Lucas 1,39-45 “Bendito o fruto do seu ventre!”
Para entender bem a finalidade de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e nascimento de Jesus, é essencial conhecer algo da sua visão teológica. Para ele, o importante é acentuar o grande contraste, e também a continuidade, entre a Antiga e a Nova Aliança. A primeira está retratada nos eventos que giram ao redor do nascimento de João Batista, e tem os seus representantes em Isabel, Zacarias e João; a segunda está nos relatos ao redor do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus. Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada - os seus símbolos são Isabel, estéril e idosa, Zacarias, sacerdote que não acredita no anúncio do anjo, e o nené que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento. Em contraste, a Nova Aliança tem como símbolos a virgem jovem de Nazaré que acredita e cujo filho será o próprio Filho de Deus. Mais adiante, Lucas enfatiza este contraste nas figuras de Ana e Simeão, no Templo, (Lc 2, 25-38), quando Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz. Porque meus olhos viram a tua salvação”(2, 29)
Assim, não devemos reduzir o texto de hoje a um relato que pretende mostrar a caridade de Maria em cuidar da sua parente idosa e grávida. Se a finalidade de Lucas fosse mostrar Maria como modelo de caridade, não teria colocado versículo 56, que mostra ela deixando Isabel na hora de maior necessidade: “Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa”
Também não é verossímil que uma moça judia de mais ou menos quatorze anos enfrentasse uma viagem tão perigosa como a de Galiléia à Judéia! A intenção de Lucas é literária e teológica. Ele coloca juntas as duas gestantes, para que ambas possam louvar a Deus pela sua ação nas suas vidas, e para que fique claro que o filho de Isabel é o precursor do filho de Maria. Por isso, Lucas tira Maria de cena antes do nascimento de João, para que cada relato tenha somente as suas personagens principais: dum lado, Isabel, Zacarias e João; doutro lado, Maria, José e Jesus.
O fato que a criança “se agitou” no ventre de Isabel faz recordar algo semelhante na história de Rebeca, quando Esaú e Jacó “pulavam” no seu ventre, na tradução da Septuaginta de Gn 25,22. O contexto, especialmente versículo 43, salienta que João reconhece que Jesus é o seu Senhor. Com a iluminação do Espírito Santo, Isabel pode interpretar a “agitação” de João no seu ventre - é porque Maria está carregando o Senhor. As palavras referentes a Maria: “Você é bendita entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre”(v. 42) fazem lembrar mais duas mulheres que ajudaram na libertação do seu povo, no Antigo Testamento: Jael (Jz 5,24) e Judite (Jd 13,18). Aqui Isabel louva a Maria que traz no seu ventre o libertador definitivo do seu povo.
Finalmente, vale destacar o motivo pelo qual Isabel chama Maria de “bem-aventurada” ( v. 45) :“Bem-aventurada aquela que acreditou.” Maria é bendita em primeira lugar, não pela sua maternidade somente, mas pela fé - em contraste com Zacarias, que não acreditou. Assim, Lucas apresenta Maria principalmente como modelo de fé. Notemos que neste capítulo primeiro nós encontramos - na Bíblia - frases que podem fundamentar uma compreensão correta da visão bíblica da pessoa e função de Maria, que pode unir em lugar de dividir cristãos das diversas confissões: “Ave Maria” (1,28);“Cheia de graça” (1,28)“O Senhor é convosco”(1,28)“Bendita sois vós entre as mulheres”(1, 42);“Bendito o fruto do vosso ventre”(1,42). Lucas nos apresenta a mãe do Senhor como modelo de fé para todos nós!
Fonte: Fonte: Tomas Hughes, SVD.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Sugestões para as celebrações:
a) Cartaz: “ Feliz d’Aquela que acreditou”.
b) Colocar em lugar de destaque uma imagem de Nossa Senhora, se possível, uma imagem de Nossa Senhora da Esperança.
c) Junto da imagem de Maria, colocar uma caixa embalada como se faz com os presentes de Natal: papel bonito e uma fita colorida (oferta de todos nós a Maria, agradecendo-lhe o seu sim).
d) Antes do Ato Penitencial, acender a 4ª vela da Coroa do Advento.
e) No final da homilia, poder-se-á fazer a Bênção das mulheres grávidas (Ritual da Celebração das Bênçãos).
f) Leitores: 1ª leitura: Hoje, o leitor é a voz de Deus. Anuncia-o no princípio e no fim: Eis o que diz o Senhor … Palavra do Senhor. A leitura gira à volta de Aquele. Importa ressaltar a palavra de valor, na qual o texto se concentra: Ele.2ª leitura: difícil esta leitura (belo exercício para um curso de leitores). A leitura tem duas vozes: a do escritor e a de Cristo. A de Cristo começa em “Não quiseste sacrifício …” e termina em “… tua vontade”. Desde “Primeiro disse…” até ao fim, ouve-se a voz do escritor sagrado. Resta o perigo de espartilhar o texto com um exagero de cesuras e quedas de tom de voz.g) Depois da Comunhão, rezar o “Magnificat” por um leitor e com um fundo musical.
h) Antes da Bênção, poder-se-á, com as crianças, colocar no presépio, ainda sem qualquer imagem, somente as figuras de Maria e de S. José, como expressão do sim que os dois disseram a Deus. É pedagógico para a assembleia ver “crescer” o seu presépio, já com algumas personagens a ocupar os seus lugares, mas ainda à espera do grande Protagonista.
i) Perto do presépio, poderá estar neste dia um cartaz com a palavra SIM em grandes letras.
j) Convidar as crianças a fazerem em casa o presépio, ou a colocarem a imagem do Menino Jesus em lugar de destaque.
k) Valorizar, neste domingo, a recitação do “Angelus”.
l) As famílias poderão levar as imagens do Menino Jesus dos presépios de casa para serem benzidas na eucaristia deste domingo (Ritual da Celebração das Bênçãos).
REFLEXÕES BÍBLICO-PASTORAIS
a) Este domingo coloca-nos às portas do mistério do Natal. Apesar disso, tanto na homilia como nos cânticos deverá haver já um tom festivo, mas “ligeiro”, para que nada se antecipe e, assim, se mantenha o espírito de expectativa.
b) “Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor” (evangelho). É a primeira bem-aventurança que encontramos no evangelho. É dirigida a Maria. É pronunciada por Isabel, cheia do Espírito Santo. Nós, hoje, repetimo-la: “Bendita sois vós entre as mulheres”. A humildade de Maria, que ela proclamará no Magnificat, é a sua grandeza. Ela é como Belém que, apesar de pequena, dela “sairá aquele que há-de reinar sobre Israel… Ele será a paz” (1ª leitura). A sua humildade levou-a à grandeza do serviço desinteressado a Isabel que estava tão necessitada de ajuda e de companhia. Perante esta grandeza, também Isabel proclama a sua pequenez: “Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?” Deus também elevou a pequenez e a humildade de Isabel, concedendo-lhe um filho, algo que a todos parecia já impossível de acontecer. Às portas da solenidade do Natal, como é bom meditar na humildade e na pequenez de Maria, porque esta é a condição necessária para a acção salvadora de Deus. Também Ele se faz pequeno para se “recolher” no seio de Maria. E no Natal, só os pequenos, os simples e os humildes foram capazes de compreender esta grandeza de Deus. Em Maria, a Palavra de Deus torna-se eficaz. O Prefácio do Advento II/A exprime claramente o papel de Maria na história da salvação: “A graça que em Eva nos foi tirada, foi-nos restituída em Maria. Nela, Mãe de todos os homens, a humanidade, resgatada do pecado e da morte, recebe o dom da vida nova”. A sua atitude de entrega tornou possível a vida de Jesus Cristo; por isso o Prefácio recorda-nos o anúncio da Vigília Pascal através destas palavras: “onde abundou a culpa, superabundou a misericórdia por Cristo, Nosso Salvador”.
