1 . “Ai dos despreocupados de Sião e daqueles que se consideram tranquilos, ... deitados em leitos de marfim” (Am 6,1.4 ), comem, bebem, cantam, se divertem e não se preocupam com os problemas das outras pessoas.
Estas palavras do profeta Amós são duras, mas chamam a atenção sobre um perigo que todos nós corremos. O que é que este mensageiro de Deus denuncia, o que é que coloca diante dos olhos de seus contemporâneos e até mesmo diante de nossos olhos hoje? O risco do conforto, da comodidade, da mundanidade na vida e no coração, de colocar no centro da nossa vida o nosso bem-estar. É a mesma experiência do rico do Evangelho, que vestia roupas de luxo e todos os dias se dava abundantes banquetes; isto era importante para ele. E o pobre que estava à sua porta e não tinha nada para matar a fome? Não era problema dele, não lhe dizia respeito. Se as coisas, o dinheiro, a mundanidade se tornam o centro da vida, elas nos prendem, nos possuem e nós perdemos a nossa própria identidade de homens: olhem bem, o rico do Evangelho não tem nome, é simplesmente “um rico”. As coisas, o que possui, são o seu rosto, não tem outros.
Mas tentemos perguntar-nos: por que é que isso acontece? Como é possível que os homens, talvez também nós, caiamos no perigo de encerrar-nos, de colocar a nossa segurança nas coisas, que no final das contas nos roubam o rosto, o nosso rosto humano? Isso acontece quando perdemos a memória de Deus. " Ai dos despreocupados de Sião", dizia o profeta. Se não há memória de Deus, tudo fica nivelado, tudo vai para o ego, para o meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, até nós mesmos perdemos consistência, até nós nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada torna-se ele mesmo um nada – diz outro grande profeta, Jeremias (cf. Jer 2,5 ) . Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos!
2 . Agora, olhando para vocês, me pergunto: quem é o catequista? É aquele que protege e nutre a memória de Deus; a guarda em si mesmo e sabe despertá-la nos outros. É bonito isso: fazer memória de Deus, como Nossa Senhora que, diante da ação maravilhosa de Deus na sua vida, não pensa na honra, no prestígio, nas riquezas, não se fecha em si mesma. Pelo contrário, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo e de ter concebido o Filho de Deus, o que faz? Vai, visita à anciã parente Isabel, também grávida, para ajudá-la; e no encontro com ela o seu primeiro ato é a memória do atuar de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: “A minha alma engrandece ao Senhor ... pois olhou para a humildade da sua serva... de geração em geração a sua misericórdia " (Lc 1,46.48.50 ) . Maria tem memória de Deus.
Neste cântico de Maria tem também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiência de fé. E assim é para cada um de nós, para cada cristão: a fé contém precisamente a memória da história de Deus conosco, a memória do encontro com Deus, que se move primeiro, que cria e salva, que nos transforma; a fé é memória da sua Palavra que aquece o coração, das suas ações de salvação com que nos dá vida, nos purifica, nos cura, nos alimenta. O catequista é precisamente um cristão que coloca esta memória ao serviço do anúncio; não para se mostrar, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo o que Deus revelou, ou seja, a doutrina na sua totalidade, sem tirar ou acrescentar.
São Paulo aconselha especialmente ao seu discípulo e colaborador Timóteo uma coisa: “lembra-te, lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, que eu anuncio e pelo qual sofro (cf. 2 Tm 2, 8-9). Mas o apóstolo pode dizer isso porque ele se lembrou primeiro de Cristo, que o chamou quando era um perseguidor dos cristãos, o tocou e transformou com a sua Graça.
O catequista, então, é um cristão que carrega consigo a memória de Deus, se deixa guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe como despertá-la no coração dos outros. Isso é exigente! Compromete toda a vida! O que é o mesmo Catecismo, senão memória de Deus, memória da sua ação na história, do seu ter-se feito próximo em Cristo, presente na sua Palavra, nos Sacramentos, na sua Igreja, no seu amor? Caros catequistas, pergunto-lhes: nós somos memória de Deus? Somos realmente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que aquece o coração?
3. "“Ai dos despreocupados de Sião", diz o profeta. Qual o caminho a ser seguido para não virar pessoas “despreocupadas”, que colocam a sua segurança em si mesmas e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus? Na segunda leitura, São Paulo, escrevendo a Timóteo, dá algumas indicações que podem marcar também a trajetória do catequista, o nosso caminho: seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão (cf. 1 Tm 6 , 11) .
