, que estabelece que, em setembro de 1943, Adolf Hitler ordenou desenvolver imediatamente um plano para invadir o Vaticano, sequestrar o Papa, confiscar os bens de Vaticano e matar a Cúria Romana.
Wolff sabia que, se esta invasão ocorresse, perturbações volumosas aconteceriam em toda a Europa, o que incorreria num desastre militar para o esforço bélico alemão. Wolff declarou que tinha êxito em convencer Hitler a retardar a invasão. Este ponto de vista de um desastre militar potencial foi compartilhado pelo governador militar de Roma, o general Rainer Stahel, e pelo embaixador alemão na Santa Sé, Ernst von Weizsäcker.
Há manuscritos que registram que, em 6 de setembro de 1943, Pio XII convocou secretamente os cardeais para comunicar-lhes que o Vaticano poderia ser invadido e que ele seria levado ao norte e, provavelmente, seria assassinado. Os cardeais teriam que prepararem-se para fugirem imediatamente para o país neutro mais próximo.
Também assinou uma carta de renúncia e a deixou sobre sua escrivaninha. Deu instruções aos cardeais para formarem um governo no exílio e escolherem um novo papa.
Ao longo deste período, von Weizsäcker enviou mensagens positivas, porém enganosas, sobre o Papa para Berlim, no intuito de acalmar a Hitler, não para justificar uma ordem de invasão. Alguns críticos de Pio XII, erroneamente fundaram nisto suas teorias de cumplicidade e colaboração do Papa - no que, mais tarde, o assistente de von Weizsäcker, Albrecht von Kessel, veio a chamar de "mentiras táticas".
Quando as apreensões começaram na manhã de 16 de outubro 1943, Pio XII foi alertado pela princesa Enza Pignatelli Aragona Cortes. Imediatamente deu vários passos para forçar os alemães a pararem as apreensões. Ele chamou o Ministro de Estado do Vaticano, o cardeal Maglione, e o instruiu para que lançasse um protesto veemente contra as apreensões. O cardeal Maglione advertiu von Weizsacker, nesta mesma manhã, de que o Papa não poderia permanecer em silêncio perante os sequestros de judeus debaixo de seu próprio nariz, em sua própria diocese.
O último esforço de Pio XII, o mais próspero, foi enviar seu confidente, o Superior Geral dos Salvatorianos, o padre Pankratius Pfeiffer, para que se reunisse diretamente com o governador militar de Roma, general Stahel. Padre Pfeiffer advertiu Stahel de que o Papa lançaria um protesto em voz alta e público contra estas detenções. O medo de que este protesto público desse lugar a Hitler, para que ordenasse a invasão da Santa Sé, impulsionou Stahel a agir.
Stahel telefonou imediatamente para Heinrich Himmler, inventando razões militares para deter as apreensões. Confiando nas estimações de Stahel, Himmler advertiu a Hitler, que parou as apreensões. A ordem de parar as apreensões foi dada ao meio-dia de 16 de outubro.
É sabido que no Vaticano havia espiões infiltrados. O Papa só podia enviar padres de confiança e confidentes por Roma e pela Itália, com ordens verbais e por escrito do mesmo para abrir os claustros, permitindo a homens e mulheres entrarem nos conventos e monastérios católicos e ordenando que todas as instituições eclesiásticas escondessem aos judeus onde elas pudessem.
De acordo com o famoso historiador britânico sir Martin Gilbert, o Vaticano escondeu a milhares de judeus literalmente em um dia. Uma vez escondidos, o Vaticano continuou alimentando e mantendo seus "convidados" judeus até a liberação de Roma, 4 de junho de 1944.
Falando do Papa Pio XII, o mais importante perito sobre o Holocausto na Hungria, Jeno Levai, declarou que foi uma ironia "especialmente lamentável que a única pessoa em toda a Europa ocupada que fez mais que qualquer um para frear o terrível crime e mitigar suas consequências, se tenha convertido hoje em dia no bode expiatório dos fracassos dos demais".
