"O Senhor sente-se verdadeiramente em casa na minha vida? Permito-lhe fazer uma "limpeza" no meu coração e expulsar os ídolos, ou seja, aquelas atitudes de ganância, ciúme, mundanidade, inveja, ódio, aquelas atitudes de bisbilhotice?".
Questão crucial que Papa Bergoglio lançou hoje diante dos numerosos fiéis reunidos na Praça de São Pedro para o Angelus. Questão inspirada no Evangelho de hoje, onde Jesus – refere João- “fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas”.
Cristo vem, portanto, fazer uma "limpeza" no templo. Nesta passagem, explica o Papa, temos "o primeiro anúncio da morte e ressurreição de Cristo: seu corpo, destruído na cruz pela violência do pecado, se transformará na Ressurreição no lugar de encontro universal entre Deus e os homens".
Mas "o verdadeiro templo" mencionou o Messias é sua "humanidade", disse o Pontífice, o lugar "onde Deus se revela, fala, se faz encontra". Por isso, acrescenta, "os verdadeiros adoradores de Deus não são os guardiões do templo material, os detentores do poder e do saber religioso", mas aqueles que adoram a Deus “em espírito e em verdade."
E todos os cristãos, neste tempo quaresmal de preparação para a Páscoa, são chamados a adorar a Deus "em espírito e em verdade". "Caminhamos no mundo como Jesus e fazemos de toda a nossa existência um sinal do seu amor pelos nossos irmãos, especialmente os mais fracos e os mais pobres", exorta o Santo Padre.
Desta forma, "construiremos um templo para Deus nas nossas vidas" e tornaremos Cristo "acessível" para muitas pessoas que encontramos no nosso caminho. "Se nós somos testemunhas de Cristo vivo, muitas pessoas encontrarão Jesus em nós, em nosso testemunho", reafirma o Papa.
Antes de levá-lo aos outros, é bom “organizar” um pouco por dentro. Ou seja, perguntar-se realmente se permitimos que Jesus faça essa “limpeza” de todo o comportamento contra Deus, contra os outros e contra nós mesmos. "Cada um responda para si, em silêncio, em seu coração", disse Francisco.
E insiste: "Eu permito que Jesus faça um pouco de 'limpeza' no meu coração? Oh padre, eu tenho medo de que me ‘batam’... “. Mas “Jesus nunca bate ... Jesus vai limpar com ternura, com misericórdia, com amor. A misericórdia é a sua maneira de limpar".
Agora, sem nenhum medo – encoraja o Santo Padre - "deixemos que o Senhor entre com a sua misericórdia - não com o chicote! Com a sua misericórdia para limpar os nossos corações. O chicote de Jesus para conosco é a sua misericórdia. Vamos abrir a porta para que Ele faça uma "limpeza".
"Jesus sabe o que está em cada um de nós, e conhece bem o nosso maior desejo: ser habitados por Ele". E cada “Eucaristia que celebramos com fé nos faz crescer como templo vivo do Senhor, graças à comunhão com o seu Corpo, crucificado e ressuscitado", disse o pontífice.
O convite é para deixar Cristo entrar "em nossas vidas, em nossas famílias, em nossos corações". Ao lado de Maria "morada privilegiada do Filho de Deus": a Virgem – reza o Papa - "nos acompanhe e sustente no itinerário quaresmal, para que possamos redescobrir a beleza do encontro com Cristo, que nos liberta e nos salva".
Depois da oração mariana, Francisco cumprimentou os fiéis de Roma e os peregrinos de várias partes do mundo: Curitiba (Brasil), Treviso, Genoa, Crotone, L'Aquila e Domodossola e os rapazes de Garda, que receberam o Crisma. E convidou a todos, especialmente durante esta Quaresma, a estarem mais próximos das pessoas que estão a viver momentos de dificuldade: próximos com o afeto, a oração e a solidariedade.
O pensamento mais bonito, o Papa dirigiu às mulheres, por ocasião da festa de hoje, 8 de março: "Saudação a todas as mulheres que em cada dia procuram construir uma sociedade mais humana e acolhedora. Um obrigado fraterno também àquelas que em mil modos testemunham o Evangelho e trabalham na Igreja”, disse Bergoglio.
E espontaneamente, em meio aos aplausos dos fiéis, acrescentou: "Esta é uma oportunidade para reafirmar a importância das mulheres e a necessidade da sua presença na vida. Um mundo onde as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril, porque as mulheres não apenas trazem a vida mas nos transmitem a capacidade de olhar mais além".
As mulheres, continuou o Santo Padre, “nos transmitem a capacidade de entender o mundo com olhos diferentes, de sentir as coisas com um coração mais criativo, mais paciente, mais terno". E invocou então "uma oração e uma bênção especial para todas as mulheres aqui presentes na Praça e para todas as mulheres", e terminou como habitualmente, desejando a todos "um bom domingo e bom almoço".
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 9 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
Em Kosovo não há liberdade de culto
Ex membro do Governo do Kosovo, Alexsandar Jablanović, participou da mesa redonda "Perseguição aos cristãos em Kosovo" organizada pelo Instituto de Estudos Históricos CEU San Pablo University.
Durante seu discurso, Jablanović descreveu como inaceitável que "no século XXI, na Europa, não seja possível ir a lugares de culto da religião cristã". Ele também lamentou que "as conquistas dos povos sérvios e cristãos em mais de 500 anos não seja refletido hoje".
