quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Em 2014 foram assassinados 26 agentes pastorais no mundo

Em 2014, foram assassinados 26 agentes pastorais no mundo, três a mais que no ano anterior. Morreram de forma violenta 17 sacerdotes, um religioso, seis religiosas, um seminarista e um leigo. Pela sexta vez consecutiva, o número mais alto de assassinatos foi registrado na América. Nos últimos dez anos (2004-2013), foram mortos no mundo todo 230 agentes pastorais, dos quais três eram bispos. Os dados foram divulgados pela agência Fides.
 
Por continente, foram assassinados durante este ano 14 agentes pastorais na América, sendo 12 sacerdotes, um religioso e um seminarista; na África, 7 agentes pastorais (dois sacerdotes e cinco religiosas); na Ásia, dois agentes pastorais (um sacerdote e uma religiosa); na Oceania, dois agentes pastorais (um sacerdote e um leigo); e na Europa, um sacerdote.

O relatório, publicado nesta terça-feira, menciona também as vítimas do vírus do ebola, que provocou milhares de mortes na África ocidental, região em que as estruturas católicas se mobilizaram desde o começo da epidemia. A família religiosa dos Irmãos Hospitaleiros de São João de Deus perdeu na Libéria e em Serra Leoa quatro irmãos, uma irmã e treze empregados de hospitais em Monróvia e Lunsar. Eles contraíram o vírus em seu generoso compromisso de cuidar dos doentes. “Nossos irmãos deram a vida pelos outros, como Cristo, a ponto de morrer infectados por esta epidemia”, escreveu o prior geral, frei Jesus Etayo. Sorte similar correram as seis religiosas missionárias italianas das Irmãs Pobrezinhas de Bergamo, falecidas no Congo em 1995 por terem contraído o vírus do ebola depois de decidirem não abandonar a população carente de atendimento de saúde. Seu processo de beatificação foi aberto em 2013.

Como acontece já faz algum tempo, a lista não inclui só os missionários ad gentes em sentido estrito, mas todos os agentes pastorais assassinados de forma violenta. "Não usamos o termo ‘mártires’ a não ser no sentido etimológico de ‘testemunhas’, para não entrar no parecer que a Igreja poderá dar sobre alguns deles e também por causa das poucas notícias que podem ser obtidas sobre a sua vida e sobre as circunstâncias da sua morte", explica a Fides.

"Mais uma vez, a maior parte dos agentes pastorais assassinados em 2014 encontrou a morte como resultado de tentativas de roubo ou furto, agredidos, em alguns casos, com uma ferocidade sintomática do ambiente de decadência moral e de pobreza econômica e cultural que gera violência e desprezo pela vida humana", prossegue o texto.

"Nenhum deles realizou gestos incríveis, mas eles viveram com perseverança e humildade o seu compromisso diário de dar testemunho de Cristo e do seu Evangelho. Alguns foram assassinados pelas mesmas pessoas a quem ajudavam. Outros abriram a porta para quem pedia ajuda e foram atacados. Outros foram assassinados durante um roubo. Para outros, o motivo dos assaltos e sequestros que terminaram tragicamente não é claro; talvez nunca se saibam as verdadeiras causas".

Por outro lado, em 2014 foram condenados os mandantes do homicídio do bispo de La Rioja, na Argentina, dom Enrique Angelelli, 38 anos depois do assassinato do prelado. Os criminosos tentaram simular um acidente de carro. Também foram condenados os mandantes e os executores do assassinato de dom Luigi Locati, vigário apostólico de Isiolo, no Quênia, assassinado em 2005. Foram presos, além disso, os responsáveis pela morte do reitor do seminário de Bangalore, na Índia, padre Thomas, assassinado em 2013.

Continua sendo motivo de grande preocupação o destino de outros agentes pastorais sequestrados ou desaparecidos, como é o caso dos três sacerdotes congoleses da ordem dos agostinianos da Assunção. Eles foram sequestrados em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, em outubro de 2012. Igualmente desaparecidos estão o jesuíta italiano Paolo Dall'Oglio, sequestrado na Síria em 2013, e o padre Alexis Prem Kumar, sequestrado em 2 de junho deste ano em Herat, no Afeganistão.

No dia 24 de maio, foram beatificados o missionário padre Mario Vergara, do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras (PIME), e o catequista leigo Isidoro Ngei Ko Lat, assassinados na Birmânia (atual Myanmar) em 1950 por causa do ódio contra a fé. “Que a sua heroica fidelidade a Cristo possa ser estímulo e exemplo para os missionários e especialmente para os catequistas que, nas terras de missão, desempenham um trabalho apostólico valioso e insubstituível”, disse o papa Francisco.

