segunda-feira, 16 de março de 2015

Deus nos ama com amor gratuito, e sem limites

O Santo Padre Francisco, da janela do escritório do Palácio Apostólico, rezou a oração mariana do Angelus, como todos os domingos, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Estas foram as palavras do Papa ao introduzir a oração mariana:

 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje nos oferece as palavras pronunciadas por Jesus a Nicodemos: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único” (Jo 3, 16). Ao ouvir esta palavra, dirigimos o olhar do nosso coração a Jesus Crucificado e sentimos dentro de nós que Deus nos ama, nos ama de verdade, e nos ama muito! Esta é a expressão mais simples que resume todo o Evangelho, toda a fé, toda a teologia: Deus nos ama com amor gratuito, e sem limites. É assim que Deus nos ama.
Deus demonstrou este amor, sobretudo, na criação, como proclama a liturgia, na Oração Eucarística IV: “fizestes todas as coisas para cobrir de bênçãos as vossas criaturas e a muitos alegrar com a vossa luz”. Na origem do mundo está apenas o amor livre e gratuito do Pai. Santo Irineu, um santo dos primeiros séculos, escreveu: "Deus não criou Adão porque precisava do homem, mas para ter alguém para cumular com os seus benefícios" (Adversus haereses, IV, 14, 1). Assim é o amor de Deus.
Assim prossegue a Oração Eucarística IV: “E quando pela desobediência perderam a vossa amizade, não os abandonastes ao poder da morte, mas a todos socorrestes com bondade, para que, ao procurar-vos, vos pudessem encontrar”. Ele veio com a sua misericórdia. Como na criação, também nas etapas sucessivas da história da salvação ressalta a gratuidade do amor de Deus: o Senhor escolhe seu povo não porque este mereça, e diz-lhe assim: Eu o escolhi, precisamente porque é o menor entre todos os povos. E quando chegada ‘a plenitude dos tempos’, apesar dos homens não terem cumprido mais uma vez a aliança, Deus, em vez de abandoná-los, estreitou com eles um novo vínculo, com o sangue de Jesus, o vínculo da nova e eterna aliança, um vínculo que nada poderá romper nunca.
São Paulo nos lembra: “Mas Deus, que é rico em misericórdia – não se esqueça nunca, é rico em misericórdia- impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo” (Ef 2,4). A Cruz de Cristo é a prova suprema do amor de Deus por nós: Jesus nos amou "até o extremo" (Jo 13,1), isto é, não só até o último momento de sua vida terrena, mas até o limite extremo do amor. Se na criação o Pai nos deu a prova de seu imenso amor dando-nos a vida, na Paixão de seu Filho nos deu a prova das provas: Ele veio para sofrer e morrer por nós. E fez isso por amor. Quão grande é a misericórdia de Deus, porque nos ama, nos perdoa com sua misericórdia, Deus perdoa tudo e Deus perdoa sempre.
Maria, Mãe de misericórdia, coloca em nosso coração a certeza de que somos amados por Deus. Esteja perto de nós nos momentos de dificuldade e dai-nos os sentimentos de seu Filho, para que o nosso caminho quaresmal seja experiência de perdão, aceitação e caridade.

Fonte: Zenit.

domingo, 15 de março de 2015

Transformar o mundo em templo de Deus e do homem

“Transformar o mundo em templo de Deus e do homem” é o título da carta pastoral do arcebispo de Madri, dom Carlos Osoro Sierra, para esta semana. Pelo interesse do conteúdo, compartilhamos o texto integral da carta:

