quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Papa exorta bispos da Itália a “viver da liturgia”

Bento XVI insistiu com os bispos italianos na importância da liturgia para a vida cristã, na mensagem que enviou com motivo da assembleia plenária da Conferência Episcopal, que se celebra esta semana em Assis.
Aproveitando que nesta reunião plenária se revisará a tradução ao italiano do Missal Romano, o Papa dedica grande parte de sua carta, dirigida ao presidente da CEI, cardeal Angelo Bagnasco, a falar da centralidade da liturgia na vida cristã.
“O autêntico crente, em toda época, experimenta na liturgia a presença, a primazia e a obra de Deus”, afirmou o Papa.
A liturgia é “veritatis splendor, acontecimento nupcial, pregustação da cidade nova e definitiva e participação nela; é vínculo de criação e de redenção, céu aberto sobre a terra dos homens, passagem do mundo a Deus; é Páscoa, na Cruz e na Ressurreição de Jesus Cristo; é a alma da vida cristã, chamada ao seguimento, reconciliação que move à caridade fraterna.”
Referindo-se a esta terceira edição do Missal Romano, o Papa recorda que “todo verdadeiro reformador, de fato, é obediente à fé: não se move de forma arbitrária, nem se arroga falta de compromisso com o rito; não é amo, mas o guardião do tesouro instituído pelo Senhor e confiado a nós”.
“Dar voz a uma realidade perenemente válida exige portanto o sábio equilíbrio de continuidade e novidade, de tradição e atualização”, assinala.
“A Igreja inteira está presente em cada liturgia: aderir-se a sua forma é condição de autenticidade do que se celebra.”
A “correspondência da oração da Igreja (lex orandi) com a regra da fé (lex credendi) molda o pensamento e os sentimentos da comunidade cristã, dando forma à Igreja, corpo de Cristo e templo do Espírito”, acrescenta o Papa.
Esta terceira edição do Missal Romano, que foi apresentada oficialmente ao Papa João Paulo II em 2002, custou dez anos de trabalho à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Entre uma das novidades, o Missal amplia as possibilidades para um bispo de permitir a comunhão sob duas espécies.
Eucaristia
Em sua mensagem, o Papa, recordando São Francisco de Assis, patrono da Itália, explica que a vida deste santo coincidiu precisamente com a reforma litúrgica do Papa Inocêncio III e do Concílio Lateranense IV.
Esta reforma supôs, entre outras coisas, a introdução do “Breviário”, assim como a inserção do termo “transubstanciação” na profissão de fé.
Precisamente, afirma o Papa, São Francisco era um grande devoto da eucaristia. “Da participação na Santa Missa e do receber com devoção a Santa Comunhão brota a vida evangélica de São Francisco e sua vocação para percorrer o caminho de Cristo Crucificado”.
O santo tinha também grande estima pelos sacerdotes convidava seus frades a recordar-lhes a importância de que levassem uma vida santa e coerente.
“O Santo de Assia não deixava de contemplar como o Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, humilhou-se até se esconder, para nossa salvação, na pouca aparência do pão”, explica o Papa.
“Perante este dom, queridos irmãos, que responsabilidade de vida se desprende para cada um de nós”, disse.
Educação e família
Por outro lado, o Papa referiu-se ao plano pastoral dos bispos italianos dedicado a como enfrentar a “emergência educativa”.
A atual crise que o homem contemporâneo atravessa, assinala Bento XVI, é na realidade uma “crise de confiança na vida” e influencia “de forma relevante no processo educativo, no qual as referências seguras se fazem fugazes”.
Indicadores desta crise são, afirma, o “eclipse do sentido de Deus e o ofuscamento da dimensão da interioridade, a formação incerta da identidade pessoal no contexto plural e fragmentado, as dificuldades do diálogo entre gerações, a separação entre inteligência e afetividade”.
O homem contemporâneo “investiu muitas energias no desenvolvimento da ciência e da técnica”, mas este progresso “aconteceu frequentemente às custas dos fundamentos do cristianismo, nos quais se enraíza a história fecunda do continente europeu”.
“A esfera moral foi confinada ao âmbito subjetivo e Deus, quando não é negado, é contudo excluído da consciência pública”.
Perante isso, é necessária “uma relação pessoal de fidelidade entre sujeitos ativos, protagonistas da relação, capazes de tomar partido e pôr em jogo sua própria liberdade”.
Esta nova visão deve necessariamente “partir de uma nova proximidade à família, que reconheça e apoie sua primazia educativa: é dentro dela onde se molda o rosto de um povo”.

