sexta-feira, 21 de março de 2014

Tripé da Quaresma: ascese, amor cristão e a oração

O substantivo amor e o verbo amar estão muito desgastados nos nossos dias, especialmente a partir da chamada “revolução sexual” dos anos 60 do século XX. Daí a importância de deixarmos claro que, na língua grega, há três termos para designar amor: éros, philia e ágape.
Éros ficou conhecido como um tipo de amor concupiscente ou meramente sentimental e carnal. É, neste sentido, o erotismo prática comum numa sociedade que perdeu quase por completo seus referenciais éticos fundados especialmente na Lei Natural Moral, ou seja, na Lei do Criador escrita na natureza para guiar o ser humano nesta vida em demanda do céu, nossa morada definitiva.
A partir dessa definição, escreve o Papa Bento XVI que “O éros degradado a puro ‘sexo’ torna-se mercadoria, torna-se, simplesmente, uma ‘coisa’ que se pode comprar e vender; antes, o próprio ser humano torna-se mercadoria” (Encíclica Deus Caritas est n. 5). Ora, essa mercantilização do corpo é prostituição, uma das fontes do tráfico humano denunciado, enfaticamente, pela Campanha da Fraternidade deste ano.
Philia, por sua vez, recorda o amor de amizade, de benevolência, capaz de despertar a reciprocidade do outro. Já é um grande avanço em relação ao éros, mas, mesmo assim – salvo a exceção feita no Evangelho de São João para caracterizar o amor entre Cristo e seus discípulos – ainda não atinge o píncaro do amor cristão como a grande novidade que Nosso Senhor veio ensinar e praticar. Afinal, é fácil amar quem nos ama, tão fácil que também os pagãos fazem isso (cf. Mt 5, 46-47).
Todavia, a grande novidade do Cristianismo é o ágape. Este é o amor fraterno, serviçal, desinteressado, que se dirige diretamente àquele que amamos sem esperar nada em troca. Aqui está o auge, o clímax, o cume do amor. Com esses pressupostos, vai a Bíblia nos afirmar que Deus é amor (1Jo 4,8). E mais: Ele é o amor que nos amou primeiro a ponto de enviar o seu próprio Filho para morrer por nós (1Jo 4,10) quando ainda éramos pecadores (cf. Ef 2, 1-10).
Daí ao comentar a passagem do Evangelho na qual o Senhor Jesus recomenda o amor incondicional – “Quem procura salvaguardar a vida, perdê-la-á, e quem a perder, conservá-la-á” (Lc 17,33) – o Papa Bento reflete do seguinte modo: “Assim descreve Jesus o seu caminho pessoal, que o conduz, através da cruz, à ressurreição: o caminho do grão de trigo que cai na terra e morre e, desse modo, dá muito fruto. Partindo do centro de seu sacrifício pessoal e do amor que aí alcança a sua plenitude, ele, com tais palavras, descreve, também, a essência do amor e da existência humana em geral” (idem n. 6).
Antes de concluirmos nossa reflexão, importa fazer, com Bento XVI, um importante esclarecimento quanto ao éros e ao ágape: “no fundo, o ‘amor’ é uma única realidade, embora com distintas dimensões; caso a caso, pode uma ou outra dimensão sobressair mais. Mas quando as duas dimensões [éros e ágape] se separam completamente uma da outra, surge uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva de amor” (ibidem n. 8).
Por fim, Bento XVI demonstra que o verdadeiro sentido do ágape “Consiste, precisamente, no fato de que eu amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou nem conheço sequer”, mas, a partir de um encontro íntimo com o Senhor, “aprendo a ver aquela pessoa já não somente com meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo”. Contudo, se me falta esse contato íntimo com Deus, vejo o outro sempre como estranho, contento-me apenas em ser “piedoso” e “cumprir meus deveres religiosos” sem se importar com o meu irmão. Nesse caso, trata-se de uma relação “correta” ou legalista com Deus, mas sem amor. Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus” (ibidem n. 18).
Peçamos, pois, ao Divino Espírito Santo, nosso Mestre Interior, que nos mostre a forma mais acertada de praticarmos, no dia a dia, a caridade, que, junto com a penitência e a oração, é tão recordada pela Mãe Igreja no tempo quaresmal.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Pobres, família e jovens: os objetivos do papa Francisco

