sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Francisco à cúria romana: as 15 tentações que é necessário combater

O papa Francisco se reuniu na última segunda-feira (22/12) com os dirigentes e membros dos diversos dicastérios, conselhos, escritórios, tribunais e comissões que compõem a Cúria Romana e os convidou “a ser um corpo que tenta, dia após dia, ser mais vivo, mais sadio e harmonioso e mais unido entre si e com Cristo”. Com franqueza paternal, o Santo Padre destacou as tentações que é necessário combater.
 
“A cúria é sempre chamada a melhorar e a crescer em comunhão, em santidade e em sabedoria para realizar plenamente a sua missão. Como todo corpo, ela também é exposta às doenças... Eu gostaria de mencionar algumas das mais frequentes em nossa vida de cúria. São doenças e tentações que debilitam o nosso serviço ao Senhor”, disse o pontífice, e, depois de convidar a todos a fazer um exame de consciência neste advento, como preparação para o Natal, enumerou as “doenças” curiais:

1 - A doença de sentir-se imortal, imune ou até indispensável, deixando de lado os controles necessários e normais. Uma cúria que não é autocrítica, que não se atualiza, que não tenta melhorar é um corpo enfermo. É a doença do rico insensato, que achava que ia viver eternamente, e também daqueles que se tornam amos e se sentem superiores a todos, em vez de sentir-se a serviço de todos.

2- A doença do "martalismo" (da Marta citada no Evangelho), a doença da excessiva atividade: daqueles que ficam imersos no trabalho e deixam de lado “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus. Por isso, Jesus convidou os seus discípulos a “descansar”, porque descuidar do necessário repouso leve ao estresse e à agitação. O tempo do repouso para quem completou a sua missão é necessário, é devido e deve ser levado a sério: passar um "tempo de qualidade” com a família e respeitar as férias como um tempo para recargar-se espiritual e fisicamente; temos que aprender o que ensina o Eclesiastes: há um tempo para tudo.

3 - A doença do endurecimento mental e espiritual: É a doença de quem, ao longo do caminho, perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se esconde nos papéis, virando uma “máquina de trabalho” e não um “homem de Deus”. É perigoso perder a sensibilidade humana necessária para chorar com os que choram e para nos alegrar com os que se alegram. É a doença dos que perdem os sentimentos de Jesus.

4 - Planejar como um contador. A doença do planejamento excessivo e do funcionalismo. É quando o apóstolo planeja tudo minuciosamente e acha que, assim, as coisas efetivamente progridem, virando um contador. Caímos nesta doença porque é sempre mais fácil e cômodo ficar na própria posição estática e imutável. A Igreja se mostra fiel ao Espírito Santo na medida em que não pretende regulá-lo nem domesticá-lo. Ele é o frescor, a fantasia, a inovação.

5 - A não cooperação. A doença da má coordenação. Quando os membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a funcionalidade harmoniosa e a temperança, tornando-se uma orquestra que faz barulho, porque os seus membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipe.

6 - A doença do Alzheimer espiritual. A de esquecer a “história da salvação”, a história pessoal com nosso Senhor, o “primeiro amor”. É uma diminuição progressiva das faculdades espirituais... Vemos isto nos que perderam a lembrança do seu encontro com o Senhor... Nos que constroem muros ao redor de si mesmos e se tornam cada vez mais escravos dos costumes e dos ídolos que esculpiram com as próprias mãos.

7 - A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a aparência, as cores das roupas e as insígnias de honra se tornam o principal objetivo da vida... É a doença que nos leva a ser homens e mulheres falsos e a viver uma mística falsa e um falso quietismo.

8 - A doença da esquizofrenia existencial. É a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica dos medíocres e do progressivo vazio espiritual que os títulos acadêmicos não podem preencher. Criam assim o seu próprio mundo paralelo, onde deixam de lado tudo o que ensinam com severidade aos outros e começam a viver uma vida oculta e, com frequência, dissoluta.

9 - A doença da falação, da murmuração, da fofoca. É uma doença grave que começa com facilidade, talvez só para conversar, mas que se apodera da pessoa e a torna semeadora de cizânia (como Satanás), e, em muitos casos, assassina a sangue frio a fama dos colegas e dos irmãos. É a doença das pessoas covardes, que, por não terem coragem de falar na cara, falam pelas costas.

