terça-feira, 23 de junho de 2009

Papa propõe modelo de De Gasperi a políticos



Ele nunca usou a Igreja para fins políticos, destaca

Um estadista de alta qualidade moral e de “grande fé”, um modelo para a classe política atual: este é o retrato de Alcide De Gasperi (1881-1954) traçado por Bento XVI.
O Papa destacou assim esta figura ao receber em audiência os membros da Fundação Alcide De Gasperi no sábado passado, 20 de junho, em presença da filha do político, Maria Romana De Gasperi, e do senador vitalício Giulio Andreotti, íntimo colaborador seu durante anos.
O pontífice elogiou sua “reconhecida retidão moral” e sua fina “sensibilidade religiosa”, baseada em “sua indiscutível fidelidade aos valores humanos e cristãos”, segundo informou a Sala de Imprensa da Santa Sé através de um comunicado divulgado no sábado.
“Formado na escola do Evangelho, De Gasperi foi capaz de plasmar em atos concretos e coerentes a fé que professava”, afirmou.
“Espiritualidade e política foram, de fato, duas dimensões que convergiram em sua pessoa e caracterizaram seu empenho social e espiritual”, destacou.
O Santo Padre constatou que é verdade que “em alguns momentos, não faltaram dificuldades e inclusive incompreensões por parte do mundo eclesiástico, mas De Gasperi não vacilou em sua adesão à Igreja”.
“Dócil e obediente à Igreja – reconheceu o pontífice –, foi autônomo e responsável em suas opções políticas, sem usar a Igreja para fins políticos e sem ceder jamais nos compromissos com sua reta consciência.”
Tanto é assim que, “no ocaso de seus dias, ele pôde dizer: ‘Fiz tudo o que estava em minhas mãos, minha consciência está em paz’”.
Ao concluir, Bento XVI desejou “que a lembrança de sua experiência de governo e do seu testemunho cristão seja alento e estímulo para todos os que hoje dirigem os destinos da Itália e de outras populações, especialmente para os que se inspiram no Evangelho”.
A Fundação Alcide De Gasperi, constituída em 1982, é uma instituição cultural de inspiração cristã e atua nos âmbitos nacional e internacional para o fortalecimento da democracia, a difusão da liberdade e o aprofundamento nas questões de política internacional.
Através da organização de eventos e conferências, da concessão de prêmios, da realização de projetos de formação universitária e pós-graduação e da atividade jornalística e editorial, a Fundação procura também promover a unidade europeia e a paz entre as nações.
Alcide De Gasperi foi um político que, junto a Konrad Adenauer, Robert Schuman e Jean Monnet, é considerado como “pai da Europa unida”, pois contribuiu decisivamente para a criação das Comunidades Europeias.
Ele foi ministro de Relações Exteriores e primeiro-ministro da Itália, assim como fundador da Democracia Cristã (Itália) e último secretário do Partido Popular Italiano. Está em curso seu processo de beatificação.

Fonte: Zenit.

Bispos do Brasil discutirão Palavra de Deus em assembleia em 2010



Reunião episcopal será em Brasília, com ocasião do Congresso Eucarístico Nacional

Os bispos do Brasil dedicarão sua assembleia geral de 2010 ao tema da Palavra de Deus, em linha com o Sínodo da Palavra de 2008 e a esperada exortação apostólica pós-sinodal que o Papa deve publicar em breve.
A reunião episcopal, que acontecerá em Brasília por ocasião do Congresso Eucarístico Nacional, está agendada para os dias 3 a 10 de maio, enfocando “Discípulos e servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo”; informa a Sala de Imprensa da CNBB. O organismo discutirá ainda uma Mobilização Bíblica Nacional.
O tema foi aprovado pelo Conselho Permanente da CNBB, que se reuniu na semana passada.
Campanha da Fraternidade
Na reunião dos responsáveis da CNBB também se definiu o tema da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil em 2011. Será “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema “A criação geme em dores de parto”. Na edição de 2010, a Campanha será ecumênica e terá como tema “Economia e vida” e lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, escolhido no ano passado.
O secretário executivo da CF, padre José Adalberto Vanzella, explicou que, após a escolha dos temas, o próximo passo será a realização de um seminário em Brasília. O evento acontecerá nos dias 10 e 11 de setembro, na sede da CNBB. Discutirá as estruturas para a Campanha de 2011, que serão apresentadas para aprovação dos bispos.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Erasmo e seu amigo Thomas More