A Pontifícia Comissão para a América Latina realizou nesta terça-feira uma conferência no auditório São Pio X, a poucas quadras do Vaticano. Durante o evento, seu presidente, o cardeal Marc Ouellet, apontou as três preocupações principais do papa Francisco em seu primeiro ano de pontificado: os pobres, as famílias e os jovens. Foi um encontro para homenagear e também para reiterar ao Santo Padre o próprio compromisso.
O cardeal canadense focou em alguns aspectos da exortação apostólica Evangelii Gaudium, sublinhando a amplitude de visão do papa, que assombrou "e inquietou certos ambientes que o acusaram de marxismo", quando o pontífice considera, na verdade, que "só Cristo pode responder aos desafios da pobreza e da injustiça".
No tocante à família, que será nada menos que o tema central do próximo sínodo dos bispos, o cardeal Ouellet mostrou a sua confiança na "capacidade do papa de escutar, decidir e renovar". Francisco “saberá discernir os meios adequados para relançar a pastoral não só da família, mas toda a pastoral da Igreja”.
Quanto à terceira prioridade, os jovens, o cardeal assegurou que o Santo Padre se ambientou no mundo em que eles vivem, tal como é demostrado pelo sucesso do perfil do papa no Twitter: ali, "a rede de seguidores do papa retransmite e multiplica a sua mensagem apostólica".
Além disso, declarou o cardeal, o papa se adapta à linguagem dos jovens, fazendo entender que Jesus não é uma ideia, um sonho ou um ídolo virtual, mas sim "uma pessoa real, com quem se pode viver uma amizade que muda a vida".
O cardeal Ouellet também ressaltou a capacidade do Santo Padre de combinar a ideia conciliar do povo de Deus que peregrina por este mundo com a imagem da Santa Mãe Igreja, hierárquica e mariana. Uma eclesiologia que se compromete a "servir em espírito de humildade, de misericórdia e de compaixão". Com as surpresas do primeiro ano de pontificado, o papa despertou toda a Igreja para fazer com que ela se levante e saia às ruas em missão.
Durante o encontro, também tomou a palavra o professor Guzmán Carriquiry, secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, que falou sobre o contexto específico dessa região do planeta e destacou que a eleição do papa Francisco interpela de maneira direta a comunidade do continente americano.
Como já tinha sido enfatizado pelo documento de Aparecida, o Santo Padre chama aos fiéis a serem "bons samaritanos", a se voltarem para os excluídos, para aqueles que vivem na marginalização, na escravidão, mas também para aqueles que são vítimas "dos ídolos do dinheiro, do poder, do prazer efêmero", observou Carriquiry.
O professor uruguaio considera que os fiéis da América Latina são chamados a ser "protagonistas da caridade política" e devem trabalhar em parceria com todos os homens de boa vontade, "a fim de transformar as estruturas sociais e econômicas, as atividades políticas e as leis que atentam contra a dignidade humana", levando sempre em consideração "o bem comum da sociedade".
São muitos os desafios que aguardam os cristãos da América Latina, enfatizou o secretário da comissão. Eles devem apontar para "uma revolução educativa e para um investimento em capital humano, para uma reconstrução do tecido social e familiar, para uma política séria de infraestruturas materiais, energéticas e financeiras", bem como "para um investimento destinado a dar valor agregado à nossa riqueza natural e um desenvolvimento econômico com equidade e melhor distribuição da renda e dos benefícios".
Mas não podem ser esquecidos, entre os desafios do presente e do futuro, "a luta contra a pobreza, que não deve se reduzir ao assistencialismo, e a coexistência pacífica, que se contraponha à violência", em especial no caso do narcotráfico e da distribuição das drogas. Em essência, concluiu Guzmán Carriquiry, é necessário "um caminho rumo a um amadurecimento democrático maior", para se possibilitar "um salto qualitativo no processo de integração" entre os países e povos da América do Sul.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 19 de março de 2014

