sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

João Paulo II retratado no Santuário de Fátima



Exposição reúne documentos fotográficos de 1952 a 1954


FÁTIMA, quinta-feira, 29 de janeiro de 2009.- O Santuário de Fátima inaugura no próximo dia 13 de fevereiro, no piso subterrâneo da Igreja da Santíssima Trindade, a exposição fotográfica «Karol Wojtyla, a fé, o caminho, a amizade. Excursões com os Amigos (1952-1954)».
A exposição foi proposta ao Santuário de Fátima pela Embaixada da República da Polônia em Portugal e a sua edição portuguesa é organizada por esta Embaixada e pela Universidade Católica Portuguesa; explica à Sala de Imprensa do Santuário Marco Daniel Duarte, um dos responsáveis do Museu do Santuário de Fátima.
A exposição fotográfica divide-se em quatro núcleos que mostram quatro tipos de caminhadas do grupo “Círculo”, grupo de oração e reflexão do qual fazia parte Karol Wojtyla quando dos seus trabalhos enquanto responsável pela pastoral universitária, em Cracóvia.
O âmbito cronológico dos documentos fotográficos é de 1952 a 1954. A frase do próprio Papa João Paulo II serve de legenda a esses quatro núcleos da exposição: «nas tradições do ‘Círculo’ incluem-se vários tipos de excursões a pé e de bicicleta, para além da canoagem e do esqui».
São esses os tipos de caminhadas que a exposição retrata: circuitos pedestres, prática de esqui, ciclismo e canoagem. Como o próprio pontífice virá, mais tarde, a escrever, «a história do ‘Círculo’ é, na verdade, a história das inúmeras excursões que marcaram profundamente os nossos corações».
A exposição é constituída por quase trinta expositores que mostram mais de oito dezenas de fotografias.
Apresentada pela primeira vez em Cracóvia, em Dezembro de 2006, depois de percorrer outros espaços na Polônia e noutros países, esteve patente, entre novembro e dezembro de 2008, na Biblioteca João Paulo II, na Universidade Católica, em Lisboa.
As fotografias históricas são da autoria de Jerzy Ciesielski e de Stanislaw A. Rybicki. A concepção da exposição é de Michal e Anita Michalak.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Bento XVI: Escritura e tradição são fundamento da fé



