sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Homilía do Papa na missa da juventude asiática




Amados irmãos e irmãs em Cristo!

Em união com toda a Igreja, celebramos a Assunção de Nossa Senhora, em corpo e alma,
à glória do Paraíso. A Assunção de Maria mostra-nos o nosso destino como filhos adoptivos de
Deus e membros do Corpo de Cristo: como Maria, nossa Mãe, somos chamados a participar
plenamente na vitória do Senhor sobre o pecado e a morte e a reinar com Ele no seu Reino
eterno.
O «grande sinal» apresentado na primeira leitura – uma mulher vestida de sol e coroada de
estrelas (cf. Ap 12, 1) – convida-nos a contemplar Maria, entronizada na glória junto do seu
divino Filho. Convida-nos ainda a tomar consciência do futuro que, já desde agora, abre diante
de nós o Senhor Ressuscitado. Tradicionalmente, os coreanos celebram esta festa à luz da sua
experiência histórica, reconhecendo a amorosa intercessão de Maria operante na história da
nação e na vida do povo.
Na segunda leitura de hoje, ouvimos São Paulo afirmar que Cristo é o novo Adão, cuja
obediência à vontade do Pai derrubou o reino do pecado e da escravidão e inaugurou o reino da
vida e da liberdade (cf. 1 Cor 15, 24-25). A verdadeira liberdade encontra-se no amoroso
acolhimento da vontade do Pai. De Maria, cheia de graça, aprendemos que a liberdade cristã é
algo mais do que a mera libertação do pecado; é a liberdade que abre para um novo modo
espiritual de considerar as realidades terrenas, a liberdade de amar a Deus e aos nossos irmãos
e irmãs com um coração puro e viver na jubilosa esperança da vinda do Reino de Cristo.
Hoje, ao venerar Maria, Rainha do Céu, dirigimo-nos a Ela como Mãe da Igreja na Coreia
para Lhe pedir que nos ajude a ser fiéis à liberdade régia que recebemos no dia do Baptismo; que guie os nossos esforços por transformar o mundo segundo o plano de Deus; e que torne a Igreja neste país capaz de ser, de uma forma mais plena, fermento do Reino de Deus na sociedade coreana. Possam os cristãos desta nação ser uma força generosa de renovação espiritual em todas as esferas da sociedade; combatam o fascínio do materialismo que sufoca os autênticos valores espirituais e culturais e também o espírito de desenfreada competição que gera egoísmo e conflitos; rejeitem modelos económicos desumanos que criam novas formas de pobreza e marginalizam os trabalhadores, bem como a cultura da morte que desvaloriza a imagem de Deus, o Deus da vida, e viola a dignidade de cada homem, mulher e criança.
Como católicos coreanos, herdeiros duma nobre tradição, sois chamados a valorizar esta
herança e a transmiti-la às gerações futuras. Isto implica para cada um a necessidade duma
renovada conversão à Palavra de Deus e uma intensa solicitude pelos pobres, os necessitados e
os fracos que vivem no meio de nós.
Ao celebrar esta festa, unimo-nos a toda a Igreja espalhada pelo mundo e olhamos para
Maria como Mãe da nossa esperança. O seu cântico de louvor lembra-nos que Deus nunca
esquece as suas promessas de misericórdia (cf. Lc 1, 54-55). Maria é a cheia de graça, porque
«acreditou no cumprimento daquilo que o Senhor lhe dissera» (Lc 1, 45). N’Ela, todas as promessas divinas se demostraram verdadeiras. Entronizada na glória, mostra-nos que a nossa esperança é real e que, já desde agora, esta esperança se estende, «como uma âncora segura e firme para as nossas vidas» (Heb 6, 19), até onde Cristo está sentado na glória.
Amados irmãos e irmãs, esta esperança – a esperança oferecida pelo Evangelho – é o antídoto contra o espírito de desespero que parece crescer como um câncer no meio da sociedade, que exteriormente é rica e todavia muitas vezes experimenta amargura interior e vazio. A quantos dos nossos jovens não fez pagar o seu tributo um tal desespero! Que os jovens, que nestes dias se reúnem ao nosso redor com a sua alegria e confiança, nunca lhes vejam roubada a esperança!
Dirijamo-nos a Maria, Mãe de Deus, e imploremos a graça de viver alegres na liberdade dos
filhos de Deus, usar sabiamente esta liberdade para servirmos os nossos irmãos e irmãs, e viver
e actuar de tal modo que sejamos sinais de esperança, aquela esperança que encontrará a sua
realização no Reino eterno, onde reinar é servir.