O catequista é homem da memória de Deus se tiver um relacionamento constante, vital com Ele e com os outros; se for homem de fé, que confia realmente em Deus e coloca Nele a sua segurança; se for homem de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se for homem de “hypomoné”, de paciência, de perseverança, que sabe lidar com as dificuldades, provações, fracassos, com serenidade e esperança no Senhor; se for homem manso, capaz de compreensão e de misericórdia.
Peçamos ao Senhor para sermos todos homens e mulheres que guardem e alimentem a memória de Deus na própria vida e saibam despertá-la no coração dos outros. Amén.
Fonte: Zenit - Tradução Thácio Siqueira
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
O dom da hospitalidade
Como sugestão, seguem algumas ideias e conceitos que levam à reflexão sobre o “turismo”, sem limitar a comemoração do Dia ou as recordações de viagens realizadas por cada um.
Inicialmente,resgatando um trecho da Mensagem do Papa João Paulo II em 2004 por ocasião desteDia,que se celebra a 27 de setembro:“...O Dia Mundial do Turismo não só oferece de novo a oportunidade de afirmar a contribuição positiva do turismo para a construção de um mundo mais justo e pacífico, mas também de refletir profundamente sobre as condições concretas em que ele é gerido e praticado”.
A este propósito, a Igreja não pode deixar de reiterar, uma vez mais, o núcleo da sua visão do homem e da história. “Com efeito, o princípio supremo que deve reger a convivência humana é o respeito pela dignidade de cada indivíduo, criado à imagem de Deus e, por conseguinte, irmão de todos os outros.” (Mensagem do Papa João Paulo II para o dia mundial do turismo 2004)
A viagem reflexiva leva também a considerar uma definição do termo “turismo”. A Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial de Turismo define turismo “como a atividade do viajante que visita uma localidade fora de seu entorno habitual, por período inferior a um ano, e com propósito principal diferente do exercício de atividade remunerada por entidades do local visitado” (Wikipedia-26/09/13).
Tanto a gestão quanto a prática do turismo estão cercados por princípios de sustentabilidade que remetem ao respeito, às diferenças, à abertura aos outros, à conservação do patrimônio histórico, cultural e natural, enfim, ao entendimento da ecologia tendo em conta o meio ambiente como um todo e não apenas um aspecto.
Ninguém se desloca naturalmente a um local diferente do seu lar, com o objetivo de depreciar o outro lugar, esgotar recursos, ou se entristecer com a falta de beleza do local. Os deslocamentos por turismo geralmente são motivados por interesses diversos e positivos, por motivo de lazer, enriquecimento cultural, contato com a natureza, descanso em um local que tire alguém do contexto habitual, reunir a família para estar um tempo maior juntos, estudo de uma realidade diversa, e assim por diante. O que não poderia faltar para este tempero do turismo é que não pode haver a exploração no sentido pejorativo, nem do patrimônio material, e muito menos do principal patrimônio de qualquer localidade: As pessoas! As que viajam e as que recebem viajantes. Uma relação que pode ser significativamente rica para ambas as partes se existir o respeito pela dignidade de cada um.
Por trás da movimentação gerada pelo turismo está o serviço de milhões de pessoas que se empenham por ver nele uma atividade econômica, mas não unicamente, já que se envolvem e descobrem uma vocação para a “arte de bem receber” que é a hospitalidade. Por mais que existam os oportunistas do turismo, o “dom da hospitalidade” faz um se diferenciar do outro e torna viável e mais digna a interação de uns com os outros.
No livro Caminho, no ponto 974, São Josemaria Escrivá cita a hospitalidade no contexto de um anfitrião para um almoço: “Apostolado do almoço”. É a velha hospitalidade dos Patriarcas, com o calor fraternal de Betânia. - Quando se pratica, parece que se entrevê Jesus presidindo, como em casa de Lázaro.”
Quem voltaria a um local onde não foi acolhido, aceito, respeitado?
E quem não se sente movido a agradecer, mesmo que esteja “incluído no pagamento”, a cortesia de um profissional que trabalha no turismo de forma cortês, gentil, amável...
Quantas virtudes menores estão por trás desta grande virtude da hospitalidade? E quanto se pode melhorar o relacionamento entre diferentes povos se busca a prática dela e de todas as outras!
