A canonização será feita por meio de um decreto que o Santo Padre vai assinar durante audiência com o Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos – departamento da Cúria Romana que acompanha os processos de Beatificação e Canonização.
Para celebrar a Canonização do Padre Anchieta, o Cardeal Odilo Scherer solicitou aos padres da Arquidiocese de São Paulo que toquem os sinos de suas igrejas no próprio dia 2, às 14h, durante 5 minutos. Na Catedral da Sé e no Pateo do Collegio (local em que o Padre Anchieta, com outros missionários jesuítas, iniciou a vila que se transformaria na maior capital do país), além do toque dos sinos, serão expostos dois banners grandes com a imagem do novo santo.
Segue a progração da Canonização do Padre José de Anchieta
2 de abril – Dia da Canonização do Padre Anchieta
14h – Repicar dos sinos em todas as igrejas da Arquidiocese de São Paulo, durante 5 minutos
14h30 – Entrevista coletiva à imprensa com o Cardeal Scherer (Pateo do Collegio)
18h – Celebração de louvor e ação de graças, presidida pelo Cardeal Scherer (Catedral da Sé)
19h30 – Celebração de louvor e ação de graças, presidida pelo Cardeal Scherer (Pateo do Collegio)
6 de abril
9h30 – concentração no Pateo do Collegio, com orações, cantos e apresentação de trecho de musical sobre a biografia do Padre Anchieta
10h15 – Saída da procissão, com a relíquia do Padre Anchieta, em direção à Catedral da Sé
11h – Missa solene em ação de graças pela Canonização, na Catedral da Sé, presidida pelo Cardeal Scherer e com presença do Prefeito e do Governador de São Paulo
24 de abril
18h (horário de Roma) – missa em ação de graças pela Canonização, na Igreja de Santo Inácio de Loyola, em Roma, presidida pelo Papa Francisco
Sobre a Canonização
Não foi reconhecido oficialmente o 2º milagre para que o Padre Anchieta fosse canonizado conforme as regras ordinárias. Neste caso, o Santo Padre usou de um dispositivo chamado “Canonizzazione Equipollente” (Canonização equivalente), em que o Papa, após atestar que o candidato responde a alguns requisitos, estende seu culto à Igreja no mundo todo (enquanto o culto do Beato é limitado aos locais em que ele atuou).
Para que a Canonização do Padre Anchieta fosse possível, os responsáveis pelo Processo – um deles o brasileiro padre Cesar Augusto dos Santos, vice-postulador da Causa de Anchieta – escreveram um relatório em que se procura demonstrar que o Padre Anchieta preenche os três requisitos exigidos para esse tipo de canonização:
- Culto antigo;
- Testemunho confiável ao longo da história em relação às suas virtudes;
- Fama ininterrupta de graças
Ou seja, mesmo sem um milagre oficialmente reconhecido, Padre Anchieta conta com uma lista grande de pessoas que testemunham graças atribuídas à sua intercessão. Mesmo sem ter condições de reconhecer tais relatos como milagres (uma vez que faltam atestados médicos, por exemplo), a Igreja tem grande atenção e carinho por esses relatos e os levou em consideração para canonizar o Apóstolo do Brasil.
[Red.TS/Arquid.São Paulo]
quarta-feira, 2 de abril de 2014
terça-feira, 1 de abril de 2014
Francisco alerta sobre os cristãos errantes
Não vagar sem rumo pela vida, nem sequer pela vida do espírito: caminhar rumo à meta de um cristão significa seguir as promessas de Deus, que nunca nos decepcionam. Este foi o ensinamento que o papa Francisco extraiu das leituras da missa de hoje e apresentou em sua homilia na capela da Casa Santa Marta.
Há cristãos que confiam nas promessas de Deus e as seguem ao longo da vida. Há outros cuja vida de fé fica estancada. Outros ainda têm a certeza de estar progredindo, mas, na verdade, só fazem “turismo existencial”. O papa distinguiu três tipos de crentes, que têm como comum denominador o fato de saberem que a vida cristã é um percurso, mas que divergem no modo de segui-lo ou que não o seguem de forma nenhuma.
Inspirando-se na passagem de Isaías, da primeira leitura, Francisco explicou que Deus sempre “promete antes de pedir”. E acrescentou que a promessa de Deus é a de uma vida nova, de uma vida de alegria. Este é “o fundamento principal da virtude da esperança: confiar nas promessas de Deus”, sabendo que Ele jamais “decepciona”, já que a essência da vida cristã é “caminhar rumo às promessas”.
Há também os cristãos que sofrem “a tentação de parar”: “Há tantos cristãos parados! Tantos que têm uma esperança frágil! Eles acreditam, sim, que existe o céu e que tudo vai dar certo. É bom que eles acreditem, mas eles não vão atrás! Cumprem os mandamentos, os preceitos: tudo, tudo… Mas ficam parados. Nosso Senhor não pode transformá-los em fermento no povo, porque eles não caminham. E isto é um problema: os cristãos parados. Depois, há outros que erram de caminho: todos nós, de vez em quanto, erramos de caminho, já sabemos disso. O problema não é errar de caminho; o problema é não voltar atrás quando nos damos conta”.
