terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Início de ano sangrento para os cristãos



O início de ano não foi nem um pouco pacífico para os cristãos coptas ortodoxos do Egito. Seis adolescentes foram assassinados na saída da Missa do Galo de 7 de janeiro, dia do Natal segundo o calendário copta.
Um guarda muçulmano também foi assassinado e nove pessoas feridas por atiradores que dispararam de um carro que estava em frente à igreja da Virgem Maria, na cidade de Naq Hamadi, informou a Associated Press no dia 7 de janeiro.
Após os assassinatos houve confronto entre a polícia e a multidão de manifestantes coptas. Em 13 de janeiro houve mais protestos, quando cerca de dois mil cristãos coptas se reuniram fora da Catedral de Abbasiya, a maior igreja do Egito, informava no mesmo dia a Reuters.
Segundo a reportagem, três suspeitos foram detidos depois do tiroteio. As forças de segurança detiveram 16 outros muçulmanos e 13 cristãos após os protestos de Naq Hamadi.
Em uma informação de 9 de janeiro, o arcebispo Youhannes Zakaria, bispo católico copta de Luxor, declarou à agência de notícias Fides que a situação de segurança havia melhorado, mas pedia orações dos cristãos de todo mundo.
“Houve também um encontro positivo entre líderes religiosos cristãos e muçulmanos que reafirmaram seu compromisso universal pela paz e pela reconciliação”, contava à Fides.
O arcebispo Zakaria explicou que normalmente, nas aldeias, os cristãos e os muçulmanos vivem juntos pacificamente, mas existe uma minoria extremista que está tentando prejudicar a coexistência.
Restrições
Os cristãos somam 10% da população de 78 milhões predominantemente muçulmana do Egito. Eles enfrentam dificuldades para poder praticar livremente sua fé.
Uma questão espinhosa são as conversões. Em 10 de dezembro, a Reuters publicava o caso de Ayman Raafa, um egípcio que nasceu cristão, mas quando tinha nove meses automaticamente se fez muçulmano quando seu pai se converteu ao Islã.
Agora, com 23 anos, Raafa apresentou uma batalha legal para obter reconhecimento do Estado como cristão. Ele faz parte do grupo de 40 homens que criaram uma ação judicial para que seu documento de identidade possa mostrar que eles são cristãos.
Reuters citou seu advogado, Peter El-Naggar, que declarava que os filhos dos convertidos do Islamismo normalmente não conseguem um novo documento de identidade que conste que são cristãos. Pelo contrário, afirmou, se alguém se converte ao Islã, sua identidade é alterada no prazo de 24 horas.
A liberdade de expressão é outro problema. No último 8 de novembro, Compass Direct News informava da situação de um blogueiro cristão copta do Egito que estava preso sem acusações, por mais de um ano.
Hani Nazeer, um assistente social de um institulo de Qena, Egito, é autor do blog “Karz El Hob”. Teve problemas com as autoridades quando alguns adolescentes visitaram seu blog e colocaram um link que que conduz a uma cópia de “A Cabra de Azazil em Meca”, um romance escrito sob o pseudônimo de Padre Utah. Segundo Compass News Direct, o livro é uma resposta a “Azazil” um romance de Yusuf Zidane, crítico com o cristianismo.
Em nome de Alá
Outro país onde os cristãos sofrem pressões por parte do Islã é a Malásia. Pouco depois do Natal, surgiram tensões pela utilização da palavra “Alá” nos textos cristãos para se referir a Deus.
Esse tema é ponto de conflito há muito tempo, como explicava em 17 de dezembro uma reportagem de Austrália Network News.
Em 2007, a Igreja Católica levantou um processo jurídico em nome de Catholic Herald, uma publicação semanal distribuída entre os 850 mil católicos da Malásia. Isso ocorreu pela postura do governo da Malásia, de que a palavra que usavam era exclusiva da parte dos muçulmanos.