Servir é um dom divino! O primeiro a servir foi o próprio Deus enviando o Seu Filho Único para servir redimindo!
E “A hospitalidade é partilha da vida. Isabel e Maria hospedam-se reciprocamente, partilhando o lar e o alimento, a trepidação e as alegrias, a fragilidade e a coragem. E nesta partilha da vida chegam a comparticipar do próprio coração de todas as vidas: Deus que habita em cada vida humana. Deus que visita todos os acontecimentos da história.” homilia do cardeal Tarcisio Bertone na celebração eucarística para os bons votos de natal à secretaria de estado quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006.
*Patricia Marega Pacheco é gerente de recursos humanos no segmento de turismo e hospitalidade; formada em turismo; pós graduada em hotelaria e em contabilidade e finanças.
Fonte: Zenit.
A este propósito, a Igreja não pode deixar de reiterar, uma vez mais, o núcleo da sua visão do homem e da história. “Com efeito, o princípio supremo que deve reger a convivência humana é o respeito pela dignidade de cada indivíduo, criado à imagem de Deus e, por conseguinte, irmão de todos os outros.” (Mensagem do Papa João Paulo II para o dia mundial do turismo 2004)
A viagem reflexiva leva também a considerar uma definição do termo “turismo”. A Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial de Turismo define turismo “como a atividade do viajante que visita uma localidade fora de seu entorno habitual, por período inferior a um ano, e com propósito principal diferente do exercício de atividade remunerada por entidades do local visitado” (Wikipedia-26/09/13).
Tanto a gestão quanto a prática do turismo estão cercados por princípios de sustentabilidade que remetem ao respeito, às diferenças, à abertura aos outros, à conservação do patrimônio histórico, cultural e natural, enfim, ao entendimento da ecologia tendo em conta o meio ambiente como um todo e não apenas um aspecto.
Ninguém se desloca naturalmente a um local diferente do seu lar, com o objetivo de depreciar o outro lugar, esgotar recursos, ou se entristecer com a falta de beleza do local. Os deslocamentos por turismo geralmente são motivados por interesses diversos e positivos, por motivo de lazer, enriquecimento cultural, contato com a natureza, descanso em um local que tire alguém do contexto habitual, reunir a família para estar um tempo maior juntos, estudo de uma realidade diversa, e assim por diante. O que não poderia faltar para este tempero do turismo é que não pode haver a exploração no sentido pejorativo, nem do patrimônio material, e muito menos do principal patrimônio de qualquer localidade: As pessoas! As que viajam e as que recebem viajantes. Uma relação que pode ser significativamente rica para ambas as partes se existir o respeito pela dignidade de cada um.
Por trás da movimentação gerada pelo turismo está o serviço de milhões de pessoas que se empenham por ver nele uma atividade econômica, mas não unicamente, já que se envolvem e descobrem uma vocação para a “arte de bem receber” que é a hospitalidade. Por mais que existam os oportunistas do turismo, o “dom da hospitalidade” faz um se diferenciar do outro e torna viável e mais digna a interação de uns com os outros.
No livro Caminho, no ponto 974, São Josemaria Escrivá cita a hospitalidade no contexto de um anfitrião para um almoço: “Apostolado do almoço”. É a velha hospitalidade dos Patriarcas, com o calor fraternal de Betânia. - Quando se pratica, parece que se entrevê Jesus presidindo, como em casa de Lázaro.”
Quem voltaria a um local onde não foi acolhido, aceito, respeitado?
E quem não se sente movido a agradecer, mesmo que esteja “incluído no pagamento”, a cortesia de um profissional que trabalha no turismo de forma cortês, gentil, amável...
Quantas virtudes menores estão por trás desta grande virtude da hospitalidade? E quanto se pode melhorar o relacionamento entre diferentes povos se busca a prática dela e de todas as outras!
Servir é um dom divino! O primeiro a servir foi o próprio Deus enviando o Seu Filho Único para servir redimindo!
E “A hospitalidade é partilha da vida. Isabel e Maria hospedam-se reciprocamente, partilhando o lar e o alimento, a trepidação e as alegrias, a fragilidade e a coragem. E nesta partilha da vida chegam a comparticipar do próprio coração de todas as vidas: Deus que habita em cada vida humana. Deus que visita todos os acontecimentos da história.” homilia do cardeal Tarcisio Bertone na celebração eucarística para os bons votos de natal à secretaria de estado quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006.
