segunda-feira, 19 de março de 2012

Quaresma 2012: boas-vindas ao papa

O jornalista católico cubano Félix Sautié Mederos escreve, a seguir, sobre a Cuba que espera a chegada do papa.



Félix Sautié Mederos

Em meio a contingências, polarizações e angústias tão prementes para o povo cubano, assentado dentro e fora das nossas fronteiras, novamente me surpreende a vertiginosa sucessão de eventos deste 2012 que acabamos de iniciar. Parece que, quanto mais os anos passam por mim, mais eu pressinto que o tempo corre com pressa, como se o meu interior estivesse apurado para chegar ao momento da passagem definitiva. No entanto, eu me esforço insistentemente para colaborar, na medida das minhas possibilidades, com a reconciliação e o diálogo entre os cubanos, sem me deixar amedrontar pelas advertências, insultos e ameaças veladas que alguns perdem tempo em me fazer chegar.

Estas foram as minhas sensações existenciais durante a celebração litúrgica da quarta-feira de cinzas de 2012, na catedral de Havana, provocadas pela lembrança sacramental de ser pó e ao pó ter de tornar. As cinzas abençoadas pelo arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, com a água viva da criação e a natureza que nos lavará, deram início ao período penitencial preparatório para a Semana Santa e para a Páscoa da Ressurreição, etapas de profundo misticismo no calendário cristão, em cujos dias prévios o papa Bento XVI visitará Cuba.

Refiro-me a dois fatos de alta transcendência espiritual, que se manifestarão muito apesar dos que não conseguem ocultar os seus ódios contra a Igreja, e de outros detratores monotemáticos que só aceitam as coisas convergentes com as suas ideias. Vozes que abusam sem piedade do povo cubano, do seu direito de refugiar-se espiritualmente nas suas devoções e nas suas atividades de espiritualidade. Por outro lado, considero imprescindível manter sempre em consideração que as festividades e comemorações religiosas constituem direitos inalienáveis das pessoas que, por vontade própria, optam por participar. Assim, o fato histórico da visita a Cuba do papa Bento XVI, em peregrinação pelos 400 anos do achado da imagem da Virgem da Caridade em 1612, que é padroeira e Rainha de Cuba, é seu direito como sucessor de São Pedro, assim como é direito do povo cubano, crente ou não, recebê-lo com alegria, respeito e dignidade.

Em meio de tanto mais do mesmo, de tantos desenganos e desesperanças, um acontecimento desta índole, na minha opinião, constitui uma mudança no ritmo existencial e um estímulo carregado de esperanças, que se transformarão num motor para a luta pela vida. Nestas circunstâncias e conjunturas, eu considero que a visita papal terá importantes repercussões positivas para a auto-estima do povo cubano que vive dentro e fora das nossas fronteiras, porque nunca deveríamos esquecer a diáspora que saiu das nossas entranhas. E, principalmente, será de especial significação a sua mensagem de amor intrínseco, próprio da devoção à Virgem da Caridade, assim como propiciador de paz, diálogo, reencontro, reconciliação, acima de qualquer consideração política.

Uma celebração de 400 anos é única; e, se é estritamente religiosa, supera as contingências econômicas, políticas ou históricas do momento. Nesta ocasião, os crentes cubanos, muito especialmente os católicos de todas as ideias políticas e sociais, de dentro e de fora das nossas fronteiras, têm o direito inalienável de receber o papa, que é o pastor universal da nossa Igreja, e fazê-lo com satisfação máxima e sem nenhum tipo de limitação e sem os condicionamentos que alguns pretenderiam colocar, com julgamentos e critérios até insultantes e depreciativos para com quem pensa diferente deles, assim como para com a Igreja católica cubana, os crentes, o povo cubano e, ainda mais, para com quem é o pastor da Igreja católica universal.