O caso chegou às manchetes quando, com o ano novo, o Supremo Tribunal da Malásia decidiu que deveria permitir aos católicos usar o termo Alá. O veredito mantém o direito constitucional do semanário Herald da Igreja a se referir a Jesus Cristo como filho de Alá, informava o Wall Street Journal em 4 de janeiro.
O artigo também comentava que a palavra Alá é usada pelos cristãos da Malásia por séculos. Isso é comum para os cristãos nos países de idioma árabe.
O Pe. Lawrence Andrew, redator de Herald, afirmava, segundo o Wall Street Journal, que na Malásia não tem outro termo para Deus.
A matéria dizia que o Pe. Andrew havia sido advertido de uma campanha de intimidação que incluía ataques de hackers contra a página da web do semanário.
“Acreditamos que estas ações são pensadas para criar um clima de medo e que se apresente como uma ameaça à segurança nacional de maneira que se pressione o Tribunal, para que altere a sentença”, afirmava em uma declaração.
Igrejas atacadas
Nos dias sucessivos à decisão do Tribunal houve os ataques contra as igrejas cristãs na Malásia. Em 7 de janeiro a Associated Press informava que uma igreja protestante em um subúrbio da capital Kuala Lumpur fora destruída pelo fogo.
Uma matéria do mesmo dia da Reuters informava que outras duas igrejas foram atacadas. Foram lançadas bombas no complexo da igreja católica de Asunção e na igreja protestante Capela da Vida, no distrito da periferia de Petaling Jay.
Esses ataques continuaram, só que dessa vez em um colégio de monjas e uma igreja anglicana na cidade de Taiping, informava Washington Post em 9 de janeiro.
“Estamos alarmados com o aumento da violência e pedimos às autoridades que tomem providências”, dizia para Reuters o reverendo Hermen Shastri, secretário geral do Conselho das Igrejas da Malásia.
Pouco depois foram lançadas mais bombas em três igrejas, segundo uma reportagem de Associated Press de 10 de janeiro.
“Os cristãos rezam e não estão respondendo às provocações”, declarava para a Fides o arcebispo de Kuala Lumpur, a 9 de janeiro. O acerbispo Murphy Pakiam dizia: “Queremos ser uma comunidade que vive em diálogo e estender a paz pela nação”.
A 11 de janeiro, Fides informava sobre as declarações da Conferência Episcopal da Malásia: “devemos atuar em harmonia e buscar a cooperação necessária do governo e das altas autoridades religiosas para restaurar um ambiente pacífico para a sociedade da Malásia”.
Apesar de tudo, os ataques continuaram. Em 14 de janeiro, Associated Press informava que um grupo de vândalos havia pintado de vermelho a Igreja de Santa Isabel, no sul do Estado de Johor. Era a décima igreja atacada ou danificada na onda de violência depois da decisão do Tribunal. Além disso, alguns ladrões atacaram os escritórios de advogados que defendem os cristãos em sua luta pelo uso do termo Alá.
Não à violência
Em sua mensagem do Angelus de 10 de janeiro, Bento XVI condenava o uso da violência. Não mencionou nenhum país, mas demonstrou estar preocupado pela violência contra os imigrantes em outros países.
Alguns dias antes se registraram violentas manifestações entre os habitantes locais e os imigrantes africanos na cidade italiana de Rosamo, Calábria, ao sul da Itália.
“A violência não deve ser nunca, para nada, a maneira de resolver as dificuldades”, insistia o pontífice.
"O problema é essencialmente humano. Convido a contemplar o rosto do outro e descobrir que tem uma alma, uma história e uma vida: é uma pessoa e Deus o ama como me ama", concluiu o Papa. Palavras que passam despercebidas em muitos países.