*Patricia Marega Pacheco é gerente de recursos humanos no segmento de turismo e hospitalidade; formada em turismo; pós graduada em hotelaria e em contabilidade e finanças.
Fonte: Zenit.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Santo Padre: "É triste ver uma Igreja «privatizada» por pequenos grupos'
Queridos irmãos e irmãs, bom dia,
1. Uma resposta sintética encontramos no Catecismo da Igreja Católica, que afirma: a Igreja Católica espalhada no mundo “tem uma só fé, uma só vida sacramental, uma única sucessão apostólica, uma comum esperança, a própria caridade” (n. 161). É uma bela definição, clara, orienta-nos bem. Unidade na fé, na esperança, na caridade, na unidade nos Sacramentos, no Ministério: são como pilastras que sustentam e têm juntos o único grande edifício da Igreja. Aonde quer que vamos, mesmo na menor paróquia, na esquina mais perdida desta terra, há a única Igreja; nós estamos em casa, estamos em família, estamos entre irmãos e irmãs. E este é um grande dom de Deus! A Igreja é uma só para todos. Não há uma Igreja para os europeus, uma para os africanos, uma para os americanos, uma para os asiáticos, uma para os que vivem na Oceania, não, é a mesma em qualquer lugar. É como em uma família: se pode estar distante, espalhado pelo mundo, mas as ligações profundas que unem todos os membros da família permanecem firmes qualquer que seja a distância. Penso, por exemplo, na experiência da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro: naquela vasta multidão de jovens na praia de Copacabana, ouvia-se falar tantas línguas, viam-se traços da face muito diversificada deles, encontravam-se culturas diferentes, no entanto havia uma profunda unidade, se formava a única Igreja, estava-se unido e se sentia isso. Perguntemo-nos todos: eu, como católico, sinto esta unidade? Eu como católico vivo esta unidade da Igreja? Ou não me interessa, porque estou fechado no meu pequeno grupo ou em mim mesmo? Sou daqueles que “privatizam” a Igreja pelo próprio grupo, a própria nação, os próprios amigos? É triste encontrar uma Igreja “privatizada” pelo egoísmo e pela falta de fé. É triste! Quando ouço que tantos cristãos no mundo sofrem, sou indiferente ou é como se sofresse um da minha família? Quando penso ou ouço dizer que tantos cristãos são perseguidos e dão mesmo a própria vida pela própria fé, isto toca o meu coração ou não chega até mim? Sou aberto àquele irmão ou àquela irmã da minha família que está dando a vida por Jesus Cristo? Rezamos uns pelos outros? Faço uma pergunta a vocês, mas não respondam em voz alta, somente no coração: quantos de vocês rezam pelos cristãos que são perseguidos? Quantos? Cada um responda no coração. Eu rezo por aquele irmão, por aquela irmã que está em dificuldade, para confessar ou defender a sua fé? É importante olhar para fora do próprio recinto, sentir-se Igreja, única família de Deus!
2. Demos um outro passo e perguntemo-nos: há feridas a esta unidade? Podemos ferir esta unidade? Infelizmente, nós vemos que no caminho da história, mesmo agora, nem sempre vivemos a unidade. Às vezes surgem incompreensões, conflitos, tensões, divisões, que a ferem, e então a Igreja não tem a face que queremos, não manifesta a caridade, aquilo que Deus quer. Somos nós que criamos lacerações! E se olhamos para as divisões que ainda existem entre os cristãos, católicos, ortodoxos, protestantes… sentimos o esforço de tornar plenamente visível esta unidade. Deus nos doa a unidade, mas nós mesmos façamos esforço para vivê-la. É preciso procurar, construir a comunhão, educar-nos à comunhão, a superar incompreensões e divisões, começando pela família, pela realidade eclesial, no diálogo ecumênico também. O nosso mundo precisa de unidade, está em uma época na qual todos temos necessidade de unidade, precisamos de reconciliação, de comunhão e a Igreja é Casa de comunhão. São Paulo dizia aos cristãos de Éfeso: “Exorto-vos, pois – prisioneiro que sou pela causa do Senhor – que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade. Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (4, 1-3). Humildade, doçura, magnanimidade, amor para conservar a unidade! Estes, estes são os caminhos, os verdadeiros caminhos da Igreja. Ouçamos uma vez mais. Humildade contra a vaidade, contra a soberba, humildade, doçura, magnanimidade, amor para conservar a unidade. E continuava Paulo: um só corpo, aquele de Cristo que recebemos na Eucaristia; um só Espírito, o Espírito Santo que anima e continuamente recria a Igreja; uma só esperança, a vida eterna; uma só fé, um só Batismo, um só Deus, Pai de todos (cfr vv. 4-6). A riqueza daquilo que nos une! E esta é uma verdadeira riqueza: aquilo que nos une, não aquilo que nos divide. Esta é a riqueza da Igreja! Cada um se pergunte: faço crescer a unidade em família, na paróquia, na comunidade, ou sou um fofoqueiro, uma fofoqueira. Sou motivo de divisão, de desconforto? Mas vocês não sabem o mal que fazem à Igreja, às paróquias, às comunidades, as fofocas! Fazem mal! As fofocas ferem. Um cristão antes de fofocar deve morder a língua! Sim ou não? Morder a língua: isto nos fará bem, para que a língua inche e não possa falar e não possa fofocar. Tenho a humildade de reconstruir com paciência, com sacrifício, as feridas da comunhão?
