Bento XVI anunciou que voltará a Roma, ao Vaticano, na próxima quinta-feira, dia 30 de setembro, depois de uma estadia de quase 3 meses em Castel Gandolfo, que incluiu alguns deslocamentos e viagens.
Neste verão boreal, o Papa não passou uns dias de férias nos Alpes, como nos anos anteriores, mas permaneceu quase todo o verão na residência papal de Castel Gandolfo, desde a quarta-feira, 7 de julho.
Retomou as audiências gerais das quartas-feiras no dia 4 de agosto, assim como as audiências privadas e as visitas ad limina.
"Queridos amigos - anunciou o Papa ontem, depois de rezar o Ângelus -, se Deus quiser, na quinta-feira que vem voltarei a Roma; então, desejando-vos um feliz domingo, dirijo um ‘até logo' cordial à comunidade de Castel Gandolfo."
Durante suas férias, o Papa viajou ao Reino Unido, de 16 a 19 de setembro, e também visitou Carpineto Romano, no dia 5 de setembro.
É possível que ele tenha preparado sua próxima visita a Palermo, programada para o dia 3 de outubro, e sua viagem à Espanha, em novembro.
Sem esquecer a música, o Pontífice também teria trabalhado em seu terceiro livro sobre Jesus de Nazaré e em uma quarta encíclica, talvez sobre a fé - depois de ter escrito sobre as duas outras virtudes teologais: a caridade (Deus caritas est) e a esperança (Spe salvi).
Bento XVI também recebeu, como todos os anos, seus ex-alunos do Ratzinger Schülerkreis, durante um encontro realizado de 27 a 29 de agosto, e o ex-bispo de Basileia e novo presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Kurt Koch, como convidado de honra, a quem o Papa recebeu em audiência no dia 29 de agosto.
Fonte: Zenit.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Jovem com perfil no Facebook vai ser beatificada
Jovens de todas as partes do mundo acompanham com ansiedade celebrações da Igreja Católica, marcadas para o próximo sábado (25) e domingo (26) em Roma. É quando o papa Bento XVI vai oficializar a beatificação de Chiara Badano, uma jovem italiana, que morreu em 1990. Uma candidata à santa bastante moderna, e com devotos que não poupam os recursos de comunicação atuais para fazê-la cada dia mais conhecida.
Não é comum que o rigoroso processo de canonização da Igreja reconheça tão rapidamente as virtudes de um cristão e o apresente como modelo de vida a ser seguido. No caso de Chiara Badano é ainda notável que as autoridades eclesiais tenham se convencido que uma garota de apenas 18 anos tenham alcançado um elevado grau de maturidade espiritual. A história de Chiara vem sendo divulgada nos últimos anos pelas mais diversas redes sociais da internet e o perfil dela no Facebook reúne mais de 10 mil pessoas, muitas não católicas , que não se cansam de manifestar a intenção de acompanhar a cerimônia na Itália.
A simpatia por Chiara parece ter relação com o seu estilo de vida absolutamente comum , combinado com uma fé religiosa demonstrada de modo particular um ano antes da sua morte, quando soube que tinha um tumor maligno nos ossos. Quem foi Chiara ?Chiara nasceu na cidadezinha de Sasselo, no norte da Itália. Filha única de pais que esperaram 11 anos pela gravidez tão desejada. Segundo a família, desde pequena demonstrou muita preocupação com os mais necessitados e no Jardim da Infância dizia que queria ser médica para cuidar dos doentes na África.
Os amigos contam que ela era uma criança alegre e bastante ativa, mas com uma sensibilidade para as coisas divinas.
Aos 9 anos de idade conheceu o movimento Gen (Geração Nova), um ramo juvenil do Movimento dos Focolares (www.focolares.org.br). Viveu a sua espiritualidade e pouco a pouco envolveu também os pais na proposta de colocar Deus em primeiro lugar de sua vida. Na adolescência se dividia entre os estudos e a prática de esportes. Um dos momentos mais marcantes da adolescência foi quando acabou reprovada na escola e teve que enfrentar a dor da humilhação e recomeçar. Sobre esse episódio ela escreveu:
«Este ano estou numa classe e numa seção nova, porque estou repetindo o ano. Quando entrei pela primeira vez na sala de aula tinha um certo receio, porque não conhecia ninguém e tinha medo de ser facilmente posta de lado pelos outros. Depois pensei que podia assemelhar-me um pouco a Jesus Abandonado e entrei cheia de alegria. Os colegas foram muito simpáticos comigo e já nos conhecemos todos. Então pedi a Jesus para estar sempre pronta a querer-lhes bem, em cada momento».
A jovem tinha freqüentes dores no ombro esquerdo, mas não dava importância. Aos 17 anos, durante uma partida de tênis, teve que largar a raquete porque a dor aguda a impedia de jogar.
Exames confirmaram que ela tinha um osteossarcoma, um tumor maligno muito grave. Os pais contam que ao receber o diagnóstico ela se fechou no quarto por 25 minutos em silêncio.
Ao sair, disse sorrindo à mãe que tinha conversado com Jesus através de uma oração e que estava disposta a aceitar o difícil tratamento que viria: “Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também”. O bispo de Turim a visitava no hospital e confirmou que todos, inclusive médicos ateus, ficavam desconcertados com o clima de paz e alegria que a jovem irradiava. Os amigos que a visitavam para consolá-la voltavam para casa consolados. Pouco antes de falecer, ela revelou: “Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus... Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar as pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque assim estou mais perto de Jesus”. Quando já era evidente que os esforços médicos não tinham efeito, viu a mãe preocupada e disse: “Confie em Deus, pois você fez tudo. Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente”. A Igreja Católica reconhece em Chiara Badano um exemplo que poderá inspirar muitos outros jovens a fazer a Vontade de Deus, nas circunstâncias mais simples até as mais dolorosas. A sua “fama de santidade” se estendeu imediatamente em várias partes do mundo. Em Campinas, a estudante da Unicamp, Cíntia Botelho Dias, diz que considera Chiara Badano um exemplo de que não é preciso se isolar do mundo para ter um relacionamento profundo com Deus. Ao ler a história da jovem italiana, ficou muito impressionada com a força que ela demonstrou nos momentos mais difíceis da doença. “ Sempre que me encontro com alguma dificuldade cotidiana me lembro que o meu sofrimento é muito pequeno perto do que ela passou e que, como ela, devo superar cada barreira.” Dom Livio Maritano, Bispo da Diocese de Acqui, no dia 11 de junho de 1999 abriu o Processo pela a Causa de Canonização. No dia 3 de julho de 2008 ela foi declarada Venerável com o reconhecimento do exercício heróico das virtudes teologais e cardeais. Milagre No dia 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI reconheceu um milagre atribuído à intercessão da Venerável Chiara Badano, e assinou o Decreto para a sua Beatificação.
Programação em Roma (horários de Brasília) Sábado, dia 25 de setembro 11h – Missa com o rito de beatificação, no Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor 15h30 - “Chiara Luce Badano LIFE LOVE LIGHT”. Programa que se realizará na grande sala de eventos Paulo VI, no Vaticano. O programa foi preparado por um grupo de jovens de diversas partes do mundo e tem o objetivo de comunicar a originalidade da vida de Chiara Luce com a linguagem do teatro, da música e dos testemunhos de vida. Domingo, dia 26 de setembro05h30 - Missa de agradecimento na Basílica São Paulo fora dos Muros. Mensagem do papa Bento XVI na Praça de São Pedro, em conexão com a Basílica de São Paulo fora dos Muros. Site oficial:
http://www.chiaralucebadano.it/
Site no Brasil: http://www.focolares.org.br/chiaraluce/
Youtubehttp://www.youtube.com/watch?v=kJ1j4CvjwEY
(sequência de slides com fotos e trechos da sua vida – Em português)
http://www.youtube.com/watch?v=dIWOkiOmSJ8&feature=related
(Em italiano - Entrevista com os pais de Chiara Luce a um programa de TV da Rai)
Fonte: EPTV
Não é comum que o rigoroso processo de canonização da Igreja reconheça tão rapidamente as virtudes de um cristão e o apresente como modelo de vida a ser seguido. No caso de Chiara Badano é ainda notável que as autoridades eclesiais tenham se convencido que uma garota de apenas 18 anos tenham alcançado um elevado grau de maturidade espiritual. A história de Chiara vem sendo divulgada nos últimos anos pelas mais diversas redes sociais da internet e o perfil dela no Facebook reúne mais de 10 mil pessoas, muitas não católicas , que não se cansam de manifestar a intenção de acompanhar a cerimônia na Itália.
