Sua santidade tem dado mostras de que pretende mesmo mexer nos processos de nulidade de casamento. As mudanças se traduzem em dois pontos principais: simplificação do procedimento jurídico e minoração ou mesmo eliminação das custas.
Na audiência geral de quarta-feira, dia 8 de agosto de 2015, o bispo de Roma retomou o tema dos conúbios. Desta vez, Francisco ensinou energicamente que os casados em segunda união “não foram excomungados”. Explicou o vigário de Cristo que os bínubos (as pessoas recasadas) “fazem parte da Igreja”. Portanto, não se pode ser mais realista que o próprio rei, como diz o ditado, querendo excluir esses irmãos ou olhar para eles com preconceito!
Segundo a nova teologia matrimonial, que ganhou alentado impulso no atual pontificado, o matrimônio não é uma realidade pronta (“in fieri”), mas uma relação homem-mulher elaborada ao longo da convivência. A concepção de “uma só carne” não está restrita ao aspecto sexual, porque abrange a inteira relação entre os cônjuges.
A Igreja, insisto, jamais poderá vulnerar a injunção do seu divino fundador, Jesus Cristo, alterando o preceito da indissolubilidade do casamento válido (Mc 10,9). Sem embargo, a compreensão do que seja um matrimônio válido expande-se com o passar do tempo, ganha novos matizes, numa hermenêutica progressiva e, concomitantemente, fiel ao depósito da fé.
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Papa: "Os casais de segunda união não estão excomungados; eles são membros da Igreja"
O Papa Francisco retomou as Audiências gerais de quarta-feira, após pausa de um mês. O Santo Padre chegou na Sala Paulo VI, onde são realizadas em agosto por causa do calor europeu, e cumprimentou os fiéis ao redor da sala. Calmamente, ele parou para abençoar as crianças e falar com alguns dos peregrinos provenientes de diversas as partes do mundo; com ternura acariciou os doentes e anciãos sentados nas primeiras filas.
Na catequese desta manhã, Francisco prosseguiu o ciclo sobre a família, centrando-se em uma das feridas que a família enfrenta hoje: divorciados que casam novamente no civil.
Assim, no resumo feito em português, Francisco indicou que “retornando às catequeses sobre a família, hoje refletimos sobre o modo de acompanhar aqueles que não conseguiram manter intacto o vínculo matrimonial e contraíram uma nova união”.
Ele explicou que “por um lado, a Igreja não ignora que esta situação contradiz o sacramento do matrimônio, mas, por outro, o seu coração materno, animado pelo Espírito Santo, leva-a sempre a buscar o bem e a salvação de todas as pessoas”. “Também -continuou o Papa- é preciso ter em conta o crescente número de crianças cujas famílias vivem segundo tais uniões”.
Francisco destacou que “a Igreja, como o Bom Pastor do Evangelho, não exclui ninguém: os casais de segunda união não estão excomungados; eles são membros da Igreja”. E conclui, afirmando que “não existem receitas simples”, mas “é importante que todos se sintam acolhidos e possam viver segundo uma fé convicta e praticada: através da oração, da escuta da Palavra de Deus, da frequência na liturgia, da educação cristã dos filhos e do compromisso pela justiça e a paz”.
Em seguida, aos peregrinos de língua portuguesa “nomeadamente os acólitos e escutas de Portugal, bem como os fiéis brasileiros”, o Papa disse: “sejam bem-vindos! Saúdo-vos como membros desta família que é a Igreja, pedindo-vos que renoveis o vosso compromisso para que as vossas comunidades sejam lugares sempre mais acolhedores, onde se faz experiência da misericórdia e do amor de Deus. Que o Senhor vos abençoe a todos!”.
Após as saudações em várias línguas, o Papa dirigiu algumas palavras aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ele recordou que hoje a Igreja celebra a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maggiore, onde o ícone Salus Populi Romani é venerado. Por isso, Francisco convidou os jovens a invocarem a Mãe de Deus, "para sentir a doçura de seu amor"; motivou os doentes a rezarem a Nossa Senhora "nos momentos de cruz e sofrimento"; os recém-casados foram convidados a olhar par Ela como “o modelo do caminho conjugal de dedicação e fidelidade”.
Fonte: Zenit.
Na catequese desta manhã, Francisco prosseguiu o ciclo sobre a família, centrando-se em uma das feridas que a família enfrenta hoje: divorciados que casam novamente no civil.
Assim, no resumo feito em português, Francisco indicou que “retornando às catequeses sobre a família, hoje refletimos sobre o modo de acompanhar aqueles que não conseguiram manter intacto o vínculo matrimonial e contraíram uma nova união”.
Ele explicou que “por um lado, a Igreja não ignora que esta situação contradiz o sacramento do matrimônio, mas, por outro, o seu coração materno, animado pelo Espírito Santo, leva-a sempre a buscar o bem e a salvação de todas as pessoas”. “Também -continuou o Papa- é preciso ter em conta o crescente número de crianças cujas famílias vivem segundo tais uniões”.
Francisco destacou que “a Igreja, como o Bom Pastor do Evangelho, não exclui ninguém: os casais de segunda união não estão excomungados; eles são membros da Igreja”. E conclui, afirmando que “não existem receitas simples”, mas “é importante que todos se sintam acolhidos e possam viver segundo uma fé convicta e praticada: através da oração, da escuta da Palavra de Deus, da frequência na liturgia, da educação cristã dos filhos e do compromisso pela justiça e a paz”.
Em seguida, aos peregrinos de língua portuguesa “nomeadamente os acólitos e escutas de Portugal, bem como os fiéis brasileiros”, o Papa disse: “sejam bem-vindos! Saúdo-vos como membros desta família que é a Igreja, pedindo-vos que renoveis o vosso compromisso para que as vossas comunidades sejam lugares sempre mais acolhedores, onde se faz experiência da misericórdia e do amor de Deus. Que o Senhor vos abençoe a todos!”.
Após as saudações em várias línguas, o Papa dirigiu algumas palavras aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. Ele recordou que hoje a Igreja celebra a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maggiore, onde o ícone Salus Populi Romani é venerado. Por isso, Francisco convidou os jovens a invocarem a Mãe de Deus, "para sentir a doçura de seu amor"; motivou os doentes a rezarem a Nossa Senhora "nos momentos de cruz e sofrimento"; os recém-casados foram convidados a olhar par Ela como “o modelo do caminho conjugal de dedicação e fidelidade”.