O hipócrita se disfarça de santo



A quaresma é um tempo para "arrumar a própria vida" e "para se aproximar de Deus", destacou o papa Francisco na homilia da missa desta manhã na Casa Santa Marta. O Santo Padre alertou para o risco de nos sentirmos "melhores do que os outros": os hipócritas "se maquiam de bons" e não entendem que "ninguém é justo por si mesmo", que todos "temos a necessidade de ser justificados".
Conversão: o pontífice começou o sermão destacando que esta é a palavra-chave da quaresma, um tempo favorável "para nos aproximarmos" de Jesus. E, comentando a primeira leitura, do livro de Isaías, ele disse que nosso Senhor chama à conversão duas "cidades pecadoras", Sodoma e Gomorra, demostrando que todos "temos que mudar de vida". A quaresma é um tempo para "arrumar a vida" nos aproximando de nosso Senhor. Ele "nos quer perto de si" e nos garante que "nos espera para nos perdoar", mas quer "uma aproximação sincera" e nos avisa do perigo da hipocrisia.
"O que os hipócritas fazem? Eles se maquiam, se maquiam de bonzinhos: fazem cara de propaganda, rezam olhando para o céu, se mostram, se consideram mais justos do que os outros, desprezam os outros. ‘Mas eu sou muito católico’, dizem eles, ‘porque o meu tio foi um grande benfeitor, a minha família é esta e eu sou... eu aprendi... eu conheci tal bispo, tal cardeal, tal padre... Eu sou...'. Eles se consideram melhores do que os outros. Esta é a hipocrisia. Nosso Senhor nos diz: 'Não, isso não'. Ninguém é justo por si mesmo. Todos nós temos a necessidade de ser justificados. E o único que nos justifica é Jesus Cristo".
Por isso, prosseguiu, temos que nos aproximar do Senhor "para não ser cristãos disfarçados, que, por trás das aparências, na realidade, não são cristãos". Como, então, não ser hipócritas e aproximar-se de Deus? A resposta vem do próprio Deus na primeira leitura: "Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos o mal das vossas ações, deixai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem". Este é o convite. Mas Francisco pergunta: "Qual é o sinal de que estamos no bom caminho?".
"'Socorrei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva’. Ocupar-se do próximo: do doente, do pobre, de quem tem necessidade, do ignorante. Os hipócritas não sabem fazer isto, não podem, porque são tão cheios de si que estão cegos para olhar para os outros. Quando caminhamos um pouco e nos aproximamos de nosso Senhor, a luz do Senhor nos faz ver essas coisas e a ajudar os nossos irmãos. Este é o sinal, este é o sinal da conversão”.
"Isto não é toda a conversão", já que a conversão "é o encontro com Jesus Cristo", mas "o sinal de que estamos com Cristo é este: atender os nossos irmãos, os mais pobres, os doentes, como nosso Senhor nos ensina" e como lemos no capítulo 25 do evangelho de Mateus.
"A quaresma serve para arrumarmos a vida, ordená-la, mudar de vida, para nos aproximarmos do Senhor. O sinal de que estamos longe do Senhor é a hipocrisia. O hipócrita não tem necessidade do Senhor, ele se salva por si mesmo, pensa ele, e se disfarça de santo. O sinal de que nos aproximamos de nosso Senhor com a penitência, pedindo perdão, é cuidarmos dos nossos irmãos necessitados. Que nosso Senhor dê luz e valentia para todos nós: luz para conhecermos o que acontece dentro de nós e valentia para nos convertermos, para nos aproximarmos de nosso Senhor. É bonito estar perto do Senhor".

