sábado, 25 de outubro de 2014

"A minha viagem à Turquia é para superar os obstáculos entre Roma e Constantinopla"

"A visita do Bispo de Roma ao Patriarcado Ecumênico e o novo encontro entre o Patriarca Bartolomeu e minha pessoa serão sinais da profunda ligação que une a sede de Roma e de Constantinopla e do desejo de superar, no amor e na verdade, as barreiras que ainda nos separam".
Com estas palavras, e com a mente já voltada à sua próxima viagem à Turquia em novembro, o Papa Francisco recebeu na manhã de hoje, na Sala dos Papas, uma delegação de membros da Orientale Lumen Foundation da América, participantes na peregrinação ecumênica liderada pelo Metropolita Kallistos de Diokleia.
A próxima etapa da viagem será exatamente o Phanar, onde a delegação se reunirá com Bartolomeu I. "Por favor, transmitam as minhas saudações cordiais e fraternas com a certeza do meu afeto e da minha estima", disse o Papa.
Em seguida, lembrou que "toda peregrinação cristã não é somente uma jornada geográfica, mas especialmente a ocasião de um caminho de renovação interior para ir cada vez mais a Cristo Senhor, ‘aquele que dá origem à fé e a leva à realização’”. Dimensões “absolutamente essenciais para proceder também ao longo da estrada que leva à reconciliação e à plena comunhão entre todos os crentes em Cristo". "Não há um verdadeiro diálogo ecumênico sem a disponibilidade de uma renovação interior e buscando uma maior fidelidade a Cristo e à Sua vontade", disse Francisco.
Disse que está "feliz" ao saber que a peregrinação quer recordar os Papas João XXIII e João Paulo II, canonizados em abril passado. Uma escolha que "enfatiza a grande contribuição que deram para o desenvolvimento de relações sempre mais estreitas entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas", diz o Santo Padre. O exemplo dos dois Papas santos - acrescentou - é, definitivamente, "esclarecedor para todos nós", porque "eles sempre testemunharam uma paixão ardente pela unidade dos cristãos, surgida da dócil escuta da vontade do Senhor, que na última ceia orou para Pai para que os seus discípulos ‘fossem um’”.
Um exemplo é o fato de que São João XXIII, quando anunciou a convocação do Concílio Vaticano II, apontou entre os objetivos justamente o da unidade dos cristãos. Ou também o impulso notável dado por São João Paulo II ao compromisso ecumênico da Igreja Católica na Carta Encíclica Ut Unum Sint.
Aos dois papas, Francisco, então, confia o prosseguimento da viagem da Orientale Lumen Foundation. Antes da despedida pede, como de costume, oração para si, para que “com a intercessão destes dois santos, meus antecessores, possa desempenhar o meu ministério de Bispo de Roma a serviço da comunhão e da unidade da Igreja, seguindo em tudo a vontade do Senhor".

Fonte: Zenit.

Halloween: não brinquemos com fogo!

