Escuta, internacionalidade, pluralismo e uma maior presença das mulheres. O Papa Francisco reuniu-se na manhã do dia 05 com os membros da Comissão Teológica Internacional, durante a sessão plenária, e ofereceu-lhes sugestões para continuar a melhorar o trabalho.
Um trabalho realizado há 50 anos, quando, pouco depois do Concílio Vaticano II – recordou o Papa - o Sínodo dos Bispos propôs a criação de um organismo que pudesse enriquecer a Santa Sé com as reflexões de teólogos provenientes de várias partes do mundo.
Se os 27 documentos publicados são testemunho deste compromisso e ponto de referência para o debate teológico, a Comissão é chamada agora a dar um salto adiante, diz o Papa. Permanece a missão principal, ou seja, “servir a Igreja”; isso, porém “pressupõe não só habilidades intelectuais", mas também "disposições espirituais".
Em particular, entre estes, Bergoglio salienta a importância da escuta. Porque - explica - "o teólogo é acima de tudo um crente que ouve a Palavra do Deus vivo e a acolhe no coração e na mente”. E, ao mesmo tempo, ele “deve colocar-se humildemente à escuta do que o Espírito diz às Igrejas, por meio das diferente manifestações da fé vivida pelo povo de Deus”.
De fato – e o recorda também o recente documento da Comissão sobre o sensus fidei na vida da Igreja – o teólogo, junto com todo o povo cristão, “abre os olhos e os ouvidos para os sinais dos tempos”.
Nessa luz, o Papa Francisco destaca “a maior presença de mulheres” no campo da teologia. Elas são um pouco “como as cerejas do bolo”, diz espontaneamente. E citando a Evangelii Gaudium, recorda que "a Igreja reconhece a contribuição fundamental da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades únicas que são geralmente mais próprias das mulheres que dos homens". Em virtude de seu "gênio feminino", então, as mulheres teólogas "oferecem novas contribuições para a reflexão teológica", porque podem detectar "certos aspectos inexplorados do insondável mistério de Cristo”.
O Papa recorda também outra característica da Comissão: o seu carácter internacional, "que reflete a catolicidade da Igreja”. Atenção, porém – adverte – porque “a diversidade dos pontos de vista deve enriquecer a catolicidade”, mas “mas sem prejudicar a unidade”. Essa – continua –decorre da referência comum dos teólogos "a única fé em Cristo" e se alimenta "da diversidade dos dons do Espírito Santo".
A partir desse fundamento, e "em um saudável pluralismo", portanto, as abordagens teológicas desenvolvidas em diferentes contextos culturais e com métodos diferentes, não podem "ignorar-se reciprocamente”. A esperança do Santo Padre é, portanto, que o trabalho da Comissão seja testemunho de tal crescimento e também testemunho do Espirito Santo porque “é Ele que faz a unidade”.
O ícone de tudo isso - disse o Pontífice - é a Virgem Imaculada, "mestra da autêntica teologia”, que dá “testemunho privilegiada dos grandes eventos da história da salvação, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração". "Sob a orientação do Espírito Santo e com todos os recursos de seu gênio feminino, ela não deixou de entrar sempre mais em toda a verdade”. E, dia após dia, progrediu “na inteligência da fé, graças também ao trabalho paciente dos teólogos e das teólogas”.
Portanto, a Ela e à sua materna oração, Francisco confia todos os teólogos da Comissão, de modo que "a nossa caridade cresça sempre mais em conhecimento e em pleno discernimento”. Assim, conclui a audiência, pedindo aos presentes rezarem juntos uma Ave-Maria.
Fonte: Zenit.
domingo, 7 de dezembro de 2014
sábado, 6 de dezembro de 2014
Como se preparar em família para o Natal
Mais uma vez nos encontramos para partilhar sobre a preparação em família para o Natal. Semana passada comentava do ritmo no qual a sociedade do consumo vive o Advento, um ritmo nada relacionado com o ambiente que nos é proposto, de oração, vigilância e esperança. Parece haver dois mundos distintos. Um dentro da igreja, cheio de esperança e de apelos de simplicidade com o grande exemplo do presépio. Outro, proclamado de maneira que faria inveja a João Batista, usa o rádio, TV, folhetos, lojas enfeitadas (algumas com um presépio!) e carros de som que invadem nossas casas gritando “Vem ser feliz!” (quem fica feliz é o dono da loja!), plantando em nós a confusão entre o ter e o ser.
Neste desafio de viver o Advento também fora da igreja, devemos começar pela nossa família, a Igreja doméstica. Algumas atitudes simples podem ajudar. Existem milhares de possibilidades, mas devo partilhar aqui pequenas, porém desafiadoras, atitudes que nossa família tem experimentado, nadando contra a correnteza.
Já que temos crianças em casa, nos preocupamos para que elas possam também experimentar a novena de Natal. Além de novena em comunidade paroquial, penso que seja importante que os pais – primeiros catequistas dos filhos – propiciem este momento de reflexão em seus lares. Há alguns anos descobrimos opções de novenas infantis, em linguagem apropriada e com desenhos para colorir. Desde então, aproveitamos este recurso em Família. Nos anos anteriores nos reuníamos próximos do presépio, acendíamos a vela, cantávamos (às vezes usamos um CD com as músicas infantis para a liturgia do Advento) e fazíamos nossa reflexão. Foram momentos maravilhosos onde todos participavam empolgados. Este ano não será diferente, já encomendamos nossas novenas!
Também procuramos evitar as listas de presentes. Temos feito opção por cartões ou lembranças singelas e, em especial, algumas feitas por nós mesmos como um bolo ou um artesanato. Estimulamos também que as crianças produzam desenhos, cartões e montem seus presentinhos. Assim procuramos expressar aos amigos e parentes mais próximos nossa estima por um feliz Natal, sem alimentar a tendência consumista. E ainda evitamos andar de loja em loja, ocupando horas no meio de um barulho e agitação que não se identificam com o Advento.
