Abriu-se no Sudão o processo cívico educativo que culminará em uma consulta decisiva para o povo sudanês. Os prognósticos dizem que, em 9 de janeiro de 2011, surgirá um novo país na África: o Sudão do Sul. A Igreja trabalha com outros grupos confessionais cristãos e com autoridades internacionais para chegar a um processo de transição limpo e pacífico.
Com sentido de responsabilidade pelo futuro, grupos de missionários e líderes católicos colaboram no plano eclesial para preparar o processo de tomada de decisões. Líderes cristãos de diferentes confissões pediram a mediação da ONU para que o referendo de 9 de janeiro seja limpo.
Em Juba, capital da região semi-autônoma do Sudão do Sul, uma iniciativa intercongregacional, algo muito comum na África, integrada por 24 religiosas e religiosos de quinze nacionalidades, trabalha em quatro dioceses do Sudão meridional: Yambio, Malakal, Wau e Juba, capital.
Este trabalho silencioso e constante da Igreja Católica orienta-se para preparar uma transição pacífica para a independência da região meridional, predominantemente cristã.
Foi um longo processo de décadas de guerra e conflitos, que culminou no acordo de 9 de janeiro de 2005, pelo que o Norte predominantemente muçulmano e as autoridades de Cartum, em sua maioria árabes, em um país habitado majoritariamente pela população negra, cederam e firmaram um pacto.
Funcionários da ONU garantem que haverá representantes em cada condado do Sudão do Sul com a finalidade dar continuidade ao referendo eleitoral sobre a independência.
Tentativa de assassinato
Enquanto isso, todos se perguntam quem tentou matar no dia 10 de outubro o cardeal Gabriel Zubeir Wako, arcebispo de Cartum.
Durante a celebração da eucaristia, e diante de cerca de 10 mil fiéis, um homem tentou apunhalar o cardeal, mas foi detido pelas pessoas.
Segundo informa Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o atentado ao purpurado estaria ligado a uma campanha de intimidação de grupos extremistas islâmicos contrários à separação da região do Sul.
Há 30 anos, havia apenas um sacerdote em Cartum. Agora passam de cem, com cerca de trinta paróquias e cem centros, onde é celebrada a Eucaristia. Dos 18 milhões de habitantes da arquidiocese, mais de 900 mil são católicos.
A Igreja local dirige o projeto “Salvar os que podem ser salvos”, com 65 escolas, mais de 33 mil alunos e em torno de mil professores. Sua finalidade é oferecer uma educação adequada para crianças refugiadas em Cartum e procedentes do sul do país.
A Igreja Católica se fortalece também no norte, num contexto difícil, predominantemente muçulmano e governado por autoridades desta religião. Tanto no norte como no sul, os missionários católicos trabalham por um processo limpo, transparente e de tomada de responsabilidades por parte da cidadania.
Fonte: Zenit.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Migração e diálogo ecumênico: desafios da Igreja na Grécia
O ecumenismo em um país em que 97% da população é ortodoxa, assim como o fenômeno da imigração, são alguns dos desafios que a Igreja Católica deve enfrentar na Grécia.
Nesse país, o número de católicos representa uma pequena minoria (0,5%, ou seja, 50 mil fiéis entre cerca de 11 milhões de habitantes). Quase todos pertencem ao rito romano; cerca de 2.500 pertencem ao rito bizantino; e há algumas centenas de fiéis pertencentes ao rito armênio.
Dom Dimitrios Salachas, exarca apostólico para os católicos de rito bizantino residentes na Grécia, que atende muitos católicos de comunidades da diáspora, provenientes da igreja do Oriente, foi convidado para participar na Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que terminou no domingo.
Dom Salachas é doutor em leis bizantinas eclesiásticas e consultor da Congregação para as Igrejas Orientais e do Conselho Pontifício para Interpretação de textos legislativos. Também é membro da sociedade internacional do código de direito canônico oriental. O prelado falou na quinta-feira passada com os jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé.
Migração
O exarca lançou um apelo à paz no Oriente Médio e exortou os cristãos a permanecerem firmes "até o martírio e não migrar para outros lugares".
Também referiu-se ao tema da imigração na Grécia, de vários países do Oriente Médio: "Eles não vêm por turismo ou curiosidade - explicou. As pessoas vêm para encontrar um destino e para buscar sobrevivência".
Em seguida, falou da ação social das igrejas, tanto católica como ortodoxa, neste sentido: "São muitos os voluntários que nos ajudam para a assistência social e jurídica", disse o prelado que dirige em seu país um hospital católico.
Diálogo Ecumênico
O prelado referiu-se também ao tema do diálogo ecumênico com a Igreja Ortodoxa, cuja sede principal encontra-se na cidade de Atenas. "Não podemos dizer que á um ecumenismo a nível de hierarquias", admitiu.
Explicou que o ecumenismo se dá especialmente "no âmbito da caridade e do trabalho social". E disse que em certos pontos sobre este tema "há uma grande rigidez".
Recordou ainda a visita de João Paulo II à Grécia, em maio de 2001, quando pediu a unidade com os ortodoxos. Foi a primeira visita de um pontífice desde o Cisma do Oriente, em 1054.
Nessa viagem, João Paulo II pronunciou o histórico "minha culpa" pelas agressões dos católicos contra seus irmãos cristãos ortodoxos.
"Vós conheceis as dificuldades que ele teve para ir à Grécia", disse. Contudo, João Paulo II "teve uma impressão muito positiva, em apenas 24 horas", destacou.
"Esse idoso pontífice, em sua doença, ganhou nosso coração, e desapareceram séculos de veneno - recordou o prelado. Os preconceitos históricos desapareceram."
