sábado, 7 de março de 2015

Francisco fez com que os católicos se sentissem orgulhosos da sua Igreja

No dia 13 de março de 2013, da varanda da Basílica de São Pedro, o Cardeal Tauran disse: 'Habemus Papam'; e que 'José Mario cardenal Bergoglio' era o novo pontífice com o nome de Francisco. Daquele então até hoje mudou algo na Igreja?, Qual é a percepção e a realidade? ZENIT perguntou para o correspondente espanhol na Itália, que não faz descontos ao Vaticano, Pablo Ordaz, do jornal El País, que tem sido um correspondente no México, América Central e Caribe, e cujas respostas compartilhamos com os nossos leitores.
 
 Desde o começo do pontificado do Papa Francisco, você acha que algo mudou na imagem da Igreja?

- Pablo Ordaz: Com certeza. Tanto do ponto de vista dos católicos como do resto da opinião pública. Não podemos nos esquecer que faz só dois anos que o Vaticano estava imerso em guerras de poder que levaram à fuga de documentos do caso Vatileaks, à detenção do mordomo de Bento XVI, à demissão descarada do chefe do IOR, aos escândalos contínuos de pederastia, à renúncia de Joseph Ratzinger... Em um tempo recorde, Jorge Mario Bergoglio conseguiu que os católicos, na sua grande maioria, voltassem a se sentir orgulhosos da sua Igreja – é só olhar para a Praça de São Pedro cada quarta-feira e cada domingo ou o interesse que causam as suas viagens – e que líderes mundiais como Barack Obama tenham vindo a Roma para visita-lo e dizer: “É necessário escutar o Papa”. A sua mensagem social em um momento de crise e sofrimento para muitas pessoas em todo o mundo está chegando com força.

 Tem sido somente uma mudança de imagem ou foram mudanças reais?

- Pablo Ordaz: Eu acho que o segundo está ligado ao primeiro. Após aquela frase de abertura de seu pontificado - "como eu gostaria de ter uma Igreja pobre para os pobres" - Bergoglio está tentando, embora não sem resistência interna, lançar luz sobre as tradicionais escuras finanças vaticanas, racionalizar gastos, contagiar a Cúria e as diversas congregações, do seu estilo simples de vida, ir à busca dos feridos – divorciados recasados, novos casais, gays... – em vez de ficar protegido na comodidade. Mas, não é fácil. A inércia de muitos séculos nos contemplam e é mais simples acostumar-se a ser rico do que a ser pobre... como também não é fácil que depois de décadas olhando para outro lado, a Igreja, em seu conjunto, esteja se convencendo de que a “tolerância zero” é a única resposta à pederastia. Embora tarde, começa-se a dar passos nesse sentido.

 Como você acha que isso foi vivido no Vaticano?

- Pablo Ordaz: Muitos ainda não se recuperaram da surpresa. Não tanto da surpresa de ver na varanda aparecer um Papa vindo do fim do mundo, com sapatos gastos, uma cruz de prata e pedindo para fieis reunidos em São Pedro que rezassem por ele, mas da surpresa de que não se tratasse só de gestos, pura propaganda, maquiagem para cobrir as feridas... Já não há dúvida de que Bergoglio está disposto a muda a Igreja para sempre, que sabe que tem pouco tempo e que, portanto, vai fazê-lo custe o que custar e doa a quem doer. Perante isso, só existem duas opções, ou ajuda-lo na empresa ou expor-se a ser arrastado pelo furacão. Está claro que existem resistências – e aí estão os vazamentos dos últimos dias sobre as supostas extravagâncias do Cardeal George Pell – , mas, acho que, no geral está conseguindo o que quer.

De vez em quando o Papa usa palavras e imagens claras, mas politicamente incorretas. Como você vê isso?