Fonte: Zenit.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
"A espiritualidade saudável afasta alguns fatores que produzem ansiedade e depressão"
Sou responsável pela minha forma de ser? É possível sair da depressão? Como vencer a ansiedade? Existem meios para superar a dependência de drogas ou de internet? O que pode fazer a família de uma pessoa mentalmente doente? Quando é necessário um médico, um psicólogo ou um sacerdote? O sexo é uma invenção antiga, um jogo ou um tabu? Estas são algumas das perguntas que Wenceslao Vial – médico, sacerdote e professor de psicologia e vida espiritual na Universidade da Santa Cruz em Roma – responde em seu livro “Psicologia e vida cristã. Cuidado da saúde mental e espiritual”. ZENIT o entrevistou para aprofundar alguns aspectos desta questão.
***
Como é que se relaciona a saúde, a doença e a vida espiritual?
- Professor Vial: A saúde e a vida espiritual estão intimamente relacionadas, pela assombrosa unidade do ser humano, em suas dimensões física, psíquica e espiritual. A doença psicofísica afeta a esfera espiritual, embora não de um modo necessário, pois muitas pessoas com uma saúde debilitada crescem no seu relacionamento com os outros e com Deus, cheias de paz.
Para entender isso, é útil a comparação de Santo Thomas, que o espírito seria como um músico e o corpo seu instrumento. O músico, o espírito humano, embora não esteja doente, pode ser incapaz de interpretar a melodia, caso esteja desafinado ou quebrado o instrumento. Tantas vezes, no entanto, o espírito supera as limitações do instrumento e toca de uma maneira esplêndida. Nos casos graves, em que este espírito é incapaz de manifestar-se, como em algumas demências e patologias com significativo comprometimento da inteligência e da vontade, uma vida espiritual até então rica pode continuar a dar frutos, embora não visíveis externamente. Não só a pessoa doente se une mais a Deus e cresce, mas também os que cuidam dela e atendem com carinho. Também existe uma doença que afeta o espírito: abandonar a busca do sentido da existência ou negá-lo a priori; deixar de perguntar-se por que nós existimos em um universo ordenado, excluir arbitrariamente a Deus e achar-se auto-suficiente. São essas as raízes do pecado, a incoerência vital que afeta o bem-estar geral da pessoa. Como é bom cuidar do corpo e da alma para servir mais e melhor a Deus e aos outros.
Até que ponto estamos condicionados por nosso caráter?
- Professor Vial: o caráter é o conjunto de aspectos do modo de ser adquiridos com educação, na família, no colégio, no ambiente em que vivemos, os acontecimentos positivos ou negativos. O termo deriva das incisões que os gregos faziam nas suas moedas. Deixavam nelas uma marca profunda, indelével. Assim é o caráter, mas nós não somos um pedaço de metal inerte.
A força do espírito humano e a ação da graça são capazes de modificar a nossa maneira de ser. Se não, como poderia o cristão se assemelhar cada vez mais a Cristo? É uma tarefa que requer tempo, todo o tempo..., porque a personalidade é formada até ao fim da vida. Para alterar o modo de ser é preciso levar em conta outros fatores, como temperamento herdado, tendências. Mas não vale a desculpa: "Meus pais eram assim”, ou, “são coisas de meus instintos". O ser humano transforma os instintos em tendências –porque está ciente do objetivo para o qual se dirige – e os orienta com inteligência e vontade. No desafio por melhorar, não estamos sozinhos: muita gente nos ajuda com o seu exemplo e seus conselhos; e Deus atua até mesmo no mais escondido do nosso ser, até no inconsciente, se o deixamos. A formação do caráter segue o ditado: se seu projeto dura alguns meses semeie arroz, se dura anos plante árvores, se dura toda uma vida forma homens.
A depressão, a ansiedade, o estresse, problemas tão atuais, podem ser combatidos a parti da vida espiritual?
- Professor Vial: Mais de 15 por cento da população sofre de alguma forma de depressão e até um 25% experimenta transtornos de ansiedade. O estresse é geralmente baseado em ambos fenômenos. Este termo emprestado da engenharia de materiais, refere-se à pressão que afeta o nosso corpo e o cansa. Até os mais fortes podem quebrar-se com o estresse mantido, como o ferro quebra quando é forçado por um tempo.
Os recursos espirituais ajudam a tratar e prevenir muitos problemas psicológicos, como demonstrado por estudos científicos. A espiritualidade saudável afasta alguns fatores que produzem ansiedade e depressão, sem esquecer que as doenças mentais têm causas múltiplas, muitas delas involuntárias. É lógico, porque a vida de relação com Deus dá um significado à própria existência, que dá estabilidade, paz, serenidade, especialmente ao considerar-se nas mãos de um Pai que não brinca cegamente com os destinos das pessoas. Dentro das “armas”, destaca o sacramento da confissão: ser perdoados, saber-se perdoados e perdoar possui curativos grandes, muito além do humanamente explicável.
Se, por qualquer motivo, ocorre uma ruptura, a vida espiritual ajuda a suportar e tomar medidas para reduzir na medida do possível o sofrimento e encontrar um significado para ele. Entre estas medidas está a consulta médica, nos casos de depressão e transtornos de ansiedade.
Em seu livro também se fala sobre transtornos da sexualidade. Como afrontá-los a partir da fé?
- Professor Vial: Para lidar com a realidade humana é preciso compreendê-la com a razão. Não é necessário, portanto, a fé para resolver os problemas relacionados com a sexualidade. Diante de uma doença ou transtorno, o fiel irá a um médico experiente, como qualquer outra pessoa com sentido comum. Gostaria, no entanto, de mencionar dois fenômenos que hoje dificultam a compreensão da sexualidade a partir da razão: a ideologia de gênero e a banalização do tema.
O primeiro é ilustrado por um evento recente. Em um museu em Viena, um grupo de meninas e meninos de uns sete a nove anos contemplavam o quadro da infanta Maria Teresa pintado por Velázquez. Me diverti ao ver que a professora oferecia para as menininhas um vestido de época, semelhante ao da princesa, com uma espécie de armadura metálica sobre a qual se coloca a saia. As meninas iam provando-o e tirando fotos com orgulho. Em um certo momento, ofereceu-o também a um menino, que se resistia, e disse-lhe: “vai, assim você pode ser como Conchita Wurst" (cantora transgênera). Fatos como este, às vezes não são piadas, mas doutrinação de crianças que ainda não têm a capacidade de discernir. Tenta-se negar as diferenças entre homem e mulher, colocando em dúvida uma identidade essencial. O mesmo Freud ficaria surpreso ao ver que o conceito de sexo volta a ser um tabu, e é substituído por "gênero", que mais se assemelha a seu sinônimo “tecido”, que pode-se ter ou não e mudar à vontade.