Deus quer transformar o mundo com a nossa conversão. E a nossa verdadeira conversão começa com um desejo imenso e profundo que implora perdão e salvação. Daí a importância da oração cristã, que é oposta à evasão da realidade ou a um intimismo consolador. A oração cristã é força de esperança, é expressão máxima da fé em um Deus que é Amor e que nunca abandona o homem. A conversão é convite a voltar sempre para os braços de Deus, a confiarmos nele, a nos deixarmos regenerar pelo seu Amor. É uma graça, um dom que abre o coração à bondade de Deus.
Impressionam sempre aquelas palavras do Evangelho: “Fazendo um chicote de cordões, Ele os expulsou do templo…” (cf. Jo 2, 13-25). É um gesto profético de verdadeira provocação, que quer desbaratar toda a manipulação do nome de Deus, que não tolera que o homem e o templo apodreçam. Por isso, Jesus diz: “Não transformeis a casa do meu Pai em um mercado” (cf. Jo 2, 13-25). Esta ação de Jesus nos leva para mais longe. O templo que Ele quer não é um templo construído pelos homens, mas por Deus. Cristo veio para nos ensinar a fazer deste mundo um templo de Deus, onde o homem seja respeitado e considerado com a dignidade com que Deus mesmo o criou. Ele veio para devolver ao ser humano a sua liberdade, oferecendo-nos o caminho que a presenteia a nós, para podermos nós também oferecê-la com a nossa vida: “Destruam este templo e em três dias eu o levantarei… Ele falava do templo do seu corpo” (cf. Jo 2, 13-25).
Para transformar o mundo em templo de Deus e do homem, é necessário saber escutar e obedecer a Deus. O segredo para ter um coração que entenda é formar um coração capaz de escutar. Urge levar a sério a escuta de Deus, ouvir a sua Palavra e, assim, obedecer a Deus, que, em Jesus Cristo, nos presenteou o modo de ser e de viver do homem verdadeiro, o modo de estar junto dos homens. O maior pecado do ser humano é a insensibilidade e a dureza do coração; por isso, converter-se a Cristo, fazer-se cristão, é receber um coração de carne, sensível e com paixão por fazer com que todos os homens sejam tratados como imagem e semelhança de Deus. E, que assim, o mundo se transforme em um templo.
Três requisitos são necessários para fazer deste mundo um templo de Deus e do homem. Eu os chamo com estes nomes: presentear, oferecer e mudar. São requisitos que nos abrem as portas para estar presentes neste mundo: 1) presentear a liberdade; 2) oferecer o rosto de Cristo e 3) mudar o coração do homem:
1. Presentear a liberdade: é a liberdade que Deus nos dá e que Jesus Cristo nos oferece. É a liberdade que nos chama a eliminar correntes, distâncias, descartes, amarras; é a liberdade que Cristo nos dá e que não tira nada do homem. Recordo as palavras que, em 22 de outubro de 1978, ao iniciar o seu ministério, São João Paulo II nos disse: “Não tenham medo! Abram, ou melhor, escancarem as portas para Cristo!”. Ele falava aos fortes, a todos os que têm medo que Cristo lhes tire algo do seu poder, aos que não entenderam que, se o deixarem entrar, conhecerão a sua própria liberdade, a mesma que têm de dar aos outros. É a liberdade que elimina o domínio da corrupção, a ruptura do direito, a arbitrariedade generalizada nas questões mais importantes para a vida humana. Se deixarmos Cristo entrar em nós, se nos abrirmos a Ele, não somente não perderemos nada como ainda faremos a nossa vida e a dos outros ser mais livre, bela e grande. Cristo não tira nada e dá tudo. Deixemos que a nossa vida seja ocupada por Cristo, que nos presenteia a liberdade. Não deixemos que seja roubada a liberdade que Jesus Cristo nos deu. É esta liberdade presenteada que, nos libertando, desencadeia a liberdade naqueles com quem nos encontramos. Globalizemos com a nossa vida essa liberdade que nos foi dada por Cristo.
2. Oferecer o rosto de Cristo: Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai o mundo para si. Seu rosto é esplendor de Verdade. Sem Ele, perdemos a orientação, nos isolamos, nos reduzimos a olhar para nós mesmos e para os nossos interesses. Só Ele nos faz viver e nos ajuda a realizar-nos plenamente. Só Ele nos capacita para renovar a sociedade através da lei do Amor. Ofereçamos a Verdade, o rosto de Jesus Cristo. Para oferecer o rosto de Cristo, temos que ter um encontro com Ele. Como nos dizia o papa Bento XVI, “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou por uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isto, uma orientação decisiva” (Deus caritas est, 1). Por isso, temos que nos encontrar com os homens a partir do encontro com Cristo, oferecendo o seu rosto.
3. Mudar o coração do homem: com Cristo, escancarou-se a porta entre Deus e os homens. Ele continua batendo às portas do mundo, às portas do coração de todos os homens, para que o Deus vivo e verdadeiro que nos foi revelado em Jesus Cristo possa chegar ao nosso tempo e mudar a nossa vida. Eu garanto que a realidade do mundo não se sustenta sem Deus. A época moderna desenvolveu a esperança da instauração de um mundo perfeito, baseado nos conhecimentos da ciência e numa política cientificamente fundamentada. Tentou-se substituir o reino de Deus pela esperança no reino do homem. Vimos que esta esperança de um reino do homem se afasta cada vez mais. Por isso, oferecer Jesus Cristo e a mudança do coração que só Ele realiza é a melhor oferta para melhorar o mundo e tornar possível a globalização de tudo o que constrói e muda o coração do homem: amor, justiça, paz, fraternidade, entrega, serviço, verdade, dom de si mesmo. Para que os outros sejam o que devem ser. Cristo rompe o hermetismo de um mundo construído pelo homem e que se fecha nos próprios egoísmos. O mundo é o templo onde os homens vivem como filhos de Deus e, por isso, como irmãos. Onde se manifesta a glória de Deus, que é a glória do homem.

