Há três anos, Mianmar foi o centro das manchetes com a violenta repressão, por parte do governo, contra os protestos a favor da democracia, encabeçados por monges budistas.
Agora, a nação se prepara para viver eleições nacionais bastante raras no próximo mês, ainda que a comunidade internacional não espera que sejam precisamente um momento álgido de democracia.
Neste contexto, desempenha seu trabalho a Irmã Verônica Nwe Moe, junto às suas irmãs salesianas, ao serviço da Igreja, como ela mesma narra nesta entrevista.
Irmã, você trabalha muito com os jovens. Está estudando em Roma e está centrada em sua educação. Que desafios os jovens enfrentam em Mianmar?
Irmã Verônica: Como religiosa salesiana, há muitas moças que se aproximam de nós. Temos um centro de preparação para moças entre 15 e 25 anos, que vêm de diversas paróquias. Normalmente, vêm de grupos étnicos diferentes. Não têm futuro nem guia.
O centro do país é muito mais budista. As regiões da fronteira são mais católicas. Como sua família é católica em uma região de maioria budista?
Irmã Verônica: Minha mãe é da tribo Karen, das regiões fronteiriças, e, em Mianmar, os "tribais" - como os chamamos - são católicos, em sua maioria.
Você poderia nos explicar a situação das regiões da fronteira?
Irmã Verônica: Não sabemos o verdadeiro motivo pelo qual o governo empreendeu a guerra contra as tribos. O que podemos dizer é que os inocentes, especialmente os jovens pegos pelo fogo cruzado, estão sofrendo. São forçados a carregar alimentos e armas e estão constantemente em movimento. Não há estabilidade e não existe educação - ou esta não é uma prioridade.
Sobretudo nas regiões fronteiriças, muitas pessoas exploram ou abusam da maioria das meninas. Não há futuro para estas jovens, e tampouco para os meninos, apesar dos seus talentos. Às moças que nos procuram, oferecemos formação, para que sejam capazes de usar sua criatividade. Quando eu me tornei religiosa, estive três anos com essas moças. Enquanto estive com elas, percebi que eu também havia aprendido muito com elas.
Por exemplo...?
Irmã Verônica: A ser simples. Estar contente com o que tenho. A felicidade não reside nas coisas materiais que você possui, mas sim na vida que você vive. Uma vida de compromisso e honestidade, que lhes dá essa alegria.
Deve ser doloroso para você ser testemunha desse sofrimento das jovens...
Irmã Verônica: É verdade, eu sofro. Somos educadoras e nossa congregação tem seus próprios colégios espalhados pelo mundo inteiro, centros para jovens, oratórios, e temos liberdade... Mas em Mianmar não é assim. O que faço é, sobretudo, rezar por elas e, depois, entregar-me a elas com todo o meu coração, para educá-las e ensiná-las a ser boas mães, para que possam transmitir a fé aos seus filhos.
É possível abrir escolas, ainda que sejam pequenas escolas de aldeia, nessa região?
Irmã Verônica: Temos um jardim de infância com 100 crianças, mas a maioria é budista. Trabalhar só com os budistas não é difícil, porque são muito pacíficos e os pais valorizam nosso trabalho. É fácil trabalhar com sua colaboração.
Mas, até agora, vocês só abriram um jardim de infância. O que lhes impede de fazer mais? A guerra?
Irmã Verônica: Em primeiro lugar, o número de irmãs salesianas em Mianmar. Neste momento, somos apenas 21, ainda que estejamos crescendo. Agora temos 16 ou 17 aspirantes, 8 postulantes e 9 noviças. O número nos obstaculiza também porque queremos entregar-nos cem por cento de nós mesmas. E fazê-lo bem! Temos 4 casas em Mianmar e as 21 irmãs estão distribuídas nessas casas.
Como é a relação do dia a dia entre católicos e budistas?
Irmã Verônica: É muito pacífica. Por exemplo, na aldeia em que eu nasci, das 800 famílias, 8 são católicas e são parentes meus. Assim, quase todos os meus amigos eram budistas. Vivemos de forma pacífica e esta é a norma. Os monges budistas são bons e compassivos.
Entre os evangelizadores da Igreja em seu país se encontram os jovens chamados "zetemans". O que são e o que fazem?
Irmã Verônica: São jovens missionários católicos com mais de 18 anos. Oferecem 3 anos da sua vida às suas dioceses. Vão a lugares remotos - montanhas, florestas das suas dioceses - para oferecer seu serviço. Sua principal finalidade é servir e realizar uma tarefa formativa na educação, saúde e aos idosos. Não catequizam, mas se as pessoas lhes perguntam sobre Jesus e sobre a fé, compartilham sua fé. Às vezes, arriscam suas próprias vidas; às vezes, sucumbem com uma doença, em suas viagens através das selvas. É um serviço muito importante o que eles proporcionam, porque geralmente os religiosos e sacerdotes não podem visitar esses lugares.
Até que distância e quanto tempo esses jovens demoram para chegar a uma aldeia de montanha?
Irmã Verônica: Duas das nossas irmãs fizeram este serviço antes de se tornarem religiosas; sua vocação salesiana nasceu deste serviço de "zeteman". E, pelo que sei, viajavam a lugares distantes; tanto é assim que, inclusive de carro, demorava 3 dias até chegar ao seu destino, visitando com frequência aldeias muito pobres e, às vezes, sem alimento.