O segundo fenômeno, mais antigo, é a banalização da sexualidade, o que leva muitos jovens a não aguardar o momento certo para começar a prática sexual. Muitos psicólogos advertem os riscos destes comportamentos. Queimar as etapas com muita precocidade faz com que diminua não só o amor, mas o mesmo prazer, que acaba por desaparecer. Como a terra explorada precisa de muita quantidade de produtos para voltar a ser fértil, quem abusa do seu corpo como mero objeto de prazer, torna-se escravo de um imparável consumo de estimulantes, pílulas, imagens... Nesta base, surgem problemas ou crimes como a pornografia, a prostituição, a pedofilia: "a dança em torno do porco de ouro", nas palavras de Viktor Frankl.
Como enfrentar essa situação a partir de uma visão de fé? Com o esforço para entender melhor a natureza humana, rezando pela família e a identidade, com otimismo. A fé não é essencial para compreender a sexualidade, mas acreditar em Deus e no destino eterno do homem ajuda a respeitar o sentido do corpo e esperar o amor no matrimônio.
Por que é importante que os sacerdotes, educadores, formadores de centros religiosos e diretores espirituais sejam capazes de conectar a psicologia com a vida espiritual?
- Professor Vial: Um conhecimento profundo do ser humano implica saber psicologia, sem necessidade de ser psicólogos: será a ciência de um bom pai ou mãe de família. Muitas vezes, quem sofre sentimentos patológicos de culpa, se investiga o desespero ou a angústia, não irá primeiramente a um médico ou psicólogo, mas a um amigo, a um professor, a um sacerdote. Daí a importância de estar preparados e saber encaminhar, se o caso exigir, para outro tipo de assistência.
Conhecer bem o “instrumento”, mencionado no começo, permite orientar melhor para que seja tocado da maneira certa. Por isso, quem acompanha outros no seu caminho rumo à maturidade humana e espiritual tem a responsabilidade de formar-se na compreensão da pessoa e da moralidade. Assim, darão os conselhos mais precisos e saberão discernir e encaminhar. A autêntica autorrealização só é possível quando se escolhe e atua de acordo com o bem moral.
Como saber se é necessário recorrer a um médico, a um psicólogo ou a um sacerdote?
- Professor Vial: Em alguns casos é simples como quando a pessoa tem dor de estômago, ou sofre um delírio. Em outros, é tão complexo que não é fácil responder em poucas linhas. Em muitas ocasiões é útil o médico, que tratará das doenças; o psicólogo, que ajudará a descobrir e superar conflitos, a conhecer possíveis pensamentos distorcidos; e o sacerdote, que mostrará a Cristo como Modelo e será instrumento para que a pessoa receba a graça de Deus. Não existem receitas sempre eficazes, porque cada pessoa é única e irrepetível.
Porém, é possível dar alguns conselhos. O primeiro é compreender qual é o problema e a sua raiz de fundo que explica o sintoma: muitas vezes alguma má ideia de nós mesmos, considerar-nos inúteis, acontecimentos passados que atormentam, a incapacidade de perdoar. Caso não se consiga com rapidez chegar às causas, decifrar e aliviar os desconfortos, será mais importante pedir ajudar especializada e deixar-se guiar pelas pessoas que nos amam. Se existem sintomas como a falta de vontade, a apatia, o excesso de nervosismo, que se prolongam por semanas, apesar de seguir os conselhos de um sacerdote ou diretor espiritual, pode ser prudente a consulta a um médico ou psicólogo.
Como diferenciar os problemas psicológicos das dificuldades espirituais?
- Professor Vial: No livro eu tentei dar sugestões e soluções práticas para enfrentar diferentes situações, que nem sempre é possível diferenciar. Um problema psíquico pode desencadear problemas espirituais e um problema espiritual pode promover distúrbios psicológicos. A oração, o exame de consciência sincero, a ajuda de um diretor espiritual que escuta com paciência, consegue normalmente chegar ao fundo.
É chave avaliar os aspectos do modo de ser, para determinar se são normais, se podem ser enfrentados como defeitos, ou se existe um transtorno de personalidade que exige um especialista. Se existem dificuldades importantes de perfeccionismo obsessivo, escrúpulos, impulsividade, emotividade, susceptibilidade, ciúmes, irresponsabilidade, abuso de substância ou álcool, excentricidades, é mais provável que seja necessário um médico ou psicólogo especialista. O ponto que divide o normal do patológico não é claro. É possível considerar que um traço é anormal, quando a pessoa sofre e causa sofrimento, pelo seu modo de ser ou pelas consequências.
A vida cristã inclui necessariamente conceitos psicológicos e espirituais. Apoia-se na identidade pessoal, saber quem é quem, reconhecer-se limitado e finito, e a fé em que somos criaturas. Sobre esta realidade assenta-se uma autonomia não absoluta, que permite escolher os meios para o projeto de existência, que só é possível com esperança: ou seja, se acreditamos em uma missão e confiamos que vamos alcançar a meta. No auge está a autoestima e a caridade: só quem sabe que é importante desenvolve-se plenamente. O maior motivo de autoestima é saber-se queridos por Deus, transformados em filhos seus! Esta convicção permite sair de si mesmo rumo aos demais, querer e compreender a todos.
Fonte: Zenit
***
Como é que se relaciona a saúde, a doença e a vida espiritual?
- Professor Vial: A saúde e a vida espiritual estão intimamente relacionadas, pela assombrosa unidade do ser humano, em suas dimensões física, psíquica e espiritual. A doença psicofísica afeta a esfera espiritual, embora não de um modo necessário, pois muitas pessoas com uma saúde debilitada crescem no seu relacionamento com os outros e com Deus, cheias de paz.
Para entender isso, é útil a comparação de Santo Thomas, que o espírito seria como um músico e o corpo seu instrumento. O músico, o espírito humano, embora não esteja doente, pode ser incapaz de interpretar a melodia, caso esteja desafinado ou quebrado o instrumento. Tantas vezes, no entanto, o espírito supera as limitações do instrumento e toca de uma maneira esplêndida. Nos casos graves, em que este espírito é incapaz de manifestar-se, como em algumas demências e patologias com significativo comprometimento da inteligência e da vontade, uma vida espiritual até então rica pode continuar a dar frutos, embora não visíveis externamente. Não só a pessoa doente se une mais a Deus e cresce, mas também os que cuidam dela e atendem com carinho. Também existe uma doença que afeta o espírito: abandonar a busca do sentido da existência ou negá-lo a priori; deixar de perguntar-se por que nós existimos em um universo ordenado, excluir arbitrariamente a Deus e achar-se auto-suficiente. São essas as raízes do pecado, a incoerência vital que afeta o bem-estar geral da pessoa. Como é bom cuidar do corpo e da alma para servir mais e melhor a Deus e aos outros.
Até que ponto estamos condicionados por nosso caráter?