 Amen

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Pela primeira vez na história um Papa sobrevoa a China



Partiu ontem, às 16h de Roma, depois de cerca de 11 horas e meio de voo, o Papa Francisco aterrissou às 10h30, hora local (22:30 hora brasileira) na base aérea militar de Seul, na Coréia do Sul. Esperando por ele no aeroporto estava a presidente Park Geun-hye, juntamente com algumas autoridades estaduais, o Presidium da Conferência Episcopal coreana e representantes dos fiéis.
Para chegar no país asiático, o avião que transportava o Papa sobrevoou a Croácia, Eslovénia, Áustria, Eslováquia, Polônia, Bielorrússia, Rússia, Mongólia e China. Para cada um destes países o Papa Francisco quis enviar uma mensagem telegráfica aos respectivos Chefes de Estado.
A Ivo Josipovic, presidente da Croácia, escreveu: "Voando sobre o seu país durante no voo que me levará para a Coreia do Sul, vos envio calorosas saudações e a seus concidadãos. Implorando a bênção divina para a sua nação, peço a Deus Todo-Poderoso que vos abençoe com paz e prosperidade". Para o Presidente da Eslovénia, Borut Pahor, disse: "Dirijo uma cordial saudação a Vossa Excelência e aos seus concidadãos. Ao sobrevoar o seu país, invoco a bênção de Deus Todo-Poderoso, e rezo para que você dê a paz e a prosperidade à sua nação".
Telegramas semelhantes com invocações e orações de paz e bem-estar, O Papa enviou também aos presidentes da Áustria, Heinz Fischer; da Eslováquia, Andrej Kiska; da Polónia, Bronislaw Komorowski; da Bielorrussia, Alexander Lukashenko; da Rússia, Vladimir Putin; da Mongólia, Tsakhiagiin Elbegdorj.
Pela primeira vez, também, o avião papal pôde sobrevoar a República Popular da China, graças à autorização de Pequim. O Papa Francesco, em seguida, enviou uma mensagem de felicitações ao Presidente Xi Jinping, na qual escreve: "À medida que entramos no espaço aéreo da China, estendo meus cumprimentos a Vossa Excelência e a todos os seus concidadãos e invoco a bênção divina de paz e prosperidade sobre a Nação".
Durante a viagem, então, Francisco rezou com os jornalistas presentes por Simone Camilli, o VideoReporter italiano morto ontem em Gaza durante a operação de desarmar um míssil. "Uma oração por Simone Camilli, um dos 'seus' que hoje terminou o seu serviço", pediu o Papa, convidando a orar "em silêncio" e dizendo: "Estas são as consequências da guerra".
"Obrigado por seu serviço - disse o Papa - Obrigado por tudo o que vocês farão, que não será um passeio turístico, mas sim muito cansativo. Que a vossa palavra ajude sempre a unir-nos ao mundo e também vos peço: transmitam essa mensagem de paz”.
Às 15h35, as autoridades coreanas subiram a bordo para saudar o Papa. Ele desceu lentamente pela escada do avião, apertou a mão de Geun-hye e conversou com ela por alguns segundos. Em seguida, duas crianças coreanas vestidas com roupas tradicionais ofereceram-lhe um arranjo de flor, enquanto que para celebrar o início da visita oficiais do Exército deram uma salva de tiros de canhão em sua homenagem. Para o Papa Francisco é a primeira viagem a um país asiático.
As autoridades e o povo coreano têm mostrado grande bondade e cordialidade. Apesar dos católicos serem apenas o 11% da população, o país inteiro tem mostrado grande expectativa pela visita do Papa.
O Bispo de Roma, portanto, cumprimentou uma por uma as autoridades governamentais e representantes de diferentes grupos sociais do país aos quais se dirigiu em espanhol regularmente assistido por um sacerdote coreano que irá atuar como intérprete durante toda a estadia. Não deixou de distribuir, como sempre, sorrisos largos e calorosas saudações aos bispos e aos fiéis presentes no aeroporto. O Santo Padre, em seguida, subiu em um carro preto, um Kia Soul, pouco mais do que um pequeno carro utilitário e seguiu para a Nunciatura, onde celebrou uma Santa Missa em privado. Ele então abriu a janela para cumprimentar todos que encontrava pelo caminho.
A imprensa coreana saudou a chegada do Pontífice com manchetes como: "Este é o Papa Pastor dos fracos". Justamente esse é o aspecto que parece ser que mais tocou a maioria das pessoas do povo asiático: um Papa particularmente perto dos pobres e dos marginalizados.
Certamente as ruas para aguardar o Papa não estão lotadas como aquelas do Rio de Janeiro, mas são muitos os grupos espalhados que o quiseram cumprimentar. Há entusiasmo e as medidas de segurança são muito rigorosas, tanto para os jornalistas quanto para os fiéis. Supõe-se que isso também irá afetar os números de participações nos encontros do Pontífice.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

