segunda-feira, 2 de março de 2015

A Doutrina Social da Igreja é uma inspiração vital para a recuperação econômica

É possível falar de ética e economia em um mundo que parece falar de economia apenas em termos de lucro. É possível pensar em uma economia a serviço do desenvolvimento humano. A Fundação Centesimus Annus - Pro Pontífice- promove, reconhece e premia. Esta manhã, a Fundação apresentou, na Sala de Imprensa da Santa Sé, as atividades desenvolvidas nos últimos dois anos, seus programas e os nomes dos vencedores da segunda edição do concurso internacional "Economia e Sociedade".
Os vencedores do prêmio são Pierre de Lauzun, por sua obra ''Finance: un regard chrétien. De la banque mediévale a la mondialisation financière''. E na categoria dedicada aos jovens, os vencedores foram Alexander Stumvoll, nacido em 1983, por sua tese “A Living Tradition. The Holy See, Catholic Social Doctrine and Global Politics 1965-2000” e Arturo Bellocq Montano por sua tese “A Doutrina Social da Igreja. O que é e o que não é”.
"O prêmio principal é para um livro que já foi publicado, com excelência na qualidade, correto do ponto de vista doutrinal, mas acima de tudo, que desenvolva a Doutrina Social da Igreja em aspectos concretos. Que não seja apenas um manual, uma introdução ou um resumo, mas apresente ideais novas e aplicáveis”. Os outros dois prêmios foram entregues a trabalhos de doutorado inéditos, e de pessoas mais jovens, mas que seguem a mesma linha, como afirmou Domingo Sugranyes Bickel, presidente da Fundação, falando aos jornalistas no final da conferência de imprensa.
O objetivo do prêmio -explicou- é promover autores que se dedicam a esse tema. Se trata de "encontrar novas maneiras que permitam, do nosso ponto de vista, que a economia de mercado floresça, mas a serviço da sociedade. Encontrar condições que permitam que mais pessoas encontrem em seus trabalhos uma realização. Assim, o crescimento ajudará a combater a pobreza, não há outra maneira", assegurou.
Ele alertou também que a Doutrina Social é pouco conhecida, até mesmo dentro da Igreja. "Falta iniciativa por parte dos católicos para desenvolver a Doutrina Social em termos concretos, para aplica-la, e também reflexões sobre suas aplicações e publicação de livros."
Respondendo a ZENIT sobre a forma específica de um cristão aplicar esta economia que visa o desenvolvimento humano, o presidente da Fundação afirmou que "em qualquer trabalho, empresa, nova iniciativa, melhor ainda se for empresarial, há um aspecto onde a fé tem o seu lugar. Nós não estamos falando de realidade exterior. Bento XVI na Caritas in Veritate disse que na vida econômica é onde podemos viver relações gratuitas e de profunda comunicação. De alguma forma, o que estamos dizendo é que esta mensagem é para todos, para todos tem algum tipo de aplicação".
Quando perguntado se a mensagem de Francisco em favor dos pobres e contra a economia que não se preocupa com a pessoa, está sendo reconhecida, disse: "Eu acho que sim". E acrescentou: "não falta numa sociedade o diagnóstico do que não funciona. O que falta é a parte construtiva e ai sim, eu acho que na Doutrina Social da Igreja existe uma inspiração para um renascimento econômico vital. Quer dizer, colocar tudo o que é feito para servir a sociedade em primeiro lugar e não em segundo. A empresa que afirma isso, assume muitas coisas: desde a organização do plano de vendas, a forma de remuneração e bônus, como é financiada ou como remunera os acionistas. Tudo tem a ver com a visão de uma empresa a serviço da sociedade. Nada é externo. Eu acho que podemos falar de um tempo de falhas graves que surgiram e continuam surgindo, e de um excessivo desenvolvimento financeiro, particularmente especulativo, e de uma globalização que tem sido por vezes distorcida por amor ao dinheiro".
Durante a conferência de imprensa monsenhor Scotti reiterou a importância de denunciar, seguindo o exemplo do Papa Francisco, a ''cultura do descarte'', que exclui as pessoas. ''Muitos acreditam que a economia pode assumir o papel de produtor absoluto de objetivos e valores aos quais deve se submeter qualquer âmbito da dimensão humana, justificando com o fato de que vivemos na era da pós-ideologia e pós-política", destacou. Na verdade - prosseguiu- seria um aspecto a analisar, mas também poderíamos analisar a cultura atual a partir da Palavra de Deus, levando em consideração que o prêmio atribuído pela Fundação vai para autores que desejam com seus trabalhos oferecer uma maneira nova de olhar com sabedoria tanto o presente como o uso do dinheiro. Destacou ainda que o prêmio não é suficiente, mas é um sinal. "É uma via se queremos que o dinheiro não prevaleça sobre nós e sobre o nosso caminho", concluiu.