c) Tudo isto leva-nos ao paralelismo entre a Mãe de Deus e a Igreja. Também nós pedimos que o Senhor aceite “os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria (Oração Sobre as Oferendas). Todos somos convidados ao cuidado generoso e desinteressado dos pobres e humildes, porque são amados por Deus. Também nós devemos descobrir na humildade (“pequenez”) a grandeza de Deus sem nos deixar deslumbrar por coisas grandiosas que só pertencem e têm lugar neste mundo e em nós. Como Maria e como Cristo, quando “entrou no mundo”, aprendamos a dizer: “Eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade” (2ª leitura), porque só assim a Palavra de Deus será viva e eficaz na nossa vida e na nossa sociedade.
d) A Oração Coleta deste domingo tem um valor teológico extraordinário. Vale a pena reflecti-la. Depois de suplicar que a graça de Deus se derrame em cada um de nós, pede “para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho… alcancemos a glória da ressurreição”. Apresentam-se, assim, todos os elementos do Advento e da teologia do Natal que estamos para celebrar brevemente, começando pela clara identificação da Igreja com Maria. O centro, como não podia deixar de ser, é o mistério pascal de Jesus Cristo, do qual fazemos memorial na Eucaristia, Páscoa contínua na vida da Igreja. A celebração da encarnação deve encaminhar-nos para esta plenitude salvadora. Por isso, do Natal também fazemos memorial. “Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador” (Antífona de Entrada).
Fonte: Com informações do Missal Romano, da CNBB e da SDPL
b) Colocar em lugar de destaque uma imagem de Nossa Senhora, se possível, uma imagem de Nossa Senhora da Esperança.
c) Junto da imagem de Maria, colocar uma caixa embalada como se faz com os presentes de Natal: papel bonito e uma fita colorida (oferta de todos nós a Maria, agradecendo-lhe o seu sim).
d) Antes do Ato Penitencial, acender a 4ª vela da Coroa do Advento.
e) No final da homilia, poder-se-á fazer a Bênção das mulheres grávidas (Ritual da Celebração das Bênçãos).
f) Leitores: 1ª leitura: Hoje, o leitor é a voz de Deus. Anuncia-o no princípio e no fim: Eis o que diz o Senhor … Palavra do Senhor. A leitura gira à volta de Aquele. Importa ressaltar a palavra de valor, na qual o texto se concentra: Ele.2ª leitura: difícil esta leitura (belo exercício para um curso de leitores). A leitura tem duas vozes: a do escritor e a de Cristo. A de Cristo começa em “Não quiseste sacrifício …” e termina em “… tua vontade”. Desde “Primeiro disse…” até ao fim, ouve-se a voz do escritor sagrado. Resta o perigo de espartilhar o texto com um exagero de cesuras e quedas de tom de voz.g) Depois da Comunhão, rezar o “Magnificat” por um leitor e com um fundo musical.
h) Antes da Bênção, poder-se-á, com as crianças, colocar no presépio, ainda sem qualquer imagem, somente as figuras de Maria e de S. José, como expressão do sim que os dois disseram a Deus. É pedagógico para a assembleia ver “crescer” o seu presépio, já com algumas personagens a ocupar os seus lugares, mas ainda à espera do grande Protagonista.
i) Perto do presépio, poderá estar neste dia um cartaz com a palavra SIM em grandes letras.
j) Convidar as crianças a fazerem em casa o presépio, ou a colocarem a imagem do Menino Jesus em lugar de destaque.
k) Valorizar, neste domingo, a recitação do “Angelus”.
l) As famílias poderão levar as imagens do Menino Jesus dos presépios de casa para serem benzidas na eucaristia deste domingo (Ritual da Celebração das Bênçãos).
REFLEXÕES BÍBLICO-PASTORAIS
a) Este domingo coloca-nos às portas do mistério do Natal. Apesar disso, tanto na homilia como nos cânticos deverá haver já um tom festivo, mas “ligeiro”, para que nada se antecipe e, assim, se mantenha o espírito de expectativa.
b) “Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor” (evangelho). É a primeira bem-aventurança que encontramos no evangelho. É dirigida a Maria. É pronunciada por Isabel, cheia do Espírito Santo. Nós, hoje, repetimo-la: “Bendita sois vós entre as mulheres”. A humildade de Maria, que ela proclamará no Magnificat, é a sua grandeza. Ela é como Belém que, apesar de pequena, dela “sairá aquele que há-de reinar sobre Israel… Ele será a paz” (1ª leitura). A sua humildade levou-a à grandeza do serviço desinteressado a Isabel que estava tão necessitada de ajuda e de companhia. Perante esta grandeza, também Isabel proclama a sua pequenez: “Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?” Deus também elevou a pequenez e a humildade de Isabel, concedendo-lhe um filho, algo que a todos parecia já impossível de acontecer. Às portas da solenidade do Natal, como é bom meditar na humildade e na pequenez de Maria, porque esta é a condição necessária para a acção salvadora de Deus. Também Ele se faz pequeno para se “recolher” no seio de Maria. E no Natal, só os pequenos, os simples e os humildes foram capazes de compreender esta grandeza de Deus. Em Maria, a Palavra de Deus torna-se eficaz. O Prefácio do Advento II/A exprime claramente o papel de Maria na história da salvação: “A graça que em Eva nos foi tirada, foi-nos restituída em Maria. Nela, Mãe de todos os homens, a humanidade, resgatada do pecado e da morte, recebe o dom da vida nova”. A sua atitude de entrega tornou possível a vida de Jesus Cristo; por isso o Prefácio recorda-nos o anúncio da Vigília Pascal através destas palavras: “onde abundou a culpa, superabundou a misericórdia por Cristo, Nosso Salvador”.
c) Tudo isto leva-nos ao paralelismo entre a Mãe de Deus e a Igreja. Também nós pedimos que o Senhor aceite “os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria (Oração Sobre as Oferendas). Todos somos convidados ao cuidado generoso e desinteressado dos pobres e humildes, porque são amados por Deus. Também nós devemos descobrir na humildade (“pequenez”) a grandeza de Deus sem nos deixar deslumbrar por coisas grandiosas que só pertencem e têm lugar neste mundo e em nós. Como Maria e como Cristo, quando “entrou no mundo”, aprendamos a dizer: “Eis-me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade” (2ª leitura), porque só assim a Palavra de Deus será viva e eficaz na nossa vida e na nossa sociedade.
d) A Oração Coleta deste domingo tem um valor teológico extraordinário. Vale a pena reflecti-la. Depois de suplicar que a graça de Deus se derrame em cada um de nós, pede “para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho… alcancemos a glória da ressurreição”. Apresentam-se, assim, todos os elementos do Advento e da teologia do Natal que estamos para celebrar brevemente, começando pela clara identificação da Igreja com Maria. O centro, como não podia deixar de ser, é o mistério pascal de Jesus Cristo, do qual fazemos memorial na Eucaristia, Páscoa contínua na vida da Igreja. A celebração da encarnação deve encaminhar-nos para esta plenitude salvadora. Por isso, do Natal também fazemos memorial. “Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador” (Antífona de Entrada).
