sábado, 20 de dezembro de 2014

Síria: 150 mulheres assassinadas por não se casarem com milicianos do Estado Islâmico

Pelo menos 150 mulheres foram assassinadas na província de Anbar, no Iraque, por milicianos do grupo Estado Islâmico por terem se recusado a se casar com eles.
O massacre perpetrado no noroeste do país foi denunciado pelo Ministério iraquiano dos Direitos Humanos, segundo informações do canal Arabiya, que explicou que as execuções aconteceram em Falluja sob o comando do jihadista Abu Anas al-Libi. Os corpos das vítimas foram enterrados em fossas comuns na periferia da cidade.
Enquanto isso, na Síria, foram encontrado os corpos de 230 pessoas assassinadas por jihadistas do Estado Islâmico em uma fossa comum na província de Deyr az-Zor, ao leste do país. O Observatório Nacional para os Direitos Humanos explicou que as vítimas são membros da tribo Sheitat, cujo massacre já tinha sido denunciado em setembro. Chegam a mais de 900 as pessoas da etnia Sheitat assassinadas pelos fundamentalistas do Estado Islâmico até o momento, de acordo com os dados conhecidos.
Segundo a agência italiana Sir, o porta-voz da oposição moderada do Exército Livre Sírio, Omar Abu Layla, afirmou que a tribo Sheitat descobriu a fossa comum depois que alguns dos seus membros voltaram para suas casas. Depois de ocupar a região, o Estado Islâmico deu aos Sheitat a permissão de voltar, mas acompanhada do seguinte aviso: "Esta é uma mensagem do Estado Islâmico para deixar claro que, se houver entre os que voltaram uma intenção mínima de vingança, a sua sorte será a mesma dos seus parentes".

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O papa pede que os luteranos se concentrem no próximo passo possível

O diálogo oficial entre luteranos e católicos chega a quase cinquenta anos de intenso trabalho e notável progresso, e, com a ajuda de Deus, “constitui um fundamento sólido de sincera amizade vivida na fé e na espiritualidade”, disse o papa Francisco na audiência em que recebeu uma delegação da Igreja evangélica luterana alemã.
Apesar das diferenças teológicas que persistem em várias questões de fé, “a colaboração e a convivência fraterna caracterizam a vida das nossas Igrejas e comunidades eclesiais, comprometidas hoje com um caminho ecumênico em comum”, disse o pontífice no discurso.
O papa recordou que o objetivo da unidade plena e visível dos cristãos parece afastar-se por causa de diferentes interpretações, dentro do diálogo, sobre o que é a Igreja e a sua unidade. Ele assegurou que, apesar das questões abertas, “não devemos nos resignar, mas nos concentrar no próximo passo possível (...) Estamos trilhando um caminho de amizade, de estima recíproca e de busca teológica, um caminho que nos leva a olhar para o futuro com esperança”.
A comissão de diálogo bilateral entre a Conferência Episcopal Alemã e a Igreja Evangélica Luterana da Alemanha está prestes a terminar o seu trabalho no tema “Deus e a dignidade do homem”. Francisco especificou que são de grande atualidade as questões relativas à dignidade da pessoa humana no início e no final da vida, assim como as questões da família, do casamento e da sexualidade, “que não podem ser excluídas ou deixadas de lado só porque não se quer pôr em risco o consenso ecumênico alcançado até agora. Seria uma pena se, nessas questões importantes da existência humana, se verificassem novas diferenças confessionais”.
“O diálogo ecumênico não pode hoje ser separado da realidade e da vida das nossas Igrejas”. O papa recordou que, em 2017, os cristãos luteranos e católicos comemoram conjuntamente o quinto centenário da Reforma. Nessa ocasião, “luteranos e católicos terão a possibilidade, pela primeira vez, de compartilhar uma mesma comemoração ecumênica em todo o mundo, não na forma de uma celebração triunfalista, mas como profissão da nossa fé comum em Deus Uno e Trino”. O pontífice desejou que esta comemoração “anime todos nós, com a ajuda de Deus e o apoio do seu Espírito, a dar novos passos rumo à unidade e a não nos limitarmos simplesmente ao que já conseguimos”.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Jesus e Maria nos ajudam a redescobrir a vocação e a missão da família