China: vigário episcopal é solto depois de 8 anos de prisão

Padre José Lu clérigo, sacerdote de 52 anos, foi libertado depois de oito anos de isolamento e reclusão. A Agência AsiaNews recordou que "tinham sido detidos sem julgamento em 2006 e levado para um lugar desconhecido". O padre, que pertence à comunidade não-oficial (subterrânea) de Baoding (Hebei), não querendo aderir à Associação Patriótica, frequentemente tem sofrido detenções ao longo de sua vida.
De acordo com AsiaNews a primeira foi no dia 5 de abril - domingo de Ramos - de 1990, o ano da sua ordenação. Depois, foi preso antes da Páscoa no 2001, e permaneceu por três anos em um campo de trabalho Provincial Gao Yang, na região do Hebei. Foi solto solto e preso novamente logo após, em maio de 2004, por um período não especificado. Finalmente, em 2006, foi levado a vários lugares secretos. Nos últimos tempos estava preso na Escola do Partido Comunista em Baoding.
Padre Lu tinha as funções de vigário episcopal da diocese, após as prisões em 1996 e em 1997 dos dois bispos clandestinos Mons. Tiago Su Zhimin e Francisco An Shuxin. Este último foi persuadido pelas autoridades e se juntou à Associação Patriótica.
Fontes da agência AsiaNews afirmam que foi justamente Mons. An que pediu constantemente às autoridades a liberação do Padre Lu, sem impor-lhe qualquer condição (se inscrever no clero oficial, na Associação Patriótica, etc, ...). Fontes próximas a mons. An afirmam que o padre Lu não teve que submeter-se a quaisquer condições ou a entrada para a Associação Patriótica. Após a sua libertação, ocorrida em 9 de agosto, o padre Lu está como hóspede na casa do bispo An, perto da Catedral de Baoding.
Da cidade de Baoding ainda está desaparecido o bispo ordinário, Mons. Su, que desapareceu em 1996 nas mãos da polícia e, sem julgamento, está preso em algum lugar desconhecido. Também dois sacerdotes, pe. Liu Honggeng e pe. Ma Wuyong estão na prisão porque, em obediência ao Papa, se recusam a aderir à Associação Patriótica.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Santa Joana Francisca de Chantal