- Professor Vial: o caráter é o conjunto de aspectos do modo de ser adquiridos com educação, na família, no colégio, no ambiente em que vivemos, os acontecimentos positivos ou negativos. O termo deriva das incisões que os gregos faziam nas suas moedas. Deixavam nelas uma marca profunda, indelével. Assim é o caráter, mas nós não somos um pedaço de metal inerte.
A força do espírito humano e a ação da graça são capazes de modificar a nossa maneira de ser. Se não, como poderia o cristão se assemelhar cada vez mais a Cristo? É uma tarefa que requer tempo, todo o tempo..., porque a personalidade é formada até ao fim da vida. Para alterar o modo de ser é preciso levar em conta outros fatores, como temperamento herdado, tendências. Mas não vale a desculpa: "Meus pais eram assim”, ou, “são coisas de meus instintos". O ser humano transforma os instintos em tendências –porque está ciente do objetivo para o qual se dirige – e os orienta com inteligência e vontade. No desafio por melhorar, não estamos sozinhos: muita gente nos ajuda com o seu exemplo e seus conselhos; e Deus atua até mesmo no mais escondido do nosso ser, até no inconsciente, se o deixamos. A formação do caráter segue o ditado: se seu projeto dura alguns meses semeie arroz, se dura anos plante árvores, se dura toda uma vida forma homens.
A depressão, a ansiedade, o estresse, problemas tão atuais, podem ser combatidos a parti da vida espiritual?
- Professor Vial: Mais de 15 por cento da população sofre de alguma forma de depressão e até um 25% experimenta transtornos de ansiedade. O estresse é geralmente baseado em ambos fenômenos. Este termo emprestado da engenharia de materiais, refere-se à pressão que afeta o nosso corpo e o cansa. Até os mais fortes podem quebrar-se com o estresse mantido, como o ferro quebra quando é forçado por um tempo.
Os recursos espirituais ajudam a tratar e prevenir muitos problemas psicológicos, como demonstrado por estudos científicos. A espiritualidade saudável afasta alguns fatores que produzem ansiedade e depressão, sem esquecer que as doenças mentais têm causas múltiplas, muitas delas involuntárias. É lógico, porque a vida de relação com Deus dá um significado à própria existência, que dá estabilidade, paz, serenidade, especialmente ao considerar-se nas mãos de um Pai que não brinca cegamente com os destinos das pessoas. Dentro das “armas”, destaca o sacramento da confissão: ser perdoados, saber-se perdoados e perdoar possui curativos grandes, muito além do humanamente explicável.
Se, por qualquer motivo, ocorre uma ruptura, a vida espiritual ajuda a suportar e tomar medidas para reduzir na medida do possível o sofrimento e encontrar um significado para ele. Entre estas medidas está a consulta médica, nos casos de depressão e transtornos de ansiedade.
Em seu livro também se fala sobre transtornos da sexualidade. Como afrontá-los a partir da fé?
- Professor Vial: Para lidar com a realidade humana é preciso compreendê-la com a razão. Não é necessário, portanto, a fé para resolver os problemas relacionados com a sexualidade. Diante de uma doença ou transtorno, o fiel irá a um médico experiente, como qualquer outra pessoa com sentido comum. Gostaria, no entanto, de mencionar dois fenômenos que hoje dificultam a compreensão da sexualidade a partir da razão: a ideologia de gênero e a banalização do tema.
O primeiro é ilustrado por um evento recente. Em um museu em Viena, um grupo de meninas e meninos de uns sete a nove anos contemplavam o quadro da infanta Maria Teresa pintado por Velázquez. Me diverti ao ver que a professora oferecia para as menininhas um vestido de época, semelhante ao da princesa, com uma espécie de armadura metálica sobre a qual se coloca a saia. As meninas iam provando-o e tirando fotos com orgulho. Em um certo momento, ofereceu-o também a um menino, que se resistia, e disse-lhe: “vai, assim você pode ser como Conchita Wurst" (cantora transgênera). Fatos como este, às vezes não são piadas, mas doutrinação de crianças que ainda não têm a capacidade de discernir. Tenta-se negar as diferenças entre homem e mulher, colocando em dúvida uma identidade essencial. O mesmo Freud ficaria surpreso ao ver que o conceito de sexo volta a ser um tabu, e é substituído por "gênero", que mais se assemelha a seu sinônimo “tecido”, que pode-se ter ou não e mudar à vontade.
O segundo fenômeno, mais antigo, é a banalização da sexualidade, o que leva muitos jovens a não aguardar o momento certo para começar a prática sexual. Muitos psicólogos advertem os riscos destes comportamentos. Queimar as etapas com muita precocidade faz com que diminua não só o amor, mas o mesmo prazer, que acaba por desaparecer. Como a terra explorada precisa de muita quantidade de produtos para voltar a ser fértil, quem abusa do seu corpo como mero objeto de prazer, torna-se escravo de um imparável consumo de estimulantes, pílulas, imagens... Nesta base, surgem problemas ou crimes como a pornografia, a prostituição, a pedofilia: "a dança em torno do porco de ouro", nas palavras de Viktor Frankl.
Como enfrentar essa situação a partir de uma visão de fé? Com o esforço para entender melhor a natureza humana, rezando pela família e a identidade, com otimismo. A fé não é essencial para compreender a sexualidade, mas acreditar em Deus e no destino eterno do homem ajuda a respeitar o sentido do corpo e esperar o amor no matrimônio.
Por que é importante que os sacerdotes, educadores, formadores de centros religiosos e diretores espirituais sejam capazes de conectar a psicologia com a vida espiritual?
- Professor Vial: Um conhecimento profundo do ser humano implica saber psicologia, sem necessidade de ser psicólogos: será a ciência de um bom pai ou mãe de família. Muitas vezes, quem sofre sentimentos patológicos de culpa, se investiga o desespero ou a angústia, não irá primeiramente a um médico ou psicólogo, mas a um amigo, a um professor, a um sacerdote. Daí a importância de estar preparados e saber encaminhar, se o caso exigir, para outro tipo de assistência.
Conhecer bem o “instrumento”, mencionado no começo, permite orientar melhor para que seja tocado da maneira certa. Por isso, quem acompanha outros no seu caminho rumo à maturidade humana e espiritual tem a responsabilidade de formar-se na compreensão da pessoa e da moralidade. Assim, darão os conselhos mais precisos e saberão discernir e encaminhar. A autêntica autorrealização só é possível quando se escolhe e atua de acordo com o bem moral.
Como saber se é necessário recorrer a um médico, a um psicólogo ou a um sacerdote?
- Professor Vial: Em alguns casos é simples como quando a pessoa tem dor de estômago, ou sofre um delírio. Em outros, é tão complexo que não é fácil responder em poucas linhas. Em muitas ocasiões é útil o médico, que tratará das doenças; o psicólogo, que ajudará a descobrir e superar conflitos, a conhecer possíveis pensamentos distorcidos; e o sacerdote, que mostrará a Cristo como Modelo e será instrumento para que a pessoa receba a graça de Deus. Não existem receitas sempre eficazes, porque cada pessoa é única e irrepetível.