Fonte: Zenit.

Paquistão: menina católica é torturada, violentada e morta

A condição de "cidadãos de segunda classe" dos cristãos que habitam o Paquistão fez mais uma vítima. Shazia Bashir, de apenas 12 anos, foi torturada, violentada e morta pelo patrão, Chaudry Muhammad Neem, um rico advogado muçulmano de Lahore, para quem trabalhava como empregada doméstica.
Segundo a agência Fides, a menina, de origem muito humilde, trabalhava há oito meses na casa de Chaudry Muhammad Neem, e recebia cerca de 1.000 rúpias por mês (cerca de 12 dólares americanos).
Milhares de pessoas comparecem ao funeral de Shazia Bashir em Lahore, entre as quais bispos cristãos de várias confissões, que enviaram mensagens de condolências e pediram orações. Diversos muçulmanos expressaram também seu afeto e solidariedade.
Os pais da vítima contaram ter sido impedidos de entrar em contato com a filha durante vários dias. Depois de muita insistência, a menina foi finalmente devolvida à família, com sinais evidentes de maus-tratos e tortura. Shazia Bashir foi imediantamente levada ao hospital Jinnah di Lahore, mas não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer em 22 de janeiro.
De acordo com a família, o advogado teria tentado comprar o silêncio dos pais da menina, oferecendo-lhes 20.000 rúpias (cerca de 250 dólares) para que não apresentassem a denúncia, mas eles recusaram a oferta e procuraram a polícia.
Num primeiro momento, a polícia local resistiu em registrar a ocorrência, mas acabou cedendo frente aos protestos da comunidade cristã, que sensibilizaram a opinião pública do país.
O presidente do Paquistão, Ali Zardari, determinou o pagamento de uma indenização à família de Shazia Bashir no valor de 500.000 rúpias (cerca de 6.000 dólares), enquanto o Ministro para Assuntos das Minorias, Shahbaz Batti, assegurou que “os responsáveis serão levados à justiça”.
Representantes da comunidade cristã alegam que tais abusos são comuns, especialmente contra meninas de origem pobre. A discriminação de cristãos, por parte das autoridades, cria uma atmosfera de impunidade que favorece tais crimes.
Para Francis Mehboob Sada, diretor do Christian Study Center de Rawalpindi, "os cristãos são cidadãos de segunda classe, e na prática não gozam dos mesmos direitos dos demais. Somos discriminados. Em nossa sociedade, os cristãos, especialmente os mais pobres, são submetidos à todo tipo de abuso e humilhações”.
”A polícia e as autoridades não se esforçam para nos proteger", acrescentando que frequentemente estes casos "permanecem impunes".Após a intervenção do governo federal, seis pessoas já foram presas acusadas de envolvimento no caso.

Fonte: Zenit.

Papa a cristãos: dar testemunho comum “já”

O Papa Bento XVI pediu hoje a todos os cristãos, durante sua homilia nas vésperas solenes celebradas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, que não esperem a unidade plena para dar um testemunho comum, mas que já o façam na medida do possível.
Na celebração que conclui os atos da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e que reuniu os representantes das conferências cristãs presentes em Roma, o Santo Padre pediu a cada um que desse “sua contribuição para levar a cabo os passos que conduzam à comunhão plena”.
Ainda que “não faltem, infelizmente, questões que nos separam uns dos outros e que esperamos que possam ser superadas através da oração e do diálogo – admitiu o Papa –, há um conteúdo central da mensagem de Cristo que podemos anunciar todos juntos”.
Esta mensagem é, afirmou, “a paternidade de Deus, a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte com sua cruz e ressurreição, a confiança na ação transformadora do Espírito”.
“Enquanto estamos em caminho rumo à comunhão plena, somos chamados a oferecer um testemunho comum frente aos desafios cada vez mais complexos da nossa época”, exortou.
Entre estes desafios, “a secularização e a indiferença, o relativismo e o hedonismo, os delicados temas éticos com relação ao começo e final da vida, os limites da ciência e da tecnologia, o diálogo com as demais tradições religiosas”.
Além disso, indicou que há novos campos “nos quais devemos, desde já, dar um testemunho comum”; entre eles, destacou “a proteção da criação, a promoção do bem comum e da paz, a defesa da centralidade da pessoa humana, o compromisso por vencer as misérias da nossa época, como a fome, a indigência, o analfabetismo, a desigual distribuição dos bens”.
Edimburgo
Neste sentido, recordou a “intuição fundamental” da Conferência Missionária de Edimburgo em 1910, da qual este ano se celebra o centenário, de que os cristãos não podem anunciar o Evangelho de forma convincente se estiverem divididos.
A conferência, afirmou o Papa, foi “um acontecimento determinante para o nascimento do movimento ecumênico moderno”.
É precisamente “o desejo de anunciar Cristo aos demais e de levar ao mundo sua mensagem de reconciliação que faz experimentar a contradição da divisão dos cristãos”, explicou. “Como os incrédulos poderão, de fato, acolher o anúncio do Evangelho se os cristãos, apesar de se referirem todos ao mesmo Cristo, estão em desacordo entre eles?”
“Há um século de distância, desde o acontecimento de Edimburgo, a intuição daqueles valentes precursores ainda é atualíssima”, afirmou o Papa.
“Em um mundo marcado pela indiferença religiosa e inclusive por uma crescente aversão à fé cristã, é necessária uma nova e intensa atividade de evangelização, não somente entre os povos que nunca conheceram o Evangelho, mas também naqueles em que o cristianismo se difundiu e faz parte da sua história”, acrescentou.
Recordando o recentemente clausurado Ano de São Paulo, o Papa sublinhou que o testemunho comum da fé, “naquele então, como hoje, nasce do encontro com o Ressuscitado, nutre-se da relação constante com Ele, está animado pelo amor profundo a Ele”.
“A força que promove a unidade e a missão surge do encontro fecundo e apaixonante com o Ressuscitado, como aconteceu com São Paulo no caminho de Damasco”, concluiu.
No início das vésperas, o cardeal Ealter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, havia sublinhado, neste sentido, que “ecumenismo e missão são inseparáveis; são, por assim dizer, gêmeos”.
“Como podemos levar a cabo, de maneira crível, a tarefa confiada por nosso Senhor, que é a de anunciar a unidade, a reconciliação e a paz, se os próprios cristãos não estão unidos nem reconciliados entre si?”, perguntou-se.
Neste sentido, replicou que “missão e ecumenismo são as tarefas mais importantes que o mundo atual e a cristandade devem conseguir levar adiante”.