Irmã, você poderia nos contar um pouco sobre a sua vocação?
Irmã Verônica: Quando eu era jovem, nunca pensei em me tornar freira. Minha ambição era ser médica, para cuidar dos doentes. Tentei estudar muito, porque no meu país ser médico exige muito trabalho. Aos 10 anos, também quis estudar informática e inglês. Meu pai, naquele curso (1997-1998), conheceu as irmãs missionárias salesianas. Então ele me perguntou, depois de voltar da cidade para casa, se eu queria estudar com elas. Eu disse que sim e ele me acompanhou até o colégio.
Enquanto estava com elas, comecei a me fazer perguntas e fui testemunha da sua alegria, apesar das dificuldades. Quando eu tinha entre 17 e 18 anos, eu buscava a felicidade verdadeira na minha vida. Eu costumava me questionar por que elas estavam sempre tão felizes e eu, nem sempre; depois percebi que sua felicidade verdadeira estava em amar a Deus e servir seus próximos. Isso eu sei agora. Buscar a verdadeira felicidade me fez seguir o caminho salesiano, ter a alegria de servir e ajudar a educar essa juventude.
Agora você está estudando em Roma. O que a trouxe até aqui?
Irmã Verônica: Em primeiro lugar, a obediência à minha superiora. Pediram-me que estudasse para me preparar para a minha futura missão. Em segundo lugar, minha superiora me informou que havia recebido uma bolsa de Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), uma bolsa de 5 anos. Estou muito agradecida à AIS. Rezei por todos os que me apoiaram em meus estudos, em minha formação e sempre tento lembrar para mim mesma - e estou certa disso - que, se a pessoa não sabe nada, não pode compartilhar nada. Só posso compartilhar o que aprendi. A coisa mais importante que poderei compartilhar quando voltar é o amor de Deus, mais valioso que qualquer outra coisa, e temos muita necessidade dele.
Você voltará a Mianmar, não é mesmo? Irmã, qual é sua esperança para a Igreja em Mianmar?
Irmã Verônica: Tenho muitas esperanças. Vejo um futuro muito bom para a Igreja Católica em Mianmar. Sobretudo porque há um aumento no número de jovens que são muito generosos. O outro fato é que a Igreja Católica é muito conhecida pela sua caridade e por estar muito perto dos pobres. Queremos continuar com esta força e com este mandamento: alegria, pobreza e serviço aos pobres. Também acredito na graça de Deus. Deus está trabalhando em e através de nós, com nossa dedicação aos fiéis. Cresceremos.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Rejeição à miséria: Bento XVI incentiva compromisso de ATD Quarto Mundo
Por ocasião do Dia Mundial de Rejeição à Miséria, comemorado no dia 17 de outubro, o Papa dirigiu uma mensagem de apoio ao delegado do movimento internacional ATD Quarto Mundo na Itália e na Santa Sé, Jean Tonglet.
Na mensagem, transmitida pelo secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, o Papa disse "associar-se de coração a esta comemoração" e incentivou "todas as pessoas comprometidas no mundo na luta contra as múltiplas formas de pobreza".
Neste ano, o Papa mencionou concretamente "as famílias, os jovens e as crianças do Haiti, duramente provados".
Por sua vez, Dom Enrico dal Covolo celebrou a Missa de 16 de outubro em homenagem a todas as vítimas da miséria em São João de Latrão, de maneira antecipada ao dia 17, devido às canonizações do dia seguinte.
O Dia Mundial de Rejeição à Miséria foi adotado pela ONU a pedido do fundador de ADT Quarto Mundo, Pe. Joseph Wrésinki, atualmente em processo de beatificação.
Em 15 de outubro do Ano Santo de 2000, o cardeal Roger Etchegaray inaugurou, em nome de João Paulo II, uma placa, réplica da do Tribunal dos Direitos Humanos de Trocadéro, em Paris, no átrio da Basílica de Latrão.
A "placa em homenagem às vítimas da miséria" foi selada em Paris, no dia 17 de outubro de 1987, com estas palavras: "No dia 17 de outubro de 1987, defensores dos direitos humanos e dos cidadãos de todos os países se reuniram neste átrio. Prestaram homenagem às vítimas da fome, da ignorância e da violência. Afirmaram sua convicção de que a miséria não é uma fatalidade inevitável. Onde os homens são condenados a viver na miséria, os direitos humanos são violados. Unir-se para fazer que sejam respeitados é um dever sagrado. Padre Joseph Wresinski".
E 5 anos depois, em 1992, as Nações Unidas reconheceram oficialmente o dia 17 de outubro como "Dia Mundial de Rejeição à Miséria".
Um dos objetivos do Dia da Rejeição à Miséria é dar a palavra aos pobres, escutar o que eles têm a dizer, não só no que se refere à pobreza e à maneira de combatê-la, mas também sobre a paz, a justiça, o futuro do mundo e as sociedades.
No último dia 19, o bispo de Soissons, Laon e Saint-Quentin, Dom Hervé Giraud, inaugurou uma placa similar no átrio da catedral de Soissons.
Fonte: Zenit.
Na mensagem, transmitida pelo secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, o Papa disse "associar-se de coração a esta comemoração" e incentivou "todas as pessoas comprometidas no mundo na luta contra as múltiplas formas de pobreza".
Neste ano, o Papa mencionou concretamente "as famílias, os jovens e as crianças do Haiti, duramente provados".