Porém, é possível dar alguns conselhos. O primeiro é compreender qual é o problema e a sua raiz de fundo que explica o sintoma: muitas vezes alguma má ideia de nós mesmos, considerar-nos inúteis, acontecimentos passados que atormentam, a incapacidade de perdoar. Caso não se consiga com rapidez chegar às causas, decifrar e aliviar os desconfortos, será mais importante pedir ajudar especializada e deixar-se guiar pelas pessoas que nos amam. Se existem sintomas como a falta de vontade, a apatia, o excesso de nervosismo, que se prolongam por semanas, apesar de seguir os conselhos de um sacerdote ou diretor espiritual, pode ser prudente a consulta a um médico ou psicólogo.
Como diferenciar os problemas psicológicos das dificuldades espirituais?
- Professor Vial: No livro eu tentei dar sugestões e soluções práticas para enfrentar diferentes situações, que nem sempre é possível diferenciar. Um problema psíquico pode desencadear problemas espirituais e um problema espiritual pode promover distúrbios psicológicos. A oração, o exame de consciência sincero, a ajuda de um diretor espiritual que escuta com paciência, consegue normalmente chegar ao fundo.
É chave avaliar os aspectos do modo de ser, para determinar se são normais, se podem ser enfrentados como defeitos, ou se existe um transtorno de personalidade que exige um especialista. Se existem dificuldades importantes de perfeccionismo obsessivo, escrúpulos, impulsividade, emotividade, susceptibilidade, ciúmes, irresponsabilidade, abuso de substância ou álcool, excentricidades, é mais provável que seja necessário um médico ou psicólogo especialista. O ponto que divide o normal do patológico não é claro. É possível considerar que um traço é anormal, quando a pessoa sofre e causa sofrimento, pelo seu modo de ser ou pelas consequências.
A vida cristã inclui necessariamente conceitos psicológicos e espirituais. Apoia-se na identidade pessoal, saber quem é quem, reconhecer-se limitado e finito, e a fé em que somos criaturas. Sobre esta realidade assenta-se uma autonomia não absoluta, que permite escolher os meios para o projeto de existência, que só é possível com esperança: ou seja, se acreditamos em uma missão e confiamos que vamos alcançar a meta. No auge está a autoestima e a caridade: só quem sabe que é importante desenvolve-se plenamente. O maior motivo de autoestima é saber-se queridos por Deus, transformados em filhos seus! Esta convicção permite sair de si mesmo rumo aos demais, querer e compreender a todos.
Fonte: Zenit
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Violência em Israel: rabinos italianos fazem duras críticas
O rabinato da Itália condenou em peso dois atos violentos que ocorreram nas últimas horas na Terra Santa: um na aldeia palestina de Kfar Douma, onde o pequeno Ali Saad Dawabsheh perdeu a vida, e o outro contra manifestantes da parada gay de Jerusalém.
"As palavras mais eficazes em linha com a nossa identidade e com os valores que queremos testemunhar são as do presidente Rivlin: não é a nossa via, não é a via do povo de Israel", disse o rabino Giuseppe Momigliano, presidente da Assembleia de Rabinos da Itália, no site judaico italiano Moked. "São gestos contrários a todo valor judaico. É importante que, contra esta barbárie, eleve-se uma voz forte e única, que, do rabinato, chegue à sociedade civil, e que, das palavras, se passe imediatamente aos fatos".
Categórico foi também o rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni: "Todos esses comportamentos nada têm a ver com a lei judaica, a Halachá. Nada mais a acrescentar". Benedetto Carucci Viterbi, presidente das escolas judaicas de Roma, comentou os dois episódios ditados pelo extremismo e pelo fanatismo religioso ao fazer uma reflexão dominical sobre o mandamento de não matar: "Não matarás, nem com seleção falsamente justificativa de vítimas".
Pierpaolo Pinhas Punturello, representante da organização Shavei Israel na Itália, insistiu: "O gesto de um haredi que esfaqueou manifestantes na parada gay de Jerusalém e a queima brutal de uma casa perto de Ramallah, com a consequente morte de um bebê de 18 meses, esmagam, sem possibilidade de respirar, os horizontes da minha identidade judaica".
Adolfo Locci, rabino-chefe de Pádua, cita o Deuteronômio: "Amarás o Senhor teu Deus", e explica que "os mestres do Midrash ensinam que este verso se refere ao amor por Deus que devemos gerar nos outros, como fez Abraão, nosso pai. Não é suficiente, para cumprir esta mitzvá, o nosso amor pessoal; devemos considerar, acima de tudo, o que podemos gerar nos outros através do nosso ensinamento e do nosso exemplo. Ai daqueles que são vergonha para a Torá e para o povo de Israel".
Fonte: Zenit.
"As palavras mais eficazes em linha com a nossa identidade e com os valores que queremos testemunhar são as do presidente Rivlin: não é a nossa via, não é a via do povo de Israel", disse o rabino Giuseppe Momigliano, presidente da Assembleia de Rabinos da Itália, no site judaico italiano Moked. "São gestos contrários a todo valor judaico. É importante que, contra esta barbárie, eleve-se uma voz forte e única, que, do rabinato, chegue à sociedade civil, e que, das palavras, se passe imediatamente aos fatos".
Categórico foi também o rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni: "Todos esses comportamentos nada têm a ver com a lei judaica, a Halachá. Nada mais a acrescentar". Benedetto Carucci Viterbi, presidente das escolas judaicas de Roma, comentou os dois episódios ditados pelo extremismo e pelo fanatismo religioso ao fazer uma reflexão dominical sobre o mandamento de não matar: "Não matarás, nem com seleção falsamente justificativa de vítimas".
Pierpaolo Pinhas Punturello, representante da organização Shavei Israel na Itália, insistiu: "O gesto de um haredi que esfaqueou manifestantes na parada gay de Jerusalém e a queima brutal de uma casa perto de Ramallah, com a consequente morte de um bebê de 18 meses, esmagam, sem possibilidade de respirar, os horizontes da minha identidade judaica".
Adolfo Locci, rabino-chefe de Pádua, cita o Deuteronômio: "Amarás o Senhor teu Deus", e explica que "os mestres do Midrash ensinam que este verso se refere ao amor por Deus que devemos gerar nos outros, como fez Abraão, nosso pai. Não é suficiente, para cumprir esta mitzvá, o nosso amor pessoal; devemos considerar, acima de tudo, o que podemos gerar nos outros através do nosso ensinamento e do nosso exemplo. Ai daqueles que são vergonha para a Torá e para o povo de Israel".