O exarca apostólico para católicos de rito bizantino residentes na Grécia disse aos jornalistas que, uma vez finalizado o Sínodo, "contaremos para nossos fiéis o que dissemos e o compromisso que assumimos de melhorar a situação".
"Para que os cristãos possam viver com tranquilidade, dar testemunho aos irmãos muçulmanos, fortes na Palavra", completou.
Fonte: Zenit.
Nesse país, o número de católicos representa uma pequena minoria (0,5%, ou seja, 50 mil fiéis entre cerca de 11 milhões de habitantes). Quase todos pertencem ao rito romano; cerca de 2.500 pertencem ao rito bizantino; e há algumas centenas de fiéis pertencentes ao rito armênio.
Dom Dimitrios Salachas, exarca apostólico para os católicos de rito bizantino residentes na Grécia, que atende muitos católicos de comunidades da diáspora, provenientes da igreja do Oriente, foi convidado para participar na Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que terminou no domingo.
Dom Salachas é doutor em leis bizantinas eclesiásticas e consultor da Congregação para as Igrejas Orientais e do Conselho Pontifício para Interpretação de textos legislativos. Também é membro da sociedade internacional do código de direito canônico oriental. O prelado falou na quinta-feira passada com os jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé.
Migração
O exarca lançou um apelo à paz no Oriente Médio e exortou os cristãos a permanecerem firmes "até o martírio e não migrar para outros lugares".
Também referiu-se ao tema da imigração na Grécia, de vários países do Oriente Médio: "Eles não vêm por turismo ou curiosidade - explicou. As pessoas vêm para encontrar um destino e para buscar sobrevivência".
Em seguida, falou da ação social das igrejas, tanto católica como ortodoxa, neste sentido: "São muitos os voluntários que nos ajudam para a assistência social e jurídica", disse o prelado que dirige em seu país um hospital católico.
Diálogo Ecumênico
O prelado referiu-se também ao tema do diálogo ecumênico com a Igreja Ortodoxa, cuja sede principal encontra-se na cidade de Atenas. "Não podemos dizer que á um ecumenismo a nível de hierarquias", admitiu.
Explicou que o ecumenismo se dá especialmente "no âmbito da caridade e do trabalho social". E disse que em certos pontos sobre este tema "há uma grande rigidez".
Recordou ainda a visita de João Paulo II à Grécia, em maio de 2001, quando pediu a unidade com os ortodoxos. Foi a primeira visita de um pontífice desde o Cisma do Oriente, em 1054.
Nessa viagem, João Paulo II pronunciou o histórico "minha culpa" pelas agressões dos católicos contra seus irmãos cristãos ortodoxos.
"Vós conheceis as dificuldades que ele teve para ir à Grécia", disse. Contudo, João Paulo II "teve uma impressão muito positiva, em apenas 24 horas", destacou.
"Esse idoso pontífice, em sua doença, ganhou nosso coração, e desapareceram séculos de veneno - recordou o prelado. Os preconceitos históricos desapareceram."
O exarca apostólico para católicos de rito bizantino residentes na Grécia disse aos jornalistas que, uma vez finalizado o Sínodo, "contaremos para nossos fiéis o que dissemos e o compromisso que assumimos de melhorar a situação".
"Para que os cristãos possam viver com tranquilidade, dar testemunho aos irmãos muçulmanos, fortes na Palavra", completou.
Fonte: Zenit.
Emigração de cristãos do Oriente Médio, catástrofe para Islã
A emigração cristã do Oriente Médio é um drama para os próprios muçulmanos da região.
É o que reconhece nesta entrevista a ZENIT Muhammad al-Sammak, conselheiro político e religioso do mufti da República do Líbano, enviado especial à assembleia do Sínodo dos Bispos, evento encerrado pelo Papa nesse domingo.
Al-Sammak recordou nessa reunião episcopal que há um documento, com frequência esquecido, que ratifica o dever religioso de todo muçulmano de ser protetor dos cristãos e de seus lugares de culto "até o dia da ressurreição".
Isso que o senhor afirma representa a opinião de todos os muçulmanos sunitas no Oriente Médio ou só de uma parte?
Muhammad al-Sammak: Minha posição, exposta na intervenção sinodal, representa a doutrina islâmica, e sou um muçulmanos comprometido, seja falando no Vaticano ou em Meca. O que disse é fiel ao ensinamento islâmico, e não creio que um verdadeiro muçulmano crente possa se afastar dessa posição. Portanto, antes de preparar este discurso, fiz uma série de consultas com o primeiro ministro libanês, com a Associação Mundial da Dawa Islâmica, assim como com o conselho geral da iniciativa do rei Abdallah para o diálogo entre as culturas e as religiões, dado que a Arábia Saudita é a primeira referência no mundo islâmico. Por este motivo, creio que o texto expressa o parecer do mundo islâmico em geral.
Em seu discurso ao sínodo, o senhor afirmou: "facilitar a emigração dos cristãos significa obrigá-los a emigrar.
Muhammad al-Sammak: Está claro que o texto de minha intervenção é um convite não só a alentar os cristãos a permanecer em seus países de origem, mas também a ajudá-los a alcançar este objetivo. E a ajuda não só deveria proceder de instituições como o Vaticano ou o Sínodo dos Bispos. Deveria vir também das autoridades políticas locais e das sociedade civis em que eles formam parte. Há uma responsabilidade comum islâmico-cristã. A meu ver, os cristãos deveriam renunciar à ideia de emigrar do Oriente Médio. Por outro lado, os muçulmanos deveriam se dar conta de que a emigração cristã constitui verdadeiramente uma catástrofe em primeiro lugar para eles. Portanto, é um dever cívico dos muçulmanos oferecer sua contribuição para que a presença cristã no Oriente Médio volte a ser o que foi com o passar dos séculos: berço da religião, da cultura e da civilização.