O ex-ministro, que foi afastado de seu cargo no mês passado por condenar o apedrejamento de um ônibus em que viajavam alguns cristãos, descreveu este ato de "selvageria" e manifestou a sua intenção de "abrir os olhos da Europa para que enxerguem onde está sangrando e protejam os cristãos, sejam católicos ou ortodoxos, assim como o povo sérvio e albanês que respeita a religião”.
Jablanović afirmou que "esperam uma reação clara das autoridades para defender o direito e objetos de culto cristão", embora "não exista indícios mínimos que expliquem quem está por trás desses ataques". Ele fez um apelo à luta por "preservar o grande legado da religião cristã para as gerações futuras”.
Presente também Pe. Andrey Kordochkin, representante da Igreja Ortodoxa Russa na Espanha e sacerdote da paróquia Santa Maria Madalena, que salientou a necessidade de "evitar o pessimismo associado aos cristãos de Kosovo", relataram os organizadores do evento em um comunicado.
Por sua vez, o Padre Otac Srdjan, representando o Bispo Teodósio de Kosovo, encarregado das relações entre a Igreja Ortodoxa e a Católica (Diocese de Raska Prizren), explicou que "depois de muito sofrimento, devemos tentar que aqueles que não compartilham estes valores sejam curados do ódio e recuperado o tecido que compõe a herança do cristianismo".
A mesa redonda, presidida pelo diretor do Instituto de Estudos Históricos da Universidade CEU San Pablo, Alfonso Mendoza Bullón, contou com a presença do embaixador da Sérvia na Espanha, Danko Prokic.
O governo do Kosovo, em cujo território a maioria é de etnia albanesa, declarou unilateralmente sua independência da Sérvia em 17 de Fevereiro de 2008, com o apoio dos Estados Unidos e da maioria dos países da União Europeia. Atualmente Kosovo é reconhecido como um Estado soberano por 108 dos 193 membros das Nações Unidas.
Fonte: Zenit.
Durante seu discurso, Jablanović descreveu como inaceitável que "no século XXI, na Europa, não seja possível ir a lugares de culto da religião cristã". Ele também lamentou que "as conquistas dos povos sérvios e cristãos em mais de 500 anos não seja refletido hoje".
O ex-ministro, que foi afastado de seu cargo no mês passado por condenar o apedrejamento de um ônibus em que viajavam alguns cristãos, descreveu este ato de "selvageria" e manifestou a sua intenção de "abrir os olhos da Europa para que enxerguem onde está sangrando e protejam os cristãos, sejam católicos ou ortodoxos, assim como o povo sérvio e albanês que respeita a religião”.
Jablanović afirmou que "esperam uma reação clara das autoridades para defender o direito e objetos de culto cristão", embora "não exista indícios mínimos que expliquem quem está por trás desses ataques". Ele fez um apelo à luta por "preservar o grande legado da religião cristã para as gerações futuras”.
Presente também Pe. Andrey Kordochkin, representante da Igreja Ortodoxa Russa na Espanha e sacerdote da paróquia Santa Maria Madalena, que salientou a necessidade de "evitar o pessimismo associado aos cristãos de Kosovo", relataram os organizadores do evento em um comunicado.
Por sua vez, o Padre Otac Srdjan, representando o Bispo Teodósio de Kosovo, encarregado das relações entre a Igreja Ortodoxa e a Católica (Diocese de Raska Prizren), explicou que "depois de muito sofrimento, devemos tentar que aqueles que não compartilham estes valores sejam curados do ódio e recuperado o tecido que compõe a herança do cristianismo".
A mesa redonda, presidida pelo diretor do Instituto de Estudos Históricos da Universidade CEU San Pablo, Alfonso Mendoza Bullón, contou com a presença do embaixador da Sérvia na Espanha, Danko Prokic.
O governo do Kosovo, em cujo território a maioria é de etnia albanesa, declarou unilateralmente sua independência da Sérvia em 17 de Fevereiro de 2008, com o apoio dos Estados Unidos e da maioria dos países da União Europeia. Atualmente Kosovo é reconhecido como um Estado soberano por 108 dos 193 membros das Nações Unidas.
Fonte: Zenit.
sábado, 7 de março de 2015
Francisco fez com que os católicos se sentissem orgulhosos da sua Igreja
No dia 13 de março de 2013, da varanda da Basílica de São Pedro, o Cardeal Tauran disse: 'Habemus Papam'; e que 'José Mario cardenal Bergoglio' era o novo pontífice com o nome de Francisco. Daquele então até hoje mudou algo na Igreja?, Qual é a percepção e a realidade? ZENIT perguntou para o correspondente espanhol na Itália, que não faz descontos ao Vaticano, Pablo Ordaz, do jornal El País, que tem sido um correspondente no México, América Central e Caribe, e cujas respostas compartilhamos com os nossos leitores.
Desde o começo do pontificado do Papa Francisco, você acha que algo mudou na imagem da Igreja?
- Pablo Ordaz: Com certeza. Tanto do ponto de vista dos católicos como do resto da opinião pública. Não podemos nos esquecer que faz só dois anos que o Vaticano estava imerso em guerras de poder que levaram à fuga de documentos do caso Vatileaks, à detenção do mordomo de Bento XVI, à demissão descarada do chefe do IOR, aos escândalos contínuos de pederastia, à renúncia de Joseph Ratzinger... Em um tempo recorde, Jorge Mario Bergoglio conseguiu que os católicos, na sua grande maioria, voltassem a se sentir orgulhosos da sua Igreja – é só olhar para a Praça de São Pedro cada quarta-feira e cada domingo ou o interesse que causam as suas viagens – e que líderes mundiais como Barack Obama tenham vindo a Roma para visita-lo e dizer: “É necessário escutar o Papa”. A sua mensagem social em um momento de crise e sofrimento para muitas pessoas em todo o mundo está chegando com força.