A simpatia por Chiara parece ter relação com o seu estilo de vida absolutamente comum , combinado com uma fé religiosa demonstrada de modo particular um ano antes da sua morte, quando soube que tinha um tumor maligno nos ossos. Quem foi Chiara ?Chiara nasceu na cidadezinha de Sasselo, no norte da Itália. Filha única de pais que esperaram 11 anos pela gravidez tão desejada. Segundo a família, desde pequena demonstrou muita preocupação com os mais necessitados e no Jardim da Infância dizia que queria ser médica para cuidar dos doentes na África.
Os amigos contam que ela era uma criança alegre e bastante ativa, mas com uma sensibilidade para as coisas divinas.
Aos 9 anos de idade conheceu o movimento Gen (Geração Nova), um ramo juvenil do Movimento dos Focolares (www.focolares.org.br). Viveu a sua espiritualidade e pouco a pouco envolveu também os pais na proposta de colocar Deus em primeiro lugar de sua vida. Na adolescência se dividia entre os estudos e a prática de esportes. Um dos momentos mais marcantes da adolescência foi quando acabou reprovada na escola e teve que enfrentar a dor da humilhação e recomeçar. Sobre esse episódio ela escreveu:
«Este ano estou numa classe e numa seção nova, porque estou repetindo o ano. Quando entrei pela primeira vez na sala de aula tinha um certo receio, porque não conhecia ninguém e tinha medo de ser facilmente posta de lado pelos outros. Depois pensei que podia assemelhar-me um pouco a Jesus Abandonado e entrei cheia de alegria. Os colegas foram muito simpáticos comigo e já nos conhecemos todos. Então pedi a Jesus para estar sempre pronta a querer-lhes bem, em cada momento».
A jovem tinha freqüentes dores no ombro esquerdo, mas não dava importância. Aos 17 anos, durante uma partida de tênis, teve que largar a raquete porque a dor aguda a impedia de jogar.
Exames confirmaram que ela tinha um osteossarcoma, um tumor maligno muito grave. Os pais contam que ao receber o diagnóstico ela se fechou no quarto por 25 minutos em silêncio.
Ao sair, disse sorrindo à mãe que tinha conversado com Jesus através de uma oração e que estava disposta a aceitar o difícil tratamento que viria: “Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também”. O bispo de Turim a visitava no hospital e confirmou que todos, inclusive médicos ateus, ficavam desconcertados com o clima de paz e alegria que a jovem irradiava. Os amigos que a visitavam para consolá-la voltavam para casa consolados. Pouco antes de falecer, ela revelou: “Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus... Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar as pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque assim estou mais perto de Jesus”. Quando já era evidente que os esforços médicos não tinham efeito, viu a mãe preocupada e disse: “Confie em Deus, pois você fez tudo. Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente”. A Igreja Católica reconhece em Chiara Badano um exemplo que poderá inspirar muitos outros jovens a fazer a Vontade de Deus, nas circunstâncias mais simples até as mais dolorosas. A sua “fama de santidade” se estendeu imediatamente em várias partes do mundo. Em Campinas, a estudante da Unicamp, Cíntia Botelho Dias, diz que considera Chiara Badano um exemplo de que não é preciso se isolar do mundo para ter um relacionamento profundo com Deus. Ao ler a história da jovem italiana, ficou muito impressionada com a força que ela demonstrou nos momentos mais difíceis da doença. “ Sempre que me encontro com alguma dificuldade cotidiana me lembro que o meu sofrimento é muito pequeno perto do que ela passou e que, como ela, devo superar cada barreira.” Dom Livio Maritano, Bispo da Diocese de Acqui, no dia 11 de junho de 1999 abriu o Processo pela a Causa de Canonização. No dia 3 de julho de 2008 ela foi declarada Venerável com o reconhecimento do exercício heróico das virtudes teologais e cardeais. Milagre No dia 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI reconheceu um milagre atribuído à intercessão da Venerável Chiara Badano, e assinou o Decreto para a sua Beatificação.
Programação em Roma (horários de Brasília) Sábado, dia 25 de setembro 11h – Missa com o rito de beatificação, no Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor 15h30 - “Chiara Luce Badano LIFE LOVE LIGHT”. Programa que se realizará na grande sala de eventos Paulo VI, no Vaticano. O programa foi preparado por um grupo de jovens de diversas partes do mundo e tem o objetivo de comunicar a originalidade da vida de Chiara Luce com a linguagem do teatro, da música e dos testemunhos de vida. Domingo, dia 26 de setembro05h30 - Missa de agradecimento na Basílica São Paulo fora dos Muros. Mensagem do papa Bento XVI na Praça de São Pedro, em conexão com a Basílica de São Paulo fora dos Muros. Site oficial:
http://www.chiaralucebadano.it/
Site no Brasil: http://www.focolares.org.br/chiaraluce/
Youtubehttp://www.youtube.com/watch?v=kJ1j4CvjwEY
(sequência de slides com fotos e trechos da sua vida – Em português)
http://www.youtube.com/watch?v=dIWOkiOmSJ8&feature=related
(Em italiano - Entrevista com os pais de Chiara Luce a um programa de TV da Rai)
Fonte: EPTV
A fecundidade do perdão contra a lógica do ódio
Apenas "a fecundidade do perdão diante da estéril alternativa do ódio e da vingança" poderá levar paz ao Oriente Médio. É o que afirmava Dom Luigi Padovese, frade menor capuchinho e presidente dos bispos turcos, assassinado dia 3 de junho, em Iskenderun, Turquia.
Em uma carta de 3 de abril, endereçada a Irmã Clara Laura Serboli, abadesa do Monastério de Santa Clara de Camerino, com motivo da canonização da beata Camila Battista da Varano (17 de outubro), o bispo fez essas afirmações. O texto foi publicado integralmente na revista das clarissas da Itália.
"As Igrejas do Oriente Médio - escreve Dom Padovese, que colaborou ativamente na preparação do Instrumentum laboris do Sínodo do Oriente Médio - vivem há muito tempo situações de grande tribulação, que frequentemente culminam em atos de verdadeira perseguição, como acontece, lamentavelmente, todos os dias, no Iraque e em outros países".
"Não é casual - acrescenta - que o tema central do Sínodo seja ‘A Igreja católica no Oriente Médio: comunhão e testemunho'. O próprio Bento XVI, ao escolher este tema, quis destacar a necessidade e a sede de paz que o Oriente Médio vive. A proposta do Papa nos convida a refletir sobretudo no tema da comunhão e do testemunho que a Igreja está chamada a dar no contexto de um território tão atormentado como o nosso".
Na carta, Dom Padovese pede à comunidade das clarissas de Camerino, Itália, que rezem para que "esta terra martirizada transforme tanta dor em invocação de paz e anúncio de perdão. Os trágicos fatos políticos que afetaram a família de Camilla Battista, até chegar ao extermínio de seus entes queridos e ao exílio para ela, ainda em sua dramaticidade, não venceram a esta mulher. Ela teve a força interior de orar por seus inimigos até transformar o ódio em motivo de perdão e de amor heroico".
Para o bispo, "estas mesmas virtudes, hoje, após 500 anos, são um modelo para toda Igreja e para todos os homens. Por isso, posso dizer que, também para os cristãos de nossas comunidades humilhadas pela perseguição e a violência, a beata Camilla Battista pode converter-se em um exemplo de reconciliação e numa ocasião para reencontrar esperança, indo à fonte da Paixão de Cristo".