Com grande afeto e a minha bênção,

+Carlos, Arcebispo de Madri

Fonte: Zenit.

sábado, 14 de março de 2015

O Papa anuncia a celebração de um Ano Santo especial

O Papa Francisco anunciou nesta sexta-feira, 13 de março de 2015, na Basílica de São Pedro, a celebração de um Ano Santo especial. Este jubileu da Misericórdia começará nesse ano com a abertura da Porta Santa na Basílica Vaticana durante a solenidade da Imaculada Conceição, 8 de dezembro, e terminará no dia 20 de novembro de 2016 com a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. O Santo Padre, no começo do ano, exclamou: “estamos vivendo o tempo da misericórdia. Este é o tempo da misericórdia. Existe tanta necessidade de misericórdia, e é importante que os fieis leigos a vivam e a levem aos diferentes ambientes sociais. Adiante!”
O anúncio foi feito coincidindo com o segundo aniversário da eleição do Papa Francisco, durante a homilia da celebração penitencial com a qual o Santo Padre deu início às 24 horas para o Senhor, iniciativa proposta pelo Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização com a finalidade de promover em todo o mundo a abertura extraordinária das igrejas e favorecer a celebração do sacramento da Reconciliação. O tema deste ano foi tomado da carta de São Paulo aos Efésios: “Deus rico em misericórdia” (Ef 2,4).
A abertura do próximo Jubileu tem um significado especial já que acontecerá no quinquagésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, que ocorreu em 1965. Será, portanto, um impulso para que a Igreja continue o trabalho iniciado com o Concílio Vaticano II, informou o Departamento de Imprensa da Santa Sé em um comunicado.
Durante o Jubileu as leituras para os domingos do Tempo Comum serão tomadas do Evangelho de Lucas, conhecido como "o evangelista da misericórdia". Dante Alighieri o definia "scriba mansuetudinis Christi", "narrador da mansidão de Cristo". São bem conhecidas as parábolas da misericórdia presentes neste Evangelho: a ovelha perdida, a moeda perdida, o pai misericordioso.
A proclamação oficial e solene do Ano Santo acontecerá com a leitura e publicação na Porta Santa da Bula, no Domingo da Divina Misericórdia, festa instituída por São João Paulo II que se celebra no domingo seguinte à Páscoa.
Antigamente, para os hebreus o jubileu era um ano declarado santo, que acontecia a cada 50 anos, e durante o qual deveria fazer-se a restituição por igual a todos os filhos de Israel, oferecendo novas possibilidades às famílias que tinham perdido as suas propriedades e até mesmo a liberdade pessoal. Aos ricos, pelo contrário, o ano jubilar lhes recordava que chegaria o tempo em que os escravos israelitas, novamente iguais a eles, poderiam reivindicar seus direitos. “A justiça, segundo a lei de Israel, consistia especialmente na proteção dos fracos (São João Paulo II, Carta Apostólica Tertio Millennio adveniente 13).
A Igreja Católica começou a tradição do Ano Santo com o Papa Bonifácio VIII em 1300. O pontífice previu a realização de um jubileu casa século. Desde 1475 - para permitir que cada geração vivesse pelo menos um Ano Santo – o jubileu ordinário começou a ser entre 25 anos. Um jubileu extraordinário, no entanto, é proclamado por ocasião de um acontecimento de particular importância.