- Pablo Ordaz: Dizia o escritor Ennio Flaiano que, na Itália, a linha mais curta entre dois pontos é o arabesco. A Igreja oficial, tão vinculada à Itália para o bom e para o mal, abusou muito do arabesco, das mensagens cifradas, para dirigir-se aos fieis. O resultado foi, muitas vezes, um corte de comunicação, uma distância intransponível entre os doutores da Igreja e os católicos a pé. O resultado – ou um deles – pode ver-se na fuga, especialmente na América, de centenas de milhares de católicos para outras confissões. Bergoglio prefere falar cara a cara, dar-se a entender, sair do roteiro, apelar para a emoção quando fala das mães que perdem os seus filhos no mar de Lampedusa e até mesmo critica abertamente quando fala da cara de enterro ou da vida mundana de alguns sacerdotes e freiras. E, às vezes, alguma dessas suas frases, analizadas de forma isolada, sem o contexto apropriado ou o filtro do politicamente correto, podem causar polêmica. Mas, tenho a impressão de que Francisco prefere errar e chegar nas pessoas do que elaborar discursos frios e distantes.

 O Papa Francisco fala muito de Jesus, das parábolas do Evangelho...

- Pablo Ordaz: Sim, me chama muito a atenção de que os discursos do Papa – cuja cópia original nos envia a secretaria de imprensa do Vaticano – estejam cheios de referências constantes às escrituras. No outro dia eu contei 22 em uma homilia de duas páginas e meia. Recentemente me dizia uma amiga sua argentina que Bergoglio é um grande conhecedor da Bíblia e que nunca lê um texto que não tenha sido trabalhado e escrito por ele mesmo. Mas, além do mais, eu suspeito que o faça para eliminar qualquer dúvida, de dentro: quer deixar claro que a Igreja que ele sonha e prega – a da periferia, a dos pastores com cheiro de ovelha – não é outra que a das origens. Que em vez de uma teoria nova o que está fazendo é tirar os escombros de cima do discurso das origens.

 Que outras considerações poderia fazer sobre estes dois anos de pontificado?

- Pablo Ordaz: Existe um resultado claro. Independentemente de que o papa Francisco seja mais agradável para uns do que para outros, o que sim fica claro é que colocou a Igreja no centro do debate em todo o mundo. A sua mensagem é escutada pelos de dentro e os de fora e, além disso, está utilizando a poderosa maquinária diplomática do Vaticano para mediar conflitos como o do Oriente Próximo ou a exitosa aproximação entre EUA e Cuba. As vezes é preciso distanciar-se de um quadro para ter a visão mais nítida, e as pequenas guerras de poder que continuam existindo no Vaticano são “peccata minuta” em comparação com todos os aspectos interessantes do ainda curto pontificado de Jorge Mario Bergoglio.

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Os cristãos da Síria agradecem o Papa e a Itália

A cidade de Damasco está nas mãos do governo Assad, os subúrbios estão nas mãos dos rebeldes, enquanto a situação em Aleppo é decididamente desequilibrada a favor das forças jihadistas. Este é o cenário descrito pelo arcebispo Nassar Samir, arcebispo de Damasco dos Maronitas, que falou ontem, 4, em coletiva de imprensa na Casa Bonus Pastor, poucas horas depois de ter participado na audiência dos bispos amigos dos Focolares com o Papa Francisco.
 
“O dia 15 de março é o quarto aniversário da guerra e nós não esperamos nada além da paz", disse o prelado sírio, referindo também a incapacidade dos sírios residentes de apoiar economicamente os seus familiares, devido ao bloqueio das contas bancárias no país, enquanto que “quem quer deixar o país não encontra mais um consulado ou uma embaixada”.
À margem da coletiva de imprensa, monsenhor Samir respondeu a algumas perguntas de ZENIT, destacando principalmente a própria gratidão pela ajuda demonstrada pela Santa Sé e pelo Pontífice.

 Excelência, no mundo católico, tanto no Ocidente quanto no Oriente, são numerosos aqueles que argumentam que o Papa Francisco e o Vaticano não estão suficientemente comprometidos com a paz na Síria e no Iraque e que estejam basicamente calando sobre a perseguição dos cristãos. O que você acha?

Dom Nassar Samir: A Igreja Católica, desde o pontificado de Bento XVI, está fazendo muito pela paz. Cinco anos atrás, houve o Sínodo extraordinário para o Oriente Médio e a Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente se coloca como base para a paz nos nossos territórios.
Quanto ao Papa Francisco, eu acho que é benéfico lembrar que, já em setembro de 2013 conseguiu parar o bombardeio na Síria. O Papa, então, está fazendo muito, através de Cor Unum e da Caritas Internationalis, para ajudar os refugiados na Síria e no Iraque.
O tema do nosso congresso em Castelgandolfo é Eucaristia, mistério de comunhão. O Papa falou-nos esta manhã justamente nesta comunhão e na paz. O que as igrejas na Síria estão se esforçando para fazer é criar essa comunhão e estabelecer as bases para a paz.
Até a Itália está fazendo muito pelo nosso país: todas as escavações arqueológicas na Síria estão nas mãos dos grupos de pesquisa das universidades italianas.