A ingenuidade é muitas vezes a causa de muitos males do nosso tempo. Muitas pessoas, de boa fé, são influenciadas por modismos e encontram-se brincando com fogo. Não percebem os riscos que poderiam se esconder atrás de situações aparentemente inócuas.
Um exemplo óbvio desta ingenuidade é a participação de muitos pais, crianças e jovens na festa de Halloween.
Há alguns anos atrás, este evento só poderia ser conhecido através de alguns filmes ou quadrinhos norte-americanos. Mas hoje o mundo mudou. O advento da Internet e a proliferação dos meios de comunicação contribuem facilmente para a disseminação de modas.
E assim, o Dia das Bruxas atravessou as fronteiras e se espalhou em muitos outros países.
Para dar-se conta do fenômeno basta olhar para as vitrines de restaurantes e lojas de brinquedos. Foram invadidas por objetos, figurinos e bonecos relacionados a este evento.
O símbolo do Halloween é uma abóbora esculpida com os olhos, nariz e boca, iluminada por uma vela colocada dentro. Na noite entre o 31 de outubro e 1 de novembro, as crianças americanas têm o costume de vestir-se como fantasmas, vampiros ou monstrinhos. Batem nas portas das casas com um saquinho na mão, pedindo doces e balas.
Alguém pode dizer: "O que há de errado? Por que não podemos fazer o mesmo? Afinal de contas, o Halloween é uma espécie de carnaval! Uma maneira de se divertir e brincar um pouco'!”. E é essa ingenuidade, a falta de profundidade, que leva muitos pais a não entenderem os possíveis riscos que se escondem por trás de certas modas.
Tentemos refletir sobre a realidade dos fatos. Vamos perceber, também, que Halloween não é apenas uma espécie de carnaval, mas algo mais. É uma moda que, muitas vezes, tem raíz na superficialidade com que se vive a fé cristã em certas famílias.
Muitos pais batizam seus filhos, os levam ao Catecismo e os fazem fazer a sua primeira comunhão. Mas depois se esquecem de leva-los à Missa, porque dizem que têm muitos compromissos no domingo. Depois das suntuosas festas de primeira comunhão as igrejas se esvaziam.
O batismo e a Primeira Comunhão parecem ter se tornado rituais com base na aparência, onde as pessoas se vestem bem e fazem grandes refeições no restaurante com parentes e amigos. Mas poucos pais, depois, se comprometem seriamente em acompanhar os filhos em um caminho de fé.
A participação ingênua no Halloween é um dos frutos dessa falta de compromisso. Em vez de vestir as crianças de monstros, os pais deveriam ensiná-las a orar. Deveriam contar-lhes as fascinantes histórias da vida dos Santos, tendo em vista o primeiro de novembro.
Em quantas famílias se reza hoje? Em um tempo as crianças recitavam uma oraçãozinha antes de ir dormir. Quantas o fazem ainda hoje? Talvez os pais estejam ocupados demais em disfarçar seus filhos de vampiros e não têm tempo para educá-los ao conhecimento das nossas tradições autênticas.
Em torno do Halloween se desencadeou também um fenômeno comercial que toca os jovens e os adolescentes: a dos "rave" e das festa na discoteca cheias de mau gosto. Representam uma verdadeira e real exaltação do macabro, em que as pessoas vestem trajes horríveis e irreverentes, muitas vezes ofensivos para a religião.
Em certas festas com temas esotéricos, além de dança, há o risco de se deparar com "mágos" e ocultistas que se aproveitam da ocasião para introduzir os jovens nas práticas mágicas e supersticiosas.
Halloween se transformou em uma ocasião a mais para chegar tarde e frequentar ambientes questionáveis. A moda acaba por distrair a atenção dos jovens em um período do ano que, por tradição, sempre foi reservado à memória de todos os santos e à comemoração dos mortos.
A memória dos santos e dos mortos foi substituída pela vulgaridade de certos costumes. Os momentos de meditação e oração foram trocados pelos volume ensurdecedor da discoteca.
É por isso que o Dia das Bruxas não pode ser considerado simplesmente um segundo Carnaval. Por trás das abóboras, fantasias e festas, aparentemente inofensivas, poderia esconder-se algumas armadilhas.
É preciso estimular um maior senso crítico nos jovens, ajudando-os a não beber passivamente as mensagens enganosas que estão associados a esta festa. Começa como uma brincadeira, aceitando o convite de um "mago" na discoteca para ler o futuro nas cartas, e depois corre-se o risco de se tornarem escravos do ocultismo.
Não esqueçamos as nossas tradições! Não precisa ter medo de lembrar aos rapazes o significado da época do ano em que nos encontramos. Será uma oportunidade preciosa para redescobrir a riqueza espiritual das nossas raízes cristãs.
Os jovens precisam de uma cultura nova, alternativa e contra-corrente, que substitua o som de certos fenômenos de massa com a intimidade e os silêncios de uma fé viva, vivida na beleza da sua jornada diária.

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Espanha: Vigília de oração por Asia Bibi