Por sua vez, Dom Enrico dal Covolo celebrou a Missa de 16 de outubro em homenagem a todas as vítimas da miséria em São João de Latrão, de maneira antecipada ao dia 17, devido às canonizações do dia seguinte.
O Dia Mundial de Rejeição à Miséria foi adotado pela ONU a pedido do fundador de ADT Quarto Mundo, Pe. Joseph Wrésinki, atualmente em processo de beatificação.
Em 15 de outubro do Ano Santo de 2000, o cardeal Roger Etchegaray inaugurou, em nome de João Paulo II, uma placa, réplica da do Tribunal dos Direitos Humanos de Trocadéro, em Paris, no átrio da Basílica de Latrão.
A "placa em homenagem às vítimas da miséria" foi selada em Paris, no dia 17 de outubro de 1987, com estas palavras: "No dia 17 de outubro de 1987, defensores dos direitos humanos e dos cidadãos de todos os países se reuniram neste átrio. Prestaram homenagem às vítimas da fome, da ignorância e da violência. Afirmaram sua convicção de que a miséria não é uma fatalidade inevitável. Onde os homens são condenados a viver na miséria, os direitos humanos são violados. Unir-se para fazer que sejam respeitados é um dever sagrado. Padre Joseph Wresinski".
E 5 anos depois, em 1992, as Nações Unidas reconheceram oficialmente o dia 17 de outubro como "Dia Mundial de Rejeição à Miséria".
Um dos objetivos do Dia da Rejeição à Miséria é dar a palavra aos pobres, escutar o que eles têm a dizer, não só no que se refere à pobreza e à maneira de combatê-la, mas também sobre a paz, a justiça, o futuro do mundo e as sociedades.
No último dia 19, o bispo de Soissons, Laon e Saint-Quentin, Dom Hervé Giraud, inaugurou uma placa similar no átrio da catedral de Soissons.
Fonte: Zenit.
Cardeal Eleito fala sobre igreja no Oriente Médio
Entre os participantes da assembleia para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos há um padre sinodal egípcio que forma parte dos 24 novos cardeais nomeados pelo Papa Bento XVI.
Trata-se de Sua Beatitude Antonios Naguib, Patriarca da Alexandria dos Coptas no Egito. Em março de 2006, ele foi eleito patriarca. É também presidente da Conferência Episcopal deste país.
O prelado participou nessa quarta-feira de um encontro com os jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé, após as intervenções da manhã na assembleia sinodal.
Não estigmatizar os muçulmanos
Sua Beatitude Antonio Naguib advertiu dos perigos da islamofobia, quando se compara o islamismo com o terrorismo: "Quantos muçulmanos existem no mundo?", perguntou. Ele mesmo respondeu: 1,2 bilhão.
"Se dissermos que 10% são terroristas, teríamos 120 milhões". E concluiu: "se houvesse 120 milhões de terroristas no mundo, não haveria nenhuma forma de vida".
"Essa é a mensagem", disse. "Sabemos que a questão pode ser resolvida, que é possível encontrar pontes, reunir ideias, ajudar a amadurecer, combater. É algo factível".
O Oriente Médio - acrescenta - sofreu "dias negros, quando os cristãos eram perseguidos e refugiavam-se nos países muçulmanos próximos", pois ambos credos viveram juntos por 14 séculos. "Vivemos bem, somos próximos dos muçulmanos".
Neste sentido, Sua Beatitude Naguib garantiu, a respeito dos resultados do sínodo: "não sei se os fiéis sentirão diretamente que o sínodo resolve seus problemas. Essa é nossa tarefa".
Em busca da paz
Diante da pergunta de um jornalista sobre o tráfico de armas entre Oriente e Ocidente, Sua Beatitude Antonios Naguib garantiu: "Se o mundo guardasse por mês o que gasta em armas, poderia combater em um dia a pobreza no mundo".
"Com a suficiência econômica, diminuiria este sentido de raiva, de querer vingar-se de todo mundo sem razão", pontualizou.
Contudo, disse que não acreditava que nas conclusões do sínodo estaria incluso este ponto: "A Igreja não tem um papel político. É preferencialmente um papel pastoral".
Celibato
Um dos jornalistas perguntou sobre o tema dos sacerdotes casados, pelo fato do Código do Direito Canônico Oriental fazer uma excessão e permitir a homens que contraíram o matrimônio ordenarem-se sacerdotes.
Esta excessão acontece nas igrejas de ritos orientais que inicialmente estavam separadas de Roma e que recuperaram sua plena união com a Santa Sé, pelo motivo de permitir manter esta disciplina. "A Igreja latina lutou pelo celibato, eu respeito as instruções da Igreja latina", disse o patriarca.
O futuro cardeal garantiu que o fato de admitir ou não sacerdotes casados no rito latino "não resolverá o problema das vocações e não resolverá o bom ou mau comportamento do sacerdote". E disse que o mais importante é levar com coerência e fidelidade a disciplina com a qual se vive a própria vocação.
Por último, e referindo-se novamente à situação da Igreja no Oriente Médio, o patriarca copta destacou a importância do valor da oração pela Igreja neste lugar do planeta, a qual nos "ajuda a levar adiante nossa missão na terra que o Senhor nos confiou".
Fonte: Zenit.
Trata-se de Sua Beatitude Antonios Naguib, Patriarca da Alexandria dos Coptas no Egito. Em março de 2006, ele foi eleito patriarca. É também presidente da Conferência Episcopal deste país.