É tempo de achar um momento para meditar diariamente e em família sobre a proximidade do Natal. E o melhor lugar é em casa e não andando de loja em loja… Assim vamos ouvindo o apelo de João Batista, "Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’””(Mc 1,3) e esperando aquele que nos batiza com o Espírito Santo (Mc 1,8).
Paz e bem!
Fonte: Zenit.
Neste desafio de viver o Advento também fora da igreja, devemos começar pela nossa família, a Igreja doméstica. Algumas atitudes simples podem ajudar. Existem milhares de possibilidades, mas devo partilhar aqui pequenas, porém desafiadoras, atitudes que nossa família tem experimentado, nadando contra a correnteza.
Já que temos crianças em casa, nos preocupamos para que elas possam também experimentar a novena de Natal. Além de novena em comunidade paroquial, penso que seja importante que os pais – primeiros catequistas dos filhos – propiciem este momento de reflexão em seus lares. Há alguns anos descobrimos opções de novenas infantis, em linguagem apropriada e com desenhos para colorir. Desde então, aproveitamos este recurso em Família. Nos anos anteriores nos reuníamos próximos do presépio, acendíamos a vela, cantávamos (às vezes usamos um CD com as músicas infantis para a liturgia do Advento) e fazíamos nossa reflexão. Foram momentos maravilhosos onde todos participavam empolgados. Este ano não será diferente, já encomendamos nossas novenas!
Também procuramos evitar as listas de presentes. Temos feito opção por cartões ou lembranças singelas e, em especial, algumas feitas por nós mesmos como um bolo ou um artesanato. Estimulamos também que as crianças produzam desenhos, cartões e montem seus presentinhos. Assim procuramos expressar aos amigos e parentes mais próximos nossa estima por um feliz Natal, sem alimentar a tendência consumista. E ainda evitamos andar de loja em loja, ocupando horas no meio de um barulho e agitação que não se identificam com o Advento.
É tempo de achar um momento para meditar diariamente e em família sobre a proximidade do Natal. E o melhor lugar é em casa e não andando de loja em loja… Assim vamos ouvindo o apelo de João Batista, "Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’””(Mc 1,3) e esperando aquele que nos batiza com o Espírito Santo (Mc 1,8).
Paz e bem!
Fonte: Zenit.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
"Há muita santidade na Igreja, mas escondida"
A pergunta é a mesma: sua vida é construída sobre a areia ou sobre a rocha? A questão crucial, proposta pelo Evangelho de Mateus na liturgia de hoje, inspirou o Papa Francisco em sua reflexão na missa de ontem (04/12) em Santa Marta.
O Papa- todos sabem- gosta de falar através de fatos e, em sua homilia, não fica na "teoria" sobre a admoestação de Jesus, mas nos exemplos visíveis e óbvios de cristãos que levantaram os alicerces de sua própria existência na poeira e outros em bases sólidas.
Os primeiros são aqueles "cristãos de aparência" que o Pontífice, muitas vezes, chama a atenção: aqueles que, em palavras, se dizem verdadeiros seguidores de Cristo, mas não colocam em prática a Palavra de Deus e “caem na primeira tentação”. "Não é o suficiente pertencer a uma família muito católica ou a uma associação ou ser um benfeitor se, depois, não se segue a vontade de Deus", disse.
Na segunda categoria, o Papa coloca os "santos". Não necessariamente aqueles "canonizados" - precisa -, mas os homens, mulheres, pais, sacerdotes, doentes, que todos os dias “colocam em prática o amor de Jesus", firmes por terem construído a casa sobre a rocha que é Cristo.
São "muitos", afirma o Santo Padre: "pensemos nos pequenos, eh? Nos doentes que oferecem seus sofrimentos pela Igreja, pelos outros. Pensemos nos muitos idosos que vivem sozinhos, que rezam e oferecem. Pensemos em tantas mães e pais que levam avante com dificuldade a sua família, a educação dos filhos, o trabalho cotidiano, os problemas, mas sempre com a esperança em Jesus, sem aparecer, mas fazendo o que podem."
Pensemos também nos "muitos sacerdotes que não mostram, mas trabalham em suas paróquias com tanto amor: a catequese para crianças, o cuidado com os idosos, os doentes, a preparação para os recém-casados... E todos os dias a mesma coisa, o mesmo, o mesmo. Não se entediam, porque em seu fundamento está a rocha".
Todos estes são "santos da vida cotidiana!"- exclamou Francisco-. Gente simples, humilde, que dá "esperança" para toda a Igreja.
Uma Igreja que não tem apenas 'sujeira' como alguns insinuam, mas também muita "santidade". Mas isso, explica o Papa, fica “escondido", é realizado longe dos holofotes por aqueles que “permanecem em Cristo”. Eles também são "pecadores, eh?", disse o Papa, "todos nós somos”. "Alguns desses cristãos cometem pecado grave"; a diferença é que, em seguida, "arrependem, pedem perdão, e isso é grande: a capacidade de pedir perdão, de não confundir pecado com virtude, de saber onde está a virtude e onde está o pecado."
Neste sentido, podemos dizer que estas pessoas “estão fundadas sobre a rocha": elas "seguem o caminho de Jesus, seguem-No". E dEle receberão a recompensa. Enquanto "os orgulhosos, os vaidosos, os cristãos de aparência - adverte Francisco – serão derrubados, humilhados. Os pobres serão os que vão triunfar, os pobres em espírito, aqueles que diante de Deus não se sentem importantes, os humildes, e realizam a salvação, colocando em prática a Palavra do Senhor”.