Fonte: Zenit.

Laicidade transformada em laicismo, nova forma de hegemonia totalitária

O Cardeal-Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, considera que a manipulação do conceito de laicidade, para transformá-la em laicismo, é uma nova forma de hegemonia totalitária.
O cardeal abordou esse tema na conferência que ministrou ontem no Fórum “Pensar a Escola, preparar o futuro”, na Universidade Católica Portuguesa, evento promovido pela Comissão Episcopal da Educação Cristã.
Ao falar sobre uma escola laica num Estado laico, o cardeal recordou que a Constituição da República Portuguesa define o Estado como laico.
“Este estatuto é fruto de uma longa evolução do pensamento e da realidade da sociedade e significou, na origem, a autonomia do poder do Estado em relação a outros poderes, entre os quais o poder da Igreja, que foi real e que hoje a Igreja já não reivindica nem quer reivindicar.”
Segundo Dom José Policarpo, há um sentido positivo dessa laicidade: “o Estado não é confessional, isto é, não se identifica com nenhuma religião, mas respeita o fenômeno religioso”.
E nesse respeito “inclui-se a possibilidade de cooperação entre o Estado e as confissões religiosas, para a promoção do bem-comum da sociedade”.
Esse princípio da cooperação –segundo o purpurado– “inspira toda a Concordata celebrada entre o Estado Português e a Igreja Católica, reconhecendo, na prática, a predominância da Igreja Católica na Nação Portuguesa”.
“Mas se o Estado é laico, a sociedade não o é. E temos assistido, nos últimos tempos, a correntes de pensamento numa dupla direção”, destacou o Patriarca.
Um direção é “estender a laicidade do Estado a toda a sociedade e a todas as instituições do Estado ao serviço da comunidade, entre as quais sobressai a escola”. A outra é “o fazer derivar a justa laicidade para um laicismo, qual nova religião, que combate qualquer presença ou influência da religião na sociedade”.
“É uma nova forma de hegemonia totalitária que se disfarça com as vestes da democracia”, afirmou.
O purpurado explicou que a escola, “como instituição ao serviço da educação não pode ser laica, neste sentido, como não pode ser um espaço sagrado, na acepção religiosa do termo”.
“A escola, qualquer escola digna desse nome, não pode deixar de dar lugar, no projeto educativo, à dimensão religiosa, profundamente presente na tradição cultural portuguesa.”
Segundo Dom José Policarpo, a “guerra aos símbolos religiosos é, hoje, na Europa, um sinal preocupante”.
“Se a escola por ser do Estado, tem de ser laica nesse sentido de uma laicidade negativa, isso quer dizer que ela, embora sendo do Estado, tem de ter autonomia real de ‘projeto educativo’”, disse.
O Patriarca de Lisboa fez um convite aos profissionais das escolas que são católicos ou foram formados na tradição cultural cristã.
“Não tenham medo de comunicar, no processo educativo, a perspectiva cristã da liberdade, da busca da verdade, da generosidade no serviço do bem-comum, porque os valores cristãos são basilares numa cultura verdadeiramente humanista, e segui-los, pondo-os em prática, não significa, necessariamente, sacralizar a escola, mas servir a pessoa humana, num horizonte de beleza e de transcendência.”