Fonte: Zenit.

Bento XVI levou à Espanha harmonia entre laicidade e fé

Bento XVI levou à Espanha a harmonia entre laicidade e fé, uma mensagem de "diálogo", não de "ruptura e desencontro", afirma o cardeal Julián Herranz Casado.

Presidente emérito do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, o purpurado, nascido em Baena (Córdoba), em 1930, um dos mais importantes especialistas em Direito Canônico, compartilha com ZENIT suas vivências nos dois dias junto ao Papa em seu país natal.

O Santo Padre, no avião papal, defendeu o encontro entre laicidade e fé, algo que alguns meios de comunicação interpretaram mais como um desencontro. O senhor acha que, depois desta visita apostólica, fica mais clara, na opinião pública, a proposta de Bento XVI sobre as relações entre Igreja e Estado?

Cardeal Herranz: Esses meios aos que você se refere parece que interpretam em geral qualquer informação ou fato sobre a relação Igreja-Estado seguindo sua conhecida ideologia agnóstica e relativista. Isso infelizmente levou os leitores - acho eu - a atitudes agressivas, a fomentar rupturas e desencontros, quando na verdade, conhecendo Bento XVI, há uma constante vontade de diálogo, de encontro sereno e construtivo. Na realidade, Bento XVI, tanto nesta viagem como em sua última viagem ao Reino Unido e em muitas outras ocasiões, voltou a propor, com o espírito evangelizador que lhe é característico, e sem fazer política, um tipo de sociedade na qual a harmonia entre fé e razão é a medida do verdadeiro humanismo e na qual um conceito sadio de laicidade, que respeita a dignidade da pessoa e seus direitos inalienáveis, entre eles a liberdade religiosa, de culto e de consciência, permite superar o fundamentalismo laicista, hostil - não só na Espanha e em outras nações europeias, mas também em outros lugares do mundo. Mas a vontade de Bento XVI foi, em todo momento, na Espanha e fora dela, completamente positiva, construtiva, de diálogo e harmonia, nunca de ruptura ou desencontro, mas de encontro.

O Papa confirmou na Sagrada Família a visão antropológica cristã sobre a família. Trata-se de uma visão sumamente positiva e propositiva, mas em muitos meios de comunicação se interpretou como um "ataque" ao modelo de sociedade atual. Por que não se percebe como positiva a mensagem evangélica de amor e fidelidade na nossa sociedade?

Cardeal Herranz: Eu acho que o Papa, com grande satisfação da imensa maioria das famílias espanholas, que constituem a sociedade atual, e do sentir do povo, repetiu que deve ser considerado casamento somente a união de um homem com uma mulher, união estável, aberta à fecundidade, e recordou que este é o verdadeiro fundamento da família, instituição natural e célula fundamental na sociedade. Esta é a visão que ele dá, a visão da reta antropologia, que inspirou, por exemplo, a mensagem enviada nestes dias pelo presidente da república italiano, Giorgio Napolitano, ao Fórum das Famílias. Esta visão do amor humano e da família incomoda os que se inspiram nessa ideologia do relativismo e do agnosticismo, que fundamenta muitos meios de comunicação, e tentam continuamente opor-se à sociedade real, impondo essa filosofia contrária à visão não só cristã, mas retamente antropológica do casamento e da família. Na verdade, é essa filosofia relativista que, negando fundamentalmente valores humanos e sociais fundamentais, ataca a sociedade atual.

Em Santiago de Compostela, o Papa mostrou as raízes cristãs da Europa, algo que, no âmbito institucional parece tratar-se de um debate superado, e convidou a não ter medo de Deus. O que o senhor recomendaria aos leigos e sacerdotes para que o mundo volte a redescobrir a Igreja como "abraço de Deus", à luz das palavras do Santo Padre?