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 
O Sínodo dos Bispos sobre família, celebrado há pouco, foi a primeira etapa de um caminho que se concluirá em outubro próximo com a celebração de uma outra Assembleia sobre o tema: “Vocação e missão da família na Igreja e no mundo”. A oração e a reflexão que devem acompanhar este caminho envolvem todo o Povo de Deus. Gostaria que também as meditações habituais das audiências de quarta-feira se inserissem neste caminho comum. Desejei, por isso, refletir com vocês, nesse ano, justamente sobre família, sobre este grande dom que o Senhor deu ao mundo desde o princípio, quando conferiu a Adão e Eva a missão de se multiplicar e encher a terra (cfr Gen 1, 28). Aquele dom que Jesus confirmou e selou no seu Evangelho.
A proximidade do Natal acende sobre este mistério uma grande luz. A encarnação do Filho de Deus abre um novo início na história universal do homem e da mulher. E este novo início acontece no seio de uma família, em Nazaré. Jesus nasce em uma família. Ele podia vir espetacularmente, ou como um guerreiro, um imperador… Não, não: vem como um filho de família, em uma família. Isto é importante: olhar no presépio esta cena tão bela.
Deus escolheu nascer em uma família humana, que formou Ele mesmo. Ele formou em uma vila remota da periferia do Império Romano. Não em Roma, que era a capital do Império, não em uma grande cidade, mas em uma periferia quase invisível, bastante mal falada. Recordam-no também os Evangelhos, quase como um modo de dizer: “De Nazaré pode vir alguma coisa de bom?” (Jo 1, 46). Talvez, em muitas partes do mundo, nós mesmos ainda falamos assim, quando ouvimos o nome de qualquer lugar periférico de uma grande cidade. Bem, justamente dali, daquela periferia do grande Império, começou a história mais santa e melhor, aquela de Jesus entre os homens! E ali se encontrava esta família.
Jesus permaneceu naquela periferia por trinta anos. O Evangelista Lucas resume este período assim: Jesus “era seu submisso [isso é, a Maria e José]. E alguém poderia dizer: “Mas este Deus que vem nos salvar, perdeu 30 anos ali, naquela periferia mal falada?”. Perdeu 30 anos! Ele quis isso. O caminho de Jesus era naquela família. “A mãe protegia no seu coração todas as coisas e Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e diante dos homens” (2, 51-52). Não se fala de milagres ou curas, de pregações – não fez nenhuma naquele tempo – de multidões que se reúnem; em Nazaré, tudo parecia acontecer “normalmente”, segundo os costumes de uma piedosa e trabalhadora família israelita: trabalhava-se, a mãe cozinhava, fazia todas as coisas da casa, esticava as camisas… todas as coisas da mãe. O pai, carpinteiro, trabalhava, ensinava o filho a trabalhar. Trinta anos. “Mas que desperdício, padre!”. Os caminhos de Deus são misteriosos. Mas aquilo que era importante ali era a família! E isto não era um desperdício! Eram grandes santos: Maria, a mulher mais santa, imaculada, e José, o homem mais justo… A família”.
Ficaríamos certamente comovidos com a história de como Jesus adolescente enfrentava os compromissos da comunidade religiosa e os deveres da vida social; em conhecer como, de jovem trabalhador, trabalhava com José; e depois o seu modo de participar da escuta das Escrituras, da oração dos salmos e em tantos outros costumes da vida cotidiana. Os Evangelhos, em sua sobriedade, não referem nada sobre a adolescência de Jesus e deixam esta tarefa à nossa afetuosa meditação. A arte, a literatura, a música percorreram este caminho da imaginação. De certo, não é difícil imaginar quanto as mães poderiam aprender com a atenção de Maria por aquele Filho! E quanto os pais poderiam derivar do exemplo de José, homem justo, que dedicou a sua vida a apoiar e defender o menino e a esposa – a sua família – nas passagens difíceis! Para não dizer quanto os jovens poderiam ser encorajados por Jesus adolescente a compreender a necessidade e a beleza de cultivar a sua vocação mais profunda, e de sonhar grande! E Jesus cultivou naqueles trinta anos a sua vocação para a qual o Pai O enviou. E Jesus nunca, naquele tempo, se desencorajou, mas cresceu em coragem para seguir adiante com a sua missão.
Cada família cristã – como fizeram Maria e José – pode antes de tudo acolher Jesus, escutá-Lo, falar com Ele, protegê-Lo, crescer com Ele; e assim melhorar o mundo. Demos espaço no nosso coração e no nosso dia a dia ao Senhor. Assim fizeram também Maria e José, e não foi fácil: quantas dificuldades tiveram que superar! Não era uma família falsa, não era uma família irreal. A família de Nazaré nos empenha a redescobrir a vocação e a missão da família, de cada família. E como aconteceu naqueles trinta anos em Nazaré, assim pode acontecer também para nós: fazer tornar normal o amor e não o ódio, fazer tornar comum a ajuda mútua, não a indiferença ou a inimizade. Não é acaso, então, que “Nazaré” signifique “Aquela que protege”, como Maria, que – diz o Evangelho – “protegia no seu coração todas essas coisas” (cfr Lc 2, 19.51). Desde então, cada vez que há uma família que protege este mistério, mesmo na periferia do mundo, o mistério do Filho de Deus, o mistério de Jesus que vem nos salvar, está trabalhando. E vem para salvar o mundo. E esta é a grande missão da família: dar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós… Jesus está ali. Acolhê-Lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família. Que o Senhor nos dê esta graça nestes últimos dias antes do Natal.