À lista provisória elaborada anualmente pela agência Fides "é preciso acrescentar sempre o longo elenco de muitos cujo nome não se sabe e dos quais talvez nunca se venha a ter notícia, e que, em todos os rincões do planeta, sofrem e pagam com a vida pela fé em Jesus Cristo", encerra o informe.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O furação Francisco e a perturbação dos intelectuais

No dia 24 de dezembro, foi publicado no Corriere della Sera um artigo de Vittorio Messori com o título “As dúvidas sobre a virada do Papa Francisco”
Neste artigo, o conhecido escritor católico propõe uma "reflexão pessoal", na verdade, "uma espécie de confissão", sobre a "imprevisibilidade" do Papa Francisco, destinada a perturbar "a tranquilidade do católico médio” com uma série de escolhas que poderiam parecer também contraditórias.
Messori enumera alguns aspectos do Pontificado de Bergoglio que, em sua opinião, poderiam causar confusão, para depois concluir, com a humildade própria do crente, que “chefe único e verdadeiro da Igreja é aquele Cristo onipotente e onisciente, que sabe melhor do que nós qual seja a melhor escolha para seu temporário representante terreno": e isso explica porque, na perspectiva milenária da história, “todo Papa desempenhou o seu papel apropriado e, no final, se demonstrou necessário”.
O artigo publicado pelo jornal Milanês é uma oportunidade para entender melhor o pontificado do Papa Francisco.
O primeiro elemento de reflexão é sobre o papel histórico do papa Francisco. No mundo em que nós costumamos chamar de "avançado", os cenários de escravidão, guerra, mercantilização, exploração descontrolada e negação da dignidade humana estão mais presentes do que nunca. E diante de tudo isso, o que fazem os grandes da terra? De tempo em tempo se reúnem e produzem um documento morno, em nome da realpolitik, que termina normalmente com um nada feito.
Só um homem, da varanda da praça de São Pedro e nas principais instâncias internacionais, se atreve a gritar para despertar as consciências, se atreve a falar de "globalização da indiferença" acusando os perversos mecanismos do poder. Aquele homem é o Papa Francisco. Totalmente compatível com o ensinamento de Jesus nos Evangelhos.
O Papa Francisco, em sua entrevista para Eugenio Scalfari explicou: "Eu acredito em Deus. Não em um Deus católico, não existe um Deus católico, existe Deus. E acredito em Jesus Cristo, na sua encarnação".
Este conceito representa, talvez, uma negação da Igreja como "corpo místico de Cristo"? Absolutamente não. A Igreja mantém o seu carácter de universalidade, mas o Papa Francisco é, ao mesmo tempo, consciente de que as grandes religiões do mundo têm uma base comum. Basta pensar que o cristianismo, o judaísmo e o islamismo são chamados de "religiões abraâmicas" porque vêem em Abraão um pai comum da fé.
Podemos recordar o caso em que, no "Sermão da Montanha", Jesus não quebra a continuidade com Abraão, mas diz: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; Não vim para abolir, mas para cumprir" (Mt 5, 17).
Esclarecedora, a tal respeito, a leitura do último livro do padre Antonio Spadaro, Oltre il muro. Dialogo tra un musulmano, un rabbino e um Cristiano, Rizzoli, 2014, (Além do muro. Diálogo entre um muçulmano, um cristão e um rabino), que traz na capa uma frase simbólica do Papa Francisco: "Precisa-se da coragem do diálogo. Construir a paz é difícil, mas viver sem a paz é um tormento".
Messori argumenta que há uma contradição entre o Papa Francisco que rejeita o proselitismo como uma ferramenta para difundir a fé católica e a situação da América Latina, onde há uma perda de católicos para o protestantismo pentecostal.
Mais uma vez, porém, o Pontífice argentino explicou que: "A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração de testemunhas". O significado é claro: a fé não é um "produto" que é vendido com as técnicas de marketing. E o Papa não é uma "contabilidade", que leva em conta o número de fiéis.
Como podemos esquecer a cena maravilhosa narrada no Evangelho, quando Jesus, pressionado pela multidão, pergunta: "Quem tocou na minha roupa?". Jesus não se preocupa com o clamor que o circunda, mas daquela alma individual que se dirige a ele em busca de ajuda.
Dito isso, deve-se notar que a personalidade e o estilo pontifical do papa Francisco estão exercendo uma atração tal que, em todo o mundo, tem havido uma recuperação significativa de consenso com relação à fé católica.
É o "populismo" isto?, se pergunta Messori. Da nossa parte nos limitamos a observar que, na linguagem leiga, haverá sempre uma palavra, um termo, uma definição, para tentar ler com corrosiva ironia as coisas mais belas. Também isso é um sintoma da “dor de viver” contemporânea, contra a qual Francisco lançou seu desafio.
Messori centra-se no compromisso comunicativo da Igreja, definindo “terrível” a responsabilidade de quem hoje deva “anunciar o Evangelho”, mostrando que “o Cristo não é um fantasma desaparecido e remoto, mas o rosto humano do Deus criador”.
Neste sentido, lembramos de um congresso realizado em Roma na Comunidade de Santo Egídio, por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2014. Recordamos em particular, as palavras da jornalista Elisabetta Piqué, que há anos conhece Bergoglio: "O Papa Francisco não tem uma estratégia de mídia, nele não há nada estudado, mas, em um mundo desprovido de líderes autênticos, as pessoas gostam dele justamente por isso”.
Acreditamos que estas palavras constituam também uma resposta eficaz às "contradições" aparentes de Bergoglio: um sacerdote sério, humilde, rigoroso e, ao mesmo tempo, animado pelo Evangelho do sorriso, da paixão de estar com as pessoas. Um Pontífice da Igreja Universal, que não perdeu a vocação do "sacerdote da rua".
"Precisa-se sair para fora – afirmava o arcebispo Bergoglio no ano 2000 - e falar com as pessoas reunidas nas varandas.  Temos que sair das nossas conchas e dizer que Jesus vive, e afirma-lo com alegria, mesmo que às vezes pareça um pouco louco”. É o programa que hoje está levando como Pontífice, com o nome de Francisco.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Sagrada Família nos encoraja a oferecer calor humano