O prelado participou nessa quarta-feira de um encontro com os jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé, após as intervenções da manhã na assembleia sinodal.
Não estigmatizar os muçulmanos
Sua Beatitude Antonio Naguib advertiu dos perigos da islamofobia, quando se compara o islamismo com o terrorismo: "Quantos muçulmanos existem no mundo?", perguntou. Ele mesmo respondeu: 1,2 bilhão.
"Se dissermos que 10% são terroristas, teríamos 120 milhões". E concluiu: "se houvesse 120 milhões de terroristas no mundo, não haveria nenhuma forma de vida".
"Essa é a mensagem", disse. "Sabemos que a questão pode ser resolvida, que é possível encontrar pontes, reunir ideias, ajudar a amadurecer, combater. É algo factível".
O Oriente Médio - acrescenta - sofreu "dias negros, quando os cristãos eram perseguidos e refugiavam-se nos países muçulmanos próximos", pois ambos credos viveram juntos por 14 séculos. "Vivemos bem, somos próximos dos muçulmanos".
Neste sentido, Sua Beatitude Naguib garantiu, a respeito dos resultados do sínodo: "não sei se os fiéis sentirão diretamente que o sínodo resolve seus problemas. Essa é nossa tarefa".
Em busca da paz
Diante da pergunta de um jornalista sobre o tráfico de armas entre Oriente e Ocidente, Sua Beatitude Antonios Naguib garantiu: "Se o mundo guardasse por mês o que gasta em armas, poderia combater em um dia a pobreza no mundo".
"Com a suficiência econômica, diminuiria este sentido de raiva, de querer vingar-se de todo mundo sem razão", pontualizou.
Contudo, disse que não acreditava que nas conclusões do sínodo estaria incluso este ponto: "A Igreja não tem um papel político. É preferencialmente um papel pastoral".
Celibato
Um dos jornalistas perguntou sobre o tema dos sacerdotes casados, pelo fato do Código do Direito Canônico Oriental fazer uma excessão e permitir a homens que contraíram o matrimônio ordenarem-se sacerdotes.
Esta excessão acontece nas igrejas de ritos orientais que inicialmente estavam separadas de Roma e que recuperaram sua plena união com a Santa Sé, pelo motivo de permitir manter esta disciplina. "A Igreja latina lutou pelo celibato, eu respeito as instruções da Igreja latina", disse o patriarca.
O futuro cardeal garantiu que o fato de admitir ou não sacerdotes casados no rito latino "não resolverá o problema das vocações e não resolverá o bom ou mau comportamento do sacerdote". E disse que o mais importante é levar com coerência e fidelidade a disciplina com a qual se vive a própria vocação.
Por último, e referindo-se novamente à situação da Igreja no Oriente Médio, o patriarca copta destacou a importância do valor da oração pela Igreja neste lugar do planeta, a qual nos "ajuda a levar adiante nossa missão na terra que o Senhor nos confiou".
Fonte: Zenit.
Papa encerra Sínodo convidando à paz e à comunhão
Nunca podemos nos resignar diante da falta de paz, apesar das dificuldades: esta foi a mensagem de Bento XVI durante a Missa solene de encerramento da Assembleia do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio, celebrada no Altar da Confissão, com 177 padres sinodais e 69 colaboradores concelebrantes.
Durante a homilia, o Pontífice quis lançar uma mensagem de apoio aos cristãos do Oriente Médio, "que se encontram em situações difíceis, às vezes muito duras, tanto pelos problemas materiais como pelo desânimo, pelo estado de tensão e pelo medo".
No entanto, Bento XVI sublinhou a importância de que os cristãos dessa região assumam um papel protagonista na busca da paz, superando o medo e as dificuldades.
Estes cristãos, sublinhou, "ainda que poucos em número, são portadores da Boa Nova do amor de Deus pelo homem, amor que se revelou precisamente na Terra Santa, na pessoa de Jesus Cristo".
O Papa também destacou a importância da experiência de comunhão vivida durante as duas semanas de duração do Sínodo.
Em especial, referiu-se às Celebrações Eucarísticas realizadas cada dia, "assim como na Liturgia das Horas, realizada cada manhã em um dos 7 ritos católicos do Oriente Médio".
Isso serviu, afirmou, para valorizar "a riqueza litúrgica, espiritual e teológica das Igrejas Orientais Católicas, além da Igreja Latina".
Neste sentido, expressou seu desejo de que "esta experiência positiva se repita também nas respectivas comunidades do Oriente Médio, favorecendo a participação dos fiéis nas celebrações litúrgicas dos demais ritos católicos e, portanto, a abertura à dimensão da Igreja universal".
Em sua homilia, o Pontífice também anunciou a convocação da próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em 2012, sobre o tema "Nova evangelizatio ad christianam fidem tradendam - A nova evangelização para a transmissão da fé cristã".
"Durante os trabalhos da Assembleia - afirmou o Papa - se sublinhou frequentemente a necessidade de voltar a propor o Evangelho às pessoas que o conhecem pouco ou que inclusive se afastaram da Igreja."
"Muitas vezes - prosseguiu - se evocou a urgente necessidade de uma evangelização também para o Oriente Médio. Trata-se de um tema muito difundido, sobretudo nos países de antiga cristianização."
E acrescentou: "Também a recente criação do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização responde a esta profunda exigência".