 Obrigado.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Jordânia: chega a 7 mil o número de cristãos refugiados por causa do Isis

Os cristãos iraquianos que fugiram de Mosul e da Planície de Nínive que encontraram refúgio no Iraque são agora mais de 7 mil, e os recursos disponíveis para sua assistência terminará em dois meses.
Assim disse hoje a agência de notícias Fides, destacando que o alarme vem de Wael Suleiman, diretor da Caritas Jordania. "O 70 por cento dos refugiados cristãos --informa Suleiman para Fides-- está concentrada na área de Amman. Uns mil deles estão alojados em 18 paróquias, outros encontraram alojamento em casas. Vivem sonhando em fugir para a América, Austrália e Europa, em um estado terrível de espera que afeta principalmente os jovens e as meninas em idade escolar: passam dias inteiros sem fazer nada, porque, por motivos burocráticos, não têm acesso a escolas da Jordânia".
Os refugiados cristãos do Iraque no Reino Hachemita têm um futuro incerto. "Como Caritas Jordania, diz Suleiman, estamos em apuros”.
Sustentamos os alugueis das famílias cristãs, distribuímos alimentos e artigos de primeira necessidade, mas daqui a dois meses os fundos destinados a estas iniciativas de assistência acabarão. Vamos ter que dizer às pessoas que deixem as casas e vão morar nas ruas. Até agora nos ajudaram a Cáritas Alemã e dos Estados Unidos. Mas não chegou nenhuma outra ajuda de outra entidade. Nenhum organismo humanitário internacional proporciona ajuda aos cristãos, para não serem acusados de atuar de maneira discriminatória".

Fonte: Zenit.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Francisco: nunca tirar da igreja uma criança chorando