O modelo de quem crê e segue o que a fé indica é o funcionário do rei descrito no Evangelho, que pede a Jesus a cura de um filho doente e não duvida nem mesmo por um instante em ir para casa quando o Mestre lhe assegura que o pedido já está atendido. Oposto a esse homem, afirmou o Santo Padre, temos o grupo “talvez mais perigoso”, o daqueles que “enganam a si mesmos: os que caminham, mas não seguem o caminho”.
“São os cristãos errantes: eles dão voltas e mais voltas, como se a vida fosse um turismo existencial, sem meta, sem levar as promessas a sério. Aqueles que dão voltas e se enganam, porque dizem: ‘Eu estou caminhando!’. Não, você não está caminhando: você está só dando voltas. Os errantes… Nosso Senhor nos pede para não parar, para não errar de caminho e não ficar dando voltas pela vida. Dar voltas pela vida... Ele nos pede para olhar para as promessas, para irmos em frente como aquele homem: aquele homem acreditou na palavra de Jesus! A fé nos coloca no caminho das promessas. A fé nas promessas de Deus”.
“Nossa condição de pecadores nos faz errar de caminho”, reconheceu o pontífice, que, porém, assegurou que “nosso Senhor sempre nos dá a graça de voltar”.
“A quaresma é um tempo bonito para pensar se eu estou no caminho ou se eu estou quieto demais. Converta-se! Ou se errei de caminho. Mas vá se confessar e retome o caminho. Ou se eu sou um turista teologal, que passeia pela vida, mas nunca dá um passo para frente. E peço ao Senhor a graça de retomar o caminho, de me colocar a caminho, rumo às promessas”.
Fonte: Zenit.
Inspirando-se na passagem de Isaías, da primeira leitura, Francisco explicou que Deus sempre “promete antes de pedir”. E acrescentou que a promessa de Deus é a de uma vida nova, de uma vida de alegria. Este é “o fundamento principal da virtude da esperança: confiar nas promessas de Deus”, sabendo que Ele jamais “decepciona”, já que a essência da vida cristã é “caminhar rumo às promessas”.
Há também os cristãos que sofrem “a tentação de parar”: “Há tantos cristãos parados! Tantos que têm uma esperança frágil! Eles acreditam, sim, que existe o céu e que tudo vai dar certo. É bom que eles acreditem, mas eles não vão atrás! Cumprem os mandamentos, os preceitos: tudo, tudo… Mas ficam parados. Nosso Senhor não pode transformá-los em fermento no povo, porque eles não caminham. E isto é um problema: os cristãos parados. Depois, há outros que erram de caminho: todos nós, de vez em quanto, erramos de caminho, já sabemos disso. O problema não é errar de caminho; o problema é não voltar atrás quando nos damos conta”.
O modelo de quem crê e segue o que a fé indica é o funcionário do rei descrito no Evangelho, que pede a Jesus a cura de um filho doente e não duvida nem mesmo por um instante em ir para casa quando o Mestre lhe assegura que o pedido já está atendido. Oposto a esse homem, afirmou o Santo Padre, temos o grupo “talvez mais perigoso”, o daqueles que “enganam a si mesmos: os que caminham, mas não seguem o caminho”.
“São os cristãos errantes: eles dão voltas e mais voltas, como se a vida fosse um turismo existencial, sem meta, sem levar as promessas a sério. Aqueles que dão voltas e se enganam, porque dizem: ‘Eu estou caminhando!’. Não, você não está caminhando: você está só dando voltas. Os errantes… Nosso Senhor nos pede para não parar, para não errar de caminho e não ficar dando voltas pela vida. Dar voltas pela vida... Ele nos pede para olhar para as promessas, para irmos em frente como aquele homem: aquele homem acreditou na palavra de Jesus! A fé nos coloca no caminho das promessas. A fé nas promessas de Deus”.
“Nossa condição de pecadores nos faz errar de caminho”, reconheceu o pontífice, que, porém, assegurou que “nosso Senhor sempre nos dá a graça de voltar”.
“A quaresma é um tempo bonito para pensar se eu estou no caminho ou se eu estou quieto demais. Converta-se! Ou se errei de caminho. Mas vá se confessar e retome o caminho. Ou se eu sou um turista teologal, que passeia pela vida, mas nunca dá um passo para frente. E peço ao Senhor a graça de retomar o caminho, de me colocar a caminho, rumo às promessas”.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 31 de março de 2014
A confissão não é um tribunal de condenação, mas experiência de perdão e misericórdia
O Santo Padre Francisco recebeu em audiência nesta sexta-feira aos participantes à XXV edição do Curso sobre Foro interno, organizado pela Penitenciaria Apostólica. O curso acontece anualmente como oportunidade para formar confessores e ajudá-los a melhor exercer o importante ministério da reconciliação, como recordou o Papa.
O curso começou dia 22 e terminou nesta sexta-feria, 28 de março. Cerca de 500 sacerdotes e seminaristas aprofundaram sobre o sacramento da reconciliação. O cardeal Mauro Piacenza deu início ao curso.
O Papa Francisco agradeceu aos presentes pelo “precioso serviço” e animou-os a levar adiante com compromisso renovado, fazendo tesouro da experiência adquirida e com sábia criatividade ajudar cada vez mais a Igreja e os confessores no ministério da misericórdia.
Recordou que o verdadeiro protagonista da reconciliação é o Espírito Santo. “O perdão que o Sacramento concede é a nova vida transmitida pelo Senhor Ressuscitado através do Seu Espírito". Por isso, o Santo Padre lembrou que eles são chamados a ser 'homens do Espírito Santo', testemunhas e anunciadores, felizes e fortes, da ressurreição do Senhor". E a tarefa do confessor, continuou Francisco, é “fazer sentir a sua presença quando ouve o penitente”.