Os Anos Santos Ordinários celebrados até hoje foram 26. O último foi o Jubileu do ano 2000. O hábito de proclamar Anos Santos extraordinários remonta ao século XVI. Os últimos deles, celebrados no século passado foram o de 1933, proclamado por Pio XI, por ocasião do XIX centenário da Redenção, e 1983, proclamado por João Paulo II pelos 1950 anos de Redenção.
A Igreja Católica tem dado ao Jubileu hebraico um significado mais espiritual. Consiste em um perdão geral, uma indulgência aberta a todos, e na possibilidade de renovar a relação com Deus e com o próximo. Dessa forma, o Ano Santo é sempre uma oportunidade para aprofundar a fé e viver com um compromisso renovado o testemunho cristão.
Com o Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco coloca no centro das atenções o Deus misericordioso, que convida todos a voltar-se a Ele. O encontro com Ele inspira a virtude da misericórdia.
O rito inicial do Jubileu é a abertura da Porta Santa. Trata-se de uma porta que se abre apenas durante o Ano Santo, enquanto o nos outros anos permanece selada. Têm uma Porta Santa as quatro basílicas maiores de Roma: São Pedro, São João de Latrão, São Paulo fora dos Muros e Santa Maria Maior. O rito de abertura expressa simbolicamente o conceito de que, durante o tempo jubilar, se oferece aos fiéis um “caminho extraordinário” para a salvação.
Após a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro, serão abertas sucessivamente as portas das outras basílicas maiores.
A misericórdia é um tema muito sentido pelo papa Francisco que já como bispo tinha escolhido como lema próprio "miserando atque eligendo". Esta é uma citação das homilias de São Beda, o Venerável, que, comentando o episódio evangélico da vocação de São Mateus, escreve: "vidit ergo Iesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me" (Viu Jesus um publicano, e como olhou para ele com um sentimento de amor e lhe disse: Segue-me). Esta homilia é uma homenagem à misericórdia divina. Uma tradução do lema poderia ser: “com os olhos da misericórdia”.
No primeiro Angelus após sua eleição, o Santo Padre dizia que: “Ao escutar misericórdia, esta palavra muda tudo. É o melhor que podemos escutar: muda o mundo. Um pouco de misericórdia faz o mundo menos frio e mais justo. Precisamos compreender bem esta misericórdia de Deus, este Pai misericordioso que tem tanta paciência” (Angelus, 17 de março de 2013).
Também este ano, no Angelus de 11 de janeiro, disse: "Estamos vivendo no tempo da misericórdia. Este é o tempo da misericórdia. Há tanta necessidade hoje de misericórdia, e é importante que os fieis leigos a vivam e a levem aos diversos ambientes sociais. Adiante!” E na mensamge para a quaresma de 2015, o Santo Padre escreve: “Quanto desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, em especial as nossas paróquias e nossas comunidades, cheguem a ser ilhas de misericórdia em meio do mar da indiferença”.
O papa Francisco confiou ao Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização a organização do Jubileu da Misericórdia.