Francisco retomou suas visitas pastorais às paróquias de Roma. Neste domingo esteve na paróquia São José, em Aurelio, que foi a oitava visita a uma paróquia da diocese. Antes de celebrar a missa, quis encontrar-se com diferentes grupos de paroquianos:  crianças da catequese, comunidade de ciganos, enfermos e as famílias que batizaram seus filhos recentemente. Além do mais, o Papa teve a oportunidade de confessar a algumas pessoas. A todos e cada um dos grupos, dedicou algumas palavras e deu alguns conselhos.
Às crianças da Primeira Comunhão: recordar sempre esse dia em que Jesus vem a nós. À comunidade cigana: não perder a esperança nos momentos difíceis. Aos enfermos: ser a força na Igreja. Às famílias com filhos recém-batizados: o choro da criança é a melhor pregação.
O Santo Padre contou para os pequenos a sua experiência da Primeira Comunhão e da Confirmação, que recebeu há 70 anos: no dia 8 de outubro de 1944. Ambos os sacramentos no mesmo dia, explicou-lhes Francisco. “Não esqueço esse dia. Sempre, vocês que vão fazer a primeira comunhão, lembrem sempre, por toda a vida, esse dia: o primeiro dia que Jesus veio até vocês”, disse. Assim, Francisco disse às crianças que “Ele vem, se faz um conosco, se faz nosso alimento, nosso alimento para dar-nos força”. Além do mais, pediu-lhes que não se esqueça dos catequistas. “Eu não os esqueci nunca na minha vida”, afirmou Francisco e contou-lhes que no dia 17 de outubro de 1987, quando morreu a freira que o preparou para a primeira comunhão e a confirmação, foi rezar por ela “porque essa freira me aproximou de Jesus”. Finalmente o Santo Padre lhes incentivou para que a cada ano, no aniversário da Primeira Comunhão, se confessem e comunguem.
O Bispo de Roma também se reuniu com a comunidade de ciganos aos quais desejou “que sempre haja paz nas vossas famílias; e haja trabalho e haja felicidade”. Da mesma forma convidou-lhes a “não perder a esperança nos momentos difíceis, porque a esperança não decepciona: a dá o Senhor”. E o Senhor – continuou o Papa – mais cedo ou mais tarde nos espera sempre, sempre. Está próximo de nós. “Talvez não o vejamos, mas Ele está próximo e nos quer muito. Confiança no Senhor, esperança no Senhor e seguir em frente com o trabalho”, concluiu Francisco.
Outro grupo que teve a oportunidade de compartilhar um encontro com o Santo Padre foram os doentes da paróquia. Francisco agradeceu-lhes pelo testemunho que dão "testemunho de paciência, de amor de Deus, de esperança no Senhor: isso faz muito bem para a Igreja". O Papa disse que eles continuamente regam a Igreja com a própria vida, com os sofrimentos, com a paciência. Além disso, o Santo Padre disse que "a Igreja sem doentes não iria pra frente”. Da mesma forma observou que eles são “força na Igreja, são verdadeira força”. E continuou afirmando que “o Senhor quis visita-lo nesta doença”, e convidou a seguir em frente: “com paciência, também com alegria. A alegria é a paz que nos dá o Senhor, com essa paz dentro”. Francisco observou que" aqui, a maior parte somos do século passado... E assim, temos que olhar em frente, porque ali nos espera o Senhor. Sempre, sim, nos espera”.
Por fim, o Santo Padre compartilhou um tempo com as famílias que batizaram recentemente os filhos. Uma criança – disse Francisco – diz sempre uma palavra de esperança com o seu ser. O bispo de Roma assegurou que “no menino, na menina, estão as nossas esperanças. Lhes damos uma tocha de fé, de vida e eles a levarão adiante com os seus filhos, seus netos... E assim é a vida”. Dessa forma, o Papa convidou os presentes a perguntar o dia em que foram batizados e lembra-lo porque “é um dia de festa”, “é o dia que encontramos Jesus pela primeira vez”.
E para finalizar uma advertência: “As crianças choram, fazem barulho, vão de um lado para outro... e me incomoda quando em uma igreja uma criança chora e as pessoas querem que saia. Não! É a melhor pregação! O choro de uma criança é a voz de Deus! Nunca, nunca tirá-las da Igreja!”

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Papa Francisco: "A minha avó abriu a porta para o ecumenismo"

"Amizade e colaboração" em nome da "comum fé em Jesus Cristo". Foi o desejo expresso pelo Papa Francisco hoje durante um encontro com a delegação do Exército da Salvação, um movimento evangélico internacional empenhado na pregação e em obras sociais.
O Pontífice contou um episódio pessoal curioso, que remonta a sua infância: "Quando eu tinha quatro anos de idade - em 1940, nenhum de vocês era nascido, hein - Eu estava andando pela rua com a minha avó... Naquela época, a idéia era que todos os protestantes iam para o inferno. Mas, do outro lado da calçada estavam duas mulheres do Exército de Salvação, com aquele chapéu que vocês tinham... vocês usaram? E eu me lembro como se se fosse hoje, eu disse à minha avó: Quem são elas? Freiras ou monjas? E a minha avó disse: Não. São protestantes, mas são boas. E assim, a minha avó sendo testemunha de vocês, abriu a porta para o ecumenismo: a primeira pregação ecumênica que eu recebi foi de vocês. Muito obrigado".
Destacando os frutuosos contatos desenvolvidos ao longo dos anos entre o Exército da Salvação e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o Papa expressou sua esperança de que os católicos e os salvacionistas continuem a "dar um testemunho comum de Cristo e do Evangelho em um mundo que precisa tanto experimentar a misericórdia infinita de Deus", porque "reconhecem que as pessoas necessitadas têm um lugar especial no coração de Deus” e por isso se encontram com frequência nas mesmas periferias humanas".
Em relação às diferenças entre católicos e salvacionistas sobre teologia e eclesiologia, o Papa disse que isso não deve "impedir o testemunho do nosso amor compartilhado por Deus e pelo próximo, um amor que é capaz de inspirar esforços enérgicos no compromisso para restaurar a dignidade das pessoas que vivem à margem da sociedade".