O Papa convidou os confessores a “trabalhar muito” sobre a própria humanidade para nunca ser obstáculo e favorecer o apromixar-se dos batizados à misericórdia e ao perdão. Recordou também que o confessor é como um “médico chamado a curar” e “como juiz a absolver”. Portanto, a sua tarefa principal é doar generosamente aos irmãos a reconciliação que “transmite a vida do ressuscitado e renova a graça batismal”.
E recomendou que os confessores são convidados a “evitar os dois extremos opostos: o rigorismo e o laxismo”, e a recordar sempre que “a confissão não é um tribunal de condenação, mas experiência de perdão e misericórdia”.
Por fim, para tonar ainda mais acessível o sacramento da reconciliação o Pontífice indicou que, em cada paróquia, os fiéis saibam quando podem encontrar sacerdotes disponíveis para ouvir o seu arrependimento.
Fonte: Zenit.
O Papa Francisco agradeceu aos presentes pelo “precioso serviço” e animou-os a levar adiante com compromisso renovado, fazendo tesouro da experiência adquirida e com sábia criatividade ajudar cada vez mais a Igreja e os confessores no ministério da misericórdia.
Recordou que o verdadeiro protagonista da reconciliação é o Espírito Santo. “O perdão que o Sacramento concede é a nova vida transmitida pelo Senhor Ressuscitado através do Seu Espírito". Por isso, o Santo Padre lembrou que eles são chamados a ser 'homens do Espírito Santo', testemunhas e anunciadores, felizes e fortes, da ressurreição do Senhor". E a tarefa do confessor, continuou Francisco, é “fazer sentir a sua presença quando ouve o penitente”.
O Papa convidou os confessores a “trabalhar muito” sobre a própria humanidade para nunca ser obstáculo e favorecer o apromixar-se dos batizados à misericórdia e ao perdão. Recordou também que o confessor é como um “médico chamado a curar” e “como juiz a absolver”. Portanto, a sua tarefa principal é doar generosamente aos irmãos a reconciliação que “transmite a vida do ressuscitado e renova a graça batismal”.
E recomendou que os confessores são convidados a “evitar os dois extremos opostos: o rigorismo e o laxismo”, e a recordar sempre que “a confissão não é um tribunal de condenação, mas experiência de perdão e misericórdia”.
Por fim, para tonar ainda mais acessível o sacramento da reconciliação o Pontífice indicou que, em cada paróquia, os fiéis saibam quando podem encontrar sacerdotes disponíveis para ouvir o seu arrependimento.
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Francisco: "Abramos o coração a Deus e não sejamos como os doutores do dever"
Nos tempos de Jesus, havia uma classe dirigente que tinha se afastado do povo, que o tinha "abandonado", incapaz de qualquer coisa que não fosse o seguimento da própria ideologia, escorregando na corrupção. As palavras foram ditas pelo Santo Padre na missa celebrada esta manhã no altar da Cátedra de São Pedro, em presença de 493 parlamentares italianos, incluídos novos ministros e os presidentes do Senado e da Câmara, Piero Grasso e Laura Boldrini.
Interesses partidários, lutas internas: era isto o que consumia as energias de quem mandava na época de Jesus, a ponto de, quando o Messias se revelou perante os seus olhos, não o reconhecerem; mais ainda, eles acusaram Jesus de ser um curandeiro das filas de Satanás.
O Santo Padre afirmou, na homilia, que as leituras de hoje podem ser definidas como um diálogo entre os lamentos de Deus e as justificativas dos homens. "Deus, nosso Senhor, se lamenta. Ele se lamenta por não ter sido escutado ao longo da história". Francisco acrescentou que esse lamento de Deus acontece "porque Ele teve um trabalho muito, muito grande para tirar do coração do seu povo a idolatria, para torná-lo dócil à sua Palavra. Mas eles seguiam esse caminho durante algum tempo e depois voltavam atrás. E foi assim durante séculos e séculos, até o momento em que chegou Jesus". E o mesmo aconteceu com Ele, com Jesus, disse o Santo Padre. "O povo de Deus estava sozinho e aquela classe dirigente, a dos doutores da lei, saduceus, fariseus, estava fechada em suas ideias, em sua pastoral, em sua ideologia. E aquela classe foi a que não escutou a Palavra do Senhor".
Eles "se dão desculpas por não terem ouvido o chamado do Senhor. Não podiam ouvir, porque estavam tão fechados, tão distantes do povo", observou Francisco, dizendo ainda que Jesus olha para o povo e se comove, porque o vê como "ovelhas sem pastor". E Jesus vai aonde estão os pobres, os doentes, todos, as viúvas, os leprosos, para curá-los. E Jesus lhes fala "com uma palavra que provoca admiração no povo, fala diferente daquela classe dirigente que tinha se afastado do povo".