Isso é um aviso para todos, porque - destaca Bergoglio - "hoje, estamos aqui, amanhã não estaremos mais” disse o Papa citando São Bernardo: "Pense, homem, o que será de você: alimento para vermes". "Os vermes irão nos comer, a todos" e "se não temos esta rocha, vamos acabar pisoteados":
Portanto, "neste tempo de preparação para o Natal", exorta o Santo Padre, "pedimos ao Senhor para sermos firmes na rocha que é Ele, a nossa esperança é Ele. Todos nós somos pecadores, somos fracos, mas se colocarmos a esperança nEle podemos avançar. E esta é a alegria de um cristão", concluiu o Papa, isto é, saber "que nEle há esperança, há perdão, há paz, há alegria. E não colocar a nossa esperança em coisas que hoje existem e amanhã não existem mais”.
Fonte: Zenit.
Os primeiros são aqueles "cristãos de aparência" que o Pontífice, muitas vezes, chama a atenção: aqueles que, em palavras, se dizem verdadeiros seguidores de Cristo, mas não colocam em prática a Palavra de Deus e “caem na primeira tentação”. "Não é o suficiente pertencer a uma família muito católica ou a uma associação ou ser um benfeitor se, depois, não se segue a vontade de Deus", disse.
Na segunda categoria, o Papa coloca os "santos". Não necessariamente aqueles "canonizados" - precisa -, mas os homens, mulheres, pais, sacerdotes, doentes, que todos os dias “colocam em prática o amor de Jesus", firmes por terem construído a casa sobre a rocha que é Cristo.
São "muitos", afirma o Santo Padre: "pensemos nos pequenos, eh? Nos doentes que oferecem seus sofrimentos pela Igreja, pelos outros. Pensemos nos muitos idosos que vivem sozinhos, que rezam e oferecem. Pensemos em tantas mães e pais que levam avante com dificuldade a sua família, a educação dos filhos, o trabalho cotidiano, os problemas, mas sempre com a esperança em Jesus, sem aparecer, mas fazendo o que podem."
Pensemos também nos "muitos sacerdotes que não mostram, mas trabalham em suas paróquias com tanto amor: a catequese para crianças, o cuidado com os idosos, os doentes, a preparação para os recém-casados... E todos os dias a mesma coisa, o mesmo, o mesmo. Não se entediam, porque em seu fundamento está a rocha".
Todos estes são "santos da vida cotidiana!"- exclamou Francisco-. Gente simples, humilde, que dá "esperança" para toda a Igreja.
Uma Igreja que não tem apenas 'sujeira' como alguns insinuam, mas também muita "santidade". Mas isso, explica o Papa, fica “escondido", é realizado longe dos holofotes por aqueles que “permanecem em Cristo”. Eles também são "pecadores, eh?", disse o Papa, "todos nós somos”. "Alguns desses cristãos cometem pecado grave"; a diferença é que, em seguida, "arrependem, pedem perdão, e isso é grande: a capacidade de pedir perdão, de não confundir pecado com virtude, de saber onde está a virtude e onde está o pecado."
Neste sentido, podemos dizer que estas pessoas “estão fundadas sobre a rocha": elas "seguem o caminho de Jesus, seguem-No". E dEle receberão a recompensa. Enquanto "os orgulhosos, os vaidosos, os cristãos de aparência - adverte Francisco – serão derrubados, humilhados. Os pobres serão os que vão triunfar, os pobres em espírito, aqueles que diante de Deus não se sentem importantes, os humildes, e realizam a salvação, colocando em prática a Palavra do Senhor”.
Isso é um aviso para todos, porque - destaca Bergoglio - "hoje, estamos aqui, amanhã não estaremos mais” disse o Papa citando São Bernardo: "Pense, homem, o que será de você: alimento para vermes". "Os vermes irão nos comer, a todos" e "se não temos esta rocha, vamos acabar pisoteados":
Portanto, "neste tempo de preparação para o Natal", exorta o Santo Padre, "pedimos ao Senhor para sermos firmes na rocha que é Ele, a nossa esperança é Ele. Todos nós somos pecadores, somos fracos, mas se colocarmos a esperança nEle podemos avançar. E esta é a alegria de um cristão", concluiu o Papa, isto é, saber "que nEle há esperança, há perdão, há paz, há alegria. E não colocar a nossa esperança em coisas que hoje existem e amanhã não existem mais”.
Fonte: Zenit.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Iraque: os jihadistas ocupam todas as igrejas de Mosul
Cerca de 15 mil cristãos tiveram que fugir da cidade iraquiana de Mosul, no norte do país, por causa das ameaças dos jihadista do Estado Islâmico (EI), que dominam a região desde o dia 10 de junho. Ante o assédio que sofre a minoria religiosa, somente permanecem algumas famílias dos 35 mil fieis que tinha há dez anos.
Após o êxodo desta antiguíssima comunidade cristã, algumas igrejas em Mosul foram transformadas pelos fundamentalistas do auto-proclamado Califado em prisões. Segundo fontes locais citadas pela agência ankawa.com, nos últimos dias alguns detentos vendados e atados teriam sido transferidos à antiga igreja caldeia da Imaculada, na parte oriental da cidade, depois de ser detonada a prisão de Badush.
Enquanto isso, o arcebispo sírio-católico de Mosul, Mons. Yohanna Petros Mouche, informou recentemente em Bruxelas, que não ficam “praticamente” cristãos na sua cidade, e confirmou que as igrejas caldeias e sírio-ortodoxas têm sido ocupadas pelos rebeldes sunitas do Estado Islâmico.
Além disso, fontes locais informaram à Agência Fides que o mosteiro de São Jorge, pertencente à Ordem antoniana de São Ormisda dos Caldeus, foi transformada em prisão. Por esta razão, existe o medo de que nos locais do mosteiro as mulheres sofram violência sexual.
Em Mosul, no último 24 de novembro, o grupo extremista tinha usado explosivos para danificar o convento das irmãs caldeias do Sagrado Coração, anteriormente ocupado e utilizado como alojamento e base logística. Conhecido como o Convento de la Victoria, o mosteiro foi construído graças a uma doação do presidente Saddam Hussein, o presidente iraquiano, enforcado em 2006.