Tem sido somente uma mudança de imagem ou foram mudanças reais?
- Pablo Ordaz: Eu acho que o segundo está ligado ao primeiro. Após aquela frase de abertura de seu pontificado - "como eu gostaria de ter uma Igreja pobre para os pobres" - Bergoglio está tentando, embora não sem resistência interna, lançar luz sobre as tradicionais escuras finanças vaticanas, racionalizar gastos, contagiar a Cúria e as diversas congregações, do seu estilo simples de vida, ir à busca dos feridos – divorciados recasados, novos casais, gays... – em vez de ficar protegido na comodidade. Mas, não é fácil. A inércia de muitos séculos nos contemplam e é mais simples acostumar-se a ser rico do que a ser pobre... como também não é fácil que depois de décadas olhando para outro lado, a Igreja, em seu conjunto, esteja se convencendo de que a “tolerância zero” é a única resposta à pederastia. Embora tarde, começa-se a dar passos nesse sentido.
Como você acha que isso foi vivido no Vaticano?
- Pablo Ordaz: Muitos ainda não se recuperaram da surpresa. Não tanto da surpresa de ver na varanda aparecer um Papa vindo do fim do mundo, com sapatos gastos, uma cruz de prata e pedindo para fieis reunidos em São Pedro que rezassem por ele, mas da surpresa de que não se tratasse só de gestos, pura propaganda, maquiagem para cobrir as feridas... Já não há dúvida de que Bergoglio está disposto a muda a Igreja para sempre, que sabe que tem pouco tempo e que, portanto, vai fazê-lo custe o que custar e doa a quem doer. Perante isso, só existem duas opções, ou ajuda-lo na empresa ou expor-se a ser arrastado pelo furacão. Está claro que existem resistências – e aí estão os vazamentos dos últimos dias sobre as supostas extravagâncias do Cardeal George Pell – , mas, acho que, no geral está conseguindo o que quer.
De vez em quando o Papa usa palavras e imagens claras, mas politicamente incorretas. Como você vê isso?
- Pablo Ordaz: Dizia o escritor Ennio Flaiano que, na Itália, a linha mais curta entre dois pontos é o arabesco. A Igreja oficial, tão vinculada à Itália para o bom e para o mal, abusou muito do arabesco, das mensagens cifradas, para dirigir-se aos fieis. O resultado foi, muitas vezes, um corte de comunicação, uma distância intransponível entre os doutores da Igreja e os católicos a pé. O resultado – ou um deles – pode ver-se na fuga, especialmente na América, de centenas de milhares de católicos para outras confissões. Bergoglio prefere falar cara a cara, dar-se a entender, sair do roteiro, apelar para a emoção quando fala das mães que perdem os seus filhos no mar de Lampedusa e até mesmo critica abertamente quando fala da cara de enterro ou da vida mundana de alguns sacerdotes e freiras. E, às vezes, alguma dessas suas frases, analizadas de forma isolada, sem o contexto apropriado ou o filtro do politicamente correto, podem causar polêmica. Mas, tenho a impressão de que Francisco prefere errar e chegar nas pessoas do que elaborar discursos frios e distantes.
O Papa Francisco fala muito de Jesus, das parábolas do Evangelho...
- Pablo Ordaz: Sim, me chama muito a atenção de que os discursos do Papa – cuja cópia original nos envia a secretaria de imprensa do Vaticano – estejam cheios de referências constantes às escrituras. No outro dia eu contei 22 em uma homilia de duas páginas e meia. Recentemente me dizia uma amiga sua argentina que Bergoglio é um grande conhecedor da Bíblia e que nunca lê um texto que não tenha sido trabalhado e escrito por ele mesmo. Mas, além do mais, eu suspeito que o faça para eliminar qualquer dúvida, de dentro: quer deixar claro que a Igreja que ele sonha e prega – a da periferia, a dos pastores com cheiro de ovelha – não é outra que a das origens. Que em vez de uma teoria nova o que está fazendo é tirar os escombros de cima do discurso das origens.
Que outras considerações poderia fazer sobre estes dois anos de pontificado?
- Pablo Ordaz: Existe um resultado claro. Independentemente de que o papa Francisco seja mais agradável para uns do que para outros, o que sim fica claro é que colocou a Igreja no centro do debate em todo o mundo. A sua mensagem é escutada pelos de dentro e os de fora e, além disso, está utilizando a poderosa maquinária diplomática do Vaticano para mediar conflitos como o do Oriente Próximo ou a exitosa aproximação entre EUA e Cuba. As vezes é preciso distanciar-se de um quadro para ter a visão mais nítida, e as pequenas guerras de poder que continuam existindo no Vaticano são “peccata minuta” em comparação com todos os aspectos interessantes do ainda curto pontificado de Jorge Mario Bergoglio.
Fonte: Zenit.
- Pablo Ordaz: Com certeza. Tanto do ponto de vista dos católicos como do resto da opinião pública. Não podemos nos esquecer que faz só dois anos que o Vaticano estava imerso em guerras de poder que levaram à fuga de documentos do caso Vatileaks, à detenção do mordomo de Bento XVI, à demissão descarada do chefe do IOR, aos escândalos contínuos de pederastia, à renúncia de Joseph Ratzinger... Em um tempo recorde, Jorge Mario Bergoglio conseguiu que os católicos, na sua grande maioria, voltassem a se sentir orgulhosos da sua Igreja – é só olhar para a Praça de São Pedro cada quarta-feira e cada domingo ou o interesse que causam as suas viagens – e que líderes mundiais como Barack Obama tenham vindo a Roma para visita-lo e dizer: “É necessário escutar o Papa”. A sua mensagem social em um momento de crise e sofrimento para muitas pessoas em todo o mundo está chegando com força.