Você acredita que a estratégia de terror que Isis está semeando, poderia, a longo prazo, sair pela culatra e que a população poderia se rebelar?

Dom Nassar Samir: Até o momento, as pessoas se limitam a fugir e não têm a possibilidade de opor muita resistência. Os cristãos do oriente médio são pessoas pacíficas, contrárias à guerra e qualquer tipo de violência. O Isis ainda está distante de Damasco, portanto, não tenho um conhecimento direto da situação, porém, no geral, as pessoas não querem combater os terroristas, querem, pelo contrário, evitar a violência. Alguns escolheram resistir e pegaram em armas, outros preferiram sair e fugir. Aguardam a proteção da Organização das Nações Unidas e das potências mundiais, mas ainda não chega.

Em um cenário tão apocalíptico, como é que é possível para os cristãos não serem dominado pelo medo?

Dom Nassar Samir: Falta medicamentos, médicos, água, eletricidade e, há quatro anos, não há nenhuma possibilidade de emprego ou salário e o valor da moeda local entrou em colapso. Os cristãos mais ricos foram embora, os outros vivem com pouquíssimos meios, por sorte há um pouco de solidariedade que chega e a Igreja está ajudando as famílias a sobreviver: é tudo o que podemos fazer!

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O bispo não reúne o povo em volta de sua própria pessoa, mas em volta de Cristo

Papa Francisco ressaltou que o bispo não reúne os fiéis em torno de sua pessoa, mas em torno de Cristo. Fê-lo na audiência com os participantes do 38 °Congresso dos Bispos amigos do Movimento dos Focolares, que está sendo realizado em Castel Gandolfo de 3 a 6 de março. Presentes no encontro 60 prelados de 35 países. Na audiência com o Santo Padre também estiveram presentes a presidenta do Movimento, Maria Voce, e o vice presidente, Jesus Moran.
Os bispos, como recordou o Papa em seu discurso, estão reunidos em Roma pela amizade com este movimento e pelo "interesse na espiritualidade de comunhão". A reflexão destes dias está centrada sobre o tema "Eucaristia, mistério de comunhão".
O Santo Padre dedicou algumas palavras de agradecimento aos bispos provenientes de terras “ensanguentadas” como Síria, Iraque e Ucrânia. "No sofrimento que vivem com o povo, vocês experimentam a força que vem de Jesus Eucarístico, força para prosseguir unidos na fé e na esperança", disse o Papa. E garantiu a certeza de que na celebração da Missa diária "estamos unidos a vocês, rezamos por vocês oferecendo o Sacrifício de Cristo”.
O Papa afirmou que "o carisma da unidade próprio da Obra de Maria está fortemente ancorado à Eucaristia, que lhe dá o caráter cristão e eclesial. Sem a Eucaristia a unidade perderia seu polo de atração divina e se reduziria a um sentimento e a uma dinâmica apenas humana, psicológica, social". A Eucaristia garante –afirmou- que no centro está Deus, e que o seu Espírito, o Espírito Santo move os nossos passos e as nossas iniciativas de encontro e de comunhão.
Por outro lado, o Santo Padre recordou que os bispos reúnem as comunidades em volta da Eucaristia, na mesa da Palavra e do Pão da vida. "Este é o nosso serviço, e é fundamental", disse ele. E acrescentou que o bispo é princípio de unidade na Igreja, mas isso não acontece sem a Eucaristia, o “bispo não reúne o povo em volta de sua própria pessoa, de suas próprias ideias, mas em volta de Cristo presente em Sua Palavra e no Sacramento do Seu Corpo e Sangue". Ele também lembrou que "seguindo Jesus, Bom Pastor feito Cordeiro imolado e ressuscitado, o bispo reúne as ovelhas confiadas a ele com a oferta de sua vida, assumindo ele mesmo uma forma de existência eucarística". O Papa especificou que assim, o bispo conformado a Cristo, se converte em Evangelho vivo, se converte em pão repartido pela vida de muitos com a sua pregação e seu testemunho. Quem se alimenta com fé de Cristo Pão vivo -explicou- é impulsionado por seu amor a dar a vida pelos irmãos, a sair, a ir ao encontro do marginalizado e desprezado.
Por fim, o Papa encorajou os bispos a "levarem adiante o compromisso a favor do caminho ecumênico e do diálogo inter-religioso”. E agradeceu “pela contribuição que dão para uma maior comunhão entre os diversos movimentos eclesiais".