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Acolher Jesus em nós, "pão da vida", dá sentido e esperança ao caminho
Apresentamos as palavras do Santo Padre Francisco, pronunciadas antes de rezar a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro neste domingo, 01 de agosto.
Queridos irmãos e irmãs, bom dia.
Neste domingo continuamos com a leitura do sexto capítulo do Evangelho de João. Depois da multiplicação dos pães, o povo procura por Jesus e o encontra em Cafarnaum. Ele entende bem o motivo de tanto entusiasmo em segui-Lo e revela com clareza: "Vocês me procuram não porque viram sinais, mas porque comeram aqueles pães e ficaram saciados” (Jo 6, 26). Na verdade, aquelas pessoas o seguem por causa do pão material que no dia anterior saciou a fome deles, quando Jesus realizou a multiplicação dos pães; Eles não entenderam que o pão repartido para muitos, era a expressão do amor de Jesus. Eles deram mais valor àquele pão do que ao seu doador. Diante dessa cegueira espiritual, Jesus enfatiza a necessidade de ir além da satisfação, e descobrir, conhecer o doador. O próprio Deus é o dom e também o doador. E assim, daquele pão, daquele gesto, as pessoas podem encontrar Aquele que o dá, que é Deus. Convida a abrir-se a uma perspectiva que não é apenas uma das preocupações diárias do comer, vestir, do sucesso, da carreira. Jesus fala de um outro alimento, fala de um alimento que não é corrompível e que faz bem procurar e acolher. Ele exorta: "Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna, alimento que o Filho do homem vos dará (v 27). Ou seja, trabalhem, mas procurem a salvação, o encontro com Deus.
Com essas palavras, nos quer fazer entender que, além de fome física o homem tem dentro de si outra fome - todos nós temos essa fome - uma fome mais importante, que não pode ser saciada com o alimento cotidiano. É fome de vida, fome de eternidade que somente Ele pode satisfazer, sendo Ele "o pão da vida" (v. 35). Jesus não elimina a preocupação e a busca do alimento cotidiano, não, não elimina a preocupação de tudo aquilo que pode fazer a vida melhor. Mas Jesus nos recorda que o verdadeiro significado da nossa existência terrena está na eternidade, no encontro com Ele, que é dom e doador, e nos recorda também que a história humana com seus sofrimentos e alegrias deve ser vista em um horizonte de eternidade, ou seja, naquele horizonte do encontro definitivo com Ele. Esse encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se pensarmos neste encontro, neste grande dom, e nos pequenos dons da vida, até mesmo os sofrimentos, as preocupações, serão iluminados pela esperança deste encontro. "Eu sou o pão da vida; quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede"(v. 35). Esta é a referência à Eucaristia, o dom maior que sacia a alma e o corpo. Encontrar e acolher Jesus em nós, "pão da vida", dá sentido e esperança ao caminho, muitas vezes, tortuoso da vida. Todavia, esse "pão da vida" nos é dado com uma tarefa, ou seja, para que possamos por nossa vez saciar a fome espiritual e material dos irmãos, anunciando o Evangelho em todos os lugares. Com o testemunho da nossa atitude fraterna e solidária para com o próximo, tornamos presente Cristo e seu amor entre os homens.
Que Nossa Senhora nos auxilie e nos sustente na procura e no seguimento de seu Filho Jesus, o pão verdadeiro, o pão vivo que não se corrompe e dura para a vida eterna.
(Depois do Angelus)
Queridos irmãos e irmãs,
Saúdo todos os fiéis de Roma e os peregrinos de diversos países.
Saúdo os jovens espanhóis de Zizur Mayor, Elizondo e Pamplona; bem como os italianos de Badia, San Matteo della Decima, Zugliano e Grumulo Pedemonte.
Saúdo a peregrinação a cavalo da “Parte Guelfa" de Florença.
Hoje recorda-se o "Perdão de Assis". É um forte convite para se aproximar do Senhor no sacramento da Misericórdia e na Comunhão. Algumas pessoas têm medo de se aproximar da Confissão, esquecem que lá não encontramos um juiz severo, mas o Pai imensamente misericordioso. É verdade que quando vamos ao confessionário, sentimos um pouco de vergonha. Isto acontece com todos, todos nós, mas devemos lembrar que também essa vergonha é uma graça que nos prepara para o abraço do Pai, que sempre perdoa e sempre perdoa tudo.
Desejo a todos um bom domingo. E por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até logo!
Fonte: Zenit.
Queridos irmãos e irmãs, bom dia.
Neste domingo continuamos com a leitura do sexto capítulo do Evangelho de João. Depois da multiplicação dos pães, o povo procura por Jesus e o encontra em Cafarnaum. Ele entende bem o motivo de tanto entusiasmo em segui-Lo e revela com clareza: "Vocês me procuram não porque viram sinais, mas porque comeram aqueles pães e ficaram saciados” (Jo 6, 26). Na verdade, aquelas pessoas o seguem por causa do pão material que no dia anterior saciou a fome deles, quando Jesus realizou a multiplicação dos pães; Eles não entenderam que o pão repartido para muitos, era a expressão do amor de Jesus. Eles deram mais valor àquele pão do que ao seu doador. Diante dessa cegueira espiritual, Jesus enfatiza a necessidade de ir além da satisfação, e descobrir, conhecer o doador. O próprio Deus é o dom e também o doador. E assim, daquele pão, daquele gesto, as pessoas podem encontrar Aquele que o dá, que é Deus. Convida a abrir-se a uma perspectiva que não é apenas uma das preocupações diárias do comer, vestir, do sucesso, da carreira. Jesus fala de um outro alimento, fala de um alimento que não é corrompível e que faz bem procurar e acolher. Ele exorta: "Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna, alimento que o Filho do homem vos dará (v 27). Ou seja, trabalhem, mas procurem a salvação, o encontro com Deus.
Com essas palavras, nos quer fazer entender que, além de fome física o homem tem dentro de si outra fome - todos nós temos essa fome - uma fome mais importante, que não pode ser saciada com o alimento cotidiano. É fome de vida, fome de eternidade que somente Ele pode satisfazer, sendo Ele "o pão da vida" (v. 35). Jesus não elimina a preocupação e a busca do alimento cotidiano, não, não elimina a preocupação de tudo aquilo que pode fazer a vida melhor. Mas Jesus nos recorda que o verdadeiro significado da nossa existência terrena está na eternidade, no encontro com Ele, que é dom e doador, e nos recorda também que a história humana com seus sofrimentos e alegrias deve ser vista em um horizonte de eternidade, ou seja, naquele horizonte do encontro definitivo com Ele. Esse encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se pensarmos neste encontro, neste grande dom, e nos pequenos dons da vida, até mesmo os sofrimentos, as preocupações, serão iluminados pela esperança deste encontro. "Eu sou o pão da vida; quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede"(v. 35). Esta é a referência à Eucaristia, o dom maior que sacia a alma e o corpo. Encontrar e acolher Jesus em nós, "pão da vida", dá sentido e esperança ao caminho, muitas vezes, tortuoso da vida. Todavia, esse "pão da vida" nos é dado com uma tarefa, ou seja, para que possamos por nossa vez saciar a fome espiritual e material dos irmãos, anunciando o Evangelho em todos os lugares. Com o testemunho da nossa atitude fraterna e solidária para com o próximo, tornamos presente Cristo e seu amor entre os homens.
