sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Ecumenismo: Papa alerta para «falsos modelos de comunhão»

O Papa frisou hoje no Vaticano que o verdadeiro ecumenismo brota da ligação a Cristo, e alertou contra os “falsos modelos de comunhão que não geram unidade, antes a contradizem na sua essência”.
“A nossa conversão pessoal e comunitária, a nossa gradual configuração com Cristo. Este é o principal alicerce”, sustentou Francisco, durante uma audiência com os participantes de uma assembleia plenária do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade entre os Cristãos.
A reunião deste dicastério da Santa Sé, atualmente presidido pelo cardeal suíço Kurt Koch, tem como tema “Unidade dos cristãos: que modelo de plena comunhão?”.
Na sua intervenção, publicada pelo serviço informativo do Vaticano, o Papa apontou que o ecumenismo deve ser “uma exigência” para cada cristão “mas não basta concordar na compreensão do Evangelho”.
“Ele não é conformidade nem proselitismo, que é um veneno para o caminho ecumênico”, pois as comunidades cristãs são chamadas a colaborar, não a “fazer concorrência”.   
Francisco apontou ainda que o ecumenismo também não pode partir da supressão de “tradições teológicas, litúrgicas, espirituais e canônicas”, pois isso seria ir contra o Espírito Santo”.
“É sim um caminho, com a sua própria tabela de marcha, os seus ritmos, às vezes lentos e outras vezes mais acelerados; requer esperas, tenacidade, fadiga e esforço; não anula conflitos nem cancela contrastes. Todavia, quem percorre este caminho é confortado pela contínua experiência de uma comunhão felizmente avistada, mesmo que não ainda alcançada”, acrescentou.
O Papa recordou a sua recente visita à Suécia onde participou nas comemorações dos 500 anos da Reforma e dos 50 anos do início do diálogo ecumênico.
Uma viagem que avivou o princípio desse diálogo, formulado em 1952, e que exorta os cristãos a “fazerem juntos todas as coisas, menos nos casos em que as profundas dificuldades de convicção imponham uma ação separada”.
Francisco explanou depois a dupla dimensão que deve ser ponto de partida para o ecumenismo.
 “Qual é a relação que mais une todos nós do que sermos pecadores e ao mesmo tempo alvo da infinita misericórdia de Deus, a nós revelada por Jesus Cristo? Todas as divergências teológicas que ainda dividem os cristãos apenas serão superadas neste caminho”, concluiu.
JCP - Agência Ecclesia.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Liberdade Religiosa: Congresso sobre a figura e as 95 teses de Martinho Lutero

A figura de Martinho Lutero e as suas 95 teses vão ser objeto de reflexão num congresso internacional, a realizar em novembro do próximo ano e que foi apresentado, esta quarta-feira, em Lisboa.
Com o título «Um construtor da modernidade: Lutero – Teses – 500 anos», este congresso internacional pretende estudar a figura deste “homem reformista” que marca o “nascimento de uma nova Europa”, referiu José Eduardo Franco, membro da comissão científica desta iniciativa.
A modernidade faz-se a partir de “um desejo e de um grito” de reforma em vários campos onde a reforma de Lutero “é uma dessas correntes que ele acaba por liderar”, disse.
Enquanto “muitos outros atores e autores ficaram esquecidos”, todavia Martinho Lutero (1483-1546) representa esse espírito com as diferentes reformas que foram “construtoras da modernidade”.
Com a realização do congresso pretende-se “lançar o olhar sobre a modernidade e o mundo que a partir daquele momento se gerou” e que marca os “homens de hoje”, salientou José Eduardo Franco.
Na apresentação do congresso internacional que contou também com intervenções de Guilherme d´Oliveira Martins, José Vera Jardim e Tiago Cavaco, José Eduardo Franco realça que esta iniciativa reúne “várias áreas do saber numa constelação multitemática”.
A influência de Martinho Lutero vai da “Teologia, ao Direito, à Economia” e marcou “uma nova visão da Europa”, disse.
LFS - Agência Ecclesia.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