"Os jihadistas do Califado – informou à agência Fides o padre Rebwar Audish Basa, procurador-geral da Ordem antoniana de São Ormisda dos Caldeus – ocuparam as igrejas, incluindo as mais antigas. Entre as preocupações que nos afligem, está o temor de que em uma possível ofensiva militar para a libertação de Mosul as igrejas sejam consideradas como alvos, já que se transformaram em bases logísticas dos jihadistas. E obviamente, a destruição de igrejas antigas seria um dano irreparável e uma grande perda".
Conforme publicado pelo site IraqiNews.com, citando uma fonte das forças de segurança iraquianas, os militantes do Estado Islâmico teriam dado instruções precisas para demolir todos os locais de culto cristãos em Mosul.
A delegação da União Europeia no Iraque também confirmou a devastação de diferentes igrejas da região. Aparentemente, os jihadistas queimaram vários edifícios e explodiram um templo em construção na localidade de Al Wahda.
Na esplanada de Nínive e na cidade de Mosul reside uma das comunidades cristãs mais antigas do Oriente Médio. No total, são pelo menos oito as igrejas de valor histórico localizadas nos bairros cristãos, nas quais destacam a capela caldeu-católica de Shamoun em Safa, do século IX, e a igreja sírio-ortodoxa de Mar Toma, do século VII.
Fonte: Zenit.
Após o êxodo desta antiguíssima comunidade cristã, algumas igrejas em Mosul foram transformadas pelos fundamentalistas do auto-proclamado Califado em prisões. Segundo fontes locais citadas pela agência ankawa.com, nos últimos dias alguns detentos vendados e atados teriam sido transferidos à antiga igreja caldeia da Imaculada, na parte oriental da cidade, depois de ser detonada a prisão de Badush.
Enquanto isso, o arcebispo sírio-católico de Mosul, Mons. Yohanna Petros Mouche, informou recentemente em Bruxelas, que não ficam “praticamente” cristãos na sua cidade, e confirmou que as igrejas caldeias e sírio-ortodoxas têm sido ocupadas pelos rebeldes sunitas do Estado Islâmico.
Além disso, fontes locais informaram à Agência Fides que o mosteiro de São Jorge, pertencente à Ordem antoniana de São Ormisda dos Caldeus, foi transformada em prisão. Por esta razão, existe o medo de que nos locais do mosteiro as mulheres sofram violência sexual.
Em Mosul, no último 24 de novembro, o grupo extremista tinha usado explosivos para danificar o convento das irmãs caldeias do Sagrado Coração, anteriormente ocupado e utilizado como alojamento e base logística. Conhecido como o Convento de la Victoria, o mosteiro foi construído graças a uma doação do presidente Saddam Hussein, o presidente iraquiano, enforcado em 2006.
"Os jihadistas do Califado – informou à agência Fides o padre Rebwar Audish Basa, procurador-geral da Ordem antoniana de São Ormisda dos Caldeus – ocuparam as igrejas, incluindo as mais antigas. Entre as preocupações que nos afligem, está o temor de que em uma possível ofensiva militar para a libertação de Mosul as igrejas sejam consideradas como alvos, já que se transformaram em bases logísticas dos jihadistas. E obviamente, a destruição de igrejas antigas seria um dano irreparável e uma grande perda".
Conforme publicado pelo site IraqiNews.com, citando uma fonte das forças de segurança iraquianas, os militantes do Estado Islâmico teriam dado instruções precisas para demolir todos os locais de culto cristãos em Mosul.
A delegação da União Europeia no Iraque também confirmou a devastação de diferentes igrejas da região. Aparentemente, os jihadistas queimaram vários edifícios e explodiram um templo em construção na localidade de Al Wahda.
Na esplanada de Nínive e na cidade de Mosul reside uma das comunidades cristãs mais antigas do Oriente Médio. No total, são pelo menos oito as igrejas de valor histórico localizadas nos bairros cristãos, nas quais destacam a capela caldeu-católica de Shamoun em Safa, do século IX, e a igreja sírio-ortodoxa de Mar Toma, do século VII.
Fonte: Zenit.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Qual é o significado do presépio na família cristã?
Nestes dias, famílias do mundo todo se preparam para montar o presépio. Muitas famílias perderam essa luminosa tradição, talvez porque se perdeu o sentido sagrado da representação do nascimento de Jesus. A maior dificuldade de muitas pessoas do nosso tempo é contextualizar, nos acontecimentos atuais, o misterioso evento do Nascimento de Jesus.
Quando falamos de Maria e José com o Menino Jesus, imediatamente vem à mente a Sagrada Família de Nazaré, o modelo de qualquer família cristã, que testemunhou a santidade por muitas provações e tribulações vividas.
Maria e José foram rejeitados quando chegaram a Nazaré para o censo ordenado por decreto de César Augusto. Esta situação recorda a situação de muitos migrantes que por vários motivos são forçados a deixar suas terras por causa da pobreza, da guerra e das perseguições políticas.
Muitos migrantes deixam seus países de origem em busca de um futuro melhor, mas muitas vezes encontram as portas fechadas nas fronteiras dos estados, que os rejeitam, porque eles não têm todas as permissões.
E quando conseguem entrar, vem negado um contrato de trabalho regular que lhes permita ter tudo o que precisam para ficar no país estrangeiro. Eles são explorados, privados do direito de receber uma remuneração adequada, negado o direito de tirar férias, negado o direito de contribuir para a aposentadoria.
Outros protagonistas da cena da Natividade são os pastores, que representam os excluídos e rejeitados de todos os tempos da história.
Os pastores representam aqueles que vivem à margem da nossa sociedade; podemos reconhecê-los em muitas categorias de pessoas. Podemos ver neles os que perderam o emprego e vivem na expectativa de recuperar a dignidade perdida.
Esses pastores são a imagem de muitos casais inférteis que estão esperando para abraçar seu filho e se alegram com o anuncio da boa nova do início de uma gravidez ou do nascimento de um filho tão desejado.