Como a cada domingo, ontem o Papa Francisco rezou a oração do Angelus da janela do seu escritório no Palácio Apostólico, diante de uma multidão que o esperava na Praça de São Pedro.

 
Dirigindo-se aos fiéis e peregrinos vindos de todo o mundo, que o acolheram com um longo e caloroso aplauso, o Pontífice argentino disse-lhes:

"Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste primeiro domingo depois do Natal, enquanto ainda estamos imersos no clima de alegria da festa, a Igreja nos convida a contemplar a Sagrada Família de Nazaré. O Evangelho de hoje nos apresenta Nossa Senhora e São José no momento em que, 40 dias depois do nascimento de Jesus, foram ao templo de Jerusalém. Fazem isso por obediência religiosa à Lei de Moisés, que prescreve oferecer ao Senhor o primogênito (cfr. Lc 2, 22-24).
Podemos imaginar esta pequena família, em meio a tantas pessoas, nos grandes átrios do templo. Não chamam a atenção, mas não passam despercebidos! Dois anciãos, Simeão e Ana, movidos pelo Espírito Santo, se aproximam e começam a louvar a Deus por esse Menino, no qual reconhecem o Messias, luz das nações e salvação de Israel (cf. Lc 2, 22-38 ). É um momento simples, mas rico de profecia: o encontro entre dois jovens esposos cheios de alegria e de fé pelas graças do Senhor; e dois anciãos, também eles cheios de alegria e de fé pela ação do Espírito. Quem os reúne? Jesus. Jesus os reúne: os jovens e os anciãos. Jesus é Aquele que aproxima as gerações. É a fonte daquele amor que une as famílias e as pessoas, vencendo toda desconfiança, todo isolamento, toda distância. Isto nos faz pensar também nos avós: quão importante é a sua presença, a presença dos avós! Quão precioso é o seu papel nas famílias e na sociedade! A boa relação entre os jovens e os anciãos é fundamental para o caminho da comunidade civil e eclesial. E olhando para estes dois anciãos, estes dois avós – Simeão e Ana – cumprimentamos com um aplauso todos os avós do mundo.
A mensagem que vem da Sagrada Família é primariamente uma mensagem de fé. Na vida familiar de Maria e José, Deus é verdadeiramente o centro, e o é na pessoa de Jesus. Portanto, a Sagrada Família de Nazaré é santa. Por quê? Porque está centrada em Jesus.
Quando pais e filhos respiram juntos essa atmosfera de fé, possuem uma energia que lhes permite enfrentar também provas difíceis, como mostra a experiência da Sagrada Família, por exemplo, no acontecimento da dramática fuga para o Egito. Uma fura prova...
O Menino Jesus com sua mãe Maria e com São José são um ícone familiar simples, mas muito luminoso. A luz que ela ilumina é uma luz de misericórdia e de salvação para o mundo todo, luz de verdade para todo homem, para a família humana e para cada família. Esta luz que vem da Sagrada Família nos encoraja a oferecer calor humano naquelas situações familiares nas quais, por vários motivos, falta a paz, falta a harmonia, falta o perdão. Que a nossa solidariedade concreta não diminua, particularmente com a família que estiver passando por situações muito difíceis por causa das doenças, da falta de trabalho, das discriminações, da necessidade de emigrar...
Que a nossa solidariedade concreta não falhe, especialmente para as famílias que estão passando pelas situações mais difíceis, pelas doenças, pela falta de emprego, pela discriminação, pela necessidade de emigrar... E aqui fazemos uma pausa e em silêncio rezemos por todas estas famílias em dificuldade, que tenham problemas com doenças, falta de emprego, discriminação, necessidade de emigrar, tenham dificuldades de entendimento e até mesmo de desunião. Em silêncio oramos por todas estas famílias.... (Ave Maria).
Confiamos a Maria, Rainha e Mãe da família, todas as famílias do mundo, para que possam viver na fé, na harmonia, no apoio mútuo, e por isso invoco sobre elas a proteção maternal daquela que foi mãe e filha do seu Filho”.