O Santo Padre recordou que aquela classe dirigente era feita de pecadores, como todos, mas que "eles eram mais do que pecadores: o coração daquela gente, daquele grupo, tinha endurecido tanto com o tempo, tanto, que era impossível escutar a voz do Senhor. E de pecadores, eles resvalaram mais ainda, se transformaram em corruptos. É tão difícil que um corrupto consiga voltar atrás! O pecador sim, porque nosso Senhor é misericordioso e aceita todos nós. Mas o corrupto está obcecado com as suas coisas. E aqueles eram corruptos". E por isso davam desculpas, explicou o Santo Padre, "porque Jesus, com a sua simplicidade, mas com a força de Deus, os incomodava. E, pouco a pouco, eles acabam se convencendo de que tinham que matar Jesus. Até que um deles disse: 'É melhor que um só homem morra pelo seu povo'".
Francisco destacou que eles "resistiram à salvação de amor de Cristo e assim escorregaram da fé, de uma teologia de fé para uma teologia do dever: 'tendes que fazer isto, isto, isto...'". O papa explicou que, "na dialética da liberdade, temos o Senhor bom, que nos ama, que nos ama muito! Mas na lógica da necessidade não há espaço para Deus: você só deve fazer, deve fazer, deve fazer... Eles viraram homens de boas maneiras, mas de maus costumes".
Ao terminar, o Santo Padre enfatiza que aquelas pessoas que tentam se justificar não entendem a misericórdia nem a piedade. No entanto, "aquele povo, que tanto amava Jesus, precisava de misericórdia e de piedade e ia pedi-la ao Senhor". O papa convidou os presentes a pensarem, neste tempo de quaresma, sobre o convite de Cristo ao amor, a essa dialética da liberdade onde existe o amor, e a perguntar: "Eu estou neste caminho? Ou caio no perigo de me justificar e de seguir por outro caminho?".
Francisco pediu que rezemos ao Senhor para receber a graça "de seguir adiante pelo caminho da salvação, de nos abrir para a salvação que vem somente de Deus, da fé, não daquilo que aqueles 'doutores do dever' propunham, eles que tinham perdido a fé; [peçamos a graça de] nos abrir para a salvação do Senhor".
Fonte: Zenit.
O Santo Padre afirmou, na homilia, que as leituras de hoje podem ser definidas como um diálogo entre os lamentos de Deus e as justificativas dos homens. "Deus, nosso Senhor, se lamenta. Ele se lamenta por não ter sido escutado ao longo da história". Francisco acrescentou que esse lamento de Deus acontece "porque Ele teve um trabalho muito, muito grande para tirar do coração do seu povo a idolatria, para torná-lo dócil à sua Palavra. Mas eles seguiam esse caminho durante algum tempo e depois voltavam atrás. E foi assim durante séculos e séculos, até o momento em que chegou Jesus". E o mesmo aconteceu com Ele, com Jesus, disse o Santo Padre. "O povo de Deus estava sozinho e aquela classe dirigente, a dos doutores da lei, saduceus, fariseus, estava fechada em suas ideias, em sua pastoral, em sua ideologia. E aquela classe foi a que não escutou a Palavra do Senhor".
Eles "se dão desculpas por não terem ouvido o chamado do Senhor. Não podiam ouvir, porque estavam tão fechados, tão distantes do povo", observou Francisco, dizendo ainda que Jesus olha para o povo e se comove, porque o vê como "ovelhas sem pastor". E Jesus vai aonde estão os pobres, os doentes, todos, as viúvas, os leprosos, para curá-los. E Jesus lhes fala "com uma palavra que provoca admiração no povo, fala diferente daquela classe dirigente que tinha se afastado do povo".
O Santo Padre recordou que aquela classe dirigente era feita de pecadores, como todos, mas que "eles eram mais do que pecadores: o coração daquela gente, daquele grupo, tinha endurecido tanto com o tempo, tanto, que era impossível escutar a voz do Senhor. E de pecadores, eles resvalaram mais ainda, se transformaram em corruptos. É tão difícil que um corrupto consiga voltar atrás! O pecador sim, porque nosso Senhor é misericordioso e aceita todos nós. Mas o corrupto está obcecado com as suas coisas. E aqueles eram corruptos". E por isso davam desculpas, explicou o Santo Padre, "porque Jesus, com a sua simplicidade, mas com a força de Deus, os incomodava. E, pouco a pouco, eles acabam se convencendo de que tinham que matar Jesus. Até que um deles disse: 'É melhor que um só homem morra pelo seu povo'".
Francisco destacou que eles "resistiram à salvação de amor de Cristo e assim escorregaram da fé, de uma teologia de fé para uma teologia do dever: 'tendes que fazer isto, isto, isto...'". O papa explicou que, "na dialética da liberdade, temos o Senhor bom, que nos ama, que nos ama muito! Mas na lógica da necessidade não há espaço para Deus: você só deve fazer, deve fazer, deve fazer... Eles viraram homens de boas maneiras, mas de maus costumes".
Ao terminar, o Santo Padre enfatiza que aquelas pessoas que tentam se justificar não entendem a misericórdia nem a piedade. No entanto, "aquele povo, que tanto amava Jesus, precisava de misericórdia e de piedade e ia pedi-la ao Senhor". O papa convidou os presentes a pensarem, neste tempo de quaresma, sobre o convite de Cristo ao amor, a essa dialética da liberdade onde existe o amor, e a perguntar: "Eu estou neste caminho? Ou caio no perigo de me justificar e de seguir por outro caminho?".
Francisco pediu que rezemos ao Senhor para receber a graça "de seguir adiante pelo caminho da salvação, de nos abrir para a salvação que vem somente de Deus, da fé, não daquilo que aqueles 'doutores do dever' propunham, eles que tinham perdido a fé; [peçamos a graça de] nos abrir para a salvação do Senhor".