Catequese na audiência geral da quarta-feira


Publicamos a seguir o texto da catequese pronunciada nesta quarta-feira por Bento XVI por ocasião da audiência geral, com os peregrinos congregados na Sala Paulo VI.
* * *
Queridos irmãos e irmãs,
As últimas Cartas do epistolário paulino, das quais quero falar hoje, chamam-se Cartas Pastorais, porque foram enviadas a figuras singulares de Pastores da Igreja: duas a Timóteo e uma a Tito, colaboradores estreitos de São Paulo. Em Timóteo, o Apóstolo via quase um alter ego; de fato, ele lhe confiou missões importantes (na Macedônia: cf. Atos 19, 22; em Tessalônica: cf. 1 Ts 3,6-7; em Corinto: cf. 1 Cor 4, 17; 16,10-11), e depois escreveu dele um elogio revelador: «Pois não há ninguém como ele, tão unido comigo em sentimento, que com tão sincera afeição se interesse por vós» (Flp 2, 20). Segundo a Storia ecclesiastica de Eusébio de Cesaréia, do século IV, Timóteo foi depois o primeiro bispo de Éfeso (cf. 3, 4). Quanto a Tito, também ele deve ter sido muito querido ao Apóstolo, que o define explicitamente como «cheio de zelo... meu companheiro e colaborador» (2 Cor 8, 17. 23), e mais ainda, «meu verdadeiro filho na fé comum» (Tt 1,4). Ele havia sido encarregado de duas missões muito delicadas na Igreja de Corinto, cujo resultado reconfortou Paulo (cf. 2 Cor 7, 6-7.13;8,6). Depois, pelo que sabemos, Tito encontrou Paulo em Nicópolis de Épiro, na Grécia (cf. Tt 3, 12), e foi depois enviado por ele a Dalmácia (cf. 2 Tm 4, 10). Segundo a carta dirigida a ele, acabou sendo bispo de Creta (cf. Tt 1, 5).
As cartas dirigidas a estes dois pastores ocupam um lugar totalmente particular dentro do Novo Testamento. A maioria dos exegetas é hoje do parecer de que estas cartas não teriam sido escritas pelo próprio Paulo, mas que sua origem estaria na «escola de Paulo», e refletiria sua herança para uma nova geração, talvez integrando algum breve escrito ou palavra do próprio Apóstolo. Por exemplo, algumas palavras da Segunda Carta a Timóteo parecem tão autênticas que só poderiam vir do coração e da boca do Apóstolo.
Sem dúvida, a situação eclesial que emerge destas cartas é diferente à dos anos centrais da vida de Paulo. Ele agora, retrospectivamente, se autodefine «arauto, apóstolo e mestre» dos pagãos na fé e na verdade (cf. 1 Tm 2, 7; 2 Tm 1,11); apresenta-se como alguém que obteve misericórdia, porque – escreve assim – «se encontrei misericórdia, foi para que em mim primeiro Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade e eu servisse de exemplo para todos os que, a seguir, nele crerem, para a vida eterna» (1 Tm 1, 16). Portanto, o essencial é que realmente em Paulo, perseguidor convertido pela presença do Ressuscitado, aparece a magnanimidade do Senhor para nosso ânimo, para induzir-nos a esperar e a ter confiança na misericórdia do Senhor que, apesar da nossa pequenez, pode fazer coisas grandes. Além dos anos centrais da vida de Paulo, pressupõem-se também novos contextos culturais. De fato, faz-se alusão ao surgimento de ensinamentos considerados totalmente equivocados ou falsos (cf. 1 Tm 4,1-2; 2 Tm 3, 1-4), como os de quem pretendia que o matrimônio não fosse bom (cf. 1 Tm 4, 3a). Vemos que moderna é esta preocupação, porque também hoje se lê às vezes a Escritura como objeto de curiosidade histórica e não como Palavra do Espírito Santo, na qual podemos escutar a própria voz do Senhor e conhecer sua presença na história. Poderíamos dizer que, com este breve elenco de erros presente nas cartas, aparecem antecipados alguns esboços dessa orientação errônea sucessiva que conhecemos pelo nome de gnosticismo (cf. 1 Tm 2,5-6; 2 Tm 3, 6-8).
O autor enfrenta estas doutrinas com dois convites de fundo. Um consiste na volta a uma leitura espiritual da Sagrada Escritura (cf. 2 Tm 3, 14-17), ou seja, a uma leitura que a considera realmente como «inspirada» e procedente do Espírito Santo, de modo que por ela se pode ser «instruído para a salvação». Lê-se a Escritura corretamente pondo-se em diálogo com o Espírito Santo, para extrair dela luz «para ensinar, convencer, corrigir e educar na justiça» (2 Tm 3, 16). Neste sentido, acrescenta a carta: «assim, o homem de Deus é perfeito e está preparado para toda obra boa» (2 Tm 3, 17). O outro convite consiste na referência ao bom «depósito» (parathéke): é uma palavra especial das cartas pastorais com a qual se indica a tradição da fé apostólica que deve ser custodiada com ajuda do Espírito Santo que habita em nós. Este convite «depósito» deve ser considerado como a soma da Tradição apostólica e como critério de fidelidade ao anúncio do Evangelho. E aqui devemos ter presente que nas cartas pastorais, como em todo o Novo Testamento, o termo «Escrituras» significa explicitamente o Antigo Testamento, porque os escritos do Novo Testamento ou não existiam ainda ou não faziam parte de um cânon das Escrituras. Portanto, a Tradição do anúncio apostólico, este «depósito», é a chave de leitura para entender a Escritura, o Novo Testamento. Neste sentido, Escritura e Tradição, Escritura e anúncio apostólico como chaves de leitura, aproximam-se e quase se fundem, para formar juntos o «fundamento firme posto por Deus» (2 Tm 2, 19). O anúncio apostólico, ou seja, a Tradição, é necessária para introduzir-se na compreensão da Escritura e captar nela a voz de Cristo. É necessário, de fato, estar «aderido à palavra fiel, conforme ao ensinamento» (Tt 1,9). Na base de tudo está precisamente a fé na revelação histórica da bondade de Deus, o qual em Jesus Cristo manifestou concretamente seu «amor pelos homens», um amor que no texto original grego está significativamente qualificado como filanthropia (Tt 3,4; cf. 2 Tm 1,9-10); Deus ama a humanidade.
Em conjunto, vê-se bem que a comunidade cristã vai configurando-se em termos muito claros, segundo uma identidade que não somente se distancia de interpretações incongruentes, mas que sobretudo afirma sua própria ligação nos pontos essenciais da fé, que aqui é sinônimo de «verdade» (1 Tm2,4.7; 4,3; 6,5; 2 Tm 2,15.18.25; 3,7.8; 4,4; Tt 1,1.14). Na fé aparece a verdade essencial de quem somos, quem é Deus, como devemos viver. E desta verdade (a verdade da fé), a Igreja se define como «coluna e apoio» (1 Tm 3, 15). No entanto, permanece como uma comunidade aberta, de âmbito universal, que reza por todos os homens de toda classe e condição, para que cheguem ao conhecimento da verdade», porque «Jesus se deu a si mesmo em resgate por todos» (1 Tm 2, 4-5). Portanto, o sentido da universalidade, ainda que as comunidades sejam ainda pequenas, é forte e determinante para estas cartas. Também esta comunidade cristã «não injúria ninguém» e «mostra uma perfeita mansidão com todos os homens» (Tt 3, 2). Este é um primeiro componente importante destas cartas: a universalidade da fé como verdade, como chave de leitura da Sagrada Escritura, do Antigo Testamento, e assim delineia uma unidade de anúncio e Escritura e uma fé viva aberta a todos e testemunha do amor de Deus a todos.