Fonte: Com informações do Missal Romano, da CNBB e da SDPL
Cristãos da Terra Santa, testemunhos corajosos do perdão
Entrevista com o frei Pierbattista Pizzabala
Por Chiara Santomiero
A pequena comunidade cristã na Terra Santa, cerca de 120 mil em Israel e 40 mil no território administrado pela Autoridade Palestina (1% da população total), resiste, apesar de todas as dificuldades, nos locais que assistiram à Encarnação e à experiência humana de Jesus, oferecendo um testemunho descontado de coragem e fé
Para saber mais, Zenit entrevistou o custódio da Terra Santa, frei Pierbattista Pizzaballa.
- Uma pergunta que não é nova: quais são os sentimentos em relação à presença dos cristãos na Terra Santa?
- Pizzaballa: Essa é uma pergunta que sempre nos fazemos e que deve sempre ser feita, porque a resposta nunca é a mesma. De fato, minha percepção pessoal em relação a essa questão muda com freqüência, assim como mudam as dinâmicas e as situações, de modo que é uma questão que deve ser sempre recolocada.
Mas sei concretamente o que não estamos aptos a ser: não podemos ser uma ponte entre a sociedade israelense e a palestina. Disse o Papa: a Terra Santa necessita “não de muros, mas de pontes”, e esta é uma grande verdade. Mas a comunidade cristã da região não pode servir de ponte entre essas duas sociedades, porque é composta basicamente de árabes palestinos; uma ponte que esteja mais de um lado do que do outro não pode unir. A comunidade cristã, portanto, exprime uma realidade única, mas ainda assim tem dado um testemunho importante. Primeiramente, trata-se de uma comunidade pacífica, não violenta. Não constitui ameaça para ninguém, e isso tem um significado muito importante.
Graças à presença da comunidade cristã chegam milhões de peregrinos, que trazem bem-estar econômico e social e isso é positivo. O nosso testemunho, porém, se expressa principalmente ali, simplesmente, como o de cristãos tentando viver o Evangelho, e a virtude que somos mais solicitados a expressar é a do perdão.
Jesus na cruz – do ponto de vista puramente humano -, morreu por uma terrível injustiça, como resultado de um processo falseado; e apesar disso, Ele perdoou. Este é o âmbito no qual nos cumpre atuar. O perdão não se pode doar, nem mesmo impor, o perdão é um caminho a percorrer. Não se presta a simplificações; antes de perdoar, é preciso entender e encarar o mal, defini-lo com muita verdade. É preciso ter respeito pelo sofrimento de pessoas nas quais foi infligida uma ferida. Ao mesmo tempo, devemos estar cientes de que a capacidade de perdoar deve direcionar o nosso olhar sobre a realidade.
Este é também o significado da presença da Custódia na Terra Santa. Somos uma pequena comunidade de 300 frades, de 32 nações diferentes - uma espécie de Babel! - tentando amar um ao outro, dando seu testemunho de que, não obstante as diferenças, é possível estar juntos. Gostaríamos de ajudar as pessoas, sem a presunção de revolucionar ou mudar o mundo, mas apenas colocando um pequeno sinal de partilha e de perdão.
- Como são as relações com os muçulmanos e judeus?
- Pizzaballa: São dois mundos completamente distintos. A relação com os muçulmanos remonta a séculos; os cristãos são árabes palestinos e vivem com muçulmanos que também são árabes palestinos; são crenças diferentes, mas um único povo que vive na mesma região. Trata-se de uma relação se dá no âmbito das instituições, a começar nas escolas.
Um dos aspectos fundamentais da comunidade cristã na Terra Santa, é que, na verdade, embora pequena, ela é muito viva e ativa - e justamente na escola. As 80 escolas cristãs existentes são freqüentadas tanto por alunos cristãos quanto muçulmanos e, portanto, desempenha um papel muito importante de mediação social.
Onde atuam as escolas cristãs, a relação entre muçulmanos e cristãos é harmoniosa, e isso se reflete na vida pública, porque as famílias se reúnem por causa das atividades escolares e assim se estabelece uma de confiança entre os dois grupos. Constatamos que onde não há escolas cristãs, os relacionamentos são mais difíceis de construir - faltam oportunidades públicas. O que se chama de diálogo inter-religioso e vivido no dia-a-dia, envolvendo todas as atividades da Igreja e em especial da escola.
Com os judeus, o relacionamento é diferente: não há possibilidade para diálogo no seio da Igreja porque Israel tem sua próprias instituições. A única forma de diálogo, ainda que não seja fácil, é do tipo cultural.
Recentemente, por exemplo, recebemos, como presente por parte da Província de Pádua, uma reprodução da Capela de Scrovegni, e que agora está em exibição no museu de Tel Aviv. A iniciativa tem atraído milhares de pessoas todos os dias, que, por meio de visitas guiadas, podem conhecer uma pouco da história da salvação, sob o ponto de vista cristão.
Mas não se pode esquecer que o conflito em curso tem seu peso: quando um cristão palestino fala de Israel, não está se referindo ao Israel bíblico de Jesus, mas aos check-points.
- É possível vislumbrar alguma perspectiva política de paz na Terra Santa?
- Pizzaballa: Neste momento, não parece haver muitas, por várias razões. Primeiro, porque já há um cansaço por parte de ambos os povos. A segunda razão é que não há – em nenhum dos dois lados – um líder forte e carismático com uma visão clara de paz, capaz de conduzir as pessoas e também de fazer as concessões necessárias.
A sociedade palestina, por sua vez, está dividida em duas partes por uma fratura profunda. A comunidade internacional, finalmente, para além de tantos discursos, não parece estar realmente decidida a dar passos concretos no sentido de pressionar as autoridades políticas a alcançar a paz. Continuamos nessa fase, que já parece interminável, das táticas e declarações, mas que não oferece nada de tangível que possa nos fazer acreditar que as coisas vão mudar a curto prazo.
- A visita do Papa em maio passado pôde deixar ecos positivos de diálogo?
- Pizzaballa: A visita de Bento XVI serviu para iluminar as relações tanto com a comunidade judaica quanto com a comunidade islâmica. Ainda assim, o impacto maior foi sobre as comunidades cristãs, que ainda falam do evento hoje de modo muito positivo, mencionando os discursos e gestos do Papa e as Missas públicas, que atraíram milhares de pessoas. Foi um momento forte, que uniu as comunidades cristãs, notoriamente divididas.
- O Papa esteve em Belém. Como está sendo vivido esse tempo do Advento na cidade vizinha ao muro de separação com Israel?
- Pizzaballa: É tocante constatar a cada dia a fé das pessoas. Nestas situações tão difíceis, redescobre-se sempre a oração. Há muita participação nas celebrações e rituais tradicionais que preparam para o Natal e para as estações que são montadas por toda a cidade para lembrar os vários episódios do Evangelho. Orar torna-se uma maneira de permanecermos unidos.