Cardeal Herranz: Em primeiro lugar, que devemos ir ao encontro de todas as pessoas com espírito cristão, isto é, criando pontes de amizade, de compreensão, de confiança, para oferecer-lhes, com a palavra e com o testemunho de vida, o tesouro do Evangelho. O Santo Padre falou do "tesouro do Evangelho" várias vezes nestes dias. Assim, descobrirão ou voltarão a compreender com nova luz o verdadeiro fundamento da felicidade e da esperança, porque o cristianismo é isso, o abraço de Deus aos homens, o encontro com a Verdade encarnada, com Cristo, que revela ao homem não somente o mistério de Deus, mas também o mistério do homem, a excelsa dignidade da sua natureza e o seu destino eterno.

O senhor acompanhou o Santo Padre nesses dois dias. Qual foi o momento que mais o marcou na viagem?

Cardeal Herranz: Eu diria que me impressionaram todos os momentos, porque eu o vi - apesar dos anos - pensar, falar e agir com a juventude madura e permanente de um enamorado do amor de Cristo. Digo dessa maneira porque eu o vejo assim. Se você me pedir que mencione algum momento concreto, eu diria que foi a visita à Obra do Menino Deus, dirigida pelas religiosas franciscanas, onde o vi particularmente emocionado, com profunda ternura, ouvindo aquela frase de uma menina com síndrome de Down que comoveu todos nós. Ela disse: "Ainda que sejamos diferentes, nosso coração ama como todos os corações e queremos ser amados". Isso arrancou um aplauso imenso das pessoas, ao qual se uniu em primeiríssima pessoa o Santo Padre, porque foi comovente, não só para ele, mas para todos os demais. Nessa mesma ocasião, o Papa recordou que, pela manhã, havia consagrado a magnífica basílica da Sagrada Família e acrescentou: "Toda pessoa é um verdadeiro santuário de Deus, que deve ser tratada com sumo respeito e carinho, sobretudo quando se encontra em necessidade". Para mim, este foi o momento mais marcante, pela forma como o Papa aproveitou para defender o sentido divino e a maravilha também humana de qualquer vida, ainda aquela que pode parecer mais cheia de limitações.

Fonte: Zenit.

Espanha: visita do Papa é líder de audiência nas emissoras públicas

Somente na emissora de televisão pública espanhola, quase 12,4 milhões de espectadores viram, em algum momento, a visita de Bento XVI a Santiago de Compostela e Barcelona, de acordo com a Rádio e Televisão Espanhola (TVE).
Na rede pública galega, a audiência acumulada chegou a mais de 1 milhão de pessoas e na rede catalã, a mais de um milhão e seiscentas mil.
Durante o fim de semana, TVE emitiu um total de 2 horas de informação exclusiva sobre a visita papal às duas cidades espanholas.
A Missa do domingo na Igreja da Sagrada Família, em Barcelona, foi vista por 931.000 espectadores. A do sábado, em Santiago de Compostela, por 593.000 espectadores.
As emissoras encarregadas de gerar o sinal das imagens oficiais da visita do Papa Bento XVI a Santiago e Barcelona foram precisamente as locais Televisão da Galícia e da Catalunha. As imagens foram repassadas a mais de mil redes de televisão em todo o mundo.
Para isso, destinaram recursos humanos e técnicos extraordinários. A TV da Galícia utilizou 60 câmeras para cobrir todo o percurso papal desde o aeroporto até o centro da cidade, além das celebrações na catedral, a Missa na Plaza del Obradoiro e a volta ao aeroporto.
Foram mais de 500 profissionais, entre técnicos e jornalistas, trabalhando na cobertura da visita pela emissora galega.
A TV3, da Catalunha, informou que também utilizou 60 câmeras dotadas de tecnologia de última geração, além de um helicóptero. Os espectadores puderam assistir imagens captadas em equipamentos 3D, câmeras "aranha" que passeavam pela parte superior da catedral e numerosas microcâmeras que não perdiam nenhum movimento do Pontífice nem os detalhes da celebração.
De acordo com a Conferência Episcopal Espanhola, mais de 150 milhões de pessoas ao redor do mundo puderam acompanhar a visita do Papa, incluindo os internautas, que puderam acompanhar a transmissão ao vivo.

Fonte: Zenit.