“Sede totalmente fiéis a Deus e experimentá-lo-eis” ensinava Joana Francisca Fremyot de Chantal que nasceu em Dijon na França no dia 28 de janeiro de 1572. Filha de Benigno Frémiot e Margarida de Berbizy foi batizada e recebeu desde cedo sólida formação cristã. Admirável em sua espiritualidade a pequena Joana era incisiva quanto ao protestantismo que assolava sua época. Seu pai certa vez recebeu um protestante que sem sucesso argumentou com Joana e ao lhe dar caramelos ouviu da pequena menina de cinco anos: “Vede, senhor, vede. Assim arderão os hereges no fogo do inferno por não quererem crer nas palavras de Nosso Senhor!”
Quando jovem recusou o casamento com um nobre por este ser calvinista e veio a casar-se com Christophe de Rabutin, o barão de Chantal e viveu assim austera vida de santidade. Em sua casa era celebrada a missa todos os dias, catequisava seus empregados e zelava e acolhia os pobres tornando-se conhecida como a “Santa Senhora”. Teve seis filhos dos quais dois faleceram. Aos 28 anos ficou viúva e fez o voto de castidade dedicando-se à educação dos filhos e à caridade.
Em 1604 conheceu São Francisco de Sales na cidade de Dijon e este percebeu na jovem, traços de santidade, acolhendo-a como seu diretor espiritual. Francisco, através de Joana concretizava seu projeto de uma congregação para mulheres. Após o crescimento de seus filhos, Joana foi para a cidade de Annecy e lá, com outras três jovens, iniciou a congregação que ficou conhecida como Ordem da Visitação de Santa Maria. São Francisco de Sales as instruiu nas virtudes da pobreza e obediência e foram crescendo em graça e santidade. Joana passou por diversas provações físicas e espirituais com tamanha serenidade que São Vicente de Paulo narra: “Em meio a tão grandes sofrimentos, jamais perdeu a serenidade nem esmoreceu na plena fidelidade que Deus lhe exigia. Por isso a considero como uma das almas mais santas que encontrei sobre a terra”.
Foram fundadas cerca de 65 casas e no dia 13 de dezembro de 1641 na cidade de Moulins faleceu. Foi beatificada por Bento XIV no dia 13 de novembro de 1751 e canonizada por Clemente XIII em 16 julho de 1767.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Papa Francisco: "se o 666 é o diabo, o 99,9 é Jesus"

Na última sexta-feira o Papa Francisco concedeu uma entrevista por telefone aos sacerdotes Joaquin Giangreco e Juan Ignacio Liébana, que foi transmitida ao vivo pela rádio local de Campo Gallo e Huachana, duas paróquias localizadas cerca de 200 quilômetros da capital de Santiago del Estero, na província de mesmo nome, uma das mais pobres da Argentina.
 
"Tenho vocês dentro do meu coração. O trabalho que vocês fazem, me faz feliz. Por isso começo com uma forte saudação e a minha benção”, disse-lhes o Santo Padre.

Perguntado pelos sacerdotes sobre a religiosidade popular e a sua cultura disse:

 “Tenho uma grande convicção de que o nosso povo nunca erra e só adora a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. E junto com esta adoração a Deus, sabe que Jesus deixou nossa Mãe, a Virgem, para que cuidasse de nós. Nosso povo não a adora, a ama e a honra. Como todos nós que queremos e honramos nossa mãe, sabe que Ela cuida de nós e que está no céu. E nosso povo, adorando a Deus, que é o único que deve ser adorado, e Jesus Cristo, que é o único que deve ser adorado, também se deixa cuidar pela Mãe. Nosso povo não é órfão, tem mãe e é uma das coisas mais bonitas da devoção à Virgem, que não é adoração, mas sim carinho de um filho pela sua mãe. E este povo se reúne para adorar a Deus e para recordar a sua mãe. Este é o núcleo da piedade popular da américa latina. Um filho sem mãe tem a alma mutilada. Um povo sem mãe é um povo órfão, órfão de solidão, de secura, talvez de ideias, sem a ternura que só uma mãe dá. Por isso, seguimos sempre as duas coisas na piedade popular: a adoração a Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo, e a Ele somente se adora, e o carinho e o respeito e veneração que não é adoração à Nossa Mãe, porque nós não somos órfãos, temos mãe.