Fonte: Zenit.

Igreja lança maior sondagem realizada no Oriente Médio

A preparação do Sínodo dos Bispos do Oriente Médio, que acontecerá de 10 a 24 de outubro em Roma, está permitindo que a Igreja realize a maior sondagem de caráter sócio-religioso nesta região.
A secretaria geral do Sínodo dos Bispos enviou a todas as dioceses desta área as Lineamenta (Orientações), redigidas pelos membros do Conselho Pré-Sinodal (8 patriarcas, 4 membros da Cúria Romana, assim como os presidentes das conferências episcopais da Turquia e do Irã) para especificar os temas de constituirão esta cúpula episcopal presidida por Bento XVI.
Junto aos temas, que giram em torno de “A Igreja Católica no Oriente Médio: comunhão e testemunho. ‘A multidão dos que haviam acreditado era um só coração e uma só alma’ (Atos 4, 32)”, apresentam-se, como em toda sondagem, perguntas concretas, cujas respostas servirão para redigir o Instrumentum laboris (Documento de trabalho) que marcará a agenda do sínodo.
Ao contrário de uma sondagem clássica, as perguntas enviadas – em 4 idiomas (árabe, francês, inglês e italiano) – pelo organismo que prepara o sínodo, não sugere as respostas.
Por exemplo, o capítulo dedicado à “Igreja Católica no Oriente Médio”, que acontece em um ambiente de maioria muçulmana, apresenta, entre outras, estas perguntas: “Como fazer crescer o respeito pela liberdade de religião e a liberdade de consciência?”.
O documento apresenta um dos desafios mais graves que os católicos têm através desta pergunta: “O que pode ser feito para deter ou diminuir a emigração dos cristãos do Oriente Médio?”.
Após a análise da difícil realidade política do Oriente Médio, o documento pergunta: “Nossas igrejas se preocupam por formar responsáveis cristãos, para que possam contribuir na vida social e política dos nossos países? O que eles poderiam fazer?”.
O capítulo “A comunhão eclesial” também apresenta perguntas precisas, como, por exemplo: “A atitude dos homens de Igreja diante do dinheiro apresenta problemas?”.
A parte dedicada ao “Testemunho cristão” faz perguntas básicas, mas decisivas para o futuro da Igreja no Oriente Médio, como: “A catequese prepara nossos jovens para compreender e viver a fé?”, “Você acha que a liturgia deveria ser reformulada?”.
Em um sínodo sobre o Oriente Médio, não poderiam ficar de fora as perguntas sobre a relação com o Islã e com o judaísmo, que as Lineamenta apresentam desta forma: “Como interpretar a relação com o judaísmo como religião e como promover a paz e o final do conflito político?”, “Quais são os âmbitos nos quais pode acontecer a colaboração com os muçulmanos?”.
A conclusão do documento se faz porta-voz dos temores de muitos católicos nesta região do planeta: “Por que temos medo do futuro?”. O documento, de fato, reconhece que, entre a minoria cristã, “nossas atitudes vão do medo ao desânimo, inclusive entre alguns pastores”.
Mas o sínodo procura dar uma esperança aos discípulos de Cristo em sua terra, motivo pelo qual lhes pergunta: “Como encarnamos nossa fé na política, na sociedade?”, “Cremos que temos uma vocação específica no Oriente Médio?”.
Ainda que os primeiros e autorizados destinatários dos Lineamenta sejam, obviamente, os bispos e suas conferências episcopais, no entanto, estes têm plena liberdade para ampliar sua base de consulta.Depois de terem reunido e resumido sugestões, reações e respostas aos vários aspectos dos Lineamenta, os bispos prepararão um informe que será enviado à Secretaria Geral do Sínodo, para que possa ser redigido o Documento de Trabalho.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Espírito conduz à unidade assumindo a diversidade, diz Papa