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Não existe nenhum pecado que Deus não possa perdoar

Os sacramentos são o lugar da intimidade e da ternura de Deus para os homens, são a forma concreta que Deus pensa para vir até nós, para abraçar-nos, sem ter vergonha de nós e dos nossos limites. Assim explicou o Papa no seu discurso aos participantes do Curso sobre o Foro Interno organizado pela Penitenciaria Apostólica. Francisco afirmou que entre os sacramentos, com certeza o da reconciliação faz palpável com especial eficácia o rosto misericordioso de Deus, “o materializa e o manifesta continuamente, sem descanso”. Da mesma forma afirmou que não existe nenhum pecado que Deus não possa perdoar. “Só aquele que se distancia da misericórdia que não pode ser perdoado, como aquele que se afasta do sol não pode ser iluminado nem aquecido”, explicou.
Assim, à luz deste "maravilhoso dom de Deus", o Pontífice ressaltou três exigências: "viver o sacramento como meio para educar à misericórdia", "deixar-se educar pelo que celebramos”, “cuidar o olhar sobrenatural”.
Em primeiro lugar, o Santo Padre recordou que "viver o sacramento como meio para educar na misericórdia, significa ajudar os nossos irmãos a fazer a experiência de paz e de compreensão, humana e cristã". Aliás garantiu que a confissão não deve ser uma "tortura", mas que todos deveriam sair do confessionário com a felicidade no coração, com o rosto radiante de esperança, embora, às vezes, também banhado em lágrimas de conversão e da alegria derivada. Além disso, o Sacramento "não implica que ele se torne um interrogatório pesado, chato e invasivo". Pelo contrário, Francisco disse que "deve ser um encontro libertador e rico de humanidade, através do qual poder educar na misericórdia, que não exclui, mas que compreende também o justo compromisso de reparar, na medida do possível, o mal cometido”. Neste ponto, o Papa advertiu que muitas vezes se confunde a misericórdia com ser confessores bonachões. “Nem confessores bonachões, nem confessores rígidos são misericordiosos”, afirmou. O confessor misericordioso “te escuta, te perdoa, mas te sustenta e te acompanha, porque a conversão sim, começa – talvez – hoje, mas deve continuar com a perseverança... te segura consigo, como Bom Pastor que vai em busca da ovelha perdida e a carrega”.
No segundo aspecto abordado pelo Papa, exortou aos confessores que se deixem educar pelo sacramento da reconciliação. “Quantas vezes acontece escutar confissões que nos edificam!”, exclamou. Da mesma forma observou que muitas vezes acontecem “verdadeiros milagres de conversão”. Pessoas que há meses, ano, estão sob o domínio do pecado e que, como o filho pródigo, voltam a si mesmos e decidem levantar-se de novo e voltar à casa do Pai para implorar o perdão.
Aliás, Francisco garantiu que podem aprender muito da conversão e do arrependimento destes irmãos. “Eles nos motivam a fazer, também nós, um exame de consciência: ‘Eu, sacerdote, amor assim o Senhor, que me fez ministro da sua misericórdia?’. ‘Eu, confessor, estou disposto à mudança, à conversão, como este penitente, ao qual fui colocado a seu serviço?’”
Por fim, o Papa refletiu sobre o terceiro aspecto afirmando que "quando se ouvem as confissões sacramentais dos fieis, é preciso ter sempre o olhar interior dirigido ao Céu, ao sobrenatural”. Dessa forma, o Papa recordou que devem reavivar a consciência de que ninguém foi colocado nesse ministério por méritos próprios, nem pelas capacidades teológicas ou jurídicas, nem pelo trato humano ou psicológico.
"Todos fomos feitos ministros da reconciliação por pura graça de Deus, gratuitamente e por amor, e mais ainda, precisamente por misericórdia", lembrou. "Somos ministros da misericórdia graças a misericórdia de Deus, nunca devemos perder este olhar sobrenatural, que nos faz verdadeiramente humildes, acolhedores e misericordiosos com o irmão e irmã que pede confissão”. Também pediu que o momento da escuta da administração do sacramento deve ser sobrenatural “escutar de forma sobrenatural, de forma divina; respeitoso com a dignidade e as histórias pessoais de cada um, para que possa compreender o que Deus quer para ele ou para ela”.
E, finalmente, Francisco disse que também "o maior pecador que vem diante de Deus para pedir perdão é "solo sagrado", e também eu, que tenho que perdoá-lo em nome de Deus, posso fazer coisas piores que ele”. Cada fiel penitente que vai se confessar – destacou – é solo sagrado, terra sagrada para cultivar com dedicação, cuidado e atenção pastoral.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cuba constrói a sua primeira igreja desde 1959

A Igreja de Cuba constrói um novo local de culto, o primeiro desde a revolução em 1959. O local escolhido é uma pequena cidade na província de Pinar del Río, conforme relatado pelo último número da revista Palabra Nueva publicado pela Arquidiocese da Havana.
"A nova igreja será dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Ocupará uma área de 200 metros quadrados no centro de Sandino, a maior cidade da província, e vai acomodar cerca de 200 pessoas sentadas", indica o bispo da Diocese de Pinar del Río, monsenhor Jorge Enrique Serpa Perez, informou a Agência Fides.
No dia 9 de setembro de 2014 foi colocada a primeira pedra e este gesto “é sinal que fortalece a nossa fé como povo de Deus, com isso a Igreja local se sente premiada pelo céu, e não sem motivo, porque depois de 50 anos sem construir templos em Cuba, precisamente na nossa diocese, no mais ocidental da nossa querida ilha, onde o Senhor quis colocar a sua nova casa, isso nos motiva a dizer que só Deus pode fazer estas coisas, é o amor a Deus e à sua Igreja, é o desejo de um povo que quer fazer a vontade de Deus o que permitiu que se pense grande. Obrigado, Senhor, por tanta generosidade com este povo”, escreveu no site da diocese o padre Cirillo Castro Fuentes, encarregado de abençoar a primeira pedra do templo.
De acordo com os dados da arquidiocese da Havana, o 60% da população cubana (11,1 milhões de habitantes) é católica, e na ilha existem 650 igrejas, 340 sacerdotes e 600 religiosos.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Deus sempre perdoa, mas pede que eu perdoe também