Em uma linguagem muito coloquial, estes dois sacerdotes conversaram com o Santo Padre. O conheciam há muito tempo e um deles foi ordenado por Bergoglio.

"Cada um – continuou o Pontífice – tem um papel, cada um tem um trabalho para fazer, uma vocação. Deus chamou vocês dois para ir embora, deixar as suas famílias, a cidade de Buenos Aires que é tão linda, e foram acompanhar este povo. Junto com vocês tem muita gente que não está morando lá, e que, à distância, quer estar com vocês. Agradeço essas pessoas”.
"A Igreja – continuou o Santo Padre – se mantém de pé com a piedade dos fieis. Pela oração, pela missa, pela eucaristia. Essas pessoas que vão à missa, que recebem a eucaristia pedindo por vocês, é a que lhes sustenta, e a paróquia. A eles vai o meu primeiro agradecimento. Também àqueles que se privam de algum bem, de algum dinheiro para dá-lo a vocês. Para eles o meu carinho também. Não importa o quanto ajudam, importa que ajudam, porque mimam vocês e se perguntam: Como eu posso acompanhar estes dois padres que estão tão distantes de Buenos Aires? E também de outras cidades de onde recebem ajuda. A esses homens e mulheres envio uma grande saudação e a minha gratidão. E de maneira especial quero mencionar dois tipos de pessoas que são as que Jesus olha com mais carinho: as avós e os avôs, e as crianças. Quantas avós e avôs rezam por vocês, quantas crianças rezam por vocês e apoiam o trabalho do seu povo. Envio-lhes um grande abraço, junto com a minha benção”.

No diálogo retransmitido por vários meios locais e colocado no youtube, onde se sente o som um pouco metálico de uma pequena rádio, o Papa destacou a importância da Igreja como instituição.

"O peregrino – disse o Papa Francisco – é uma imagem do que é a Igreja, porque a Igreja é peregrina. Jesus fundou uma igreja em caminho, uma igreja peregrina. Quando a Igreja está quieta, deixa de ser Igreja e vira uma associação civil. Nossa Igreja é uma Igreja com dupla saída: com a adoração a Deus e a oração; e outra saída rumo aos irmãos, para ajudá-los, acompanhá-los e fazer as obras de misericórdia que Jesus nos ensinou, e que estão no capítulo 25 de São Mateus. O peregrino que visita um templo para a glória de Deus e adorar a Deus, e para venerar e honrar a Mãe, esse peregrino tem a vocação de caminhar, que tem a Igreja. Que a nossa Igreja nunca se canse de caminhar porque no caminho encontramos esse sentido que Deus quer do seu povo: um povo a caminho”.
Porque "quando uma comunidade cristã ainda quieta é como uma água estagnada, que é a primeira a ser corrompida. Quando uma comunidade não peregrina, não só a pé, mas com o coração, e não tem um coração peregrino para além de si mesma, seja para adorar a Deus ou para ajudar os seus irmãos, essa Igreja está moribunda e tem que ser ressuscitada rápido. Por isso que aqueles que estão trabalhando para construir uma casa de Deus, que é um lugar de peregrinação, saibam que isso é um símbolo da Igreja que caminha. E essa peregrinação que fazem uma vez por ano ali, é uma peregrinação que tem que fazer todos os dias na vida cotidiana. Uma peregrinação a Deus para adorá-lo, uma peregrinação à Nossa Senhora, para venerá-la e amá-la, e rumo aos mais necessitados do nosso povo”.

Em resposta a outras preocupações de um dos sacerdotes, o Papa convidou a evitar críticas destrutivas.