Que posição os cristãos devem tomar como presença social e política no Líbano, perante as divisões internas no Islã entre sunitas e xiitas?
Muhammad al-Sammak: Os cristãos no Líbano não são meros espectadores, nem um elemento exterior para a reconciliação dos elementos internos à estrutura nacional. O Líbano, em sua origem, nasce como resposta à necessidade cristã. A constituição da nação libanesa aconteceu em 1920, como resposta a essa necessidade particular. O papel dos cristãos no Líbano não se pode reduzir à reconciliação entre as forças políticas ou religiosas. O papel cristão é fundador e essencial. Não é possível, portanto, imaginar que os cristãos sejam espectadores ou conselheiros passivos. A nação os afeta em cada uma de suas dimensões. Temos de deixar bem claro que grande parte do sofrimento cristão no Oriente Médio deve-se à diminuição do papel cristão no Líbano, que se reflete negativamente no espírito dos cristãos do resto da região. Favorecer a presença cristã no Oriente Médio deve começar necessariamente pelo Líbano, que é a nação-mensagem da convivência civil entre muçulmanos e cristãos.
Há visões no Islã do Oriente Médio que veem nos cristãos um legado das cruzadas, a quem se deve eliminar...
Muhammad al-Sammak: Este tema exige uma longa explicação, que não é possível no momento. Mas comecemos com os dados históricos. O Cristianismo é mais antigo que o Islã no Oriente. Há igrejas que ainda estão em pé e que foram construídas muito antes do profeta Maomé e da chegada do Islã. Basta citar um episódio, documentado, que narra a visita ao profeta por parte de uma tribo cristã em Najran, na península arábica. Os enviados chegaram para descobrir a nova religião. O profeta os acolheu em sua casa, que é o segundo lugar mais sagrado do Islã, onde hoje é a mesquita de Medina. Ele estiveram com o profeta durante todo um dia, comendo juntos, e quando chegou a hora da véspera, o profeta os convidou para rezar em sua casa, mas eles preferiram rezar fora. O resultado do encontro foi um documento chamado "o pacto de Najran". Este afeta todos os muçulmanos e os compromete religiosamente até o dia da ressurreição. O dever dos muçulmanos é respeitar os cristãos e proteger e tutelar seus lugares de culto. O pacto proíbe o muçulmano de construir uma casa ou mesquita com pedras utilizadas precedentemente em igrejas cristãs. Há outros temas interessantes que incluí em um estudo de quinze pontos que todo muçulmano deve levar em conta. Portanto, quando alguém diz que os cristãos são um acréscimo, algo novo no Oriente Médio, eu pergunto: como podem ser, se sua religião é mais antiga que a dos muçulmanos, como o documentam os próprios escritos sagrados da tradição islâmica?
Diz-se que os cristãos no Oriente Médio são uma herança das Cruzadas. Como podem ser, se eles mesmo foram vítimas dessas cruzadas, começando pelo saque de Constantinopla ou pelas costas ocidentais do Mediterrâneo. Essas afirmações de facções do Islã não são mais que suposições baseadas em dados errados. Ademais, há outro problema: alguns muçulmanos veem o Ocidente como se se tratasse da cristandade. Isso não é verdade. Sei muito bem que o falecido Papa João Paulo II invocou com tenacidade as raízes cristãs da Europa na constituição unificada da União Europeia. Mas o texto final se redigiu sem a mínima referência a essas raízes. Portanto, não é justo lança a culpa no Cristianismo pelas opções do Ocidente. Esses problemas não são conhecidos por muitos muçulmanos, que chegam a conclusões erradas baseando-se em pressupostos equivocados. Por isso, é fundamental difundir uma cultura correta para corrigir esses preconceitos.
Que os senhores têm feito para evitar a emigração cristã?
Muhammad al-Sammak: Na medida de nossas possibilidades, tentamos sensibilizar os muçulmanos sobre a grave perda que há com a emigração dos cristãos do Oriente Médio. Por causa desse êxodo, o Oriente Médio perde sua identidade, sua pluralidade, o espírito de tolerância e de respeito recíproco. Inclusive no âmbito da prática religiosa, o muçulmano precisa do cristão, para praticar os valores morais de sua fé, como a tolerância e o respeito. Portanto, a emigração é um dano para o tecido do Oriente, debilitando nossas sociedades e levando-as a um perigoso precipício.
Ademais, se os cristãos emigram, a imagem que transmitimos é que os muçulmanos são intolerantes com os cristãos no Oriente Médio. Para os ocidentais, seria normal deduzir que os muçulmanos não sabem e não podem conviver com os demais e, portanto, como podem conviver conosco? Isso se refletiria de maneira sumamente negativa nos 500 milhões de muçulmanos que vivem em sociedades que não são muçulmanas. Qual seria seu destino? Portanto, é uma vantagem para os muçulmanos preservar a presença cristã no Oriente Médio.
É possível dogmaticamente para uma religião como o Islã, que se considera "religião de Estado" (D īn wa dunya), aceitar a ideia de nação civil e pluralista?
Muhammad al-Sammak: Essa não é uma questão nova para o Islã. No Líbano, o falecido imame Mohammad Shams el-Din tinha proposto em sua época o projeto de Estado civil, quer dizer, a ideia de uma nação crente, na qual o Estado respeite a pluralidade dos credos, assim como a não-crença. A fé, de fato, é uma questão de consciência, é a relação entre Deus e o homem, e Deus julga cada um. O Alcorão diz: "não há que obrigar ninguém a crer", "não pode haver fé com coerção". Baseando-nos neste princípio, podemos construir o conceito de Estado civil. O Estado deve respeitar a religião, os ritos religiosos, convertendo-se ao mesmo tempo em uma nação para todos. Disso já se falou em muitos encontros muçulmanos, de modo que é uma questão sobre a qual se pode discutir.