Por Elizabeth Lev

Em 1440, a imprensa distribuiu ao mundo, em massa, livros que transformariam e enriqueceriam a vida do homem para sempre. Isso deu origem aos impressos avulsos, sendo os primeiros jornais. E, nessa linha, o ensaio (artigo de opinião) nasceu sob a forma de panfleto.
Os intelectuais renascentistas tinham muito a escrever. No turbulento período da Reforma, muitas pessoas perderam seus líderes espirituais e se voltaram para a leitura das sofisticadas obras literárias desses experts.
A heresia apareceu lado a lado com a sã doutrina, e a confusão estava completamente espalhada. As pessoas podiam ler Calvino um dia e “A Defesa dos Sete Sacramentos” no outro. Como a Igreja foi desafiada na essência de seus ensinamentos, os fiéis sentiram-se à deriva e inseguros, e certos intelectuais viram a oportunidade de fazer nome envolvendo-se em questões do momento, sem promover verdadeiramente em debate teológico.
Erasmo de Rotterdam foi um desses. Embora ele fosse reconhecido como católico durante toda a Reforma, suas escritas e sátiras causaram muitas incertezas, ao ponto em que a renovação católica da geração seguinte o culpou por ter causado danos que eclodiram na Reforma.
Este ano marca o 500° aniversário da sátira mais célebre de Erasmo, "Elogio da loucura", onde ele empresta sua caneta para registrar as queixas dos reformadores, expondo a figura de papas, teólogos e religiosos (entre muitos outros) ao ridículo. O livro é escrito pela Loucura, em primeira pessoa (uma mulher, claro), exultando seu domínio e suas vitórias.
Erasmo, abençoado com uma excelente formação humanística, mobilizou seu excelente latim e seu dom em ser ágil para dar respostas prontas em assuntos polêmicos. Apesar dos problemas enfrentados pela fé católica e em um tempo no qual os protestantes clamam pela "mudança", ele desmotivou e desencorajou muitos de seus companheiros católicos.
O tratamento de Erasmo pelo Magistério Papal como uma consideração secundária desempenha um papel crucial em enfraquecer a autoridade do papado. Firme nas suas próprias razões e em sua genialidade, nunca ocorreu ao Erasmo procurar conselhos de Roma a fim de saber como seus escritos poderiam afetar aqueles que estavam em confronto contra as forças do protestantismo. Lendo seu trabalho, alguns católicos desavisados pensavam que aquela crítica explícita à Igreja era a ordem do dia.
O legado de Erasmo ilustra os perigos de reduzir a doutrina na abordagem das grandes questões do dia. Embora a Eucaristia estivesse sendo rejeitada e profanada a partir de uma extremidade à outra da Europa, Erasmo se divertiu com aqueles que tentaram explicar a transubstanciação. Deixando de lado o papel da teologia na Igreja, ele se jogou diretamente nas mãos dos dissidentes protestantes, que o consideraram um dos seus.
Esse tipo de “loucura” conduziu a trágicas conseqüências, no caso de Erasmo. Em 1535, seu amigo e antigo correspondente, Sir Thomas More, foi decapitado na Inglaterra. Os dois colegas tinham chegado a uma encruzilhada. O Rei Enrique VIII tentou coagir Thomas More a agir contra sua fé e consciência, negando o Magistério. Thomas não podia. Erasmo ficou quieto.
A caneta rápida de Erasmo ficou sem tinta durante o julgamento, a prisão e o assassinato de seu amigo Thomas More. Paralisada por covardia ou ideal, deve ter sido doloroso.
Sem dúvida, com a sua perspicácia e brilhantismo, Erasmo esperava desempenhar um papel crucial nos marcos históricos de seu tempo. Mas ele não tinha a clareza de consciência e de desejo de verdade que caracterizou o seu amigo Thomas More.
Erasmo se confortou por ter escrito aquela “loucura” e tomou um caminho fácil para o perdão, lançando culpas em erros e insensatez da juventude. Mas, enquanto São Thomas More irá ser homenageado nos altares em sua festa de 6 de julho, Erasmo será sempre lembrado como aquele que rabiscava enquanto Roma queimava.
[Elizabeth Lev ensina arte cristã e arquitetura no campus Italiano da Universidade de Duquesne e no programa de estudos católico da Universidade de St. Thomas]

Fonte: Zenit.