Esses pastores simbolizam os pais adotivos que depois de tantas vigílias pensando nos filhos, deixam tudo para correr e abraçar seus filhos que se encontram em moradias precárias e sofrem o frio do abandono.
Esses pastores representam muitos pais de família que vivem o flagelo da separação ou do divórcio e esperam as festas para abraçar seus filhos e passar um tempo com eles.
O Rei Herodes é a personificação do mal, que está sempre presente, em cada período da história, para obstruir e destruir o projeto de Amor de Deus.
A descarga de poluentes nos mares e rios, o desmatamento de áreas verdes do planeta, o aumento da poluição no ar, a introdução da cultura do gênero, a prática cada vez mais comum do aborto, as guerras ao redor do mundo, a queda no número de casamentos cristãos, as reivindicações para equiparar a família natural composta de homens e mulheres a outras formas de união, são tentações através das quais o príncipe deste mundo quer destruir o planeta em que vivemos e, sobretudo, tomar posse de muitas almas.
Diante desse imperioso avanço do mal, a esperança proposta pelo presépio é o nascimento do menino Jesus, a plenitude divina contida no corpo de um recém-nascido.
Esta criança nos recorda que a vitória sobre o mal não se realiza pela força da violência ou com a crueldade da guerra. O Menino Jesus pede para ser acolhido, amado e servido, como qualquer criança que vem ao mundo.
Através de simples gestos de amor é possível vencer todas as ciladas do maligno. Todos os flagelos de Satanás, com os quais quer envenenar os corações dos homens, podem ser vencidos com a fragilidade de uma criança, que vem ao mundo com o único pedido de ser amado. O amor é a arma que vencerá os poderes deste mundo.
Olhando para o Menino Jesus recuperamos a confiança e a esperança, porque sentimos com estupor a presença de um Deus que é capaz de fazer-se pequeno para estar perto cada criatura humana. A única condição pedida é fazer-se também pequeno, inclinando-se para abraçá-lo e tê-lo nos braços, e prostrar-se diante dele para adorá-lo.
A adoração é o verdadeiro culto espiritual do presépio. Adorar não significa apenas cair de joelhos com o rosto por terra na frente do menino Jesus. Adorar significa antes de tudo, dirigir-se a Deus em espírito e verdade, com espírito de humildade e com a verdade da caridade. Adorar significa deixar-se guiar pela inspiração e força do Espírito Santo, para seguir a vontade de Deus, que é o caminho da verdade que nos leva a ter uma vida pacífica, esperançosa e alegre.
Com esta atualização dos personagens do presépio e com esta confiante esperança no menino Jesus, nós nos preparamos para montar em nossas casas esta representação da Natividade, para transformar nossas famílias em lugar do verdadeiro acolhimento da encarnação do Filho de Deus, que deseja habitar em cada casa.
Fonte: Zenit
Indulgência Plenária por ocasião do Ano da Vida Consagrada
O Santo Padre, por ocasião do Ano da Vida Consagrada, concederá indulgência plenária, com as condições habituais (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre) “a todos os membros das instituições de vida consagrada e aos demais fieis verdadeiramente arrependidos e movidos por um espírito de caridade, a partir do primeiro domingo do Advento deste ano até o dia 2 de fevereiro de 2016, dia do encerramento do Ano da Vida consagrada”. A indulgência também pode ser aplicada em sufrágio das almas do Purgatório. Assim foi determinado por um decreto assinado pelo cardeal Mauro Piacenza, penitenciário maior, publicado no último dia 28 de novembro.
Conforme previsto no presente decreto, a indulgência será obtida em Roma, "cada vez que participem nas reuniões internacionais e celebrações internacionais estabelecidas no calendário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e por um período de tempo apropriado meditem com piedade, concluindo com o Pai nosso, a Profissão de fé em qualquer forma legítima aprovada e invocações à Virgem Maria”.
Também em todas as Igrejas particulares, cada vez que nos dias diocesanos dedicados à vida consagrada e nas celebrações diocesanas organizadas para o Ano da Vida Consagrada, "visitem a catedral ou outro lugar sagrado escolhido com o consentimento do Ordinário do lugar, ou uma igreja conventual ou o oratório de um mosteiro de clausura e rezem publicamente ali a Liturgia das Horas, ou um período de tempo apropriado meditarão com piedade concluindo com o Pai Nosso, a Profissão de fé em qualquer forma legítima aprovada e invocações à Virgem Maria”.
Os membros dos Institutos de vida consagrada que, por doença ou outra causa grave não possam visitar os lugares sagrados – explica o decreto – poderão obter a indulgência plenária se, com total desapego de qualquer pecado e com a intenção de poder cumprir o quanto antes as três condições habituais, efetuem a visita espiritual com profundo desejo e ofereçam as doenças e dores de sua vida a Deus misericordioso por meio de Maria, acrescentando as orações acima mencionadas.
Para facilitar a consecução da graça divina por meio da caridade pastoral, a Penitenciaria Apostólica, pede aos canônicos, aos membros do capítulo, aos sacerdotes dos Institutos de Vida Consagrada e todos os que têm a faculdade de ouvir as confissões que administrem com frequência o sacramento da Penitência e da Sagrada Comunhão aos doentes.
Fonte: Zenit.
Conforme previsto no presente decreto, a indulgência será obtida em Roma, "cada vez que participem nas reuniões internacionais e celebrações internacionais estabelecidas no calendário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e por um período de tempo apropriado meditem com piedade, concluindo com o Pai nosso, a Profissão de fé em qualquer forma legítima aprovada e invocações à Virgem Maria”.
Também em todas as Igrejas particulares, cada vez que nos dias diocesanos dedicados à vida consagrada e nas celebrações diocesanas organizadas para o Ano da Vida Consagrada, "visitem a catedral ou outro lugar sagrado escolhido com o consentimento do Ordinário do lugar, ou uma igreja conventual ou o oratório de um mosteiro de clausura e rezem publicamente ali a Liturgia das Horas, ou um período de tempo apropriado meditarão com piedade concluindo com o Pai Nosso, a Profissão de fé em qualquer forma legítima aprovada e invocações à Virgem Maria”.