10 - A doença de divinizar os chefes. É a doença dos que cortejam os superiores, com a esperança de conseguir a sua benevolência. São vítimas do arrivismo e do oportunismo, honram as pessoas e não a Deus. São pessoas que vivem o serviço pensando só no que têm que conseguir e não no que têm que dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu egoísmo fatal.

11 - A doença da indiferença pelos outros. É quando todo mundo pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando os mais capacitados não põem os seus conhecimentos a serviço dos colegas com menos experiência. Quando, por ciúmes, se sente alegria ao ver que os outros caem, em lugar de levantá-los e animá-los.

12 - A doença da cara de enterro. A das pessoas rudes e sombrias, que consideram que, para ser sérios, é preciso pintar a cara de melancolia, de severidade, e tratar os outros, especialmente os considerados inferiores, com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são com frequência os sintomas do medo e da insegurança pessoal.

13 - A doença do acumular. Quando o apóstolo procura encher um vazio existencial no coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas simplesmente para se sentir seguro... O acúmulo só pesa e atrasa o caminho, inexoravelmente.

14 - A doença dos círculos fechados. Pertencer ao grupo se torna mais forte que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, mais forte do que pertencer ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas, com o passar do tempo, escraviza os membros e vira um câncer que ameaça a harmonia do corpo e pode causar muito dano, escândalos, especialmente aos nossos irmãos menores.

15 - A doença da ganância mundana, do brilho. Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para conseguir benefícios mundanos ou mais poderes. É a doença de quem procura insaciavelmente multiplicar o seu poder e, para isso, é capaz de caluniar, difamar e desacreditar os outros, inclusive em jornais e revistas. Naturalmente, para brilhar e mostrar-se mais capaz que os outros.

“Somos chamados, neste tempo de Natal e em todo o tempo do nosso serviço e da nossa existência, a viver segundo a verdade no amor, tentando crescer em tudo diante daquele que é a Cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem entrosado, mediante a colaboração de todas as conjunturas, segundo a energia própria de cada membro, recebe força para crescer de maneira a edificar a si mesmo na caridade”.

“Uma vez eu li que os sacerdotes são como os aviões: são notícia só quando caem, mas há muitos que voam. Muitos os criticam e poucos rezam por eles. É uma frase muito interessante, que descreve a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e o quanto um sacerdote que cai pode causar estrago em todo o corpo da Igreja”.

Fonte: Zenit.

'Que a indiferença se transforme em proximidade'

O Santo Padre Francisco, na Solenidade do Natal do Senhor, desde o Balcão Central da Basílica Vaticana, deu a benção "Urbi et Orbi" e transmitiu a tradicional mensagem de natal aos fieis presentes na praça de São Pedro e a todos aqueles que o acompanhavam por meio do rádio e da televisão.
 
Estas são as palavras do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs, bom Natal!

