sábado, 10 de maio de 2014

Evangelizar requer toda uma Igreja em atitude de saída

O Papa Francisco recebeu na manhã de ontem os participantes do encontro das Pontifícias Obras Missionárias que desde a segunda-feira, 5 de maio, começaram os trabalhos da Assembleia Geral. Os mesmos vão durar até o sábado e terminarão com uma missa na basílica de São Pedro. Junto com eles na audiência de hoje estavam os colaboradores da Congregação para a Evangelização dos Povos.
O Santo Padre disse que com a sua exortação apostólica “Evangelii gaudium” quis convidar todos os fiéis a uma nova estação evangelizadora. “Evangelizar, neste momento de grande mudança social, requer uma Igreja missionária, toda em atitude de saída, capaz de discernir e enfrentar as diferentes culturas e visões de homem".
E acrescentou que "num mundo em mudança é necessário uma Igreja renovada e transformada pela contemplação e contato pessoal com Cristo pelo poder do Espírito Santo", porque "Ele nos dá força para empreender o caminho missionário e a alegria do anúncio para que a luz de Cristo ilumine todos aqueles que ainda não o conhecem ou o rejeitaram. Por isso nos pedem a coragem de “chegar em todas as periferias que precisem da luz do Evangelho”. Não nos podem parar nem as nossa debilidades, nem os nossos pecados, nem tantos obstáculos colocados ao testemunho e anúncio do Evangelho''.
Isso porque a Igreja, "missionária por natureza, tem como prerrogativa fundamental o serviço de caridade a todos” e dado que “a fraternidade e a solidariedade universal são inerentes à sua vida e missão no mundo e para o mundo''. A todos, reiterou o Papa, deve chegar esta chamada, embora tenha dito que “começando dos últimos, dos pobres, dos que têm as costas dobradas pelo peso do cansaço e da vida. Fazendo assim, a Igreja continua a missão do próprio Cristo'.'
A Igreja é “o povo das bem-aventuranças, a casa dos pobres, dos aflitos, dos excluídos e perseguidos, daqueles que têm fome e sede de justiça'' e aos representantes das Pontifícias Obras Missionárias é pedido que atuem para que as comunidades eclesiais “acolham com amor preferente os pobres, deixando abertas as portas da Igreja para que todos entrem e encontrem refúgio”.
Definiu as Pontifícias Obras Missionárias como ''o instrumento privilegiado que chama à “missio ad gentes” e se preocupa dela com generosidade. Por isso exortou os seus membros a “promover a co-responsabilidade missionária” porque faz muita falta sacerdotes, consagrados e leigos que “tomados pelo amor de Cristo, estejam marcados com o fogo da paixão pelo Reino de Deus e à disposição para percorrer o caminho da evangelização''.

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

É Deus quem evangeliza, não a burocracia

Em sua homilia na missa de ontem quinta-feira na Casa Santa Marta, o papa Francisco recordou que “quem faz a evangelização é Deus”, contrapondo esta verdade ao excesso de burocratização que pode obstaculizar a aproximação das pessoas de Deus.
O Santo Padre destacou o modelo seguido pelo apóstolo Felipe, que, como indicam os Atos dos Apóstolos, ressalta três qualidades cristalinas de um cristão: a docilidade ao Espírito Santo, o diálogo e a confiança na graça.
O primeiro caso acontece quando o Espírito Santo pede que Felipe interrompa as suas atividades e vá atrás da carruagem em que o ministro da rainha da Etiópia está viajando entre Jerusalém e Gaza.
“Felipe obedece, é dócil à palavra do Senhor. Sem dúvida, ele teve que deixar de lado muitas coisas que tinha para fazer, porque os apóstolos, naqueles tempos, estavam muito ocupados com a evangelização. Ele deixa tudo de lado e vai. E isso nos faz ver que, sem esta docilidade à voz de Deus, ninguém pode evangelizar, ninguém pode anunciar Jesus Cristo, ou, no máximo, vai anunciar a si mesmo. É Deus quem chama, é Deus quem coloca Felipe no caminho. E Felipe vai, é dócil”.
O encontro com o ministro etíope é, para Felipe, uma ocasião de anúncio do evangelho. Mas este anúncio, explicou Francisco, não é um ensinamento que chega do alto, uma imposição. É um diálogo que o apóstolo tem o cuidado de iniciar, respeitando a sensibilidade espiritual do seu interlocutor, que está lendo, mas sem conseguir entender, uma passagem do profeta Isaías.
“Não podemos evangelizar sem dialogar, não podemos. Porque temos que partir justamente de onde está a pessoa que tem que ser evangelizada”.
O papa recorda que alguém poderia dizer: “Mas assim perdemos muito tempo, porque cada um tem a sua história, tem as suas ideias...”. E Francisco observa: “Deus perdeu mais tempo na criação do mundo e fez um grande trabalho”.
Ele nos pede “perder o tempo com a outra pessoa, porque é aquela pessoa que Deus quer que nós evangelizemos, que lhe demos a notícia de que Jesus é o mais importante. Mas do jeito que essa pessoa é agora, não do jeito que deverá ser”.
As palavras de Felipe suscitam no ministro etíope o desejo de ser batizado e, no primeiro curso d’água, é o que acontece. Felipe batiza o etíope, “o põe nas mãos de Deus e da sua graça”. E o papa completa: o ministro passará a transmitir a fé e “talvez isto nos ajude a entender melhor que quem faz a evangelização é Deus”.
O Santo Padre nos convidou a meditar sobre esses três momentos da evangelização: a docilidade para evangelizar e fazer o que Deus nos manda; o diálogo com as pessoas, que precisa partir do contexto em que elas estão; e terceiro, confiar na graça: é mais importante a graça do que toda a burocracia.
Francisco nos incentivou, finalmente, a recordar que “nós, na Igreja, muitas vezes somos uma empresa que fabrica impedimentos para as pessoas chegarem à graça. Que nosso Senhor nos faça entender isso”.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

