sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Papa recebeu líderes cristãos do Sudão do Sul

O Papa recebeu hoje no Vaticano os principais líderes cristãos do Sudão do Sul, com quem debateu o cenário de guerra civil no mais jovem país africano, anunciou a sala de imprensa da Santa Sé.
Francisco reuniu-se com D. Paulino Lukudu Loro, arcebispo de Juba; Daniel Deng Bul Yak, arcebispo da Igreja Episcopal; e Peter Gai Lual Marrow, da Igreja Presbiteriana.
A Santa Sé informa que o encontro teve lugar “no contexto das tensões que dividem a população e destroem a convivência no país”.
A guerra civil no Sudão do Sul começou em dezembro de 2013, opondo o presidente Salva Kiir ao antigo vice-presidente do Riek Machar.
Francisco e os líderes cristãos sublinharam a “colaboração” entre Igrejas para “proteger a os indefensos e criar iniciativas de diálogo e reconciliação”.
“À luz do Ano da Misericórdia, que a Igreja Católica está a celebrar, sublinhou-se que a experiência fundamental do perdão e a aceitação o outro é o caminho real para construir a paz e o desenvolvimento humano e social”, pode ler-se.
comunicado deixa votos de que se encontrem respostas para as “aspirações profundas” da população sul-sudanesa, oferecendo “uma vida segura e um futuro melhor”.
OC - Agência Ecclesia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Ecumenismo: 500 anos depois da reforma de Lutero, Papa vai à Suécia apontar ao futuro



A Santa Sé apresentou hoje aos jornalistas o programa da viagem do Papa à Suécia, de 31 de outubro a 1 de novembro, um evento “inédito” por juntar católicos e luteranos nos 500 anos da reforma de Lutero.
O porta-voz do Vaticano, Greg Burke, disse em conferência de imprensa que o objetivo da visita de Francisco a Malmo e Lund é sublinhar o percurso de católicos e luteranos no diálogo ecumênico, em particular nos últimos 50 anos.
O Papa foi convidado pela Igreja Católica na Suécia, pelo governo local e pela Federação Luterana Mundial, numa viagem que tem como tema ‘Do conflito à comunhão: unidos na esperança’.
Francisco vai chegar a Malmo pelas 11h00 (menos uma em Lisboa) da próxima segunda-feira, sendo recebido pelo primeiro-ministro sueco antes da visita à família real, no palácio de Lund.
O programa do primeiro dia na Suécia completa-se com uma oração na Catedral Luterana de Lund e um encontro ecuménico na Arena Malmo, perante 30 delegações luteranas.
Francisco vai ser acompanhado neste encontro pelo cardeal Kurt Kock, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos (Santa Sé), pelo presidente da Federação Luterana Mundial, Munib A. Younan, e o secretário-geral deste organismo, Martin Junge.
A 13 de outubro, ao receber no Vaticano cerca de mil participantes numa peregrinação ecumênica de luteranos, o Papa disse que o objetivo da viagem à Suécia é “fazer memória, depois de cinco séculos, do início da reforma de Lutero” e agradecer pelos “50 anos de diálogo oficial” entre a Igreja Católica e a Luterana.
“Parte essencial desta comemoração será dirigirmos o nosso olhar para o futuro, em vista de um testemunho cristão comum para o mundo de hoje”, precisou.
A viagem conclui-se no dia em que a Igreja Católica celebra a solenidade de Todos os Santos, com a Missa presidida pelo Papa no Swedbank Stadion, em Malmo.
OC - Agência Ecclesia.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

China: Autoridade derrubam edifício da Igreja



A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) notícia que a demolição de um edifício da Igreja em Tianjin, na Diocese de Anyang, na China, provocou manifestações que originaram confrontos entre a comunidade cristã e a polícia.
Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, a AIS explica que as manifestações de protesto reuniram cerca de “quatro dezenas de pessoas” onde se contavam “alguns sacerdotes e religiosas” contra a demolição de um edifício da Igreja em Tianjin, na Diocese de Anyang.
A fundação pontifícia considera que o incidente “ganha algum destaque” uma vez que acontece num período de “alguma tensão” por causa da campanha de demolição de cruzes e de outros símbolos cristãos, em diversas regiões da República Popular China.
O secretariado português da AIS refere que “sinal diametralmente oposto” a este acontecimento pode estar, “para breve, o entendimento” entre a Santa Sé e o governo em Pequim “sobre a delicada questão da nomeação dos bispos que “abrirá as portas a um acordo mais vasto”.
A fundação recorda ainda que na China existe uma comunidade cristã “muito ativa apesar de «clandestina»” por ser fiel ao Papa e que “tem sofrido, desde o advento do regime comunista, a perseguição das autoridades”, que criaram a ‘Associação Patriótica Católica’, em 1957, suspendendo assim qualquer comunicação com a Santa Sé.
CB - Agência Ecclesia.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Papa rejeita «rigidez» na vida da Igreja