Após estas palavras, o Santo Padre rezou o Angelus:

Angelus Domini nuntiavit Mariae .

Fonte: Zenit.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Celebração da Sagrada Família

Eclo 3, 3-7.14-17; Col 3, 12-21; Lc 2, 20-40

Ideia principal: a Sagrada Família de Nazaré é modelo, alento e força para todas as nossas famílias.

Síntese da mensagem: Esta festa é recente e foi estabelecida faz pouco mais de um século pelo papa Leão XIII para dar às famílias cristas um modelo evangélico de vida, virtudes domesticas e de união no amor, para que depois das provas desta vida possam gozar no céu da eterna companhia de Deus e da Sagrada Família de Nazaré.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, todos nós sabemos dos grandes perigos que hoje sofrem algumas das nossas famílias, que colocou em evidencia o sínodo extraordinário da família em outubro de 2014: famílias fragmentadas, feridas, quebradas, em necessidades de pobreza, de miséria e de angustia. Dificuldades internas e externas. Preocupações de tipo laboral e econômico; visões distintas na educação dos filhos, provenientes de diferentes modelos educativos dos pais; os reduzidos tempos para o diálogo e o descanso. A tudo isto se junta fatores disgregados como a separação e o divórcio, e o preocupante crescimento da prática abortiva. O mesmo egoísmo pode levar à falsa visão de considerar os filhos como objetos de propriedade dos pais, que podem ser fabricados segundo os seus desejos. Violência, abusos, álcool, drogas, pornografia e outras formas de dependência sexual. E também essas situações pastorais difíceis: as uniões livres ou em segundas núpcias sem ter recebido o sacramento do matrimonio. O que fazer diante destes desafios?

Em segundo lugar, hoje temos que olhar o modelo da Sagrada Família para que nos digam o segredo para formar uma família ideal e possamos lançar luz nestes desafios. Quando Paulo VI esteve em Nazaré tirou umas anotações ou lições da Sagrada Família de Nazaré, a modo de fotografia. “Primeiro, lição de silêncio. Renasça em nós a valorização do silêncio, desta estupenda e indispensável condição do espírito; em nós, atordoados por tantos ruídos, tantos estrépitos, tantas vozes da nossa ruidosa e hipersensibilizada vida moderna. Silêncio de Nazaré, ensinai-nos o recolhimento, a interioridade, a aptidão de prestar atenção às boas inspirações e palavras dos verdadeiros mestres; ensinai-nos a necessidade e o valor da preparação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que Deus só vê secretamente. Segundo, a lição da vida domestica. Que Nazaré nos ensine o que é a família; a sua comunhão de amor, a sua simples e austera beleza, o seu caráter sagrado e inviolável; ensine quão doce insubstituível é a sua pedagogia; ensine quão fundamental e insuperável a sua sociologia. E terceiro, lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, como queríamos compreender e celebrar aqui a lei severa, e redentora da fatiga humana; recompor aqui a consciência da dignidade do trabalho; recordar aqui como o trabalho não pode ser fim em si mesmo e como, quanto mais livre e alto for, tanto serão, ademais do valor econômico, os valores que tem como fim; saudar aqui os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande colega, o seu irmão divino, o Profeta de toda justiça para eles, Jesus Cristo Nosso Senhor!”. (Homilia de Paulo VI, 5 de janeiro de 1964 em Nazaré).