China: na internet a Bíblia supera o Livrinho Vermelho e o Papa ultrapassa o premier

A Bíblia bate o Pequeno Livro Vermelho, os cristãos superam os membros do Partido Comunista, o Papa Francisco é mais popular do que Li Keqiang e Jesus mais do que Xi Jinping. São surpreendentes os resultados da análise realizada pela Foreign Policy do Weibo, um serviço de microblogging chinês, relatado pela agência Ásia News. Uma pesquisadora analisou o fluxo de palavras citadas no site, utilizado por cerca de 300 milhões de chineses e compilou um ranking de popularidade.
As citações bíblicas são 17 milhões contra 60 mil atribuídas ao presidente Mao. Os usuários que citam as várias igrejas cristãs são 41,8 milhões, enquanto aqueles que falam do Partido Comunista são 5,3 milhões. Embora esteja presente todos os dias na imprensa nacional, o presidente Xi Jinping é citado em 4 milhões de posts. Jesus Cristo, muito menos presente na mídia nacional, aparece em 18 milhões. Da mesma forma, Bergoglio supera muito o primeiro ministro Li Keqiang.
De acordo com Bethany Allen, que conduziu o estudo, os resultados "são surpreendentes", mas tem uma explicação lógica: cerca de 100 mil funcionários chineses encarregados de censurar a rede tem, de fato, "um grande trabalho", e dado que a censura política é muito mais importante do que a religiosa, eles "tendem a apagar tudo o que está relacionado ao estado, que não provém de fontes oficiais”.
Isto, obviamente, não significa que não exista censura contra os cristãos: "Se você procurar posts sobre as igrejas subterrâneas, ou seja, comunidades que se recusam a se registrar junto ao Estado, aparece uma página em branco e uma mensagem que diz "resultados que violam as leis e regulamentos internos”. Isto vale também para outros temas sensíveis do ponto de vista religioso.
No entanto, Allen destaca que os dados não são apenas o resultado de uma censura esquizofrênica: "Para o povo chinês, a ideologia comunista não interessa mais, enquanto o cristianismo continua a atrair mais pessoas. Há duas décadas, apesar de tudo, a população e a presença cristã na China continuam a aumentar".

(Fonte: Asia News/ Trad.:MEM)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Paulo VI beato no próximo dia 19 de outubro?



Paulo VI será beatificado no dia 19 de outubro, na conclusão do Sínodo sobre a família. De acordo com algumas fontes de notícias, os cardeais e bispos da Congregação para as Causas dos Santos aprovaram por unanimidade o milagre atribuído à intercessão do Papa Montini, que morreu em agosto de 1978.
O milagre aconteceu em 2001, nos Estados Unidos, e refere-se a um nascituro, um feto que com 24 semanas de gravidez teve problemas sérios. Dado por morto pelos médicos, a criança foi salva como resultado das orações dirigidas ao Papa Paulo VI pela mãe, que abandonou a hipótese de um aborto.
O caso, em seguida, chegou a Roma, à postulação da causa. A investigação foi iniciada em 2003. Agora, se a notícia for confirmada, o cardeal prefeito Angelo Amato deverá ir ao Papa para ser autorizado a promulgar o decreto de beatificação. No dia 20 de dezembro de 2012 foi promulgado por Bento XVI o reconhecimento das virtudes heróicas do Papa Paulo VI.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Bispos do Brasil discutem o papel dos leigos na sociedade e na Igreja

Depois de um final de semana de retiro e recolhimento os bispos do Brasil reunidos em Aparecida retomaram hoje as atividades da 52ª Assembleia dos bispos da CNBB.