3. Enfim, o último passo mais em profundidade. E esta é uma bela pergunta: quem é o motor desta unidade da Igreja? É o Espírito Santo que todos nós recebemos no Batismo e também no Sacramento da Crisma. É o Espírito Santo. A nossa unidade não é primeiramente fruto do nosso consenso, ou da democracia dentro da Igreja, ou do nosso esforço de concordar, mas vem Dele que faz a unidade na diversidade, porque o Espírito Santo é harmonia, sempre faz a harmonia na Igreja. É uma unidade harmônica em tanta diversidade de culturas, de línguas e de pensamentos. É o Espírito Santo o motor. Por isto é importante a oração, que é a alma do nosso compromisso de homens e mulheres de comunhão, de unidade. A oração ao Espírito Santo, para que venha e faça a unidade na Igreja.
Peçamos ao Senhor: Senhor, dai-nos sermos sempre mais unidos, não sermos nunca instrumentos de divisão; faz com que nos empenhemos, como diz uma bela oração franciscana, a levar o amor onde há o ódio, a levar o perdão onde há ofensa, a levar a união onde há a discórdia. Assim seja.
Fonte: Canção Nova/Tradução: Jéssica Marçal
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
"Encontrem a estrada para rir de si mesmos, e permaneçam com o vosso rebanho!
"Apascentem o rebanho de Deus que lhes foi confiado, não por imposição, mas de livre e espontânea vontade, como Deus o quer; não por vil interesse, mas com generosidade; não como donos daqueles que lhes foram confiados, mas como modelos para o rebanho”(1 Pedro 5, 2). "Essas palavras de São Pedro são esculpidas em meu coração!”
Ele então explicou que a apascentar significa ter "habitual e cotidiano cuidado pelo rebanho" (Conc Ecum Conselho II, Lumen Gentium, 27), "acolher com magnanimidade, caminhar com o rebanho, permanecer com as ovelhas".
De acordo com o pontífice, os novos bispos devem refletir três palavras: "acolher, caminhar, permanecer".
Ele afirmou que acolher com magnanimidade significa que todos aqueles que baterem à porta “a encontrem aberta, - continuou o Santo Padre - através de sua bondade, da sua disponibilidade, experimentarão a paternidade de Deus e entenderão como a Igreja é uma boa mãe, que sempre acolhe e ama”.
Caminhar com o rebanho, - acrescentou - significaestá em caminho “com” e “no” seu rebanho. Isto significa caminhar com os próprios fiéis e com todos aqueles que se dirigirão a vocês, partilhando com eles alegrias e esperanças, dificuldades e sofrimentos, como irmãos e amigos, mas, mais ainda como pais, que são capazes de escutar, compreender, ajudar, orientar”.
A este respeito, convidou a responder e receber os sacerdotes que são os mais próximos do bispo, indispensáveis colaboradores dos quais buscar conselho e ajuda, e dos quais cuidar como pais, irmãos e amigos.
Neste contexto, o papa disse: "Eu não sei se é verdade, mas muitos padres me contaram que ligavam para o bispo e o secretário respondia que não tinha tempo para recebê-los; isso, durante meses”. Ele explicou aos bispos que esse comportamento não é de um pai, mas de um gerente de escritório, e convidou-os a responder no mesmo dia, ou pelo menos no dia seguinte para marcar um encontro.