Fonte: Zenit.
Em uma carta de 3 de abril, endereçada a Irmã Clara Laura Serboli, abadesa do Monastério de Santa Clara de Camerino, com motivo da canonização da beata Camila Battista da Varano (17 de outubro), o bispo fez essas afirmações. O texto foi publicado integralmente na revista das clarissas da Itália.
"As Igrejas do Oriente Médio - escreve Dom Padovese, que colaborou ativamente na preparação do Instrumentum laboris do Sínodo do Oriente Médio - vivem há muito tempo situações de grande tribulação, que frequentemente culminam em atos de verdadeira perseguição, como acontece, lamentavelmente, todos os dias, no Iraque e em outros países".
"Não é casual - acrescenta - que o tema central do Sínodo seja ‘A Igreja católica no Oriente Médio: comunhão e testemunho'. O próprio Bento XVI, ao escolher este tema, quis destacar a necessidade e a sede de paz que o Oriente Médio vive. A proposta do Papa nos convida a refletir sobretudo no tema da comunhão e do testemunho que a Igreja está chamada a dar no contexto de um território tão atormentado como o nosso".
Na carta, Dom Padovese pede à comunidade das clarissas de Camerino, Itália, que rezem para que "esta terra martirizada transforme tanta dor em invocação de paz e anúncio de perdão. Os trágicos fatos políticos que afetaram a família de Camilla Battista, até chegar ao extermínio de seus entes queridos e ao exílio para ela, ainda em sua dramaticidade, não venceram a esta mulher. Ela teve a força interior de orar por seus inimigos até transformar o ódio em motivo de perdão e de amor heroico".
Para o bispo, "estas mesmas virtudes, hoje, após 500 anos, são um modelo para toda Igreja e para todos os homens. Por isso, posso dizer que, também para os cristãos de nossas comunidades humilhadas pela perseguição e a violência, a beata Camilla Battista pode converter-se em um exemplo de reconciliação e numa ocasião para reencontrar esperança, indo à fonte da Paixão de Cristo".
Fonte: Zenit.
Reconstruir a confiança entre cristãos e hindus
O principal desafio que a Igreja enfrenta na Índia não é a reconstrução dos edifícios destruídos pela violência anticatólica dos fundamentalistas hindus, mas restaurar a confiança inter-religiosa, segundo afirma o bispo de Orissa.
Dom Sarat Chandra Nayak está à frente da diocese de Berhampur, no estado de Orissa. Nessa região, só em 2008, cerca de 300 aldeias cristãs e 4 mil casas foram destruídas por fundamentalistas hindus.
Nesta entrevista concedida ao programa "Deus chora na terra", da Catholic Radio and Television Network (CRTN), em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre, o bispo fala da violência anticristã da região, dos fatores que agravam as relações entre hindus e católicos e da esperança que tem, apesar destas dificuldades.
Por que Orissa é um dos estados menos desenvolvidos da Índia?
Dom Nayak: As pessoas se dedicam à agricultura. A região costeira é cerca de 20% de toda a área geográfica e o resto é região montanhosa, onde vive a maioria das pessoas conhecidas como dalits.
De fato, cerca de 40% da população é dalit. Por quê? Os dalits estão lá porque, quando as castas mais altas ocuparam a terra fértil das regiões costeiras, não tiveram lugar ao seu lado, então tiveram de se transladar às selvas e às regiões mais altas, nas quais não há terra cultivável.
Qual é seu lema episcopal e por que o escolheu?
Dom Nayak: Meu lema é "Ser um servo feliz". As pessoas podem ser servas, mas podem não ser felizes. São forçadas e obrigadas a fazer coisas, mas eu gostaria de ser um servo feliz.
Antes, percebi que, quando sua cruz virou, estava escrito atrás Duc in Altum. O senhor também escolheu esta frase? Por quê?
Dom Nayak: Não a escolhi, eu a recebi assim; mas este também é meu ponto de vista e meu desejo.
Depois do convite de João Paulo II?
Dom Nayak: Sim.
Ele foi um modelo para o senhor?
Dom Nayak: Sim, tenho que dar 100% de mim. Como bispo, não estou aí para resolver todos os problemas, mas o que posso fazer é me doar 100%.
Excelência, o estado de Orissa se destaca, infelizmente, pela violência contra os cristãos. O senhor poderia nos dar uma ideia de por que existe esta violência contra os cristãos e de onde ela vem?
Dom Nayak: Por que esta violência? A fonte da violência vem certamente dos radicais hindus, não há dúvida sobre isso, ainda que hoje em dia apresente formas diversas.
As pessoas veem facetas diversas, que é o que torna essa violência complicada; não é vista somente como violência comunal, porque existem outros aspectos.
Por exemplo, razões econômicas: os comerciantes, os homens de negócios destas regiões altas, são, em sua maioria, da planície e são das castas mais altas. Sempre trabalharam com negócios. Agora, graças à educação, os dalits e os membros das tribos estão criando seus negócios e tornando-se empresários. Isso obstaculiza as pessoas de negócios do local, que são hindus. Assim, tentam criar problemas inflamando os sentimentos religiosos para danificar os negócios dos dalits e dos membros das tribos locais. Isso aconteceu em 2007.
A primeira distração e o primeiro ataque foi contra as lojas cristãs, as explosões. Então, há uma razão econômica.
Em toda Orissa, especialmente nessas preocupantes regiões, os homens de negócios vêm das castas mais altas.
Acho que é importante esclarecer que a maioria dos cristãos é dalit.
Dom Nayak: Sim, 60% dos cristãos são dalits; 38% deles podem pertencer às tribos e os demais são de outras castas.
Então, o primeiro ataque era econômico, porque os homens de negócios se sentiram ameaçados pelo crescente desenvolvimento da população dalit nos negócios. Existe também alguma razão política?
Dom Nayak: Sim, há uma razão política. Os dalits e os membros das tribos desta região representam 40% de toda a população de Orissa e quando se unem, tornam-se uma grande força política. Por isso, a casta mais alta tenta dividir estas duas comunidades. Então, há outra faceta; converte-se em uma luta entre os membros das tribos e os dalits.
Provocado por quem?
Dom Nayak: Por forasteiros, pessoas das castas mais altas cujos interesses estão em jogo quando esses dois grupos se unem.
Acho que é importante que falemos da nota do Conselho de Cristãos Indianos. Catalogaram parte desta violência. Foram analisados 92 incidentes de violência contra os cristãos. Por exemplo, 4 cristãos foram assassinados em espadas por uma multidão de cerca de mil nacionalistas hindus; 2 freiras foram estupradas em público e 1 sacerdote de um centro pastoral, o Pe. Thomas, foi gravemente espancado, desnudado e escarnecido.
A violência é muito dramática, além das casas queimadas, igrejas atacadas, conventos destruídos; há muita agressão.
Em dezembro de 2007, o ataque se dirigiu contra instituições e não contra as pessoas. Por quê? Porque os fundamentalistas hindus acreditavam que, devido aos nossos serviços - as escolas, a saúde, a "ajuda" social à população -, as pessoas se sentiam atraídas pelo cristianismo. Por isso aumenta em número.
Seu objetivo era destruir estas instituições através dos que prestam um serviço cristão às pessoas. Mas não se sentiram satisfeitos com isso; dessa vez, atacaram as pessoas, as instituições, para traumatizar, para criar medo e não continuar com seu ministério.
Não atacaram somente um sacerdote; houve ataques mortais contra 3 sacerdotes. Um deles foi o Pe. Thomas; outro era o tesoureiro da arquidiocese de Bubaneshwar, Pe. Bernard; e o Pe. Edward de Sambalpur, Rourkela.
E os mataram?
Dom Nayak: Não, mas os espancaram gravemente.