O Papa explicou hoje que a “rigidez não é um dom de Deus” tendo como referencia o Evangelho da cura de uma mulher num sábado, o que provoca indignação das pessoas do tempo de Jesus.
“A Lei não foi feita para escravizar mas para libertar-nos, para fazer-nos filhos. Por trás da rigidez tem sempre outra coisa, sempre, por isso, Jesus diz «hipócritas»”, disse Francisco, na Missa a que presidiu na capela da Casa Santa Marta, Vaticano.
O Papa assinalou que Jesus reagiu à indignação do chefe da Sinagoga e acusou-o de ser hipócrita, uma palavra que “repete tantas vezes aos rígidos”, aos que têm uma atitude de rigidez “em cumprir a lei” e “não têm a liberdade dos filhos”.
“São escravos da Lei”, sublinhou, realçando que “não é fácil caminhar na Lei do Senhor” mas “é uma graça” que se deve pedir.
Segundo Francisco, por trás dessa rigidez “há algo escondido” na vida da pessoa, “em tantos casos uma vida dupla mas há também algo de doentio”, uma vez que a “rigidez não é um dom de Deus”, por ser contrária à “mansidão, bondade, benevolência, o perdão”.
“Quanto sofrem os rígidos: quando são sinceros e se percebem isso, sofrem. Porque não conseguem ter a liberdade dos filhos de Deus não sabem como se caminha na Lei do Senhor e não são beatos”, desenvolve.
O pontífice argentino sublinhou que esses rígidos “parecem bons” porque seguem a Lei, mas sofrem, têm alguma coisa que “não os torna bons” porque “são maus, hipócritas ou são doentes”.
Neste contexto, Francisco recordou o filho mais velho da parábola do Filho Pródigo que “sempre se comportou bem” mas indigna-se com o pai que recebe “com alegria o filho menor dissoluto que regressou arrependido”.
“Esta atitude mostra o que há por trás de uma certa bondade: A soberba de se julgar justo”, referiu.
O Papa concluiu a sua homilia a pedir aos presentes que rezem pelos irmãos e irmãs que “pensam que caminhar na Lei do Senhor significa tornar-se rígidos”.
“Que o Senhor faça sentir que Ele é Pai e que gosta de misericórdia, de ternura, de bondade, de mansidão, de humildade e ensine todos a caminhar na Lei do Senhor com essas atitudes”, acrescentou Francisco, numa intervenção divulgada pela Rádio Vaticano.
CB - Agência Ecclesia.

Papa denuncia «hediondos atos de violência» no Iraque



O Papa Francisco alertou hoje no Vaticano para os “atos hediondos” de violência que aconteceram no Iraque, palco de confrontos entre o autoproclamado Estado Islâmico (EI), forças iraquianas e combatentes Peshmergas curdos.
“Estou próximo da população do Iraque, nestas horas dramáticas, em particular à cidade de Mossul”, disse Francisco, após a recitação da oração do ângelus, perante milhares de pessoas.
O Papa aludia à ofensiva desencadeada na última semana para reconquistar Mossul, sob controlo do EI desde 2014.
“Os nossos corações foram sacudidos pelos hediondos atos de violência que há demasiado tempo se estão a cometer contra pessoas inocentes, muçulmanos, cristãos ou pertencentes a outras etnias e religiões”, denunciou.
Francisco manifestou a sua tristeza pelas notícias de execuções a sangue-frio de “numerosos filhos desta amada terra [Iraque], entre os quais muitas crianças”.
“Esta crueldade faz-nos chorar, deixando-nos sem palavras”, confessou.
O Papa deixou uma mensagem de solidariedade e promessas de oração para que o Iraque, “apesar de duramente atingido” possa ser forte e mantenha “a esperança de poder avançar para um futuro de segurança, de reconciliação e de paz”.
No final da intervenção, Francisco convidou os peregrinos e visitantes presentes na Praça de São Pedro a um momento de oração, em silêncio, pelas vítimas deste conflito.
Segundo o exército iraquiano, desde a última segunda-feira, quando começou a ofensiva para reconquistar Mossul, 37 localidades foram recuperadas a sul da cidade.
OC - Agência Ecclesia.

domingo, 23 de outubro de 2016

Pastoral Familiar: «Família cristã tem de marcar a diferença»