* * * * *
Gary Krupp é o fundador da Pave the Way Foundation (PTWF), uma organização não-governamental cuja missão é identificar e tentar eliminar obstáculos entre as religiões e iniciar medidas positivas, a fim de melhorar as relações inter-religiosas.
Fonte: Zenit.
Novas descobertas trouxeram à luz documentos e testemunhos que mostram claramente que, em 16 de outubro de 1943, foi uma falta deliberada de uma denúncia pública, por parte do Papa Pio XII contra a detenção dos judeus romanos, o que os salvou a vida e permitiu seu resgate.
Temos uma declaração juramentada de 1972 do general Karl Wolff, comandante da SS na Itália e segundo de Heinrich Himmler, que estabelece que, em setembro de 1943, Adolf Hitler ordenou desenvolver imediatamente um plano para invadir o Vaticano, sequestrar o Papa, confiscar os bens de Vaticano e matar a Cúria Romana.
Wolff sabia que, se esta invasão ocorresse, perturbações volumosas aconteceriam em toda a Europa, o que incorreria num desastre militar para o esforço bélico alemão. Wolff declarou que tinha êxito em convencer Hitler a retardar a invasão. Este ponto de vista de um desastre militar potencial foi compartilhado pelo governador militar de Roma, o general Rainer Stahel, e pelo embaixador alemão na Santa Sé, Ernst von Weizsäcker.
Há manuscritos que registram que, em 6 de setembro de 1943, Pio XII convocou secretamente os cardeais para comunicar-lhes que o Vaticano poderia ser invadido e que ele seria levado ao norte e, provavelmente, seria assassinado. Os cardeais teriam que prepararem-se para fugirem imediatamente para o país neutro mais próximo.
Também assinou uma carta de renúncia e a deixou sobre sua escrivaninha. Deu instruções aos cardeais para formarem um governo no exílio e escolherem um novo papa.
Ao longo deste período, von Weizsäcker enviou mensagens positivas, porém enganosas, sobre o Papa para Berlim, no intuito de acalmar a Hitler, não para justificar uma ordem de invasão. Alguns críticos de Pio XII, erroneamente fundaram nisto suas teorias de cumplicidade e colaboração do Papa - no que, mais tarde, o assistente de von Weizsäcker, Albrecht von Kessel, veio a chamar de "mentiras táticas".
Quando as apreensões começaram na manhã de 16 de outubro 1943, Pio XII foi alertado pela princesa Enza Pignatelli Aragona Cortes. Imediatamente deu vários passos para forçar os alemães a pararem as apreensões. Ele chamou o Ministro de Estado do Vaticano, o cardeal Maglione, e o instruiu para que lançasse um protesto veemente contra as apreensões. O cardeal Maglione advertiu von Weizsacker, nesta mesma manhã, de que o Papa não poderia permanecer em silêncio perante os sequestros de judeus debaixo de seu próprio nariz, em sua própria diocese.
O último esforço de Pio XII, o mais próspero, foi enviar seu confidente, o Superior Geral dos Salvatorianos, o padre Pankratius Pfeiffer, para que se reunisse diretamente com o governador militar de Roma, general Stahel. Padre Pfeiffer advertiu Stahel de que o Papa lançaria um protesto em voz alta e público contra estas detenções. O medo de que este protesto público desse lugar a Hitler, para que ordenasse a invasão da Santa Sé, impulsionou Stahel a agir.
Stahel telefonou imediatamente para Heinrich Himmler, inventando razões militares para deter as apreensões. Confiando nas estimações de Stahel, Himmler advertiu a Hitler, que parou as apreensões. A ordem de parar as apreensões foi dada ao meio-dia de 16 de outubro.
É sabido que no Vaticano havia espiões infiltrados. O Papa só podia enviar padres de confiança e confidentes por Roma e pela Itália, com ordens verbais e por escrito do mesmo para abrir os claustros, permitindo a homens e mulheres entrarem nos conventos e monastérios católicos e ordenando que todas as instituições eclesiásticas escondessem aos judeus onde elas pudessem.