O Papa sublinhou a importância do pastor para o rebanho, isto é, a presença na diocese que “não é secundária, é indispensável”. "A presença! - disse -É o próprio povo quem pede, quer ver o seu Bispo caminhar com ele, estar do lado dele.”Francisco pediu ainda para que os bispos fossem até o povo “também nas periferias de suas dioceses e em todas as periferias "existenciais" onde há sofrimento, solidão, degradação humana".
O bispo de Roma explicou então que o estilo de serviço ao rebanho deve ser o da “humildade, da austeridade, e da essencialidade".
"Por favor - disse ele - não sejam “homens com a ‘psicologia de princípios’, homens ambiciosos, que são esposos de uma Igreja, na espera de outra mais bonita, mais importante ou mais rica. Estejam muito atentos a não caírem no espírito do carreirismo! Não é só a palavra, mas também é, sobretudo, com o testemunho concreto de vida que somos mestres e educadores do nosso povo”.
Peço-vos, por favor, - disse o Papa – permaneçam com o vosso rebanho. “Permanecer, ... continuou o Papa. Evitem o escândalo de serem “bispos de aeroportos”!”.
O Papa convidou os novos bispos a serem “pastores acolhedores, que caminham com o seu povo, com afeto, com misericórdia, com docilidade de tratamento e firmeza paterna, com humildade e discrição, capazes de olhar também aos seus limites e de ter uma dose de bom humor.”
Ele concluiu, convidando a rezar por uma graça: "Senhor, dá-me o senso de humor. Encontrar o caminho para rir de si mesmo em primeiro lugar, e um pouco das coisas. E permaneçam com vosso rebanho!”
Fonte: Zenit.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
A Igreja é uma mãe que só quer o bem dos filhos
Durante a audiência geral de ontem, na Praça de São Pedro, dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre o mistério da Igreja, o papa Francisco voltou a mencionar a imagem da "Igreja Mãe", já evocada na homilia de ontem na Casa Santa Marta.
O papa sublinhou alguns princípios que devem animar a educação dos filhos pela mãe. Primeiro, "ela ensina a caminhar pela vida", apontando o "caminho certo com ternura, com amor, com amor sempre, mesmo quando tenta endireitar o nosso caminho, porque saímos um pouco da rota na vida ou porque andamos na direção do abismo".
Toda mãe sabe também o que é importante para uma criança, não porque ela "aprendeu nos livros", mas porque "aprendeu com o coração".
A Igreja, como mãe, orienta os filhos na vida mediante ensinamentos baseados nos dez mandamentos, que também são "fruto da ternura, do amor de Deus, que os deu a nós". Há quem argumente que eles são apenas "comandos" ou “um conjunto de nãos", mas o papa nos convida a "enxergá-los positivamente".
Entre outras coisas, os dez mandamentos nos convidam a "não criar ídolos materiais que nos escravizam, a nos lembrar de Deus, a ter respeito pelos pais, a ser honestos, a respeitar uns aos outros": são ensinamentos que a mãe normalmente transmite aos filhos. "Uma mãe nunca ensina o que é ruim; ela só quer o bem dos filhos. Assim também a Igreja", acrescentou o Santo Padre.
Mesmo quando o filho "cresce" e "assume as suas responsabilidades", a mãe continua a acompanhá-lo "com discrição", e , quando ele erra, "ela sempre encontra um jeito de entender, de estar perto, de ajudar".
A mãe sabe “dar a cara a tapa” pelos filhos, disse Bergoglio, usando a expressão popular. “Se eles acabam na cadeia, por exemplo, as mães não perguntam se eles são culpados ou não, mas continuam a amá-los e muitas vezes sofrem humilhação, mas não têm medo, não deixam de se entregar por eles".
A Igreja também é uma "mãe misericordiosa" para com os filhos que “erraram e erram” e , sem os julgar, lhes oferece o "perdão de Deus". A Igreja não tem medo de entrar “na nossa noite, no escuro da nossa alma e consciência, para nos dar esperança".
A Igreja, enfim, como todas as mães, "também sabe pedir, bater em todas as portas pelos filhos, sem calcular, só por amor", especialmente orando a Deus, “especialmente pelos mais fracos ou pelos que trilharam os caminhos mais perigosos e errados”. A este propósito, o papa citou o exemplo de Santa Mônica e das suas muitas orações e lágrimas pelo filho Agostinho, até que ele se tornou santo.