Outro componente típico destas cartas é sua reflexão sobre a estrutura ministerial da Igreja. É nelas que pela primeira vez se apresenta a tripla subdivisão de bispos, presbíteros e diáconos (cf. 1 Tm 3,1-13; 4,13; 2 Tm 1,6; Tt 1,5-9). Podemos observar nas cartas pastorais o confluir de duas estruturas ministeriais e, assim, a constituição da forma definitiva do ministério da Igreja. Nas cartas paulinas dos anos centrais de sua vida, Paulo fala de «epíscopos» (Flp 1,1), e de «diáconos»: esta é a estrutura típica da Igreja que se formou na época do mundo pagão. Permanece, portanto, dominante a figura do próprio apóstolo e por isso só pouco a pouco se desenvolvem os demais ministérios.
Se, como se disse, nas Igrejas formadas no mundo pagão temos bispos e diáconos, e não presbíteros, nas Igrejas formadas no mundo judaico-cristão os presbíteros são a estrutura dominante. Ao final nas Cartas pastorais, as duas estruturas se unem: aparece agora o «epíscopo», o bispo (cf. 1 Tm 3, 2; Tt 1, 7), sempre em singular, acompanhado do determinante «ele». E junto ao «epíscopo» encontramos os presbíteros e os diáconos. Ainda agora é determinante a figura do Apóstolo, mas as três cartas, como já disse, dirigem-se já não a comunidades, mas a pessoas: Timóteo e Tito, os quais por um lado aparecem como bispos e por outro começam a estar no lugar do Apóstolo.
Nota-se assim inicialmente a realidade que mais tarde se chamará «sucessão apostólica». Paulo diz com tom de grande solenidade a Timóteo: «Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos» (1 Tim 4, 14). Podemos dizer que nestas palavras aparece inicialmente também o caráter sacramental do ministério. E assim temos o essencial da estrutura católica: Escritura e Tradição, Escritura e anúncio, formando um conjunto, mas a esta estrutura, por assim dizer doutrinal, deve acrescentar-se a estrutura pessoal, os sucessores dos Apóstolos, como testemunhas do anúncio apostólico.
É importante finalmente assinalar que nestas cartas a Igreja compreende a si mesma em termos muito humanos, em analogia com a casa e a família. Particularmente em 1 Tm 3, 2-7, leem-se instruções muito detalhadas sobre o epíscopo, como: «Não deve ser dado a bebidas, nem violento, mas condescendente, pacífico, desinteressado; deve saber governar bem a sua casa, educar os seus filhos na obediência e na castidade. Pois quem não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da Igreja de Deus? Não pode ser um recém-convertido, para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio. Importa, outrossim, que goze de boa consideração por parte dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e caia assim nas ciladas diabólicas». Deve notar-se aqui sobretudo a importância da aptidão para o ensino (cf. 1 Tm 6, 2c; 2 Tm 3, 10; Tt 2, 1), e depois uma especial característica pessoal, a da «paternidade». O epíscopo, de fato, é considerado como pai da comunidade cristã (cf. também 1 Tm 3, 15). Além do mais, a idéia da Igreja como «casa de Deus» tem suas raízes no Antigo Testamento (cf. Nm 12, 7) e se encontra reformulada em Hb 3, 2.6, enquanto em outro lugar se lê que todos os cristãos já não são estrangeiros nem hóspedes, mas concidadãos dos santos e familiares da casa de Deus (cf. Ef 2, 19).
Oremos ao Senhor e a São Paulo para que também hoje, como cristãos, possamos caracterizar-nos cada vez mais, em relação com a sociedade na qual vivemos, como membros da «família de Deus». E oremos também para que os pastores da Igreja tenham cada vez mais sentimentos paternos, ao mesmo tempo ternos e fortes, na formação da Casa de Deus, da comunidade, da Igreja.
[Depois das saudações, o Papa acrescentou:]
Antes das saudações aos peregrinos italianos, tenho ainda três comunicados a fazer.
O primeiro:
Recebi com alegria a notícia da eleição do metropolita Kirill como novo patriarca de Moscou e de todas as Rússias. Invoco sobre ele a luz do Espírito Santo para um generoso serviço à Igreja Ortodoxa Russa, confiando-o à especial proteção da Mãe de Deus.
O segundo:
Na homilia pronunciada por ocasião da solene inauguração de meu pontificado, eu dizia que é «explícito» dever do pastor «o chamado à unidade», e comentando as palavras evangélicas relativas à pesca milagrosa, eu disse: «ainda que havia tantos peixes, a rede não se rompeu», e prossegui após estas palavras evangélicas: «Ai de mim, amado Senhor, esta – a rede – agora está arrebentada, queríamos dizer com dor». E continuei: «Mas não – não devemos estar tristes! Alegremo-nos por vossa promessa que não decepciona e façamos todo o possível para percorrer o caminho rumo à unidade que vós prometestes... Não permitais, Senhor, que vossa rede se rompa e ajudai-nos a ser servidores da unidade».
Precisamente em cumprimento deste serviço à unidade, que qualifica de modo específico meu ministério de Sucessor de Pedro, decidi há dias conceder a remissão da excomunhão em que haviam incorrido os quatro bispos ordenados em 1988 por Dom Lefebvre sem mandato pontifício. Cumpri este ato de misericórdia paterna, porque repetidamente estes prelados me manifestaram seu vivo sofrimento pela situação na qual se encontravam. Auguro que a este gesto meu siga o solícito empenho por sua parte de levar a cabo ulteriores passos necessários para chegar à plena comunhão com a Igreja, dando testemunho assim de fidelidade verdadeira e verdadeiro reconhecimento do magistério e da autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II.
A terceira comunicação:
Nestes dias nos quais recordamos a Shoá, vêm-me à memória as imagens recolhidas em minhas repetidas visitas a Auschwitz, um dos lugares nos quais se consumou o brutal massacre de milhões de hebreus, vítimas inocentes de um cego ódio racial e religioso. Enquanto renovo com afeto a expressão de minha total e indiscutível solidariedade com nossos irmãos destinatários da Primeira Aliança, auguro que a memória da Shoá induza a humanidade a refletir sobre o imprevisível poder do mal quando conquista o coração do homem. Que a Shoá seja para todos advertência contra o esquecimento, contra a negação ou o reducionismo, porque a violência feita contra um só ser humano é violência contra todos. Nenhum homem é uma ilha, escreveu um conhecido poeta. Que a Shoá ensine especialmente tanto às antigas como àss novas gerações que só o fatigoso caminho da escuta e do diálogo, do amor e do perdão, conduz os povos, as culturas e as religiões do mundo ao desejado encontro da fraternidade e da paz na verdade. Que a violência nunca mais humilhe a dignidade do homem!