«Sede de poder» e «deslealdade» impedem «servir o Senhor com liberdade» - Papa Francisco

O Papa Francisco disse hoje que são muitos os obstáculos que “impedem de servir o Senhor com liberdade” como “a sede de poder” e a “deslealdade” que também existe “na vida da Igreja”.
“O Senhor disse que nenhum serviço pode ter dois patrões. Ou serve Deus ou serve o dinheiro e este é um obstáculo: a deslealdade que não é o mesmo do que ser pecador”, disse na homilia da Eucaristia matinal na Capela da Casa de Santa Marta.
Segundo Francisco, todos são pecadores e arrependem-se, mas “ser desleais é fazer jogo duplo”, é “jogar com Deus e jogar com o mundo”, o que “é um obstáculo”.
“Aquele que tem sede de poder e aquele que é desleal dificilmente podem servir ou serem servos livres do Senhor”, afirmou sobre obstáculos que “tiram a paz e causam um tremor no coração que não deixa em paz”.
Sobre a “sede de poder”, o Pontífice argentino explicou que “Jesus reverte os valores da mundanidade” porque ensinou que “aquele que comanda se torna como aquele que serve”.
“Este desejo de poder não é o caminho para se tornar um servo do Senhor, pelo contrário, é um obstáculo, um destes obstáculos que rezamos ao Senhor para que afaste de nós”, desenvolveu.
Francisco alertou para as pessoas que vivem apenas para “ser vitrina, para aparecer”, pela fama mundana”.
“O serviço de Deus é livre, nós somos filhos não escravos. Servir Deus em paz, com serenidade, quando Ele mesmo tirou os obstáculos que tiram a paz e a serenidade, é servi-Lo com a liberdade”, referiu o Papa.
“Pedimos ao Senhor para remover os obstáculos para que com serenidade, seja do corpo, seja do espírito possamos dedicar-nos livremente ao seu serviço”, acrescentou.
Neste contexto, a frase “somos servos inúteis” é uma afirmação que para o Papa o “verdadeiro discípulo do Senhor” deve repetir para si próprio, notícia a Rádio Vaticano.
CB/PR - Agência Ecclesia.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Papa diz estará em Fátima nos dias 12 e 13 de maio

O Papa Francisco disse hoje à irmã Júlia Bacelar Gonçalves, religiosa portuguesa das Irmãs Adoradoras, que vai estar em Fátima nos dias 12 e 13 de maio de 2017.
Num texto publicado na rede social ‘Facebook’, a irmã Júlia Bacelar conta que entregou ao Papa uma bandeira de Portugal e disse que “significa o amor do povo português e a esperança de o ver em Fátima no dia 13 de Maio”.
“Ele apertou as minhas mãos e disse: ‘vou no dia 12… Vemo-nos lá’”, acrescenta a religiosa.
Em declarações à revista ‘Família Cristã’ a irmã Júlia Bacelar disse que a audiência do Papa Francisco aconteceu no âmbito da assembleia da RENATE (Religious in Europe Networking Against Trafficking and exploitation), em que está a participar.
“No final, cumprimentou-nos uma a uma, e quando falei com ele, entreguei-lhe uma bandeira de Portugal dizendo-lhe que ela significa o amor do povo português e a esperança de o ver em Fátima no dia 13 de Maio. Ele apertou as minhas mãos e disse: ‘Vou dia 12 à noite... Vemo-nos lá", e olhou para o secretário, que acenou com a cabeça a confirmar’, recorda a religiosa.
“Algumas das irmãs que estavam comigo disseram que ao ouvir o nome de Fátima, o seu rosto iluminou-se... sei que isto vale o que vale, mas foi o que me disse hoje”, acrescentou.
Em declarações à Rádio Renascença, o presidente da República considera que a presença do Papa no dia 12 e 13 de maio, será um “desejo cumprido” dos portugueses.
“A confirmar-se, corresponde a um desejo manifestado quer diretamente a Sua Santidade, quer ao secretário de Estado, cardeal Parolin, quando esteve cá, que era que não perdesse a procissão das velas, no dia 12, o que implicava vir dia 12 e sair dia 13, à tarde”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.
Na peregrinação a Fátima de 12 e 13 de outubro, presidida pelo cardeal Pietro Parolin, o bispo de Leiria-Fátima pediu ao secretário de Estado do Vaticano que transmitisse ao Papa o desejo de o ver na Cova da Iria, em maio de 2017, no Centenário das Aparições.
“Queremos acender aqui com ele [o Papa] as velas acesas da nossa fé, queremos rezar com ele aqui os mistérios de Cristo, recitando o Rosário, queremos cantar com ele o magnificat da misericórdia, que é o tema do seu pontificado, aquela misericórdia que Nossa Senhora anunciou aqui para toda a humanidade”, afirmouD. António Marto, numa intervenção aplaudida pelos milhares de peregrinos reunidos no Santuário de Fátima.
A tradicional procissão das velas acontece na celebração da vigília [dia 12] das peregrinações internacionais na Cova da Iria, após a recitação do Rosário, na Capelinha das Aparições.
A viagem do Papa a Portugal ainda não está confirmada oficialmente pelo Vaticano.
Francisco será o quarto Papa a visitar Portugal, depois de Paulo VI (13 de maio de 1967), João Paulo II (12-15 de maio de 1982; 10-13 de maio de 1991; 12-13 de maio de 2000) e Bento XVI (11-14 de maio de 2010).
São João Paulo II cumpriu ainda uma escala técnica no Aeroporto de Lisboa (2 de março de 1983), a caminho da América Central.
PR - Agência Ecclesia.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Papa preside a Missa com presos e ex-reclusos e pede aposta na reabilitação

O Papa presidiu hoje no Vaticano à Missa do Jubileu dos Reclusos, com presos e antigos detidos de 12 países, incluindo Portugal, contestando a “hipocrisia” de quem na prisão a única resposta ao mal.
“Cada vez que entro numa cadeia, pergunto-me: porquê eles e não eu? Todos temos a possibilidade de errar”, sublinhou Francisco, na homilia da celebração que decorreu na Basílica de São Pedro.
Diante de presos, ex-reclusos, familiares, voluntários e capelães prisionais, o Papa lamentou a “pouca confiança” que existe na “reabilitação”.
“Às vezes, uma certa hipocrisia impele a ver em vós apenas pessoas que erraram, para quem a única estrada é a prisão”, disse aos detidos.
Francisco sublinhou que, muitas vezes, há “prisioneiros” que não se apercebem das suas prisões, sejam elas os seus “preconceitos” ou “esquemas ideológicos”, como acontece com quem “absolutiza as leis de mercado”.
“Apontar o dedo contra alguém que errou não pode tornar-se um álibi para esconder as nossas próprias contradições, denunciou.
Antes da chegada do Papa, os participantes no evento viveram um momento de reflexão, com testemunhos e cânticos, seguido da recitação do terço, em preparação para a Missa, na qual foram consagradas hóstias confecionadas por alguns presos de Milão.
A homilia de Francisco sublinhou a importância da “esperança” e do perdão, apontando ao “futuro”.
“Aprendendo com os erros do passado, pode abrir-se um novo capítulo da vida. Não caiamos na tentação de pensar que não podemos ser perdoados”, pediu.
O Papa afirmou que “só a força de Deus, a misericórdia” pode curar “certas feridas”.
No sábado, os participantes - reclusos e seus familiares, funcionários penitenciários, capelães e voluntários da pastoral prisional e membros de associações católicas – tiveram a oportunidade de confessar-se, nas igrejas jubilares de Roma, seguindo em peregrinação para a porta santa da Basílica de São Pedro.
A Eucaristia de hoje contou com a inédita exposição de um crucifixo de madeira do século XIV que, à exceção do primeiro jubileu, em 1300 (convocado por Bonifácio VIII), viu todos os anos santos da Igreja Católica.
Junto à cruz foi colocada uma imagem de Nossa Senhora das Mercês, padroeira dos reclusos.
“Hoje veneramos a Virgem Maria nesta imagem que no-La representa como Mãe que sustenta nos seus braços Jesus com uma corrente quebrada, as correntes da escravidão e da prisão”, explicou o Papa.
“Que Ela pouse sobre cada um de vós o seu olhar materno; faça brotar do vosso coração a força da esperança para uma vida nova e digna de ser vivida na liberdade plena e no serviço do próximo”, concluiu.
A delegação portuguesa, com cerca de 80 pessoas, é acompanhada por D. Joaquim Mendes, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.
OC - Agência Ecclesia.