Finalmente, devemos voltar uma e outra vez ao plano originário de Deus para a família. É verdade que Deus começou o seu plano arrancando Abraão do seio da sua família, mas ao mesmo tempo lhe fez a promessas de um descendente, de um herdeiro, Cristo, ao redor do qual se formaria a família perfeita. E quando com braço poderoso tirou os judeus do Egito fez isso para constitui-los em povo, em família de Deus. Seguindo a mesma linha, Deus constituiu depois a Igreja- novo Israel- ao modo de uma família, com um Pai comum. Somos todos da família de Jesus. E nesta família perfeita está o pai, a mãe e os filhos. São Paulo na segunda leitura de hoje nos dá a clave para edificar esta família de Jesus com um único alicerce: o amor mútuo, feito humildade, afabilidade, paciência, perdão, paz, gratidão, oração, respeito, obediência. O pai é a cabeça, a mãe é o coração e os filhos são a coroa desses pais.

Para refletir: O que é que mais impressiona da Sagrada Família de Nazaré? O que é que com mais urgência as nossas famílias deveriam aprender da Sagrada Família de Jesus, José e Maria? Como deveria se comportar a Igreja com essas famílias que estão passando por graves dificuldades?

Para rezar: Sagrada Família de Nazaré: ensinai-nos o recolhimento, a interioridade; dai-nos a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensinai-nos a necessidade do trabalho de reparação, do estudo, da vida interior pessoal, da oração, que só Deus vê no segredo; ensinai-nos o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua beleza simples e austera, o seu caráter sagrado e inviolável. Amém.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

sábado, 27 de dezembro de 2014

O modelo da Família de Nazaré se encontra no alto

A inesgotável cena de Natal oferece mais uma vez a riqueza do Presépio, feito de pobreza e simplicidade, à nossa geração. A criatividade com que estas cenas são expostas é sinal de sua profundidade, que tem o tamanho da eternidade. Por mais que contemplemos Jesus Maria e José, ou tentemos nos infiltrar na cena, junto com pastores, magos ou animais, sempre nos ultrapassará e mostrará sua riqueza, cuja origem está no Céu. Hoje queremos interrogar à Sagrada Família o que tem de diferente para oferecer à nossa geração, pois há certamente algo de muito original em seu modo de viver.
Parece-me encontrar a primeira resposta justamente na iniciativa de sua constituição. Não foram a carne e o sangue ou, quem sabe, os maravilhosos afetos humanos que fizeram acontecer esta família. José, chamado de homem justo, formado certamente na escola de fidelidade às mais legítimas tradições de sua ascendência davídica, só queria servir a Deus e ser fiel a ele. Homem da escuta e da atenção às inspirações que lhe vieram do alto, semelhante ao José do Egito e dos sonhos do Antigo Testamento, só agia conduzido pela vontade de Deus, discernida no que a Escritura chama de "sonhos". Maria, por sua vez, parece uma jovem formada na estrita observância da esperança messiânica herdada de seus pais. Dá para ver o conteúdo bíblico de excelente teor que se manifesta em seu canto de louvor, o Magnificat. O filho daquela família de Nazaré veio do Alto, do Pai Altíssimo, gerado e não criado, da mesma substância do Pai. Maria e José foram chamados, convocados a uma missão correspondente à expectativa de séculos. Fazem parte de um plano que tem o nome de salvação, expressão do amor eterno de Deus pela humanidade. Família cujo modelo se encontra no alto!
O dia a dia da família de Nazaré era feito de amor, trabalho e oração, tudo vivido com muita simplicidade. O valor das pequenas coisas, uma criança diferente que aprende ao colo da mãe as lições da Escritura, um pai de família trabalhador, conhecido em Nazaré pelos serviços que realiza, nada de extraordinário e esta é a novidade, num mundo que até hoje teima em complicar as coisas. Da Família de Nazaré nascem as lições do quotidiano, no qual as surpresas ficam por conta da beleza da alma das pessoas nele envolvidas. Sim, original é o fato da importância das pessoas e não do que elas eventualmente possam fazer ou produzir. Família parecida com as nossas famílias!
Onde quer chegar esta família? Ela foi pensada como presente para o mundo, não existe para si. Um dia o Filho deve partir. Sabiam que ele era diferente de todos, mesmo se conhecido apenas como "Filho do Carpinteiro", o José que sai muito cedo de cena. Sua família maior atrai Jesus irresistivelmente, pois é conduzido pelo Espírito Santo. Passará pelas estradas da Galileia e da Judeia anunciando a boa nova do Reino de Deus a todos, realizando sinais e prodígios que atraem as multidões. Como Jesus sabia o que existe no coração humano, teve que escolher discípulos, homens simples a serem formados até adquirirem a têmpera do martírio. Maria praticamente desaparece durante os anos da vida pública. Depois de se revelar discípula fiel em Caná, vai comparecer anos mais tarde, Mãe Desolada aos pés da Cruz, para adotar a humanidade representada por João, ainda que fragilizada pelo mistério do pecado. É uma família feita para o mundo e para a doação completa. Nada é guardado ou acumulado, tudo entregue em alegre entrega, para fazer o bem. Família destinada a servir e a se doar pelo Reino de Deus!
Apenas algumas das inúmeras lições regadas de eternidade. E nossas famílias podem aprender muito. Os casais que constituem as famílias de nosso tempo podem aproveitar a graça do Natal para recomeçarem a falar de  vocação, chamado de Deus, filhos vistos do alto por Deus, que tem a ver com eles! É hora de voltar a pensar com os pensamentos de Deus! Sabemos muito bem o quanto nos cansamos de correr em círculo vicioso, em torno de nós mesmos. O egoísmo e a vaidade têm feito e ainda farão muito mal. É tempo de inverter a rota! Nossas famílias podem ser diferentes, originais!
Segunda lição é olhar ao nosso redor. Os dias de Natal mostraram que os sentimentos e afetos mais simples foram os que mais agradaram as pessoas. Vi famílias unidas, saboreando refeições cheias de sentido, vi abraços e sorrisos espontâneos tornando-se o melhor presente a ser partilhado. É impressionante a sede de comunhão existente das pessoas. Se uma simples mensagem eletrônica já serve para encher o coração de muita gente, quanto mais o encontro pessoal desfrutado com alegria!
A passagem de ano traz consigo muitas passagens de filhos e filhas, cujo mundo se amplia, com pais aprendendo que não os geraram para si, mas para Deus e para o bem da própria sociedade. A família só se realiza quanto educa no amor e para o amor. Ela se descobre aberta e servidora, livre na capacidade de se doar! Ela aprende a perder para receber cem vezes mais!
A família de nosso tempo não está isenta de crises e dificuldades. José, Maria e o Menino estão aí para dizer o quanto tiveram que procurar, perguntar, até fugir, enfermidades, crises de idade, isolamentos, enfim, a dinâmica mais comum da existência. E souberam ser fiéis e lúcidos diante de todos os desafios. Foram tão comuns que se fazem extraordinários!
O Natal é feliz por si mesmo, porque é o mistério do amor eterno que entra na história humana, assumindo a carne humana. Olhar de novo para os detalhes do Natal é experiência única e confortadora para todas as famílias. Do Presépio transbordam novas lições a cada visita. O Natal que celebramos nestes dias seja a luz para que todos os dias do ano novo sejam também felizes e santos. Peçamos com a Igreja: Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes, para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa. Amém!