Fonte: Zenit.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Porta-voz vaticano: unidade dos cristãos traz esperança



Ao concluir a Semana de Oração


A unidade dos cristãos é um motivo de esperança para o mundo, assegura o Pe. Federico Lombardi, S.J.
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé comentou o tema do último dia da Semana de Oração pela Unidade dos cristãos, celebrado neste domingo: «Os cristãos proclamam a esperança em um mundo dividido».
O tema, segundo o Pe. Lombardi, «expressa com muita força o serviço precioso que os cristãos, juntos, podem e devem desenvolver pela unidade: com a força da sua esperança, conduzir a família humana rumo à unidade e à paz».
«Porque esperança e união são termos inseparáveis – acrescenta o porta-voz vaticano. Por um lado, a divisão e o ódio matam a esperança; por outro, a verdadeira grande esperança é sempre uma esperança para todos e supõe, portanto, a união.»
O Pe. Lombardi convida a «encontrar o sentido sólido e duradouro da esperança, de forma que as esperanças humanas sejam plataformas para ela, e não fonte de ilusões e desilusões contínuas».
Além disso, ele alenta a «encontrar a força da reconciliação e do perdão, sim o qual a guerra não terminará jamais».
«O mundo tem necessidade de tudo isso, e estas coisas os cristãos podem encontrar, e todos os cristãos juntos podem e devem testemunhar isso, porque conhecem uma fonte que suas divisões confessionais: Jesus Cristo e o seu Evangelho.»