Ontem quinta-feira, às 19 horas (hora local), foi realizada em frente à embaixada do Paquistão em Madrid uma vigília de oração por Asia Bibi, a mulher católica paquistanesa condenada à forca. À convocação, organizada pelo MasLibres.org, participarão pessoas de diferentes denominações cristãs.
Esta humilde camponesa foi acusada de blasfêmia em 19 de Junho de 2009 pela muçulmana Qari Muhammad Salam, e denunciada à polícia da cidade de Nankana Sahib. Depois do julgamento perante o Tribunal de Nankana Sahib, Asia Bibi foi condenada à morte em 8 de novembro de 2010.
O recurso foi apresentado no Tribunal Superior de Lahore em 11 de novembro de 2010, mas por razões de calendário, do contexto, das pressões políticas e religiosas, apenas quatro anos depois foi levado em consideração e inserido no calendário da Corte.
Após cinco adiamentos da audiência que deveria rever a sentença à forca, a corte de apelação de Lahore confirmou a sentença à morte no dia 16. Agora os advogados de defesa, recorrem em última instância à Suprema Corte do país.
Ao saber da decisão do tribunal, fontes próximas à mulher expressaram neste site o seguinte apelo em favor da liberdade religiosa: "Por favor, mantenham suas orações e apoio para salvar a vida de Asia Bibi enquanto temos força”.
Em todos esses anos de cativeiro, MasLibres.org demonstrou apoio à mãe de cinco filhos, acompanhando sua família, sustentando sua defesa jurídica, bem como realizando um intenso trabalho de coordenação com o Ministério das Relações Exteriores da Espanha. Além disso, impulsionou um novo pedido de clemência ao presidente do Paquistão, Mamnoon Hussain, que já conta com mais de 15.000 pessoas na internet.
Este caso é um símbolo da luta mundial contra a "lei da blasfêmia" em vigor no Paquistão e uma das formas mais nefastas de discriminação e perseguição de cristãos no país.
Embora a evidência seja altamente duvidosa, a pressão islâmica sobre os tribunais e defensores de Asia Bibi (dois deles foram mortos) impediram um julgamento justo. Somente a pressão internacional poderá impedir a execução e que o Supremo Tribunal anule a sentença.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"A esperança da família": reflexão pós-sinodal na Universidade Europeia

A primeira fase do Sínodo terminou e agora é o momento das reflexões pós-sinodal, cuja tarefa é traduzir no tecido vivo da comunidade dos fiéis as instancias que emergiram durante a assembleia religiosa.
Testemunho da fecundidade das idéias que emergiram do Sínodo foi a mesa redonda "A esperança da família - O Sínodo e depois", realizada em 21 de outubro, na UER- Universidade Europeia de Roma-, no âmbito dos encontros organizados pelos "Círculos Culturais João Paulo II".
A mesa redonda foi introduzida por Antonio Gaspari, diretor editorial de Zenit, que, após as saudações habituais, apresentou os renomados palestrantes: Cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Dom Luigi Negri, Arcebispo de Ferrara-Comacchio, presidente da Fundação Internacional João Paulo II para o Magistério da Igreja; Dom Livio Melina, presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e a Família. A única presença leiga feminina foi Miriano Constance, jornalista e escritora.
O encontro nasceu do livro-entrevista com o Cardeal Müller, intitulado "A esperança da família", publicado pela Edizioni Ares, que vai além da necessidade de esclarecer mal-entendidos que rodearam o Sínodo.
"Um dos pontos centrais do texto – explicou o cardeal - é o tema da Fé. Vivemos em uma época de secularismo e incredulidade que têm enfraquecido a noção sacramental." O cardeal citou a encíclica Lumen Fidei do Papa Francisco, dedicada ao tema da Fé e a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, um dos documentos mais importantes do Concílio Vaticano II, que trata, entre outras coisas, da questão da dignidade do matrimônio e da família.
O cardeal leu uma passagem do prefácio de seu livro, escrito pelo Cardeal Fernando Sebastián: "No sacramento do matrimônio os fiéis cristãos, homens e mulheres, celebram com a Igreja a fé no amor de Deus presente e operante neles como membros da Igreja e colaboradores de Deus na multiplicação da humanidade e da Igreja de salvação."
Ao intervir, a jornalista Constance Miriano começou com uma afirmação relacionada à sua experiência como mãe e suas crenças católicas: "Tudo bem misericórdia para com os divorciados, mas é preciso dá-la também às crianças. Deles se fala pouco, mas são as primeiras vítimas quando os pais seguem caminhos diferentes."
A escritora explicou que a sua atividade a leva a encontrar muitas famílias, e isso reforçou sua crença de que "a moral cristã não é comparável a burguesa"; esta última constrói sua "catequese" baseada em modelos de televisão e filme: modelos que geram decepção. "O verdadeiro amor é fundado em Cristo e a 'realfabetização' do amor pertence à Igreja."
Depois, tomou a palavra Dom Melina, que agradeceu Müller pelo livro e pela coragem que demonstrou, e lembrou um conceito do bem-aventurado Papa Paulo VI: a Igreja não inventa sua doutrina, mas é sua intérprete e guardiã. "A quem nos chama a reconsiderar os princípios da fé para torná-la mais adaptável aos nossos tempos - disse o prelado - a Igreja só pode responder: "Non possumus”. "Nós não podemos!"
"O Cardeal Müller- continuou- argumenta o vínculo indissociável entre a verdade e a prática. A doutrina se tornaria abstrata e prática arbitrária, se a Igreja fizesse a temporada de desconto”. "A misericórdia não pode ser uma ferramenta para resolver as dificuldades contingentes: os pais se preocupam em educar, mesmo que às vezes obrigados a dizer coisas que, naquele momento, não agradam os filhos”.
Dom Luigi Negri agradeceu ao cardeal pelo livro, que descreveu como "sugestivo e propositivo para o futuro”. "A crise do nosso tempo - disse - coincide com a crise da família, que expressa a crise do homem contemporâneo: A fragmentação inexorável da vida num contexto de conflitos de opinião. Diminuindo o empenho do homem contra seus instintos, a realidade é reduzida a um conjunto de objetos manipulados de acordo com as regras de natureza tecnológica, desaparecendo o sentido do mistério". O bispo citou o filósofo Jacques Maritain, segundo o qual "a modernidade é a luta desmotivada e ideológica entre a razão e o mistério."
Dom Negri continuou, afirmando que o "novo" de hoje é baseado em um conceito já falido, em uma revolução antropológica que, tendo demonstrado a sua inconsistência, não pode ser tomado como uma ferramenta para a inovação. No livro de Müller, a experiência do matrimônio é, ao invés, uma autêntica experiência de vida nova, onde o amor cristão é a expressão de um amor humano baseado na “gratuidade" e não na "conveniência" (e aqui Dom Negri citou Caritas in Veritate de Bento XVI para um repensar do sistema econômico global).
"A semente de uma vida nova - concluiu o Arcebispo de Ferrara - deve ser educada sobre a base da fé de acordo com o pensamento de Deus e não do mundo. O futuro é nosso, na medida em que somos capazes de ler a vocação cristã em sua profundidade."
Para finalizar a noite, o Reitor da Universidade Luca Gallizia L.C expressou seu especial agradecimento por esta oportunidade de reflexão: "Uma reflexão que vai continuar ao longo do ano. Enquanto a nossa primeira tarefa continua sendo a oração a fim que o Espírito Santo conduza a Igreja."

