segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Não Transforme o homem em um deus



Bento XVI recebeu esta manhã cerca de 4 mil fiéis e peregrinos, no pátio da residência de Castel Gandolfo, para a oração dominical do Ângelus.
Assim como no domingo passado, hoje também – no contexto do Ano Sacerdotal – o papa meditou sobre alguns santos recordados pela liturgia nestes dias: Santa Clara de Assis e dois mártires executados no campo de Auschwitz: Santa Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein, judia convertida ao catolicismo, e São Maximiliano Kolbe, filho da Polônia.
“Estes santos – lembrou o papa – são testemunhas da caridade que ama até o fim, não levando em conta o mal recebido, mas combatendo-o com o bem. Devemos – especialmente nós, sacerdotes – nos inspirar neles, em seu heroísmo evangélico que nos leva, sem temer, a darmos a vida pela salvação das almas. O amor vence a morte” – proclamou Bento XVI, recordando que todos os santos, especialmente os mártires, são testemunhas de Deus, que é amor: Deus caritas est.
Nascido na Baviera, em 1927, Bento XVI afirmou que os campos de concentração nazistas, como todo campo de extermínio, podem ser considerados símbolos extremos do mal, do inferno que se abre sobre a terra quando o homem se esquece de Deus e se substitui a Ele, apropriando-se do direito de decidir o que é o bem e o que é o mal, de dar a vida e a morte. Infelizmente, no entanto, este triste fenômeno não se limita aos campos de concentração. São o ápice de uma realidade ampla e muito comum, que tem confins indefinidos”.
Bento XVI sublinhou as divergências existentes entre o humanismo ateu e o humanismo cristão; uma antítese que se verificou em toda a história, mas que no fim do segundo milênio alcançou seu ponto mais crucial.
“Por um lado, existem filosofias e ideologias, mas cada vez mais há modos e pensar e agir que exaltam a liberdade como único princípio do homem, como alternativa a Deus, transformando o homem em um deus, mas é um deus errado, que se comporta arbitrariamente. Por outro, existem os santos, que, praticando o Evangelho da caridade, dão razão à sua esperança; apresentam o verdadeiro rosto de Deus, que é Amor, e ao mesmo tempo, o rosto autêntico do homem, criado à imagem e semelhança divina”.
Antes de rezar a oração mariana, o papa pediu para rezarmos a Nossa Senhora a fim de sermos santos como estas heróicas testemunhas da fé e da entrega de si, até o martírio. “Este é – completou Bento XVI – o único modo para oferecermos aos interrogativos humanos e espirituais suscitados pela crise do mundo atual, uma resposta crível e exaustiva: a da caridade na verdade”.
Depois de rezar o Ângelus com os fiéis, o papa fez suas saudações em várias línguas, recordando o testemunho dos santos e desejando a todos um bom domingo.
Em conexão televisiva ao vivo com a Polônia, Bento XVI se disse particularmente próximo aos fiéis que nestes dias de agosto fazem peregrinação a pé ao Santuário de Nossa Senhora de Jasna Gora, em Czestochowa, e a outros santuários marianos.
“Que seu caminho traga frutos abundantes: a conversão dos corações, o dom da divina misericórdia e a proteção de Nossa Senhora. Confio às suas orações o meu ministério universal e as intenções da Igreja”.
Com sempre, o pontífice concedeu a sua bênção a todos os fiéis presentes, bem como aos que o acompanharam pelo rádio e pela televisão. (CM)

Fonte: Rádio Vaticano

Décimo nono domingo do tempo comum

Jo 6, 41-5

"Quem come deste pão viverá para sempre”
No texto de hoje, nos encontramos no meio do discurso de Jesus sobre o “Pão da Vida”. O gancho que João usa para pendurar o discurso é o pedido dos judeus em v. 35: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Em resposta, Jesus começa o seu grande discurso. Divide-se em duas partes. Na primeira parte (vv. 35-50), que inclui o texto de hoje, o pão celestial que nos nutre é a revelação ou o ensinamento de Jesus (o tema sapiencial); na segunda parte (vv. 51-58) será a eucaristia (tema sacramental). O redator da comunidade joanina combinou “o pão do céu” com o material eucarístico da Última Ceia e assim formou a segunda parte do discurso como um paralelo à primeira. Isso explica a ausência de um relato da instituição da eucaristia nos textos da Ceia em João - pois o seu conteúdo básico foi colocado aqui.Como os seus antepassados murmuravam no deserto contra o pão que Deus mandava - o maná - agora eles se queixam do novo maná. Aqui logo aparece uma característica do João - a ironia. Os judeus (aqui se entende as autoridades judaicas e não o povo judeu) dizem que conhecem a origem de Jesus, pois só pensam na sua família de origem; e Jesus mostra que na verdade não a conhecem, pois eles não viram o Pai, a sua verdadeira origem. Aqui também aparece em v. 47 - mais uma característica joanina - a escatologia realizada. Enquanto para os Sinóticos o juízo é algo que acontece no último dia, para João, frequentemente, já aconteceu, pois a pessoa é salva ou condenada já, pela sua aceitação ou não de Jesus como o Filho de Deus.Aqui, de novo, João nos dá o que talvez seja uma variante das palavras da instituição da eucaristia: “O pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida” (v. 51). João enfatiza que o Verbo Divino se tornou carne e tem entregado a sua carne como alimento da vida eterna.O texto não é fácil, pois é extraído de um discurso muito mais comprido e que forma uma unidade. Mas está ligado à multiplicação dos pães - a participação eucarística no corpo e sangue de Jesus exige uma vivência de partilha e solidariedade. Esse tema é caro a João e é retomado na sua Primeira Carta.

Fonte: Pe. Tomaz Hughes SVD

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Bento XVI alenta solidariedade na Argentina


Durante a campanha “Mais por Menos”


Bento XVI enviou uma saudação aos promotores, colaboradores e participantes da campanha “Mais por Menos”, que favorece a solidariedade com os pobres na Argentina.

A coleta, em sua quadragésima edição, acontece em setembro, com o lema “Mais solidariedade por menos exclusão”.

Segundo informa AICA, o Papa alentou os cristãos a um “esforço solidário que contribua a reduzir o escândalo da pobreza e da iniquidade social, dando assim cumprimento às exigências evangélicas que exortam a fazer possível uma sociedade mais justa e solidária”.

“Com estes desejos, o Santo Padre manifesta sua viva gratidão aos que contribuírem com o bom resultado desta campanha”, sublinha a mensagem encaminhada ao episcopado argentino pelo núncio apostólico, Dom Adriano Bernardini.

Após encomendar os argentinos à proteção de Nossa Senhora de Luján, patrona nacional, o Papa envia com afeto a bênção apostólica.


Fonte: Zenit.

Igreja recorda Paulo VI31 anos da morte do Papa Montini31 anos da morte do Papa Montini



31 anos da morte do Papa Montini

O Papa Paulo VI foi recordado hoje, no 31º aniversário de sua morte, na Basílica de São Pedro, com uma missa presidida pelo cardeal arcipreste Angelo Comastri.
Castel Gandolfo, onde Bento XVI transcorre o período de verão boreal, também fez memória do Papa Giovanni Battista Montini, com uma Eucaristia na Paróquia de São Tomás de Villanova, celebrada pelos bispos de Palestrina, Dom Domenico Sigalini, e de Albano, Dom Marcello Semeraro, segundo informa Rádio Vaticano.
No Angelus de domingo passado, ao propor modelos de espiritualidade para o Ano Sacerdotal, Bento XVI apontou a figura de Paulo VI.
“A sua vida, tão profundamente sacerdotal e rica de tanta humanidade, permanece na Igreja como um dom do qual dar graças a Deus”, disse o Santo Padre.
Bento XVI rogou que a Vigem Maria ajude os sacerdotes de hoje a “serem totalmente enamorados de Cristo”, seguindo o exemplo do Papa Montini e de santos como o Cura d’Ars.
Giovanni Battista Montini nasceu em Concesio, província de Brescia, a 26 de setembro de 1897. Morreu em Castel Gandolfo, a 6 de agosto de 1978. Foi papa de 21 de junho de 1963 até a data de sua morte. Esteve à frente da Igreja Católica durante a maior parte do Concílio Vaticano II e foi decisivo na aplicação prática de suas orientações, segundo recorda breve biografia difundida por Rádio Vaticano.
Montini entrou no seminário em 1916 e foi ordenado em 1920. Estudou na Universidade Gregoriana, na Universidade de Roma e na ‘Accademia dei Nobili Ecclesiastici’. Seu talento o levou à Cúria Romana: em 1937 foi nomeado Substituto para Assuntos Correntes pelo cardeal Pacelli, secretário de Estado da Santa Sé no papado de Pio XI.
Em 1954, foi nomeado arcebispo de Milão, cargo que lhe conferiu maior experiência pastoral. No consistório de 1958, João XXIII o elevou à dignidade cardinalícia. Foi eleito papa em 21 de junho de 1963, após a morte de João XXIII.
Foi o primeiro papa a viajar de avião: fez viagens a Terra Santa, Índia, Portugal, Turquia, Colômbia, Suíça, Uganda, Filipinas, Austrália, e visitou a ONU. Encerrou o Concílio Vaticano II, aberto pelo Papa João XXIII, implementando posteriormente as suas reformas e medidas que visavam a renovar a Igreja Católica.
O Papa Paulo VI escreveu a encíclica Humanae vitae, documento que se constituiu num marco da Doutrina da Igreja nas questões sobre aborto, esterilização e regulação da natalidade por métodos artificiais, e cuja doutrina serviu de base para vários documentos pontifícios posteriores sobre os temas da família, da ética conjugal e da bioética.