"Trabalhar pela unidade sempre vai ser importante. Sempre vai existir diferenças, brigas, a questão é não deixa-las crescer. Fazer que as coisas se resolvam entre irmãos. É preciso conversar sim, mas com Deus. Não precisa tirar o couro do outro. O que mais destrói a Igreja, os povos e a Nação é a crítica destrutiva. Ou seja, ficar tirando o couro um do outro. Isso não é cristão”.

Questionado sobre a falta de sacerdotes na diocese de Añatuya disse:

"Como disse Jesus, rezem para que Deus envie pastores para a messe. O coração de Deus não é indiferente às orações de seu povo. Orem para que o Senhor envie pastores. E eu diria aos jovens que se sentem o chamado de Jesus, que não tenham medo. Que vejam todo o bem que podem fazer, todo o consolo que podem dar, toda a mensagem cristã que podem transmitir e não tenham medo. A vida é para ser arriscada, não para ser guardada. Jesus disse, quem cuida muito da sua vida acaba perdendo-a. A vida é para ser dada. E assim se é fecundo. Se alguém sente que Deus lhe pede para dar a vida no sacerdócio, que não tenha medo. É necessário apostar em coisas grandes e não pequenas coisinhas. E se sente que Jesus o chama para formar uma família, que seja uma família cristã, grande, linda, com muitos filhos que levem a fé adiante”.
O Santo Padre concluiu com uma bênção e repetiu o lema da rádio que diz: "se o 666 é o diabo, o 99,9 é Jesus" e lembrou-lhes "simplesmente isto: Jesus é muito bom. Jesus nos ama. Deus nos ama. Deus nos espera sempre. Deus não se cansa de perdoar-nos. Só que devemos ser humildes e pedir perdão, para que possamos seguir em frente. Deus nos criou para que sejamos felizes. E Ele está conosco. Quando passamos momentos difíceis, de cruz, de dor, Ele passou primeiro e nos compreende de coração. Peço ao Senhor para que todos os que estão ouvindo sejam muito abençoados por Ele, lhes dê força, vontade de viver, e a coragem de não deixar-se roubar a esperança e especialmente lhes dê uma carícia e lhes faça sorrir, e que a benção de Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre todos e cada um de vocês e permaneça para sempre".

Fonte: Zenit.

domingo, 10 de agosto de 2014

A visita do papa aos pentecostais foi uma grande vitória espiritual

O pastor Jorge Himitian considerou que o papa foi “muito corajoso” ao visitar abertamente uma comunidade cristã não católica no último dia 28 de julho. O religioso, que conhece Bergoglio há anos e mantém um vínculo estreito com ele, viajou especialmente para participar da visita do pontífice à comunidade pentecostal e contou as suas impressões durante uma entrevista à agência AICA. Himitian avalia o encontro como “uma grande vitória espiritual”.


AICA: Quanto Francisco está colaborando para diminuir as controvérsias e as barreiras entre as confissões cristãs?

Pastor Himitian: Muitíssimo. Mas não por ter discutido sobre as nossas diferenças; nunca fizemos isso; e sim porque encontramos nele um homem espiritual, um verdadeiro cristão. Vemos nele o evangelho encarnado, a sua humildade, o seu amor pelas pessoas, a sua aproximação dos pobres, a sua vida de oração, a sua valentia, a sua coragem profética para enfrentar os corruptos, sejam do governo, sejam da cúria; a sua firmeza contra os pedófilos, contra os estupradores, contra a máfia e contra outros tantos males.

AICA: Por quais caminhos você acha que a unidade dos cristãos deverá transitar?

Pastor Himitian: No passado, foi colocada muita ênfase nas nossas diferenças teológicas, eclesiológicas e litúrgicas. Sem ignorar que tudo isso tem a sua importância e o seu lugar, e que um dia chegaremos a harmonizar as nossas diferenças à luz da Palavra de Deus, nós hoje acreditamos que temos que priorizar o seguinte: aqueles de nós que se chamam de cristãos têm que ser cristãos de verdade, ter uma conduta santa, amar a Deus e amar o próximo.