Cardeal Müller, Dom Negri, Dom Melina e Constance Miriano juntos na mesa redonda organizada pela Universidade para falar sobre família, fé e matrimônio.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ideologia de gênero e pessoa: "Quem é que pode me dizer quem eu sou?"

O angustiante questionamento do Rei Lear, “Quem é que pode me dizer quem eu sou?”, dá título à palestra de abertura do novo ano acadêmico da Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação Auxilium, de Roma. O palestrante é Francesco D'Agostino, professor de Filosofia do Direito na Universidade Tor Vergata, também da capital italiana.
O evento faz parte de uma série de encontros que a faculdade tem organizado para debater a complexa “questão de gênero”, um dos grandes temas da atualidade, que tem sérias implicações na educação, na universidade e no futuro dos jovens. O objetivo é estudar e apontar critérios interpretativos para identificar caminhos de crescimento na construção do masculino e do feminino.
A palestra de D'Agostino parte de duas perguntas básicas que todos nós fazemos diante de um bebê: “É menino ou menina? Qual é o nome dele/dela?”.
“São perguntas que se fundem e se confundem, porque é a partir delas e através delas que se constrói o mistério da identidade pessoal”. Ao mesmo tempo, “quando nos perguntam ‘quem é você?’, recorremos, mesmo que não nos demos conta, ao outro e à sua ajuda providencial”, diz D'Agostino, “e não porque a palavra do outro seja infalível, mas porque o ato de ouvi-lo aciona em nós a consciência de que é essencial que a resposta seja dada de acordo com a verdade e não de acordo com a nossa arbitrariedade”.
A partir dessas questões, D'Agostino percorre os diferentes níveis em que pode ser tratada a questão da identidade, da orientação sexual e da identidade de gênero, as perspectivas resultantes do problema que, em última instância, não surgem apenas do jurídico e do social, mas do antropológico, "já que questionam a nossa capacidade de compreensão pessoal própria". O palestrante conclui, por exemplo, que "somos homens ou somos mulheres porque respondemos, com a nossa identidade sexual, e desde o nascimento, às provocações (pró-vocações) que nos vêm do sexo oposto, pró-vocações que, essencialmente, nos pedem reconhecer na alteridade sexual o limite constitutivo da nossa subjetividade".
Dirigida há mais de cinquenta anos pelas Filhas de Maria Auxiliadora, a faculdade tem a sua missão cultural caracterizada pela internacionalidade e pela interculturalidade, como experiência consolidada e vivida, mas também como objetivo do ensino universitário a fim de construir identidades fortes em uma sociedade cada vez mais multiétnica e multicultural, bem como pela formação de profissionais educadores na atenção constantes às transformações da sociedade contemporânea, que afetam todas as profissões, das mais tradicionais às mais recentes e inovadoras.
É a mesma missão que Bento XVI chamou de "serviço da caridade intelectual", concretizada na formação das novas gerações de educadores e profissionais da educação.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Hindus e cristãos unidos para promover a cultura da inclusão

Os seguidores do hinduísmo celebram neste dia 23 de outubro o Deepavali, a festa da luz. Pela ocasião, o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, enviou a mensagem "Cristãos e hindus: juntos para promover a cultura da inclusão".
O texto recorda que a globalização abriu muitas fronteiras inovadoras e ofereceu novas oportunidades para o desenvolvimento, mas, por outro lado, não conseguiu o seu objetivo principal de integrar as populações locais na comunidade global. "A globalização repercutiu consideravelmente em muitos povos, levando-os a perder a sua identidade sócio-cultural, econômica e política".
"Os efeitos nocivos da globalização podem ser notados em todo o mundo, inclusive nas comunidades religiosas que estão estreitamente unidas às culturas circundantes". A globalização contribuiu para fragmentar a sociedade e para aumentar o relativismo e o sincretismo, assim como a “privatização” da religião. "O fundamentalismo religioso, a violência étnica, tribal e sectária em várias partes do mundo são amplas manifestações de descontentamento, de incerteza e de insegurança, especialmente entre os mais pobres e os excluídos dos benefícios da globalização".
Outras consequências negativas da globalização, como a propagação do materialismo e do consumismo, tornaram as pessoas mais egocêntricas, famintas de poder e indiferentes aos direitos, necessidades e sofrimentos dos outros. A este propósito, o texto menciona as palavras do papa Francisco ao comentar que isto "desembocou na globalização da indiferença que nos leva lentamente a nos acostumarmos com o sofrimento do outro, fechando-nos em nós mesmos". Esta indiferença gera a cultura da exclusão, que nega os direitos dos pobres, dos marginalizados e dos indefesos, assim como as oportunidades e os recursos que estão à disposição de outros membros da sociedade. Deste modo, a mensagem afirma que, em muitos sentidos, "a exploração de crianças e mulheres, o abandono dos idosos, dos enfermos, dos deficientes, dos migrantes e dos refugiados, assim como a perseguição das minorias, são indicadores evidentes desta cultura da exclusão".
Por isso, o dicastério para o diálogo inter-religioso afirma que "construir uma cultura de inclusão se torna um chamado comum e uma responsabilidade compartilhada, que devemos assumir com urgência". É um projeto que envolve todos os que se preocupam com a saúde e com a sobrevivência da família humana aqui na terra e que é preciso realizar no meio das forças que perpetuam a cultura da exclusão (e apesar delas).
Ao encerrar a mensagem, o dicastério assegura que, "como pessoas arraigadas em nossas respectivas tradições religiosas e com convicções em comum, nós, hindus e cristãos, podemos nos unir aos seguidores de outras religiões e a pessoas de boa vontade para promover a cultura da inclusão, com o objetivo de construir uma sociedade justa e pacífica".

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Paulo VI soube «dar a Deus o que é de Deus»

Apresentamos a homilia do Papa Francisco na Santa Missa de encerramento do Sínodo Extraordinário sobre a Família e beatificação do Servo de Deus Papa Paulo VI realizada neste domingo, 19 de Outubro de 2014, na Praça de São Pedro.
 