domingo, 21 de junho de 2009

Papa à Igreja Católica síria: Eucaristia como caminho da unidade



Em sua audiência ao seu patriarca e aos membros do seu sínodo

O Papa destacou nesta sexta-feira a importância da Eucaristia para alcançar a unidade, diante do patriarca de Antioquia e todo o Oriente dos sírios, Mar Ignatius Joseph III Younan, e dos membros do Sínodo da Igreja Católica síria.
“Encontrai na Eucaristia, sacramento da unidade e da comunhão, a força para superar as dificuldades que vossa Igreja experimentou nos últimos anos para achar os caminhos do perdão, da reconciliação e da comunhão”, disse aos representantes de milhares de católicos que vivem no Iraque, na Turquia e na Síria.
“É a Eucaristia que funde nossas diversas tradições na unidade do único Espírito, fazendo delas uma riqueza para todo o povo de Deus”, assegurou.
“A Eucaristia é o pão de vida que nutre vossas comunidades e as faz crescer na unidade e na caridade”, continuou.
“Que a celebração da Eucaristia, fonte e cume da vida eclesial, vos mantenha ancorados na antiga tradição síria, que reivindica a possessão da mesma língua do Senhor Jesus e ao mesmo tempo abre diante de vós o horizonte da universalidade eclesial”, acrescentou.
Bento XVI expressou sua “profunda preocupação pelos vossos problemas eclesiais” e desejou que a participação na Eucaristia “vos torne atentos cada dia ao que o Espírito sugere às Igrejas”.
Também “que abra vosso coração para que possais discernir os sinais dos tempos à luz do Evangelho e que saibais aceitar as expectativas e as esperanças da humanidade, respondendo às necessidades dos que vivem em condições de extrema pobreza”.
“Acompanho com satisfação a retomada da plena atividade do vosso sínodo”, indicou, depois de destacar a fidelidade da Igreja Católica síria ao Papa e à sua tradição oriental.
“Alento vossos esforços por favorecer a unidade, a compreensão e o perdão, que cada dia deveis considerar como objetivos prioritários para a construção da Igreja de Deus”, destacou.
E garantiu: “Rezo pela paz no Oriente Médio, especialmente pelos cristãos que estão no Iraque”.
O pontífice lhes pediu que mantenham seu olhar fixo em Jesus e compartilhou com eles outra de suas principais preocupações: a vida espiritual dos sacerdotes.
Neste sentido, desejou que o Ano Sacerdotal que ele inaugurou nesta tarde “seja uma oportunidade fecunda para toda a Igreja”.
A audiência se realizou um dia depois da cerimônia oficial de concessão da comunhão eclesiástica ao novo patriarca, segundo o previsto nos sagrados cânones, em presença do representante papal, o cardeal Leonardo Sandri, na Basílica de Santa Maria a Maior, em Roma.
O primeiro sínodo católico sírio presidido pelo novo patriarca aconteceu no mosteiro de Nossa Senhora da Salvação, em Charfé (Líbano), de 9 a 13 de junho.
Os católicos sírios são hoje cerca de 150 mil no mundo. Vivem praticamente no Iraque (42 mil), na Síria (26 mil), na Turquia e aproximadamente 55 mil na diáspora.

Fonte: Zenit.