Fonte: Zenit.

sábado, 24 de janeiro de 2009

CONVERSÃO DE SÃO PAULO



Mc 1, 14-20
“Sigam-me e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens”
O texto de hoje trata da vocação dos primeiros discípulos conforme a tradição sinótica, em contraste com o do último Domingo, que nos trouxe a tradição da comunidade do Discípulo Amado. Marcos logo destaca e situa concretamente o momento de Jesus lançar-se na sua vida pública - “depois que João Batista foi preso”. Não é uma indicação meramente cronológica, mas causativa, no sentido de que Jesus começou a pregar porque João foi preso. Assim, Ele se coloca na tradição profética de João Batista, uma vocação que levaria Jesus, como levou João, ao martírio. O texto encapsula no versículo 15 todo o conteúdo do Evangelho na frase lapidar: “o tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa-Notícia”. O Reino de Deus irrompeu no meio da humanidade de uma maneira definitiva, através da pessoa e ação de Jesus de Nazaré. Esse Reino exige resposta da parte das pessoas - a conversão que nasce da fé na Boa-Notícia da salvação, da justiça e da paz que Jesus trouxe. Deus quis precisar das pessoas para concretizar o seu plano; e, por isso, o primeiro passo de Jesus foi formar uma comunidade de discípulos. É importante notar a atividade dos primeiros chamados - dois estavam “lançando a rede ao mar” e dois estavam “consertando as redes”. Significa os dois aspectos da vida cristã - a missão (lançar as redes) e a comunhão (consertar as redes). Como as redes se rasgam de tanto lançar-se, assim acontece com a nossa vida, com as nossas comunidades - por sermos frágeis, facilmente se rompem a nossa comunhão e unidade. Por isso, temos também de dar tempo para “consertar” - fortalecer a nossa união, a nossa vida interior, as nossas comunidades. Rede rompida pega nada - e rede consertada, por tão bonita que possa ser, se não for lançada novamente, também pega nada. É assim com a vida cristã - se rompermos a nossa unidade e comunhão, não cativaremos as pessoas para o Reino. Por outro lado, se cairmos numa religião intimista e individualista, não nos lançando na missão, tampouco seremos “pescadores de homens”. O unilateralismo deve ser evitado. Também é de notar que, tanto os dois que estavam lançando as redes como os que estavam consertando-as, tiveram que deixar algo para seguir Jesus - ou as redes, (símbolo da segurança profissional) ou o pai e os empregados (símbolo da segurança afetiva). Não é possível seguir Jesus sem deixar algo. Uma religião de seguranças humanas, que não exige compromissos concretos e opções às vezes difíceis, tão difundida em programas de televisão por alguns pregadores “estrelas” das diversas Igrejas, não é a proposta de Jesus. O Evangelho é como “espada de dois gumes” (Hb 4, 12), incomoda e desinstala-nos hoje da mesma maneira do que os primeiros discípulos. Perguntemo-nos “o que é que o seguimento de Jesus exige que eu deixe, neste momento concreto da minha caminhada de discípulo/a?”


Fonte: Tomaz Hughes, SVD

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Papa recorda que Nossa Senhora «nos faz irmãos e nos une»



«O santuário de Mariazell mostra as raízes cristãs da Europa»


Por Inma Álvarez


O Papa Bento XVI dedicou nesta quarta-feira um emocionado e improvisado discurso a Nossa Senhora como «promotora da unidade» entre os homens, em agradecimento por ter recebido a cidadania honorária da localidade austríaca de Mariazell, sede de um dos santuários marianos mais importantes da Europa.
Esta distinção lhe foi conferida na presença do prefeito, Helmut Pertl, do bispo de Graz-Seckau, Dom Egon Kapellari, e do reitor do Santuário de Mariazell, Pe. Karl Schauer, O.S.B. Diante deles, o Papa expressou vivamente seu agradecimento.
«Segundo as previsões humanas, nesta vida não poderei voltar a peregrinar até lá fisicamente, mas agora vivo lá de verdade e neste sentido estou presente sempre», afirmou. «Estou contente por ser de casa com o coração, e também agora de direito, por assim dizer, em Mariazell.»
O Papa recordou duas visitas anteriores ao Santuário e contou algumas histórias vividas com o bispo e o reitor lá presentes, especialmente em sua última visita, por causa da chuva torrencial que os surpreendeu.
Por outro lado, manifestou a importância que este santuário, muito venerado pelos católicos alemães, teve na história européia: «Mariazell é muito mais que um ‘lugar’: é a atualização da história viva de uma peregrinação de fé e de oração durante os séculos», explicou.
Nesta peregrinação, acrescentou o Papa, «não estão somente as orações e as invocações dos homens, mas também está presente a realidade de uma resposta: sentimos que a resposta existe, que não estendemos a mão para algo desconhecido, mas que Deus existe, e que através de sua Mãe Ele quer estar particularmente próximo de nós».
Mariazell também expressa «o que a Europa foi capaz de construir e de onde procede tudo aquilo que hoje compõe sua identidade, e através de que a Europa poderá voltar a ser ela mesma: através do encontro com o Senhor, ao qual sua Mãe nos conduz», acrescentou o Papa.
A verdadeira grandeza
Bento XVI recordou que Nossa Senhora de Mariazell recebeu importantes títulos durante a história, como «grande mãe» da Áustria e dos povos eslavos, neste santuário visitado por milhares de pessoas durante os séculos, até o ponto de Mariazell ter sido consideda o centro espiritual do Império Austro-húngaro.
Contudo, acrescentou, a Virgem «nos ensina que o que é verdadeiramente ‘grande’ não é o fato de ser ‘inalcançável’».
Maria «manifesta sua grandeza precisamente no fato de que Ela se dirige aos pequenos e está presente para os pequenos; que podemos recorrer a ela em qualquer momento, sem ter de pagar nenhum ingresso de entrada, simplesmente levando o coração», explicou o Papa.
Esta grandeza, portanto, não tem a ver com «a majestade exterior», acrescentou, mas com «a bondade do coração que oferece a todos a experiência do que significa estar juntos».
«Nos passeios que faço nas paisagens das lembranças, volto sempre a fazer uma parada em Mariazell, precisamente porque sinto que lá a Mãe sai ao nosso encontro e reúne todos nós», concluiu o Papa.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Bento XVI: «Não pode haver diálogo ecumênico sem conversão interior»