Que avaliação faz do diálogo inter-religioso?
Muhammad al-Sammak: Primeiramente, não há alternativa ao diálogo. Quando alguém diz: "o diálogo é inútil", eu pergunto: "qual é a alternativa?" Este é um ponto fundamental. Dialogar é a arte de encontrar a verdadeira opinião do outro. Eu não possuo a verdade. O fato de começar a dialogar com o outro significa que eu confesso que não tenho o monopólio da verdade, mas que estou em sua busca. Significa também que poderia encontrá-la na opinião ou na visão do outro. Por isso, respeito o outro e respeito sua visão. Este conceito de diálogo estende pontes de reciprocidade, distinguindo-se do respeito mútuo.
Para nós, o diálogo não é só algo teórico. Não desperdiçamos nenhuma oportunidade de chegar às pessoas, através de centros culturais, publicações, transmissões de televisão, entrevistas, encontros. Organizamos também encontros em que reunimos jovens muçulmanos e cristãos, trabalhando juntos, escutando-nos uns aos outros, vendo como cada um reza e como vive sua vida e sua fé. Nestes encontros temáticos tocamos temas muito atuais, como a liberdade de consciência, os direitos de cidadania, a liberdade religiosa. Mas tudo isso não é suficiente. O trabalho deve ser mais amplo, mas isso é o que podemos fazer e cremos que é urgente difundir esta cultura em todos os setores da sociedade.
Por Tony Assaf e Robert Cheaib.
É o que reconhece nesta entrevista a ZENIT Muhammad al-Sammak, conselheiro político e religioso do mufti da República do Líbano, enviado especial à assembleia do Sínodo dos Bispos, evento encerrado pelo Papa nesse domingo.
Al-Sammak recordou nessa reunião episcopal que há um documento, com frequência esquecido, que ratifica o dever religioso de todo muçulmano de ser protetor dos cristãos e de seus lugares de culto "até o dia da ressurreição".
Isso que o senhor afirma representa a opinião de todos os muçulmanos sunitas no Oriente Médio ou só de uma parte?
Muhammad al-Sammak: Minha posição, exposta na intervenção sinodal, representa a doutrina islâmica, e sou um muçulmanos comprometido, seja falando no Vaticano ou em Meca. O que disse é fiel ao ensinamento islâmico, e não creio que um verdadeiro muçulmano crente possa se afastar dessa posição. Portanto, antes de preparar este discurso, fiz uma série de consultas com o primeiro ministro libanês, com a Associação Mundial da Dawa Islâmica, assim como com o conselho geral da iniciativa do rei Abdallah para o diálogo entre as culturas e as religiões, dado que a Arábia Saudita é a primeira referência no mundo islâmico. Por este motivo, creio que o texto expressa o parecer do mundo islâmico em geral.
Em seu discurso ao sínodo, o senhor afirmou: "facilitar a emigração dos cristãos significa obrigá-los a emigrar.
Muhammad al-Sammak: Está claro que o texto de minha intervenção é um convite não só a alentar os cristãos a permanecer em seus países de origem, mas também a ajudá-los a alcançar este objetivo. E a ajuda não só deveria proceder de instituições como o Vaticano ou o Sínodo dos Bispos. Deveria vir também das autoridades políticas locais e das sociedade civis em que eles formam parte. Há uma responsabilidade comum islâmico-cristã. A meu ver, os cristãos deveriam renunciar à ideia de emigrar do Oriente Médio. Por outro lado, os muçulmanos deveriam se dar conta de que a emigração cristã constitui verdadeiramente uma catástrofe em primeiro lugar para eles. Portanto, é um dever cívico dos muçulmanos oferecer sua contribuição para que a presença cristã no Oriente Médio volte a ser o que foi com o passar dos séculos: berço da religião, da cultura e da civilização.
Que posição os cristãos devem tomar como presença social e política no Líbano, perante as divisões internas no Islã entre sunitas e xiitas?
Muhammad al-Sammak: Os cristãos no Líbano não são meros espectadores, nem um elemento exterior para a reconciliação dos elementos internos à estrutura nacional. O Líbano, em sua origem, nasce como resposta à necessidade cristã. A constituição da nação libanesa aconteceu em 1920, como resposta a essa necessidade particular. O papel dos cristãos no Líbano não se pode reduzir à reconciliação entre as forças políticas ou religiosas. O papel cristão é fundador e essencial. Não é possível, portanto, imaginar que os cristãos sejam espectadores ou conselheiros passivos. A nação os afeta em cada uma de suas dimensões. Temos de deixar bem claro que grande parte do sofrimento cristão no Oriente Médio deve-se à diminuição do papel cristão no Líbano, que se reflete negativamente no espírito dos cristãos do resto da região. Favorecer a presença cristã no Oriente Médio deve começar necessariamente pelo Líbano, que é a nação-mensagem da convivência civil entre muçulmanos e cristãos.
Há visões no Islã do Oriente Médio que veem nos cristãos um legado das cruzadas, a quem se deve eliminar...