Fonte: Zenit.

Superando as diferenças

O mundo de Don Camillo, de Giovannino Guareschi

Por Elizabeth Lev

O poeta romano Horácio registrou em sua lírica o tempo mágico do “otium”, um período de pacífica ociosidade e descanso que permite o fortalecimento espiritual para o dia-a-dia. Pretendo usar este tempo de tranquilidade para a leitura, e, nestas férias de verão europeu, eu felizmente abri o primeiro livro que despertou minha paixão pela Itália.
“Don Camillo e o seu pequeno mundo”, escrito pelo italiano Giovannino Guareschi, oferece uma refrescante perspectiva da política, religião e amizade em uma idade em que estes três campos parecem irreconciliáveis. As histórias de Guareschi, escritas quando as paixões eram fortes e as barreiras eram mais altas do que hoje, refletem a forma como o direito somado à esperança, à humanidade e ao humor pode vencer qualquer ideologia.
Guareschi nasceu na região italiana da Emilia Romagna, no início do século XX. Sua vida atravessou as duas Guerras Mundiais, assim como a ascensão do comunismo e do fascismo. Foi um provocador. Suas críticas ao governo Mussolini lhe renderam o ingresso forçado no exército italiano e três anos em uma prisão polonesa.
Retornou ao norte da Itália justamente no ápice dos embates entre os comunistas e os democrata-cristãos pelo controle da Itália. As tensões eram fortes entre as duas partes, os democrata-cristãos afirmando que os filhos dos comunistas tinha sido apropriados pelo Estado, enquanto os extremistas da esquerda atacavam os sacerdotes e proprietários de terra, seus maiores inimigos de classe.
Nesse clima volátil, Guareschi lançou suas sátiras tanto ao primeiro grupo quanto ao segundo, expondo os pontos fracos de ambos lados. Com isso, ajudou a diminuir as tensões entre as violentas oposições. As obras de Guareschi foram vitais para a derrota do Partido Comunista na histórica eleição de 1948. Essas histórias se tornaram extremamente populares e beneficiaram ensinamentos como os do Papa João XXIII, cujo tom pastoral refletia uma presença paternal amorosa em um mundo repleto de ódio.
As mais famosas histórias de Guareschi foram as de Don Camillo, um pároco na pequena aldeia de Reggio, em Emilia Romagna, e seu rival Peppone, o prefeito comunista da cidade. Este contraste é o ambiente de confrontos políticos e calorosos momentos de cumplicidade guiados pelo Cristo crucificado que do altar serve de moderador de consciência para Don Camillo e o tolo Peppone.
Don Camillo e Peppone formam a profunda fronteira do movimento da resistência italiana durante a Segunda Guerra. Peppone representa os "partigiani", enquanto Don Camillo encarna o capelão. O ódio pós-guerra contra os fascistas (Mussolini foi de Emilia Romagna) empurraram a região para um triângulo comunista entre Parma, Bolonha e Ferrara. Don Camillo e Peppone chocam-se constantemente, em confrontos que às vezes escapam do verbal para o físico. Mas apesar das suas diferenças, quando confrontados com questões fundamentais como a vida e a morte, o verdadeiro e o falso, eles acabam ficando do mesmo lado.
Don Camillo é frequentemente tentado pelo orgulho a permitir que a política ultrapassar o seu dever com as almas, mas, felizmente, Cristo está sempre lá para chamá-lo de volta ao caminho certo. Em um memorável episódio, Don Camillo tenta justificar o seu comportamento pecaminoso, usando uma inteligente retórica familiar com muitos políticos. Cristo o repreende dizendo: "Estas são as sutilezas dos sofistas... sem você perceber o diabo ganhou vida em ti e mistura suas palavras com as dele". Um breve período de jejum restaura a saúde espiritual de Don Camillo.
Minha história favorita está próxima do final do livro. No Natal que se aproxima, os comunistas estão-se tornando mais intolerantes com Don Camillo, que acaba de escapar de um atentado a bala. A frágil fronteira respeitosa entre ambos lados parece estar prestes a ruir. Na véspera de Natal, um oprimido Peppone, sem saber para onde se dirigir, acaba por se encaminhar à casa de Don Camillo. Os dois homens sentam-se em lados opostos da mesa, as fortes mãos ocupadas ternamente com as figuras do presépio. Esta simples mas eficaz atividade lentamente cura as feridas entre os dois homens e pacifica os caminhos na pequena aldeia do rio Po, trazendo esperança a todos aqueles que seguem o Príncipe da Paz.
* * *
[Elizabeth Lev ensina arte cristã e arquitetura no campus Italiano da Universidade de Duquesne e no programa de estudos católicos da Universidade de São Tomás]