Jesus, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, nasceu para nós. Nasceu em Belém de uma virgem, dando cumprimento às profecias antigas. A virgem chama-se Maria; o seu esposo, José.
São as pessoas humildes, cheias de esperança na bondade de Deus, que acolhem Jesus e O reconhecem. Assim o Espírito Santo iluminou os pastores de Belém, que acorreram à gruta e adoraram o Menino. E mais tarde o Espírito guiou até ao templo de Jerusalém Simeão e Ana, humildes anciãos, e eles reconheceram em Jesus o Messias. «Meus olhos viram a salvação – exclama Simeão – que ofereceste a todos os povos» (Lc 2, 30-31).
Sim, irmãos, Jesus é a salvação para cada pessoa e para cada povo!
A Ele, Salvador do mundo, peço hoje que olhe para os nossos irmãos e irmãs do Iraque e da Síria que há tanto tempo sofrem os efeitos do conflito em curso e, juntamente com os membros de outros grupos étnicos e religiosos, padecem uma perseguição brutal. Que o Natal lhes dê esperança, como aos inúmeros desalojados, deslocados e refugiados, crianças, adultos e idosos, da Região e do mundo inteiro; mude a indiferença em proximidade e a rejeição em acolhimento, para que todos aqueles que agora estão na provação possam receber a ajuda humanitária necessária para sobreviver à rigidez do inverno, retornar aos seus países e viver com dignidade. Que o Senhor abra os corações à confiança e dê a sua paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra abençoada do seu nascimento, sustentando os esforços daqueles que estão activamente empenhados no diálogo entre Israelitas e Palestinianos.
Jesus, Salvador do mundo, olhe para quantos sofrem na Ucrânia e conceda àquela amada terra a graça de superar as tensões, vencer o ódio e a violência e embocar um caminho novo de fraternidade e reconciliação.
Cristo Salvador dê paz à Nigéria, onde – mesmo nestas horas – mais sangue foi derramado e muitas pessoas se encontram injustamente subtraídas aos seus entes queridos e mantidas reféns ou massacradas. Invoco paz também para outras partes do continente africano. Penso de modo particular na Líbia, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e nas várias regiões da República Democrática do Congo; e peço a quantos têm responsabilidades políticas que se empenhem, através do diálogo, a superar os contrastes e construir uma convivência fraterna duradoura.
Jesus salve as inúmeras crianças vítimas de violência, feitas objecto de comércio ilícito e tráfico de pessoas, ou forçadas a tornar-se soldados; crianças, tantas crianças vítimas de abuso. Dê conforto às famílias das crianças que, na semana passada, foram assassinadas no Paquistão. Acompanhe todos os que sofrem pelas doenças, especialmente as vítimas da epidemia de ébola, sobretudo na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Ao mesmo tempo que do íntimo do coração agradeço àqueles que estão trabalhando corajosamente para assistir os doentes e os seus familiares, renovo um premente apelo a que sejam garantidas a assistência e as terapias necessárias.
Jesus Menino. Penso em todas as crianças assassinadas e maltratadas hoje, seja naquelas que o são antes de ver a luz, privadas do amor generoso dos seus pais e sepultadas no egoísmo duma cultura que não ama a vida; seja nas crianças desalojadas devido às guerras e perseguições, abusadas e exploradas sob os nossos olhos e o nosso silêncio cúmplice; seja ainda nas crianças massacradas nos bombardeamentos, inclusive onde o Filho de Deus nasceu. Ainda hoje o seu silêncio impotente grita sob a espada de tantos Herodes. Sobre o seu sangue, estende-se hoje a sombra dos Herodes do nosso tempo. Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal que se juntam às lágrimas de Jesus Menino!
Queridos irmãos e irmãs, que hoje o Espírito Santo ilumine os nossos corações, para podermos reconhecer no Menino Jesus, nascido em Belém da Virgem Maria, a salvação oferecida por Deus a cada um de nós, a todo o ser humano e a todos os povos da terra. Que o poder de Cristo, que é libertação e serviço, se faça sentir a tantos corações que sofrem guerras, perseguições, escravidão. Que este poder divino tire, com a sua mansidão, a dureza dos corações de tantos homens e mulheres imersos no mundanismo e na indiferença, na globalização da indiferença. Que a sua força redentora transforme as armas em arados, a destruição em criatividade, o ódio em amor e ternura. Assim poderemos dizer com alegria: «Os nossos olhos viram a vossa salvação».
Com estes pensamentos, a todos bom Natal!

Fonte: Zenit.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória..." (João 1,14).

A encarnação do Verbo de Deus assinala o início dos "últimos tempos", isto é, a redenção da humanidade por parte de Deus. Cega e afastada de Deus, a humanidade viu nascer a luz que mudou o rumo da sua história. O nascimento de Jesus é um fato real que marca a participação direta do ser humano na vida divina. Esta comemoração é a demonstração maior do amor misericordioso de Deus sobre cada um de nós, pois concedeu-nos a alegria de compartilhar com ele a encarnação de seu Filho Jesus, que se tornou um entre nós. Ele veio mostrar o caminho, a verdade e a vida, e vida eterna. A simbologia da festa do Natal é o nascimento do Menino-Deus.