Os membros dos Institutos de vida consagrada que, por doença ou outra causa grave não possam visitar os lugares sagrados – explica o decreto – poderão obter a indulgência plenária se, com total desapego de qualquer pecado e com a intenção de poder cumprir o quanto antes as três condições habituais, efetuem a visita espiritual com profundo desejo e ofereçam as doenças e dores de sua vida a Deus misericordioso por meio de Maria, acrescentando as orações acima mencionadas.
Para facilitar a consecução da graça divina por meio da caridade pastoral, a Penitenciaria Apostólica, pede aos canônicos, aos membros do capítulo, aos sacerdotes dos Institutos de Vida Consagrada e todos os que têm a faculdade de ouvir as confissões que administrem com frequência o sacramento da Penitência e da Sagrada Comunhão aos doentes.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Já podemos viver sinais eloquentes de uma unidade real
No último dia da sua Viagem Apostólica à Turquia o Papa celebrou uma Missa privada na Representação Pontifícia de Istambul; encontrou-se com o Grão-Rabino da Turquia, Isak Haleva. Depois, dirigiu-se à Igreja de São Jorge para participar da “Divina Liturgia de São João Crisóstomo”, na Festa de Santo André. Eis as palavras pronunciadas pelo Santo Padre:
Santidade, caríssimo irmão Bartolomeu!
Muitas vezes, como arcebispo de Buenos Aires, participei na Divina Liturgia das comunidades ortodoxas presentes naquela cidade, mas poder encontrar-me hoje nesta Igreja Patriarcal de São Jorge para a celebração do Santo Apóstolo André, o primeiro chamado e irmão de São Pedro, patrono do Patriarcado Ecuménico, é verdadeiramente uma graça singular que o Senhor me dá.
Encontrar-nos, olhar o rosto um do outro, trocar o abraço de paz, rezar um pelo outro são dimensões essenciais do caminho para o restabelecimento da plena comunhão para a qual tendemos. Tudo isto precede e acompanha constantemente a outra dimensão essencial do referido caminho que é o diálogo teológico. Um autêntico diálogo é sempre um encontro entre pessoas com um nome, um rosto, uma história, e não apenas um confronto de ideias.
Isto vale sobretudo para nós, cristãos, porque, para nós, a verdade é a pessoa de Jesus Cristo. O exemplo de Santo André – que, juntamente com outro discípulo, acolheu o convite do Divino Mestre: «Vinde e vereis» e «ficaram com Ele nesse dia» (Jo 1, 39) – mostra-nos claramente que a vida cristã é uma experiência pessoal, um encontro transformador com Aquele que nos ama e nos quer salvar. Também o anúncio cristão se difunde graças a pessoas que, apaixonadas por Cristo, não podem deixar de transmitir a alegria de serem amadas e salvas. Aqui, mais uma vez, é esclarecedor o exemplo do Apóstolo André. Depois de ter seguido Jesus até onde habitava e ter-se demorado com Ele, «encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias!” – que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus» (Jo 1, 40-42). Fica, assim, claro que nem sequer o diálogo entre cristãos pode subtrair-se a esta lógica do encontro pessoal.
Por isso, não foi por acaso que o caminho de reconciliação e de paz entre católicos e ortodoxos tenha sido, de alguma forma, inaugurado por um encontro, por um abraço entre os nossos venerados Predecessores, o Patriarca Ecuménico Atenágoras e o Papa Paulo VI, há cinquenta anos, em Jerusalém, um acontecimento que Vossa Santidade e eu quisemos recentemente comemorar encontrando-nos de novo na cidade onde o Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou.
Por feliz coincidência, esta minha visita acontece poucos dias depois da celebração dos cinquenta anos da promulgação do Decreto do Concílio Vaticano II sobre a busca da unidade de todos os cristãos, Unitatis redintegratio. Trata-se de um documento fundamental com que foi aberta uma nova estrada para o encontro entre os católicos e os irmãos de outras Igrejas e Comunidades eclesiais.
Em particular, com tal Decreto, a Igreja católica reconhece que as Igrejas ortodoxas «têm verdadeiros sacramentos e principalmente, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais permanecem ainda unidas connosco por vínculos muito íntimos» (n. 15). Consequentemente, afirma-se que, para guardar fielmente a plenitude da tradição cristã e levar a termo a reconciliação dos cristãos do Oriente e do Ocidente, é de extrema importância conservar e sustentar o riquíssimo património das Igrejas do Oriente, não só no que diz respeito às tradições litúrgicas e espirituais, mas também as disciplinas canónicas, sancionadas pelos santos padres e pelos concílios, que regulam a vida dessas Igrejas (cf. nn. 15-16).
Considero importante reiterar o respeito deste princípio como condição essencial e recíproca para o restabelecimento da plena comunhão, que não significa submissão de um ao outro nem absorção, mas sim acolhimento de todos os dons que Deus deu a cada um para manifestar ao mundo inteiro o grande mistério da salvação realizado por Cristo Senhor por meio do Espírito Santo. Quero assegurar a cada um de vós que, para se chegar à suspirada meta da plena unidade, a Igreja católica não tem intenção de impor qualquer exigência, excepto a da profissão da fé comum, e que estamos prontos a buscar juntos, à luz do ensinamento da Escritura e da experiência do primeiro milénio, as modalidades pelas quais garantir a necessária unidade da Igreja nas circunstâncias actuais: a única coisa que a Igreja católica deseja e que eu procuro como Bispo de Roma, «a Igreja que preside na caridade», é a comunhão com as Igrejas ortodoxas. Esta comunhão será sempre fruto do amor «que foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5), amor fraterno que dá expressão ao vínculo espiritual e transcendente que nos une como discípulos do Senhor.
No mundo actual, erguem-se com intensidade vozes que não podemos deixar de ouvir, pedindo às nossas Igrejas que vivam plenamente como discípulos do Senhor Jesus Cristo.