- Há uma mensagem de Belém, o lugar da Encarnação, para o Natal?
- Pizzaballa: A mensagem ainda é a mesma de sempre: Deus continua a visitar-nos através de Jesus, que continua a nascer e a ser uma fonte de renovação. Mesmo que as coisas permaneçam as mesmas, podemos mudar nossa maneira de vê-las. Apesar de tanta violência e morte, ainda há muitas pessoas que desejam se envolver e doar-se à sua terra, sua gente e sua Igreja. Esses são sinais de força, renovação e esperança, para a Terra Santa e também para outras regiões. A Terra Santa pertence a nós, nós pertencemos à Terra Santa. Nossa fé nasceu ali, e continua a nascer. Por isso, devemos acompanhar de perto o que ocorre na região.
Fonte: Zenit.
Por Chiara Santomiero
A pequena comunidade cristã na Terra Santa, cerca de 120 mil em Israel e 40 mil no território administrado pela Autoridade Palestina (1% da população total), resiste, apesar de todas as dificuldades, nos locais que assistiram à Encarnação e à experiência humana de Jesus, oferecendo um testemunho descontado de coragem e fé
Para saber mais, Zenit entrevistou o custódio da Terra Santa, frei Pierbattista Pizzaballa.
- Uma pergunta que não é nova: quais são os sentimentos em relação à presença dos cristãos na Terra Santa?
- Pizzaballa: Essa é uma pergunta que sempre nos fazemos e que deve sempre ser feita, porque a resposta nunca é a mesma. De fato, minha percepção pessoal em relação a essa questão muda com freqüência, assim como mudam as dinâmicas e as situações, de modo que é uma questão que deve ser sempre recolocada.
Mas sei concretamente o que não estamos aptos a ser: não podemos ser uma ponte entre a sociedade israelense e a palestina. Disse o Papa: a Terra Santa necessita “não de muros, mas de pontes”, e esta é uma grande verdade. Mas a comunidade cristã da região não pode servir de ponte entre essas duas sociedades, porque é composta basicamente de árabes palestinos; uma ponte que esteja mais de um lado do que do outro não pode unir. A comunidade cristã, portanto, exprime uma realidade única, mas ainda assim tem dado um testemunho importante. Primeiramente, trata-se de uma comunidade pacífica, não violenta. Não constitui ameaça para ninguém, e isso tem um significado muito importante.
Graças à presença da comunidade cristã chegam milhões de peregrinos, que trazem bem-estar econômico e social e isso é positivo. O nosso testemunho, porém, se expressa principalmente ali, simplesmente, como o de cristãos tentando viver o Evangelho, e a virtude que somos mais solicitados a expressar é a do perdão.
Jesus na cruz – do ponto de vista puramente humano -, morreu por uma terrível injustiça, como resultado de um processo falseado; e apesar disso, Ele perdoou. Este é o âmbito no qual nos cumpre atuar. O perdão não se pode doar, nem mesmo impor, o perdão é um caminho a percorrer. Não se presta a simplificações; antes de perdoar, é preciso entender e encarar o mal, defini-lo com muita verdade. É preciso ter respeito pelo sofrimento de pessoas nas quais foi infligida uma ferida. Ao mesmo tempo, devemos estar cientes de que a capacidade de perdoar deve direcionar o nosso olhar sobre a realidade.
Este é também o significado da presença da Custódia na Terra Santa. Somos uma pequena comunidade de 300 frades, de 32 nações diferentes - uma espécie de Babel! - tentando amar um ao outro, dando seu testemunho de que, não obstante as diferenças, é possível estar juntos. Gostaríamos de ajudar as pessoas, sem a presunção de revolucionar ou mudar o mundo, mas apenas colocando um pequeno sinal de partilha e de perdão.
- Como são as relações com os muçulmanos e judeus?
- Pizzaballa: São dois mundos completamente distintos. A relação com os muçulmanos remonta a séculos; os cristãos são árabes palestinos e vivem com muçulmanos que também são árabes palestinos; são crenças diferentes, mas um único povo que vive na mesma região. Trata-se de uma relação se dá no âmbito das instituições, a começar nas escolas.
Um dos aspectos fundamentais da comunidade cristã na Terra Santa, é que, na verdade, embora pequena, ela é muito viva e ativa - e justamente na escola. As 80 escolas cristãs existentes são freqüentadas tanto por alunos cristãos quanto muçulmanos e, portanto, desempenha um papel muito importante de mediação social.
Onde atuam as escolas cristãs, a relação entre muçulmanos e cristãos é harmoniosa, e isso se reflete na vida pública, porque as famílias se reúnem por causa das atividades escolares e assim se estabelece uma de confiança entre os dois grupos. Constatamos que onde não há escolas cristãs, os relacionamentos são mais difíceis de construir - faltam oportunidades públicas. O que se chama de diálogo inter-religioso e vivido no dia-a-dia, envolvendo todas as atividades da Igreja e em especial da escola.
Com os judeus, o relacionamento é diferente: não há possibilidade para diálogo no seio da Igreja porque Israel tem sua próprias instituições. A única forma de diálogo, ainda que não seja fácil, é do tipo cultural.
Recentemente, por exemplo, recebemos, como presente por parte da Província de Pádua, uma reprodução da Capela de Scrovegni, e que agora está em exibição no museu de Tel Aviv. A iniciativa tem atraído milhares de pessoas todos os dias, que, por meio de visitas guiadas, podem conhecer uma pouco da história da salvação, sob o ponto de vista cristão.
Mas não se pode esquecer que o conflito em curso tem seu peso: quando um cristão palestino fala de Israel, não está se referindo ao Israel bíblico de Jesus, mas aos check-points.
- É possível vislumbrar alguma perspectiva política de paz na Terra Santa?
- Pizzaballa: Neste momento, não parece haver muitas, por várias razões. Primeiro, porque já há um cansaço por parte de ambos os povos. A segunda razão é que não há – em nenhum dos dois lados – um líder forte e carismático com uma visão clara de paz, capaz de conduzir as pessoas e também de fazer as concessões necessárias.
A sociedade palestina, por sua vez, está dividida em duas partes por uma fratura profunda. A comunidade internacional, finalmente, para além de tantos discursos, não parece estar realmente decidida a dar passos concretos no sentido de pressionar as autoridades políticas a alcançar a paz. Continuamos nessa fase, que já parece interminável, das táticas e declarações, mas que não oferece nada de tangível que possa nos fazer acreditar que as coisas vão mudar a curto prazo.
- A visita do Papa em maio passado pôde deixar ecos positivos de diálogo?
- Pizzaballa: A visita de Bento XVI serviu para iluminar as relações tanto com a comunidade judaica quanto com a comunidade islâmica. Ainda assim, o impacto maior foi sobre as comunidades cristãs, que ainda falam do evento hoje de modo muito positivo, mencionando os discursos e gestos do Papa e as Missas públicas, que atraíram milhares de pessoas. Foi um momento forte, que uniu as comunidades cristãs, notoriamente divididas.
- O Papa esteve em Belém. Como está sendo vivido esse tempo do Advento na cidade vizinha ao muro de separação com Israel?