No início, o nascimento de Jesus era festejado em 6 de janeiro, especialmente no Oriente, com o nome de Epifania, ou seja, manifestação. Os cristãos comemoravam o natalício de Jesus junto com a chegada dos reis magos, mas sabiam que nessa data o Cristo já havia nascido havia alguns dias. Isso porque a data exata é um dado que não existe no Evangelho, que indica com precisão apenas o lugar do acontecimento, a cidade de Belém, na Palestina. Assim, aquele dia da Epifania também era o mais provável em conformidade com os acontecimentos bíblicos e por razões tradicionais do povo cristão dos primeiros tempos.

Entretanto, antes de Cristo, em Roma, a partir do imperador Júlio César, o 25 de dezembro era destinado aos pagãos para as comemorações do solstício de inverno, o "dia do sol invencível", como atestam antigos documentos. Era uma festa tradicional para celebrar o nascimento do Sol após a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Para eles, o sol era o deus do tempo e o seu nascimento nesse dia significava ter vencido a deusa das trevas, que era a noite.

Era, também, um dia de descanso para os escravos, quando os senhores se sentavam às mesas com eles e lhes davam presentes. Tudo para agradar o deus sol.

No século IV da era cristã, com a conversão do imperador Constantino, a celebração da vitória do sol sobre as trevas não fazia sentido. O único acontecimento importante que merecia ser recordado como a maior festividade era o nascimento do Filho de Deus, cerne da nossa redenção. Mas os cristãos já vinham, ao longo dos anos, aproveitando o dia da festa do "sol invencível" para celebrar o nascimento do único e verdadeiro sol dos cristãos: Jesus Cristo. De tal modo que, em 354, o papa Libério decretou, por lei eclesiástica, a data de 25 de dezembro como o Natal de Jesus Cristo.

A transferência da celebração motivou duas festas distintas para o povo cristão, a do nascimento de Jesus e a da Epifania. Com a mudança, veio, também, a tradição de presentear as crianças no Natal cristão, uma alusão às oferendas dos reis magos ao Menino Jesus na gruta de Belém. Aos poucos, o Oriente passou a comemorar o Natal também em 25 de dezembro.

Passados mais de dois milênios, a Noite de Natal é mais que uma festa cristã, é um símbolo universal celebrado por todas as famílias do mundo, até as não-cristãs. A humanidade fica tomada pelo supremo sentimento de amor ao próximo e a Terra fica impregnada do espírito sereno da paz de Cristo, que só existe entre os seres humanos de boa vontade. Portanto, hoje é dia de alegria, nasceu o Menino-Deus, nasceu o Salvador.

Fonte: DomTotal.com.br

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Jordânia: descobertos os restos da igreja mais antiga do mundo

A coexistência de muçulmanos e cristãos na Jordânia não é recente. O país é de vital importância para a religião cristã por fazer parte do “berço do cristianismo”. Lá ocorreu boa parte dos relatos da Bíblia. Atualmente, residem no país 300 mil cristãos que também celebram o Natal.
Não é de estranhar, portanto, que nos últimos descobrimentos, os arqueólogos tenham encontrado relevantes vestígios que levam a pensar que a Jordânia foi uma importante terra de peregrinação cristã. No porto de Áqaba, a única saída jordaniana para o Mar Vermelho, foram achados restos do que se pensa que seja a igreja mais antiga do mundo encontrada até hoje. Os alicerces do edifício datam do final do século III ou do começo do IV d.C. Com orientação para o leste, trata-se de uma basílica com nave central e duas naves laterais. Detalhes como fragmentos de lâmpadas de óleo feitas de vidro indicam que o edifício foi construído especificamente como igreja. De cerca de 16x26 metros, a edificação tinha paredes de barro sobre alicerces de pedra e portas com arcos. Os corredores laterais e a nave parecem ter sido abobadados. Restos de pintura vermelha e preta estão conservados em uma das paredes, mas não há imagens claramente perceptíveis. Sete pedras em forma de escada indicariam que a construção tinha um segundo piso.
Além da descoberta em Áqaba, a Jordânia conta com outros grandes exemplos de edificações religiosas antigas. Entre elas, em Umm Qays, foi encontrada, também recentemente, uma basílica única de cinco naves do século IV. Umm Ar-Rasas é uma cidade murada retangular citada no Velho e no Novo Testamento, fortificada pelos romanos e depois adornada pelos cristãos locais com mosaicos de estilo bizantino. Na parte oriental, foram restauradas várias estruturas. Fora da cidade encontra-se a igreja de Santo Estêvão, com extraordinário piso de mosaico perfeitamente conservado. A dois quilômetros de Umm Ar-Rasas fica a torre antiga mais alta da Jordânia, com 15 metros de altura e usada como lugar de retiro pelos primeiros monges cristãos.