Dom Alberto Taveira, Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Francisco à cúria romana: as 15 tentações que é necessário combater

O papa Francisco se reuniu na última segunda-feira (22/12) com os dirigentes e membros dos diversos dicastérios, conselhos, escritórios, tribunais e comissões que compõem a Cúria Romana e os convidou “a ser um corpo que tenta, dia após dia, ser mais vivo, mais sadio e harmonioso e mais unido entre si e com Cristo”. Com franqueza paternal, o Santo Padre destacou as tentações que é necessário combater.
 
“A cúria é sempre chamada a melhorar e a crescer em comunhão, em santidade e em sabedoria para realizar plenamente a sua missão. Como todo corpo, ela também é exposta às doenças... Eu gostaria de mencionar algumas das mais frequentes em nossa vida de cúria. São doenças e tentações que debilitam o nosso serviço ao Senhor”, disse o pontífice, e, depois de convidar a todos a fazer um exame de consciência neste advento, como preparação para o Natal, enumerou as “doenças” curiais:

1 - A doença de sentir-se imortal, imune ou até indispensável, deixando de lado os controles necessários e normais. Uma cúria que não é autocrítica, que não se atualiza, que não tenta melhorar é um corpo enfermo. É a doença do rico insensato, que achava que ia viver eternamente, e também daqueles que se tornam amos e se sentem superiores a todos, em vez de sentir-se a serviço de todos.

2- A doença do "martalismo" (da Marta citada no Evangelho), a doença da excessiva atividade: daqueles que ficam imersos no trabalho e deixam de lado “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus. Por isso, Jesus convidou os seus discípulos a “descansar”, porque descuidar do necessário repouso leve ao estresse e à agitação. O tempo do repouso para quem completou a sua missão é necessário, é devido e deve ser levado a sério: passar um "tempo de qualidade” com a família e respeitar as férias como um tempo para recargar-se espiritual e fisicamente; temos que aprender o que ensina o Eclesiastes: há um tempo para tudo.

3 - A doença do endurecimento mental e espiritual: É a doença de quem, ao longo do caminho, perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se esconde nos papéis, virando uma “máquina de trabalho” e não um “homem de Deus”. É perigoso perder a sensibilidade humana necessária para chorar com os que choram e para nos alegrar com os que se alegram. É a doença dos que perdem os sentimentos de Jesus.