De acordo com o famoso historiador britânico sir Martin Gilbert, o Vaticano escondeu a milhares de judeus literalmente em um dia. Uma vez escondidos, o Vaticano continuou alimentando e mantendo seus "convidados" judeus até a liberação de Roma, 4 de junho de 1944.
Falando do Papa Pio XII, o mais importante perito sobre o Holocausto na Hungria, Jeno Levai, declarou que foi uma ironia "especialmente lamentável que a única pessoa em toda a Europa ocupada que fez mais que qualquer um para frear o terrível crime e mitigar suas consequências, se tenha convertido hoje em dia no bode expiatório dos fracassos dos demais".
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Gary Krupp é o fundador da Pave the Way Foundation (PTWF), uma organização não-governamental cuja missão é identificar e tentar eliminar obstáculos entre as religiões e iniciar medidas positivas, a fim de melhorar as relações inter-religiosas.
Fonte: Zenit.
Padre Lombardi: Papa irá a Chipre como peregrino
Bento XVI estará em Chipre, entre os dias 4 e 6 de junho, na condição de peregrino na ilha dos Atos dos Apóstolos, explicou o Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, em seu editorial da última edição do Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano.
"Muitos se perguntam sobre as razões para o Papa ir até a Chipre encontrar-se com os bispos do Oriente Médio e entregar-lhes o documento de trabalho do próximo Sínodo - comenta o porta-voz vaticano. A resposta é fácil: basta ler os Atos dos Apóstolos, a narrativa dos primeiros do anúncio do Evangelho ao mundo após a Ressurreição de Jesus: Chipre é citado ao menos seis vezes."
"De Chipre provinha Barnabé, um dos primeiros a se unir à comunidade dos apóstolos em Jerusalém. Chipre é a primeira etapa da primeira viagem missionária de Paulo, em companhia de Barnabé e do futuro evangelista Marcos", observou o porta-voz.
"Para evangelizar Chipre - prosseguiu o Pe. Lombardi - Barnabé retorna após separar-se de Paulo."
"Além disso, basta olhar o mapa para entender que Chipre representa uma encruzilhada estratégica, também cultural e espiritual na região, com uma história estreitamente ligada à da Terra Santa para nós."
"Por lá passavam as rotas dos peregrinos judeus e cristãos em direção a Jerusalém, bem como as rotas dos navegadores entre o Oriente e o Ocidente, entre a Ásia e a Europa."
Dedicando um pensamento à maioria ortodoxa presente nesta ilha do Mediterrâneo e à presença turca, o Pe. Lombardi afirmou que "em Chipre, assim, não se pode deixar de olhar ao redor, de orar e de esperar por um anúncio do Evangelho que seja fonte de diálogo, de comunhão eclesial, de crescimento humano e de paz para todos".
Fonte: Zenit.
"Muitos se perguntam sobre as razões para o Papa ir até a Chipre encontrar-se com os bispos do Oriente Médio e entregar-lhes o documento de trabalho do próximo Sínodo - comenta o porta-voz vaticano. A resposta é fácil: basta ler os Atos dos Apóstolos, a narrativa dos primeiros do anúncio do Evangelho ao mundo após a Ressurreição de Jesus: Chipre é citado ao menos seis vezes."
"De Chipre provinha Barnabé, um dos primeiros a se unir à comunidade dos apóstolos em Jerusalém. Chipre é a primeira etapa da primeira viagem missionária de Paulo, em companhia de Barnabé e do futuro evangelista Marcos", observou o porta-voz.
"Para evangelizar Chipre - prosseguiu o Pe. Lombardi - Barnabé retorna após separar-se de Paulo."
"Além disso, basta olhar o mapa para entender que Chipre representa uma encruzilhada estratégica, também cultural e espiritual na região, com uma história estreitamente ligada à da Terra Santa para nós."
"Por lá passavam as rotas dos peregrinos judeus e cristãos em direção a Jerusalém, bem como as rotas dos navegadores entre o Oriente e o Ocidente, entre a Ásia e a Europa."