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Francisco Santa Marta: Jesus prefere um pecador do que um santo aparente

Se aprendemos a fazer o bem, Deus perdoa generosamente todo pecado. O que não perdoa é a hipocrisia, a santidade fingida. Assim explicou na manhã de ontem o Santo Padre Francisco, em sua homilia na Missa celebrada em Santa Marta.
Os santos aparentes, que diante do céu se preocupam de parece mais do que ser, e os pecadores santificados, que além do mal feito aprenderam a fazer um bem maior. O Papa disse que não há dúvida sobre quem Deus prefere nestas duas categorias.
Ele explicou que as palavras da leitura de Isaías, são um imperativo e paralelamente um "convite" que vem diretamente de Deus: "Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem" defendendo órfãos e viúvas, ou seja, "aqueles que ninguém se lembra", entre os quais estão também -recorda o Pontífice- "os idosos abandonados, as crianças que não vão à escola" e aqueles que" não sabem fazer o sinal da cruz". O Papa observou que por trás do imperativo e do convite há substancialmente o convite à conversão.
E explicou assim: "Mas como eu posso me converter? Aprendam a fazer o bem! A conversão. A sujeira do coração não se remove como você remove uma mancha: vamos a lavanderia e saímos limpos... remove-se com o fazer: tomar um caminho diferente, uma estrada diferente daquela do mal. E continuou: "Aprendam a fazer o bem, ou seja, o caminho de fazer o bem. E como faço o bem? É fácil! Procurai a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva”. O pontífice destacou que “em Israel os mais pobres e necessitados eram os órfãos e as viúvas: façam justiça a eles, vão onde estão as chagas da humanidade, onde há tanta dor... E assim, fazendo o bem, você irá lava o seu coração".
E a promessa de um coração lavado, isto é perdoado, vem do próprio Deus, que não leva em conta os pecados de quem ama concretamente o próximo, explicou o Pontífice.
Mais uma vez, o Santo Padre explicou com um exemplo: "Se você fizer isso, se você vai por este caminho, no qual eu convido você –nos diz o Senhor- ainda que os seus pecados sejam como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve". “É um exagero, o Senhor exagera: mas é a verdade! O Senhor nos dá o dom do seu perdão. O Senhor perdoa generosamente. Mas eu perdoo você até aqui, depois vamos ver o resto... Não, não! O Senhor perdoa tudo! Tudo! Mas se você quer ser perdoado, você deve começar o caminho do fazer o bem. Este é o dom!".
O Evangelho do dia apresenta, ao invés, o grupo dos astutos, aqueles "que dizem as coisas certas, mas fazem o contrário”. "Todos, - disse Francisco -, somos astutos e sempre encontramos um caminho que não é o certo, para parecer mais justo do que somos: é o caminho da hipocrisia":
Aliás, Francisco afirmou que "esses fingem se converter, mas o seu coração é uma mentira: eles são mentirosos! É uma mentira ... o seu coração não pertence ao Senhor, pertence ao pai de todas as mentiras, Satanás. E esta é a falsa santidade. Jesus prefere mil vezes pecadores a eles. Por quê? Porque pecadores dizem a verdade sobre si mesmo. Fique longe de mim, Senhor, eu sou um pecador! Pedro disse isso uma vez. Eles nunca disseram isso mas obrigado Senhor, porque eu não sou um pecador, porque eu sou justo...
Na segunda semana da Quaresma temos três palavras para pensar e refletir: o convite à conversão, o dom que o Senhor nos dá, isto é, um perdão grande, e armadilha, ou seja, fingir se converter, mas tomar o caminho da hipocrisia, concluiu o Santo Padre.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 3 de março de 2015