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Caminhar com Francisco




Juntos com Francisco, há um ano, estamos trilhando os caminhos missionários da Igreja pelo mundo afora. Um ano de incontáveis novidades e de muitos acontecimentos. Neste período, reacendeu uma chama que ilumina os cantos mais diferentes do mundo, especialmente o coração das pessoas. Um fenômeno de presença amorosa, simples, próxima e evangélica, que indica um percurso novo para a vida missionária da Igreja. As palavras, gestos, atitudes e encaminhamentos, no exercício do ministério de sucessor do Apóstolo Pedro, fazem do Papa Francisco um sinal que convoca todos para um novo tempo. Sua presença faz crescer no mundo a coragem e o empenho desafiador de resgatar o sempre novo tesouro da alegria do Evangelho da vida. Uma volta à fonte e um banhar-se nela, saciando a sede e lavando-se, para recompor a força que devolve serenidade misericordiosa aos olhares, alento para os pés cansados no caminhar, livra semblantes da poeira de tudo o que já ficou obsoleto.
O que está acontecendo, diante das necessidades urgentes - a recuperação de referências morais, religiosas, culturais, políticas e todas as outras carências gritantes - produz perguntas, ainda sem as respostas completas. Reacende esperanças, aguça curiosidades e prova que a força maior vem de Deus, da fidelidade a Ele. Essa lealdade desdobra-se em serviço à vida de todos, particularmente dos pobres e dos que estão nas periferias, especialmente aquelas existenciais. Ao celebrar este primeiro ano de pontificado, a Igreja é desafiada a trilhar as direções indicadas pelo Papa Francisco, conclamando todos para um projeto novo, de Igreja e humanidade. Para se efetivar, esse projeto depende daqueles que o testemunham, seguindo o exemplo do Papa, com vigor espiritual e simplicidade evangélica, que capacita intuições corajosas e criativas. Percepções e discernimentos diferentes das que viabilizam artimanhas políticas ou conchavos partidários. São, na verdade, fundamentadas no amor que desconcerta e refaz, aprende e ensina, convence sobre o bem, inspira o gosto pela justiça, deixa envergonhado quem não se faz solidário.
A surpresa da escolha do nome, Francisco, inspirado pela lembrança, a mais forte, significativa e sempre transformadora de não se esquecer dos pobres, é explicada pelos gestos e palavras do Papa Bergoglio. O Santo Padre, durante peregrinação a Assis, sublinhou que ser cristão é uma relação vital com a pessoa de Jesus, revestir-se Dele e a Ele se assemelhar. No horizonte, o ensinamento inspirado em São Francisco de Assis que se fez como os últimos, os pobres, não por um amor à pobreza em si mesma, mas porque seguindo os pobres, e a eles amando, se segue e se ama a Cristo. Um princípio que implica em novos ordenamentos, faz crescer a fé autêntica, aponta o horizonte de um resgate humanitário e cultural. É, neste sentido, remédio indispensável para que a humanidade seja curada de seus graves problemas existenciais, morais e políticos. Um verdadeiro raio de luz que indica uma possibilidade aparentemente simples, até por isso com o risco de ser desconsiderada pela soberba da racionalidade contemporânea.
O Evangelho de Jesus é o ponto de partida, único e insubstituível, com sua luz simples em meio a tantas luzes, argumento de amor entre tantos argumentos. Permite cultivar um jeito de ser com validade universal no horizonte das mais diversificadas culturas contemporâneas. O Papa Francisco, conforme sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, está sinalizando para a Igreja sua renovação e fortalecimento missionário, e ao mundo contemporâneo um caminho novo para a cultura da vida e da paz, ao propor que a resposta pode ser encontrada na busca e vivência de uma fraternidade mística. Trata-se de uma fraternidade “contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano, que sabe tolerar as moléstias da convivência agarrando-se ao amor de Deus, que sabe abrir o coração ao amor divino para procurar a felicidade dos outros como a procura o seu Pai bom”. O Papa alerta, com a força do Evangelho e a leveza de seu testemunho, sobre a ferida gritante da desumanização, mostrando um caminho para mudança dos cenários catastróficos que afligem a humanidade, onde a Igreja deve estar sempre presente como servidora, casa de todos, cultivando a fidelidade ao amor pelo qual cada um será julgado. Um ano de pontificado, Ação de Graças por tudo, é motivo de alegria poder assumir o desafio de caminhar com o Papa Francisco.


Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

sexta-feira, 14 de março de 2014

É o "dinamismo do amor" o que alimenta a fé

“Nós anunciamos Cristo… Por esta razão, eu me fatigo e luto com a força de Cristo que age em mim poderosamente” (cf. Col 1, 28-29). “Eu trabalhei mais que todos eles, mas não fui eu, e sim a graça de Deus que está comigo” (1 Cor 15, 10b). São Paulo evidenciava o "dinamismo do amor", a efusão do Espírito prometida por Jesus aos apóstolos no cenáculo: “Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós” (cf At 1, 8).
A nova Evangelização requer dinamismo. Dinamismo é a vontade de sair de novo, a confiança de sair de novo, fundada não na própria habilidade, mas na fé em Deus. Dinamismo significa trabalhar com entusiasmo, com alegria, com energia real, gloriosa, com o poder do Espírito. Significa trabalhar de forma criativa, perseverante nos esforços até a realização da obra de Deus. Significa não se render diante de um "não"; não ceder nunca ao medo e às preocupações. Um dinamismo que cresce quando tudo parece opor-se à evangelização, inversamente proporcional aos problemas pelos quais passamos.
Olhemos para o dinamismo de Jesus: ele não para diante de nada; mesmo no gesto extremo do "cálice da morte", ele vai até o fim. Jesus nunca fez as coisas pela metade, não se rendeu nunca. Jesus nos deu o seu Espírito para definir uma tarefa para cada um de nós: fazer discípulos, salvar almas. E essa tarefa tem que se desenvolver de forma dinâmica. Esta é nossa missão. “Jesus respondeu: Quem põe a mão no arado e olha para trás, não é digno do Reino de Deus” (Lc 9, 62). Jesus se descontenta com o servo nervoso, preocupado, que pega o seu único talento e o esconde: “Lançai-o fora, às trevas” (Mt 25, 30).
Jesus não gosta da figueira estéril: “Cortai-a; para que desperdiçar a terra?” (cf. Lc 13, 7). É necessário trabalhar com o dinamismo de um vencedor. Desde que nos tornamos crentes, somos homens dinamizados pelo amor, que vivem uma vida diferente, mais intensa, mais plena. Em nós, vive Cristo. Não conta mais a nossa vida, mas a dele, a dele em nós, através de nós.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 13 de março de 2014

A misericórdia de Cristo salva o homem do pecado

Uma reflexão sobre o poder da misericórdia de Cristo, que salva de todo pecado o ser humano que busca a Deus, e uma consideração sobre a diferença entre a linguagem que comunica a sabedoria de Deus e a que se detém na "sabedoria do mundo". Durante os exercícios espirituais para o Papa Francisco e a Cúria Romana, na casa Divino Mestre em Ariccia, Pe. Angelo De Donatis centrou suas meditações, na tarde de ontem e hoje de manhã, nas duas questões acima citadas, conforme informações da Rádio Vaticana.
Verificou-se também que todos os participantes do retiro, primeiro fora do Vaticano, pagaram do próprio bolso a hospedagem.
Jesus não era um grande comunicador porque usava palavras “que queriam persuadir a qualquer custo", mas porque transmitia a sabedoria de Deus, única maneira de chegar ao fundo dos corações. No encontro desta manhã, Pe. Donatis propôs ao Papa e seus colegas uma reflexão sobre a linguagem e suas armadilhas. O homem de hoje, constatou, ainda está procurando a linguagem justa, a de Cristo, que não é a linguagem da força e do poder, mas da fraqueza, que todos compreendem, sobretudo, aqueles que sofrem. A linguagem da caridade com a qual Jesus comunica ao homem a grandeza de Deus e que permite ao ser humano dar testemunho de Cristo.
O amor entendido como misericórdia foi a chave de leitura da meditação proposta por Parde Donatis ontem à tarde, inspirada na passagem do Evangelho de Marcos em que a hemorroíssa é curada, simplesmente por ter tocado o manto de Jesus, colocando todas as suas esperanças no gesto. Considerada impura por sua religião -disse o pregador- a mulher derrota o mal, porque acredita plenamente em Jesus. Ainda hoje isso acontece- afirmou Donatis- quando a religião não ajuda a salvar o homem que está morrendo por um pecado. Quem salva –recordou- é Cristo, sua misericórdia, e ter fé significa ter um contato vivo com Ele. Constroem-se andaimes enormes para se chegar a Cristo, mas não se consegue alcança-Lo -continuou Pe. Donatis- talvez porque se seguem as coisas mundanas e se pensa pouco sobre o significado do Batismo, ou seja, no momento em que a Igreja nos acolheu quando estávamos mortos e nos restituiu vivos, graças ao sangue de Jesus.
Nós - concluiu o pregador dos exercícios espirituais- não fazemos nada para nos salvar, Deus faz tudo. Por isso, devemos agradecê-Lo e nos lembrar de caminhar não na frente de Cristo, mas com Ele.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Um ano atípico e a família no centro dos debates sócio-eclesiais