Que Nossa Senhora nos auxilie e nos sustente na procura e no seguimento de seu Filho Jesus, o pão verdadeiro, o pão vivo que não se corrompe e dura para a vida eterna.
(Depois do Angelus)
Queridos irmãos e irmãs,
Saúdo todos os fiéis de Roma e os peregrinos de diversos países.
Saúdo os jovens espanhóis de Zizur Mayor, Elizondo e Pamplona; bem como os italianos de Badia, San Matteo della Decima, Zugliano e Grumulo Pedemonte.
Saúdo a peregrinação a cavalo da “Parte Guelfa" de Florença.
Hoje recorda-se o "Perdão de Assis". É um forte convite para se aproximar do Senhor no sacramento da Misericórdia e na Comunhão. Algumas pessoas têm medo de se aproximar da Confissão, esquecem que lá não encontramos um juiz severo, mas o Pai imensamente misericordioso. É verdade que quando vamos ao confessionário, sentimos um pouco de vergonha. Isto acontece com todos, todos nós, mas devemos lembrar que também essa vergonha é uma graça que nos prepara para o abraço do Pai, que sempre perdoa e sempre perdoa tudo.
Desejo a todos um bom domingo. E por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até logo!
Fonte: Zenit.
domingo, 2 de agosto de 2015
Os pecados mortais e a operação Lava-Jato
A chamada operação policial Lava-Jato trouxe à sirga uma cópia de crimes. Sem embargo, surdiram outrossim os eventuais pecados dos envolvidos. Nem todo pecado é um delito castigado pelo Estado. Por exemplo, o adultério é um pecado mortal, porém, não é mais uma infração punida pela autoridade pública.
Quase todo crime é igualmente um pecado; exemplificando: a prática do homicídio, tipificada no artigo 121 do código penal, implica um pecado gravíssimo. Quem mata outrem vulnera a comunidade política e ofende Deus, o dador da vida. Eis o quinto mandamento da lei de Deus: “não matarás!”
Há dois jaezes de pecado: o pecado venial e o pecado mortal. Este produz a ocisão da graça santificante, vale dizer, bloqueia o liame entre Deus e a criatura. Aquele, de pequena monta, torna-nos paulatinamente lânguidos e, por conseguinte, proclives à perpetração de um mal maior.
Como saber se minha ação ou omissão constitui um pecado mortal ou um pecado venial? É fácil! Se meu comportamento lanhar um dos preceitos do decálogo (dez mandamentos[1]), então, cometo um pecado mortal, porquanto dá-se o decesso da graça divina. Os dez mandamentos de Deus, encontradiços no testamento velho, correspondem à normativa de direito divino natural e, portanto, têm de ser referendados pelo Estado. Desta feita, v. g., o artigo 5.º, caput, da constituição federal, não criou o direito à vida, nem tampouco o direito à propriedade. A lex legum apenas legitimou direitos naturais preexistentes, legiferados antanho pelo próprio Criador do universo.
Os condenados na operação Lava-Jato, aparentemente, - só Deus pode julgar! - pecaram máxime contra o sétimo mandamento: “não roubarás”. A regra hermenêutica, segundo a qual o direito penal se interpreta stricto sensu, aplica-se perfeitamente à ética ou à moral. Nada obstante, é mister compreender os dez mandamentos numa perspectiva mais ancha, ao lume dos textos da bíblia, os quais subsomem, embasam, desdobram e explicitam cada uma das dez proibições decretadas pelo Altíssimo nos imperativos que perfazem o decálogo. Não se trata de uma inteligência extensiva da lei criminal; tal procedimento mefistofélico resta coibido em qualquer sociedade, civil ou religiosa, em virtude de uma injunção de direito divino natural, que manda interpretar o direito penal estritamente, quer no ordenamento jurídico, quer no ordenamento moral.
Alguns dos judicialmente sentenciados na mencionada operação podem, ainda, haver pecado contra o décimo mandamento: “não desejarás as coisas alheias”. Ora, o alheio, na hipótese em comento, é o erário. Observe-se a prescrição tipicamente moral deste mandamento, caracterizada pelo emprego do verbo “desejar”. Para o direito pouco importa a cogitação ou o pensamento do agente. Posso querer furtar um relógio, mas se eu não externar esta ideia, ao menos com certos preparativos, não violo nenhuma lei estatal.
Alvíssaras! Existem remédios à mão dos que efetivamente profligaram um desses mandamentos: a confissão para os réus católicos e um ato de contrição perfeito para os acatólicos. A confissão ou a penitência é o sacramento instituído e promulgado por nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Jo 20, 22-23), administrado há dois mil anos pela Igreja católica. É imperioso que o réu esteja arrependido da corrupção ativa ou passiva e se acuse num confessionário, diante de um padre. Aliás, basta que o penitente tema o castigo póstumo (inferno), ou seja, é suficiente um ato de contrição imperfeito ou atrição. Que grande regalo nos ofertou o divino fundador da Igreja católica! Fora do confessionário, é dizer, diretamente com Deus, em oração, só mesmo a contrição perfeita, isto é, o arrependimento gestado a partir da detestação do lapso pecaminoso e de um amor pungente por Deus, algo nem sempre fazível para o comum dos mortais, mormente para pecadores contumazes, useiros e vezeiros em se locupletar à custa da fazenda do povo brasileiro.
Fonte: Zenit.
Quase todo crime é igualmente um pecado; exemplificando: a prática do homicídio, tipificada no artigo 121 do código penal, implica um pecado gravíssimo. Quem mata outrem vulnera a comunidade política e ofende Deus, o dador da vida. Eis o quinto mandamento da lei de Deus: “não matarás!”
Há dois jaezes de pecado: o pecado venial e o pecado mortal. Este produz a ocisão da graça santificante, vale dizer, bloqueia o liame entre Deus e a criatura. Aquele, de pequena monta, torna-nos paulatinamente lânguidos e, por conseguinte, proclives à perpetração de um mal maior.