- Pizzaballa: É tocante constatar a cada dia a fé das pessoas. Nestas situações tão difíceis, redescobre-se sempre a oração. Há muita participação nas celebrações e rituais tradicionais que preparam para o Natal e para as estações que são montadas por toda a cidade para lembrar os vários episódios do Evangelho. Orar torna-se uma maneira de permanecermos unidos.
- Há uma mensagem de Belém, o lugar da Encarnação, para o Natal?
- Pizzaballa: A mensagem ainda é a mesma de sempre: Deus continua a visitar-nos através de Jesus, que continua a nascer e a ser uma fonte de renovação. Mesmo que as coisas permaneçam as mesmas, podemos mudar nossa maneira de vê-las. Apesar de tanta violência e morte, ainda há muitas pessoas que desejam se envolver e doar-se à sua terra, sua gente e sua Igreja. Esses são sinais de força, renovação e esperança, para a Terra Santa e também para outras regiões. A Terra Santa pertence a nós, nós pertencemos à Terra Santa. Nossa fé nasceu ali, e continua a nascer. Por isso, devemos acompanhar de perto o que ocorre na região.
Fonte: Zenit.
Natal com as cores do México no Vaticano
Durante a audiência geral desta quarta-feira, na Sala Paulo VI do Vaticano foi apresentado ao Papa Bento XVI a árvore e o presépio mexicanos que permanecerão durante todo o tempo natalino até o início de fevereiro nesse lugar onde o Papa se encontra com os peregrinos.
Não é a primeira vez que a sala é decorada com enfeites mexicanos. Há dois anos o Estado de Jalisco também doou um presépio e árvores de natal, como parte das comemorações do décimo quinto aniversário do restabelecimento das relações entre México e Santa Sé.
O segundo país com maior número de católicos no mundo, desta vez, presenteou a Santa Sé também com uma mostra fotográfica sem precedentes em Roma. Trata-se de murais de paisagens do Estado do México, expostos a turistas, peregrinos e curiosos na Via da Conciliação, avenida que une o Vaticano com a Cidade de Roma.
São vinte imagens de 1 metro de altura que mostram cenas de inspiração religiosa dos municípios mexicanos de Texcoco, Sinacantepec, Toluca, Valle de Bravo, Teotihuacan, Malinalco, Acolman e Tepozotlán.
A inauguração da exposição contou com a presença de representantes do Governo do Vaticano, uma delegação dos 13 bispos do Estado do México, chefiada pelo arcebispo de Tlanepantla e presidente da Conferência Episcopal Mexicana, Dom Carlos Aguiar Retes, pelo governador do Estado do México, Enrique Peña Nieto, e pelos embaixadores mexicanos junto à Santa Sé e à Itália.
Roma descobre o Natal Mexicano
Em declarações a ZENIT, Dom Aguiar Retes explica que com essa iniciativa o México quer compartilhar o espírito de Natal com os romanos e as dezenas de milhares de peregrinos que virão nestes dias à Cidade Eterna.
“O Natal é uma festa familiar, uma festa que reúne as pessoas, onde há troca de presentes, onde é compartilhado o alimento e é lembrado que o maior dom que o Senhor nos deu foi o seu Filho. Portanto, esse é um momento de evangelização muito importante”, diz Dom Aguiar.
O prelado observou que o México, em seus costumes natalinos, é similar às tradições de outros países, tal como na Itália. Mas, por outro lado, está contribuindo com sua arte e tradições para que a humanidade viva com novas expressões de alegria nestes dias.
“Acho que o México tem muito a oferecer, as posadas, as piñatas, que são características e pouco a pouco vão se integrando em outros lugares, como nos Estados Unidos, com os migrantes, como em outros países da América Latina”.
As “posadas” a que o arcebispo se refere são uma novena na qual "pedem pousada", ou seja, hospedagem, recordando o momento em que Maria e José andavam com a preocupação pelo nascimento de seu filho, não tendo nenhuma segurança para que o nascimento fosse digno.
“Creio que todos esses elementos captam muito bem o que o povo entende do amor de Deus e evangelizam na prática”, assegura.
México mais perto de Roma
O governador do Estado do México, Enrique Peña Nieto, explicou a ZENIT que com esse presente ao Papa mostra que existe uma grande riqueza cultural, histórica e folclórica sobre essas festas de Natal, o que sem dúvida é explicado pela influência da evangelização que ocorreu em nosso país. “Acho também que é um vínculo que se estabelece com a Sé de Pedro” acrescenta.
(Mercedes de la Torre)
Não é a primeira vez que a sala é decorada com enfeites mexicanos. Há dois anos o Estado de Jalisco também doou um presépio e árvores de natal, como parte das comemorações do décimo quinto aniversário do restabelecimento das relações entre México e Santa Sé.
O segundo país com maior número de católicos no mundo, desta vez, presenteou a Santa Sé também com uma mostra fotográfica sem precedentes em Roma. Trata-se de murais de paisagens do Estado do México, expostos a turistas, peregrinos e curiosos na Via da Conciliação, avenida que une o Vaticano com a Cidade de Roma.
São vinte imagens de 1 metro de altura que mostram cenas de inspiração religiosa dos municípios mexicanos de Texcoco, Sinacantepec, Toluca, Valle de Bravo, Teotihuacan, Malinalco, Acolman e Tepozotlán.
A inauguração da exposição contou com a presença de representantes do Governo do Vaticano, uma delegação dos 13 bispos do Estado do México, chefiada pelo arcebispo de Tlanepantla e presidente da Conferência Episcopal Mexicana, Dom Carlos Aguiar Retes, pelo governador do Estado do México, Enrique Peña Nieto, e pelos embaixadores mexicanos junto à Santa Sé e à Itália.
Roma descobre o Natal Mexicano
Em declarações a ZENIT, Dom Aguiar Retes explica que com essa iniciativa o México quer compartilhar o espírito de Natal com os romanos e as dezenas de milhares de peregrinos que virão nestes dias à Cidade Eterna.
“O Natal é uma festa familiar, uma festa que reúne as pessoas, onde há troca de presentes, onde é compartilhado o alimento e é lembrado que o maior dom que o Senhor nos deu foi o seu Filho. Portanto, esse é um momento de evangelização muito importante”, diz Dom Aguiar.
O prelado observou que o México, em seus costumes natalinos, é similar às tradições de outros países, tal como na Itália. Mas, por outro lado, está contribuindo com sua arte e tradições para que a humanidade viva com novas expressões de alegria nestes dias.
“Acho que o México tem muito a oferecer, as posadas, as piñatas, que são características e pouco a pouco vão se integrando em outros lugares, como nos Estados Unidos, com os migrantes, como em outros países da América Latina”.
As “posadas” a que o arcebispo se refere são uma novena na qual "pedem pousada", ou seja, hospedagem, recordando o momento em que Maria e José andavam com a preocupação pelo nascimento de seu filho, não tendo nenhuma segurança para que o nascimento fosse digno.
“Creio que todos esses elementos captam muito bem o que o povo entende do amor de Deus e evangelizam na prática”, assegura.
México mais perto de Roma
O governador do Estado do México, Enrique Peña Nieto, explicou a ZENIT que com esse presente ao Papa mostra que existe uma grande riqueza cultural, histórica e folclórica sobre essas festas de Natal, o que sem dúvida é explicado pela influência da evangelização que ocorreu em nosso país. “Acho também que é um vínculo que se estabelece com a Sé de Pedro” acrescenta.