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Brasil: campanha pela ética na política intensifica coleta de assinaturas

Projeto Ficha Limpa espera recolher 300 mil assinaturas em 30 dias

Após alcançar a marca de 1 milhão de assinaturas, a Campanha Ficha Limpa volta-se para as últimas 300 mil assinaturas, a fim de que a iniciativa possa ser enviada ao Congresso Nacional brasileira como um Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PL) em prol da ética na política.
Segundo informa a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), uma ampla coleta de assinaturas será realizada entre os dias 7 de agosto e 7 de setembro, em todo o país. O objetivo é colher 300 mil assinaturas em 30 dias.
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) promoverá uma agenda de mobilizações e atos culturais ao longo deste mês com a expectativa de finalizar a coleta e encaminhar o PL à Câmara dos Deputados em setembro.
A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008, na Assembleia Geral da CNBB e desde então conta com um apoio crescente de diversos segmentos da sociedade.
Mais informações em http://www.lei9840.org.br/

Fonte: Zenit.

Da “ditadura do racionalismo” à “ditadura do relativismo

Bento XVI destaca força profética do testemunho de São João Maria Vianney

Ao apresentar hoje aos peregrinos a figura de São João Maria Vianney, Bento XVI destacou que o santo é mais que um simples exemplo da espiritualidade devocional do século XIX. Seu testemunho reveste-se de força profética, “que marca sua personalidade humana e sacerdotal de uma altíssima atualidade”.
O Papa explicou na audiência geral em Castel Gandolfo que, na França pós-revolucionária, período da atividade apostólica do Cura d’Ars, vivia-se “uma espécie de ‘ditadura do racionalismo’, empenhada em apagar a presença dos padres e da Igreja na sociedade”.
A “singular e fecunda criatividade pastoral” do Cura d’Ars estava pronta para demonstrar que o racionalismo, então imperante, estava na realidade “distante de satisfazer as necessidades autênticas do homem”.
Bento XVI assinalou que, após 150 anos da morte do santo francês, “os desafios da sociedade moderna não são menos exigentes, talvez até se tornaram mais complexos”.
“Se naquele tempo havia a ‘ditadura do racionalismo’, hoje se registra em muitos ambientes uma espécie de ‘ditadura do relativismo’”, disse.
Segundo o Papa, ambas “lançam respostas inadequadas à justa procura do homem por usar de modo pleno a razão como elemento distintivo e constitutivo da própria identidade”.
“O racionalismo foi inadequado porque não levou em conta os limites humanos e aspirou a elevar apenas à razão a mistura de todas as coisas, transformando-as em uma ideia.”
Já o relativismo contemporâneo “mortifica a razão, porque de fato chega a afirmar que o ser humano não pode conhecer nada com certeza além do campo científico positivo”.
“Hoje, como então, o homem, mendicante de significado e completude, sai em contínua busca das respostas exaustivas às questões de fundo que não cessam de se colocar”, disse o pontífice.
Diante desta “sede de verdade que arde no coração humano”, Bento XVI indicou que os sacerdotes busquem formar “genuínas comunidades cristãs”, capazes de abrir “a todos o caminho para Cristo”.
“O ensinamento que a este propósito continua a transmitir o Santo Cura d’Ars é que, na base de tal empenho pastoral, o sacerdote deve cultivar uma íntima união pessoal com Cristo, fazendo-a crescer dia após dia”, disse.

Fonte: Zenit.