Tem sido somente uma mudança de imagem ou foram mudanças reais?
- Pablo Ordaz: Eu acho que o segundo está ligado ao primeiro. Após aquela frase de abertura de seu pontificado - "como eu gostaria de ter uma Igreja pobre para os pobres" - Bergoglio está tentando, embora não sem resistência interna, lançar luz sobre as tradicionais escuras finanças vaticanas, racionalizar gastos, contagiar a Cúria e as diversas congregações, do seu estilo simples de vida, ir à busca dos feridos – divorciados recasados, novos casais, gays... – em vez de ficar protegido na comodidade. Mas, não é fácil. A inércia de muitos séculos nos contemplam e é mais simples acostumar-se a ser rico do que a ser pobre... como também não é fácil que depois de décadas olhando para outro lado, a Igreja, em seu conjunto, esteja se convencendo de que a “tolerância zero” é a única resposta à pederastia. Embora tarde, começa-se a dar passos nesse sentido.
Como você acha que isso foi vivido no Vaticano?
- Pablo Ordaz: Muitos ainda não se recuperaram da surpresa. Não tanto da surpresa de ver na varanda aparecer um Papa vindo do fim do mundo, com sapatos gastos, uma cruz de prata e pedindo para fieis reunidos em São Pedro que rezassem por ele, mas da surpresa de que não se tratasse só de gestos, pura propaganda, maquiagem para cobrir as feridas... Já não há dúvida de que Bergoglio está disposto a muda a Igreja para sempre, que sabe que tem pouco tempo e que, portanto, vai fazê-lo custe o que custar e doa a quem doer. Perante isso, só existem duas opções, ou ajuda-lo na empresa ou expor-se a ser arrastado pelo furacão. Está claro que existem resistências – e aí estão os vazamentos dos últimos dias sobre as supostas extravagâncias do Cardeal George Pell – , mas, acho que, no geral está conseguindo o que quer.
De vez em quando o Papa usa palavras e imagens claras, mas politicamente incorretas. Como você vê isso?
- Pablo Ordaz: Dizia o escritor Ennio Flaiano que, na Itália, a linha mais curta entre dois pontos é o arabesco. A Igreja oficial, tão vinculada à Itália para o bom e para o mal, abusou muito do arabesco, das mensagens cifradas, para dirigir-se aos fieis. O resultado foi, muitas vezes, um corte de comunicação, uma distância intransponível entre os doutores da Igreja e os católicos a pé. O resultado – ou um deles – pode ver-se na fuga, especialmente na América, de centenas de milhares de católicos para outras confissões. Bergoglio prefere falar cara a cara, dar-se a entender, sair do roteiro, apelar para a emoção quando fala das mães que perdem os seus filhos no mar de Lampedusa e até mesmo critica abertamente quando fala da cara de enterro ou da vida mundana de alguns sacerdotes e freiras. E, às vezes, alguma dessas suas frases, analizadas de forma isolada, sem o contexto apropriado ou o filtro do politicamente correto, podem causar polêmica. Mas, tenho a impressão de que Francisco prefere errar e chegar nas pessoas do que elaborar discursos frios e distantes.
O Papa Francisco fala muito de Jesus, das parábolas do Evangelho...
- Pablo Ordaz: Sim, me chama muito a atenção de que os discursos do Papa – cuja cópia original nos envia a secretaria de imprensa do Vaticano – estejam cheios de referências constantes às escrituras. No outro dia eu contei 22 em uma homilia de duas páginas e meia. Recentemente me dizia uma amiga sua argentina que Bergoglio é um grande conhecedor da Bíblia e que nunca lê um texto que não tenha sido trabalhado e escrito por ele mesmo. Mas, além do mais, eu suspeito que o faça para eliminar qualquer dúvida, de dentro: quer deixar claro que a Igreja que ele sonha e prega – a da periferia, a dos pastores com cheiro de ovelha – não é outra que a das origens. Que em vez de uma teoria nova o que está fazendo é tirar os escombros de cima do discurso das origens.
Que outras considerações poderia fazer sobre estes dois anos de pontificado?
- Pablo Ordaz: Existe um resultado claro. Independentemente de que o papa Francisco seja mais agradável para uns do que para outros, o que sim fica claro é que colocou a Igreja no centro do debate em todo o mundo. A sua mensagem é escutada pelos de dentro e os de fora e, além disso, está utilizando a poderosa maquinária diplomática do Vaticano para mediar conflitos como o do Oriente Próximo ou a exitosa aproximação entre EUA e Cuba. As vezes é preciso distanciar-se de um quadro para ter a visão mais nítida, e as pequenas guerras de poder que continuam existindo no Vaticano são “peccata minuta” em comparação com todos os aspectos interessantes do ainda curto pontificado de Jorge Mario Bergoglio.
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Os cristãos da Síria agradecem o Papa e a Itália
A cidade de Damasco está nas mãos do governo Assad, os subúrbios estão nas mãos dos rebeldes, enquanto a situação em Aleppo é decididamente desequilibrada a favor das forças jihadistas. Este é o cenário descrito pelo arcebispo Nassar Samir, arcebispo de Damasco dos Maronitas, que falou ontem, 4, em coletiva de imprensa na Casa Bonus Pastor, poucas horas depois de ter participado na audiência dos bispos amigos dos Focolares com o Papa Francisco.