O que Bento XVI vier expor em Cuba, tanto às autoridades governamentais quanto aos católicos e ao povo em geral, é uma responsabilidade exclusivamente sua, emanada de sua consciência e de sua alta investidura religiosa e estatal. Penso que só depois da sua visita é que poderão ser avaliadas as repercussões essenciais para Cuba que, no concernente à população católica, assim como aos devotos da Virgem da Caridade, serão por si sós enriquecedoras e cheias de júbilo espiritual, já que se trata de uma viagem pastoral plenamente justificada por um aniversário transcendente para a nossa identidade nacional. A Virgem da Caridade, afinal, é um símbolo indiscutível da nossa nacionalidade.

Opino, porém, que faz parte da correta lógica existencial e histórica identificar, reconhecer e manifestar publicamente as complexas circunstâncias do momento de inflexão em que nós, cubanos, estamos imersos, assim como as angústias que estamos atravessando dentro e fora do país, e que, por conseguinte, proclamemos os nossos reclames e problemas neste sentido; mas as imposições conceituais, os condicionamentos e os insultos não têm cabimento, e ferem as necessidades de reencontro, diálogo e reconciliação, tão urgentes para a nação cubana hoje.

Os insultos e condicionamentos extemporâneos coincidem com as ações ameaçadoras e de advertência, assim como com o uso da força e da repressão contra o pensamento diferente. Estes fatos controversos propiciam o empobrecimento do ambiente e a criação de situações complicadas e insustentáveis.

Considero que, na quaresma de 2012 e no Ano Jubilar do 400º aniversário do achado da imagem da Virgem da Caridade, receber a visita pastoral de Bento XVI é nosso direito, que coincide com as nossas urgências atuais. Assim acredito, assim afirmo e assim defendo. Bem-vindo seja o papa!

Fonte: Zenit.

Trindade é amor!

Trindade é amor e sem Trindade o cristianismo não teria fundamento.

Isto é o que explicou hoje, 16 de março, o Pe. Raniero Cantalamessa na sua segunda pregação da Quaresma.

O Pregador da Casa Pontifícia fez referência à São Gregório Nazianzeno (329 – 390 aprox.), bispo de Constantinopla, Doutor e Padre da Igreja, mais conhecido como "o cantor da Trindade".

Como escreveu João no Evangelho "Deus é amor" (1 Jo 4,10) "e Santo Agostinho acrescentou: "Por isso, ele é Trindade!" porque “o amor supõe alguém que ama, alguém que é amado e o próprio amor”.

Padre Cantalamessa disse que "O Pai é, na Trindade, aquele que ama, a fonte e o princípio de tudo; o Filho é aquele que é amado; o Espírito Santo é o amor com o qual se amam.”

Os pensadores gregos e, no geral, as filosofias religiosas de todos os tempos, concebem a Deus principalmente como “pensamento”, ou seja, Deus que pensava a si mesmo “pensamento puro”, “pensamento do pensamento”.

"Mas isto – acrescentou o Pregador – não é mais possível, desde o momento no qual dizemos que Deus é antes de tudo amor, porque o "puro amor de si mesmo "seria puro egoísmo, que não é a exaltação máxima do amor, mas a sua total negação”.

Assim como – disse o padre Cantalamessa - "um Deus que fosse puro Conhecimento ou pura Lei, ou puro Poder não teria nenhuma necessidade de ser Trino; mas um Deus que é acima de tudo Amor sim, porque “em menos do que dois não pode ter amor”.

"É preciso - escreveu o cardeal francês Henri Marie de Lubac - que o mundo saiba: a revelação do Deus amor transforma toda aquela concepção que ele tinha da divindade".

De acordo com o pregador da Casa Pontifícia", a Trindade está tão mergulhada na teologia, na liturgia, na espiritualidade e em toda a vida cristã que renunciar a ela significaria começar outra religião, completamente diferente."

Por esta razão seria necessário "tirar este mistério dos livros de teologia e colocar na vida, de modo que a Trindade não seja só um mistério estudado e devidamente formulado, mas vivido, adorado e gozado”.

A vida cristã de fato se desenvolve, do começo ao fim, no sinal e na presença da Trindade.

Na aurora da vida, fomos batizados "em nome do Pai e do Filho, do Espírito Santo", e no final de nossas vidas como cristãos, são recitadas as palavras: "Parte, alma cristã, deste mundo: em nome do Pai que te criou, do Filho que te redimiu e do Espírito Santo que te santificou".

"Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, os esposos se unem no Matrimônio e colocam um no outro a aliança e os sacerdotes e os bispos são consagrados”, no nome da Trindade começavam certa vez os contratos, os julgamentos e todo ato importante da vida civil e religiosa.

Padre Cantalamessa concluiu a segunda pregação da Quaresma lembrando que a doxologia que conclui o cânon da Missa constitui a mais breve e a mais densa oração trinitária da Igreja: "Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai Todo-Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre. Amém".

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nota oficial da Arquidiocese de Maringá sobre o projeto de incineração dos resíduos sólidos urbanos

No âmbito do Estado democrático de direito, reconhecemos como nossa missão nos pronunciarmos sobre tudo o que diz respeito ao bem da comunidade, como igualmente incentivar e apoiar a sua conscientização e organização Compartilhar:


A Arquidiocese de Maringá, atenta aos anseios do povo e preocupada com a defesa da saúde, assim como com a preservação do meio ambiente, vem a público emitir a seguinte NOTA DE ESCLARECIMENTO:

1- Temos acompanhado as discussões acerca da proposta de instalação, em Maringá, de uma usina de incineração dos resíduos sólidos urbanos. Ouvidos esclarecimentos de Cientistas, do Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Estadual e de Movimentos Sociais, concluímos não ser recomendável a utilização de tecnologia de incineração (queima do lixo). Entre os problemas apontados verifica-se o prejuízo social dos trabalhadores da reciclagem, além dos graves e irreversíveis danos à saúde dos seres vivos, notadamente das pessoas.

2- A Igreja tradicionalmente tem-se mostrado sensível à necessidade de cuidar do meio ambiente e da saúde. Prova-o a Campanha da Fraternidade, em especial nos dois últimos anos: 2011 – “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22); 2012 – “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8). “É missão da Igreja a continuidade da ação de Jesus na história para que a saúde se difunda sobre a terra” (CF-2012 Texto-base, 178).

3- Os cidadãos não devem permitir que, num Município nacionalmente conhecido como “Cidade Verde”, o Poder Público Municipal implante uma política que privilegie a incineração dos resíduos sólidos urbanos, em detrimento da não geração, redução, reutilização, reciclagem e compostagem, tal como estipula a Lei que Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305/2010).

4 – Por fim, no âmbito do Estado democrático de direito, reconhecemos como nossa missão nos pronunciarmos sobre tudo o que diz respeito ao bem da comunidade, como igualmente incentivar e apoiar a sua conscientização e organização.

Maringá, março de 2012.



Dom Anuar Battisti
Arcebispo Metropolitano


Mons. Marcos Aurélio Ramalho Leite
Chanceler da Cúria Metropolitana

Prot. 70/2012
Fls. 200 v.

Grupos ecumênicos e inter-religiosos por um Paquistão livre

O primeiro aniversário da morte de Shahbaz Bhatti deu força às vozes que defendem a liberdade religiosa no Paquistão.

No último sábado, um show de três horas na Trafalgar Square, em Londres, homenageou Bhatti, que deu a vida por essa causa, e procurou sensibilizar as pessoas quanto às violações dos direitos humanos no Paquistão. Antes do show, foi entregue na residência do primeiro-ministro britânico, David Cameron, um abaixo-assinado pedindo que a diplomacia inglesa promova a mudança das leis contra a blasfêmia vigentes no Paquistão, que prevêem prisão perpétua e até pena de morte para quem ofende o islã.

O pedido, com mais de seis mil assinaturas, foi apresentado por uma delegação ecumênica que inclui o presidente da Christian Peoples Alliance, Alan Craig, e o representante da Ajuda à Igreja que Sofre, John Pontifex.

Pontifex, que conheceu Bhatti pessoalmente, afirmou: “Para Bhatti, a fé cristã era a liberdade de expressar o próprio credo religioso sem limites nem barreiras. Era uma causa pela qual valia a pena não só lutar, mas também morrer”.