A tática que usam é o medo? Os cristãos estão abandonando a região? Eles têm medo pela sua fé? Estão abandonando sua fé?
Dom Nayak: Após atacar as pessoas, o ataque se dirigiu às aldeias, e nas aldeias destruíram casas; e nas casas que não destruíram, disseram aos cristãos que, ou se tornavam hindus, ou sua vida estaria em jogo e suas propriedades poderiam ser destruídas.
Dessa forma, são forçados a se converter e alguns deles cedem.
Eles se convertem?
Dom Nayak: Sim, há muitos casos, mais de mil. Agora não tenho o número exato, mas antes de vir para a Europa, mais de mil tinham se tornado hindus.
Se os cristãos são uma porcentagem pequena da população, por que os hindus se sentem ameaçados?
Dom Nayak: Há muitas razões pelas quais existe esta percepção de ameaça. Primeiro, porque ainda que os cristãos sejam apenas 2%, nosso serviço em termos de educação, serviços sociais, saúde, representa quase 20% - serviços que estamos oferecendo.
E eles dizem que esta é a razão do aumento de conversões na região, então este é um motivo; eles se veem ameaçados pelo aumento numérico. No entanto, quando se considera o total da população atual, depois de muitos anos, não se vê um aumento significativo da população cristã.
Permaneceu constante.
Dom Nayak: Sim, mais ou menos permaneceu constante, mas os hindus sempre insistem: conversão, conversão, conversão, e o medo se deve à experiência histórica com os britânicos.
Os britânicos vieram para fazer negócios, depois conquistaram a Índia e a governaram durante 200 anos; então aconteceu a cristianização e a conversão. Por isso, se o número de cristãos aumentar, eles podem assumir o controle da Índia.
E a conquistarão.
Dom Nayak: Sim, a conquistarão; e este é o medo - um medo infundado. Somos cristãos, somos indianos, não estrangeiros.
Sim, e também há uma ameaça, se entendi direito, no próprio sistema de castas?
Dom Nayak: Sim, este é um motivo: pelo domínio político.
O segundo motivo é o sistema de castas; o hinduísmo está fundido com o sistema de castas. Os hindus, aqueles que têm o domínio, os brâmanes, pensam que, sem o sistema de castas, seu domínio não continuaria; então, quando o cristianismo propaga o valor da igualdade para todos, eles se sentem ameaçados.
Eles têm medo?
Dom Nayak: Têm medo de perder seu poder e seu domínio sobre as pessoas.
Especialmente de que a maioria dos cristãos convertidos venha da casta mais baixa?
Dom Nayak: Dos dalits e dos membros das tribos; antes os utilizavam em seu próprio benefício, agora não podem utilizá-los, porque o cristianismo lhes dá direitos iguais e a educação lhes dá um "estímulo" econômico; então os das castas mais altas se sentem ameaçados e seu domínio parece prejudicado.
Se o cristianismo continua crescendo e se ensina aos cristãos que todos são iguais, isso é uma ameaça ao sistema de castas. Não acontecerá em algum momento que os dalits se perguntem por que são tratados de forma diferente?
Dom Nayak: Sim, é uma verdadeira ameaça ao sistema de castas. Por que deveria haver um sistema de castas, que faz que as pessoas tenham menos valor que uma vaca, menos que um animal? Os hindus tratam e respeitam as vacas como deuses, mas não respeitam os seres humanos; nem todos os hindus são assim, mas existem grupos que pensam ser os guardiões do hinduísmo.
Temos 84% de hindus na Índia; em Orissa, mais de 90%; e vivemos juntos, felizes, e nos respeitamos uns aos outros; eles entendem o valor e a dignidade humanos, mas há um pequeno grupo, que é o que domina.
Acho que talvez também seja importante indicar que é um grupo de extremistas fundamentalistas que esteve provocando esta violência - em muitos casos, os cristãos que eram perseguidos buscaram refúgio com famílias hindus e foram bem recebidos e acolhidos por essas famílias.
Esta é a alegria e a esperança dada a nós e aos que são perseguidos: ainda há esperança de viver juntos.
Perdemos muitos edifícios e vidas; podemos reconstruí-los, mas o que se perdeu foi a confiança, a confiança entre as pessoas de grupos e religiões diferentes.
Viveram juntos durante gerações inteiras e agora se questionam sobre aquela confiança e sobre como desenvolvê-la; este é o desafio para cada um de nós.
De fato, a Igreja Católica no estado de Orissa, devido à violência, ameaçou fechar uma das suas forças mais importantes, que são os colégios.
Os bispos sugeriram que, se a violência continuasse, fechariam os colégios.
O senhor poderia nos falar da importância dos colégios e da educação para esta região e o que isso significa?
Dom Nayak:
A educação é um dos serviços mais importantes que a Igreja oferece às pessoas. Ainda que sejam colégios cristãos, 90% dos estudantes são hindus e muçulmanos, motivo pelo qual o serviço é aceito e respeitado.
E por que fechar esses colégios? Porque, por um lado, nossos irmãos estão sofrendo, são perseguidos: sem casa e sem segurança. E, por outro, pedem que prestem um serviço sem ser solidários com as pessoas perseguidas.
Fechar estas escolas é uma forma de mostrar nossa solidariedade e também chamar a atenção sobre o fato de que não se pode dar por descontado nosso serviço.
-Em 2007, houve graves ataques; em 2008 também, e os extremistas prometeram mais. O senhor tem medo? Que medidas o senhor poderia adotar para tentar prevenir que estes extremistas levem a cabo mais ataques desse tipo?
Dom Nayak: Uma é aumentar a coexistência pacífica entre as pessoas de boa vontade. O nível local é muito importante, porque é nele que as pessoas vivem e, se estão juntas, são as pessoas que vêm de fora as que instigam e dividem as demais. Se as pessoas dos lugares permanecem unidas, os de fora não poderão entrar.
Por isso, construir a solidariedade no âmbito local entre grupos diversos de religiões diferentes será o primeiro passo; e construir a confiança perdida, para recordar, novamente, que podemos viver juntos como vivemos antes. Esta será a primeira prioridade.
Em segundo lugar, certamente, é preciso ter um diálogo com esses extremistas, esses fundamentalistas, porque suas ideias sobre a Igreja são muito estreitas e errôneas.
Essa ideia de que a Igreja dominará e tomará o controle da Índia é uma impressão muito incorreta: se houve más conversões e se estenderam, o número de cristãos deveria ter ido além do esperado, mas não é esse o caso. O censo oficial mostra que o número se estabilizou. Nosso número cresce inclusive menos que o de outros grupos, então não há ameaça.
Não faz parte da fé hinduísta (devido à questão da reencarnação) que, se alguém é um dalit, é porque não viveu uma fé adequada na vida anterior e por isso tem a posição que merece? E que, se vive uma boa vida, talvez na próxima encarnação pertença a uma casta mais alta? Qual é o papel desta crença, com relação à Igreja Católica? Ao tentar melhorar a situação social da pessoa, a Igreja estaria obstaculizando ou criando uma confusão na tradição hinduísta? O senhor concorda com isso?
Dom Nayak: Não concordo. Depois de tudo, não acredito na reencarnação, porque a vida humana é muito valiosa. É uma imagem do próprio Deus. Uma pessoa não pode reencarnar sendo um cachorro.
Quando o ser humano é criado, ele recebe esta oportunidade. Você escolhe: fazer o que tem de fazer agora ou não fazer jamais.
Após a morte, você já não terá nada a fazer. Agora você pode escolher: acreditar, aceitar, viver uma boa vida; sua recompensa é o céu ou o inferno.
Estas são duas coisas que temos em nossa fé cristã: que você não se transformará em um cachorro ou em um animal; não acreditamos nisso. Mas, já que esses amigos pensam que estão na tradição hinduísta da reencarnação, se acreditam nisso, deveriam viver isso.