Muhammad al-Sammak: Este tema exige uma longa explicação, que não é possível no momento. Mas comecemos com os dados históricos. O Cristianismo é mais antigo que o Islã no Oriente. Há igrejas que ainda estão em pé e que foram construídas muito antes do profeta Maomé e da chegada do Islã. Basta citar um episódio, documentado, que narra a visita ao profeta por parte de uma tribo cristã em Najran, na península arábica. Os enviados chegaram para descobrir a nova religião. O profeta os acolheu em sua casa, que é o segundo lugar mais sagrado do Islã, onde hoje é a mesquita de Medina. Ele estiveram com o profeta durante todo um dia, comendo juntos, e quando chegou a hora da véspera, o profeta os convidou para rezar em sua casa, mas eles preferiram rezar fora. O resultado do encontro foi um documento chamado "o pacto de Najran". Este afeta todos os muçulmanos e os compromete religiosamente até o dia da ressurreição. O dever dos muçulmanos é respeitar os cristãos e proteger e tutelar seus lugares de culto. O pacto proíbe o muçulmano de construir uma casa ou mesquita com pedras utilizadas precedentemente em igrejas cristãs. Há outros temas interessantes que incluí em um estudo de quinze pontos que todo muçulmano deve levar em conta. Portanto, quando alguém diz que os cristãos são um acréscimo, algo novo no Oriente Médio, eu pergunto: como podem ser, se sua religião é mais antiga que a dos muçulmanos, como o documentam os próprios escritos sagrados da tradição islâmica?
Diz-se que os cristãos no Oriente Médio são uma herança das Cruzadas. Como podem ser, se eles mesmo foram vítimas dessas cruzadas, começando pelo saque de Constantinopla ou pelas costas ocidentais do Mediterrâneo. Essas afirmações de facções do Islã não são mais que suposições baseadas em dados errados. Ademais, há outro problema: alguns muçulmanos veem o Ocidente como se se tratasse da cristandade. Isso não é verdade. Sei muito bem que o falecido Papa João Paulo II invocou com tenacidade as raízes cristãs da Europa na constituição unificada da União Europeia. Mas o texto final se redigiu sem a mínima referência a essas raízes. Portanto, não é justo lança a culpa no Cristianismo pelas opções do Ocidente. Esses problemas não são conhecidos por muitos muçulmanos, que chegam a conclusões erradas baseando-se em pressupostos equivocados. Por isso, é fundamental difundir uma cultura correta para corrigir esses preconceitos.
Que os senhores têm feito para evitar a emigração cristã?
Muhammad al-Sammak: Na medida de nossas possibilidades, tentamos sensibilizar os muçulmanos sobre a grave perda que há com a emigração dos cristãos do Oriente Médio. Por causa desse êxodo, o Oriente Médio perde sua identidade, sua pluralidade, o espírito de tolerância e de respeito recíproco. Inclusive no âmbito da prática religiosa, o muçulmano precisa do cristão, para praticar os valores morais de sua fé, como a tolerância e o respeito. Portanto, a emigração é um dano para o tecido do Oriente, debilitando nossas sociedades e levando-as a um perigoso precipício.
Ademais, se os cristãos emigram, a imagem que transmitimos é que os muçulmanos são intolerantes com os cristãos no Oriente Médio. Para os ocidentais, seria normal deduzir que os muçulmanos não sabem e não podem conviver com os demais e, portanto, como podem conviver conosco? Isso se refletiria de maneira sumamente negativa nos 500 milhões de muçulmanos que vivem em sociedades que não são muçulmanas. Qual seria seu destino? Portanto, é uma vantagem para os muçulmanos preservar a presença cristã no Oriente Médio.
É possível dogmaticamente para uma religião como o Islã, que se considera "religião de Estado" (D īn wa dunya), aceitar a ideia de nação civil e pluralista?
Muhammad al-Sammak: Essa não é uma questão nova para o Islã. No Líbano, o falecido imame Mohammad Shams el-Din tinha proposto em sua época o projeto de Estado civil, quer dizer, a ideia de uma nação crente, na qual o Estado respeite a pluralidade dos credos, assim como a não-crença. A fé, de fato, é uma questão de consciência, é a relação entre Deus e o homem, e Deus julga cada um. O Alcorão diz: "não há que obrigar ninguém a crer", "não pode haver fé com coerção". Baseando-nos neste princípio, podemos construir o conceito de Estado civil. O Estado deve respeitar a religião, os ritos religiosos, convertendo-se ao mesmo tempo em uma nação para todos. Disso já se falou em muitos encontros muçulmanos, de modo que é uma questão sobre a qual se pode discutir.
Que avaliação faz do diálogo inter-religioso?
Muhammad al-Sammak: Primeiramente, não há alternativa ao diálogo. Quando alguém diz: "o diálogo é inútil", eu pergunto: "qual é a alternativa?" Este é um ponto fundamental. Dialogar é a arte de encontrar a verdadeira opinião do outro. Eu não possuo a verdade. O fato de começar a dialogar com o outro significa que eu confesso que não tenho o monopólio da verdade, mas que estou em sua busca. Significa também que poderia encontrá-la na opinião ou na visão do outro. Por isso, respeito o outro e respeito sua visão. Este conceito de diálogo estende pontes de reciprocidade, distinguindo-se do respeito mútuo.
Para nós, o diálogo não é só algo teórico. Não desperdiçamos nenhuma oportunidade de chegar às pessoas, através de centros culturais, publicações, transmissões de televisão, entrevistas, encontros. Organizamos também encontros em que reunimos jovens muçulmanos e cristãos, trabalhando juntos, escutando-nos uns aos outros, vendo como cada um reza e como vive sua vida e sua fé. Nestes encontros temáticos tocamos temas muito atuais, como a liberdade de consciência, os direitos de cidadania, a liberdade religiosa. Mas tudo isso não é suficiente. O trabalho deve ser mais amplo, mas isso é o que podemos fazer e cremos que é urgente difundir esta cultura em todos os setores da sociedade.
Por Tony Assaf e Robert Cheaib.