Fonte: Zenit.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Bastam 100 euros para escolarizar uma menina na Tailândia e salvá-la da prostituição

De acordo com o relatório “População”, da Universidade Mahidol, há mais de 50.000 meninas menores de 15 anos e 100.000 menores de 18 anos submetidas à prostituição infantil e vendidas aos prostíbulos de Bangkok e Pattaya, na Tailândia, onde elas são maltratadas e até mutiladas para não escapar. É contra este drama que luta a ONG espanhola “Somos Uno” [Somos Um].
Há 12 anos, o escritor espanhol José Luis Olaizola recebeu uma carta de uma professora de espanhol da universidade de Bangkok. Ela propunha que ele cedesse os seus direitos de autor do romance “Cucho”, pelos quais ela explicou que não poderia pagar. A mulher se chama Rasami Krisanamis. Olaizola lhe cedeu os direitos e, graças a isto, pôde ser construída uma escola para meninas tailandesas, a fim de impedir que a prostituição as cooptasse. Foi assim que o escritor começou a manter contato com a professora, que foi à Espanha e o convidou a ir à Tailândia para dar uma conferência. No país asiático, ele conheceu o padre jesuíta Alfonso, que luta há 40 anos contra todos os dramas que afetam a juventude tailandesa. Quando José Luis o conheceu, a prioridade do sacerdote era lutar contra a prostituição infantil.
Olaizola contou a ZENIT o quanto esta experiência o impactou e nos explica qual é o trabalho realizado pela ONG “Somos Uno”.
Pouco tempo depois de conhecer o padre Alfonso, o escritor testemunhou a alegria do sacerdote porque uma aeromoça tinha lhe doado 100 euros. “Como é que 100 euros alegram você desse jeito, com todo o drama e a necessidade que existe aqui?”, indagou Olaizola. O padre lhe respondeu: “José Luis, pelo menos UMA!”.
Olaizola voltou à Espanha, deu conferências sobre o tema, escreveu artigos e começou a procurar a generosa ajuda dos espanhóis. Com o dinheiro levantado, nasceu a ONG, “artesanal e familiar”, como a descreve o fundador, já que a organização é formada apenas por ele, pela esposa e pelos filhos. “E já estamos lutando há 12 anos contra a prostituição infantil na Tailândia”.
Quando José Luis conheceu o padre Alfonso, ele já tinha escolarizado 150 meninas. Agora são 2000, das quais 200 estão na universidade. “O fato de que entre na universidade uma menina dos arrozais do Camboja, que é considerada ínfima pela sociedade tailandesa, ‘carne de prostíbulo’, significa que, pouco a pouco, estamos mudando o mundo”, afirma o escritor, que conta mais detalhes do trabalho realizado: “Temos que detectar as meninas em grave risco de cair na prostituição”. Por exemplo, as filhas de prostitutas, as filhas de mães que morreram de aids, as meninas que dependem de uma avó idosa ou de uma tia mais velha que pode vendê-las por uma ninharia… É nesse meio que costumam ser encontradas meninas de 13 anos que já estão ou correm alto risco de cair na chamada “indústria do sexo”.
E bastam 100 euros para escolarizar uma menina. Olaizola explica que a escolarização é feita normalmente no lugar mais próximo da casa das meninas. O dinheiro serve para comprar livros, uniformes e, em muitos casos, para pagar meia pensão.
“O padre Alfonso e sua equipe dão acompanhamento às 2000 meninas e se preocupam com os seus problemas pessoais”. Cada uma delas tem nome: a equipe conhece as suas casas e as ajuda como pode.
Em sua primeira viagem à Tailândia, Olaizola conheceu uma menina de quatorze anos chamada Ama. Ela tinha incendiado o bordel em que vivia aprisionada. Quando a polícia lhe perguntou o motivo, ela respondeu: “Eu morreria queimada feliz se o dono do bordel também morresse junto”. Olaizola entendeu o drama das jovens. Muitas acabam com aids; quase todas acabam com baixíssima autoestima. Quando começou a agir e viu a resposta generosa das pessoas, ele entendeu que Deus lhe pedia algo: “Eu não podia ficar de braços cruzados. Fui me envolvendo cada vez mais ao enxergar que havia possibilidades de ajudar quem não tinha ninguém”.
Um traço característico do trabalho é a inter-religiosidade. Rasami Krisanamis, tailandesa de origem chinesa que pertence ao movimento budista Santi Asoke, é uma das colaboradoras mais dedicadas do padre Alfonso.
Às vezes, José Luis comenta com o padre que não entende como consegue arrecadar e lhe enviar tanto dinheiro. O jesuíta responde: “São os anjos da guarda das meninas”.