Alguns deles, no entanto, não veem sua responsabilidade; se pensam que no passado fizeram boas obras e que é por isso que agora estão numa posição melhor, não correm o risco de perder essa posição melhor, se fizeram más ações? Assim, acho que não acreditam nisso, porque se acreditassem, teriam mais cuidado com as más ações...
Poderiam retroceder.
Dom Nayak: Poderiam retroceder, e é por isso que acho que sua fé não segue essa luz.
Eles acreditam de forma conceitual, mas na verdade não creem; estão ocupado só com o agora, com o que lhes convém, com o que lhes interessa economicamente, socialmente e com o domínio político que querem conservar. Assim, esta é a razão: a razão econômica, política e religiosa - e também a casta. Todas essas coisas complicaram esta situação.
Qual é sua esperança para o futuro das relações dos cristãos no estado de Orissa?
Dom Nayak: As relações dos cristãos com os demais grupos, sobretudo os hindus, se restabelecerão porque já se levantaram vozes que veem as coisas boas que a Igreja e os cristãos estão fazendo, e que agora sofrem de maneira inocente.
Por um lado, segundo a minha fé, nosso sofrimento nunca se perderá. A semente dos mártires, o sangue dos mártires é semente de fé. Acredito nisso e isso certamente nos fará reviver; a fé cristã e a Igreja cumprirão seu chamado a ser sacramento de salvação em Orissa, em Kandhamal.
Então esses são os cordeiros?
Dom Nayak: Sim, não é nada novo. Os cristãos sofreram, não é nada novo. É assim desde o começo do cristianismo, desde o começo da Igreja. A Igreja nasce do lado transpassado de Cristo.
A salvação do mundo não virá da nossa palavra ou do nosso serviço, mas dando a própria vida, e isso por meio do sofrimento.
É dessa forma que o senhor motiva seus fiéis (dizendo que parte da nossa vida como cristãos é a aceitação e a consciência de que também temos de carregar a cruz de Cristo)?
Dom Nayak: Sim, não há outro caminho para os cristãos, a não ser a cruz. É assim: matando ou morrendo, os cristãos não matarão. Jesus nos ensinou: deixem-se matar. Se a minha morte salva as pessoas, estou preparado.
* * *
Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para "Deus Chora na Terra", um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.
Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt
Fonte: Zenit.
Dom Sarat Chandra Nayak está à frente da diocese de Berhampur, no estado de Orissa. Nessa região, só em 2008, cerca de 300 aldeias cristãs e 4 mil casas foram destruídas por fundamentalistas hindus.
Nesta entrevista concedida ao programa "Deus chora na terra", da Catholic Radio and Television Network (CRTN), em colaboração com Ajuda à Igreja que Sofre, o bispo fala da violência anticristã da região, dos fatores que agravam as relações entre hindus e católicos e da esperança que tem, apesar destas dificuldades.
Por que Orissa é um dos estados menos desenvolvidos da Índia?
Dom Nayak: As pessoas se dedicam à agricultura. A região costeira é cerca de 20% de toda a área geográfica e o resto é região montanhosa, onde vive a maioria das pessoas conhecidas como dalits.
De fato, cerca de 40% da população é dalit. Por quê? Os dalits estão lá porque, quando as castas mais altas ocuparam a terra fértil das regiões costeiras, não tiveram lugar ao seu lado, então tiveram de se transladar às selvas e às regiões mais altas, nas quais não há terra cultivável.
Qual é seu lema episcopal e por que o escolheu?
Dom Nayak: Meu lema é "Ser um servo feliz". As pessoas podem ser servas, mas podem não ser felizes. São forçadas e obrigadas a fazer coisas, mas eu gostaria de ser um servo feliz.
Antes, percebi que, quando sua cruz virou, estava escrito atrás Duc in Altum. O senhor também escolheu esta frase? Por quê?
Dom Nayak: Não a escolhi, eu a recebi assim; mas este também é meu ponto de vista e meu desejo.
Depois do convite de João Paulo II?
Dom Nayak: Sim.
Ele foi um modelo para o senhor?
Dom Nayak: Sim, tenho que dar 100% de mim. Como bispo, não estou aí para resolver todos os problemas, mas o que posso fazer é me doar 100%.
Excelência, o estado de Orissa se destaca, infelizmente, pela violência contra os cristãos. O senhor poderia nos dar uma ideia de por que existe esta violência contra os cristãos e de onde ela vem?
Dom Nayak: Por que esta violência? A fonte da violência vem certamente dos radicais hindus, não há dúvida sobre isso, ainda que hoje em dia apresente formas diversas.
As pessoas veem facetas diversas, que é o que torna essa violência complicada; não é vista somente como violência comunal, porque existem outros aspectos.
Por exemplo, razões econômicas: os comerciantes, os homens de negócios destas regiões altas, são, em sua maioria, da planície e são das castas mais altas. Sempre trabalharam com negócios. Agora, graças à educação, os dalits e os membros das tribos estão criando seus negócios e tornando-se empresários. Isso obstaculiza as pessoas de negócios do local, que são hindus. Assim, tentam criar problemas inflamando os sentimentos religiosos para danificar os negócios dos dalits e dos membros das tribos locais. Isso aconteceu em 2007.
A primeira distração e o primeiro ataque foi contra as lojas cristãs, as explosões. Então, há uma razão econômica.
Em toda Orissa, especialmente nessas preocupantes regiões, os homens de negócios vêm das castas mais altas.
Acho que é importante esclarecer que a maioria dos cristãos é dalit.
Dom Nayak: Sim, 60% dos cristãos são dalits; 38% deles podem pertencer às tribos e os demais são de outras castas.
Então, o primeiro ataque era econômico, porque os homens de negócios se sentiram ameaçados pelo crescente desenvolvimento da população dalit nos negócios. Existe também alguma razão política?
Dom Nayak: Sim, há uma razão política. Os dalits e os membros das tribos desta região representam 40% de toda a população de Orissa e quando se unem, tornam-se uma grande força política. Por isso, a casta mais alta tenta dividir estas duas comunidades. Então, há outra faceta; converte-se em uma luta entre os membros das tribos e os dalits.
Provocado por quem?
Dom Nayak: Por forasteiros, pessoas das castas mais altas cujos interesses estão em jogo quando esses dois grupos se unem.
Acho que é importante que falemos da nota do Conselho de Cristãos Indianos. Catalogaram parte desta violência. Foram analisados 92 incidentes de violência contra os cristãos. Por exemplo, 4 cristãos foram assassinados em espadas por uma multidão de cerca de mil nacionalistas hindus; 2 freiras foram estupradas em público e 1 sacerdote de um centro pastoral, o Pe. Thomas, foi gravemente espancado, desnudado e escarnecido.
A violência é muito dramática, além das casas queimadas, igrejas atacadas, conventos destruídos; há muita agressão.
Em dezembro de 2007, o ataque se dirigiu contra instituições e não contra as pessoas. Por quê? Porque os fundamentalistas hindus acreditavam que, devido aos nossos serviços - as escolas, a saúde, a "ajuda" social à população -, as pessoas se sentiam atraídas pelo cristianismo. Por isso aumenta em número.
Seu objetivo era destruir estas instituições através dos que prestam um serviço cristão às pessoas. Mas não se sentiram satisfeitos com isso; dessa vez, atacaram as pessoas, as instituições, para traumatizar, para criar medo e não continuar com seu ministério.
Não atacaram somente um sacerdote; houve ataques mortais contra 3 sacerdotes. Um deles foi o Pe. Thomas; outro era o tesoureiro da arquidiocese de Bubaneshwar, Pe. Bernard; e o Pe. Edward de Sambalpur, Rourkela.
E os mataram?
Dom Nayak: Não, mas os espancaram gravemente.
A tática que usam é o medo? Os cristãos estão abandonando a região? Eles têm medo pela sua fé? Estão abandonando sua fé?
Dom Nayak: Após atacar as pessoas, o ataque se dirigiu às aldeias, e nas aldeias destruíram casas; e nas casas que não destruíram, disseram aos cristãos que, ou se tornavam hindus, ou sua vida estaria em jogo e suas propriedades poderiam ser destruídas.