Intervenção hoje durante a audiência geral


Oferecemos a seguir o discurso completo pronunciado nesta quarta-feira por Bento XVI aos milhares de peregrinos congregados na Sala Paulo VI para a audiência geral, dentro da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.


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Queridos irmãos e irmãs
No domingo passado começou a «Semana de oração pela unidade dos cristãos», que concluirá no próximo domingo, festa da Conversão de São Paulo Apóstolo. Trata-se de uma iniciativa espiritual belíssima, que está se estendendo cada vez mais entre os cristãos, em sintonia, e poderíamos dizer, em resposta à importante invocação que Jesus dirigiu ao Pai no cenáculo, antes de sua Paixão: «Que sejam uma só coisa, para que o mundo creia que tu me enviaste» (João 17, 21). Em quatro ocasiões, durante esta oração sacerdotal, o Senhor pede a seus discípulos que sejam «uma só coisa», segundo a imagem da unidade entre o Pai e o Filho. Trata-se de uma unidade que só pode crescer no exemplo da entrega do Filho ao Pai, ou seja, saindo de si e unindo-se a Cristo. Por duas vezes também, nesta oração Jesus acrescenta como fim desta unidade: para que o mundo creia. A unidade plena está conectada, portanto, à vida e à própria missão da Igreja no mundo. Esta deve viver uma unidade que só pode derivar de sua unidade com Cristo, com sua transcendência, como sinal de que Cristo é a verdade. Esta é nossa responsabilidade: que seja visível para o mundo o dom de uma unidade em virtude da qual nossa fé se torne crível. Por isso, é importante que cada comunidade cristã tome consciência da urgência de trabalhar de todas as formas possíveis para chegar a este grande objetivo. Mas sabendo que a unidade é antes de tudo «dom» do Senhor, é importante ao mesmo tempo implorá-la com oração incansável e confiada. Só saindo de nós mesmos e dirigindo-nos a Cristo, só na relação com Ele podemos chegar a estar realmente unidos entre nós. Este é o convite que, com a presente «Semana», recebemos como crentes em Cristo de toda igreja e comunidade eclesial; a ele, queridos irmãos e irmãs, devemos responder com generosidade.
Este ano, a «Semana de oração pela unidade dos cristãos» propõe para a nossa meditação e oração estas palavras tomadas do livro do profeta Ezequiel: «Estarão unidos em tua mão» (37, 17). O tema foi escolhido por um grupo ecumênico da Coreia, e revisado depois para sua divulgação internacional pelo Comitê Misto de Oração, formado por representantes do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Ecumênico das Igrejas de Genebra. O mesmo processo de preparação foi um estimulante e fecundo exercício de autêntico ecumenismo.
Na passagem do livro do profeta Ezequiel da qual se tirou o tema, o Senhor ordena ao profeta que tome duas madeiras, uma como símbolo de Judá e suas tribos, e a outra como símbolo de José e de toda a casa de Israel unida a ele, e lhes pede que as «aproxime», de modo que formem uma só madeira, «uma só coisa» em sua mão. É transparente a parábola da unidade. Aos «filhos do povo», que pedirão explicação, Ezequiel, iluminado desde o Alto, dirá que o próprio Senhor toma as duas madeiras e as aproxima, de forma que os dois reinos com suas respectivas tribos, divididas entre si, sejam «uma só coisa em tua mão». A mão do profeta, que aproxima os dois lenhos, é considerada como a mão do próprio Deus que recolhe e unifica seu povo e finalmente a humanidade inteira. Podemos aplicar as palavras do profeta aos cristãos, como uma exortação a rezar, a trabalhar, fazendo todo o possível para que se cumpra a unidade de todos os discípulos de Cristo; trabalhar para que nossa mão seja instrumento da mão unificadora de Deus. Esta exortação é particularmente comovedora e importante nas palavras de Jesus após a Última Ceia. O Senhor deseja que seu povo inteiro caminhe – e vê nele a Igreja do futuro, dos séculos futuros – com paciência e perseverança para a realização da unidade plena, atitude esta que comporta a adesão dócil e humilde ao mandato do Senhor, que o abençoa e o torna fecundo. O profeta Ezequiel nos assegura que será precisamente Ele, nosso único Senhor, o único Deus, que nos colherá em «sua mão».
Na segunda parte da leitura bíblica se aprofunda no significado e nas condições da unidade das diversas tribos em um só reino. Na dispersão entre os gentios, os israelenses haviam conhecido cultos errôneos, haviam assimilado concepções de vida equivocadas, haviam assumido costumes alheios à lei divina. Agora o Senhor declara que já não se contaminarão mais com os ídolos dos povos pagãos, com suas abominações, com todas suas inquietudes (cf. Ezequiel 37, 23). Exige a necessidade de libertá-los do pecado, de purificar seu coração. «Eu os livrarei de todas as suas rebeldias – afirma –, e os purificarei». E assim «serão meu povo e eu serei seu Deus» (ibidem). Nesta condição de renovação interior, estes «seguirão meus mandamentos, observarão minhas leis e as porão em prática». E o texto profético termina com a promessa definitiva e plenamente salvífica: «Farei com eles uma aliança de paz... Porei meu santuário, ou seja, minha presença, no meio deles» (Ezequiel 37, 26).