Fonte: Zenit.

domingo, 1 de março de 2015

"Nós, muçulmanos, condenamos a destruição do patrimônio cultural de Mosul'

O grupo terrorista Estado Islâmico (Daesh, por sua sigla em árabe) difundiu na quinta-feira um vídeo que mostra como destroem dezenas de peças do Museu da Civilização de Mosul e das ruínas da antiga cidade de Nínive, algumas delas datam da época assíria (século VII e VIII a.C.). Com grandes marretas e brocas, os milicianos despedaçam umas figuras de valor inestimável.
Diante desses fatos, o Dr. Sami El Mushtawi, diretor do Departamento Cultural do Centro Cultural Islâmico de Madrid, disse sexta-feira que "destruir obras de arte e do patrimônio cultural da humanidade não é da religião muçulmana e se alguém destrói é prova da sua própria ignorância".
Em um breve comunicado disse que "os muçulmanos rejeitamos e condenamos a  destruição do patrimônio cultural de Mosul pelas mãos de Daesh". "O Islã constrói e nunca destrói", acrescentou.
O Mushtawi também lembrou que "graças a este respeito cultural do Islã por outras culturas podemos visitar hoje em dia o Museu Egípcio do Cairo, as pirâmides, a Esfinge ... e ver todo o esplendor artístico em todo o mundo muçulmano".
Por outro lado, a diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para abordar a proteção do patrimônio cultural do Iraque.
Bokova condenou o que considera "um ataque deliberado contra a história e a cultura do Iraque antiga e um novo incitamento à violência e o ódio".
Não é a primeira vez que o Museu da Civilização de Mosul está sujeita a pilhagem, roubo ou destruição.
O último ataque a esta instituição cultural --o segundo mais importante do Iraque – aconteceu no ano passado, quando as milícias do Daesh invadiram a cidade.
Algumas das peças foram levadas por parte dos líderes deste grupo fundamentalista para vende-las e financiar, assim, a sua organização.

Fonte: Zenit.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Papa Francisco: "Não é fácil pregar Exercícios aos sacerdotes! Somos todos um pouco complicados"

Concluíram-se na manhã de sexta-feira 27 de Fevereiro, em Ariccia, os exercícios espirituais nos quais participaram o Pontífice e membros da Cúria romana. As meditações foram propostas pelo carmelita Bruno Secondin na capela da casa do Divino Mestre dos religiosos paulinos.
No final da reflexão de sexta-feira, o Papa Francisco quis agradecer ao pregador. «Em nome de todos – disse o Papa – desejo agradecer ao Padre, o seu trabalho entre nós para os nossos Exercícios. Não é fácil pregar Exercícios aos sacerdotes! Somos todos um pouco complicados, mas o senhor, padre, conseguiu semear. Que o Senhor faça crescer estas sementes que nos deu. E desejo também, e a todos, que possamos sair daqui com um bocadinho do manto de Elias, na mão e no coração. Obrigado, Padre».
A última etapa do itinerário de reflexão e oração desta manhã proposta pelo padre Secondin focalizou o episódio bíblico narrado no segundo livro dos Reis (2, 1-14) no qual são descritos a saudação final de Elias aos seus discípulos e a Eliseu, o seu rapto no carro de fogo e o início da missão de Eliseu que se despoja das vestes, toma o manto do mestre e, nas margens do Jordão, é reconhecido como o verdadeiro herdeiro do profeta. É uma narração intensa, cheia de ternura, na qual se desfaz um pouco a dureza de carácter que distinguia Elias. De certa forma, o profeta aprende – e também nós, sugeriu o padre Secondin, deveríamos aprender «a oferecer abraços de esperança e de ternura» - do seu discípulo que é afectuoso e paciente.

(Fonte: L'Osservatore Romano)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Imam de Al-Azhar: "Extremismo islâmico fora das escolas"