4 - Planejar como um contador. A doença do planejamento excessivo e do funcionalismo. É quando o apóstolo planeja tudo minuciosamente e acha que, assim, as coisas efetivamente progridem, virando um contador. Caímos nesta doença porque é sempre mais fácil e cômodo ficar na própria posição estática e imutável. A Igreja se mostra fiel ao Espírito Santo na medida em que não pretende regulá-lo nem domesticá-lo. Ele é o frescor, a fantasia, a inovação.

5 - A não cooperação. A doença da má coordenação. Quando os membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a funcionalidade harmoniosa e a temperança, tornando-se uma orquestra que faz barulho, porque os seus membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipe.

6 - A doença do Alzheimer espiritual. A de esquecer a “história da salvação”, a história pessoal com nosso Senhor, o “primeiro amor”. É uma diminuição progressiva das faculdades espirituais... Vemos isto nos que perderam a lembrança do seu encontro com o Senhor... Nos que constroem muros ao redor de si mesmos e se tornam cada vez mais escravos dos costumes e dos ídolos que esculpiram com as próprias mãos.

7 - A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a aparência, as cores das roupas e as insígnias de honra se tornam o principal objetivo da vida... É a doença que nos leva a ser homens e mulheres falsos e a viver uma mística falsa e um falso quietismo.

8 - A doença da esquizofrenia existencial. É a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica dos medíocres e do progressivo vazio espiritual que os títulos acadêmicos não podem preencher. Criam assim o seu próprio mundo paralelo, onde deixam de lado tudo o que ensinam com severidade aos outros e começam a viver uma vida oculta e, com frequência, dissoluta.

9 - A doença da falação, da murmuração, da fofoca. É uma doença grave que começa com facilidade, talvez só para conversar, mas que se apodera da pessoa e a torna semeadora de cizânia (como Satanás), e, em muitos casos, assassina a sangue frio a fama dos colegas e dos irmãos. É a doença das pessoas covardes, que, por não terem coragem de falar na cara, falam pelas costas.

10 - A doença de divinizar os chefes. É a doença dos que cortejam os superiores, com a esperança de conseguir a sua benevolência. São vítimas do arrivismo e do oportunismo, honram as pessoas e não a Deus. São pessoas que vivem o serviço pensando só no que têm que conseguir e não no que têm que dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu egoísmo fatal.

11 - A doença da indiferença pelos outros. É quando todo mundo pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando os mais capacitados não põem os seus conhecimentos a serviço dos colegas com menos experiência. Quando, por ciúmes, se sente alegria ao ver que os outros caem, em lugar de levantá-los e animá-los.

12 - A doença da cara de enterro. A das pessoas rudes e sombrias, que consideram que, para ser sérios, é preciso pintar a cara de melancolia, de severidade, e tratar os outros, especialmente os considerados inferiores, com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são com frequência os sintomas do medo e da insegurança pessoal.

13 - A doença do acumular. Quando o apóstolo procura encher um vazio existencial no coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas simplesmente para se sentir seguro... O acúmulo só pesa e atrasa o caminho, inexoravelmente.

14 - A doença dos círculos fechados. Pertencer ao grupo se torna mais forte que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, mais forte do que pertencer ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas, com o passar do tempo, escraviza os membros e vira um câncer que ameaça a harmonia do corpo e pode causar muito dano, escândalos, especialmente aos nossos irmãos menores.

15 - A doença da ganância mundana, do brilho. Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para conseguir benefícios mundanos ou mais poderes. É a doença de quem procura insaciavelmente multiplicar o seu poder e, para isso, é capaz de caluniar, difamar e desacreditar os outros, inclusive em jornais e revistas. Naturalmente, para brilhar e mostrar-se mais capaz que os outros.

“Somos chamados, neste tempo de Natal e em todo o tempo do nosso serviço e da nossa existência, a viver segundo a verdade no amor, tentando crescer em tudo diante daquele que é a Cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem entrosado, mediante a colaboração de todas as conjunturas, segundo a energia própria de cada membro, recebe força para crescer de maneira a edificar a si mesmo na caridade”.

“Uma vez eu li que os sacerdotes são como os aviões: são notícia só quando caem, mas há muitos que voam. Muitos os criticam e poucos rezam por eles. É uma frase muito interessante, que descreve a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e o quanto um sacerdote que cai pode causar estrago em todo o corpo da Igreja”.

Fonte: Zenit.

'Que a indiferença se transforme em proximidade'

O Santo Padre Francisco, na Solenidade do Natal do Senhor, desde o Balcão Central da Basílica Vaticana, deu a benção "Urbi et Orbi" e transmitiu a tradicional mensagem de natal aos fieis presentes na praça de São Pedro e a todos aqueles que o acompanhavam por meio do rádio e da televisão.
 