Fonte: Zenit.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Deus se compraz em subverter as ideologias e as hierarquias mundanas"

A aparição da Virgem de Guadalupe - a primeira na América Latina - representou uma "dramática gestação" que, de certa forma, recorda o Apocalipse: "um grande sinal apareceu no céu, uma mulher vestida do sol, a lua debaixo dos seus pés"(Ap 12,1).
Nesta referência bíblica, o Papa Francisco centrou sua homilia da Missa que, como tradição há alguns anos, é celebrada na Basílica de São Pedro todo 12 de dezembro, festa da Virgem de Guadalupe, padroeira das Américas.
A celebração foi acompanhada pelo canto da Missa Criola do compositor argentino Ariel Ramirez, dirigido por seu filho, Facundo Ramírez.
A imagem de Maria impressa na tilma do índio San Juan Diego, além de seguir fielmente as Escrituras, “assumiu para si a simbologia cultural e religiosa dos indígenas, anuncia e doa seu Filho aos novos povos da sofrida mestiçagem", explicou Papa.
"Muitos pularam de alegria e esperança diante de sua visita e diante do dom de seu Filho e que a mais perfeita discípula do Senhor se tornou a grande missionária que levou o Evangelho à nossa América" (Aparecida, 269), continuou o Santo Padre.
O Filho de Maria, Imaculada grávida - acrescentou – se revela desde as origens da história dos novos povos como o “verdadeiro Deus, graças ao qual se vive", boa nova da dignidade filial de todos os seus habitantes. Ninguém mais é servo, mas todos filhos do mesmo Pai e irmãos entre nós".
Depois de "visitar" os povos do novo mundo, a Santa Mãe de Deus "quis permanecer com eles", deixando "impressa misteriosamente sua imagem sagrada no manto de seu mensageiro para que recordássemos sempre, tornando-se assim símbolo da aliança de Maria com estes povos, a quem se confere alma e ternura".
Nas Américas, a fé cristã cresce em particular graças à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria que se tornou "o mais rico tesouro da alma dos povos americanos, cuja pérola preciosa é Jesus Cristo."
O resultado é, portanto, "um patrimônio que se transmite e se manifesta até hoje no batismo de multidão de pessoas na fé, na esperança e na caridade de muitos, na preciosidade da devoção popular e também no ethos dos povos, visível na consciência da dignidade da pessoa humana, na paixão pela justiça, na solidariedade com os mais pobres e sofredores, na esperança, por vezes contra toda a esperança".
Por esta razão, ainda hoje, continuamos a louvar a Deus pelas “maravilhas que realizou na vida dos povos latino-americanos". Por sua intercessão, Maria "reconhece o estilo e modo de agir de seu Filho na história da salvação."
Superando "juízos mundanos, destruindo ídolos do poder, da riqueza, do sucesso a todo custo, denunciando a autossuficiência, a soberba e os messianismos secularizados que afastam de Deus, o cântico mariano confessa que Deus se compraz em subverter as ideologias e as hierarquias mundanas", disse o pontífice.
Como nos lembra o Magnificat, Maria "enaltece os humildes, auxilia os pobres e os pequenos, sacia com bens, bênçãos e esperanças os que confiam em sua misericórdia de geração em geração, enquanto abate os ricos, os poderosos e os dominadores de seus tronos".
É o Magnificat que "nos introduz nas Bem-aventuranças, síntese primordial da mensagem do Evangelho". À sua luz "nos sentimos impelidos a pedir que o futuro da América Latina seja forjado pelos pobres e por aqueles que sofrem, pelos humildes, por aqueles que têm fome e sede de Justiça, pelos piedosos, pelos puros de coração, por aqueles que trabalham pela paz, pelos perseguidos por causa do nome de Cristo".
A exortação feita pelo Papa Francisco é motivada pelo fato de que a América Latina é o "continente da esperança", para o qual "esperam-se novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e igualdade com a reconciliação, desenvolvimento científico e tecnologia com sabedoria humana. Sofrimento fecundo com alegria esperançosa".
É possível ter essa esperança "com grandes doses de verdade e de amor, fundamentos de toda realidade, motores revolucionários de uma autêntica vida nova", disse o Papa, pouco antes de invocar a intercessão da Virgem de Guadalupe, "para que continue a acompanhar, ajudar e proteger os nossos povos".

Fonte: Zenit.