Pedir perdão a Deus, seguindo os ensinamentos do pai-nosso: arrepender-se com sinceridade dos próprios pecados, sabendo que Deus perdoa sempre, mas que nos pede perdoar os outros com a mesma generosidade de coração.
Esta foi a mensagem do papa Francisco na homilia de ontem, na missa da Casa Santa Marta. Deus onipotente é de alguma forma “barrado” quando um coração lhe fecha a porta ao não querer perdoar quem o feriu.
O Santo Padre se inspira na passagem evangélica de hoje, em que Jesus explica a Pedro que ele tem que perdoar “setenta vezes sete”, expressão que significa “sempre”. O perdão de Deus e o nosso perdão aos outros estão intimamente relacionados.
E tudo depende de como nos apresentamos a Deus para pedir perdão. O papa indica a leitura que mostra o profeta Azarias invocando clemência pelo pecado de seu povo, que está sofrendo, mas que é culpado por ter “abandonado a lei do Senhor”. O profeta não protesta, não se lamenta diante de Deus: ele reconhece os erros do povo e se arrepende.
“Pedir perdão é uma coisa e outra coisa é pedir desculpas. Ou estou enganado? Não tem nada a ver uma coisa com a outra. O pecado não é um simples erro. O pecado é idolatria, é adorar um ídolo, o do orgulho, o da vaidade, o do dinheiro, o de si mesmo. É por isso que Azarias não pede desculpas, e sim perdão”.
O pontífice destaca que o perdão é pedido sinceramente, de coração, e tem que ser dado de coração a quem cometeu o mal. Como o patrão da parábola contada por Jesus, que perdoa a dívida enorme de um servo, movido pela compaixão das suas súplicas. E não como o outro servo faz com seu igual, tratando-o sem piedade e o levando para a cadeia, embora lhe devesse uma suma irrisória. A dinâmica do perdão é aquela que foi ensinada por Jesus no pai-nosso: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Se eu não sou capaz de perdoar, não sou capaz de pedir perdão.

- Mas, padre, eu me confesso!

- E o que você faz antes de se confessar?

- Bom, eu penso nas coisas ruins que fiz...

- Muito bem.

- Depois peço perdão a nosso Senhor e prometo não voltar a fazer isso...

- Bom. E depois vai procurar o padre? Mas antes falta uma coisa: você perdoou quem lhe fez mal?

Porque o perdão que Deus lhe dará pressupõe o perdão que você dá aos outros.
O que Jesus nos ensina é: “Primeiro, pedir perdão e não simplesmente pedir desculpas; ter consciência do próprio pecado, da idolatria cometida, das diversas idolatrias. Segundo, Deus sempre perdoa, sempre. Mas Ele pede que eu perdoe. Se eu não perdoo, em certo sentido fecho a porta para o perdão de Deus”.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 10 de março de 2015

Reforma Política encabeçada pela CNBB não têm o consenso de todos os bispos, afirma o Primaz do Brasil

Nomeado pelo Papa Bento XVI, em 2011, o arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil, dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, concedeu uma entrevista   sobre o tema: Campanha da Fraternidade e Reforma Política.
Nessa exclusiva, o Primaz do Brasil afirmou que as propostas da Reforma Política, encabeçada pela CNBB, não tiveram a participação de todos os bispos. "Preferiria uma proposta nossa e, quem concordasse com elas, participasse de nossa campanha", disse.
Acompanhe a íntegra da entrevista abaixo:


Ultimamente, referindo-se ao tema da Reforma Política e da Campanha da Fraternidade no Brasil, o senhor tem falado que não é papel da Igreja ocupar o lugar do Estado. Por que essa é a sua opinião?