A Assembléia geral deste ano, que começou no dia 30 de Abril e vai até o dia 9 de maio, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho, em Aparecida (SP), nessa segunda-feira, discutiu e votou os textos sobre liturgia, questão agrária e renovação paroquial “comunidade de comunidades uma nova paróquia”.

Missão jovem

Durante a coletiva de imprensa dessa tarde Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, anunciou que estão abertas as inscrições para a primeira missão jovem da Amazônia.
“O candidato poderá se inscrever até o dia 31 de maio”. O projeto está sendo encabeçado por 5 comissões da CNBB, incluindo as Pontifícias Obras Missionárias. Aproximadamente 60 jovens de 18 a 35 anos se dividirão em 4 grupos. O cardeal destacou que a iniciativa nasceu na preparação da semana missionária da JMJ 2013, “onde surgiu o desejo da juventude presente de fazer uma missão especialmente na Amazônia”. Tal inspiração – disse Dom Cláudio - foi reforçada pelo convite do Papa Francisco na JMJRio 2013 quando disse aos jovens: Ide, sem medo, para servir. Os jovens selecionados vão receber uma formação online e participarão de 10 dias de missão e ao final redigirão uma carta dirigida à toda a Igreja do Brasil.

O papel dos leigos na sociedade

O Papel dos leigos e leigas na sociedade foi tratado na coletiva pelo bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB, dom Severino Clasen. “A Assembleia tem como tema central os leigos e o seu papel na sociedade e na Igreja”, disse Dom Clasen, explicando que o documento, que está sendo votado, primeiramente dá uma visão geral da nossa sociedade, de como ela está deteriorada, também “pela falta de coesão das religiões”. Em segundo lugar analisa e critica as formas de pastorais que existem e, por fim, conclui com a proposta de algumas ações, como ser um cidadão participante da sociedade: na economia, no setor produtivo... buscando, principalmente, “essa reflexão sobre o sentido da vida, da existência”. Até mesmo – diz o prelado – “já saiu uma cartilha de orientação para as eleições”. “Os cristãos leigos tem um papel decisivo também na Igreja”, afirmou. Finalmente Dom Clasen falou que o documento voltará voltar novamente às bases para receber a contribuição do povo de Deus.

17° Congresso Eucarístico Nacional

Por fim, o arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira Côrrea discorreu sobre os preparativos para o 17° Congresso Eucarístico Nacional que acontecerá em 2016 na cidade de Belém do Pará. “A escolha desse ano é significativa porque em 2016 se celebra o quarto centenário da evangelização da Amazônia e da fundação de Belém e 110 anos da arquidiocese de Belém”, disse Dom Alberto. O Tema será: “Eucaristia e Partilha na Amazonia misisonária” e o lema escolhida é: “Eles o reconheceram no partir do pão”. Um dos objetivos será mostrar que a “região também tem um grande potencial missionário”, sublinhou o prelado. O evento acontecerá do 15 ao 21 agosto com Simpósios teológicos, missa com a juventude, jornada da misericórdia, atendendo em confissões nas 80 paróquias, noites de vigília e oração, adoração eucarística, expo católica e eventos organizados pelas pastorais e movimentos eclesiais.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Jovens e famílias do Caminho Neocatecumenal se colocam à disposição da Igreja para evangelizar a Ásia

Mais de 15.000 pessoas, das dioceses de Andaluzia, Extremadura, Canarias, Ciudad Real e do sul de Portugal, participaram nesta quinta-feira, festa de São José Operário, do encontro vocacional de jovens e famílias para a Ásia "As duas margens” organizado pelo Caminho Neocatecumenal em Alcalá de los Azules, no sul da Espanha .
A celebração contou com a presença dos líderes internacionais desta pujante realidade eclesial, Kiko Argüello e Padre Mario Pezzi. Foi conduzida pelo bispo de Cadiz, Dom Rafael Zornoza, acompanhado pelo bispo de Asidonia - Jerez, Dom José Mazuelos; arcebispo de Granada, Dom Javier Martínez; pelo bispo de Huelva, Dom José Vilaplana; bispo de Córdoba, Dom Demetrio Fernández; e pelo bispo auxiliar de Sevilla, Santiago Gomez.
O evento chamado de “As duas margens” refere-se aos dois pontos geográficos estratégicos dos iniciadores do Caminho Neocatecumenal. Por um lado a África do Norte, Ceuta, onde Kiko Argüello se reuniu com os líderes desta realidade eclesial da província e visitou o Centro Neocatecumenal construído naquela localidade. E depois, Alcalá de los Azules, em Cádiz.