O Papa encerrou sua homilia desejando "que a experiência destes dias vos garanta que não estais sozinhos jamais, que vos acompanham sempre a Santa Sé e toda a Igreja, a qual, nascida em Jerusalém, estendeu-se pelo Oriente Médio e depois pelo mundo inteiro".
Fonte: Zenit.
Durante a homilia, o Pontífice quis lançar uma mensagem de apoio aos cristãos do Oriente Médio, "que se encontram em situações difíceis, às vezes muito duras, tanto pelos problemas materiais como pelo desânimo, pelo estado de tensão e pelo medo".
No entanto, Bento XVI sublinhou a importância de que os cristãos dessa região assumam um papel protagonista na busca da paz, superando o medo e as dificuldades.
Estes cristãos, sublinhou, "ainda que poucos em número, são portadores da Boa Nova do amor de Deus pelo homem, amor que se revelou precisamente na Terra Santa, na pessoa de Jesus Cristo".
O Papa também destacou a importância da experiência de comunhão vivida durante as duas semanas de duração do Sínodo.
Em especial, referiu-se às Celebrações Eucarísticas realizadas cada dia, "assim como na Liturgia das Horas, realizada cada manhã em um dos 7 ritos católicos do Oriente Médio".
Isso serviu, afirmou, para valorizar "a riqueza litúrgica, espiritual e teológica das Igrejas Orientais Católicas, além da Igreja Latina".
Neste sentido, expressou seu desejo de que "esta experiência positiva se repita também nas respectivas comunidades do Oriente Médio, favorecendo a participação dos fiéis nas celebrações litúrgicas dos demais ritos católicos e, portanto, a abertura à dimensão da Igreja universal".
Em sua homilia, o Pontífice também anunciou a convocação da próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em 2012, sobre o tema "Nova evangelizatio ad christianam fidem tradendam - A nova evangelização para a transmissão da fé cristã".
"Durante os trabalhos da Assembleia - afirmou o Papa - se sublinhou frequentemente a necessidade de voltar a propor o Evangelho às pessoas que o conhecem pouco ou que inclusive se afastaram da Igreja."
"Muitas vezes - prosseguiu - se evocou a urgente necessidade de uma evangelização também para o Oriente Médio. Trata-se de um tema muito difundido, sobretudo nos países de antiga cristianização."
E acrescentou: "Também a recente criação do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização responde a esta profunda exigência".
O Papa encerrou sua homilia desejando "que a experiência destes dias vos garanta que não estais sozinhos jamais, que vos acompanham sempre a Santa Sé e toda a Igreja, a qual, nascida em Jerusalém, estendeu-se pelo Oriente Médio e depois pelo mundo inteiro".
Fonte: Zenit.
Papa insiste na importância da comunhão eclesial
O Papa Bento XVI sublinhou hoje, durante a introdução à oração do Ângelus na Praça de São Pedro, que "a comunhão é imprescindível para a evangelização".
Neste sentido, fez referência aos dois acontecimentos eclesiais deste domingo: o encerramento do Sínodo e a celebração do Dia Mundial das Missões (DOMUND).
O Sínodo teve como tema "A Igreja Católica no Oriente Médio: comunhão e testemunho", enquanto o DOMUND teve como tema "A construção da comunhão eclesial é a chave da missão".
"Chama a atenção a similitude entre os temas destes dois acontecimentos eclesiais. Ambos convidam a conceber a Igreja como mistério de comunhão que, por sua natureza, está destinado a todo homem e a todos os homens."
Sínodo 2012
Como fez na homilia da Missa de encerramento do Sínodo, o Papa anunciou a realização da próxima Assembleia, que neste caso será de todos os bispos, daqui a 2 anos, sobre o tema da nova evangelização.
Evocando a Evangelii Nuntiandi de Paulo VI, Bento XVI recordou que "a Igreja existe para evangelizar, isto é, para pregar e ensinar, ser canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, memorial da sua morte e ressurreição gloriosa".
"Por isso, a próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em 2012, será dedicada ao tema 'A nova evangelização para a transmissão da fé cristã'."
O dever missionário "não é revolucionar o mundo, mas transfigurá-lo", afirmou o Papa.
"Em todo tempo e em todo lugar - também hoje no Oriente Médio - a Igreja está presente e age para acolher todo homem e oferecer-lhe em Cristo a plenitude da vida", acrescentou.
"A Nossa Senhora, que de Jesus Crucificado recebeu a nova missão de ser Mãe de todos aqueles que querem crer n'Ele e segui-lo, confiamos as comunidades cristãs do Oriente Médio e todos os missionários do Evangelho", concluiu.
Fonte: Zenit.
Neste sentido, fez referência aos dois acontecimentos eclesiais deste domingo: o encerramento do Sínodo e a celebração do Dia Mundial das Missões (DOMUND).
O Sínodo teve como tema "A Igreja Católica no Oriente Médio: comunhão e testemunho", enquanto o DOMUND teve como tema "A construção da comunhão eclesial é a chave da missão".
"Chama a atenção a similitude entre os temas destes dois acontecimentos eclesiais. Ambos convidam a conceber a Igreja como mistério de comunhão que, por sua natureza, está destinado a todo homem e a todos os homens."
Sínodo 2012
Como fez na homilia da Missa de encerramento do Sínodo, o Papa anunciou a realização da próxima Assembleia, que neste caso será de todos os bispos, daqui a 2 anos, sobre o tema da nova evangelização.