sábado, 20 de junho de 2009

Sagrado Coração: devoção ao coração humano e divino de Jesus



A Igreja celebra esta solenidade na sexta-feira da oitava de Corpus Christi

Por Carmen Elena Villa

A devoção ao Sagrado Coração visa “não só a contemplação do seu amor sensível”, mas também “até a consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso”: assim disse o Papa Pio XII em sua encíclica Haurietis aquas, a terceira que se escreveu sobre o culto al Sagrado Coração.
A história desta devoção tem mais de 800 anos. Seus inícios se deram com a mística alemã da Alta Idade Média Matilde Magdeburgo (1207 - 1282), seguida por Matilde de Hackenborn (1241 - 1299) e por Getrudes de Helfta (1266 - 1302).
Depois, foram vários os santos que continuaram promovendo o culto ao Sagrado Coração. Entres eles está São Boaventura, Santo Alberto Magno, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Sena, o beato Henrique Suso, São Pedro Canísio e São Francisco de Sales.
São João Eudes foi o autor do primeiro ofício litúrgico em honra do Sagrado Coração de Jesus, cuja festa solene se celebrou pela primeira vez no dia 20 de outubro de 1672.
O marco desta celebração está ligado a Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação, quem recebeu várias revelações do próprio Senhor Jesus para que impulsionasse mais esta devoção. Tais revelações depois foram difundidas pelo seu conselheiro espiritual, o jesuíta São Claudio de la Colombière.
O Papa Pio XII assegurava que esta devoção pode levar os homens, “em um voo sublime e doce ao mesmo tempo, até a meditação e adoração do Amor divino do Verbo Encarnado”.
Devoção ou idolatria?
Mas adorar um coração não é idolatria? Esta devoção não pode diminuir no crente o fervor com relação a Deus Pai? Os católicos adoram um coração mais metafórico e menos real?
Segundo informações oferecidas a Zenit na Basílica do Sagrado Coração de Roma, que recentemente organizou um congresso sobre o culto ao Sagrado Coração, no século 13 houve um forte debate sobre o objeto deste culto, qualificado por muitos fiéis justamente como um ato de idolatria.
Para esclarecer qualquer distorção, em 1765, a Congregação Vaticana para os Ritos afirmou que o coração de carne seria símbolo de amor. Em 1794, o Papa Pio VI, na bula Auctorem fidei, confirmou esta declaração dizendo que se adora o coração “indispensavelmente unido à pessoa do Verbo”.
Pio IX estendeu a festa do Sagrado Coração a toda a Igreja no dia 23 de agosto de 1856 e no calendário pós-conciliar ela permaneceu como solenidade.
Três encíclicas se centraram propriamente em falar sobre esta devoção: Annum Sacrum, do Papa Leão XIII, quem consagrou a humanidade inteira ao Sagrado Coração, Miserentissimus Redemptor, de Pio XI, e Haurietis aquas, de Pio XII.
“Aquele que conhece Cristo, mas descuida de sua lei e de seus preceitos, ainda pode ganhar do seu Sagrado Coração a chama da caridade”, dizia Leão XIII na encíclica Annum Sacrum.
“Ele cumprirá sua vontade sobre todos os homens pela salvação de uns e o castigo de outros, mas também em sua vida mortal, dando fé e santidade. Que eles, por estas virtudes, se esforcem por honrar a Deus como deveriam e ganhar a felicidade eterna no céu”, dizia o pontífice.
Por sua parte, o Papa Pio XI fala, em sua encíclica Miserentissimus Redemptor, sobre a união de amor dos homens com o coração humano e divino de Jesus: “Uma alma realmente amante de Deus, quando olha para o tempo passado, vê Jesus Cristo trabalhando, sofrendo duríssimas penas ‘por nós, os homens, e pela nossa salvação’, tristeza, angústias, opróbrios, ‘trespassado por nossas culpas’ e curando-nos com suas feridas”.
Adorar o Sagrado Coração
Assim, a Igreja, durante séculos, meditou sobre esta devoção e expôs sobre ela três postulados principais. O primeiro indica que, assim como todo edifício deve ter sua base firme, a base do cristão deve ser o amor. Este ponto recorda aos cristãos que Deus nos amou primeiro.
O segundo fala da reparação como compromisso: a alma tem a virtude e a necessidade do amor que quer demonstrar-se e ser compartilhado nos sofrimentos que Cristo padeceu em Getsêmani.
Por último, fala da imitação como aspiração: tomar a familiaridade com Cristo no mistério pascal e abraçá-la, e na Eucaristia também. Isso induz a incorporar as virtudes para que possamos dizer, como Jesus, “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11, 28).
Assim, pois, o Papa Pio XII sintetiza em sua encíclica dedicada a este culto: “Que homenagem religiosa mais nobre e mais suave que este culto, que se dirige inteiro à própria caridade de Deus?”.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Católicos e hindus abordam dificuldades dos cristãos na Índia



Aberto novo capítulo em suas relações, segundo o cardeal Tauran

Na Índia, algumas pessoas não distinguem bem as diferentes confissões cristãs (católicos, batistas, pentecostais...), criticam seu proselitismo e vêem como uma invasão o grande número de igrejas cristãs que são construídas.
Foi o que afirmou o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, o cardeal Jean-Louis Tauran, hoje, aos microfones de Rádio Vaticano, após participar, em Bombaim, no dia 12 de junho, em uma reunião de líderes católicos e hindus.
“Há uma região em que se estão construindo 160 igrejas; é evidente que não são igrejas católicas, mas edifícios de sedes protestantes”, explicou, confirmando a crescente presença de comunidades evangélicas no país.
“Então tive de explicar a um dos principais líderes religiosos hindus a diferença ente um católico e um protestante e devo confessar que ele não tinha ideias muito claras neste sentido”, acrescentou.
No encontro, os líderes trataram o tema das conversões, e o cardeal Tauran reiterou que para a Igreja Católica as conversões forçadas não têm nenhum valor.
“Nossa reunião teve a grande vantagem de esclarecer alguns pontos importantes e sobretudo de escutar que os hindus não têm nada contra os católicos”, afirmou.
De todos as maneiras, os que enfrentam os cristãos com violência na Índia são apenas alguns grupos fundamentalistas.
Em referência aos recentes focos de violência em Orissa e outras zonas da Índia, os líderes hindus asseguraram na reunião: “não nos reconhecemos nesses ataques, porque isso não é a Índia; nós somos um povo pacífico”.
As duas delegações que participaram da reunião compartilharam sua preocupação com a violência perpetrada em nome da religião e pediram respeito a todas as religiões como única maneira de garantir a harmonia na multirreligiosa sociedade indiana.
Além da conversação e troca de pontos de vista, os católicos presenciaram uma oração hindu no templo; já os hindus, a oração das vésperas na catedral de Bombaim.
O dia transcorreu em um clima de amizade que, para o cardeal, é o primeiro passo necessário no diálogo inter-religioso.
Na opinião do cardeal Tauran, a reunião de 12 de junho “abriu um novo capítulo nas relações entre o catolicismo e o hinduísmo”, e agora são as comunidades locais que devem manter vivo o diálogo.
Neste sentido, destacou o grande trabalho realizado na Índia pelos Focolares e uma Universidade fundada por um indiano que se encarrega do ensino do diálogo inter-religioso.
O cardeal convidou os cristãos que vivem na Índia a “não ter medo de se mostrar como cristãos, porque os cristãos da Índia foram plantados nessa Terra de Deus para levar-lhe flores”.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Implicações da fé para o empresário cristão