(Mercedes de la Torre)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Apelo dos cristãos iraquianos ao mundo: “não nos abandonem”
"A todos os cristãos do mundo, nós pedimos: não nos abandonem", disse Dom Shlemon Warduni, bispo auxiliar caldeu de Bagdá, após os recentes atentados terroristas contra cristãos e igrejas no Iraque.
Em entrevista à Agência Fides, o prelado disse que a situação no Iraque "é motivo de preocupação e tristeza”. A guerra e a ocupação militar trouxeram instabilidade política e ingovernabilidade, causando "miséria e destruição", e forçando um terço da comunidade cristã do país a emigrar.
"É uma tragédia de enormes proporções, que deve ser mostrada aos olhos do mundo", disse ele.
A falta de planejamento político e a debilitação das instituições, observou, "têm feito proliferar o terrorismo, que hoje tem em sua agenda a desestabilização do país".
Mencionando os recentes atentados contra igrejas cristãs em Mossul, ocorridos nas duas últimas semanas, e em Bagdá, onde um carro-bomba posicionado em frente a uma igreja matou duas pessoas e feriu outras 30, o prelado disse que “a tranqüilidade constitui apenas um breve descanso entre dois atentados”.
Segundo o bispo, os ataques evidenciam que “há um plano para nos atingir (os cristãos). Dirigir dez artefatos explosivos contra igrejas num único dia tem um significado claro de intimidação”.
Dom Warduni expressou também sua rejeição pelo projeto em discussão de reunir todas as igrejas cristãs na região da planície de Nínive, qualificando-o com “absurdo e insensato”. “Significaria confinar os cristãos a um gueto, engaiolando-os, esmagando-os entre os curdos e árabes em conflito”.
“Não pedimos um tratamento privilegiado, mas apenas respeito à nossa dignidade, à nossa liberdade e aos nossos direitos fundamentais: viver em paz, anunciar o Evangelho e contribuir para a construção de nossa Nação.”
“Os governos que promovem a democracia e os direitos humanos, sempre prontos a defender seus interesses econômicos no Iraque, deveriam trabalhar para erradicar o terrorismo e promover a paz e a legalidade no país".
Denunciando a manipulação política da situação de instabilidade, o prelado disse que diferentes partidos políticos tentam “atrair (os cristãos) para sua órbita para seus próprios interesses”, pedindo que sejam tomadas ações concretas: “Nos fazem sempre muitas promessas, mas queremos fatos”, acrescentando que os cristãos no país “jamais agiram com violência, tendo sempre buscado a paz para todo o Iraque”.
Para Dom Louis Sako, arcebispo de Kirkuk, trata-se de uma situação de “limpeza étnica e religiosa”, que vem sendo intensificada pela proximidade do Natal. “A situação é muito tensa” acrescentando: “onde está o governo central”?
Enfatizando a necessidade de um governo unificador forte “capaz de reprimir a violência” e pedindo um posicionamento claro por parte das igrejas e partidos cristãos “em nome da paz e da convivência entre as diferentes etnias e religiões" - porque “destruir esse mosaico” – concluiu – “seria destruir todo o Iraque”.
Fonte: Zenit.
Em entrevista à Agência Fides, o prelado disse que a situação no Iraque "é motivo de preocupação e tristeza”. A guerra e a ocupação militar trouxeram instabilidade política e ingovernabilidade, causando "miséria e destruição", e forçando um terço da comunidade cristã do país a emigrar.
"É uma tragédia de enormes proporções, que deve ser mostrada aos olhos do mundo", disse ele.
A falta de planejamento político e a debilitação das instituições, observou, "têm feito proliferar o terrorismo, que hoje tem em sua agenda a desestabilização do país".
Mencionando os recentes atentados contra igrejas cristãs em Mossul, ocorridos nas duas últimas semanas, e em Bagdá, onde um carro-bomba posicionado em frente a uma igreja matou duas pessoas e feriu outras 30, o prelado disse que “a tranqüilidade constitui apenas um breve descanso entre dois atentados”.
Segundo o bispo, os ataques evidenciam que “há um plano para nos atingir (os cristãos). Dirigir dez artefatos explosivos contra igrejas num único dia tem um significado claro de intimidação”.
Dom Warduni expressou também sua rejeição pelo projeto em discussão de reunir todas as igrejas cristãs na região da planície de Nínive, qualificando-o com “absurdo e insensato”. “Significaria confinar os cristãos a um gueto, engaiolando-os, esmagando-os entre os curdos e árabes em conflito”.
“Não pedimos um tratamento privilegiado, mas apenas respeito à nossa dignidade, à nossa liberdade e aos nossos direitos fundamentais: viver em paz, anunciar o Evangelho e contribuir para a construção de nossa Nação.”
“Os governos que promovem a democracia e os direitos humanos, sempre prontos a defender seus interesses econômicos no Iraque, deveriam trabalhar para erradicar o terrorismo e promover a paz e a legalidade no país".
Denunciando a manipulação política da situação de instabilidade, o prelado disse que diferentes partidos políticos tentam “atrair (os cristãos) para sua órbita para seus próprios interesses”, pedindo que sejam tomadas ações concretas: “Nos fazem sempre muitas promessas, mas queremos fatos”, acrescentando que os cristãos no país “jamais agiram com violência, tendo sempre buscado a paz para todo o Iraque”.
Para Dom Louis Sako, arcebispo de Kirkuk, trata-se de uma situação de “limpeza étnica e religiosa”, que vem sendo intensificada pela proximidade do Natal. “A situação é muito tensa” acrescentando: “onde está o governo central”?
Enfatizando a necessidade de um governo unificador forte “capaz de reprimir a violência” e pedindo um posicionamento claro por parte das igrejas e partidos cristãos “em nome da paz e da convivência entre as diferentes etnias e religiões" - porque “destruir esse mosaico” – concluiu – “seria destruir todo o Iraque”.
Fonte: Zenit.
Papa: “o homem, fonte, centro e fim da vida econômica e social”
Toda decisão econômica tem impacto direto sobre a pessoa humana, que está no foco de toda atividade e deve ser priorizada em relação a qualquer outro interesse.
É o que disse Bento XVI na manhã desta quinta-feira, ao receber em audiência os novos embaixadores junto à Santa Sé da Dinamarca, Uganda, Sudão, Quênia, Cazaquistão, Bangladesh, Finlândia e Letônia.
"Em um mundo cada vez mais globalizado, os esforços para promover o desenvolvimento humano integral e uma ordem econômica sustentável devem considerar a relação fundamental entre Deus, a criação e suas criaturas", disse o Papa em seu discurso ao representante dinamarquês, Hans Klingenberg.
Sob essa perspectiva, “as tendências à fragmentação social e as iniciativas de desenvolvimento desigual podem ser superadas ao se reconhecer a dimensão moral unificante que está na constituição de cada ser humano, e as conseqüências morais de toda decisão econômica”.
Lembrando que a capital dinamarquesa, Copenhague, está hospedando a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o Papa destacou que "as decisões políticas e diplomáticas envolvidas ao se tratar uma questão tão complexa testam nossa determinação de renunciar às supostas vantagens nacionalistas ou de curto prazo, e de dar espaço a soluções de longo prazo para toda a família humana”.