Termina encontro anual dos bispos orientais católicos da Europa

Foi encerrado o encontro anual dos bispos orientais católicos da Europa, em Sofia (Bulgária), de 5 a 7 de novembro, com o tema "Os critérios de eclesialidade das Igrejas orientais católicas e realidades de hoje".
O encontro, de acordo com os organizadores num comunicado, foi motivado pelo 150º aniversário da união da Igreja Católica Oriental da Bulgária com Roma.
Neste ato, patrocinado pela segunda vez pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), participaram os cardeais Péter Erdő, arcebispo de Esterzgom-Budapeste e presidente do CCEE, e Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, junto a 35 bispos em representação das diversas Igrejas orientais católicas em diversas partes da Europa.
Estavam presentes também alguns representantes de dicastérios vaticanos pertencentes à Congregação para as Igrejas Orientais e ao Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.
O encontro dos prelados, que incluiu também visitas a Sofia e a Plovdiv, duas cidades emblemáticas na história cristã da Bulgária, foi marcado por várias celebrações litúrgicas e por uma série de conferências.
O êxito do evento, ressaltam os organizadores, "mostrou o critério da eclesialidade das Igrejas católicas orientais que se encontram precisamente em sua plena comunhão com a Sé Apostólica de Pedro".
No último dia 4 de novembro, na sede do exarcado de Sofia, ocorreu a comemoração dos 150 anos desta união, por meio nde duas apresentações da história da Igreja Católica de rito bizantino eslavo.
Participaram desta celebração Dom Christo Proykov, o cardeal Erdő, o núncio apostólico na Bulgária, Dom Januariusz Bolonek, representantes do governo búlgaro e o presidente da República, Georgi Părvanov.
No dia 5 de novembro, teve início o verdadeiro encontro, com um breve ofício de defuntos na tradição bizantina eslava, em memória de Dom Eleuterio Fortino, falecido no último dia 22 de setembro e cuja presença tinha sido prevista na inauguração.
Seu lugar foi ocupado pelo arquimandrita Pe. Manuel Nin, reitor do Colégio Pontifício Grego de Roma. Seguiu uma intervenção de Dom Antonio Maria Vegliò, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, com o tema "Estruturas pastorais para os imigrantes católicos das Igrejas orientais".
Necessidades pastorais
Em seu informativo, Dom Vegliò salientou "a realidade da acolhida pastoral dos imigrantes orientais católicos e os problemas para encontrar ou criar estruturas pastorais que lhes permitam seguir adiante com sua vida cristã na diáspora".
No dia 5 também se celebrou uma liturgia presidida pelo exarca Proykov, em Plovdiv, comemorando os mártires greco-católicos da perseguição comunista.
O exarca lembrou, emocionado, o jubileu anterior, o centenário celebrado em 1960, quando a Igreja Greco-Católica tinha sido quase aniquilada. Nessa Missa, ele mesmo ajudou como acólito, com o bispo e o único sacerdote que permaneceram com vida e fora da prisão naquela época.
Na Igreja dedicada ao Beato João XXIII, construída no terreno adquirido por ele quando era representante pontifício na Bulgária, o exarca de Sofia apresentou a história do exarcado, relembrando seus principais momentos, desde a fundação ate o martírio e o renascimento atual.
O próximo encontro dos bispos orientais será em Oradea (Romênia) com o tema "Sereis minhas testemunhas: a evangelização nas Igrejas Orientais Católicas da Europa".

Fonte: Zenit.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cinco bispos anglicanos renunciam para entrar na Igreja Católica