Para compreender Sínodo é preciso conhecer texto da Mensagem
"Para ter uma expressão sintética das posições do Sínodo neste momento, é preciso ater-se à Mensagem, que é o único texto comum aprovado pelo Sínodo em dias passados", afirmou o Pe. Federico Lombardi, SJ, porta-voz vaticano, em resposta às declarações de um expoente do governo israelense, que acusou a assembleia de adotar posições anti-israelenses.
"Há uma grandíssima riqueza e variedade de contribuições dos padres sinodais, mas como tais, não se pode considerar cada um como a voz do Sínodo em seu conjunto. A avaliação do Sínodo em seu conjunto e das suas sessões de trabalho, em palavras do Santo Padre e segundo a opinião comum dos participantes e dos observadores é altamente positiva", afirmou o Pe. Lombardi.
O vice-ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Danny Ayalon, expressou ontem "nosso pesar pelo fato de que este importante sínodo tenha se convertido no maior fórum de ataques políticos contra Israel em toda a história da propaganda árabe". E acrescentou: "O Sínodo foi sequestrado por uma maioria anti-israelense".
As declarações do vice-ministro se referiam em particular a afirmações concedidas à imprensa no último sábado por Dom Cyrille Salim Bustros, arcebispo de Newton, nos Estados Unidos, dos greco-melquitas, presidente da comissão de redação da mensagem; o prelado afirmou que o Estado de Israel não pode utilizar a Bíblia para justificar uma política de colonização.
A "Mensagem ao Povo de Deus do Sínodo para o Oriente Médio" reconhece o sofrimento tanto de israelenses como de palestinos.
Por um lado, constata "o impacto do conflito palestino-israelense sobre toda a região, especialmente sobre o povo palestino, que sofre as consequências da ocupação israelense: a falta de liberdade de movimento, o muro de separação e as barreiras militares, os prisioneiros políticos, a demolição das casas, a perturbação da vida econômica e social e os milhares de refugiados".
Mas, por outro lado, os padres sinodais reconhecem "o sofrimento e a insegurança em que os israelenses vivem".
"Frente a tudo isso, vemos que uma paz justa e definitiva é o único meio de salvação para todos, para o bem da região e dos seus povos", afirma a Mensagem.
Os padres sinodais "interpelam a comunidade internacional, em particular a ONU, para que trabalhem, sinceramente, em uma solução que traga a paz justa e definitiva à região, mediante a aplicação das resoluções do Conselho de Segurança e tomando medidas jurídicas necessárias para acabar com a ocupação dos diferentes territórios árabes".
Fonte: Zenit.
"Há uma grandíssima riqueza e variedade de contribuições dos padres sinodais, mas como tais, não se pode considerar cada um como a voz do Sínodo em seu conjunto. A avaliação do Sínodo em seu conjunto e das suas sessões de trabalho, em palavras do Santo Padre e segundo a opinião comum dos participantes e dos observadores é altamente positiva", afirmou o Pe. Lombardi.
O vice-ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Danny Ayalon, expressou ontem "nosso pesar pelo fato de que este importante sínodo tenha se convertido no maior fórum de ataques políticos contra Israel em toda a história da propaganda árabe". E acrescentou: "O Sínodo foi sequestrado por uma maioria anti-israelense".
As declarações do vice-ministro se referiam em particular a afirmações concedidas à imprensa no último sábado por Dom Cyrille Salim Bustros, arcebispo de Newton, nos Estados Unidos, dos greco-melquitas, presidente da comissão de redação da mensagem; o prelado afirmou que o Estado de Israel não pode utilizar a Bíblia para justificar uma política de colonização.
A "Mensagem ao Povo de Deus do Sínodo para o Oriente Médio" reconhece o sofrimento tanto de israelenses como de palestinos.
Por um lado, constata "o impacto do conflito palestino-israelense sobre toda a região, especialmente sobre o povo palestino, que sofre as consequências da ocupação israelense: a falta de liberdade de movimento, o muro de separação e as barreiras militares, os prisioneiros políticos, a demolição das casas, a perturbação da vida econômica e social e os milhares de refugiados".
Mas, por outro lado, os padres sinodais reconhecem "o sofrimento e a insegurança em que os israelenses vivem".
"Frente a tudo isso, vemos que uma paz justa e definitiva é o único meio de salvação para todos, para o bem da região e dos seus povos", afirma a Mensagem.
Os padres sinodais "interpelam a comunidade internacional, em particular a ONU, para que trabalhem, sinceramente, em uma solução que traga a paz justa e definitiva à região, mediante a aplicação das resoluções do Conselho de Segurança e tomando medidas jurídicas necessárias para acabar com a ocupação dos diferentes territórios árabes".
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Resposta do Pe. Brígido ao Pe. José Augusto

Ao Revmº Srº. Pe. José Augusto
Pe. José Augusto, o senhor cometeu uma falta com a ética e com a Igreja. Somos orientados pela Igreja a não usar o Altar para fazer política e assim estamos nos procedendo, muitos que estão apoiando a Dilma.
Ninguém é obrigado a seguir o pensamento do outro, e não podemos impor o nosso pensamento. O senhor pode ter as suas idéias e concordo que as tenha, pois antes de ser Presbítero, o senhor é um cidadão, mas usar uma estrutura que é sustentada pelo povo para denegrir de forma caluniosa uma pessoa, não é correto. Vocês padres da Canção Nova muitas vezes se julgam acima de todos os padres do Brasil, se sentem superiores, são santos.
Pergunto:
Qual o contato que vocês têm com o povão? Os pobres mesmo.Nenhum, porque vocês não vão ao encontro deles, é o contrario, o povo é que vai ao encontro de vocês.