"Uma mudança fundamental no comportamento humano - individual ou coletivo - exige a conversão do coração."
O Papa também ressaltou que os deveres para com o meio ambiente não podem nunca ser separados dos deveres para com a pessoa humana.
Neste sentido, denunciou como "muitas vezes os esforços para promover um entendimento integral do meio ambiente tiveram de conviver com uma visão reducionista da pessoa humana", que tende a não respeitar “a dimensão espiritual dos indivíduos” e, por vezes, é “hostil à família".
A Santa Sé, disse ainda o Papa ao dirigir-se ao embaixador do Cazaquistão, Mukhtar B. Tileuberdi, "encoraja as Nações a respeitarem a pessoa humana em sua totalidade, reconhecendo tanto as necessidades espirituais como as materiais de todos".
"O homem é a fonte, o centro e o fim de toda a vida econômica e social", explicou. Neste contexto, a Igreja atua "como fermento em cada sociedade, para enfatizar a dignidade do homem, dar-lhe a força necessária para atingir uma visão mais clara de si mesmo, e para reunir as energias ao serviço do desenvolvimento humano autêntico."
“Usando o intelecto e cultivando os recursos que Deus nos deu, valorizando a dignidade humana e respeitando a vida, promovendo a vocação do homem para construir um humanismo aberto aos valores espirituais e transcendentes”, será possível empreender um desenvolvimento “que defenda a dignidade da pessoa humana, enquanto se mantém sensível às necessidades de uma economia sustentável”, disse o Pontífice ao embaixador da Letônia, Einars Semanis.
Combater a pobreza e promover a educação
Para que um autêntico desenvolvimento integral seja possível, disse o Papa a Abdul Hannan, embaixador de Bangladesh, é necessário reduzir a pobreza, o que está “inextricavelmente ligado à ampliação do trabalho digno”.
O trabalho, disse, representa "a expressão da dignidade humana, permitindo a homens e mulheres realizar seus talentos, desenvolver suas habilidades e fortalecer seus laços de solidariedade."
A solidariedade, por sua vez, "tem também uma dimensão espiritual, porque ao compartilhar os frutos de seu trabalho, especialmente com os mais necessitados, as pessoas testemunham a bondade do Todo-Poderoso e sua preocupação com os mais pobres e mais fracos".
A melhoria das condições de vida depende também do sistema educacional, disse o Papa: “na era da globalização, fica cada vez mais claro que um maior acesso à educação é fundamental para o desenvolvimento em qualquer nível”, acrescentando que “acima de tudo, é essencial aos educadores que compreendam a natureza da pessoa humana e tratem cada estudante com um indivíduo único e precioso, fornecendo alimento para a alma e a mente”.
Coexistência pacífica das religiões
Falando ao embaixador de Bangladesh, Bento XVI lembrou também a importância da convivência pacífica entre os fiéis de diferentes religiões.
"Rezo para que muçulmanos, hindus, cristãos e todas as pessoas de boa vontade em cada país deem um testemunho incansável da coexistência pacífica, que é a vocação de toda a raça humana".
"A intimidação e a violência corroem as bases da harmonia social e devem ser condenadas como ofensivas à vida e à liberdade."
"As religiões” - disse Bento XVI ao embaixador do Cazaquistão – “têm muito a oferecer para o desenvolvimento, especialmente quando o lugar de Deus é reconhecido na esfera pública".
“Os grupos religiosos”, acrescentou falando ao representante da Finlândia, Alpo Rusi, “podem chamar a atenção para certos valores que estão em risco de erosão, no processo de secularização."
Fonte: Zenit.
É o que disse Bento XVI na manhã desta quinta-feira, ao receber em audiência os novos embaixadores junto à Santa Sé da Dinamarca, Uganda, Sudão, Quênia, Cazaquistão, Bangladesh, Finlândia e Letônia.
"Em um mundo cada vez mais globalizado, os esforços para promover o desenvolvimento humano integral e uma ordem econômica sustentável devem considerar a relação fundamental entre Deus, a criação e suas criaturas", disse o Papa em seu discurso ao representante dinamarquês, Hans Klingenberg.
Sob essa perspectiva, “as tendências à fragmentação social e as iniciativas de desenvolvimento desigual podem ser superadas ao se reconhecer a dimensão moral unificante que está na constituição de cada ser humano, e as conseqüências morais de toda decisão econômica”.
Lembrando que a capital dinamarquesa, Copenhague, está hospedando a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o Papa destacou que "as decisões políticas e diplomáticas envolvidas ao se tratar uma questão tão complexa testam nossa determinação de renunciar às supostas vantagens nacionalistas ou de curto prazo, e de dar espaço a soluções de longo prazo para toda a família humana”.
"Uma mudança fundamental no comportamento humano - individual ou coletivo - exige a conversão do coração."
O Papa também ressaltou que os deveres para com o meio ambiente não podem nunca ser separados dos deveres para com a pessoa humana.
Neste sentido, denunciou como "muitas vezes os esforços para promover um entendimento integral do meio ambiente tiveram de conviver com uma visão reducionista da pessoa humana", que tende a não respeitar “a dimensão espiritual dos indivíduos” e, por vezes, é “hostil à família".
A Santa Sé, disse ainda o Papa ao dirigir-se ao embaixador do Cazaquistão, Mukhtar B. Tileuberdi, "encoraja as Nações a respeitarem a pessoa humana em sua totalidade, reconhecendo tanto as necessidades espirituais como as materiais de todos".
"O homem é a fonte, o centro e o fim de toda a vida econômica e social", explicou. Neste contexto, a Igreja atua "como fermento em cada sociedade, para enfatizar a dignidade do homem, dar-lhe a força necessária para atingir uma visão mais clara de si mesmo, e para reunir as energias ao serviço do desenvolvimento humano autêntico."
“Usando o intelecto e cultivando os recursos que Deus nos deu, valorizando a dignidade humana e respeitando a vida, promovendo a vocação do homem para construir um humanismo aberto aos valores espirituais e transcendentes”, será possível empreender um desenvolvimento “que defenda a dignidade da pessoa humana, enquanto se mantém sensível às necessidades de uma economia sustentável”, disse o Pontífice ao embaixador da Letônia, Einars Semanis.
Combater a pobreza e promover a educação
Para que um autêntico desenvolvimento integral seja possível, disse o Papa a Abdul Hannan, embaixador de Bangladesh, é necessário reduzir a pobreza, o que está “inextricavelmente ligado à ampliação do trabalho digno”.
O trabalho, disse, representa "a expressão da dignidade humana, permitindo a homens e mulheres realizar seus talentos, desenvolver suas habilidades e fortalecer seus laços de solidariedade."
A solidariedade, por sua vez, "tem também uma dimensão espiritual, porque ao compartilhar os frutos de seu trabalho, especialmente com os mais necessitados, as pessoas testemunham a bondade do Todo-Poderoso e sua preocupação com os mais pobres e mais fracos".
A melhoria das condições de vida depende também do sistema educacional, disse o Papa: “na era da globalização, fica cada vez mais claro que um maior acesso à educação é fundamental para o desenvolvimento em qualquer nível”, acrescentando que “acima de tudo, é essencial aos educadores que compreendam a natureza da pessoa humana e tratem cada estudante com um indivíduo único e precioso, fornecendo alimento para a alma e a mente”.