Cinco bispos anglicanos da igreja da Inglaterra anunciaram hoje sua renúncia ao ministério nessa igreja e sua decisão de unir-se a um ordinariato pessoal para anglicanos, em plena comunhão com a Igreja Católica.
A constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, publicada há um ano, abriu o caminho para que comunidades anglicanas possam entrar na Igreja Católica através do estabelecimento de ordinariatos pessoais, com características semelhantes às de uma diocese não territorial, uma nova estrutura canônica.
Dessa forma, poderão reconhecer o primado do Papa, mantendo elementos próprios de sua tradição litúrgica e espiritual.
Entre os bispos anglicanos do Reino Unido que anunciaram sua renúncia, encontram-se: Andrew Burnham, bispo de Ebbsfleet, Keith Newton, bispo de Richborough, e John Broadhurst, bispo de Fulham. Estes três prelados eram familiarmente conhecidos como "bispos voadores", pois atendiam espiritualmente os fiéis de diferentes dioceses anglicanas que não aceitaram a ordenação de mulheres como sacerdotisas.
Também se anunciou a renúncia de outros dois bispos: Edwin Barnes, antigo pastor anglicano de Richborough, e o bispo auxiliar afastado, David Silk, de Exeter.
O comunicado assinado pelos 5 bispos explica que todos eles acompanharam durante anos o processo de diálogo entre anglicanos e a Igreja Católica, iniciado após o Concílio Vaticano II, "com oração e profundo anseio".
"Ficamos consternados, nos últimos 30 anos, ao ver que anglicanos e católicos se separavam cada vez mais em algumas questões de vida diária, em particular ao ver diversas decisões em assuntos de fé e disciplina no anglicanismo, que, segundo o que acreditamos, são incompatíveis com a vocação histórica do anglicanismo e a tradição de dois mil anos da Igreja."
Explicam que, para eles, a Anglicanorum Coetibus foi uma resposta aos anglicanos que buscam a unidade com Roma: "Com os ordinariatos, estabelecem-se estruturas canônicas por meio das quais poderemos levar nossa experiência de discipulado cristão à comunhão plena com a Igreja Católica que abrange o mundo inteiro e todas as épocas".
"Trata-se tanto de uma resposta generosa da Santa Sé a quem pediu ajuda, como também de um novo e valente instrumento ecumênico para a busca da unidade dos cristãos, unidade pela qual o próprio Cristo orou antes de sua paixão e morte. Trata-se de uma unidade que, acreditamos, é possível somente na comunhão eucarística com o sucessor de Pedro."
Os cinco afirmam que, "como bispos, cuidamos de todos, dos que compartilham nossa posição e daqueles que assumiram uma postura diferente. Agora chegamos ao momento no qual devemos declarar formalmente nossa posição e convidar outros a unir-se ao nosso caminho. Portanto, cessará imediatamente nosso ministério episcopal público, renunciando às nossas responsabilidades pastorais na igreja da Inglaterra. Isso terá efeito a partir de 31 de dezembro de 2010. Buscamos unir-nos a um ordinariato quando este for criado".
Os prelados agradecem à igreja anglicana da Inglaterra por tudo o que "significou para n'so e tudo o que nos deu durante estes anos; e esperamos manter uma relação próxima e cálida, orando e trabalhando juntos pela vinda do Reino de Deus".
Resposta anglicana
Em resposta ao anúncio, o primaz da Comunhão Anglicana, o arcebispo Rowan Williams, da Cantuária, publicou um comunicado hoje no qual aceitava com "pesar" as renúncias dos bispos, "que decidiram que seu futuro no ministério cristão passa pelas novas estruturas propostas pelo Vaticano".
"Desejamos-lhes o melhor no novo passo do seu serviço à Igreja", acrescentou, agradecendo-lhes pelo "seu fiel trabalho pastoral na igreja da Inglaterra durante muitos anos".
A associação internacional de anglicanos que se opõem à ordenação de mulheres como sacerdotisas ou bispas, Forward in Faith, assegurou aos bispos que apresentaram sua renúncia "o amor, as orações e o apoio de todos os seus membros, além do seu agradecimento pelo ministério que desempenharam ao seu serviço".
"Também asseguramos ao arcebispo da Cantuária e ao bispo de Londres nossas orações, enquanto buscamos discernir como serão substituídas as sedes vacantes de Ebbsfleet, Richborough e Fulham", acrescentam.
Resposta católica
Dom Alan Hopes, bispo auxiliar de Westminster, a sede católica da capital britânica, acolheu positivamente a decisão, em um comunicado emitido em nome da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales. O episcopado católico, revelou, "está vendo como estabelecer o ordinariato" e assegura "as cordiais boas-vindas, que estendemos a todos os que querem fazer parte dele".
Os prelados católicos da Inglaterra e Gales convocaram uma reunião sobre este tema e, após sua realização, poderão oferecer maiores informações.
Até o momento, não se criou nenhum ordinariato para anglicanos que entram em comunhão plena com a Igreja Católica, ainda que comunidades anglicanas do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá manifestaram sua intenção de unir-se à Igreja Católica.
Por sua vez, o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, confirmou hoje que a Santa Sé está estudando a constituição do ordinariato, segundo as normas estabelecidas pela constituição apostólica Anglicanorum coetibus e que "as eventuais decisões serão comunicadas no momento oportuno".
Explicação de um protagonista
No mês passado, o bispo anglicano John Broadhurst, de Fulham, já havia anunciado sua intenção de apresentar sua renúncia, em um encontro de Forward in Faith, associação da qual é presidente. Em seu anúncio, mencionou numerosos motivos, entre os quais o mais importante é a ordenação de mulheres. Ele continuará fazendo parte do Forward in Faith International, pois não faz parte da igreja da Inglaterra.
ZENIT falou com o bispo Broadhurst pelo telefone e ele revelou que sua decisão foi tomada após um discernimento na oração, e que pensou em sua união à Igreja Católica durante 45 anos.
Diante da pergunta sobre a possibilidade de manter um ministério ativo na Igreja Católica, o bispo Broadhurst respondeu: "Farei o que o Papa quiser e permitir. Como sacerdote, tenho uma responsabilidade e, se me for permitido, continuarei desempenhando-a".
O bispo revelou a ZENIT que outros anglicanos estão pensando em dar este passo de unidade com Roma, "mas, de qualquer forma, cada um tem de tomar sua própria decisão. Esta é apenas a minha decisão".