Faço um convite para vocês, venham passar um mês aqui conosco, visitando nossas comunidades carentes, andando de carro 90 km ou mais para chegar em algumas comunidades, não é asfalto. É chão mesmo, comer poeira. Os senhores não têm alergia? Aqui nós não utilizamos ainda avião para irmos visitar as nossas comunidades. Os senhores fazem viagem longa de carro?Andando pelas comunidades nós percebemos o antes e o agora. O que era no tempo do FHC e o que é hoje, e para onde podemos caminhar.Até poucos dias admirava o trabalho de vocês, mas fiquei decepcionado, quando fui chamado de covarde, de bando de aproveitadores da graça de Deus. Faço parte dos 18 mil padres do Brasil, garanto para o senhor não sou, nem serei covarde. Tenho 9 anos de Presbítero, 35 anos de idade, e tenho trabalhado para dar continuidade na obra de Cristo que é sua Igreja.Conheço vários Presbíteros que também não são covardes, padres com 60, 70, 80 anos, muitos com mais de 40 anos de ministério que doaram e continuam a doar suas vidas pela Igreja. O fato de apoiar a candidata Dilma não nos torna covardes. Padres que para Evangelizar tiveram que andar em lombos de burros, comendo poeira por essas estradas afora.O senhor já andou em lombo de burro? Esqueci, o transporte de vocês quase sempre é aéreo.Fiquei triste porque, mais uma vez, vocês estão se colocando ao lado dos poderosos, dos sangues sugas que sempre tiraram dos pobres os seus direitos:Direito a uma boa educação - há tempos, somente os de classe média entravam na faculdade, hoje temos vários jovens de classe baixa se formando;Direito a um carro;Direito a ter luz elétrica em casa;Direito a ter uma alimentação adequada, não é somente arroz e feijão;Direito a ter um meio de transporte bom, inclusive padre, andar de avião que era coisa de rico;Direito a ter férias decentes, ir para uma praia, viajar para conhecer outras realidades, outros países;Direito a ser gente!Talvez seja pecado para vocês padres da Canção Nova, os pobres terem direito a isso tudo, somente vocês e eles (sangues sugas) poderão participar dessas benesses.Nós não podemos esquecer que vocês não fazem lazer nem turismo pelo Brasil, vão sempre a Europa e Terra Santa. Quantas pessoas pobres e carentes vocês levam para conhecer esses locais? Nos seus cruzeiros marítimos há espaço para o Sr. José e a Dona Maria, casal simples que não tem condições de fazer o que vocês fazem, mas sonham um dia em fazer?Pelo amor de Deus não apaguem esse sonho, há oito anos despertamos de um pesadelo e quando começamos a pegar no sono e a sonhar vocês querem nos despertar. “O sonho que se sonha só é somente um sonho. Mas quando sonhamos juntos pode se tornar uma realidade”.Meu irmão, não se sinta acima do bem e do mal.Por que nos chamou de covardes, bispos e padres? Por que nos chamou de bando de aproveitadores da Graça de Deus? Por que alguns acreditam nas propostas da Dilma?A definição de bando segundo o Aurélio é a seguinte: 1- Grupo de pessoas ou animais, 2- As pessoas dum partido ou facção, 3- Quadrilha de malfeitores.No vídeo que assisti o senhor falou com tanta ira, que não consegui perceber em qual dos três grupos o senhor colocou alguns dos nossos Bispos e padres que apóiam a Dilma.Despeço-me em Cristo, esperando que o senhor que prega tanto sobre humildade, a tenha de fato, para se retratar com vários presbíteros e Bispos que o senhor feriu com suas palavras torpes.
Bocaiúva, 15 de outubro de 2010 *
Pe. Antônio Brígido de Lima, nascido em Corinto - MG, filho de Antônio Gomes de Lima e Francisca Louredo Lima. Atual hoje na paróquia Senhor do Bonfim, e nela transmite seu testemunho que Deus é maior!Paróquia Senhor do Bonfim de Bocaiúva- MG Tel: 38-3251-2546
Cresce interesse dos cubanos pelas publicações católicas
De acordo com um relatório da agência de notícias IPS, as publicações católicas em Cuba cresceram nos últimos anos de forma notável, apesar das restrições e do estrito controle estatal a que foram submetidas.
A contagem fala de até 46 boletins e revistas, 12 sites e 7 boletins eletrônicos que atingem quatro milhões de leitores católicos em Cuba e muitos cubanos no exílio.
"Havana é um caso notável com suas duas revistas de maior tiragem:Palabra Nueva, revista oficial da arquidiocese de Havana, e Espacio Laical, órgão do Conselho de leigos", disse o leigo Gustavo Andujar, vice-presidente de Signis, Associação Católica Mundial para a Comunicação, entrevistado pela agência IPS.
Andujar destaca que as revistas começaram a se multiplicar já nos anos mais difíceis do Período Especial, na década de noventa.
"Creio que foi também uma reação da Igreja Católica à situação de desconcerto e de falta de esperança que a população sentia. As publicações trouxeram uma palavra de esperança, de acompanhamento, porque a Igreja, forçada a se ausentar dos espaços públicos, tinha muito a dizer. E não necessariamente uma palavra de consenso rebelde", acrescentou o vice-presidente de Signis.
Para Andujar, "houve uma compreensão crescente" de que as publicações católicas "não representam um problema, nem ameaçam ninguém".
Perguntado sobre as múltiplas barreiras que a Igreja católica ainda encontra na ilha para realizar seu trabalho, Andujar afirmou que "40 anos de ateísmo estrutural não são eliminados de uma só vez".
"Mudar alguns artigos da Constituição não transforma a mentalidade de centenas de funcionários que cresceram, se formaram e desenvolveram todo seu trabalho com a intuição de que a Igreja era algo alheio e perigoso, e mais relacionado com o inimigo", destacou Gustavo Andujar.