Fonte: Zenit.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Um sacerdote, um padre, que não está a serviço de sua comunidade não faz bem
Queridos irmãos e irmãs,
Já tivemos oportunidade de referir que os três sacramentos, do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, constituem juntos o mistério da “iniciação cristã”, um único grande evento de graça que nos regenera em Cristo. É esta a vocação fundamental que une todos na Igreja, como discípulos do Senhor Jesus. Há depois dois sacramentos que correspondem a duas vocações específicas: trata-se da Ordem e do Matrimônio. Esses constituem dois grandes caminhos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e em nome de Cristo, e assim cooperar à edificação da Igreja.
A Ordem, caracterizado nas três grades do episcopado, presbiterato e diaconato, é o Sacramento que habilita ao exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus aos apóstolos, de apascentar o seu rebanho, no poder do seu Espírito e segundo o seu coração. Apascentar o rebanho de Jesus não com o poder da força humana ou com o próprio poder, mas aquela do Espírito e segundo o seu coração, o coração de Jesus que é um coração de amor. O sacerdote, o bispo, o diácono deve apascentar o rebanho do Senhor com amor. Se não o faz com amor não serve. E nesse sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fazem com o poder do Espírito Santo em nome de Deus e com amor.
1. Um primeiro aspecto. Aqueles que são ordenados são colocados como líderes da comunidade. São “a cabeça” sim, porém para Jesus isso significa colocar a própria autoridade a serviço, como Ele mesmo mostrou e ensinou a seus discípulos com estas palavras: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça o vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por uma multidão” (Mt 20,25-28 // Mc 10,42-45). Um bispo que não está a serviço da comunidade não faz bem; um sacerdote, um padre que não está a serviço da sua comunidade não faz bem, erra.
2. Uma outra característica que sempre deriva desta união sacramental com Cristo é o amor apaixonado pela Igreja. Pensemos no trecho da Carta aos Efésios, na qual São Paulo diz que Cristo “amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar, purificando-a com a água, mediante a palavra, para a apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, ou qualquer outra coisa “(5:25-27). Por força da Ordem, o ministro dedica-se totalmente à sua comunidade e a ama de todo o coração coração: é a sua família. O bispo, o padre amam a Igreja em sua própria comunidade, fortemente. Como? Assim como Cristo ama a Igreja. O mesmo dirá São Paulo do casamento: o marido ama sua esposa como Cristo ama a Igreja. É um grande mistério de amor: o ministério sacerdotal e o matrimônio, dois sacramentos, que são a maneira pela qual as pessoas costumam ir para o Senhor.
3. Um último aspecto. O apóstolo Paulo aconselha seu discípulo Timóteo a não descuidar, mais do que isso, a reavivar sempre o dom que há nele. O dom que lhe foi dado através da imposição das mãos (cf. 1 Tm 4, 14, 2 Tm 1,6). Quando não se alimenta o ministério, o ministério do bispo, o ministério do sacerdote com a oração, com a escuta da Palavra de Deus, e com a celebração diária da Eucaristia e também com a presença do sacramento da Penitência, é inevitável perder de vista o o sentido autêntico do próprio serviço e a alegria que deriva de uma comunhão profunda com Jesus.
4. O bispo que não reza, o bispo que não escuta da Palavra de Deus, que não celebra todos os dias, que não se confessa regularmente, e o mesmo para o padre que não faz estas coisas, com o tempo, perdem a sua união com Jesus e vivem uma mediocridade que não é boa para a Igreja. Por isso, devemos ajudar os bispos e padres a rezarem, a ouvirem a Palavra de Deus que é o alimento diário, a celebrarem a Eucaristia todos os dias e irem à confissão regularmente. Isto é tão importante porque diz respeito à santificação dos sacerdotes e bispos.
5. Gostaria de terminar com uma coisa que me vem à mente: mas como se deve fazer para se tornar um sacerdote, onde são vendidos os acessos ao sacerdócio? Não. Não se vendem. Esta é uma iniciativa do Senhor. O Senhor chama. Ele chama cada um daqueles que Ele quer que se torne sacerdote. Talvez existam alguns jovens aqui que sentiram este chamado em seu coração, o desejo de se tornar padre, o desejo de servir aos outros nas coisas de Deus, o desejo de estar por toda a vida a serviço para catequizar, batizar, perdoar, celebrar a Eucaristia, cuidar dos doentes … e toda a vida dessa forma. Se algum de vocês já sentiu isso no coração, é Jesus quem a colocou ai. Prestem atenção a este convite e rezem para que ele possa crescer e dê fruto em toda a Igreja.
(Trad.: Canção Nova) - Fonte: Zenit.
terça-feira, 25 de março de 2014
Santo Padre cria a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores
O papa Francisco criou hoje a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, que tinha sido anunciada no último dia 5 de dezembro, e convidou para formar parte dela as seguintes pessoas:
- Dra. Catherine Bonnet (França)
- Sra. Marie Collins (Irlanda)
- Prof. Sheila Hollins (Reino Unido)
- Cardeal Sean Patrick O'Malley, OFM Cap (Estados Unidos)
- Prof. Claudio Papale (Itália)
- Hanna Suchocka (Polônia)
- Pe. Humberto Miguel Yáñez, SJ (Argentina)
- Pe. Hans Zollner, SJ (Alemanha)
Entre os escolhidos, há uma vítima: a irlandesa Marie Collins sofreu abusos sexuais por parte de um sacerdote quando era criança. A mulher, hoje com 66 anos, relatou a sua história diante de 200 bispos em um simpósio organizado pelo Vaticano no ano de 2012, em Roma.