AICA: E qual é o lugar de Francisco em tudo isso?

Pastor Himitian: Ele tem profundas e firmes convicções teológicas, do meu ponto de vista, mas ele não é um reformador da teologia. Ele é um revolucionário. Ele está encarando uma revolução na Igreja, propondo que os cristãos encarnem o evangelho, vivam as bem-aventuranças, sejam como Cristo, mediante a força transformadora do Espírito Santo. E é isto o que mais nos agrada nele e o que nos fez baixar a guarda.

AICA: Você acha possível um reencontro com Roma? Nesse caso, é mais viável com as igrejas evangélicas ou com as igrejas orientais?

Pastor Himitian: Eu acho possível um reencontro com a única cabeça da Igreja, que, segundo a bíblia, é Jesus Cristo. E não só acho possível como, na minha convicção e fé, vai acontecer. O apóstolo Paulo declara que Deus se propôs a voltar a unir tudo sob uma só cabeça, que é Cristo. E eu estou convencido de que Deus é Todo-Poderoso e o fará. Todos nós temos erros e acertos: os católicos, os evangélicos e os ortodoxos. Temos que permitir que a verdade da Palavra de Deus, no poder e na revelação do Espírito Santo, nos santifique e nos livre dos nossos respectivos erros. Deste modo, a unidade perfeita que Jesus pediu ao Pai se realizará.

Fonte: Zenit.

sábado, 9 de agosto de 2014

A vocação dos homens que se fazem pais tem a sua origem da paternidade do próprio Deus