Fonte: Zenit.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Estar atento ao Senhor que passa nesse natal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
 
Hoje, quarto e último domingo do Advento, a liturgia quer nos preparar para o Natal que já está às portas nos convidando a meditar o relato do anúncio do Anjo a Maria. O arcanjo Gabriel revela à Virgem a vontade do Senhor de que ela se torne a mãe do seu Filho unigênito: “Conceberás um filho, lhe dará à luz e o chamará Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1, 31, 32). Fixemos o olhar sobre esta simples jovem de Nazaré, no momento em que se torna disponível à mensagem divina com o seu “sim”; colhamos dois aspectos essenciais de sua atitude, que é para nós modelo de como se preparar para o Natal.
Antes de tudo, a sua fé, a sua atitude de fé, que consiste em escutar a Palavra de Deus para se abandonar a esta Palavra com plena disponibilidade de mente e de coração. Respondendo ao Anjo, Maria disse: “Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a sua palavra” (v. 38). No seu “eis aqui” cheio de fé, Maria não sabe por quais estradas deverá se aventurar, quais dores deverá sofrer, quais riscos deverá enfrentar. Mas é consciente de que é o Senhor a pedir e ela confia totalmente Nele e se abandona ao seu amor. Esta é a fé de Maria!
Um outro aspecto é a capacidade da Mãe de Cristo de reconhecer o tempo de Deus. Maria é aquela que tornou possível a encarnação do Filho de Deus, “a revelação do mistério, envolto no silêncio por séculos eternos” (Rm 16, 25). Tornou possível a encarnação do Verbo graças justamente ao seu “sim” humilde e corajoso. Maria nos ensina a colher o momento favorável em que Jesus passa na nossa vida e pede uma resposta pronta e generosa. E Jesus passa. De fato, o mistério do nascimento de Jesus em Belém, que ocorre historicamente há mais de dois mil anos, tem lugar, como evento espiritual, no “hoje” da Liturgia. O Verbo, que encontrou morada no ventre virginal de Maria, na celebração do Natal vem bater novamente à porta do coração de cada cristão: passa e bate. Cada um de nós é chamado a responder, como Maria, com um “sim” pessoal e sincero, colocando-se plenamente à disposição de Deus e da sua misericórdia, do seu amor. Quantas vezes Jesus passa na nossa vida e quantas vezes nos manda um anjo e quantas vezes não percebemos, porque estamos presos, imersos nos nossos pensamentos, nos nossos negócios e, até mesmo, nesses dias, nos nossos preparativos de Natal, de forma a não percebermos Ele que passa e bate à porta do nosso coração, pedindo acolhimento, pedindo um “sim”, como aquele de Maria. Um santo dizia: “Tenho temor que o Senhor passe”. Vocês sabem por que ele tinha temor? Temor de não perceber e O deixar passar. Quando nós sentimos no nosso coração: “Gostaria de ser melhor… Estou arrependido disso que fiz…” É justamente o Senhor que bate. Ele te faz sentir isso: a vontade de ser melhor, a vontade de permanecer mais próximo aos outros, a Deus. Se você sente isso, pare. É o Senhor ali! E vai fazer uma oração, talvez vá à confissão, a limpar um pouco… isso faz bem. Mas se lembrem bem: se sente esta vontade de melhorar, é Ele que bate: não O deixe passar!
No mistério do Natal, próximo a Maria está a silenciosa presença de São José, como é representado em cada presépio – também naquele que vocês podem admirar aqui na Praça São Pedro. O exemplo de Maria e de José é, para todos nós, um convite a acolher com total abertura de alma Jesus, que por amor se fez nosso irmão. Ele vem para trazer ao mundo o dom da paz: “Sobre a terra paz aos homens, que ele ama” (Lc 2, 14), como anunciaram em coro os anjos aos pastores. O presente precioso do Natal é a paz, e Cristo é a nossa verdadeira paz. E Cristo bate aos nossos corações para nos dar a paz, a paz da alma. Abramos as portas a Cristo!
Confiemo-nos à intercessão de nossa Mãe e de São José, para viver um Natal realmente cristão, livres de toda mundanidade, prontos para acolher o Salvador, o Deus-conosco.