Um dia antes de encerrar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Papa quis referir-se à Igreja como um organismo rico, vital e não uniforme.
Ele o fez hoje, ao rezar o Angelus com os peregrinos na praça de São Pedro.
Bento XVI afirmou que, graças aos carismas doados pelo Espírito Santo, “a Igreja se apresenta como um organismo rico e vital, não uniforme, fruto do único Espírito que conduz a todos a uma unidade profunda, assumindo a diversidade sem a abolir, e realizando assim um conjunto harmonioso”.
Referindo-se ao texto de São Paulo correspondente à liturgia de hoje, indicou que “a Igreja é concebida como um corpo, do qual Cristo é a cabeça, e que com Ele constitui um todo”.
E explicou que “o que o apóstolo pretende comunicar é a ideia de unidade na multiplicidade dos carismas, que são os dons do Espírito Santo”.
Em seguida, destacou que a Igreja “prolonga através da história a presença do Senhor ressuscitado, em particular por meio dos sacramentos, da Palavra de Deus, dos carismas e ministérios distribuídos pela comunidade”.
“Portanto, é precisamente em Cristo e no Espírito que a Igreja é una e santa, isto é, numa comunhão íntima que transcende as capacidades humanas e as sustenta”, acrescentou.


Fonte: Zenit.

Papa: novas mídias, instrumentos indispensáveis para a Igreja



A mensagem que Bento XVI escreveu para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais apresenta sua visão pastoral sobre as novas mídias, consideradas “instrumentos indispensáveis” para a evangelização.
Se bem que o tema do documento, em pleno Ano Sacerdotal, seja “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”, como explicou esse sábado o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, o texto está dirigido a toda Igreja.
De fato, como permitiu descobrir a apresentação através de "Power Point", realizada pelo prelado italiano na Sala de Imprensa da Santa Sé – algo praticamente inédito ali –, a mensagem dá passos adiante na expressão do magistério pontifício sobre os desafios que a era da comunicação lança à Igreja, novo sinal dos tempos.
“É uma avaliação positiva das novas tecnologias”, sublinhou Dom Celli. Antes de tudo, o pontífice constata que não se trata de um cenário futuro, mas que “as comunidades eclesiais incorporaram há tempos os novos meios de comunicação como instrumentos ordinários de expressão e de contato com o próprio território, instaurando em muitos casos formas de diálogo ainda de maior alcance”.
Ao falar do “mundo digital”, Bento XVI lança a mesma pergunta que São Paulo lançou aos primeiros cristãos que buscavam anunciar Cristo: “como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue?”
A resposta do Papa convida todas as comunidades cristãs a dar um passo adiante a respeito do passado: “para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas”.
De fato, esclarece, “de fato, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: ‘Ai de mim se não anunciar o Evangelho!’”.
Para el Papa, os novos meios de comunicação não são algo opcional para a Igreja: “com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz”.
Lançando este desafio, o pontífice também ilustra o grande perigo: evangelizar com a mídia não significa simplesmente fazer coisas ou transmitir mensagens através destas novas realidades.
“A divulgação dos ‘multimédia’ e o diversificado ‘espectro de funções’ da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado”, adverte.
Não só há que estar presente, esclarece o Papa, há que saber como estar presente “no mundo digital” para manifestar que “a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual”.
Deste modo, pela primeira vez em seu magistério de pontífice, Bento XVI chega a articular os objetivos da pastoral no mundo digital com estas palavras: “há-de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que ‘Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros’".
O Papa convida a Igreja a percorrer este caminho exercendo uma “diaconia da cultura” no “continente digital”.
“Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca”, esclarece.
Efetivamente, afirma, “uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas”, assim como os crentes de todas as religiões e pessoas de todas as culturas.
A conclusão do Papa é clara: os novos meios de comunicação “são uma grande oportunidade para os crentes”.


Fonte: Zenit.