Dessa forma, são forçados a se converter e alguns deles cedem.
Eles se convertem?
Dom Nayak: Sim, há muitos casos, mais de mil. Agora não tenho o número exato, mas antes de vir para a Europa, mais de mil tinham se tornado hindus.
Se os cristãos são uma porcentagem pequena da população, por que os hindus se sentem ameaçados?
Dom Nayak: Há muitas razões pelas quais existe esta percepção de ameaça. Primeiro, porque ainda que os cristãos sejam apenas 2%, nosso serviço em termos de educação, serviços sociais, saúde, representa quase 20% - serviços que estamos oferecendo.
E eles dizem que esta é a razão do aumento de conversões na região, então este é um motivo; eles se veem ameaçados pelo aumento numérico. No entanto, quando se considera o total da população atual, depois de muitos anos, não se vê um aumento significativo da população cristã.
Permaneceu constante.
Dom Nayak: Sim, mais ou menos permaneceu constante, mas os hindus sempre insistem: conversão, conversão, conversão, e o medo se deve à experiência histórica com os britânicos.
Os britânicos vieram para fazer negócios, depois conquistaram a Índia e a governaram durante 200 anos; então aconteceu a cristianização e a conversão. Por isso, se o número de cristãos aumentar, eles podem assumir o controle da Índia.
E a conquistarão.
Dom Nayak: Sim, a conquistarão; e este é o medo - um medo infundado. Somos cristãos, somos indianos, não estrangeiros.
Sim, e também há uma ameaça, se entendi direito, no próprio sistema de castas?
Dom Nayak: Sim, este é um motivo: pelo domínio político.
O segundo motivo é o sistema de castas; o hinduísmo está fundido com o sistema de castas. Os hindus, aqueles que têm o domínio, os brâmanes, pensam que, sem o sistema de castas, seu domínio não continuaria; então, quando o cristianismo propaga o valor da igualdade para todos, eles se sentem ameaçados.
Eles têm medo?
Dom Nayak: Têm medo de perder seu poder e seu domínio sobre as pessoas.
Especialmente de que a maioria dos cristãos convertidos venha da casta mais baixa?
Dom Nayak: Dos dalits e dos membros das tribos; antes os utilizavam em seu próprio benefício, agora não podem utilizá-los, porque o cristianismo lhes dá direitos iguais e a educação lhes dá um "estímulo" econômico; então os das castas mais altas se sentem ameaçados e seu domínio parece prejudicado.
Se o cristianismo continua crescendo e se ensina aos cristãos que todos são iguais, isso é uma ameaça ao sistema de castas. Não acontecerá em algum momento que os dalits se perguntem por que são tratados de forma diferente?
Dom Nayak: Sim, é uma verdadeira ameaça ao sistema de castas. Por que deveria haver um sistema de castas, que faz que as pessoas tenham menos valor que uma vaca, menos que um animal? Os hindus tratam e respeitam as vacas como deuses, mas não respeitam os seres humanos; nem todos os hindus são assim, mas existem grupos que pensam ser os guardiões do hinduísmo.
Temos 84% de hindus na Índia; em Orissa, mais de 90%; e vivemos juntos, felizes, e nos respeitamos uns aos outros; eles entendem o valor e a dignidade humanos, mas há um pequeno grupo, que é o que domina.
Acho que talvez também seja importante indicar que é um grupo de extremistas fundamentalistas que esteve provocando esta violência - em muitos casos, os cristãos que eram perseguidos buscaram refúgio com famílias hindus e foram bem recebidos e acolhidos por essas famílias.
Esta é a alegria e a esperança dada a nós e aos que são perseguidos: ainda há esperança de viver juntos.
Perdemos muitos edifícios e vidas; podemos reconstruí-los, mas o que se perdeu foi a confiança, a confiança entre as pessoas de grupos e religiões diferentes.
Viveram juntos durante gerações inteiras e agora se questionam sobre aquela confiança e sobre como desenvolvê-la; este é o desafio para cada um de nós.
De fato, a Igreja Católica no estado de Orissa, devido à violência, ameaçou fechar uma das suas forças mais importantes, que são os colégios.
Os bispos sugeriram que, se a violência continuasse, fechariam os colégios.
O senhor poderia nos falar da importância dos colégios e da educação para esta região e o que isso significa?
Dom Nayak:
A educação é um dos serviços mais importantes que a Igreja oferece às pessoas. Ainda que sejam colégios cristãos, 90% dos estudantes são hindus e muçulmanos, motivo pelo qual o serviço é aceito e respeitado.
E por que fechar esses colégios? Porque, por um lado, nossos irmãos estão sofrendo, são perseguidos: sem casa e sem segurança. E, por outro, pedem que prestem um serviço sem ser solidários com as pessoas perseguidas.
Fechar estas escolas é uma forma de mostrar nossa solidariedade e também chamar a atenção sobre o fato de que não se pode dar por descontado nosso serviço.
-Em 2007, houve graves ataques; em 2008 também, e os extremistas prometeram mais. O senhor tem medo? Que medidas o senhor poderia adotar para tentar prevenir que estes extremistas levem a cabo mais ataques desse tipo?
Dom Nayak: Uma é aumentar a coexistência pacífica entre as pessoas de boa vontade. O nível local é muito importante, porque é nele que as pessoas vivem e, se estão juntas, são as pessoas que vêm de fora as que instigam e dividem as demais. Se as pessoas dos lugares permanecem unidas, os de fora não poderão entrar.
Por isso, construir a solidariedade no âmbito local entre grupos diversos de religiões diferentes será o primeiro passo; e construir a confiança perdida, para recordar, novamente, que podemos viver juntos como vivemos antes. Esta será a primeira prioridade.
Em segundo lugar, certamente, é preciso ter um diálogo com esses extremistas, esses fundamentalistas, porque suas ideias sobre a Igreja são muito estreitas e errôneas.
Essa ideia de que a Igreja dominará e tomará o controle da Índia é uma impressão muito incorreta: se houve más conversões e se estenderam, o número de cristãos deveria ter ido além do esperado, mas não é esse o caso. O censo oficial mostra que o número se estabilizou. Nosso número cresce inclusive menos que o de outros grupos, então não há ameaça.
Não faz parte da fé hinduísta (devido à questão da reencarnação) que, se alguém é um dalit, é porque não viveu uma fé adequada na vida anterior e por isso tem a posição que merece? E que, se vive uma boa vida, talvez na próxima encarnação pertença a uma casta mais alta? Qual é o papel desta crença, com relação à Igreja Católica? Ao tentar melhorar a situação social da pessoa, a Igreja estaria obstaculizando ou criando uma confusão na tradição hinduísta? O senhor concorda com isso?
Dom Nayak: Não concordo. Depois de tudo, não acredito na reencarnação, porque a vida humana é muito valiosa. É uma imagem do próprio Deus. Uma pessoa não pode reencarnar sendo um cachorro.
Quando o ser humano é criado, ele recebe esta oportunidade. Você escolhe: fazer o que tem de fazer agora ou não fazer jamais.
Após a morte, você já não terá nada a fazer. Agora você pode escolher: acreditar, aceitar, viver uma boa vida; sua recompensa é o céu ou o inferno.
Estas são duas coisas que temos em nossa fé cristã: que você não se transformará em um cachorro ou em um animal; não acreditamos nisso. Mas, já que esses amigos pensam que estão na tradição hinduísta da reencarnação, se acreditam nisso, deveriam viver isso.
Alguns deles, no entanto, não veem sua responsabilidade; se pensam que no passado fizeram boas obras e que é por isso que agora estão numa posição melhor, não correm o risco de perder essa posição melhor, se fizeram más ações? Assim, acho que não acreditam nisso, porque se acreditassem, teriam mais cuidado com as más ações...
Poderiam retroceder.
Dom Nayak: Poderiam retroceder, e é por isso que acho que sua fé não segue essa luz.