Outro membro destacado da nova comissão é o arcebispo de Boston, o cardeal Sean Patrick O'Malley, um dos oito purpurados que o pontífice indicou para assessorá-lo na reforma da cúria romana. O’Malley é uma das vozes mais relevantes da Igreja na luta contra a pedofilia.
De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, a principal tarefa destas pessoas é preparar os estatutos da comissão, que determinarão as suas atribuições e funções. A comissão será posteriormente integrada por outros membros, a ser escolhidos nas diversas áreas geográficas do mundo.
Dando continuidade ao compromisso dos seus predecessores e tendo escutado a opinião de vários cardeais, outros membros do episcopado e especialistas no assunto, “o papa Francisco decidiu formar uma comissão dedicada à tutela dos menores”, explicou o porta-voz da Santa Sé, pe. Federico Lombardi.
O pontífice deixa claro que “a Igreja deve considerar a proteção das crianças entre as suas prioridades mais altas” e promover iniciativas neste campo. “Hoje, o papa indicou os nomes de várias personalidades altamente qualificadas e reconhecidas pelo seu compromisso com esta questão”, prosseguiu Lombardi.
“Este grupo inicial deve agora trabalhar rapidamente para colaborar em diferentes tarefas, incluindo a elaboração da estrutura final da comissão, indicando a sua finalidade e responsabilidades e propondo os nomes de outros candidatos, especialmente de outros continentes e países, que podem ser chamados a trabalhar na comissão”.
“Na certeza de que a Igreja tem que desempenhar um papel crucial neste campo, olhando para o futuro sem esquecer o passado, a comissão adotará um enfoque múltiplo para promover a proteção dos menores, que incluirá a educação para evitar o abuso das crianças, a ação penal contra os crimes cometidos, os deveres e responsabilidades civis e canônicos e o desenvolvimento das ‘melhores práticas’ que foram identificadas e desenvolvidas na sociedade em seu conjunto”, explica o porta-voz da Santa Sé.
“Desta forma, e com a ajuda de Deus, esta comissão contribuirá com a missão do Santo Padre de responder à sagrada responsabilidade de garantir a segurança dos jovens”, concluiu o pe. Lombardi.
Fonte: Zenit.
- Sra. Marie Collins (Irlanda)
- Prof. Sheila Hollins (Reino Unido)
- Cardeal Sean Patrick O'Malley, OFM Cap (Estados Unidos)
- Prof. Claudio Papale (Itália)
- Hanna Suchocka (Polônia)
- Pe. Humberto Miguel Yáñez, SJ (Argentina)
- Pe. Hans Zollner, SJ (Alemanha)
Entre os escolhidos, há uma vítima: a irlandesa Marie Collins sofreu abusos sexuais por parte de um sacerdote quando era criança. A mulher, hoje com 66 anos, relatou a sua história diante de 200 bispos em um simpósio organizado pelo Vaticano no ano de 2012, em Roma.
Outro membro destacado da nova comissão é o arcebispo de Boston, o cardeal Sean Patrick O'Malley, um dos oito purpurados que o pontífice indicou para assessorá-lo na reforma da cúria romana. O’Malley é uma das vozes mais relevantes da Igreja na luta contra a pedofilia.
De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, a principal tarefa destas pessoas é preparar os estatutos da comissão, que determinarão as suas atribuições e funções. A comissão será posteriormente integrada por outros membros, a ser escolhidos nas diversas áreas geográficas do mundo.
Dando continuidade ao compromisso dos seus predecessores e tendo escutado a opinião de vários cardeais, outros membros do episcopado e especialistas no assunto, “o papa Francisco decidiu formar uma comissão dedicada à tutela dos menores”, explicou o porta-voz da Santa Sé, pe. Federico Lombardi.
O pontífice deixa claro que “a Igreja deve considerar a proteção das crianças entre as suas prioridades mais altas” e promover iniciativas neste campo. “Hoje, o papa indicou os nomes de várias personalidades altamente qualificadas e reconhecidas pelo seu compromisso com esta questão”, prosseguiu Lombardi.
“Este grupo inicial deve agora trabalhar rapidamente para colaborar em diferentes tarefas, incluindo a elaboração da estrutura final da comissão, indicando a sua finalidade e responsabilidades e propondo os nomes de outros candidatos, especialmente de outros continentes e países, que podem ser chamados a trabalhar na comissão”.
“Na certeza de que a Igreja tem que desempenhar um papel crucial neste campo, olhando para o futuro sem esquecer o passado, a comissão adotará um enfoque múltiplo para promover a proteção dos menores, que incluirá a educação para evitar o abuso das crianças, a ação penal contra os crimes cometidos, os deveres e responsabilidades civis e canônicos e o desenvolvimento das ‘melhores práticas’ que foram identificadas e desenvolvidas na sociedade em seu conjunto”, explica o porta-voz da Santa Sé.