Erradicar o extremismo religioso intervindo na educação escolar dos mais jovens. A proposta vem de Ahmad Al Tayyib, Imam da prestigiada universidade sunita de Al-Azhar, com sede no Cairo. Falando aos representantes de países muçulmanos durante um seminário sobre o Islã e a luta contra o terrorismo, em Meca, na Arábia Saudita, ele ressaltou que o extremismo religioso não é senão "um acúmulo histórico de tendências fanáticas inerente a herança islâmica, com base em interpretações errôneas do Corão e da Sunna ", ou as palavras e ações do profeta Maomé.
O jornal L'Osservatore Romano informou que Al Tayyb também comentou as divisões dentro do Islã. "Até que possamos dominar, em nossas escolas e universidades, esta tendência de acusar os muçulmanos de descrença, não haverá esperança para a nação muçulmana se recuperar e reencontrar sua unidade, sua fraternidade e a capacidade de se desenvolver de maneira civilizada", afirmou.
Em alusão ao ISIS, o Imam denunciou "os grupos terroristas que escolheram práticas selvagens e bárbaras". Práticas, acredita Al Tayyb, que tem uma orientação externa. Ele fala do extremismo religioso como uma conspiração do "novo colonialismo mundial”, cujos autores se aproveitam das tensões confessionais que abalam o mundo muçulmano. Daí a sua proposta de introduzir um "controle pedagógico" sobre os centros educacionais das nações de maioria islâmica para impedir a infiltração fundamentalista e violenta.
Sobre as palavras do Imam ecoou a voz do novo rei saudita Salman, que ao se pronunciar no seminário expressou o desejo da criação de "uma estratégia eficaz que nos comprometa no combate ao terrorismo, flagelo que é produto de uma ideologia extremista" de grupos islâmico radicais. Salman acrescentou que esta ideologia representa "uma ameaça à nossa nação islâmica e para o mundo inteiro". O seminário, que contou com representantes religiosos, terminou hoje, 25 de fevereiro de 2015.

Fonte: Zenit.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ministro do Paraguai: O Papa nos visitará entre 10 e 12 de Julho

A Conferência Episcopal Paraguaia (CEP) indicou em seu site que aguarda a visita do Santo Padre Francisco em Julho, embora ainda não tenha data exata. A mesma será parte da viagem apostólica que vai cobrir também o Paraguai, Bolívia e Equador.
Por sua parte do Governo do Paraguai chega uma primeira data: a chefe da Secretaria do Turismo (SENATUR), Marcela Bacigalupo, disse hoje que a visita será entre o 10 e 12 de Julho. A ministra adiantou que os lugares mais prováveis são Assunção, o Santuário de Nossa Senhora de Caacupé, e as ruínas das missões jesuíticas em Itapúa.
Os bispos, em dias anteriores, em carta anunciando a visita, disseram: "Esperamos uma mudança de mentalidade e estilo de vida. Muitos aspectos de nossos hábitos devem melhorar. Nossa fé deve ser prática, vivendo a palavra do Senhor, especialmente a partir deste tempo da Quaresma que começamos".
Nesta Segunda-feira, 23 de fevereiro, os bispos também apresentaram uma oração por ocasião da visita do pontífice Francisco:
Em uma parte da oração se reza:

“Obrigado Senhor, porque o Papa vem para confirmar-nos na fé, na esperança e no amor”.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Isis: Os 21 cristãos mortos serão mártires no calendário copta

Os 21 cristãos coptas mortos pelo ISIS serão incluídos no Sinassário, o equivalente ao oriental do martirologio romano, um procedimento que é equivalente à canonização na Igreja Latina. O martírio destes 21 fiéis será comemorado no dia 8 de Amshir o calendário copta -15 de fevereiro no calendário gregoriano, que é também a festa da Apresentação de Jesus no Templo-.
O anúncio foi feito pelo patriarca da Igreja Copta Ortodoxa Tawadros II, conforme relatado pelo portal Terrasanta.net. Por sua vez, o Egito se comprometeu a pagar às famílias das vítimas uma pensão mensal de 1.500 libras egípcias (equivalente a pouco mais de 172 euros, tendo em conta que o salário mínimo no país é de 1.200 libras por mês, ou cerca de 138 euros).
Os nomes dos 21 imigrantes egípcios na Líbia "mortos porque professavam a fé cristã", como afirmou Tawadros, também foram publicados pelo Watani, órgão de imprensa dos coptas no Cairo.
Enquanto isso continua a barbárie do Estado Islâmico. A última provocação que suscitou a indignação do mundo é outro filme que exibe 21 combatentes curdos com uma jaula, desfilando numa caminhonete pelas ruas entre as pessoas da província de Kirkuk. No vídeo de 9 minutos, divulgado na noite de sábado, os terroristas ameaçam decapitar todos os reféns e entrevistar os próprios presos atrás das grades, vestidos com o típico macacão laranja.
Algumas horas depois, a notícia de um ataque se espalhou, reivindicado pelo ISIS, à residência do iraniano Hossein Akbari, em Trípoli. Muitos países, incluindo a Itália, foram obrigados a fechar temporariamente as suas missões diplomáticas na Líbia.
A Itália, especialmente Roma, está sob a atenção dos jihadistas após o anúncio do ministro Gentiloni de dirigir uma missão de pacificação na Líbia. "Com as mãos no gatilho, estamos chegando a Roma", diz a conta no Twitter de jihadistas líbios, incluindo duas fotos: uma representando um lutador armado de frente para o mar, com o Coliseu ao fundo. No monumento a bandeira da Al Baghdadi. E a frase: "O Isis da Líbia está chegando a Roma". No segundo, o desenho do gasoduto Greenstream que de Wafa na Líbia chega em Gela, na Sicília, uma das principais linhas de fornecimento de energia da Itália.
"As ondas ainda nos separam, mas este é um pequeno mar, é uma promessa ao nosso Profeta", ameaça o comunicado relacionado às novas proclamações do Isis: "Tomem cuidado, qualquer passo estúpido custará caro. Cada passo estúpido tocará fogo em todo o Mediterrâneo". E ainda: "Vocês são os cães de guarda" dos países árabes, com referência à punição e a tortura.
Apesar das ameaças, ontem à noite, a Turquia realizou uma operação 35 km dentro da Síria, para repatriar o caixão de Suleyman Shah, avô do fundador do Império Otomano, e para evacuar os 40 soldados turcos em guarda no túmulo, que foi localizado em uma área considerada um enclave turco, mas agora controlada pelo ISIS. O complexo foi destruído para evitar que fosse ocupado por milicianos fundamentalistas.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Olhar Jesus, o que fez Jesus e seguir com Ele