Evocando a Evangelii Nuntiandi de Paulo VI, Bento XVI recordou que "a Igreja existe para evangelizar, isto é, para pregar e ensinar, ser canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, memorial da sua morte e ressurreição gloriosa".
"Por isso, a próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em 2012, será dedicada ao tema 'A nova evangelização para a transmissão da fé cristã'."
O dever missionário "não é revolucionar o mundo, mas transfigurá-lo", afirmou o Papa.
"Em todo tempo e em todo lugar - também hoje no Oriente Médio - a Igreja está presente e age para acolher todo homem e oferecer-lhe em Cristo a plenitude da vida", acrescentou.
"A Nossa Senhora, que de Jesus Crucificado recebeu a nova missão de ser Mãe de todos aqueles que querem crer n'Ele e segui-lo, confiamos as comunidades cristãs do Oriente Médio e todos os missionários do Evangelho", concluiu.
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Material da CF 2011 é apresentado à imprensa
Durante uma coletiva de imprensa, na sede da Conferência Nacional dos bispos do Brasil (CNBB), na tarde desta quinta-feira, 21, foi apresentado o material da Campanha da Fraternidade de 2011 (CF), um dos temas que esteve na pauta da reunião do Conselho Permanente da CNBB, que terminou hoje às 17h. O Secretário Geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, apresentou o tema da Campanha, “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema “A criação geme como em dores de parto”.
“A Campanha da Fraternidade deste ano (2011), reflete a questão ecológica, com foco, sobretudo, no problema das mudanças climáticas. Ela se coloca em sintonia com uma cultura que está se expandindo cada vez mais, em todo o mundo, de respeito pelo meio ambiente e do lugar em que Deus nos coloca, não só para vivermos e convivermos, mas também para fazer deste o paraíso com o qual tanto sonhamos”, disse dom Dimas.
Questionado se a escolha do lema “A criação geme como em dores de parto” foi feita em virtude das discussões acerca do aborto que ocorre neste período eleitoral, o presidente da CNBB disse que não e explicou o processo de definição dos temas da Campanha da Fraternidade.
“Essa escolha (do tema da CF-2011) não se fez agora, no contexto das discussões do momento atual. A escolha do tema de 2012, inclusive, já foi definida. Esse processo acontece com dois anos de antecedência”, disse. “O tema Fraternidade e vida no planeta inclui a questão do aborto, mas não se esgota nisso”, acrescentou o arcebispo.
O secretário Executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, presenteou os jornalistas com um texto-base da Campanha, documento que aprofundada o tema proposto. “O objetivo da campanha é de contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participarem dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”, declarou o padre.
A Campanha da Fraternidade terá início na Quarta-feira de Cinzas, 9 de março de 2011, e se estende por toda a Quaresma. A partir deste mês de outubro, as lideranças das comunidades eclesiais estudam os materiais da CF preparando-se para a realização da Campanha na Quaresma.
Fonte: CNBB
“A Campanha da Fraternidade deste ano (2011), reflete a questão ecológica, com foco, sobretudo, no problema das mudanças climáticas. Ela se coloca em sintonia com uma cultura que está se expandindo cada vez mais, em todo o mundo, de respeito pelo meio ambiente e do lugar em que Deus nos coloca, não só para vivermos e convivermos, mas também para fazer deste o paraíso com o qual tanto sonhamos”, disse dom Dimas.
Questionado se a escolha do lema “A criação geme como em dores de parto” foi feita em virtude das discussões acerca do aborto que ocorre neste período eleitoral, o presidente da CNBB disse que não e explicou o processo de definição dos temas da Campanha da Fraternidade.
“Essa escolha (do tema da CF-2011) não se fez agora, no contexto das discussões do momento atual. A escolha do tema de 2012, inclusive, já foi definida. Esse processo acontece com dois anos de antecedência”, disse. “O tema Fraternidade e vida no planeta inclui a questão do aborto, mas não se esgota nisso”, acrescentou o arcebispo.
O secretário Executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, presenteou os jornalistas com um texto-base da Campanha, documento que aprofundada o tema proposto. “O objetivo da campanha é de contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participarem dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”, declarou o padre.
A Campanha da Fraternidade terá início na Quarta-feira de Cinzas, 9 de março de 2011, e se estende por toda a Quaresma. A partir deste mês de outubro, as lideranças das comunidades eclesiais estudam os materiais da CF preparando-se para a realização da Campanha na Quaresma.
Fonte: CNBB
As artes “contemporâneas”
Frequentemente a arte contemporânea aparece veiculada por linguagens especializadas e configurações de sistemas fechados que não delineiam panoramas e nem abrem horizontes, mas focalizam um particular, muitas vezes a fim de torná-lo único. Às vezes, o ponto de vista de tais composições é abertamente "militante", ou movido pelo interesse de determinado grupo ou movimento artístico.
No entanto, cada posição ideológica é fechada a uma análise objetiva da realidade, capaz de restaurar a complexidade e variedade das estradas traçadas por todas as infinitas correntes artísticas que animaram o mundo da arte, na contemporaneidade.
Impõe-se, de fato, de colocar no plural o termo “arte”, diante da proliferação de disciplinas e movimentos, para evitar reduzir a arte a uma só expressão. Todavia, as artes são tais porque tem uma relação com a arte em geral. Suspendamos, por agora, de percorrer esta longa estrada da relação entre arte e artes, e reflitamos pelo momento sobre o termo “contemporâneo”, procurando analisá-lo e compreendê-lo.