“Desta forma, e com a ajuda de Deus, esta comissão contribuirá com a missão do Santo Padre de responder à sagrada responsabilidade de garantir a segurança dos jovens”, concluiu o pe. Lombardi.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Divorciados recasados e a comunhão: o pensamento do Cardeal Kasper
De 5 a 19 de outubro de 2014 será realizado em Roma, o Sínodo Extraordinário sobre as famílias. Para melhor prepara-lo foi formulado – solicitado pelo papa Francisco - um questionário com 38 perguntas, enviado para todas as dioceses do mundo.
O Secretário do Sínodo dos Bispos, o cardeal Lorenzo Baldisseri, explicou que é esperado das dioceses "não apenas o que o bispo pensa", mas "um resumo do que as pessoas pensam e como vivem".
Neste contexto, e em preparação para o Sínodo, o cardeal Walter Kasper fez um longo e detalhado relatório sobre o Evangelho da Família para o Consistório extraordinário de 20 e 21 de Fevereiro.
Sábado, 1 de março, o texto do Cardeal Kasper foi publicado pelo jornal romano Il Foglio. O que causou grande rebuliço, não apenas porque a publicação não foi autorizada pelo autor, mas principalmente devido à questão dos divorciados e recasados, e ao acesso à comunhão, que gerou uma grande discussão.
Antes mesmo de ler e entender o que realmente estava pensando o cardeal alemão, choveram críticas e controvérsias. Mas o que realmente disse Kasper? O texto completo do relatório foi publicado na semana passada pela Edições Queriniana em um livreto de 78 páginas, intitulado O Evangelho da Família.
No quinto capítulo, intitulado O problema dos divorciados recasados, o Cardeal Kasper escreve: "Se pensarmos na importância da família para o futuro da Igreja, o número crescente de famílias desestruturadas demonstra uma grande tragédia. É um grande sofrimento. Não basta considerar o problema apenas do ponto de vista e da perspectiva da Igreja como instituição sacramental; precisamos de uma mudança de paradigma e devemos também considerar a situação a partir da perspectiva de quem sofre e pede ajuda".
É claro, afirma o cardeal, que "não se pode propor uma solução diferente ou contrária às palavras de Jesus. A indissolubilidade do matrimônio sacramental e a impossibilidade de um novo matrimônio durante a vida do outro parceiro faz parte da tradição de fé vinculatória da Igreja, que não pode ser abandonada ou desfeita fazendo referência a uma compreensão superficial da misericórdia a um preço baixo".
A questão é, portanto, como a Igreja pode corresponder ao binômio inseparável da fidelidade e da misericórdia de Deus em sua atividade pastoral em relação aos divorciados recasados no rito civil. A Familiaris Consortio no número 24 e a Sacramentum Caritatis no número 29, falam de uma forma amorosa desses cristãos, assegurando-lhes a pertença à Igreja e convidando-os a participar da vida desta.
“As situações são diversas e devem ser distinguidas com cuidado. Uma solução geral para todos os casos, portanto, não pode existir." A Congregação para a Doutrina da Fé, em 1994, abordou a questão, e o Papa Bento XVI sintetizou a posição durante o Encontro Internacional das Famílias em Milão, em 2012, reiterando que "os divorciados recasados não podem receber a comunhão sacramental, mas podem receber a espiritual."
O Cardeal Kasper argumenta que mesmo a resposta dos Padres da Igreja não sendo unívoca, contudo, é claro que “a Igreja continuou a buscar uma maneira além do rigor e do laxismo, fazendo referência à autoridade de ligar e desligar (Mt 16,19; 18,8, Jo 20,23) conferida pelo Senhor". "No Credo - diz ele - professamos: creio na remissionem peccatorum. Isso significa que: para aqueles que se converteram, o perdão é sempre possível. Se é para o assassino, é também para o adúltero".
Neste contexto, o cardeal lista algumas opções aos Padres Sinodais: "Se um divorciado recasado: 1. Se arrepende do falimento no primeiro casamento, 2. Se esclareceu as obrigações do primeiro matrimonio, se é definitivamente impossível que volte atrás, 3. Se não pode abandonar, sem quaisquer outras culpas, o novo matrimonio civil, 4. E se esforça para viver da melhor maneira conforme suas possibilidades o segundo matrimonio a partir da fé e da educação dos filhos na fé, 5. Se deseja os sacramentos como uma fonte de força em sua situação, devemos ou podemos negar, depois de um tempo de reorientação (metanoia), o sacramento da penitência e então, a comunhão?".
"Eu espero - prossegue o cardeal - que no caminho de tal discretio, durante o processo sinodal, possamos encontrar uma resposta comum para testemunhar de forma credível a Palavra de Deus em situações humanamente difíceis, como mensagem de fidelidade, mas também como mensagem de misericórdia, vida e alegria".
Por fim, Kasper escreve: "Não podemos limitar a discussão à situação dos divorciados recasados e a outras situações pastorais difíceis não mencionadas no presente contexto. Devemos ter um ponto de partida positivo e redescobrir e anunciar o Evangelho da família com toda a sua beleza".
"A verdade convence pela sua beleza", continuou o cardeal, que exorta: "Devemos colaborar, com palavras e ações, para que as pessoas encontrem a felicidade na família e, desta forma, possam dar testemunho de alegria a outras famílias. Devemos entender novamente a família como Igreja doméstica, torna-la a via privilegiada da nova evangelização e da renovação da Igreja, uma Igreja que está a caminho com as pessoas e para as pessoas".