A visão de Ezequiel é particularmente eloquente para todo o movimento ecumênico, porque manifesta a exigência imprescindível de uma renovação interior autêntica em todos os componentes do Povo de Deus, que só o Senhor pode realizar. A esta renovação devemos estar abertos também nós, porque também nós, dispersos entre os povos do mundo, aprendemos costumes muito distantes da Palavra de Deus. «Assim como hoje a renovação da Igreja – lê-se no Decreto sobre o ecumenismo do Concílio Vaticano II – consiste essencialmente no crescimento da fidelidade à sua vocação, esta é sem dúvida a razão do movimento rumo à unidade» (UR, 6), ou seja, uma maior fidelidade à vocação de Deus. O decreto sublinha também a dimensão interior da conversão do coração. «O ecumenismo verdadeiro – acrescenta – não existe sem a conversão interior, porque o desejo da unidade nasce e amadurece na renovação da mente, na abnegação de si mesmo e no exercício pleno da caridade (UR, 7).» A «Semana de oração pela unidade» se converte, desta forma, para todos nós, em estímulo a uma conversão sincera e a uma escuta cada vez mais dócil à Palavra de Deus, a uma fé cada vez mais profunda.
A «Semana» é também uma ocasião propícia para agradecer ao Senhor por tudo o que nos concedeu fazer até agora «para aproximar» uns dos outros, os cristãos divididos, e as próprias Igrejas e comunidades eclesiais. Este espírito animou a Igreja Católica, a qual, durante o ano passado, prosseguiu, com firme convicção e segura esperança, mantendo relações fraternas e respeitosas com todas as igrejas e comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente. Na variedade das situações, às vezes mais positivas e às vezes com mais dificuldades, esforçou-se por não decair nunca no empenho de realizar todos os esforços para a recomposição da unidade plena. As relações entre as Igrejas e os diálogos teológicos continuaram dando sinais de convergências espirituais alentadoras. Eu mesmo tive a alegria de encontrar, aqui no Vaticano e ao longo das minhas viagens apostólicas, cristãos procedentes de todos os horizontes. Acolhi com viva alegria por três ocasiões o Patriarca Ecumênico Sua Santidade Bartolomeu I e, como acontecimento extraordinário, nós o ouvimos tomar a palavra, com calor eclesial fraterno e com confiança convencida no porvir, durante a recente assembléia do Sínodo dos Bispos. Tive o prazer de receber os dois Catholicoi da Igreja Apostólica Armênia: Sua Santidade Karekin II, de Etchmiazin, e Sua Santidade Aram I, de Antelias. E, finalmente, compartilhei a dor do Patriarcado de Moscou pela partida do amado irmão em Cristo, o Patriarca Sua Santidade Alexis II, e continuo permanecendo em comunhão de oração com estes irmãos nossos que se preparam para eleger o novo Patriarca da venerada e grande Igreja Ortodoxa. Igualmente, foi-me dado encontrar representantes das diversas Comunhões cristãs do Ocidente, com os quais prossegue o diálogo sobre o importante testemunho que os cristãos devem dar hoje de forma concorde, em um mundo cada vez mais dividido e enfrentado tantos desafios de caráter cultural, social, econômico e ético. Por isso e por tantos outros encontros, diálogos e gestos de fraternidade que o Senhor nos permitiu poder realizar, agradecemos-lhe juntos com alegria.
Queridos irmãos e irmãs, aproveitemos a oportunidade que a «Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos» nos oferece para pedir ao Senhor que prossigam e, se for possível, que se intensifiquem, o compromisso e o diálogo ecumênicos. No contexto do Ano Paulino, que comemora o bimilênio do nascimento de São Paulo, não podemos não referir-nos ao que o Apóstolo Paulo nos deixou escrito a propósito da unidade da Igreja. Cada quarta-feira dedicarei minha reflexão às suas cartas e ao seu precioso ensinamento. Retomo aqui simplesmente quando escreveu dirigindo-se à comunidade de Éfeso: «Um só corpo e um só espírito, como uma só é a esperança à qual fostes chamados, a da vossa vocação. Um só Senhor, uma só fé, um só batismo» (Ef 4, 4-5). Façamos nosso o anseio de São Paulo, que dedicou sua vida inteiramente ao único Senhor e à unidade de seu Corpo Místico, a Igreja, dando, com o martírio, um supremo testemunho de fidelidade e de amor a Cristo.
Seguindo seu exemplo e contando com sua intercessão, que cada comunidade cresça no empenho da unidade, graças às diversas iniciativas espirituais e pastorais e às assembléias de oração comum, que costumam ser mais numerosas e intensas nesta «Semana», fazendo-nos já saborear antecipadamente, de certa forma, o gozo da unidade plena. Oremos para que entre as Igrejas e Comunidades eclesiais continue o diálogo da verdade, indispensável para dirimir as divergências, e o da caridade, que condiciona o próprio diálogo teológico e ajuda a viver unidos para um testemunho comum. O desejo que habita em nossos corações é de que chegue logo o dia da comunhão plena, quando todos os discípulos do único Senhor nosso poderão finalmente celebrar juntos a Eucaristia, o sacrifício divino para a vida e a salvação do mundo. Invocamos a intercessão maternal de Maria, para que ajude todos os cristãos a cultivarem uma escuta mais atenta da Palavra de Deus e uma oração mais intensa pela unidade.