"Cesse qualquer perseguição no Oriente Médio"

O Patriarcado de Moscou exortou nestes dias a comunidade internacional a intervir imediatamente para parar o terror contra os cristãos no Oriente Médio.
Em um comunicado, o Patriarcado exige o fim imediato da perseguição das comunidades cristãs e a garantia da segurança completa, ressaltando que no Oriente Médio os cristãos vivem há mais de 2000 anos e respeitando os princípios da coexistência pacífica com as outras minorias religiosas e étnicas.
"Os cristãos são os mais indefesos contra a ameaça do extremismo. Os militantes do Estado Islâmico fixaram o objetivo de erradicar o cristianismo nos territórios sob o seu controlo, recorrendo ao terror, às execuções brutais, aos sequestros, à profanação dos lugares sagrados e às destruições das igrejas”, está escrito na mensagem do Patriarcado.
"Usando propaganda islâmica como cobertura, procuram erradicar completamente a presença cristã na região. O desastre levará a consequências irreversíveis”, continua o comunicado.
"A Igreja Ortodoxa russa condena totalmente os bárbaros atos de violência contra os cristãos. Continuamos a convidar todos os líderes políticos do mundo e as organizações internacionais para defender os cristãos perseguidos. É preciso parar com o terror sem demora e garantir a segurança dos cristãos que viveram nessas terras bíblicas do Oriente Médio. Expressemos solidariedade aos nossos irmãos e irmãs em Cristo sofredor, na esperança de que a comunidade internacional abra finalmente os olhos aos atos de ilegalidades e adote medidas imediatas pela defesa dos cristãos perseguidos”, exortam os líderes da Igreja Ortodoxa Russa.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 2 de março de 2015

A Doutrina Social da Igreja é uma inspiração vital para a recuperação econômica

É possível falar de ética e economia em um mundo que parece falar de economia apenas em termos de lucro. É possível pensar em uma economia a serviço do desenvolvimento humano. A Fundação Centesimus Annus - Pro Pontífice- promove, reconhece e premia. Esta manhã, a Fundação apresentou, na Sala de Imprensa da Santa Sé, as atividades desenvolvidas nos últimos dois anos, seus programas e os nomes dos vencedores da segunda edição do concurso internacional "Economia e Sociedade".
Os vencedores do prêmio são Pierre de Lauzun, por sua obra ''Finance: un regard chrétien. De la banque mediévale a la mondialisation financière''. E na categoria dedicada aos jovens, os vencedores foram Alexander Stumvoll, nacido em 1983, por sua tese “A Living Tradition. The Holy See, Catholic Social Doctrine and Global Politics 1965-2000” e Arturo Bellocq Montano por sua tese “A Doutrina Social da Igreja. O que é e o que não é”.
"O prêmio principal é para um livro que já foi publicado, com excelência na qualidade, correto do ponto de vista doutrinal, mas acima de tudo, que desenvolva a Doutrina Social da Igreja em aspectos concretos. Que não seja apenas um manual, uma introdução ou um resumo, mas apresente ideais novas e aplicáveis”. Os outros dois prêmios foram entregues a trabalhos de doutorado inéditos, e de pessoas mais jovens, mas que seguem a mesma linha, como afirmou Domingo Sugranyes Bickel, presidente da Fundação, falando aos jornalistas no final da conferência de imprensa.
O objetivo do prêmio -explicou- é promover autores que se dedicam a esse tema. Se trata de "encontrar novas maneiras que permitam, do nosso ponto de vista, que a economia de mercado floresça, mas a serviço da sociedade. Encontrar condições que permitam que mais pessoas encontrem em seus trabalhos uma realização. Assim, o crescimento ajudará a combater a pobreza, não há outra maneira", assegurou.
Ele alertou também que a Doutrina Social é pouco conhecida, até mesmo dentro da Igreja. "Falta iniciativa por parte dos católicos para desenvolver a Doutrina Social em termos concretos, para aplica-la, e também reflexões sobre suas aplicações e publicação de livros."
Respondendo a ZENIT sobre a forma específica de um cristão aplicar esta economia que visa o desenvolvimento humano, o presidente da Fundação afirmou que "em qualquer trabalho, empresa, nova iniciativa, melhor ainda se for empresarial, há um aspecto onde a fé tem o seu lugar. Nós não estamos falando de realidade exterior. Bento XVI na Caritas in Veritate disse que na vida econômica é onde podemos viver relações gratuitas e de profunda comunicação. De alguma forma, o que estamos dizendo é que esta mensagem é para todos, para todos tem algum tipo de aplicação".
Quando perguntado se a mensagem de Francisco em favor dos pobres e contra a economia que não se preocupa com a pessoa, está sendo reconhecida, disse: "Eu acho que sim". E acrescentou: "não falta numa sociedade o diagnóstico do que não funciona. O que falta é a parte construtiva e ai sim, eu acho que na Doutrina Social da Igreja existe uma inspiração para um renascimento econômico vital. Quer dizer, colocar tudo o que é feito para servir a sociedade em primeiro lugar e não em segundo. A empresa que afirma isso, assume muitas coisas: desde a organização do plano de vendas, a forma de remuneração e bônus, como é financiada ou como remunera os acionistas. Tudo tem a ver com a visão de uma empresa a serviço da sociedade. Nada é externo. Eu acho que podemos falar de um tempo de falhas graves que surgiram e continuam surgindo, e de um excessivo desenvolvimento financeiro, particularmente especulativo, e de uma globalização que tem sido por vezes distorcida por amor ao dinheiro".
Durante a conferência de imprensa monsenhor Scotti reiterou a importância de denunciar, seguindo o exemplo do Papa Francisco, a ''cultura do descarte'', que exclui as pessoas. ''Muitos acreditam que a economia pode assumir o papel de produtor absoluto de objetivos e valores aos quais deve se submeter qualquer âmbito da dimensão humana, justificando com o fato de que vivemos na era da pós-ideologia e pós-política", destacou. Na verdade - prosseguiu- seria um aspecto a analisar, mas também poderíamos analisar a cultura atual a partir da Palavra de Deus, levando em consideração que o prêmio atribuído pela Fundação vai para autores que desejam com seus trabalhos oferecer uma maneira nova de olhar com sabedoria tanto o presente como o uso do dinheiro. Destacou ainda que o prêmio não é suficiente, mas é um sinal. "É uma via se queremos que o dinheiro não prevaleça sobre nós e sobre o nosso caminho", concluiu.