“O dia 15 de março é o quarto aniversário da guerra e nós não esperamos nada além da paz", disse o prelado sírio, referindo também a incapacidade dos sírios residentes de apoiar economicamente os seus familiares, devido ao bloqueio das contas bancárias no país, enquanto que “quem quer deixar o país não encontra mais um consulado ou uma embaixada”.
À margem da coletiva de imprensa, monsenhor Samir respondeu a algumas perguntas de ZENIT, destacando principalmente a própria gratidão pela ajuda demonstrada pela Santa Sé e pelo Pontífice.
Excelência, no mundo católico, tanto no Ocidente quanto no Oriente, são numerosos aqueles que argumentam que o Papa Francisco e o Vaticano não estão suficientemente comprometidos com a paz na Síria e no Iraque e que estejam basicamente calando sobre a perseguição dos cristãos. O que você acha?
Dom Nassar Samir: A Igreja Católica, desde o pontificado de Bento XVI, está fazendo muito pela paz. Cinco anos atrás, houve o Sínodo extraordinário para o Oriente Médio e a Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente se coloca como base para a paz nos nossos territórios.
Quanto ao Papa Francisco, eu acho que é benéfico lembrar que, já em setembro de 2013 conseguiu parar o bombardeio na Síria. O Papa, então, está fazendo muito, através de Cor Unum e da Caritas Internationalis, para ajudar os refugiados na Síria e no Iraque.
O tema do nosso congresso em Castelgandolfo é Eucaristia, mistério de comunhão. O Papa falou-nos esta manhã justamente nesta comunhão e na paz. O que as igrejas na Síria estão se esforçando para fazer é criar essa comunhão e estabelecer as bases para a paz.
Até a Itália está fazendo muito pelo nosso país: todas as escavações arqueológicas na Síria estão nas mãos dos grupos de pesquisa das universidades italianas.
Você acredita que a estratégia de terror que Isis está semeando, poderia, a longo prazo, sair pela culatra e que a população poderia se rebelar?
Dom Nassar Samir: Até o momento, as pessoas se limitam a fugir e não têm a possibilidade de opor muita resistência. Os cristãos do oriente médio são pessoas pacíficas, contrárias à guerra e qualquer tipo de violência. O Isis ainda está distante de Damasco, portanto, não tenho um conhecimento direto da situação, porém, no geral, as pessoas não querem combater os terroristas, querem, pelo contrário, evitar a violência. Alguns escolheram resistir e pegaram em armas, outros preferiram sair e fugir. Aguardam a proteção da Organização das Nações Unidas e das potências mundiais, mas ainda não chega.
Em um cenário tão apocalíptico, como é que é possível para os cristãos não serem dominado pelo medo?
Dom Nassar Samir: Falta medicamentos, médicos, água, eletricidade e, há quatro anos, não há nenhuma possibilidade de emprego ou salário e o valor da moeda local entrou em colapso. Os cristãos mais ricos foram embora, os outros vivem com pouquíssimos meios, por sorte há um pouco de solidariedade que chega e a Igreja está ajudando as famílias a sobreviver: é tudo o que podemos fazer!
Fonte: Zenit.
À margem da coletiva de imprensa, monsenhor Samir respondeu a algumas perguntas de ZENIT, destacando principalmente a própria gratidão pela ajuda demonstrada pela Santa Sé e pelo Pontífice.
Excelência, no mundo católico, tanto no Ocidente quanto no Oriente, são numerosos aqueles que argumentam que o Papa Francisco e o Vaticano não estão suficientemente comprometidos com a paz na Síria e no Iraque e que estejam basicamente calando sobre a perseguição dos cristãos. O que você acha?
Dom Nassar Samir: A Igreja Católica, desde o pontificado de Bento XVI, está fazendo muito pela paz. Cinco anos atrás, houve o Sínodo extraordinário para o Oriente Médio e a Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente se coloca como base para a paz nos nossos territórios.
Quanto ao Papa Francisco, eu acho que é benéfico lembrar que, já em setembro de 2013 conseguiu parar o bombardeio na Síria. O Papa, então, está fazendo muito, através de Cor Unum e da Caritas Internationalis, para ajudar os refugiados na Síria e no Iraque.
O tema do nosso congresso em Castelgandolfo é Eucaristia, mistério de comunhão. O Papa falou-nos esta manhã justamente nesta comunhão e na paz. O que as igrejas na Síria estão se esforçando para fazer é criar essa comunhão e estabelecer as bases para a paz.
Até a Itália está fazendo muito pelo nosso país: todas as escavações arqueológicas na Síria estão nas mãos dos grupos de pesquisa das universidades italianas.
Você acredita que a estratégia de terror que Isis está semeando, poderia, a longo prazo, sair pela culatra e que a população poderia se rebelar?
Dom Nassar Samir: Até o momento, as pessoas se limitam a fugir e não têm a possibilidade de opor muita resistência. Os cristãos do oriente médio são pessoas pacíficas, contrárias à guerra e qualquer tipo de violência. O Isis ainda está distante de Damasco, portanto, não tenho um conhecimento direto da situação, porém, no geral, as pessoas não querem combater os terroristas, querem, pelo contrário, evitar a violência. Alguns escolheram resistir e pegaram em armas, outros preferiram sair e fugir. Aguardam a proteção da Organização das Nações Unidas e das potências mundiais, mas ainda não chega.