Queridos irmãs e irmãs

 
Quarta-feira passada, com o rito das Cinzas, teve início a Quaresma e hoje é o primeiro Domingo deste tempo litúrgico que faz referência aos quarenta dias que Jesus passou no deserto, após o Batismo no Rio Jordão. São Marcos escreve no Evangelho de hoje: “O Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre animais selvagens, e os anjos o serviam”
Com estas breves palavras o evangelista descreve a prova enfrentada voluntariamente por Jesus, antes de iniciar sua missão messiânica. É uma prova da qual o Senhor sai vitorioso e que o prepara a anunciar o Evangelho do Reino de Deus. Ele, naqueles quarenta dias de solidão, enfrentou satanás “corpo a corpo”, desmascarou as suas tentações e o venceu. E nele todos vencemos, mas nós devemos proteger esta vitória no nosso dia a dia.
A Igreja nos faz recordar tal mistério no início da Quaresma, porque isto nos dá a perspectiva e o sentido deste tempo, que é o tempo do combate – na Quaresma se deve combater – um tempo de combate espiritual contra o espírito do mal. E enquanto atravessamos o deserto quaresmal, nós temos o olhar dirigido à Páscoa, que é a vitória definitiva de Jesus contra o Maligno, contra o pecado e contra a morte. Eis então o significado deste primeiro Domingo da Quaresma: colocar-nos decididamente no caminho de Jesus, o caminho que conduz à vida. Olhar Jesus, o que fez Jesus e seguir com Ele.
Este caminho de Jesus passa pelo deserto. O deserto é o lugar onde se pode escutar a voz de Deus e a voz do tentador. No barulho, na confusão, isto não pode ser feito; ouve-se somente vozes superficiais. Pelo contrário, no deserto, podemos descer em profundidade onde se joga verdadeiramente o nossos destino, a vida ou a morte. E, como ouvimos a voz de Deus? A ouvimos na sua Palavra. Por isto é importante conhecer as Escrituras, pois, de outra maneira, não sabemos responder às insídias do maligno. E aqui gostaria de retornar ao meu conselho para ler a cada dia o Evangelho: cada dia ler o Evangelho, meditá-lo, um pouquinho, dez minutos, e levá-los conosco, no bolso, na bolsa.. Mas ter sempre o Evangelho à mão; O deserto quaresmal nos ajuda a dizer não à mundanidade, aos ídolos, nos ajuda a fazer escolhas corajosas conforme o Evangelho e a reforçar a solidariedade com os irmãos.
Então entremos no deserto sem medo, porque não estamos sozinhos: estamos com Jesus, com o Pai e com o Espírito Santo. Assim como foi para Jesus, é justamente o Espírito Santo que nos guia no caminho quaresmal, o mesmo Espírito descido sobre Jesus e que nos é dado no batismo. A Quaresma, por isto, é um tempo propício que deve nos levar a tomar sempre mais consciência do quanto o Espírito Santo, recebido no Batismo, operou e pode operar em nós. E ao final do itinerário quaresmal, na Vigília Pascal, poderemos renovar com maior consciência a aliança batismal e os compromissos que dela derivam.
Que a Virgem Santa, modelo de docilidade ao Espírito, nos ajude a deixar-nos conduzir por Ele, que quer fazer de cada um de nós “uma nova criatura”.

Fonte: Zenit.