Coexistência pacífica das religiões
Falando ao embaixador de Bangladesh, Bento XVI lembrou também a importância da convivência pacífica entre os fiéis de diferentes religiões.
"Rezo para que muçulmanos, hindus, cristãos e todas as pessoas de boa vontade em cada país deem um testemunho incansável da coexistência pacífica, que é a vocação de toda a raça humana".
"A intimidação e a violência corroem as bases da harmonia social e devem ser condenadas como ofensivas à vida e à liberdade."
"As religiões” - disse Bento XVI ao embaixador do Cazaquistão – “têm muito a oferecer para o desenvolvimento, especialmente quando o lugar de Deus é reconhecido na esfera pública".
“Os grupos religiosos”, acrescentou falando ao representante da Finlândia, Alpo Rusi, “podem chamar a atenção para certos valores que estão em risco de erosão, no processo de secularização."
Fonte: Zenit.
Papa pede acordos úteis e justos pelo meio ambiente
O Papa pediu hoje às autoridades políticas que impulsionem acordos internacionais vinculantes para a proteção do meio ambiente.
Ele o fez em seu discurso dirigido aos novos embaixadores junto à Santa Sé da Dinamarca, Uganda, Sudão, Quênia, Cazaquistão, Bangladesh, Finlândia e Letônia, ao recebê-los no Palácio Apostólico para a entrega das suas cartas credenciais.
“Tanto no âmbito individual como político, é necessário agora assumir compromissos mais decididos e compartilhados de maneira mais ampla no que diz respeito à criação”, destacou o Papa.
Além disso, sublinhou a relação que existe entre a responsabilidade com a criação e a miséria e a fome.
Neste sentido, advertiu que a degradação do meio ambiente “constitui uma ameaça direta para a sobrevivência do homem e para seu próprio desenvolvimento; e inclusive pode ameaçar diretamente a paz entre as pessoas e as populações”.
O Papa recordou que “o bem do homem não reside em um consumo cada vez mais desenfreado nem no acúmulo ilimitado de bens – consumo e acúmulo que estão reservados a um pequeno número e propostos como modelos à massa”.
Sobre isso, Bento XVI disse que “as religiões vividas segundo sua essência profunda eram e são uma força de reconciliação e de paz”.
Mas corresponde “não somente às diversas religiões destacar e defender a primazia da pessoa e do espírito”, mas também ao Estado, que “tem o dever de fazê-lo, principalmente através de uma política ambiciosa que favoreça todos os cidadãos, por igual, no acesso aos bens do espírito”.
O Papa prosseguiu indicando aos embaixadores que o Estado deve valorizar a riqueza das relações sociais e animar a pessoa a prosseguir sua busca espiritual, pois “todo crente está chamado a perguntar a Deus sobre sua vontade a propósito de toda situação humana”.
“Diante de Deus, não existe nenhuma categoria ou hierarquia de pessoa, inferior ou superior, dominante ou protegido – declarou. Não existe para ele mais que a pessoa criada pro amor e que quer ver viver, em família e em sociedade, em uma harmonia fraterna.”
“Para a pessoa de fé ou a pessoa de boa vontade, a resolução dos conflitos humanos, como a delicada convivência das diferentes religiões, pode transformar-se em uma coexistência humana em uma ordem repleta de bondade e de sabedoria que tem sua origem e seu dinamismo em Deus”, continuou.
“Esta coexistência no respeito à natureza das coisas e à sabedoria inerente que vem de Deus – a tranquillitas ordinis – se chama paz”, acrescentou.
“Às vezes é difícil, para o mundo político e econômico, dar à pessoa o primeiro lugar; nele é ainda mais delicado considerar e admitir a importância e a necessidade do religioso, e garantir à religião sua verdadeira natureza e lugar em sua faceta pública”, reconheceu.
Mas “a paz, tão desejada, não se alcançará sem a ação conjunta do indivíduo, que descobre sua verdadeira natureza em Deus, e de dirigentes das sociedades civis e religiosas, que – no respeito à dignidade e à fé de cada um – saibam reconhecer e dar à religião sua nobre e autêntica função de cumprimento e de aperfeiçoamento da pessoa humana”.
Fonte: Zenit.
Ele o fez em seu discurso dirigido aos novos embaixadores junto à Santa Sé da Dinamarca, Uganda, Sudão, Quênia, Cazaquistão, Bangladesh, Finlândia e Letônia, ao recebê-los no Palácio Apostólico para a entrega das suas cartas credenciais.
“Tanto no âmbito individual como político, é necessário agora assumir compromissos mais decididos e compartilhados de maneira mais ampla no que diz respeito à criação”, destacou o Papa.
Além disso, sublinhou a relação que existe entre a responsabilidade com a criação e a miséria e a fome.
Neste sentido, advertiu que a degradação do meio ambiente “constitui uma ameaça direta para a sobrevivência do homem e para seu próprio desenvolvimento; e inclusive pode ameaçar diretamente a paz entre as pessoas e as populações”.
O Papa recordou que “o bem do homem não reside em um consumo cada vez mais desenfreado nem no acúmulo ilimitado de bens – consumo e acúmulo que estão reservados a um pequeno número e propostos como modelos à massa”.
Sobre isso, Bento XVI disse que “as religiões vividas segundo sua essência profunda eram e são uma força de reconciliação e de paz”.
Mas corresponde “não somente às diversas religiões destacar e defender a primazia da pessoa e do espírito”, mas também ao Estado, que “tem o dever de fazê-lo, principalmente através de uma política ambiciosa que favoreça todos os cidadãos, por igual, no acesso aos bens do espírito”.
O Papa prosseguiu indicando aos embaixadores que o Estado deve valorizar a riqueza das relações sociais e animar a pessoa a prosseguir sua busca espiritual, pois “todo crente está chamado a perguntar a Deus sobre sua vontade a propósito de toda situação humana”.
“Diante de Deus, não existe nenhuma categoria ou hierarquia de pessoa, inferior ou superior, dominante ou protegido – declarou. Não existe para ele mais que a pessoa criada pro amor e que quer ver viver, em família e em sociedade, em uma harmonia fraterna.”
“Para a pessoa de fé ou a pessoa de boa vontade, a resolução dos conflitos humanos, como a delicada convivência das diferentes religiões, pode transformar-se em uma coexistência humana em uma ordem repleta de bondade e de sabedoria que tem sua origem e seu dinamismo em Deus”, continuou.
“Esta coexistência no respeito à natureza das coisas e à sabedoria inerente que vem de Deus – a tranquillitas ordinis – se chama paz”, acrescentou.
“Às vezes é difícil, para o mundo político e econômico, dar à pessoa o primeiro lugar; nele é ainda mais delicado considerar e admitir a importância e a necessidade do religioso, e garantir à religião sua verdadeira natureza e lugar em sua faceta pública”, reconheceu.
Mas “a paz, tão desejada, não se alcançará sem a ação conjunta do indivíduo, que descobre sua verdadeira natureza em Deus, e de dirigentes das sociedades civis e religiosas, que – no respeito à dignidade e à fé de cada um – saibam reconhecer e dar à religião sua nobre e autêntica função de cumprimento e de aperfeiçoamento da pessoa humana”.
Fonte: Zenit.
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