Acabamos de ouvir uma das frases mais célebres de todo o Evangelho: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mt 22, 21).
À provocação dos fariseus, que queriam, por assim dizer, fazer-Lhe o exame de religião e induzi-Lo em erro, Jesus responde com esta frase irónica e genial. É uma resposta útil que o Senhor dá a todos aqueles que sentem problemas de consciência, sobretudo quando estão em jogo as suas conveniências, as suas riquezas, o seu prestígio, o seu poder e a sua fama. E isto acontece em todos os tempos e desde sempre.
A acentuação de Jesus recai certamente sobre a segunda parte da frase: «E [dai] a Deus o que é de Deus». Isto significa reconhecer e professar – diante de qualquer tipo de poder – que só Deus é o Senhor do homem, e não há outro. Esta é a novidade perene que é preciso redescobrir cada dia, vencendo o temor que muitas vezes sentimos perante as surpresas de Deus.
Ele não tem medo das novidades! Por isso nos surpreende continuamente, abrindo-nos e levando-nos para caminhos inesperados. Ele renova-nos, isto é, faz-nos «novos» continuamente. Um cristão que vive o Evangelho é «a novidade de Deus» na Igreja e no mundo. E Deus ama tanto esta «novidade»!
«Dar a Deus o que é de Deus» significa abrir-se à sua vontade e dedicar-Lhe a nossa vida, cooperando para o seu Reino de misericórdia, amor e paz.
Aqui está a nossa verdadeira força, o fermento que faz levedar e o sal que dá sabor a todo o esforço humano contra o pessimismo predominante que o mundo nos propõe. Aqui está a nossa esperança, porque a esperança em Deus não é uma fuga da realidade, não é um álibi: é restituir diligentemente a Deus aquilo que Lhe pertence. É por isso que o cristão fixa o olhar na realidade futura, a realidade de Deus, para viver plenamente a existência – com os pés bem fincados na terra – e responder, com coragem, aos inúmeros desafios novos.
Vimo-lo, nestes dias, durante o Sínodo Extraordinário dos Bispos: «sínodo» significa «caminhar juntos». E, na realidade, pastores e leigos de todo o mundo trouxeram aqui a Roma a voz das suas Igrejas particulares para ajudar as famílias de hoje a caminharem pela estrada do Evangelho, com o olhar fixo em Jesus. Foi uma grande experiência, na qual vivemos a sinodalidade e a colegialidade e sentimos a força do Espírito Santo que sempre guia e renova a Igreja, chamada sem demora a cuidar das feridas que sangram e a reacender a esperança para tantas pessoas sem esperança.
Pelo dom deste Sínodo e pelo espírito construtivo concedido a todos, – com o apóstolo Paulo – «damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações» (1 Tes 1, 2). E o Espírito Santo, que nos concedeu, nestes dias laboriosos, trabalhar generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade, continue a acompanhar o caminho que nos prepara, nas Igrejas de toda a terra, para o Sínodo Ordinário dos Bispos no próximo Outubro de 2015. Semeámos e continuaremos a semear, com paciência e perseverança, na certeza de que é o Senhor que faz crescer tudo o que semeámos (cf. 1 Cor 3, 6).
Neste dia da beatificação do Papa Paulo VI, voltam-me à mente estas palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: «Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (...) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade» (Carta ap. Motu próprio Apostolica sollicitudo).
A respeito deste grande Papa, deste cristão corajoso, deste apóstolo incansável, diante de Deus hoje só podemos dizer uma palavra tão simples como sincera e importante: Obrigado! Obrigado, nosso querido e amado Papa Paulo VI! Obrigado pelo teu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja!
No seu diário pessoal, depois do encerramento da Assembleia Conciliar, o grande timoneiro do Concílio deixou anotado: «Talvez o Senhor me tenha chamado e me mantenha neste serviço não tanto por qualquer aptidão que eu possua ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades actuais, mas para que eu sofra algo pela Igreja e fique claro que Ele, e mais ninguém, a guia e salva» (P. Macchi, Paolo VI nella sua parola, Brescia 2001, pp. 120-121). Nesta humildade, resplandece a grandeza do Beato Paulo VI, que soube, quando se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor.
Verdadeiramente Paulo VI soube «dar a Deus o que é de Deus», dedicando toda a sua vida a este «dever sacro, solene e gravíssimo: continuar no tempo e dilatar sobre a terra a missão de Cristo» (Homilia no Rito da sua Coroação, Insegnamenti, I, (1963), 26), amando a Igreja e guiando-a para ser «ao mesmo tempo mãe amorosa de todos os homens e medianeira de salvação» (Carta enc. Ecclesiam suam, prólogo).

Fonte: Zenit.