Em um cenário tão apocalíptico, como é que é possível para os cristãos não serem dominado pelo medo?
Dom Nassar Samir: Falta medicamentos, médicos, água, eletricidade e, há quatro anos, não há nenhuma possibilidade de emprego ou salário e o valor da moeda local entrou em colapso. Os cristãos mais ricos foram embora, os outros vivem com pouquíssimos meios, por sorte há um pouco de solidariedade que chega e a Igreja está ajudando as famílias a sobreviver: é tudo o que podemos fazer!
Fonte: Zenit.
quinta-feira, 5 de março de 2015
O bispo não reúne o povo em volta de sua própria pessoa, mas em volta de Cristo
Papa Francisco ressaltou que o bispo não reúne os fiéis em torno de sua pessoa, mas em torno de Cristo. Fê-lo na audiência com os participantes do 38 °Congresso dos Bispos amigos do Movimento dos Focolares, que está sendo realizado em Castel Gandolfo de 3 a 6 de março. Presentes no encontro 60 prelados de 35 países. Na audiência com o Santo Padre também estiveram presentes a presidenta do Movimento, Maria Voce, e o vice presidente, Jesus Moran.
Os bispos, como recordou o Papa em seu discurso, estão reunidos em Roma pela amizade com este movimento e pelo "interesse na espiritualidade de comunhão". A reflexão destes dias está centrada sobre o tema "Eucaristia, mistério de comunhão".
O Santo Padre dedicou algumas palavras de agradecimento aos bispos provenientes de terras “ensanguentadas” como Síria, Iraque e Ucrânia. "No sofrimento que vivem com o povo, vocês experimentam a força que vem de Jesus Eucarístico, força para prosseguir unidos na fé e na esperança", disse o Papa. E garantiu a certeza de que na celebração da Missa diária "estamos unidos a vocês, rezamos por vocês oferecendo o Sacrifício de Cristo”.
O Papa afirmou que "o carisma da unidade próprio da Obra de Maria está fortemente ancorado à Eucaristia, que lhe dá o caráter cristão e eclesial. Sem a Eucaristia a unidade perderia seu polo de atração divina e se reduziria a um sentimento e a uma dinâmica apenas humana, psicológica, social". A Eucaristia garante –afirmou- que no centro está Deus, e que o seu Espírito, o Espírito Santo move os nossos passos e as nossas iniciativas de encontro e de comunhão.
Por outro lado, o Santo Padre recordou que os bispos reúnem as comunidades em volta da Eucaristia, na mesa da Palavra e do Pão da vida. "Este é o nosso serviço, e é fundamental", disse ele. E acrescentou que o bispo é princípio de unidade na Igreja, mas isso não acontece sem a Eucaristia, o “bispo não reúne o povo em volta de sua própria pessoa, de suas próprias ideias, mas em volta de Cristo presente em Sua Palavra e no Sacramento do Seu Corpo e Sangue". Ele também lembrou que "seguindo Jesus, Bom Pastor feito Cordeiro imolado e ressuscitado, o bispo reúne as ovelhas confiadas a ele com a oferta de sua vida, assumindo ele mesmo uma forma de existência eucarística". O Papa especificou que assim, o bispo conformado a Cristo, se converte em Evangelho vivo, se converte em pão repartido pela vida de muitos com a sua pregação e seu testemunho. Quem se alimenta com fé de Cristo Pão vivo -explicou- é impulsionado por seu amor a dar a vida pelos irmãos, a sair, a ir ao encontro do marginalizado e desprezado.
Por fim, o Papa encorajou os bispos a "levarem adiante o compromisso a favor do caminho ecumênico e do diálogo inter-religioso”. E agradeceu “pela contribuição que dão para uma maior comunhão entre os diversos movimentos eclesiais".
Fonte: Zenit.
Os bispos, como recordou o Papa em seu discurso, estão reunidos em Roma pela amizade com este movimento e pelo "interesse na espiritualidade de comunhão". A reflexão destes dias está centrada sobre o tema "Eucaristia, mistério de comunhão".
O Santo Padre dedicou algumas palavras de agradecimento aos bispos provenientes de terras “ensanguentadas” como Síria, Iraque e Ucrânia. "No sofrimento que vivem com o povo, vocês experimentam a força que vem de Jesus Eucarístico, força para prosseguir unidos na fé e na esperança", disse o Papa. E garantiu a certeza de que na celebração da Missa diária "estamos unidos a vocês, rezamos por vocês oferecendo o Sacrifício de Cristo”.
O Papa afirmou que "o carisma da unidade próprio da Obra de Maria está fortemente ancorado à Eucaristia, que lhe dá o caráter cristão e eclesial. Sem a Eucaristia a unidade perderia seu polo de atração divina e se reduziria a um sentimento e a uma dinâmica apenas humana, psicológica, social". A Eucaristia garante –afirmou- que no centro está Deus, e que o seu Espírito, o Espírito Santo move os nossos passos e as nossas iniciativas de encontro e de comunhão.