O temo “contemporâneo” não pode, por sua natureza, ser um atributo distintivo, capaz de definir uma determinada corrente, mas se trata de um termo que deve constituir uma referência temporal, dentro de um contexto. Muitas vezes, porém, o qualificativo "contemporâneo" aparece como uma marca atribuída a certas correntes, com exclusão prejudicial de qualquer expressão que não entre nos confins traçados por uma específica teoria da arte "contemporânea", constituindo, quase pelo negativo, a categoria de "arte não-contemporânea", ou anacrônica.
Mas o termo deve, mais corretamente, indicar simplesmente uma noção de tempo. De um ponto de vista histórico, é equivocado definir como "arte contemporânea" obras dos anos 50 do século passado, quando seria mais apropriado chamá-las pelo nome do movimento a qual pertenciam, ou a disciplina a que pertencem, pintura, escultura ou qualquer outra coisa.
Se poderia argumentar que agora o termo contemporâneo é requisitado para indicar um determinado período histórico; mas isso estaria fora da semântica do termo, limitando a referência a um período histórico exclusivo, e gerando, em contrapartida, noções muito ambíguas como "pós-contemporâneo", que pode definir o sentimento do fim da contemporaneidade como categoria crítica, mas não esgota o termo no sentido temporal.
O prefixo "pós" também está carregada de significados. Isso parece indicar a constatação de uma crise, de encerramento, com sentimentos de insucesso, fracasso, ou pode significar uma época de imitadores incapazes de se distanciar dos mestres. Em cada caso, parece que um certo período histórico constitui um ponto de referência: aquilo que é primeiro é “pré” e o que vem depois, “pós” contemporâneo. Parece justificável tal posição, fora de uma certa militância crítica? De resto, é historicamente natural que depois de um momento de “vanguarda” siga um período de normalização; como depois dos movimentos de conquista militar e depois da superação de uma fronteira, segue uma fase antropologicamente recorrente de normalização e de regras, estabelecidas pelos que trabalharam no confim conquistado para tê-lo definitivamente dentro da nação que conquistou. No entanto, se nessa fase não se criam as próprias regras, assiste-se ao desmoronamento do território tão duramente conquistado.
Se demos um nome para muitos movimentos do século XX, que não são mais contemporâneos a nós, vemos um caminho para recuperar ao termo sua vitalidade semântica.
De fato, se se atribui à "contemporaneidade" uma só determinada corrente artística, condenam-se todas as outras a uma situação de anti-historicidade, o que também contradiz as tendências libertárias próprias da chamada "contemporaneidade" do século XX. Além disso, nem os críticos nem os historiadores podem reivindicar o poder de patentear o "contemporâneo" para alguns e excluir outros, sem justificar os critérios.
Todas as teorias da arte produzidas do fim do século XIX até hoje têm reclamado o sagrado direito de autodeterminação do artista, mas, ao mesmo tempo que essas ideias ganharam importância, têm de fato causado um genocídio mediático e cultural de todas as teorias artísticas percebidas como adversárias. E isso é lentamente inserido no imaginário popular, de modo que todos os dias e em áreas não-especialista se vê hoje usar o termo "contemporâneo" como uma espécie de fronteira racial entre as disciplinas.
Tudo que é anicônico, ou não tradicional na forma, no conteúdo ou no material é considerado “contemporâneo”. O resto, sobretudo o figurativo, é classificado como “não contemporâneo”.
Trata-se de um absurdo cronológico, além de lógico, ao qual é fácil ceder, e constitui uma espécie de abertura de um caminho que, de equívoco em equívoco, leva a uma confusão de gêneros, disciplinas, técnicas, à construção de limites intransponíveis, até a incapacidade de ver e julgar com a própria faculdade.
Por exemplo, uma análise serena do que está acontecendo no mundo da arte deve sinalizar uma vitalidade incrível de expressões artísticas caracterizadas como não contemporâneas. Na pintura, na classificação genérica de “figurativa”, assistimos a uma explosão de vitalidade de movimentos e correntes que estão animando o âmbito dessa disciplina em todo o mundo: da Ucrânia aos EUA, do Japão à Itália, da Inglaterra à China... Trata-se de experiências que, com motivações, teorias e finalidades diversas, representam todos os cinco continentes, e não se pode não ter isso em conta.
Além disso, diversas academias do mundo há quase uma década recomeçaram a estudar em detalhes Michelangelo e todo o Renascimento. Mas por outro lado, na Itália existem projetos para remover a disciplina "Anatomia Artística" dos currículos das Academias de Arte. E tudo isso é ignorado por muitas revistas especializadas, museus de arte contemporânea, por críticos e pela mídia.
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* Rodolfo Papa é historiador da arte, professor de história das teorias estéticas na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma; presidente da Accademia Urbana delle Arti. Pintor, autor de ciclos pictóricos de arte sacra em várias basílicas e catedrais. Especialista em Leonardo Da Vinci e Caravaggio, é autor de livros e colaborar de revistas. Desde 2000, assina uma coluna de história da arte cristã na Rádio Vaticano.
No entanto, cada posição ideológica é fechada a uma análise objetiva da realidade, capaz de restaurar a complexidade e variedade das estradas traçadas por todas as infinitas correntes artísticas que animaram o mundo da arte, na contemporaneidade.