Fonte: Zenit.

Cristãos horrorizados com ataques em Bagdá

“Este último ataque terrorista fez aumentar o medo e contribuiu para destruir a esperança”. Foi o que disse Dom Jean Sleiman, arcebispo latino de Bagdá, ao comentar o massacre de 31 de outubro.
Em uma entrevista a AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), o prelado reconheceu o terrível impacto que o ataque teve nos cristãos iraquianos.
“Os cristãos estão profundamente assustados. Mas tentam superar essa horrível experiência”, disse.
No domingo 31 de outubro, um grupo de nove terroristas do “Estado Islâmico do Iraque” protagonizou o massacre na igreja católica síria de Nossa Senhora do Socorro, em Bagdá, com um balanço final de 58 mortos, entre eles três sacerdotes e várias crianças.
Nos dias seguintes, uma série de atentados indiscriminados contra a população civil deixou 64 mortos e 200 feridos.
Proteção
Segundo informa hoje L'Osservatore Romano, uma delegação de bispos cristãos manteve nesse domingo um encontro com o primeiro ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.
A delegação católica estava liderada pelo cardeal Emmanuel III Delly, patriarca de Babilônia dos Caldeus, e pelo arcebispo católico sírio de Bagdá, Athanase Matti Shaba Matoka.
Durante a reunião, o primeiro ministro pediu aos representantes cristãos que vigiem suas próprias igrejas em parceria com as forças de segurança nacionais.
Em declarações a Rádio Vaticano, Dom Shaba Matoka pediu ajuda urgente à Europa. “Pedimos que a Europa se ocupe dos cristãos no Oriente Médio. Nós queremos manter nossa presença no Iraque”.
Esse ataque “destruiu todas as nossas esperanças. Agora é muito difícil que as pessoas fiquem”, disse.
O arcebispo latino de Bagdá, Dom Sleiman, disse que os atentados evidenciam que os cristãos estão em uma situação muito perigosa.

Fonte: Zenit.

Importante encontro no Irã de representantes vaticanos e islâmicos

O cardeal Jean Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, encontra-se atualmente em Tehran (Irã), onde participará, a partir de amanhã, de um encontro importante com representantes muçulmanos.
Na capital iraniana, será realizado o 7º colóquio do dicastério com o Centro para o Diálogo Inter-Religioso do Islamic Culture and Relations Organization, com o tema "Religião e sociedade: perspectivas cristãs e muçulmanas", que terminará no próximo dia 11.
Junto ao cardeal Tauran, participará o secretário do dicastério, Dom Pier Luigi Celata, e o chefe do escritório para o Islã, Dom Khaled Akasheh.
A Igreja local estará representada pelo presidente da Conferência Episcopal do Irã, Dom Ramzi Garmou, arcebispo de Tehran dos Caldeus, e por Francesco Pirisi, vigário geral da arquidiocese de Ispahan dos Latinos.
Após a sessão inaugural, o colóquio será a portas fechadas. Haverá um comunicado no final das sessões. Também haverá uma conferência, em uma universidade de Tehran, que apresentará a professores e alunos o tema do encontro do ponto de vista cristão.
Os hóspedes vaticanos serão convidados a visitar Qom, cidade santa para os xiitas, que também é um importante centro de pesquisa e ensino religioso.

Fonte: Zenit.