Bhatti, ministro das Minorias do governo paquistanês, foi assassinado em março do ano passado durante uma viagem a Islamabad. Sua morte deu grande destaque à campanha pela libertação de Asia Bibi, a primeira mulher condenada à morte pela lei paquistanesa contra a blasfêmia. Bibi continua presa aguardando a execução.

Participaram do evento em Londres o imã Hargey, da Congregação Islâmica de Oxford, o ativista islâmico Irtshad Manji, e Ranbir Singh, do Movimento Hindu de Direitos Humanos. O cardeal Keith Patrick O'Brien, arcebispo de St. Andrews e Edimburgo, e o bispo Declan Lang, de Clifton, presidente do Departamento de Assuntos Internacionais da Conferência Episcopal Católica da Inglaterra e de Gales, homenagearam Bhatti em seus discursos.

Ao dar a bênção à assembleia, o cardeal O'Brien declarou: “Uno a minha voz às invocações de vocês e peço uma verdadeira justiça em favor dos cristãos e das outras minorias religiosas do Paquistão, que são acusadas de blasfêmia”.

O’Brien acrescentou que “Shahbaz Bhatti foi uma verdadeira testemunha, um mártir: possamos nós ter a mesma coragem de testemunhar a nossa fé com a vida, como ele testemunhou".

O evento foi organizado pela Associação Britânica dos Paquistaneses Cristãos, em colaboração com a organização Ajuda à Igreja que Sofre.

Fonte: Zenit.

Ratificado o acordo entre a Santa Sé e a República de Moçambique

- A Santa Sé e a República de Moçambique, com respectivas notas Verbais do dia 12 de março desse ano, informaram a ratificação bem sucedida do Acordo de Princípios e Disposições Jurídicas da relação entre a Santa Sé e a República de Moçambique, assinado em Maputo no dia 7 de dezembro de 2011. A notícia foi divulgada nesta manhã pela Assessoria de Imprensa da Santa Sé. O Acordo, o primeiro desse gênero assinado por um País da África Austral, é composto por um preâmbulo e de 23 artigos, que regulam diversas áreas, incluindo: o estatuto jurídico da Igreja Católica em Moçambique; o reconhecimento dos graus acadêmicos e do matrimônio canônico; o regime fiscal. Com a sua entrada em vigor serão consolidados os laços de amizade e de cooperação existentes entre as duas partes.

O acordo, assinado, em dezembro do ano passado, na sede do Ministério dos Assuntos Exteriores e da cooperação em Maputo, foi assinado: pela Santa Sé, por Mons. Antonio Arcari, Núncio Apostólico de Moçambique e pela República de Moçambique, por Sua Excelência Dr. Oldemiro Júlio Marques Balói, Ministro dos Assuntos Exteriores e da Cooperação.

Fonte: Zenit.

O Papa toca o sino para os fiéis Irlandeses

- O sino do 50º Congresso Eucarístico Internacional de Dublin (10-17 Junho de 2012) foi apresentado ao Papa Bento XVI na manhã de ontem, após a Audiência Geral na Praça de São Pedro. O mesmo Santo Padre tocou o sino para chamar os fiéis Irlandeses para o evento.

O Papa, para a ocasião, encontrou a delegação irlandesa chefiada por Monsenhor Darmiud Martin, Arcebispo de Dublin.

O sino é uma réplica dos sinos que São Patrício – cuja festa litúrgica será celebrada no dia 17 de março – evangelizador e padroeiro da Irlanda, presenteava para cada comunidade nova.

O instrumento foi levado em peregrinação para todas as dioceses irlandesas para convidar os fiéis a participarem do evento do Congresso Eucarístico.

A delegação também doou para o Santo Padre, um monte de trevos, símbolo de São Patrício. "Algo Novo" vai acontecer na Irlanda, durante a preparação do Congresso Eucarístico Internacional, disse o novo núncio apostólico da Irlanda, monsenhor Charles John Brown, referindo-se à igreja do próprio país, provada por causa dos escândalos de pedofilia.