D. Antonino Dias, presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família, afirmou este sábado nas jornadas nacionais de Pastoral Familiar que a “família cristã tem de marcar a diferença pelo testemunho” sem desânimo, nem angústia.
No encontro baseado na reflexão do Papa Francisco na exortação apostólica “A alegria do amor”, D. Antonino Dias apontava o desafio da família ser testemunha de uma comunidade viva.
“Vivemos mudanças sócio-culturais e antropológicas que são obstáculo a que a família viva e enfrente as dificuldades e não pode desistir; a família cristã tem de marcar a diferença, precisa de testemunhar sem medo, pois o desânimo e a angústia não são dons do Espírito Santo”, disse este sábado em declarações à Agência ECCLESIA.
O presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família apontou ainda as novas gerações e a cultura do provisório que traz dificuldades a este setor da pastoral familiar.
“Vivemos esta cultura do provisório, uma era de plástico e os jovens são frutos deste tempo, têm dificuldade em enfrentar a riqueza do matrimônio com medo de falhar; outros não têm esse sentido de responsabilidade, escolhem ‘à la carte’”.
O prelado confessou ainda que é difícil uma preparação para o matrimônio, pois “o que era válido há 20 anos já não é” e é necessário gente com capacidade para os acompanhar, “com mudança de linguagem, de conteúdo, pedagogias, metodologias e isso exige competência e preparação, não dá para improvisar”.
Por seu lado D. Ilídio Leandro, vogal da mesma Comissão Episcopal e presente nas Jornadas, olha para um novo conceito de família que é preciso não esquecer, como apontou o Papa Francisco com uma nova teologia na exortação “A Alegria do Amor”.
“Atualmente há muitos conceitos de família, e hoje há a família nuclear, pequena, que não havendo filhos, fica reduzida a duas pessoas e quando se desentendem cada um vai para seu lado.
Ora o Papa faz apelo a que todas as relações sejam marcadas pelo tom familiar, convida a que seja família alargada, não excluindo os vizinhos”, disse o bispo de Viseu à Agência ECCLESIA.
Segundo o prelado, o Papa na exortação veio trazer uma “nova teologia,porque antes as normas eram aplicadas de forma fria e muitas vezes eram esquecidas circunstâncias concretas, Francisco fez uma leitura das normas a partir das pessoas para as ajudar a caminhar.
D. Ilídio Leandro recordou ainda a sua circunstância de família, tendo sido criado perto dos avós e alerta para os perigos do abandono dos idosos,
“A família ia crescendo na casa ou na vizinhança dos avós, era natural  por isso não os esqueço e hoje é necessário integrar os idosos, e não ver apenas o lar só como saída, um lar distante que leva à separação, em que a morte ou as heranças trazem a proximidade”.
De acordo com o programa das jornadas no domingo, dia 23 de outubro, estará em destaque uma intervenção do cônego Arnaldo de Pinho, subordinada ao tema “Acompanhar, discernir e integrar as situações ‘irregulares’: a liberdade e a responsabilidade do bispo diocesano”.
Também um momento de partilha de testemunhos, com um casal em situação irregular e um pároco que abordará as suas dificuldades nesta área pastoral.
Fonte: Agência Ecclesia.

sábado, 22 de outubro de 2016

Iraque: «Cristãos estão a ser perseguidos, yazidis estão a ser eliminados» - Irmã Irene Guia



A Irmã Irene Guia disse à Agência ECCLESIA que é necessário “alargar” os destinatários das campanhas de apoio às populações do Médio Oriente, nomeadamente aos yazidis que estão a “ser eliminados”.
“Os cristãos estão a ser perseguidos, mas os yazidis estão a ser eliminados”, afirmou a religiosa, responsável pelos projetos do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) no distrito de Dohuk, na Região Autónoma do Curdistão Iraquiano.
A comunidade étnico-religiosa yazidi é constituída por perto de um milhão de pessoas e a maioria vive no Iraque.
Perseguida por diferentes regimes, os yazidis estão a ser alvo de um genocídio desde 2014 por parte do autoproclamado Estado Islâmico.
Para a irmã Irene Guia é “aterrador” o que se está a passar com as mulheres yazidis, que estão a ser alvo de “violações, vendidas em mercados e passadas de mão-em-mão para todo o tipo de abusos”.
“Há algumas mulheres que conseguem fugir ou são compradas e são libertadas. São como escravas readquiridas para a liberdade. São escravas neste mercado de homens”, referiu a religiosa, no Curdistão Iraquiano há um mês.
O JRS está a desenvolver projetos de ajuda a esta comunidade, nomeadamente às mulheres, através de um programa de saúde mental porque essas pessoas têm a cabeça “feita num caco”, sublinhou.
Para a irmã Irene Guia, as campanhas de apoio aos cristãos perseguidos devem ser desenvolvidas, mas é necessário “alargar os corações e a generosidade”.
“Que as campanhas sejam mais universais e não exclusivamente para os cristãos”, apelou.
“Não podemos ficar com o olhar exclusivo aos nossos quando vemos um povo a ser eliminado e não têm apoios internacionais”, acrescentou a religiosa.
De acordo com a Irmã Irene Guia, os cristãos “estão mal” na região, sofrem perseguições, mas “todos eles têm apoio”.
“Que as nossas campanhas pelos cristãos de aqui signifique também que temos de olhar pelos yazidis daqui”, concluiu.
PR - Agência Ecclesia.