"Penso em vocês, queridas mães: quanto vocês oram pelos seus filhos, sem se cansar! Continuem a rezar, a confiar os seus filhos a Deus, que ele tem um grande coração! Batam na porta do coração de Deus com a oração pelos filhos" , exortou o pontífice .
Também a Igreja ora pelos seus filhos em apuros: vemos nela "uma boa mãe que nos mostra o caminho a seguir na vida, que sempre sabe ser paciente, compassiva, compreensiva, e sabe como nos colocar nas mãos de Deus", concluiu o papa.
Fonte: Zenit.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Não há perdão fora da Igreja
A figura da viúva de Naim é um ícone de "viuvez" da Igreja que busca o encontro com o Senhor. Afirmou o papa Francisco durante a homilia desta manhã em Santa Marta.
A viúva de Naim, além de seu marido, tinha perdido um filho e por esta razão, Jesus, em consideração a marginalização e a miséria das viúvas que viviam naquele tempo, mostra "grande compaixão" e um "amor especial".
A Igreja é em certo sentido “é viúva” enquanto seu “Esposo se foi e ela caminha na história, na esperança de encontrá-lo, de se encontrar com Ele. E ela será a esposa definitiva", comentou o Papa.
Em sua viuvez, no entanto, a Igreja se mostra “corajosa" e defende seus filhos "como a viúva que foi ao juiz corrupto para "defendê-los" e acabou vencendo”.
Outra viúva ilustre da narrativa bíblica, lembrou Francisco, é a mãe macabeia de sete crianças que são martirizadas por não renunciar a Deus. Esta falava para eles "no dialeto local, na primeira língua", bem como no dialeto nos fala a Igreja: o dialeto, observou o Papa, é a "linguagem da verdadeira ortodoxia" e do "catecismo", que nos dá força "na luta contra o mal".
Em sua viuvez, a Igreja está sempre em movimento, em busca de seu Esposo e "quando é fiel, sabe chorar", especialmente por seus filhos e reza por eles. No entanto, o Senhor diz: "Não chores. Eu estou contigo, eu acompanho-te, eu espero-te lá, nas nupcias, nas últimas núpcias, aquelas do cordeiro. Pára, este teu filho que estava morto, agora vive!”.
Da mesma forma Jesus faz quando, como acontece com o garoto Naim, nos levanta do nosso leito de morte que, em primeiro lugar, é a morte para o pecado. Em seguida, "nos dá o perdão" e "nos dá novamente a vida", Jesus nos restitui à nossa mãe.
O sacerdote, também, quando nos dá a absolvição, após a confissão "nos restitui à nossa mãe". “É ali que acaba a reconciliação, porque não há caminho de vida, não há perdão, não há reconciliação fora da mãe Igreja”,disse o Papa.
Fico com vontade de pedir ao Senhor a graça de ser sempre confiante nesta mãe que nos defende, nos ensina, faz-nos crescer”,concluiu o Santo Padre.
Fonte: Zenit.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Apresentadas as credenciais do embaixador brasileiro no Vaticano
Na manhã de sexta-feira, o papa Francisco recebeu em audiência Denis Fontes de Souza Pinto, o embaixador do Brasil junto à Santa Sé, por ocasião da apresentação das suas Cartas Credenciais.
Durante a carreira, Denis Fontes de Souza realizou as seguintes funções:
- Terceiro Secretário da Divisão de Estudos e Pesquisas de Mercado (1981) e, posteriormente, da Divisão de Programas de Promoção Comercial (1981-1983);
- Segundo Secretário da Embaixada em Bonn (1983-1985);
- Curso de Aperfeiçoamento para Diplomatas (1985-1986);
- Segundo Secretário da Embaixada em Quito (1986-1989);
- Primeiro Secretário da Embaixada em Pequim (1989-1991);
- Vice-Coordenador Executivo do Departamento de Administração (1991-1992);
- Assessor da Secretaria Geral (1993-1994);
- Conselheiro da Embaixada em Paris (1995-1998);
- Conselheiro da Embaixada em Pretória (1998-1999);
- Curso de Estudos Avançados do Instituto Rio Branco (1999-2000);
- Coordenador Geral da Seção de Orçamento e Finanças (2001-2002);
- Ministro Conselheiro da Missão Brasileira na CEE, em Bruxelas (2003-2005);
- Diretor do Departamento do Serviço Exterior (2006-2010);
- Subsecretário Geral do Serviço Exterior (2010-2013).
Fonte: Zenit.
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