Eles acreditam de forma conceitual, mas na verdade não creem; estão ocupado só com o agora, com o que lhes convém, com o que lhes interessa economicamente, socialmente e com o domínio político que querem conservar. Assim, esta é a razão: a razão econômica, política e religiosa - e também a casta. Todas essas coisas complicaram esta situação.
Qual é sua esperança para o futuro das relações dos cristãos no estado de Orissa?
Dom Nayak: As relações dos cristãos com os demais grupos, sobretudo os hindus, se restabelecerão porque já se levantaram vozes que veem as coisas boas que a Igreja e os cristãos estão fazendo, e que agora sofrem de maneira inocente.
Por um lado, segundo a minha fé, nosso sofrimento nunca se perderá. A semente dos mártires, o sangue dos mártires é semente de fé. Acredito nisso e isso certamente nos fará reviver; a fé cristã e a Igreja cumprirão seu chamado a ser sacramento de salvação em Orissa, em Kandhamal.
Então esses são os cordeiros?
Dom Nayak: Sim, não é nada novo. Os cristãos sofreram, não é nada novo. É assim desde o começo do cristianismo, desde o começo da Igreja. A Igreja nasce do lado transpassado de Cristo.
A salvação do mundo não virá da nossa palavra ou do nosso serviço, mas dando a própria vida, e isso por meio do sofrimento.
É dessa forma que o senhor motiva seus fiéis (dizendo que parte da nossa vida como cristãos é a aceitação e a consciência de que também temos de carregar a cruz de Cristo)?
Dom Nayak: Sim, não há outro caminho para os cristãos, a não ser a cruz. É assim: matando ou morrendo, os cristãos não matarão. Jesus nos ensinou: deixem-se matar. Se a minha morte salva as pessoas, estou preparado.
* * *
Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para "Deus Chora na Terra", um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.
Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt
Fonte: Zenit.
Santa Sé publica programa da viagem do Papa a Santiago de Compostela e Barcelona
A visita do Papa a Santiago de Compostela e a Barcelona, nos próximos dias 6 e 7 de novembro, incluirá eventos privados com os reis da Espanha e com os príncipes de Astúrias.
Assim prevê o programa oficial da viagem apostólica, divulgado no dia 24 de setembro pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
Bento XVI chegará a Santiago às 11h30 no dia 6 de novembro. No aeroporto da cidade, participará de uma cerimônia de boas-vindas, pronunciará um discurso e terá um encontro provado com o príncipe Felipe e a princesa Letizia.
Às 13h, visitará a catedral de Santiago e depois almoçará com os cardeais espanhóis, com os membros do comitê executivo da Conferência Episcopal Espanhola e com seu séquito no arcebispado de Santiago.
Às 16h30, celebrará uma Missa por ocasião do Ano Santo Compostelano, na frente da catedral de Santiago, e pronunciará a homilia.
Às 19h15 está prevista sua saída de avião do aeroporto de Santiago, rumo a Barcelona.
No domingo, 7 de novembro, o programa oficial começa com um encontro privado com os reis Juan Carlos e Sofia, na igreja da Sagrada Família de Barcelona.
Às 10h, celebrará a Missa de dedicação do templo inacabado de Antonio Gaudí e do seu altar; o Papa pronunciará a homilia e depois rezará o Ângelus na praça da igreja da Sagrada Família.
Às 13h, almoçará com os cardeais e bispos presentes e com o séquito papal, no arcebispado de Barcelona.
De lá, Bento se despedirá às 16h30 e, às 17h15, visitará a Obra benéfico-social Nen Déu, de assistência a crianças com Síndrome de Down e outras dificuldades, e dirigirá uma saudação.
A cerimônia de despedida, na qual o Papa pronunciará um discurso, está prevista para as 18h30, no aeroporto internacional de Barcelona. Sua partida está prevista para as 19h15.
A visita a Santiago de Compostela tem como motivo o ano jubilar que está sendo comemorado este ano; e a de Barcelona, a dedicação do templo da Sagrada Família, segundo recordou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, SJ.
Trata-se da segunda viagem de Bento XVI à Espanha, depois da de Valência, em 2006, por ocasião do 5º Encontro Mundial das Famílias. A terceira viagem está prevista para agosto de 2011, para presidir a Jornada Mundial da Juventude.
Fonte: Zenit.
Assim prevê o programa oficial da viagem apostólica, divulgado no dia 24 de setembro pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
Bento XVI chegará a Santiago às 11h30 no dia 6 de novembro. No aeroporto da cidade, participará de uma cerimônia de boas-vindas, pronunciará um discurso e terá um encontro provado com o príncipe Felipe e a princesa Letizia.
Às 13h, visitará a catedral de Santiago e depois almoçará com os cardeais espanhóis, com os membros do comitê executivo da Conferência Episcopal Espanhola e com seu séquito no arcebispado de Santiago.
Às 16h30, celebrará uma Missa por ocasião do Ano Santo Compostelano, na frente da catedral de Santiago, e pronunciará a homilia.
Às 19h15 está prevista sua saída de avião do aeroporto de Santiago, rumo a Barcelona.
No domingo, 7 de novembro, o programa oficial começa com um encontro privado com os reis Juan Carlos e Sofia, na igreja da Sagrada Família de Barcelona.
Às 10h, celebrará a Missa de dedicação do templo inacabado de Antonio Gaudí e do seu altar; o Papa pronunciará a homilia e depois rezará o Ângelus na praça da igreja da Sagrada Família.
Às 13h, almoçará com os cardeais e bispos presentes e com o séquito papal, no arcebispado de Barcelona.
De lá, Bento se despedirá às 16h30 e, às 17h15, visitará a Obra benéfico-social Nen Déu, de assistência a crianças com Síndrome de Down e outras dificuldades, e dirigirá uma saudação.
A cerimônia de despedida, na qual o Papa pronunciará um discurso, está prevista para as 18h30, no aeroporto internacional de Barcelona. Sua partida está prevista para as 19h15.
A visita a Santiago de Compostela tem como motivo o ano jubilar que está sendo comemorado este ano; e a de Barcelona, a dedicação do templo da Sagrada Família, segundo recordou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, SJ.
Trata-se da segunda viagem de Bento XVI à Espanha, depois da de Valência, em 2006, por ocasião do 5º Encontro Mundial das Famílias. A terceira viagem está prevista para agosto de 2011, para presidir a Jornada Mundial da Juventude.
Fonte: Zenit.
Amor como serviço aos demais: caminho para a vida, recorda Papa
"Só o Amor com "A" maiúsculo dá a verdadeira felicidade!", aqui e na eternidade, como demonstram pessoas como São Vicente de Paulo e Chiara Badano, afirmou hoje Bento XVI, durante a oração do Ângelus em Castel Gandolfo.
"Nosso destino eterno é condicionado pelo nosso comportamento; depende de nós seguir o caminho que Deus tem nos mostrado para chegar à vida, e esse caminho é o amor, não entendido como sentimento, mas sim como serviço aos outros, na caridade de Cristo", explicou, ao comentar a parábola do homem rico e do pobre Lázaro.
O Papa acrescentou que esta parábola nos recorda que, "enquanto estamos neste mundo, devemos escutar o Senhor que nos fala através das Sagradas Escrituras e viver segundo a sua vontade; caso contrário, após a morte, será tarde demais para se arrepender".
Antes de rezar do Ângelus diante de numerosos fiéis reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo, o Pontífice quis destacar o testemunho da jovem Chiara Badano, beatificada ontem em Roma.
O Papa se referiu a ela como a "uma jovem italiana nascida em 1971, e que uma doença levou à morte em menos de 19 anos, mas que foi para todos um raio de luz, como diz o seu sobrenome: ‘Chiara Luce', ‘Clara Luz'".
"Sua paróquia, a diocese de Acqui Terme, e o Movimento dos Focolares, ao qual ela pertencia, estão hoje em festa - e é uma festa para todos os jovens, que podem encontrar nela um exemplo de coerência cristã", disse.
Bento XVI destacou a maneira exemplar como esta jovem enfrentou a morte: As suas últimas palavras, de plena adesão à vontade de Deus, foram: ‘Mãe, adeus. Seja feliz, porque eu sou feliz'".
E acrescentou: "Demos graças a Deus, porque seu amor é mais forte do que o mal e a morte; e agradeçamos a Nossa Senhora, que conduz os jovens também através das dificuldades e sofrimentos, a se apaixonarem por Jesus e a descobrirem a beleza da vida".
Por outro lado, Bento XVI destacou o testemunho de São Vicente de Paulo, cuja memória litúrgica será celebrada amanhã.
"Na França de 1600, ele tocou com suas próprias mãos o forte contraste entre os mais ricos e os mais pobres", disse.
Ele "soube organizar formas estáveis de serviço às pessoas marginalizadas, dando origem às chamadas ‘Charitées', a ‘Caridade', isto é, grupos de mulheres que colocavam seu tempo e os seus bens à disposição dos mais marginalizados", continuou.
E acrescentou: "Dentre essas voluntárias, algumas optaram por consagrar-se totalmente a Deus e aos pobres. Foi assim que, com Santa Luísa de Marillac, São Vicente fundou as ‘Filhas da Caridade', primeira congregação feminina a viver a consagração ‘no mundo', no meio das pessoas, com os doentes e os necessitados".
Fonte: Zenit.
"Nosso destino eterno é condicionado pelo nosso comportamento; depende de nós seguir o caminho que Deus tem nos mostrado para chegar à vida, e esse caminho é o amor, não entendido como sentimento, mas sim como serviço aos outros, na caridade de Cristo", explicou, ao comentar a parábola do homem rico e do pobre Lázaro.
O Papa acrescentou que esta parábola nos recorda que, "enquanto estamos neste mundo, devemos escutar o Senhor que nos fala através das Sagradas Escrituras e viver segundo a sua vontade; caso contrário, após a morte, será tarde demais para se arrepender".
Antes de rezar do Ângelus diante de numerosos fiéis reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo, o Pontífice quis destacar o testemunho da jovem Chiara Badano, beatificada ontem em Roma.
O Papa se referiu a ela como a "uma jovem italiana nascida em 1971, e que uma doença levou à morte em menos de 19 anos, mas que foi para todos um raio de luz, como diz o seu sobrenome: ‘Chiara Luce', ‘Clara Luz'".
"Sua paróquia, a diocese de Acqui Terme, e o Movimento dos Focolares, ao qual ela pertencia, estão hoje em festa - e é uma festa para todos os jovens, que podem encontrar nela um exemplo de coerência cristã", disse.
Bento XVI destacou a maneira exemplar como esta jovem enfrentou a morte: As suas últimas palavras, de plena adesão à vontade de Deus, foram: ‘Mãe, adeus. Seja feliz, porque eu sou feliz'".
E acrescentou: "Demos graças a Deus, porque seu amor é mais forte do que o mal e a morte; e agradeçamos a Nossa Senhora, que conduz os jovens também através das dificuldades e sofrimentos, a se apaixonarem por Jesus e a descobrirem a beleza da vida".
Por outro lado, Bento XVI destacou o testemunho de São Vicente de Paulo, cuja memória litúrgica será celebrada amanhã.
"Na França de 1600, ele tocou com suas próprias mãos o forte contraste entre os mais ricos e os mais pobres", disse.
Ele "soube organizar formas estáveis de serviço às pessoas marginalizadas, dando origem às chamadas ‘Charitées', a ‘Caridade', isto é, grupos de mulheres que colocavam seu tempo e os seus bens à disposição dos mais marginalizados", continuou.
E acrescentou: "Dentre essas voluntárias, algumas optaram por consagrar-se totalmente a Deus e aos pobres. Foi assim que, com Santa Luísa de Marillac, São Vicente fundou as ‘Filhas da Caridade', primeira congregação feminina a viver a consagração ‘no mundo', no meio das pessoas, com os doentes e os necessitados".
Fonte: Zenit.
Conselho da Europa: objeção de consciência é ameaçada
"Conselho da Europa: a objeção de consciência é ameaçada" é a manchete do Gènéthique, o resumo de imprensa da Fundação Jérôme Lejeune, de Paris (França).
A pedido dos membros da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, (APCE), o Centro Europeu para a Lei e a Justiça (ECLJ) preparou um memorando examinando as principais disposições do projeto de resolução intitulado "Acesso das mulheres a cuidados médicos legais: problema do recurso não regulamentado à objeção de consciência", apresentado por Christine McCafferty (Cf. Synthèse de presse du 24/06/10).
Este memorando advertia aos membros da APCE que várias recomendações desta resolução violam seriamente a liberdade de consciência dos médicos, tal como está garantida pela lei europeia e internacional.
Entre outras disposições "inaceitáveis", afirma o memorando, o projeto de resolução pede aos Estados membros da Europa:
- Obrigar os profissionais da saúde a "dar o tratamento desejado ao qual o paciente tem direito legalmente (por exemplo, o aborto), em detrimento de sua objeção de consciência."
- Obrigar o profissional da saúde a provar que "sua objeção está fundada na consciência ou em crenças religiosas e que sua rejeição é feita de boa fé".
- Privar "as instituições públicas do de Estado, tais como hospitais e clínicas públicas em seu conjunto" da "garantia do direito à proteção de consciência".
- Criar um "registro de objetores de consciência".
- Criar um "mecanismo eficaz de reclamações" contra os objetores de consciência.
O memorando do ECLJ recorda os principais aspectos do direito à objeção de consciência dos profissionais da saúde, baseando-se em uma vasta pesquisa das leis que protegem sua consciência nos 47 Estados membros do Conselho da Europa e nos 50 Estados dos Estados Unidos.
Aparece claramente nestas legislações que o direito à objeção de consciência está garantido nas leis europeias e internacionais e por regulamentos internacionais de ética profissional, tanto aplicados a indivíduos como a instituições, e que está bem regulamentado na maioria das sociedades democráticas.
Fonte: Zenit.
A pedido dos membros da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, (APCE), o Centro Europeu para a Lei e a Justiça (ECLJ) preparou um memorando examinando as principais disposições do projeto de resolução intitulado "Acesso das mulheres a cuidados médicos legais: problema do recurso não regulamentado à objeção de consciência", apresentado por Christine McCafferty (Cf. Synthèse de presse du 24/06/10).
Este memorando advertia aos membros da APCE que várias recomendações desta resolução violam seriamente a liberdade de consciência dos médicos, tal como está garantida pela lei europeia e internacional.
Entre outras disposições "inaceitáveis", afirma o memorando, o projeto de resolução pede aos Estados membros da Europa:
- Obrigar os profissionais da saúde a "dar o tratamento desejado ao qual o paciente tem direito legalmente (por exemplo, o aborto), em detrimento de sua objeção de consciência."
- Obrigar o profissional da saúde a provar que "sua objeção está fundada na consciência ou em crenças religiosas e que sua rejeição é feita de boa fé".
- Privar "as instituições públicas do de Estado, tais como hospitais e clínicas públicas em seu conjunto" da "garantia do direito à proteção de consciência".
- Criar um "registro de objetores de consciência".
- Criar um "mecanismo eficaz de reclamações" contra os objetores de consciência.
O memorando do ECLJ recorda os principais aspectos do direito à objeção de consciência dos profissionais da saúde, baseando-se em uma vasta pesquisa das leis que protegem sua consciência nos 47 Estados membros do Conselho da Europa e nos 50 Estados dos Estados Unidos.
Aparece claramente nestas legislações que o direito à objeção de consciência está garantido nas leis europeias e internacionais e por regulamentos internacionais de ética profissional, tanto aplicados a indivíduos como a instituições, e que está bem regulamentado na maioria das sociedades democráticas.
Fonte: Zenit.
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