Fonte: Zenit.

domingo, 1 de março de 2015

"Nós, muçulmanos, condenamos a destruição do patrimônio cultural de Mosul'

O grupo terrorista Estado Islâmico (Daesh, por sua sigla em árabe) difundiu na quinta-feira um vídeo que mostra como destroem dezenas de peças do Museu da Civilização de Mosul e das ruínas da antiga cidade de Nínive, algumas delas datam da época assíria (século VII e VIII a.C.). Com grandes marretas e brocas, os milicianos despedaçam umas figuras de valor inestimável.
Diante desses fatos, o Dr. Sami El Mushtawi, diretor do Departamento Cultural do Centro Cultural Islâmico de Madrid, disse sexta-feira que "destruir obras de arte e do patrimônio cultural da humanidade não é da religião muçulmana e se alguém destrói é prova da sua própria ignorância".
Em um breve comunicado disse que "os muçulmanos rejeitamos e condenamos a  destruição do patrimônio cultural de Mosul pelas mãos de Daesh". "O Islã constrói e nunca destrói", acrescentou.
O Mushtawi também lembrou que "graças a este respeito cultural do Islã por outras culturas podemos visitar hoje em dia o Museu Egípcio do Cairo, as pirâmides, a Esfinge ... e ver todo o esplendor artístico em todo o mundo muçulmano".
Por outro lado, a diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para abordar a proteção do patrimônio cultural do Iraque.
Bokova condenou o que considera "um ataque deliberado contra a história e a cultura do Iraque antiga e um novo incitamento à violência e o ódio".
Não é a primeira vez que o Museu da Civilização de Mosul está sujeita a pilhagem, roubo ou destruição.
O último ataque a esta instituição cultural --o segundo mais importante do Iraque – aconteceu no ano passado, quando as milícias do Daesh invadiram a cidade.
Algumas das peças foram levadas por parte dos líderes deste grupo fundamentalista para vende-las e financiar, assim, a sua organização.

Fonte: Zenit.