"Ânimo, vamos transmitir calor!" foram as primeiras palavras de Argüello dirigidas a multidão reunida no Parque de los Alcornocales.
Jovens seminaristas apresentaram as imagens de Cristo do Perdão e de Nossa Senhora do Bom Sucesso, ambas veneradas em Alcalá de los Azules.
"O cristianismo antes de uma moral, um modo de vida, é o anúncio de uma notícia que sempre que é anunciada faz presente a salvação", disse o iniciador do Neocatecumenal durante o anúncio do Kerigma, ou seja, o anúncio da morte e ressurreição de Jesus Cristo.
O objetivo deste encontro é incentivar as vocações entre os jovens para a evangelização na Ásia. Assim, Kiko Argüello manifestou a necessidade de apresentar a Cristo aos países asiáticos, “como João Paulo II anunciou a missão da Igreja para o Terceiro Milênio". Argüello exortou os jovens a se colocarem nas mãos de Deus para deixar de lado a "autonomia moral que impede o homem de fazer a vontade de Deus". Além disso, o iniciador do Caminho Neocatecumenal sublinhou que " todos os cristãos são chamados a anunciar o Evangelho. "
O bispo da diocese anfitriã, Dom Rafael Zornoza assegurou que "a fé é o poder de Deus a nosso serviço. A fé nos dá, pelo batismo, a vida eterna”. Hoje, devemos reconhecer a Cristo, que quis fazer sua a nossa vida, nos ensinou a viver, a sofrer, a trabalhar e a descansar. É o trabalhador, o carpinteiro, o filho de Maria, mas Deus" , afirmou Zornoza.
"Cristo ressuscitou, vamos com Ele! Temos que mostrar o caminho para o céu, para a vida, o caminho dos homens. Temos que viver para anunciar o Evangelho e chamar à conversão", concluiu motivando as vocações entre os jovens presentes. Este pedido de vocações para o sacerdócio foi respondido por cerca de 100 jovens que receberam a bênção dos sacerdotes e cerca de 120 meninas e 100 famílias que se colocaram à disposição para evangelizar a Ásia.
Próximo domingo terá lugar outro encontro vocacional organizado pelo Caminho Neocatecumenal em Santiago de Compostela. E em breve, um terceiro em Valência.
O Caminho Neocatecumental teve os estatutos finais aprovados, em carater definitivo, em 2008. Está presente em 124 países nos cinco continentes, em 1.479 20.432 dioceses e em 6.272 paróquias.
Atualmente conta com 100 Seminários Redemptoris Mater; 2.300 seminaristas diocesanos, que participam desta iniciação cristã e se preparam para o sacerdócio; 1.880 presbíteros diocesanos ordenados; mais de 1.000 famílias em missão distribuídas por 93 países; 92 missio ad gentes.