Dedicando um pensamento à maioria ortodoxa presente nesta ilha do Mediterrâneo e à presença turca, o Pe. Lombardi afirmou que "em Chipre, assim, não se pode deixar de olhar ao redor, de orar e de esperar por um anúncio do Evangelho que seja fonte de diálogo, de comunhão eclesial, de crescimento humano e de paz para todos".
Fonte: Zenit.
Princípios para enfrentar emergência educacional, segundo Bento VXI
A chave para compreender a crise atual na educação está em constatar que suas raízes residem numa concepção equivocada de autonomia do homem. Assim explicou o Papa Bento XVI aos bispos italianos, aos quais recebeu em audiência, por ocasião de sua 65ª Assembléia Plenária, na última quinta-feira.
O Papa dedicou um extenso discurso ao aprofundamento do tema - quem tem recebido grande atenção em seu pontificado.
Neste sentido, elogiou a o fato da Conferência Episcopal Italiana ter escolhido este tema para seu plano pastoral para os próximos dez anos.
Bento XVI convidou os prelados a irem "até que as raízes dessa emergência, para assim encontrar respostas adequadas a este desafio."
O Papa apontou para as duas "causas profundas" da crise: em primeiro lugar, "uma falsa noção de autonomia do homem"; em segundo, o ceticismo e o relativismo.
Falsa autonomia
Para a pedagogia moderna, explicou o Papa, "o homem deveria se desenvolver por si mesmo, sem imposições por parte dos demais, aos quais competiria apenas dar suporte a seu auto-desenvolvimento, sem, no entanto, se envolver no processo."
Esta noção, no entanto, é errônea, pois para a pessoa humana "é essencial o fato de que só logra ser ela própria a partir do outro, o ‘eu' se converte em si próprio apenas mediante o ‘tu' e o ‘vós'; é criado para o diálogo, para a comunhão sincrônica e diacrônica", disse o Papa.
"Por isso, a assim chamada educação ‘antiautoritária' não é educação, e sim renúncia a educar", afirmou, destacando aí o ponto chave para abordar a questão: "esta idéia falsa de autonomia do homem como um ‘eu' completo em si mesmo".
A respeito da segunda causa - ceticismo e o relativismo - Bento XVI explicou que estas duas atitudes intelectuais estão fundamentadas "na exclusão das fontes que orientam o caminho humano", a natureza e a Revelação.
A natureza é considerada hoje "como um sistema puramente mecânico", da qual, enquanto ente, "não pode proceder orientação alguma". A Revelação se considera como "um momento do processo histórico" e, portanto, relativo, algo "destituído de conteúdo."
"Assim se calam as duas fontes, a natureza e a revelação, como também a terceira, a história, posto que também a história se converte em um aglomerado de decisões culturais, ocasionais e arbitrárias, que não valem para o presente nem o futuro", prosseguiu.
Por isso, explicou o Pontífice, é fundamental "restabelecer uma concepção verdadeira da natureza como criação de Deus que nos fala", e a Revelação, reconhecendo "que o livro da criação, no qual Deus nos dá orientações fundamentais, está decifrado na Revelação (...) aplicado na história cultural e religiosa, não sem erros, mas de maneira substancialmente válida, que continua a se desenvolver e purificar."
"Em um tempo em que a grande tradição do passado corre o risco de se tornar letra morta, somos chamados a nos aproximar de cada um com disponibilidade sempre renovada, acompanhando no caminho de descoberta e assimilação pessoal da verdade", destacou.
"Educar nunca foi tarefa fácil, mas não podemos nos resignar: estaríamos desvalorizando o mandato que o próprio Senhor nos confiou, chamando-nos a pastorear com amor seu rebanho", afirmou o Papa.
Esta "paixão pela educação" deve ser uma "paixão do ‘eu' pelo ‘tu', pelo ‘nós', por Deus, e que não se resume a uma didática, a um conjunto de técnicas nem tampouco na transmissão de princípios áridos".
Neste sentido, concluiu exortando os bispos presentes a "não perderem a confiança nos jovens", recorrendo a novos meios e novas linguagens, sem porém adulterar o anúncio cristão.
Fonte: Zenit.
O Papa dedicou um extenso discurso ao aprofundamento do tema - quem tem recebido grande atenção em seu pontificado.
Neste sentido, elogiou a o fato da Conferência Episcopal Italiana ter escolhido este tema para seu plano pastoral para os próximos dez anos.
Bento XVI convidou os prelados a irem "até que as raízes dessa emergência, para assim encontrar respostas adequadas a este desafio."
O Papa apontou para as duas "causas profundas" da crise: em primeiro lugar, "uma falsa noção de autonomia do homem"; em segundo, o ceticismo e o relativismo.
Falsa autonomia
Para a pedagogia moderna, explicou o Papa, "o homem deveria se desenvolver por si mesmo, sem imposições por parte dos demais, aos quais competiria apenas dar suporte a seu auto-desenvolvimento, sem, no entanto, se envolver no processo."
Esta noção, no entanto, é errônea, pois para a pessoa humana "é essencial o fato de que só logra ser ela própria a partir do outro, o ‘eu' se converte em si próprio apenas mediante o ‘tu' e o ‘vós'; é criado para o diálogo, para a comunhão sincrônica e diacrônica", disse o Papa.
"Por isso, a assim chamada educação ‘antiautoritária' não é educação, e sim renúncia a educar", afirmou, destacando aí o ponto chave para abordar a questão: "esta idéia falsa de autonomia do homem como um ‘eu' completo em si mesmo".
A respeito da segunda causa - ceticismo e o relativismo - Bento XVI explicou que estas duas atitudes intelectuais estão fundamentadas "na exclusão das fontes que orientam o caminho humano", a natureza e a Revelação.
A natureza é considerada hoje "como um sistema puramente mecânico", da qual, enquanto ente, "não pode proceder orientação alguma". A Revelação se considera como "um momento do processo histórico" e, portanto, relativo, algo "destituído de conteúdo."
"Assim se calam as duas fontes, a natureza e a revelação, como também a terceira, a história, posto que também a história se converte em um aglomerado de decisões culturais, ocasionais e arbitrárias, que não valem para o presente nem o futuro", prosseguiu.
Por isso, explicou o Pontífice, é fundamental "restabelecer uma concepção verdadeira da natureza como criação de Deus que nos fala", e a Revelação, reconhecendo "que o livro da criação, no qual Deus nos dá orientações fundamentais, está decifrado na Revelação (...) aplicado na história cultural e religiosa, não sem erros, mas de maneira substancialmente válida, que continua a se desenvolver e purificar."
"Em um tempo em que a grande tradição do passado corre o risco de se tornar letra morta, somos chamados a nos aproximar de cada um com disponibilidade sempre renovada, acompanhando no caminho de descoberta e assimilação pessoal da verdade", destacou.
"Educar nunca foi tarefa fácil, mas não podemos nos resignar: estaríamos desvalorizando o mandato que o próprio Senhor nos confiou, chamando-nos a pastorear com amor seu rebanho", afirmou o Papa.
Esta "paixão pela educação" deve ser uma "paixão do ‘eu' pelo ‘tu', pelo ‘nós', por Deus, e que não se resume a uma didática, a um conjunto de técnicas nem tampouco na transmissão de princípios áridos".
Neste sentido, concluiu exortando os bispos presentes a "não perderem a confiança nos jovens", recorrendo a novos meios e novas linguagens, sem porém adulterar o anúncio cristão.
Fonte: Zenit.
Cáritas: União Europeia deve repensar sua política contra pobreza
A Cáritas Europa organizou na útlima quinta-feira, junto com Socorro Católico/Cáritas França e a Casa da Europa, uma conferência internacional sobre o impacto das políticas da União Europeia para combater a pobreza em nível global. De modo especial, o evento busca mostrar a relação entre a luta contra a pobreza na Europa e o desenvolvimento das sociedades do Sul e do Leste.
Enquanto que a União Europeia já está atrás da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a atual crise financeira está atrapalhando qualquer possibilidade de combater a pobreza efetivamente no mundo.
A Cáritas Europa, Socorro Católico e a Casa da Europa acreditam que a União Europeia "deva desempenhar um papel líder na luta contra a pobreza. As atuais políticas de desenvolvimento devem ser repensadas e mudadas de orientação. Mais especificamente, os legisladores devem colocar no centro do debate o fato de que estas políticas signifiquem ajudar a seres humanos, servir a proteção de seus direitos e trabalhar em coerência com outras políticas que possam ter um impacto ou ser impactadas pelas políticas de desenvolvimento, tais como migração ou comércio internacional".
Um total de 150 participantes de cerca de 40 países de diferentes continentes assistiram à reunião na Casa da Europa de Paris. Entre eles, cidadãos, especialistas, membros de ONGs, representantes e homólogos da Cáritas, representantes de instituições públicas locais, nacionais e europeias, trabalharam em torno de três temas.
Os temas da Conferência foram, em primeiro lugar, "o impacto das políticas da União Europeia, em especial as políticas de migração, na realização dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio nos países do Sul e do Leste".
Em segundo lugar, "as posições e iniciativas da União Europeia e seus estados membros para o desenvolvimento da parceria no mundo, no contexto da atual crise econômica".
Por último, "a coerência das políticas europeias para garantir o respeito dos direitos, o governo democrático e a lei do Estado como fatores que facilitam a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio".
Na conferência, foi apresentado um conjunto de recomendações para uma melhor realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e reforçar os meios para combater a pobreza e a exclusão social na Europa e no mundo. As mesmas foram também remetidas às instruções europeias.
As recomendações estarão disponíveis no site de Cáritas Europa: http://www.Cáritas-europa.org/.
A conferência foi acompanhada de uma exposição cofinanciada pelo Ministério de Cultura: "Solidariedade na Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social na Europa e no Mundo". A mostra itinerante viajará pela França e Europa, mediante as equipes locais das organizações das Cáritas Europeias.
Fonte: Zenit.
Enquanto que a União Europeia já está atrás da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a atual crise financeira está atrapalhando qualquer possibilidade de combater a pobreza efetivamente no mundo.
A Cáritas Europa, Socorro Católico e a Casa da Europa acreditam que a União Europeia "deva desempenhar um papel líder na luta contra a pobreza. As atuais políticas de desenvolvimento devem ser repensadas e mudadas de orientação. Mais especificamente, os legisladores devem colocar no centro do debate o fato de que estas políticas signifiquem ajudar a seres humanos, servir a proteção de seus direitos e trabalhar em coerência com outras políticas que possam ter um impacto ou ser impactadas pelas políticas de desenvolvimento, tais como migração ou comércio internacional".
Um total de 150 participantes de cerca de 40 países de diferentes continentes assistiram à reunião na Casa da Europa de Paris. Entre eles, cidadãos, especialistas, membros de ONGs, representantes e homólogos da Cáritas, representantes de instituições públicas locais, nacionais e europeias, trabalharam em torno de três temas.
Os temas da Conferência foram, em primeiro lugar, "o impacto das políticas da União Europeia, em especial as políticas de migração, na realização dos objetivos de Desenvolvimento do Milênio nos países do Sul e do Leste".
Em segundo lugar, "as posições e iniciativas da União Europeia e seus estados membros para o desenvolvimento da parceria no mundo, no contexto da atual crise econômica".
Por último, "a coerência das políticas europeias para garantir o respeito dos direitos, o governo democrático e a lei do Estado como fatores que facilitam a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio".
Na conferência, foi apresentado um conjunto de recomendações para uma melhor realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e reforçar os meios para combater a pobreza e a exclusão social na Europa e no mundo. As mesmas foram também remetidas às instruções europeias.
As recomendações estarão disponíveis no site de Cáritas Europa: http://www.Cáritas-europa.org/.
A conferência foi acompanhada de uma exposição cofinanciada pelo Ministério de Cultura: "Solidariedade na Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social na Europa e no Mundo". A mostra itinerante viajará pela França e Europa, mediante as equipes locais das organizações das Cáritas Europeias.
Fonte: Zenit.
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