[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri


Fonte: Zenit.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Católicos e ortodoxos tentarão chegar a acordo sobre primado do Papa



O debate sobre este tema centrará os trabalhos conjuntos durante 2009

Por Inma Álvarez

Apesar das dificuldades, o diálogo entre as Igrejas Católica e Ortodoxa avança positivamente, tanto no diálogo teológico como nas relações fraternas. Assim constatou o subsecretário do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, Dom Eleuterio F. Fortino, em um breve informe sobre a situação dos trabalhos da Comissão Mista, publicado por L'Osservatore Romano em sua edição de ontem.
Para o especialista, é significativo o desenvolvimento, nos últimos anos, de «relações construtivas» entre Roma e Constantinopla, mas também «com o Patriarcado de Moscou e outras Igrejas», como mostra o recente intercâmbio de visitas entre patriarcas e cardeais, assim como a participação, pela primeira vez na história, do Patriarca de Constantinopla na Assembléia do Sínodo dos Bispos.
Com relação ao diálogo teológico, Dom Fortino explica que a Comissão está atualmente revisando a questão de como se entendia o primado do bispo de Roma, prima sedes, no primeiro milênio do cristianismo, quando ambas as Igrejas estavam em comunhão apesar das dificuldades.
Para facilitar os trabalhos, a Comissão de dividiu em duas subcomissões, uma de língua inglesa e outra francesa, que estudam os documentos eclesiais em que se trata desta questão, como as cartas apostólicas dos primeiros séculos ou os Padres da Igreja.
Também se estuda o papel dos Papas na refutação de heresias como o arianismo, o monofisismo etc., em particular na condenação das heresias iconoclastas (Concílio de Nicéia II, ano 787) que tanta transcendência teve para as igrejas orientais.
A questão, explica Dom Fortino, não é tanto a do primado de Roma em si, que ambas as Igrejas aceitam, tal como mostra o documento conjunto de Ravena (assinado em 2007), mas a interpretação do conteúdo do primado, sobre a qual ainda existem grandes diferenças.
Para isso, acrescentam, a chave está em «chegar a uma leitura comum dos fatos históricos, uma hermenêutica comum na interpretação dos dados da Escritura e das opções teológicas».
Outra das questões que deverá ser estudada é como o conteúdo deste primado evoluiu no segundo milênio, após a ruptura entre as duas confissões, e qual é a situação atual após os Concílios Vaticano I e II, que tentam recuperar a visão de comunhão que existia no primeiro milênio.
Em resumo, explica Fortino, o diálogo «continua aberto em uma nova fase e em uma perspectiva positiva», apesar das «dificuldades permanentes e novas».

Fonte: Zenit.