Dom Murilo: A Constituição de nosso país reconhece ser dever do Estado cuidar da saúde, da educação, da escola etc. Nesse campo, atualmente a Igreja tem um papel supletivo - isto é, deve atuar onde não há a presença do Estado ou onde tal presença não é suficiente. No passado, quando a organização social era muito limitada, a Igreja sentia ser seu dever abrir hospitais, creches, escolas etc. Hoje só tem sentido manter essas obras ou fundá-las se, com seus valores, a Igreja quiser "fazer a diferença" - isto é, apresentar uma maneira própria de curar, educar, formar etc. Essa "maneira própria" são as motivações evangélicas isto é, o desejo de mostrar como vemos o doente, o jovem a ser educado, o idoso abandonado, a partir do que nos ensinou Jesus. Se for para ter, por exemplo, um escola "como as outras", sem os valores do Evangelho, não valeria a pena tanto esforço, mesmo que se tratasse de uma escola de boa qualidade. Afinal, como bem insiste o Papa Francisco, a Igreja não é uma ONG, mas uma extensão da presença de Cristo no mundo.

 A CNBB é uma entidade séria e necessária para a nossa Igreja, mas existe a possibilidade de que os seus colaboradores errem?

Dom Murilo: Onde há seres humanos há a possibilidade de erros. Minha longa experiência na CNBB tem me mostrado que se pode falar da presença do Espírito Santo naquelas iniciativas que foram rezadas, refletidas e debatidas por todos os bispos. Assim, num documento aprovado, não prevalece a ideia de um ou de outro; nossos documentos oficiais são a síntese do que os bispos pensam. Pode-se dizer, então, que aquele texto é o que o Espírito Santo está querendo falar às nossas Dioceses. Não digo o mesmo de iniciativas de pequenos grupos ou de comissões, onde facilmente pode prevalecer a ideia de uma pessoa ou de um grupo. Nesse caso, o que for apresentado não é um texto "da" CNBB, mas sim daquela comissão.

 O que significa uma conferência episcopal encabeçar essa campanha de reforma política?

Dom Murilo: O Brasil enfrenta problemas sérios e graves. A Igreja não pode ignorá-los. Com o Evangelho nas mãos, deve dar uma orientação, apresentar critérios, ajudar na reflexão. De minha parte, nesta campanha de reforma política eu preferiria que a própria Igreja apresentasse suas propostas, fruto da reflexão de todos os Bispos, como foi feito por ocasião da Constituinte, em que a CNBB apresentou um texto riquíssimo: "Por uma nova ordem constitucional". Nesse documento, estava claro o que a Igreja no Brasil tinha como proposta para a Constituição que estava sendo preparada para ser posteriormente aprovada. Nem todas as nossas propostas foram aceitas; hoje, não poucas pessoas reconhecem que com isso quem perdeu foi o país. Desta vez, na campanha pela reforma política, a CNBB participa de um processo que engloba dezenas de grupos da sociedade civil. As propostas feitas são, pois, expressão do que esses grupos desejam, fruto da busca de consenso. Assim, algumas das propostas não correspondem ao que nós bispos defendemos ou, ao menos, o que muitos bispos pensam; nem algumas propostas que julgamos importantes estão ali. Repito, preferiria uma proposta nossa e, quem concordasse com elas, participasse de nossa campanha - como aconteceu por ocasião da Constituinte. Por sinal, a grande maioria das assinaturas que estão sendo colhidas são fruto do trabalho feito em nossas Dioceses e em nossas Paróquias - ao menos é o que acontece aqui na Bahia. Não creio que seja diferente nos outros estados do Brasil.

 O projeto em questão, por exemplo, propõe o financiamento das campanhas com o dinheiro do povo, esse mesmo dinheiro público que mal dá para nos garantir saúde, educação e segurança, além de entrar no mérito das discussões de "gênero" e do voto de "lista fechada", tudo de acordo com a vontade do partido atualmente no poder. Por que um assunto tão opinável, e em pontos, até mesmo contrário à filosofia cristã, está sendo proposto como algo bom e que deve ser abraçado pelos católicos do Brasil?

Dom Murilo: Em parte, penso já ter respondido a essa pergunta. Ao aceitar participar de uma iniciativa que engloba dezenas de entidades, deu no que deu. Insisto: tais propostas não tiveram a participação de todos os Bispos; são fruto, sim, de uma reflexão que envolveu principalmente algumas comissões episcopais.

Fonte: Zenit.