Por outro lado, o Santo Padre recordou que os bispos reúnem as comunidades em volta da Eucaristia, na mesa da Palavra e do Pão da vida. "Este é o nosso serviço, e é fundamental", disse ele. E acrescentou que o bispo é princípio de unidade na Igreja, mas isso não acontece sem a Eucaristia, o “bispo não reúne o povo em volta de sua própria pessoa, de suas próprias ideias, mas em volta de Cristo presente em Sua Palavra e no Sacramento do Seu Corpo e Sangue". Ele também lembrou que "seguindo Jesus, Bom Pastor feito Cordeiro imolado e ressuscitado, o bispo reúne as ovelhas confiadas a ele com a oferta de sua vida, assumindo ele mesmo uma forma de existência eucarística". O Papa especificou que assim, o bispo conformado a Cristo, se converte em Evangelho vivo, se converte em pão repartido pela vida de muitos com a sua pregação e seu testemunho. Quem se alimenta com fé de Cristo Pão vivo -explicou- é impulsionado por seu amor a dar a vida pelos irmãos, a sair, a ir ao encontro do marginalizado e desprezado.
Por fim, o Papa encorajou os bispos a "levarem adiante o compromisso a favor do caminho ecumênico e do diálogo inter-religioso”. E agradeceu “pela contribuição que dão para uma maior comunhão entre os diversos movimentos eclesiais".
Fonte: Zenit.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Francisco Santa Marta: Jesus prefere um pecador do que um santo aparente
Se aprendemos a fazer o bem, Deus perdoa generosamente todo pecado. O que não perdoa é a hipocrisia, a santidade fingida. Assim explicou na manhã de ontem o Santo Padre Francisco, em sua homilia na Missa celebrada em Santa Marta.
Os santos aparentes, que diante do céu se preocupam de parece mais do que ser, e os pecadores santificados, que além do mal feito aprenderam a fazer um bem maior. O Papa disse que não há dúvida sobre quem Deus prefere nestas duas categorias.
Ele explicou que as palavras da leitura de Isaías, são um imperativo e paralelamente um "convite" que vem diretamente de Deus: "Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem" defendendo órfãos e viúvas, ou seja, "aqueles que ninguém se lembra", entre os quais estão também -recorda o Pontífice- "os idosos abandonados, as crianças que não vão à escola" e aqueles que" não sabem fazer o sinal da cruz". O Papa observou que por trás do imperativo e do convite há substancialmente o convite à conversão.
E explicou assim: "Mas como eu posso me converter? Aprendam a fazer o bem! A conversão. A sujeira do coração não se remove como você remove uma mancha: vamos a lavanderia e saímos limpos... remove-se com o fazer: tomar um caminho diferente, uma estrada diferente daquela do mal. E continuou: "Aprendam a fazer o bem, ou seja, o caminho de fazer o bem. E como faço o bem? É fácil! Procurai a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva”. O pontífice destacou que “em Israel os mais pobres e necessitados eram os órfãos e as viúvas: façam justiça a eles, vão onde estão as chagas da humanidade, onde há tanta dor... E assim, fazendo o bem, você irá lava o seu coração".
E a promessa de um coração lavado, isto é perdoado, vem do próprio Deus, que não leva em conta os pecados de quem ama concretamente o próximo, explicou o Pontífice.
Mais uma vez, o Santo Padre explicou com um exemplo: "Se você fizer isso, se você vai por este caminho, no qual eu convido você –nos diz o Senhor- ainda que os seus pecados sejam como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve". “É um exagero, o Senhor exagera: mas é a verdade! O Senhor nos dá o dom do seu perdão. O Senhor perdoa generosamente. Mas eu perdoo você até aqui, depois vamos ver o resto... Não, não! O Senhor perdoa tudo! Tudo! Mas se você quer ser perdoado, você deve começar o caminho do fazer o bem. Este é o dom!".
O Evangelho do dia apresenta, ao invés, o grupo dos astutos, aqueles "que dizem as coisas certas, mas fazem o contrário”. "Todos, - disse Francisco -, somos astutos e sempre encontramos um caminho que não é o certo, para parecer mais justo do que somos: é o caminho da hipocrisia":
Aliás, Francisco afirmou que "esses fingem se converter, mas o seu coração é uma mentira: eles são mentirosos! É uma mentira ... o seu coração não pertence ao Senhor, pertence ao pai de todas as mentiras, Satanás. E esta é a falsa santidade. Jesus prefere mil vezes pecadores a eles. Por quê? Porque pecadores dizem a verdade sobre si mesmo. Fique longe de mim, Senhor, eu sou um pecador! Pedro disse isso uma vez. Eles nunca disseram isso mas obrigado Senhor, porque eu não sou um pecador, porque eu sou justo...
Na segunda semana da Quaresma temos três palavras para pensar e refletir: o convite à conversão, o dom que o Senhor nos dá, isto é, um perdão grande, e armadilha, ou seja, fingir se converter, mas tomar o caminho da hipocrisia, concluiu o Santo Padre.
Fonte: Zenit.
Os santos aparentes, que diante do céu se preocupam de parece mais do que ser, e os pecadores santificados, que além do mal feito aprenderam a fazer um bem maior. O Papa disse que não há dúvida sobre quem Deus prefere nestas duas categorias.
Ele explicou que as palavras da leitura de Isaías, são um imperativo e paralelamente um "convite" que vem diretamente de Deus: "Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem" defendendo órfãos e viúvas, ou seja, "aqueles que ninguém se lembra", entre os quais estão também -recorda o Pontífice- "os idosos abandonados, as crianças que não vão à escola" e aqueles que" não sabem fazer o sinal da cruz". O Papa observou que por trás do imperativo e do convite há substancialmente o convite à conversão.