Impõe-se, de fato, de colocar no plural o termo “arte”, diante da proliferação de disciplinas e movimentos, para evitar reduzir a arte a uma só expressão. Todavia, as artes são tais porque tem uma relação com a arte em geral. Suspendamos, por agora, de percorrer esta longa estrada da relação entre arte e artes, e reflitamos pelo momento sobre o termo “contemporâneo”, procurando analisá-lo e compreendê-lo.
O temo “contemporâneo” não pode, por sua natureza, ser um atributo distintivo, capaz de definir uma determinada corrente, mas se trata de um termo que deve constituir uma referência temporal, dentro de um contexto. Muitas vezes, porém, o qualificativo "contemporâneo" aparece como uma marca atribuída a certas correntes, com exclusão prejudicial de qualquer expressão que não entre nos confins traçados por uma específica teoria da arte "contemporânea", constituindo, quase pelo negativo, a categoria de "arte não-contemporânea", ou anacrônica.
Mas o termo deve, mais corretamente, indicar simplesmente uma noção de tempo. De um ponto de vista histórico, é equivocado definir como "arte contemporânea" obras dos anos 50 do século passado, quando seria mais apropriado chamá-las pelo nome do movimento a qual pertenciam, ou a disciplina a que pertencem, pintura, escultura ou qualquer outra coisa.
Se poderia argumentar que agora o termo contemporâneo é requisitado para indicar um determinado período histórico; mas isso estaria fora da semântica do termo, limitando a referência a um período histórico exclusivo, e gerando, em contrapartida, noções muito ambíguas como "pós-contemporâneo", que pode definir o sentimento do fim da contemporaneidade como categoria crítica, mas não esgota o termo no sentido temporal.
O prefixo "pós" também está carregada de significados. Isso parece indicar a constatação de uma crise, de encerramento, com sentimentos de insucesso, fracasso, ou pode significar uma época de imitadores incapazes de se distanciar dos mestres. Em cada caso, parece que um certo período histórico constitui um ponto de referência: aquilo que é primeiro é “pré” e o que vem depois, “pós” contemporâneo. Parece justificável tal posição, fora de uma certa militância crítica? De resto, é historicamente natural que depois de um momento de “vanguarda” siga um período de normalização; como depois dos movimentos de conquista militar e depois da superação de uma fronteira, segue uma fase antropologicamente recorrente de normalização e de regras, estabelecidas pelos que trabalharam no confim conquistado para tê-lo definitivamente dentro da nação que conquistou. No entanto, se nessa fase não se criam as próprias regras, assiste-se ao desmoronamento do território tão duramente conquistado.
Se demos um nome para muitos movimentos do século XX, que não são mais contemporâneos a nós, vemos um caminho para recuperar ao termo sua vitalidade semântica.
De fato, se se atribui à "contemporaneidade" uma só determinada corrente artística, condenam-se todas as outras a uma situação de anti-historicidade, o que também contradiz as tendências libertárias próprias da chamada "contemporaneidade" do século XX. Além disso, nem os críticos nem os historiadores podem reivindicar o poder de patentear o "contemporâneo" para alguns e excluir outros, sem justificar os critérios.
Todas as teorias da arte produzidas do fim do século XIX até hoje têm reclamado o sagrado direito de autodeterminação do artista, mas, ao mesmo tempo que essas ideias ganharam importância, têm de fato causado um genocídio mediático e cultural de todas as teorias artísticas percebidas como adversárias. E isso é lentamente inserido no imaginário popular, de modo que todos os dias e em áreas não-especialista se vê hoje usar o termo "contemporâneo" como uma espécie de fronteira racial entre as disciplinas.
Tudo que é anicônico, ou não tradicional na forma, no conteúdo ou no material é considerado “contemporâneo”. O resto, sobretudo o figurativo, é classificado como “não contemporâneo”.
Trata-se de um absurdo cronológico, além de lógico, ao qual é fácil ceder, e constitui uma espécie de abertura de um caminho que, de equívoco em equívoco, leva a uma confusão de gêneros, disciplinas, técnicas, à construção de limites intransponíveis, até a incapacidade de ver e julgar com a própria faculdade.
Por exemplo, uma análise serena do que está acontecendo no mundo da arte deve sinalizar uma vitalidade incrível de expressões artísticas caracterizadas como não contemporâneas. Na pintura, na classificação genérica de “figurativa”, assistimos a uma explosão de vitalidade de movimentos e correntes que estão animando o âmbito dessa disciplina em todo o mundo: da Ucrânia aos EUA, do Japão à Itália, da Inglaterra à China... Trata-se de experiências que, com motivações, teorias e finalidades diversas, representam todos os cinco continentes, e não se pode não ter isso em conta.
Além disso, diversas academias do mundo há quase uma década recomeçaram a estudar em detalhes Michelangelo e todo o Renascimento. Mas por outro lado, na Itália existem projetos para remover a disciplina "Anatomia Artística" dos currículos das Academias de Arte. E tudo isso é ignorado por muitas revistas especializadas, museus de arte contemporânea, por críticos e pela mídia.
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* Rodolfo Papa é historiador da arte, professor de história das teorias estéticas na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma; presidente da Accademia Urbana delle Arti. Pintor, autor de ciclos pictóricos de arte sacra em várias basílicas e catedrais. Especialista em Leonardo Da Vinci e Caravaggio, é autor de livros e colaborar de revistas. Desde 2000, assina uma coluna de história da arte cristã na Rádio Vaticano.
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