Estas são as palavras do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs, bom Natal!

Jesus, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, nasceu para nós. Nasceu em Belém de uma virgem, dando cumprimento às profecias antigas. A virgem chama-se Maria; o seu esposo, José.
São as pessoas humildes, cheias de esperança na bondade de Deus, que acolhem Jesus e O reconhecem. Assim o Espírito Santo iluminou os pastores de Belém, que acorreram à gruta e adoraram o Menino. E mais tarde o Espírito guiou até ao templo de Jerusalém Simeão e Ana, humildes anciãos, e eles reconheceram em Jesus o Messias. «Meus olhos viram a salvação – exclama Simeão – que ofereceste a todos os povos» (Lc 2, 30-31).
Sim, irmãos, Jesus é a salvação para cada pessoa e para cada povo!
A Ele, Salvador do mundo, peço hoje que olhe para os nossos irmãos e irmãs do Iraque e da Síria que há tanto tempo sofrem os efeitos do conflito em curso e, juntamente com os membros de outros grupos étnicos e religiosos, padecem uma perseguição brutal. Que o Natal lhes dê esperança, como aos inúmeros desalojados, deslocados e refugiados, crianças, adultos e idosos, da Região e do mundo inteiro; mude a indiferença em proximidade e a rejeição em acolhimento, para que todos aqueles que agora estão na provação possam receber a ajuda humanitária necessária para sobreviver à rigidez do inverno, retornar aos seus países e viver com dignidade. Que o Senhor abra os corações à confiança e dê a sua paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra abençoada do seu nascimento, sustentando os esforços daqueles que estão activamente empenhados no diálogo entre Israelitas e Palestinianos.
Jesus, Salvador do mundo, olhe para quantos sofrem na Ucrânia e conceda àquela amada terra a graça de superar as tensões, vencer o ódio e a violência e embocar um caminho novo de fraternidade e reconciliação.
Cristo Salvador dê paz à Nigéria, onde – mesmo nestas horas – mais sangue foi derramado e muitas pessoas se encontram injustamente subtraídas aos seus entes queridos e mantidas reféns ou massacradas. Invoco paz também para outras partes do continente africano. Penso de modo particular na Líbia, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e nas várias regiões da República Democrática do Congo; e peço a quantos têm responsabilidades políticas que se empenhem, através do diálogo, a superar os contrastes e construir uma convivência fraterna duradoura.
Jesus salve as inúmeras crianças vítimas de violência, feitas objecto de comércio ilícito e tráfico de pessoas, ou forçadas a tornar-se soldados; crianças, tantas crianças vítimas de abuso. Dê conforto às famílias das crianças que, na semana passada, foram assassinadas no Paquistão. Acompanhe todos os que sofrem pelas doenças, especialmente as vítimas da epidemia de ébola, sobretudo na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Ao mesmo tempo que do íntimo do coração agradeço àqueles que estão trabalhando corajosamente para assistir os doentes e os seus familiares, renovo um premente apelo a que sejam garantidas a assistência e as terapias necessárias.
Jesus Menino. Penso em todas as crianças assassinadas e maltratadas hoje, seja naquelas que o são antes de ver a luz, privadas do amor generoso dos seus pais e sepultadas no egoísmo duma cultura que não ama a vida; seja nas crianças desalojadas devido às guerras e perseguições, abusadas e exploradas sob os nossos olhos e o nosso silêncio cúmplice; seja ainda nas crianças massacradas nos bombardeamentos, inclusive onde o Filho de Deus nasceu. Ainda hoje o seu silêncio impotente grita sob a espada de tantos Herodes. Sobre o seu sangue, estende-se hoje a sombra dos Herodes do nosso tempo. Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal que se juntam às lágrimas de Jesus Menino!
Queridos irmãos e irmãs, que hoje o Espírito Santo ilumine os nossos corações, para podermos reconhecer no Menino Jesus, nascido em Belém da Virgem Maria, a salvação oferecida por Deus a cada um de nós, a todo o ser humano e a todos os povos da terra. Que o poder de Cristo, que é libertação e serviço, se faça sentir a tantos corações que sofrem guerras, perseguições, escravidão. Que este poder divino tire, com a sua mansidão, a dureza dos corações de tantos homens e mulheres imersos no mundanismo e na indiferença, na globalização da indiferença. Que a sua força redentora transforme as armas em arados, a destruição em criatividade, o ódio em amor e ternura. Assim poderemos dizer com alegria: «Os nossos olhos viram a vossa salvação».
Com estes pensamentos, a todos bom Natal!

Fonte: Zenit.