E explicou assim: "Mas como eu posso me converter? Aprendam a fazer o bem! A conversão. A sujeira do coração não se remove como você remove uma mancha: vamos a lavanderia e saímos limpos... remove-se com o fazer: tomar um caminho diferente, uma estrada diferente daquela do mal. E continuou: "Aprendam a fazer o bem, ou seja, o caminho de fazer o bem. E como faço o bem? É fácil! Procurai a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva”. O pontífice destacou que “em Israel os mais pobres e necessitados eram os órfãos e as viúvas: façam justiça a eles, vão onde estão as chagas da humanidade, onde há tanta dor... E assim, fazendo o bem, você irá lava o seu coração".
E a promessa de um coração lavado, isto é perdoado, vem do próprio Deus, que não leva em conta os pecados de quem ama concretamente o próximo, explicou o Pontífice.
Mais uma vez, o Santo Padre explicou com um exemplo: "Se você fizer isso, se você vai por este caminho, no qual eu convido você –nos diz o Senhor- ainda que os seus pecados sejam como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve". “É um exagero, o Senhor exagera: mas é a verdade! O Senhor nos dá o dom do seu perdão. O Senhor perdoa generosamente. Mas eu perdoo você até aqui, depois vamos ver o resto... Não, não! O Senhor perdoa tudo! Tudo! Mas se você quer ser perdoado, você deve começar o caminho do fazer o bem. Este é o dom!".
O Evangelho do dia apresenta, ao invés, o grupo dos astutos, aqueles "que dizem as coisas certas, mas fazem o contrário”. "Todos, - disse Francisco -, somos astutos e sempre encontramos um caminho que não é o certo, para parecer mais justo do que somos: é o caminho da hipocrisia":
Aliás, Francisco afirmou que "esses fingem se converter, mas o seu coração é uma mentira: eles são mentirosos! É uma mentira ... o seu coração não pertence ao Senhor, pertence ao pai de todas as mentiras, Satanás. E esta é a falsa santidade. Jesus prefere mil vezes pecadores a eles. Por quê? Porque pecadores dizem a verdade sobre si mesmo. Fique longe de mim, Senhor, eu sou um pecador! Pedro disse isso uma vez. Eles nunca disseram isso mas obrigado Senhor, porque eu não sou um pecador, porque eu sou justo...
Na segunda semana da Quaresma temos três palavras para pensar e refletir: o convite à conversão, o dom que o Senhor nos dá, isto é, um perdão grande, e armadilha, ou seja, fingir se converter, mas tomar o caminho da hipocrisia, concluiu o Santo Padre.
Fonte: Zenit.
terça-feira, 3 de março de 2015
"Cesse qualquer perseguição no Oriente Médio"
O Patriarcado de Moscou exortou nestes dias a comunidade internacional a intervir imediatamente para parar o terror contra os cristãos no Oriente Médio.
Em um comunicado, o Patriarcado exige o fim imediato da perseguição das comunidades cristãs e a garantia da segurança completa, ressaltando que no Oriente Médio os cristãos vivem há mais de 2000 anos e respeitando os princípios da coexistência pacífica com as outras minorias religiosas e étnicas.
"Os cristãos são os mais indefesos contra a ameaça do extremismo. Os militantes do Estado Islâmico fixaram o objetivo de erradicar o cristianismo nos territórios sob o seu controlo, recorrendo ao terror, às execuções brutais, aos sequestros, à profanação dos lugares sagrados e às destruições das igrejas”, está escrito na mensagem do Patriarcado.
"Usando propaganda islâmica como cobertura, procuram erradicar completamente a presença cristã na região. O desastre levará a consequências irreversíveis”, continua o comunicado.
"A Igreja Ortodoxa russa condena totalmente os bárbaros atos de violência contra os cristãos. Continuamos a convidar todos os líderes políticos do mundo e as organizações internacionais para defender os cristãos perseguidos. É preciso parar com o terror sem demora e garantir a segurança dos cristãos que viveram nessas terras bíblicas do Oriente Médio. Expressemos solidariedade aos nossos irmãos e irmãs em Cristo sofredor, na esperança de que a comunidade internacional abra finalmente os olhos aos atos de ilegalidades e adote medidas imediatas pela defesa dos cristãos perseguidos”, exortam os líderes da Igreja Ortodoxa Russa.
Fonte: Zenit.
Em um comunicado, o Patriarcado exige o fim imediato da perseguição das comunidades cristãs e a garantia da segurança completa, ressaltando que no Oriente Médio os cristãos vivem há mais de 2000 anos e respeitando os princípios da coexistência pacífica com as outras minorias religiosas e étnicas.
"Os cristãos são os mais indefesos contra a ameaça do extremismo. Os militantes do Estado Islâmico fixaram o objetivo de erradicar o cristianismo nos territórios sob o seu controlo, recorrendo ao terror, às execuções brutais, aos sequestros, à profanação dos lugares sagrados e às destruições das igrejas”, está escrito na mensagem do Patriarcado.
"Usando propaganda islâmica como cobertura, procuram erradicar completamente a presença cristã na região. O desastre levará a consequências irreversíveis”, continua o comunicado.
"A Igreja Ortodoxa russa condena totalmente os bárbaros atos de violência contra os cristãos. Continuamos a convidar todos os líderes políticos do mundo e as organizações internacionais para defender os cristãos perseguidos. É preciso parar com o terror sem demora e garantir a segurança dos cristãos que viveram nessas terras bíblicas do Oriente Médio. Expressemos solidariedade aos nossos irmãos e irmãs em Cristo sofredor, na esperança de que a comunidade internacional abra finalmente os olhos aos atos de ilegalidades e adote medidas imediatas pela defesa dos cristãos perseguidos”, exortam os líderes da Igreja Ortodoxa Russa.
Fonte: Zenit.
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