Monsenhor Brown expressou sua "alegria" pela recente nomeação de Bento XVI nesta circunstância: "Algo de novo está para acontecer. Estou convencido de que o Senhor está preparando algo bonito para a sua Igreja. Peço-vos apoio e orações para a minha missão. Peço à Virgem Maria, Mãe de Deus, que interceda por nós e pela Irlanda, para que nos esforcemos para seguir o seu Filho mais de perto".

Fonte: Zenit.

Gregório Magno e a evangelização da Inglaterra

- O padre Vittorino Grossi, professor do Instituto Patrístico Augustinianum, por ocasião da memória do trânsito de São Gregório Magno, recorda a “Missão aos anglos”, que deu início à evangelização da Inglaterra, bem como a participação dos monges agostinianos naquela empreitada apostólica.

No milésimo aniversário da fundação da Casa-Mãe dos Camaldulenses, o papa visitou no sábado passado a igreja de Santo André e São Gregório em Monte Célio para a celebração das vésperas.

Na ocasião, esteve presente o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams. É a terceira vez que um papa e um arcebispo de Canterbury se encontram no mosteiro romano em que o papa Gregório Magno escolheu quarenta monges para a evangelização da atual Inglaterra.

“Quando papa, Gregório cuidou não só da cidade de Roma, mas também de toda a Itália e dos territórios que hoje podemos chamar de Europa graças a Gregório Magno”, explica o padre Vittorino Grossi, OSA, do Instituto Patrístico Augustinianum. “Eram tempos em que povos inteiros se transferiam de um território para outro, e Gregório, naquela situação, procurou criar convergência entre esses povos para ajudá-los a conseguir uma convivência que não fosse dominação, que não fosse eliminação de um povo pelo outro”.

Gregório tinha a convicção de que esses povos chegados ao Mediterrâneo poderiam encontrar na fé cristã a razão comum de uma convivência pacífica, como irmãos, e organizou assim a famosa “Missão aos anglos”, que hoje poderíamos chamar de Missão evangelizadora da Inglaterra.

“Gregório enviou um grupo de monges, que se manteve em constante contato com ele, para que os anglos recebessem a mensagem evangélica”, explica o padre Vittorino. “A Europa nasceu com Gregório Magno, com a união dos povos europeus na base da fé cristã. Ele conseguiu, e a Europa começou o seu caminho. O bom desta missão, como em toda missão cristã, é que o cristianismo não é uma religião de elite, que só se ocupa de alguns. O cristianismo cuida de todos, e foi com esta base que o caminho da Europa começou”.

O historiador romano Tácito escreveu, a propósito da missão do general Agrícola, enviado por Roma para submeter os ferocíssimos anglos, que os romanos tentaram amansá-los através do esporte, criando ginásios em vez de fazê-los se exercitar na arte da guerra. Tácito observou que os romanos, quando ocuparam a Ânglia e corromperam os anglos, disseram que os haviam civilizado.

“O mesmo não pode ser dito da missão de Gregório Magno, porque desde aquele dia começou a colaboração dos povos dessas ilhas com o resto da Europa: eles lançaram as bases da Europa”, destaca o padre Grossi.

Quanto ao monacato, estava muito em voga, então, o estilo originário do Oriente. “O tipo de monge criado por Gregório, que não se fiava da contribuição dos monges orientais, deu origem a um monacato novo a partir das outras tradições monásticas existentes. Havia monges da tradição que depois se tornará a tradição beneditina, mas também monges da regra de Agostinho, que se estabeleceram em Nápoles, onde, talvez, geriram a biblioteca do autor das Confissões: é lícito supor que a biblioteca de Hipona tenha sido levada a Nápoles. Deste grupo de monges de Agostinho, dois participaram da missão aos anglos”, conclui o padre Vittorino Grossi.

A Ordem de Santo Agostinho, conforme nota da Cúria Generalícia, tem como padre espiritual o santo bispo Agostinho de Hipona (354 – 430) e foi fundada em 1244 para viver e promover o espírito de comunidade, tal como vivido nas primeiras comunidades cristãs. A Ordem Agostiniana é constituída por pessoas, homens e mulheres, que seguem o ensinamento da Regra que professam: “viver juntos em harmonia, com uma só alma e um só coração voltado a Deus”.

Fonte: Zenit.