"Filipe disse: 'Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta'. Jesus respondeu: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras" (Jo 14, 8-11). Bendita seja a aparente ingenuidade de Filipe, desejando ver o Pai. Daqui parte nossa reflexão para o dia dos pais, comemorado no segundo domingo de agosto, quando a Igreja Católica no Brasil inicia também a Semana da Família. Torna-se ainda mais oportuno abordar este tema pela proximidade da Assembléia Extraordinária do Sínodo dos Bispos a respeito da família.
A vocação dos homens que se fazem pais tem a sua origem da paternidade do próprio Deus, sabendo inclusive que se aprende mais sobre família e sobre as relações entre as pessoas olhando para o alto, para a Santíssima Trindade. Paternidade, filiação, fraternidade criatividade, todas as desejáveis características das pessoas, podem encontrar no próprio Deus sua fonte! E permitam-me todos os pais envolvê-los na voragem de amor que é a vida divina, convidando-os a abrirem o coração e redescobrirem sua vocação e sua missão na família e na sociedade.
Queridos pais, todos vocês foram e são filhos! Ninguém é fonte absoluta de uma família. Desejo-lhes a capacidade de olhar para trás e identificar o melhor que possa existir na história de sua família. Há valores que passam de geração em geração e a dignidade de sua família não se encontra apenas no nome, sem dúvida importante, mas nas coisas boas de que vocês são guardiães. Vocês podem entrar em seu próprio coração, recolhendo, como a criança que existe em cada um, as boas sementes transmitidas pelos antepassados. Por falar em nome, já perceberam que são vocês que o conservam e transmitem às gerações sucessivas? Sejam pois, dignos de manter acesa este facho aceso da dignidade das gerações!
Dentre os muitos tesouros que lhes foram confiados, é proprio da missão paterna ser a referência de autoridade na família. Autoridade e não autoritarismo! E autoridade verdadeira vem de dentro, a partir de convicções claras e objetivos a serem alcançados. Chama atenção a força com que Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, se faz presente em momentos críticos da vida de seus discípulos. Numa travessia do Mar da Galileia (Cf. Mt 14, 22-33), barca agitada pelas ondas, vento contrário, homens medrosos que veem Jesus caminhando sobre as águas e pensam estar diante de um fantasma. "Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!" É tempo de pedir a Deus, na comemoração do dia dos pais, que a força viril dos que receberam esta vocação seja restaurada em nossas famílias. Redescubram a coragem para ajudar a família na superação do medo dos fantasmas! Sejam capazes de discernir entre o vento, os terremotos e o fogo (Cf. 1 Rs 19, 9-13), ajudando a identificar o murmúrio da brisa leve em que o Senhor Deus se manifesta. Brote dos lábios e do coração de todos os pais de família, sustentados no mar na vida pelas mãos firmes do Senhor Jesus, a profissão de fé a ser renovada no domingo dos pais: "Verdadeiramente, tu és o filho de Deus" (Mt 14, 33). Afinal, são adultos estes que realizam uma missão de tamanha importância. Deles pedimos um sinal que nos ajude a firmar a confiança no Senhor.
Mas para chegar ao discernimento pedido aos pais de família, devem estes tirar o tempo necessário para, como o profeta Elias (Cf. 1 Rs 19, 9-10), orar confiantemente em nome da própria família. Proponho, por ocasião do dia dos pais, que as refeições nas casas sejam abençoadas com uma oração feita pelo pai: "Senhor Deus, que conservais tudo o que criastes e não deixais de conceder aos vossos filhos o alimento necessário, nós vos agradecemos por esta mesa fraterna, preparada para alimentar e fortalecer o nosso corpo; nós vos rogamos que também nossa fé, sustentada com a vossa palavra, cresça pela busca constante do vosso Reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!" Esta oração pode ser feita sempre às refeições, confiando-a cada dia a um dos membros da família. Entretanto, a oração silenciosa, feita pelo pai de família, com confiança total no Pai do Céu, com o qual lhe foi dada a graça de partilhar a responsabilidade pelo lar, não pode faltar. Só assim terá forças necessárias para enfrentar as muitas tormentas do caminho.
Durante muitos séculos, o pai de família foi considerado como o suficiente provedor das necessidades de todos. As esposas assumiam a educação dos filhos e as tarefas domésticas. Mudam os tempos, as mulheres também têm atividades laborativas fora de casa, as tarefas são compartilhadas e a responsabilidade abraçada a dois. No entanto, valha hoje um apelo aos pais de família justamente pela sua missão ligada ao trabalho. Faz parte da dignidade do ser humano ganhar o pão com o suor do próprio rosto, mesmo quando seu trabalho não for prioritariamente ligado ao esforço físico. Gratidão a Deus providente que permite aos pais levarem o necessário à família e à sustentação dos filhos. Apreensão diante das múltiplas dificuldades existentes para que o trabalho seja adequadamente remunerado e até para que haja postos de trabalho para toda a população. Oração fervorosa, para que aos pais sejam dadas estas condições indispensáveis.
A missão dos pais de família pode se expressar no pedido feito por Filipe, cuja ingenuidade agradecemos. Queridos pais, queremos que saibam ser nosso interesse apenas uma coisa, que vocês nos mostrem "o Pai". Sejam de tal forma parecidos com o Pai do Céu, que trabalha sempre! Ajudem-nos a chamar o Pai de Jesus de "Pai Nosso", ensinando-nos a rezar cada parte da oração que brotou de seu coração para ser entregue a nós. Sejam transparência do amor de Deus, tão infinito que se faz pequeno e próximo de cada filho. Sejam para suas esposas companheiros fiéis, amigos afetuosos, como Deus os pensou. Contamos com a firmeza de vocês e, quando esta lhes faltar, saibam que a Igreja reza por vocês e quer sustentá-los na tarefa exigente e gratificante que lhe foi entregue. Obrigado por vocês serem testemunhas da Providência de Deus para as famílias! Confiem nesta Providência para todos os passos a serem dados na vida! Saibam valorizar as rugas, os achaques da idade, o cansaço, para muitos a calvície ou os cabelos brancos. Tudo encontre seu sentido na entrega alegre da vida, com a qual vocês constroem a própria dignidade e felicidade. Deus os abençoe!

Fonte: Zenit.