Retiro organizado pela União Social de Empresários Cristãos do Chile

“A fé tem consequências muito práticas para a vida de um profissional, tanto no âmbito pessoal como no laboral”, afirmou o padre Samuel Fernández, no retiro “O cristão diante da adversidade: caminho de crescimento na liberdade”, organizado pela União Social de Empresários Cristãos (USEC) em Santiago do Chile.
“Em uma atmosfera de recolhimento e alegria”, os cerca de 60 participantes contaram com a orientação do pe. Fernández, decano da Facultade de Teologia da Universidade Católica e assessor doutrinal da USEC.
O retiro consistiu em duas palestras, seguidas de reflexão pessoal dos participantes e depois reflexão em grupo.
Na primeira palestra falou-se da crise econômica, fazendo alusão ao vazio espiritual que se registar hoje, que tem profundas consequências no comportamento das pessoas. Assinalou-se que as crises não seriam um parênteses na vida, mas “o estado natural em que nos encontramos”.
“Não podemos viver apenas esperando que haja um tempo melhor, um período de paz e bonança que possibilite que façamos aquilo que sempre quisemos e postergamos; esta visão é infrutífera e pouco realista.”
Referiu-se às dificuldades como instâncias que ajudam o homem a incrementar sua fé, que ampliam e completam sua perspectiva.
“Para explicar a atual crise, o olhar técnico é necessário, mas parcial; deve ser complementado pelo olhar mais profundo da fé, a partir das causas mais profundas que jazem no coração do ser humano. O olhar espiritual ou de fé traz o conhecimento do sentido último das coisas, sem nos tirar da realidade concreta, mas dando maior profundidade a sua análise. A fé tem consequências muito práticas para a vida de um profissional, tanto no campo pessoal como no laboral”, sublinhou.
Na segunda palestra traçou-se uma perspectiva acerca de como a liberdade é historicamente o grande elo da humanidade, e que, a partir do Iluminismo, tomou a forma de um “desligar-se” da autoridade, da Igreja e das normas.
“Hoje ser livre é não ter ataduras de nenhum tipo, o que debilita os compromissos com todas as pessoas e instituições com as que nos relacionamos. Esta definição de liberdade, do fazer somente o que me apraz, é absolutamente contrária à liberdade evangélica. Para a Igreja, trata-se mais de um fracasso ou degradação da liberdade”, afirmou o palestrante.
Baseado em um texto escrito por Bento XVI, referiu-se ao fato de que para o cristão, já desde Paulo, a liberdade apresentanta-se como um paradoxo. Já que, baseados no exemplo de Jesus, o ser verdadeiramente livre equivale a “fazer-se servidor” do próximo.
“Sou mais livre quanto mais me ‘entrego’ aos demais. É evidente a contradição com o que hoje se concebe como liberdade, inclusive dentro do atual modelo econômico. É que não somos seres absolutos, nossa liberdade não pode ser absoluta. Nosso critério não pode transformar-se na medida de todas as coisas”, assinalou.
Partilhando a frase do beato padre Alberto Hurtado: "Mais vale gastar-se que oxidar-se", o conferencista assinalou que a “autodoação e a capacidade de serviço, sobretudo se se tem uma posição de privilégio, é aquilo que levará a pessoa a sentir-se possuidora de uma liberdade que ninguém lhe pode tirar. Conhecer a verdade de si mesmo é condição para ser livres, o que, por sua vez, é condição para ser felizes”, concluiu.

Fonte: Zenit.