Fonte: Zenit.
A contagem fala de até 46 boletins e revistas, 12 sites e 7 boletins eletrônicos que atingem quatro milhões de leitores católicos em Cuba e muitos cubanos no exílio.
"Havana é um caso notável com suas duas revistas de maior tiragem:Palabra Nueva, revista oficial da arquidiocese de Havana, e Espacio Laical, órgão do Conselho de leigos", disse o leigo Gustavo Andujar, vice-presidente de Signis, Associação Católica Mundial para a Comunicação, entrevistado pela agência IPS.
Andujar destaca que as revistas começaram a se multiplicar já nos anos mais difíceis do Período Especial, na década de noventa.
"Creio que foi também uma reação da Igreja Católica à situação de desconcerto e de falta de esperança que a população sentia. As publicações trouxeram uma palavra de esperança, de acompanhamento, porque a Igreja, forçada a se ausentar dos espaços públicos, tinha muito a dizer. E não necessariamente uma palavra de consenso rebelde", acrescentou o vice-presidente de Signis.
Para Andujar, "houve uma compreensão crescente" de que as publicações católicas "não representam um problema, nem ameaçam ninguém".
Perguntado sobre as múltiplas barreiras que a Igreja católica ainda encontra na ilha para realizar seu trabalho, Andujar afirmou que "40 anos de ateísmo estrutural não são eliminados de uma só vez".
"Mudar alguns artigos da Constituição não transforma a mentalidade de centenas de funcionários que cresceram, se formaram e desenvolveram todo seu trabalho com a intuição de que a Igreja era algo alheio e perigoso, e mais relacionado com o inimigo", destacou Gustavo Andujar.
Fonte: Zenit.
“Boom” dos Franciscanos do Emmanuel em Camarões
Os Franciscanos do Emannuel estão vivendo um verdadeiro "boom" em Camarões. Dos 75 membros que a ordem possui, 60 estão neste país africano.
O irmão Denis-Antoine explicou à associação caritativa Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) que a ordem, criada em Montreal (Canadá), em 1985, chegou a Camarões em 1999.
Isso ocorreu depois de um sacerdote diocesano da cidade de Nkongsamba, oeste do país, conhecer os Franciscanos do Emmanuel por meio de um jornal. Ele pediu que o ajudassem com um grupo de fiéis paroquianos que queriam viver a espiritualidade de São Francisco.
"Por pedido do bispo, chegamos e começamos a formar uma fraternidade de membros leigos", explicou o religioso.
Com o tempo, os grupos foram se estendendo, estabilizando e se multiplicando. Muitos dos jovens membros leigos pediram para se converter em frades.
"Em 2005, cheguei com um jovem irmão leigo do Canadá a Camarões para fundar a primeira casa de formação", continuou o irmão Denis-Antoine.
Com ajuda de benfeitores, os frades constituíram um convento com 18 casas e estrutura para a comunidade e sua missão. Desde então, a comunidade de Nkongsamba foi crescendo. Agora há 17 frades em formação e 8 professos. Os irmãos formam-se para se ocupar da atenção para saúde, catequese e agricultura.
Por pedido do bispo, os Franciscanos do Emmanuel também instituíram um centro espiritual que acolhe retiros e sessões de formação para grupos procedentes de todo o país.
A comunidade também tem apostolado junto aos mais pobres e está envolvida no trabalho da paróquia, na assistência aos jovens e na capelania das prisões.
"A mensagem principal que queremos deixar é que estamos aqui, presentes junto das pessoas, esperando dar-lhes este testemunho de vida do Evangelho nos passos de nosso pai, São Francisco", destacou o frade.
"Nossas fraternidades de membros leigos estão envolvidas na solidariedade com os pobres e os necessitados para melhorar suas condições", afirmou.
Fonte: Zenit.
O irmão Denis-Antoine explicou à associação caritativa Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) que a ordem, criada em Montreal (Canadá), em 1985, chegou a Camarões em 1999.
Isso ocorreu depois de um sacerdote diocesano da cidade de Nkongsamba, oeste do país, conhecer os Franciscanos do Emmanuel por meio de um jornal. Ele pediu que o ajudassem com um grupo de fiéis paroquianos que queriam viver a espiritualidade de São Francisco.
"Por pedido do bispo, chegamos e começamos a formar uma fraternidade de membros leigos", explicou o religioso.
Com o tempo, os grupos foram se estendendo, estabilizando e se multiplicando. Muitos dos jovens membros leigos pediram para se converter em frades.
"Em 2005, cheguei com um jovem irmão leigo do Canadá a Camarões para fundar a primeira casa de formação", continuou o irmão Denis-Antoine.
Com ajuda de benfeitores, os frades constituíram um convento com 18 casas e estrutura para a comunidade e sua missão. Desde então, a comunidade de Nkongsamba foi crescendo. Agora há 17 frades em formação e 8 professos. Os irmãos formam-se para se ocupar da atenção para saúde, catequese e agricultura.
Por pedido do bispo, os Franciscanos do Emmanuel também instituíram um centro espiritual que acolhe retiros e sessões de formação para grupos procedentes de todo o país.
A comunidade também tem apostolado junto aos mais pobres e está envolvida no trabalho da paróquia, na assistência aos jovens e na capelania das prisões.
"A mensagem principal que queremos deixar é que estamos aqui, presentes junto das pessoas, esperando dar-lhes este testemunho de vida do Evangelho nos passos de nosso pai, São Francisco", destacou o frade.
"Nossas fraternidades de membros leigos estão envolvidas na solidariedade com os pobres e os necessitados para melhorar suas condições", afirmou.
Fonte: Zenit.
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