Como saber se minha ação ou omissão constitui um pecado mortal ou um pecado venial? É fácil! Se meu comportamento lanhar um dos preceitos do decálogo (dez mandamentos[1]), então, cometo um pecado mortal, porquanto dá-se o decesso da graça divina. Os dez mandamentos de Deus, encontradiços no testamento velho, correspondem à normativa de direito divino natural e, portanto, têm de ser referendados pelo Estado. Desta feita, v. g., o artigo 5.º, caput, da constituição federal, não criou o direito à vida, nem tampouco o direito à propriedade. A lex legum apenas legitimou direitos naturais preexistentes, legiferados antanho pelo próprio Criador do universo.
Os condenados na operação Lava-Jato, aparentemente, - só Deus pode julgar! - pecaram máxime contra o sétimo mandamento: “não roubarás”. A regra hermenêutica, segundo a qual o direito penal se interpreta stricto sensu, aplica-se perfeitamente à ética ou à moral. Nada obstante, é mister compreender os dez mandamentos numa perspectiva mais ancha, ao lume dos textos da bíblia, os quais subsomem, embasam, desdobram e explicitam cada uma das dez proibições decretadas pelo Altíssimo nos imperativos que perfazem o decálogo. Não se trata de uma inteligência extensiva da lei criminal; tal procedimento mefistofélico resta coibido em qualquer sociedade, civil ou religiosa, em virtude de uma injunção de direito divino natural, que manda interpretar o direito penal estritamente, quer no ordenamento jurídico, quer no ordenamento moral.
Alguns dos judicialmente sentenciados na mencionada operação podem, ainda, haver pecado contra o décimo mandamento: “não desejarás as coisas alheias”. Ora, o alheio, na hipótese em comento, é o erário. Observe-se a prescrição tipicamente moral deste mandamento, caracterizada pelo emprego do verbo “desejar”. Para o direito pouco importa a cogitação ou o pensamento do agente. Posso querer furtar um relógio, mas se eu não externar esta ideia, ao menos com certos preparativos, não violo nenhuma lei estatal.
Alvíssaras! Existem remédios à mão dos que efetivamente profligaram um desses mandamentos: a confissão para os réus católicos e um ato de contrição perfeito para os acatólicos. A confissão ou a penitência é o sacramento instituído e promulgado por nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Jo 20, 22-23), administrado há dois mil anos pela Igreja católica. É imperioso que o réu esteja arrependido da corrupção ativa ou passiva e se acuse num confessionário, diante de um padre. Aliás, basta que o penitente tema o castigo póstumo (inferno), ou seja, é suficiente um ato de contrição imperfeito ou atrição. Que grande regalo nos ofertou o divino fundador da Igreja católica! Fora do confessionário, é dizer, diretamente com Deus, em oração, só mesmo a contrição perfeita, isto é, o arrependimento gestado a partir da detestação do lapso pecaminoso e de um amor pungente por Deus, algo nem sempre fazível para o comum dos mortais, mormente para pecadores contumazes, useiros e vezeiros em se locupletar à custa da fazenda do povo brasileiro.
Fonte: Zenit.
sábado, 1 de agosto de 2015
Protestantes arrependidos pela destruição de imagens na Reforma
A comunidade protestante alemã apresentou suas desculpas pela vasta destruição de imagens religiosas realizada durante o período da Reforma. Em uma declaração da Evangelische Kirche in Deutschland (EKD) divulgada pelo semanário católico “The Tablet”, os responsáveis religiosos sublinharam que a comunidade protestante condena com firmeza esta prática de destruição. Assim informou a imprensa vaticana, L'Osservatore Romano.
“As imagens – salientou o Bispo Petra Bosse-Huber, durante uma reunião da delegação da EKD e do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla – há muito tempo tornaram-se expressão da piedade protestante”.
Significado da imagem
Os líderes religiosos das duas Igrejas encontraram-se em Hamburgo nos dias passados para discutir a aprofundar o significado da imagem do ponto de vista Ortodoxo e Protestante. Por ocasião do encontro, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I e o Presidente da Evangelische Kirche in Deutschland, Bispo Bedford-Strohm, enviaram sua saudação aos participantes, abençoando o encontro.
Remoção de imagens e vitrais
Durante os trabalhos foi destacado que a destruição de imagens era mais comum no período imediatamente posterior à Reforma. Na primeira metade do século XVI, as estátuas da Virgem Maria e dos Santos, assim como vitrais com imagens sacras, retratando eventos milagrosos e sobrenaturais, foram removidos das igrejas e das capelas e muitas vezes destruídos.
Onda de destruição
Em particular, a Suiça, os Países Baixos, a Inglaterra e a Alemanha meridional sofreram os efeitos maiores desta prática destrutiva. Em Ulm, na Alemanha, em 1531, durante o “Götzentag” (“Dia do falso ídolo”), os apoiadores da Reforma, convencidos de que os objetos religiosos fossem símbolos de idolatria supersticiosa, removeram com violência sessenta altares e dois órgãos da catedral local. Mais tarde Genebra, na Suiça, assistiu a uma das mais devastadoras ondas de destruição de imagens religiosas e de objetos sacros, inspiradas por grupos de influentes teólogos protestantes.
Fonte: Zenit.
“As imagens – salientou o Bispo Petra Bosse-Huber, durante uma reunião da delegação da EKD e do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla – há muito tempo tornaram-se expressão da piedade protestante”.
Significado da imagem
Os líderes religiosos das duas Igrejas encontraram-se em Hamburgo nos dias passados para discutir a aprofundar o significado da imagem do ponto de vista Ortodoxo e Protestante. Por ocasião do encontro, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I e o Presidente da Evangelische Kirche in Deutschland, Bispo Bedford-Strohm, enviaram sua saudação aos participantes, abençoando o encontro.
Remoção de imagens e vitrais
Durante os trabalhos foi destacado que a destruição de imagens era mais comum no período imediatamente posterior à Reforma. Na primeira metade do século XVI, as estátuas da Virgem Maria e dos Santos, assim como vitrais com imagens sacras, retratando eventos milagrosos e sobrenaturais, foram removidos das igrejas e das capelas e muitas vezes destruídos.
Onda de destruição
Em particular, a Suiça, os Países Baixos, a Inglaterra e a Alemanha meridional sofreram os efeitos maiores desta prática destrutiva. Em Ulm, na Alemanha, em 1531, durante o “Götzentag” (“Dia do falso ídolo”), os apoiadores da Reforma, convencidos de que os objetos religiosos fossem símbolos de idolatria supersticiosa, removeram com violência sessenta altares e dois órgãos da catedral local. Mais tarde Genebra, na Suiça, assistiu a uma das mais devastadoras ondas de destruição de imagens religiosas e de objetos sacros, inspiradas por grupos de influentes teólogos protestantes.
Fonte: Zenit.
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