Além de estarmos num ano bissexto, é ano de Copa do Mundo, de Eleições presidenciais e, a nível eclesial, de envolvimento na preparação, no caminho e no acompanhamento da 3ª Assembleia extraordinária do Sínodo dos bispos! É preciso fôlego e dedicação para não perder nenhum “lance” da vida sócio-política e familiar, pois os desafios estão em toda parte! Por um lado os resultados devem ser imediatos e satisfatórios, pois em jogo estão, para os vencedores, um campeonato mundial e os cargos de representantes políticos do povo. Por outro, estes resultados não são, ou não deveriam, ser pautados pela ânsia do êxito, pela pressa em tirar conclusões baseadas talvez mais na “casuística”, como afirmou o Papa aos cardeais no consistório extraordinário sobre a família, do que no aprofundamento que gera uma “pastoral inteligente, corajosa e cheia de amor” (Papa Francisco, 20 de fevereiro de 2014).
Embora haja uma avalanche de “torcedores” e “juízes” que já queiram determinar o resultado do “jogo” ou o seu desenrolar, reza o ditado popular que “o jogo só acaba com o apito final”! Se isso é verdade para a Copa do Mundo e para as próximas Eleições, quanto mais em relação à reflexão que a Igreja faz sobre a família e a autocompreensão desta no contexto da atualidade. Não se está diante do “ganhar ou perder” ou do “vai ou racha”, mas da capacidade de adaptação da família, que, através de um processo gradual, segundo a pedagogia divina, colhe do novo e do velho e continua avançando como a forma privada e pública mais adequada de realização da pessoa e da sociedade. Mesmo o debatido discurso do Cardeal Walter Kasper, durante o consistório, aponta nesta direção.
A Comissão para a Vida e a Família da CNBB, através da Comissão Nacional da Pastoral Familiar, participou do processo de consulta iniciado pelo envio do questionário de preparação do Sínodo às Igrejas particulares, fomentando a contribuição de todos comprometidos com a causa da família em suas diversas situações. Durante este ano e no próximo, o trabalho destas Comissões será orientado a suscitar o empenho de todos no caminho de preparação para o Sínodo, e para o esforço de se colher os frutos da dedicação em desenvolver uma pastoral familiar reconhecida como necessária para a vida da Igreja, em buscar respostas aos mais diversos desafios que se apresentam às famílias na atualidade, e a estar em comunhão com os trabalhos e as conclusões da Igreja universal.
Portanto, os projetos desenvolvidos por estas comissões estarão em grande sintonia com o momento eclesial e social da atualidade. Em particular, destacam-se a Semana Nacional da Família, que já começa a ser preparada por nossas comunidades, com o auxílio do subsídio Hora da Vida[1], cujo tema é “A espiritualidade cristã na família: um casamento que dá certo”, o 4º Simpósio e 6ª Peregrinação das Famílias a Aparecida, com o tema “Família: caminhar com a luz e a sabedoria do Evangelho” e XIV Congresso Nacional da Pastoral Familiar, em São Luís-MA. Deseja-se, assim, para citar mais uma vez o Papa Francisco, pôr “em evidência o plano luminoso de Deus para a família” e ajudar “os esposos a viverem-no com alegria ao longo dos seus dias, acompanhando-os no meio de tantas dificuldades.” (20 de fevereiro de 2014).

[1] Este pode ser adquirido junto aos casais coordenadores da Pastoral Familiar, ou através da loja da Pastoral Familiar: www.lojacnpf.org.br

Fonte: Zenit.