A primeira destas vozes é a dos pobres. No mundo, há demasiadas mulheres e demasiados homens que sofrem por desnutrição grave, pelo desemprego crescente, pela alta percentagem de jovens sem trabalho e pelo aumento da exclusão social, que pode induzir a actividades criminosas e até mesmo ao recrutamento de terroristas. Não podemos ficar indiferentes perante as vozes destes irmãos e irmãs. Estão-nos pedindo não só que lhes demos uma ajuda material, necessária em muitas circunstâncias, mas sobretudo que os ajudemos a defender a sua dignidade de pessoas humanas, de modo que possam reencontrar as energias espirituais para levantarem e voltarem a ser protagonistas das suas histórias. Além disso pedem-nos para lutar, à luz do Evangelho, contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de um trabalho digno, da terra e da casa, a negação dos direitos sociais e laborais. Como cristãos, somos chamados a vencer, juntos, a globalização da indiferença – que, hoje, parece deter a supremacia – e a construir uma nova civilização do amor e da solidariedade.
Uma segunda voz que brada forte é a das vítimas dos conflitos em muitas partes do mundo. Esta voz, ouvimo-la ressoar muito bem a partir daqui, porque algumas nações vizinhas estão marcadas por uma guerra atroz e desumana. Penso com profunda amargura nas muitas vítimas do desumano e insensato atentado que nestes dias atingiu os fiéis muçulmanos que rezavam na mesquita de kano, na Nigéria. Turvar a paz de um povo, cometer ou consentir qualquer género de violência, especialmente contra pessoas frágeis e indefesas, é um pecado gravíssimo contra Deus, porque significa não respeitar a imagem de Deus que está no homem. A voz das vítimas dos conflitos impele-nos a avançar apressadamente no caminho de reconciliação e comunhão entre católicos e ortodoxos. Aliás, como podemos anunciar com credibilidade o Evangelho de paz que vem de Cristo, se entre nós continuam a existir rivalidades e contendas? (cf. Paulo VI, Exort. ap. Evangelium nuntiandi, 77).
Uma terceira voz que nos interpela é a dos jovens. Hoje, infelizmente, há tantos jovens que vivem sem esperança, dominados pelo desânimo e a resignação. Além disso, influenciados pela cultura dominante, muitos jovens buscam a alegria apenas na posse de bens materiais e na satisfação das emoções do momento. As novas gerações não poderão jamais adquirir a verdadeira sabedoria e manter viva a esperança, se nós não formos capazes de valorizar e transmitir o autêntico humanismo, que brota do Evangelho e da experiência milenar da Igreja. São precisamente os jovens – penso, por exemplo, nas multidões de jovens ortodoxos, católicos e protestantes que se reúnem nos encontros internacionais organizados pela comunidade de Taizé – são eles que hoje nos pedem para avançar rumo à plena comunhão. E isto, não porque eles ignorem o significado das diferenças que ainda nos separam, mas porque sabem ver mais além, são capazes de captar o essencial que já nos une.
Amado irmão, caríssimo irmão, estamos já a caminho, a caminho para a plena comunhão e já podemos viver sinais eloquentes de uma unidade real, embora ainda parcial. Isso nos conforta e sustenta na prossecução deste caminho. Temos a certeza de que, ao longo desta estrada, somos apoiados pela intercessão do Apóstolo André e do seu irmão Pedro, considerados pela tradição os fundadores das Igrejas de Constantinopla e de Roma. Imploramos de Deus o grande dom da unidade plena e a capacidade de o acolher nas nossas vidas. E não nos esqueçamos jamais de rezar uns pelos outros.
Fonte: Zenit.
Muitas vezes, como arcebispo de Buenos Aires, participei na Divina Liturgia das comunidades ortodoxas presentes naquela cidade, mas poder encontrar-me hoje nesta Igreja Patriarcal de São Jorge para a celebração do Santo Apóstolo André, o primeiro chamado e irmão de São Pedro, patrono do Patriarcado Ecuménico, é verdadeiramente uma graça singular que o Senhor me dá.
Encontrar-nos, olhar o rosto um do outro, trocar o abraço de paz, rezar um pelo outro são dimensões essenciais do caminho para o restabelecimento da plena comunhão para a qual tendemos. Tudo isto precede e acompanha constantemente a outra dimensão essencial do referido caminho que é o diálogo teológico. Um autêntico diálogo é sempre um encontro entre pessoas com um nome, um rosto, uma história, e não apenas um confronto de ideias.
Isto vale sobretudo para nós, cristãos, porque, para nós, a verdade é a pessoa de Jesus Cristo. O exemplo de Santo André – que, juntamente com outro discípulo, acolheu o convite do Divino Mestre: «Vinde e vereis» e «ficaram com Ele nesse dia» (Jo 1, 39) – mostra-nos claramente que a vida cristã é uma experiência pessoal, um encontro transformador com Aquele que nos ama e nos quer salvar. Também o anúncio cristão se difunde graças a pessoas que, apaixonadas por Cristo, não podem deixar de transmitir a alegria de serem amadas e salvas. Aqui, mais uma vez, é esclarecedor o exemplo do Apóstolo André. Depois de ter seguido Jesus até onde habitava e ter-se demorado com Ele, «encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias!” – que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus» (Jo 1, 40-42). Fica, assim, claro que nem sequer o diálogo entre cristãos pode subtrair-se a esta lógica do encontro pessoal.
Por isso, não foi por acaso que o caminho de reconciliação e de paz entre católicos e ortodoxos tenha sido, de alguma forma, inaugurado por um encontro, por um abraço entre os nossos venerados Predecessores, o Patriarca Ecuménico Atenágoras e o Papa Paulo VI, há cinquenta anos, em Jerusalém, um acontecimento que Vossa Santidade e eu quisemos recentemente comemorar encontrando-nos de novo na cidade onde o Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou.