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O mundo e a Igreja

A Igreja de Jesus Cristo saiu literalmente à Praça Pública, no dia da canonização de São João XXIII e São João Paulo II, dois papas de nossa geração, testemunhas das muitas vicissitudes e alegrias do tempo desafiador e maravilhoso em que nos encontramos. Quem acompanhou pessoalmente ou através dos meios de comunicação pôde conferir a diversidade das culturas, línguas e povos ali representados. Chamava atenção o fato de que chefes de Estado e de Governo compartilhavam espaço e emoção com a multidão presente em Roma. As várias confissões cristãs, representantes de outras religiões e pessoas de convicções diferentes, um mundo inteiro se sentia atraído por duas figuras ímpares quanto à missão exercida a seu tempo e quanto à têmpera de seu modo de ser homens e cristãos.
Papa Francisco salientou em sua homilia da Missa da Festa da Divina Misericórdia que João XXIII e João Paulo II não tiveram medo de se defrontar com as chagas do mundo e de sua geração. João XXIII quis abrir as janelas da Igreja para que o sopro do Espírito se espalhasse, a fim de alcançar todos os homens e mulheres. João Paulo II, além de todo o empenho pela Evangelização, o missionário mais ardoroso de que temos conhecimento nos últimos tempos, foi ao encontro das pessoas, conversou com todos, não fugiu das situações mais dolorosas da Igreja e do Mundo. É que os cristãos se encontram dentro das realidades do mundo, são passíveis de erros e pecados, podem pôr tudo a perder, se não é a graça de Deus que os acompanha e sustenta.
A chave que abre as portas da esperança e da felicidade é justamente o reconhecimento simultâneo das fragilidades humanas e da força de Deus. Aquele que pode abrir o livro da vida das pessoas e da história humana é Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, o Santo de Deus. Só Ele tira o pecado do mundo (Cf. Ap 5, 1-8). Como Deus não nos fez para amassar barro na maldade e no egoísmo, o desejo de ser puros e santos atrai a todos. Por isso, apresentar a Boa Nova de Jesus Cristo, malgrado todos os pecados do mundo, é a estrada mestra para todos, sem exceção. Cabe à Igreja ter a ousadia de apontar para frente e para o alto, fazendo tudo para que o maior número possível de pessoas se envolva nesta grande marcha rumo à perfeição das relações das pessoas com Deus e entre si. Por isso tantos irmãos e irmãs são inscritos no catálogo dos santos, reconhecidos como modelos no seguimento de Jesus
As imagens do dia da Divina Misericórdia eram suficientemente eloquentes para nos convencermos de que a Igreja tem uma palavra e um testemunho a oferecer ao mundo. Trata-se de sua missão, na qual não pode se omitir. Ela deve ser anunciadora da verdade e lutar pela dignidade das pessoas, assim como há de mostrar que o melhor para todos é o amor ao próximo e o amor a Deus. Ao mostrar este caminho, que tem o nome de santidade, a Igreja e os cristãos aprenderão a se confrontar com as realidades humanas, inclusive quando as diferenças vêm à tona. E o diálogo entre diferentes começa com a valorização recíproca, que comporta superação de julgamentos e preconceitos. Acreditar no bem que existe no outro, seja qual for sua origem, idade ou prática religiosa, é um passo fundamental. Convergem na direção do bem as pessoas que apostam tudo nas próprias convicções e ao mesmo tempo se abrem para o bem que existe em quem procede de outras plagas.
As pessoas com quem dialogamos venham também a ter conhecimento de que temos algo a oferecer. Não somos incapazes quanto à humanidade e a cultura. A luz do Evangelho é o que existe de melhor para o mundo. Nada de omissão. Sejam, pois, superados os eventuais complexos de inferioridade com os quais muitos cristãos se apresentam diante das estruturas do mundo. Cresça a presença qualificada dos cristãos nos diversos campos profissionais. Amadureça sua capacidade de dar razão da esperança, segundo o caminho proposto pelo Apóstolo São Pedro: “Se tiverdes que sofrer por causa da justiça, felizes de vós! Não tenhais medo de suas intimidações, nem vos deixeis perturbar. Antes, declarai santo, em vossos corações, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência” (1 Pd 3,14-16).
A aventura da santidade se tornou mais atraente ainda com São João XXIII e São João Paulo II. Mas o que fazer para ser santo? Santo é quem olha ao seu redor e não se cansa de colher as flores e os frutos da árvore da vida, plantada pelo próprio Deus. Santo é quem não receia olhar nos olhos dos outros e ver o brilho que neles se acende. Santo é quem não se rende diante da maldade, mas persevera na busca do bem e dá nome ao bem que encontra. Santo é quem se convence de que Deus só sabe amar e olha para as pessoas com amor infinito. Santo é quem gosta do bem, da beleza, da verdade.
Nestes primeiros dias do mês de maio, venha em relevo um campo específico, no qual a santidade pode e deve crescer, o do trabalho. Ninguém separe sua vida de fé das suas atividades profissionais, sejam quais forem. E vale oferecer, justamente para o trabalho, dois outros sinais esplêndidos. Trata-se de Maria, Mãe do Redentor, uma simples Mãe de Família, no mês que lhe é dedicado. Outro é São José, o operário! As duas figuras, indispensáveis na vida cristã, foram mundo e Igreja, mãos que trabalharam e santidade inigualável. Os dois santos, apenas canonizados, souberam oferecer tais exemplos e deles foram devotos. É a hora da Igreja, é a hora do mundo, a quem o Senhor Jesus oferece a salvação, pelos méritos de sua paixão, morte e ressurreição. Ninguém desperdice o tempo de Deus, que se chama hoje!


Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará