segunda-feira, 23 de março de 2015

Evangelho, crucifixo e testemunho da nossa fé

Queridos irmãos e irmãs,

Neste quinto domingo da Quaresma, o evangelista João chama a nossa atenção com um detalhe curioso: alguns "gregos", judeus, vindos de Jerusalém para a festa da Páscoa, se voltam para o apóstolo Filipe e dizem: "Queremos ver Jesus"(Jo 12, 21). Na cidade santa, onde Jesus foi pela última vez, havia muitas pessoas. Havia os pequenos e simples que acolheram festivamente o profeta de Nazaré reconhecendo-o como o enviado do Senhor. Havia os sumo sacerdotes e chefes do povo que querem elimina-lo porque consideram-no herético e perigoso. E havia também pessoas, como os "gregos", curiosos para vê-lo e saber mais sobre a sua pessoa e as obras por Ele realizadas, entre as quais - a ressurreição de Lázaro – que causou grande alarde.
‘Queremos ver Jesus’: estas palavras, como tantas outras no Evangelho, ultrapassam determinado episódio e exprimem algo universal; revelam um desejo que atravessa as épocas e as culturas, um desejo presente no coração de tantas pessoas que ouviram falar de Cristo, mas que ainda não o encontraram. ‘Eu quero ver Jesus’, isso sente o coração deste povo.
Respondendo indiretamente, de maneira profética, o pedido para vê-lo, Jesus faz uma profecia que revela a sua identidade e indica o caminho para conhecê-lo verdadeiramente: "Chegou a hora do Filho do Homem ser glorificado" (Jo 12, 23). É a hora da cruz! É o tempo da derrota de Satanás, o príncipe do mal, e do triunfo definitivo do amor misericordioso de Deus. Cristo declara que será "elevado da terra", uma expressão com duplo significado. (V 32): "elevado" porque crucificado, e "elevado" porque exaltado pelo Pai na Ressurreição, para atrair todos a si e reconciliar os homens com Deus e uns com os outros. A hora da Cruz, a hora mais escura da história, é também a fonte da salvação para todos os que acreditam nEle.
Prosseguindo a profecia sobre sua iminente Páscoa, Jesus utiliza uma imagem simples e sugestiva, a do "grão de trigo", que cai na terra e morre para dar fruto (cf. v. 24). Nesta imagem encontramos um outro aspecto da cruz de Cristo: o da fecundidade. A cruz de Cristo é fecunda. A morte de Jesus, de fato, é uma fonte inesgotável de vida nova, porque traz em si a força regeneradora do amor de Deus. Imerso nesse amor pelo Batismo, os cristãos podem se transformar em "grãos" e produzir muitos frutos se, assim como Jesus, "perdem a própria vida" por amor a Deus e aos irmãos (cf. v. 25).
Por esta razão, àqueles que ainda hoje "querem ver Jesus", àqueles que estão buscando a face de Deus; que receberam uma catequese quando pequeno e depois não aprofundaram mais, talvez tenham perdido a fé; tantos que ainda não conheceram Jesus pessoalmente...; às todas essas pessoas podemos oferecer três coisas: o Evangelho; o crucifixo e o testemunho da nossa fé, pobre, mas sincera. O Evangelho: nele podemos encontrar Jesus, escutá-lo, conhecê-lo. O crucificado: sinal do amor de Jesus que se entregou por nós. E, depois, uma fé que se traduz em simples gestos de caridade fraterna. Mas principalmente, na coerência de vida, entre o que dizemos e aquilo que vivemos, coerência entre a nossa fé e a nossa vida, entre as nossas palavras e as nossas ações. Evangelho, crucifixo, testemunho. Que Nossa Senhora nos ajude a levar essas três coisas.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs,
Apesar do mal tempo vocês vieram, muitos, parabéns. Vocês são corajosos, os maratonistas também são corajosos, saúdo-os com afeto. Ontem eu estive em Nápoles para uma vista pastoral, quero agradecer a calorosa acolhida de todos os napolitanos. São ótimos. Muito obrigado!
Hoje é o Dia Mundial da Água, promovido pelas Nações Unidas. A água é o elemento mais essencial para a vida, e da nossa capacidade de cuidar e compartilhar depende o futuro da humanidade. Portanto, incentivo a comunidade internacional a garantir que as águas do planeta sejam devidamente protegidas e ninguém seja excluído ou discriminado no uso desse bem, que é um bem comum por excelência. Como dizia São Francisco de Assis: "Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água, que é muito útil e humilde e preciosa e casta”(Cântico do Irmão Sol).
Saúdo todos os peregrinos presentes, especialmente o coral do "Conservatorio Profesional de Música" de Orihuela (Espanha), os jovens do Collège Saint-Jean de Passy de Paris, os fiéis da Hungria, e as bandas do Cantão Ticino (Suíça). A Ordem Franciscana Secular de Cremona, UNITALSI da Lombardia, o grupo devotado ao bispo mártir Oscar Romero, que em breve será beatificado; bem como os fiéis de Fiumicino, as crianças da Primeira Comunhão de Sambuceto, os jovens de Ravenna, Milão e Florença, que receberam recentemente ou estão prestes a receber o Crisma.
E agora vamos repetir um gesto já feito no ano passado: de acordo com a antiga tradição da Igreja, durante a Quaresma se entrega o evangelho àqueles que se preparam para o batismo; então, eu ofereço a vocês que estão na Praça um presente, um Evangelho de bolso. Serão distribuídos gratuitamente por alguns moradores de rua que vivem em Roma. Mais uma vez, vemos um gesto muito bonito, que agrada a Jesus: os mais necessitados são os que nos dão a Palavra de Deus, peguem e levem com vocês, leiam frequentemente, todos os dias, levem na bolsa, no bolso, e leiam muitas vezes, um trecho a cada dia. A Palavra de Deus é luz para o nosso caminho! Fará bem a vocês!
Desejo a todos um bom domingo. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até logo!

domingo, 22 de março de 2015

Patriarca Gregório III Laham: o governo sírio é responsável por proteger os cidadãos

Um primaz da Igreja Católica Oriental está rejeitando a ideia de que o sofrimento infligido pelos jihadistas à comunidade cristã e a outros grupos do Oriente Médio possa justificar a intervenção militar.
De acordo com a Agência Fides, o patriarca greco-melquita católico Gregório III Laham declarou: "Não é adequado invocar intervenções militares externas para defender os cristãos na Síria e no Oriente Médio. Somos um país soberano com um governo legítimo, que é responsável por proteger os seus cidadãos".
"Se realmente queremos dar fim à tragédia do povo sírio", ressaltou o patriarca, "só há um caminho: acabar com as guerras, com as armas, com o dinheiro e com os estratagemas que estão sendo usados ​​para atacar a Síria".
Nesta última segunda-feira, Gregório III presidiu uma vigília de oração pela paz na Catedral da Assunção de Maria, em Damasco. Estiveram presentes representantes e delegações de todas as comunidades católicas e ortodoxas.
"Nós compartilhamos cantos e orações de penitência e de paz", comentou ele, destacando que "os cristãos são os verdadeiros promotores da paz na Síria".
Sua Beatitude observou ainda que a maneira de promover a paz, para a Igreja, é a oração e o apoio a todos os que podem ajudar a parar o fluxo de armas no Oriente Médio.
"Em 7 de setembro de 2013", recordou o patriarca, “o papa Francisco chamou o mundo para a grande oração pela paz. Em dias recentes, enquanto estávamos orando, espalhou-se a notícia de que os países ocidentais vão retomar as negociações com Assad. Os grupos que aterrorizam o nosso povo não teriam tido tanta força sem ajuda e armas recebidas de outros países e grupos de poder”.
Por esta razão, o primaz lança um apelo ao papa Francisco e a todas as Igrejas e comunidades cristãs para que "os 2 bilhões de cristãos do mundo promovam um plano concreto e realista para pedir às forças opostas que deixem de lado os seus cálculos de poder e as causas que alimentam a guerra. Só assim é que o sofrimento do nosso povo poderá acabar", enfatizou o patriarca greco-melquita.

Fonte: Zenit.

sábado, 21 de março de 2015

Congo: bispo denuncia que um padre foi assassinado por condenar a criminalidade

Um bispo da República Democrática do Congo condenou com ênfase o assassinato de um sacerdote, cometido no mês passado. Dom Théophile Kaboy, em carta ao núncio apostólico no país (com cópia enviada à organização Ajuda à Igreja que Sofre – AIS) condenou o assassinato do padre Jean-Paul Kakule, cometido em 25 de fevereiro, no leste do país, como um "ato abominável, repugnante e infernal". O pe. Kakule era tesoureiro da paróquia de Mweso, na diocese de Goma, e foi morto a tiros por alguém não identificado enquanto fechava a igreja no começo da noite.
O pe. Kakule, de 33 anos, era o filho mais velho de uma grande família cristã de Kivu do Norte e foi o décimo sacerdote assassinado na República Democrática do Congo desde 1992. Além destas mortes, cinco freiras da Congregação de São Vicente de Paulo desapareceram em 1996 e não houve qualquer vestígio encontrado até hoje.
Ainda não está claro se o assassinato do pe. Kakule foi decorrência de uma tentativa de assalto ou uma expressão de ódio religioso. O bispo de Goma, observando que a mera presença de sacerdotes e religiosos na área de Mweso é fonte de irritação para os criminosos, suspeita que o assassinato tenha sido um ato de vingança. A paróquia de Mweso conquistou reputação como uma instituição que não tem medo de condenar a criminalidade local.
Diversas vezes, bandidos massacraram aldeões indefesos e expulsaram centenas de milhares de pessoas, denuncia o bispo, acrescentando que a população da região leste da República Democrática do Congo se sente extremamente insegura. "As quadrilhas têm liberdade total porque não há presença policial", disse o bispo, apelando às autoridades nacionais e internacionais para intervirem a fim de restaurar a paz naquela região sem lei.
De acordo com o relatório "Liberdade Religiosa no Mundo - 2014", da AIS, existem 20 diferentes grupos armados aterrorizando a parte oriental do país. O relatório detalha o rapto, em 2012, de três padres assuncionistas da sua paróquia em Beni (Kivu do Norte). Os prováveis ​​culpados são militantes da ADF-NALU, um grupo rebelde de Uganda reconhecido por suas tendências radicais islâmicas.
A República Democrática do Congo tem 65 milhões de habitantes, dos quais 96% são cristãos: 47% católicos e 49% evangélicos.

* Colaboração: Antonia van Alten, da Ajuda à Igreja que Sofre.

Fonte: Zenit.

sexta-feira, 20 de março de 2015

A ONU confirma visita do papa em 25 de setembro

O papa Francisco estará na sede da ONU em Nova Iorque no próximo dia 25 de setembro, durante a viagem que fará aos Estados Unidos para a Jornada das Famílias na Filadélfia. A viagem coincide com o 70º aniversário das Nações Unidas.
A presença do papa nessa data foi confirmada em nota publicada pela Secretaria Geral da ONU, em que o secretário afirma: “Tenho a confiança de que a visita do Pontífice inspirará a comunidade internacional a redobrar os esforços pela dignidade humana e pela justiça social, pela tolerância e pela compreensão recíproca entre todos os povos do mundo”.
O discurso de Francisco à ONU será feito cinquenta anos depois do de Paulo VI, o primeiro pontífice a visitar a instituição, em 4 de outubro de 1965. Passaram-se mais trinta anos até que João Paulo II também fosse à ONU. Por sua vez, o papa Bento XVI falou à assembleia da ONU em 18 de abril de 2008.

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cuba: primeira pedra da paróquia de São João Paulo II

O arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega y Alamino, colocou no passado sábado a primeira pedra da futura paróquia dedicada a São João Paulo II no bairro Antonio Guiteras, conhecido como Bahía, na região leste da capital cubana. O templo “reutilizará as estruturas do altar construído para a missa de Bento XVI em Havana, num terreno cedido pelo Estado no centro do bairro”, informou nesta terça-feira a Conferência dos Bispos Católicos de Cuba em seu site.
Durante a cerimônia, o purpurado cubano destacou que “colocamos hoje a primeira pedra para construir o templo da Paróquia de São João Paulo II, neste lugar onde perseverou na fé uma Igreja de pedras vivas, que são vocês, que veneram desde o princípio o Cristo da Misericórdia, a grande devoção do papa santo a quem a paróquia é consagrada”.
Há missa, catequese e cursos de formação bíblica em casas de família do bairro há 21 anos. A nova igreja é uma das primeiras a ser construídas do zero no último meio século em Cuba.
A pedra fundamental colocada no dia 14 traz inscrito o lema episcopal de João Paulo II, “Totus Tuus”, além dos dados geográficos e históricos do início da construção. É de mármore da região italiana de Reggio Calabria, onde fica a paróquia da Sagrada Família de Palmi, que presta apoio à construção.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 18 de março de 2015

A Igreja sempre de portas abertas

A Igreja é a casa de Jesus, uma casa de misericórdia que acolhe a todos, não um lugar do qual os cristãos possam fechar as portas, disse o papa Francisco na homilia de ontem na Casa Santa Marta.

A reflexão do papa começou pela água, protagonista das leituras litúrgicas do dia. “A água que cura”, comentou Francisco, evocando a descrição feita pelo profeta Ezequiel das gotas que surgem no limiar do templo e que se tornam uma torrente impetuosa, em cujas águas, ricas de peixes, qualquer um pode ser curado. Na água da piscina de Betesda, citada no Evangelho, um paralítico que passou 38 anos entristecido – e, segundo Francisco, também um pouco “preguiçoso” – não consegue submergir quando as águas se movem, para buscar a cura; Jesus, porém, o salva e encoraja a “seguir adiante”, mas isto desencadeia a crítica dos doutores da lei porque a cura acontece num sábado.
O pontífice observou que “um homem ou mulher que se sente enfermo na alma, triste, que cometeu muitos erros na vida e que num certo momento sente que as águas não se movem, percebe que o Espírito Santo move algo, ou escuta uma palavra e… ‘Ah, eu gostaria de ir!’... E toma coragem e vai. Quantas vezes, porém, as portas das comunidades cristãs estão fechadas... ‘Você não pode, não, você não pode. Você errou nisso e não pode. Se quiser vir, venha à missa no domingo, mas agora fique aí’”.
Por isso, o Santo Padre afirmou: o que o Espírito Santo faz no coração das pessoas, é destruído pelos cristãos com psicologia de doutores da lei.
A Igreja deve manter sempre as portas abertas. “É a casa de Jesus e Jesus acolhe. E não só acolhe, mais vai ao encontro das pessoas, como foi ao encontro deste homem. E se as pessoas estão feridas, o que Jesus faz? Repreende por estarem feridas? Não, Ele as carrega nos ombros. E isto se chama misericórdia. E quando Deus repreende o seu povo – ‘Quero misericórdia e não sacrifícios’ – é disto que Ele fala”, explicou o papa.
“Quem é você para fechar a porta do seu coração a um homem, a uma mulher que quer melhorar, voltar ao povo de Deus, porque o Espírito Santo tocou seu coração?”.
Francisco pediu que a quaresma nos ajude a não cometer o erro de desafiar o amor de Jesus pelo paralítico só porque era um dia de repouso segundo a lei. Ao terminar a homilia, ele convidou os fiéis a pedirem a nosso Senhor “por nós e por toda a Igreja”, “uma conversão a Jesus, uma conversão à misericórdia de Jesus. E assim a lei será plenamente cumprida, porque a lei é amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos”.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 17 de março de 2015

Pelo menos 15 mortos em atentados contra duas igrejas

Um duplo atentado reivindicado pelo grupo insurgente paquistanês Jamaat-ul-Ahrar (JuA) provocou a morte de pelo menos 15 pessoas e feriu 75, durante a missa de domingo em um bairro cristão de Lahore, no nordeste do país.
No final da tradicional oração mariana do Angelus, no domingo (15), o Papa Francisco lamentou esses atos de violência e pediu um fim à perseguição aos cristãos. "Com dor, com muita dor eu recebi a notícia dos ataques terroristas de hoje contra duas igrejas na cidade de Lahore, no Paquistão, que provocaram numerosos mortos e feridos", disse o Santo Padre.
Da janela do Palácio Apostólico, o Pontífice argentino destacou que em algumas partes do mundo, os cristãos são perseguidos por causa da fé. E implorou “o dom da paz desejando que esta perseguição aos cristãos que o mundo procura esconder, acabe e exista a paz”.
Os ataques, ocorridos na segunda maior cidade do Paquistão, foi o pior até agora perpetrado contra a minoria cristã no país, após o ataque suicida talibã realizado contra uma igreja em Peshawar em setembro 2013. Na ocasião, foram 82 mortos e dezenas de feridos.
Duas explosões foram ouvidas no final da manhã nas imediações de dois templos localizados a cerca de 500 metros de distância um do outro, no bairro do Yunabad, onde vivem muitos fiéis.
Escolas cristãs de Karachi e Punjab permaneceram fechadas nesta segunda-feira como um gesto de protesto contra os ataques.

Fonte: Zenit.