Por feliz coincidência, esta minha visita acontece poucos dias depois da celebração dos cinquenta anos da promulgação do Decreto do Concílio Vaticano II sobre a busca da unidade de todos os cristãos, Unitatis redintegratio. Trata-se de um documento fundamental com que foi aberta uma nova estrada para o encontro entre os católicos e os irmãos de outras Igrejas e Comunidades eclesiais.
Em particular, com tal Decreto, a Igreja católica reconhece que as Igrejas ortodoxas «têm verdadeiros sacramentos e principalmente, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais permanecem ainda unidas connosco por vínculos muito íntimos» (n. 15). Consequentemente, afirma-se que, para guardar fielmente a plenitude da tradição cristã e levar a termo a reconciliação dos cristãos do Oriente e do Ocidente, é de extrema importância conservar e sustentar o riquíssimo património das Igrejas do Oriente, não só no que diz respeito às tradições litúrgicas e espirituais, mas também as disciplinas canónicas, sancionadas pelos santos padres e pelos concílios, que regulam a vida dessas Igrejas (cf. nn. 15-16).
Considero importante reiterar o respeito deste princípio como condição essencial e recíproca para o restabelecimento da plena comunhão, que não significa submissão de um ao outro nem absorção, mas sim acolhimento de todos os dons que Deus deu a cada um para manifestar ao mundo inteiro o grande mistério da salvação realizado por Cristo Senhor por meio do Espírito Santo. Quero assegurar a cada um de vós que, para se chegar à suspirada meta da plena unidade, a Igreja católica não tem intenção de impor qualquer exigência, excepto a da profissão da fé comum, e que estamos prontos a buscar juntos, à luz do ensinamento da Escritura e da experiência do primeiro milénio, as modalidades pelas quais garantir a necessária unidade da Igreja nas circunstâncias actuais: a única coisa que a Igreja católica deseja e que eu procuro como Bispo de Roma, «a Igreja que preside na caridade», é a comunhão com as Igrejas ortodoxas. Esta comunhão será sempre fruto do amor «que foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5), amor fraterno que dá expressão ao vínculo espiritual e transcendente que nos une como discípulos do Senhor.
No mundo actual, erguem-se com intensidade vozes que não podemos deixar de ouvir, pedindo às nossas Igrejas que vivam plenamente como discípulos do Senhor Jesus Cristo.
A primeira destas vozes é a dos pobres. No mundo, há demasiadas mulheres e demasiados homens que sofrem por desnutrição grave, pelo desemprego crescente, pela alta percentagem de jovens sem trabalho e pelo aumento da exclusão social, que pode induzir a actividades criminosas e até mesmo ao recrutamento de terroristas. Não podemos ficar indiferentes perante as vozes destes irmãos e irmãs. Estão-nos pedindo não só que lhes demos uma ajuda material, necessária em muitas circunstâncias, mas sobretudo que os ajudemos a defender a sua dignidade de pessoas humanas, de modo que possam reencontrar as energias espirituais para levantarem e voltarem a ser protagonistas das suas histórias. Além disso pedem-nos para lutar, à luz do Evangelho, contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de um trabalho digno, da terra e da casa, a negação dos direitos sociais e laborais. Como cristãos, somos chamados a vencer, juntos, a globalização da indiferença – que, hoje, parece deter a supremacia – e a construir uma nova civilização do amor e da solidariedade.
Uma segunda voz que brada forte é a das vítimas dos conflitos em muitas partes do mundo. Esta voz, ouvimo-la ressoar muito bem a partir daqui, porque algumas nações vizinhas estão marcadas por uma guerra atroz e desumana. Penso com profunda amargura nas muitas vítimas do desumano e insensato atentado que nestes dias atingiu os fiéis muçulmanos que rezavam na mesquita de kano, na Nigéria. Turvar a paz de um povo, cometer ou consentir qualquer género de violência, especialmente contra pessoas frágeis e indefesas, é um pecado gravíssimo contra Deus, porque significa não respeitar a imagem de Deus que está no homem. A voz das vítimas dos conflitos impele-nos a avançar apressadamente no caminho de reconciliação e comunhão entre católicos e ortodoxos. Aliás, como podemos anunciar com credibilidade o Evangelho de paz que vem de Cristo, se entre nós continuam a existir rivalidades e contendas? (cf. Paulo VI, Exort. ap. Evangelium nuntiandi, 77).
Uma terceira voz que nos interpela é a dos jovens. Hoje, infelizmente, há tantos jovens que vivem sem esperança, dominados pelo desânimo e a resignação. Além disso, influenciados pela cultura dominante, muitos jovens buscam a alegria apenas na posse de bens materiais e na satisfação das emoções do momento. As novas gerações não poderão jamais adquirir a verdadeira sabedoria e manter viva a esperança, se nós não formos capazes de valorizar e transmitir o autêntico humanismo, que brota do Evangelho e da experiência milenar da Igreja. São precisamente os jovens – penso, por exemplo, nas multidões de jovens ortodoxos, católicos e protestantes que se reúnem nos encontros internacionais organizados pela comunidade de Taizé – são eles que hoje nos pedem para avançar rumo à plena comunhão. E isto, não porque eles ignorem o significado das diferenças que ainda nos separam, mas porque sabem ver mais além, são capazes de captar o essencial que já nos une.
Amado irmão, caríssimo irmão, estamos já a caminho, a caminho para a plena comunhão e já podemos viver sinais eloquentes de uma unidade real, embora ainda parcial. Isso nos conforta e sustenta na prossecução deste caminho. Temos a certeza de que, ao longo desta estrada, somos apoiados pela intercessão do Apóstolo André e do seu irmão Pedro, considerados pela tradição os fundadores das Igrejas de Constantinopla e de Roma. Imploramos de Deus o grande dom da unidade plena e a capacidade de o acolher nas nossas vidas. E não nos esqueçamos jamais de rezar uns pelos outros.
Fonte: Zenit.
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