Fonte: Zenit.

domingo, 21 de dezembro de 2014

"Quando a Igreja acredita que pode tomar conta das consciências das pessoas, a Igreja é estéril"

Na sua última missa matutina do ano, o Papa disse que a Igreja deve ser mãe e não empresária.


 
As leituras do dia (Jz 13,2-7.24-25; Lc 1,5-25), destacou o Papa, falam de dois dramas ligados à esterilidade, vencidos com o nascimento de Sansão e de João o Batista.
“Da esterilidade, o Senhor é capaz de recomeçar uma nova descendência, uma nova vida. E é esta a mensagem de hoje. Quando a humanidade acaba, não pode prosseguir, chega a graça e chega o Filho, trazendo a Salvação. E aquela Criação ‘esgotada’ deixa lugar à nova criação…”
“Nós esperamos Aquele que é capaz de recriar todas as coisas, de fazer novas todas as coisas. Aguardamos a novidade de Deus”. Isto é Natal! “A novidade de Deus que refaz, de modo maravilhoso, todas as coisas”. Francisco ressaltou que seja a esposa de Manoá, mãe de Sansão, como Isabel, tiveram filhos graças à ação do Espírito do Senhor.
Qual seria então a mensagem destas leituras? – questionou o Papa.  “Abramo-nos ao Espírito de Deus – respondeu. Nós, sozinhos, não conseguimos; é ele que pode fazê-lo”:
“Isso me faz pensar também na nossa mãe Igreja; nas muitas esterilidades que a nossa mãe Igreja tem: quando, pelo peso da esperança nos Mandamentos, aquele pelagianismo que todos nós trazemos nos ossos, se torna estéril. Acredita ser capaz de parir… não, não pode! A Igreja é mãe, e se torna mãe somente quando se abre à novidade de Deus, à força do Espírito. Quando diz a si mesma: ‘Eu faço tudo, mas acabei, não vou mais fazer‘, vem o Espírito”.
Esta constatação levou o Papa a uma reflexão sobre as esterilidades na Igreja e a abertura à fecundidade na fé:
“E também hoje é um dia para rezar pela nossa mãe Igreja, por tantas esterilidades no povo de Deus. Esterilidade de egoísmos, de poder…. Quando a Igreja acredita que pode tudo, que pode tomar conta das consciências das pessoas, de percorrer o caminho dos fariseus, dos saduceus, o caminho da hipocrisia, eh, a Igreja é estéril. Rezar. Que este Natal faça a nossa Igreja aberta ao dom de Deus, que se deixe surpreender pelo Espírito Santo e seja uma Igreja que faça filhos, uma Igreja mãe. Mãe. Muitas vezes eu penso que a Igreja em alguns lugares é mais empresária do que mãe”
“Olhando para esta história de esterilidade do povo de Deus e tantas histórias na História da Igreja que fazem a Igreja estéril – concluiu o Papa – peçamos ao Senhor, hoje, olhando para o Presépio”, a graça “da fecundidade da Igreja. Que antes de tudo, a Igreja seja mãe, como Maria”.

Fonte: Zenit.