domingo, 6 de novembro de 2016

Albânia: País celebra beatificação de 38 mártires assassinados durante a ditadura comunista

O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos (Santa Sé) vai presidir, este sábado na Albânia, à beatificação de 38 sacerdotes e leigos católicos torturados e executados durante a ditadura comunista naquele país.
De acordo com a Rádio Vaticano, o cardeal Angelo Amato vai deslocar-se à Arquidiocese de Scutari como emissário do Papa Francisco para a cerimônia que consagrará como novos beatos da Igreja Católica “dois bispos, 21 sacerdotes diocesanos, 7 franciscanos, 3 jesuítas, um seminarista e quatro leigos”.
O arcebispo de Scutari sublinha que estes “mártires foram presos e acusados injustamente de serem inimigos do povo, sabotadores do regime e espiões do Vaticano”.
“Havia este clima de terror que realmente desumanizou parte do povo albanês. E muitos foram assassinados, não apenas ligados à Igreja Católica, mas também muitos outros”, recordou.
Os futuros beatos foram martirizados entre 1945 e 1974, num período em que a ditadura comunista na Albânia considerava rezar e ter fé um crime punível por lei.
A Catedral de Shkodër, onde vai decorrer a cerimônia de beatificação, chegou a ser utilizada como complexo desportivo.
Foi também o local onde mais tarde decorreu a primeira missa após a queda do regime comunista, a partir de 1990.
JCP - Agência Ecclessia.

sábado, 5 de novembro de 2016

Ajustes de contas



Jesus, é sabido pelos relatos dos Evangelhos, costumava ir ao encontro de gente pouco recomendável para os padrões da época. Os seus críticos usavam repetidas vezes como argumento a proximidade de Cristo com “pecadores e publicanos” - porque o verdadeiro Messias nunca poderia entrar em contacto com gente impura. A ‘revolução da ternura’ de que o Papa Francisco tantas vezes fala não é uma invenção piedosa, mas uma consequência prática da fé cristã, quando se inspira nas palavras e gestos do próprio Jesus Cristo, que nunca deixou de ir ao encontro de quem era excluído da sociedade, muitas vezes em nome de preceitos religiosos.
A respeito do famoso episódio de Zaqueu, um “explorador” do seu povo que Jesus chama pelo nome, para entrar em sua casa, o Papa argentino traçou um retrato do que muitos julgam que teria sido a atitude correta: ‘Desce, tu, explorador, traidor do povo! Vem falar comigo, para acertarmos contas!’. Como a opção cristã é outra, lembra Francisco, muitos começam a “murmurar”.
Ser católico é, necessariamente, ir ao encontro de quem é diferente, de quem vive de outra forma, porque só assim é possível testemunhar a própria fé. Com a convicção de que também é possível aprender e não apenas ensinar.
O pontificado de Francisco, que acaba de realizar uma viagem à Suécia nos 500 anos da reforma protestante - mais preocupado em apontar ao futuro do que em ‘acertar contas’ -, tem sido pródigo em gestos e palavras que apontam nesse sentido, sublinhando a necessidade de levar à Igreja Católica para junto das “periferias” existenciais e geográficas do mundo de hoje. Porque, como o próprio disse esta quinta-feira, a humanidade “tem sede de misericórdia” e não há tecnologia que a possa matar. Só o amor.

Octávio Carmo

Fonte: Agência ECCLESIA