"Em família - disse o prelado – as pessoas estão em casa, ou pelo menos procurando uma casa na família. Nas Famílias a Igreja encontra a realidade da vida. Por isso, as famílias são um teste da pastoral e urgência da nova evangelização. A família é o futuro. E para a Igreja é o caminho do futuro".
(Trad.:MEM) - Fonte: Zenit.
Neste contexto, e em preparação para o Sínodo, o cardeal Walter Kasper fez um longo e detalhado relatório sobre o Evangelho da Família para o Consistório extraordinário de 20 e 21 de Fevereiro.
Sábado, 1 de março, o texto do Cardeal Kasper foi publicado pelo jornal romano Il Foglio. O que causou grande rebuliço, não apenas porque a publicação não foi autorizada pelo autor, mas principalmente devido à questão dos divorciados e recasados, e ao acesso à comunhão, que gerou uma grande discussão.
Antes mesmo de ler e entender o que realmente estava pensando o cardeal alemão, choveram críticas e controvérsias. Mas o que realmente disse Kasper? O texto completo do relatório foi publicado na semana passada pela Edições Queriniana em um livreto de 78 páginas, intitulado O Evangelho da Família.
No quinto capítulo, intitulado O problema dos divorciados recasados, o Cardeal Kasper escreve: "Se pensarmos na importância da família para o futuro da Igreja, o número crescente de famílias desestruturadas demonstra uma grande tragédia. É um grande sofrimento. Não basta considerar o problema apenas do ponto de vista e da perspectiva da Igreja como instituição sacramental; precisamos de uma mudança de paradigma e devemos também considerar a situação a partir da perspectiva de quem sofre e pede ajuda".
É claro, afirma o cardeal, que "não se pode propor uma solução diferente ou contrária às palavras de Jesus. A indissolubilidade do matrimônio sacramental e a impossibilidade de um novo matrimônio durante a vida do outro parceiro faz parte da tradição de fé vinculatória da Igreja, que não pode ser abandonada ou desfeita fazendo referência a uma compreensão superficial da misericórdia a um preço baixo".
A questão é, portanto, como a Igreja pode corresponder ao binômio inseparável da fidelidade e da misericórdia de Deus em sua atividade pastoral em relação aos divorciados recasados no rito civil. A Familiaris Consortio no número 24 e a Sacramentum Caritatis no número 29, falam de uma forma amorosa desses cristãos, assegurando-lhes a pertença à Igreja e convidando-os a participar da vida desta.
“As situações são diversas e devem ser distinguidas com cuidado. Uma solução geral para todos os casos, portanto, não pode existir." A Congregação para a Doutrina da Fé, em 1994, abordou a questão, e o Papa Bento XVI sintetizou a posição durante o Encontro Internacional das Famílias em Milão, em 2012, reiterando que "os divorciados recasados não podem receber a comunhão sacramental, mas podem receber a espiritual."
O Cardeal Kasper argumenta que mesmo a resposta dos Padres da Igreja não sendo unívoca, contudo, é claro que “a Igreja continuou a buscar uma maneira além do rigor e do laxismo, fazendo referência à autoridade de ligar e desligar (Mt 16,19; 18,8, Jo 20,23) conferida pelo Senhor". "No Credo - diz ele - professamos: creio na remissionem peccatorum. Isso significa que: para aqueles que se converteram, o perdão é sempre possível. Se é para o assassino, é também para o adúltero".
Neste contexto, o cardeal lista algumas opções aos Padres Sinodais: "Se um divorciado recasado: 1. Se arrepende do falimento no primeiro casamento, 2. Se esclareceu as obrigações do primeiro matrimonio, se é definitivamente impossível que volte atrás, 3. Se não pode abandonar, sem quaisquer outras culpas, o novo matrimonio civil, 4. E se esforça para viver da melhor maneira conforme suas possibilidades o segundo matrimonio a partir da fé e da educação dos filhos na fé, 5. Se deseja os sacramentos como uma fonte de força em sua situação, devemos ou podemos negar, depois de um tempo de reorientação (metanoia), o sacramento da penitência e então, a comunhão?".
"Eu espero - prossegue o cardeal - que no caminho de tal discretio, durante o processo sinodal, possamos encontrar uma resposta comum para testemunhar de forma credível a Palavra de Deus em situações humanamente difíceis, como mensagem de fidelidade, mas também como mensagem de misericórdia, vida e alegria".
Por fim, Kasper escreve: "Não podemos limitar a discussão à situação dos divorciados recasados e a outras situações pastorais difíceis não mencionadas no presente contexto. Devemos ter um ponto de partida positivo e redescobrir e anunciar o Evangelho da família com toda a sua beleza".
"A verdade convence pela sua beleza", continuou o cardeal, que exorta: "Devemos colaborar, com palavras e ações, para que as pessoas encontrem a felicidade na família e, desta forma, possam dar testemunho de alegria a outras famílias. Devemos entender novamente a família como Igreja doméstica, torna-la a via privilegiada da nova evangelização e da renovação da Igreja, uma Igreja que está a caminho com as pessoas e para as pessoas".
"Em família - disse o prelado – as pessoas estão em casa, ou pelo menos procurando uma casa na família. Nas Famílias a Igreja encontra a realidade da vida. Por isso, as famílias são um teste da pastoral e urgência da nova evangelização. A família é o futuro. E para a Igreja é o caminho do futuro".
(Trad.:MEM) - Fonte: Zenit.
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